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Cartola no vestibular? #73
Ouça episódio do #livroaberto do Instituto Claro sobre esta novidade na lista da Unicamp 2024.
Na playlist do Spotify "Livro Aberto - Livros Unicamp", você confere análises de outras obras do vestibular.
As 10 canções de Cartola escolhidas são: “Alvorada”, “As rosas não falam”, “Cordas de aço”, “Disfarça e chora”, “O inverno do meu tempo”, “O mundo é um moinho”, “Que é feito de você?”, “Sala de recepção”, “Silêncio em cipreste” e “Sim”. Algumas dessas canções são conhecidas do público jovem em função de terem sido regravadas por nomes consagrados e outros da atual geração da Música Popular Brasileira.
Segundo o professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP) Walter Garcia da Silveira Junior, antes de se tornar conhecido por suas músicas, Cartola enfrentou problemas por sua condição social, como não ter conseguido um emprego que garantisse sua estabilidade. Isto fez com que muitos estudiosos vinculassem a poesia do sambista a uma tradição oral. No entanto, Garcia ressalta que o artista teve oportunidade de estudar em uma boa escola nos primeiros anos de sua formação.
“O avô dele tinha sido levado da cidade de Campos para o Palácio do Catete, por Nilo Peçanha, então senador, depois presidente do país em 1909. E, posteriormente, a família dele vai morar em Laranjeiras. Então, durante essa época, esse período inicial da formação do Cartola, ele frequenta uma excelente escola primária, que vai ser responsável depois pelo Cartola ter um gosto pela poesia romântica. Não a poesia da literatura oral, mas a poesia escrita”, esclarece.
Três capítulos
Para este episódio do Livro Aberto, o professor dividiu as 10 canções escolhidas pelo vestibular da Unicamp em três capítulos: “O Morro”, que inclui as músicas “Sala de Recepção”, em que Cartola canta o amor pela escola de samba que ajudou a criar, a Mangueira , e“Alvorada”; “O Tempo”, que envolve as canções “O que é feito de você?”, “Silêncio de um Cipestre”, “O Inverno do meu Tempo” e “O Mundo é um Moinho”. Esta última utiliza a metáfora de um moinho que tritura sonhos, para alertar a juventude sobre o que o autor aprendeu ao longo da vida. Em outro capítulo, “Lirismo Amoroso”, estão “Sim”, “Cordas de Aço”, “Disfarça e Chora” e aquela que, talvez, seja a composição mais conhecida de Cartola: “As Rosas não falam”.
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#72 Hino da anistia, ‘O Bêbado e a Equilibrista’ ainda hoje pode servir de alerta contra ataques à democracia
Composição nasce quando João Bosco recebe notícia da morte de Chaplin.
“O Bêbado e a Equilibrista” é a composição da dupla João Bosco e Aldir Blanc que se tornou conhecida como o hino da anistia durante o período da ditadura civil-militar no Brasil. A música tem origem no Natal de 1977, quando João Bosco é avisado da notícia da morte de Charlie Chaplin.
“O Chaplin era e continua sendo um cineasta, um ator, um escritor, um compositor que levava para as telas de cinema situações específicas de uma certa classe social… Ele estava sempre na classe dos vagabundos, dos sem-emprego, daqueles que não têm facilidade para nada nessa vida… E fazia daquilo algo engraçado, positivo, ou seja, ele empurrava a gente para a frente, sempre naquela situação de dificuldade”, conta João Bosco neste podcast do Instituto Claro.
Ele revela que a primeira coisa que pensou naquele 25 de dezembro de 1977 foi na canção “Smile”, que logo passou a dedilhar no violão. É em torno dessa composição de Chaplin que se constrói a melodia de “O Bêbado e a Equilibrista”.
A música ganha registro definitivo no LP “Essa Mulher”, de Elis Regina, em 1979. A letra é de Aldir Blanc, que acrescenta a temática social com expressões e rimas como “Brasil” e “irmão do Henfil”. “O Bêbado e a Equilibrista” é repleta de metáforas e recados diretos para um país que sentia saudade de pessoas que haviam sido obrigadas a se exilar pelos seus pensamentos e posturas.
“Isso é a genialidade do Aldir! Simplesmente pega aquele tema chapliniano, projeta numa situação do Brasil naquele momento, nós estamos numa ditadura militar no ano de 1978 e, então, ele começa — através do Chaplin — a contar a realidade brasileira naquele momento”, celebra Bosco.
Antecipando-se à Lei da Anistia, sancionada pelo presidente João Batista Figueiredo em 28 de agosto de 1979, a gravação de Elis se torna a trilha sonora das mobilizações sociais pelo retorno de brasileiros que estavam exilados, como Betinho, o irmão de Henfil citado na composição.
“A Elis não era uma extraterrestre que chegou e viu uma situação e lançou uma música, ela fazia parte daquela população que estava profundamente insatisfeita. […] João, o Aldir e ela, os arranjos do César Mariano e tudo, a gravação, eles capturaram o que as pessoas estavam sentindo. Se existe o inconsciente coletivo, naquele instante, ele foi lido e foi traduzido”, comenta o filho da artista e produtor musical, João Marcello Bôscoli.
Ameaça à democracia mantém canção atual
Para Bôscolli, toda vez que essa música volta a ficar atual serve como alerta para a sociedade e como motivação para lutar pela democracia. “Quando você olha a música pelo que ela se propõe a denunciar, a falar, a tratar, toda vez que ela começa a fazer sentido, é um alarme pra dizer que a gente está numa situação estranha. Se ela está fazendo sentido, vamos observar o que está acontecendo na sociedade, né?”.
O repórter do Segundo Caderno do jornal O Globo e escritor, Silvio Essinger, concorda e completa: “O Bêbado e a Equilibrista serve para mostrar também que, quando muitas pessoas se juntam para defender esses ideais, não tem tempo ruim que dure para sempre”.
Ainda no áudio, João Bosco revela que nos shows, ao tocar os primeiros acordes da canção, o público se emociona e canta: “como se todos tivessem uma razão em comum por estar ali”. Ele também percebe que, em alguns momentos, a música volta a ganhar uma atualidade preocupante.
“Vivemos numa democracia, mas é uma democracia que tem que ficar muito atento e que inspira cuidados […]. Essa música está sempre sendo chamada para fazer parte desse dia a dia, dessa cantoria, desse show, enfim. Infelizmente ela está sempre falando de coisas que se repetem”, constata.
O Tons do Brasil recebeu a cantora jundiaiense Laís Dias, de nome artístico LALA, que iniciou sua carreira artística aos 5 anos de idade, em diversas áreas, como teatro, canto, cinema, sapateado e jazz. Como artista profissional, atuou nos musicais "Um Violinista no Telhado", com direção de Möeller e Botelho; "O Rei Leão", montagem oficial da Disney e Time For Fun; e "High School Musical - On Stage", com direção de Vivien Fortes; além de contracenar na novela "Sangue Bom", da TV Globo. No cinema, seus dois trabalhos mais recentes estrearam na Netflix, em 2021. São os longas-metragens: "Os Amigos", de Lina Chamie e "Mãe Só Há Uma", de Anna Muylaert.
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Paulo Braga desenvolve intenso trabalho de pesquisa sobre o piano no Jazz e na MPB, bem como suas fusões com a música de vanguarda. Músico requisitado da cena musical, é integrante do QuartaD, do Trio Bonsai, do Trio 3-63 e Duo com o guitarrista Lupa Santiago, e desde 1988, é parceiro de Arrigo Barnabé em diversos projetos.
Paulo é jundiaiense, formado em piano pelo Conservatório de Tatuí e foi o responsável pela criação do Departamento de Música Popular, que coordenou até 1994. Foi professor da UNICAMP e atualmente exerce a função de Coordenador Artístico e Pedagógico na EMESP – Tom Jobim (Escola de Música do Estado de São Paulo). Como professor já participou de festivais em Tatuí, Curitiba e Ourinhos e ministrou workshops na Juilliard School em NYC, se apresentando na programação do Carnegie Hall.
Braga também atua como curador, tendo participado do Prêmio Visa Instrumental, Itaú – Rumos, Jam SESC, Festival Brasil Instrumental, Mostra de Piano na Casa de Francisca, IlhaBela in Jazz, Festival Moacir Santos. Atuou como solista frente algumas importantes orquestras e grupos, dentre eles a Banda Sinfônica e Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo, a Royal Philarmonic Concert Orchestra, a Camerata Villa Lobos, a Camerata Antiqua de Curitiba, e a Orquestra Sinfônica e Camerata de Cordas de Tatuí.
Cantor e Compositor nascido em 22 de abril de 1969, no bairro da Ponte São João, em Jundiaí, interior de São Paulo, atua na área musical há 35 anos levando a Música Popular do Brasil para várias cidades e estados do país e para o exterior.
Seus primeiros contatos com a música se deram ainda na infância, quando aos 7 anos começou a tocar violão intuitivamente.
Estudou nos anos 1980 com professores como David Barcellos e Tato Boareto.
Ingressou na comunidade cristã do bairro em que nasceu onde desenvolveu a prática de conjunto tocando com outros membros das comunidades da cidade, participando de encontros e festivais religiosos e tocando nas celebrações semanais da igreja.
Formou seu primeiro grupo, Filhos do Sol, ainda na escola do ensino fundamental do SESI para se apresentar nas gincanas e nos eventos escolares.
A Partir de 1986 passou a encarar a música como profissão.
Participou então como vocalista e violonista de grupos regionais como o Tá Zoeira e como percussionista do Cordas Vocais e Clave de Fá.
Em 2017 o Clave de Fá se transformou na banda Mágicos e Misticos onde Tom Nando atuou como cantor e violonista no show "Venâncio Furtado - um visionário pelos ares da ilusão" que gerou um DVD gravado ao vivo no SESC Jundiaí.
Em 1989 fundou o Trio em Transe.
Com o grupo percorreu o Brasil apresentando repertório de MPB e de músicas autorais, participou de festivais e festejos em vários estados, fez apresentações em carnavais de salão e de rua e alcançou vôos internacionais para levar a cultura brasileira para o Caribe, Espanha e Tailândia.
Como vocalista e compositor da banda Trio em Transe lançou dois CDs e um DVD lançado no ano de 2008, gravado ao vivo com canções autorais.
É ativamente participante do Conselho Municipal de Cultura de Jundiaí
No ano de 2002 Participou como diretor musical da exposição NEGRO EM MOVIMENTO, organizado e idealizado pelo fotógrafo JOÃO BALLAS e por Vanderlei Victorino - BA
Atuou como músico ator do projeto JOVEM SIM, E DAÍ? com a CIA PAULISTA DE ARTES, um projeto para adolescentes apresentado em escolas do estado de SP.
Fez trilhas para peças teatrais do PERFORMÁTICO ÉOS, especialmente para personagens de sua irmã integrante do grupo, a atriz MARICI NICIOLI.
Carnavais
Outra manifestação cultural que Tom Nando participa ativamente é o carnaval.
Nos primeiros anos da década de 1990 cantou com grupos musicais expressivos do carnaval de salão dos clubes jundiaienses e com seu próprio grupo se apresenta por clubes e bailes de rua desde 1998.
Mas é no carnaval de rua que faz o seu melhor papel.
Ao lado de Tomé Zabelê emplacou por 3 anos seguidos (1996, 1997 e 1998) os sambas de enredo da Escola de Samba União da Vila Rio Branco onde, além de compositor, foi também o puxador na avenida.
Em 2012 Participou da criação do Bloco Chupa que é de Uva e pela primeira vez puxou um trio elétrico na rua. Foi a coração da participação do cantor na maior manifestação popular do mundo.
Em 2015 criou ao lado do bailarino e coreógrafo VANDERLEI VICTORINO - BA o BLOCO KEKERÊ que trouxe para o interior de São Paulo toda a magia dos blocos afros e de afoxés da Bahia.
Uma forte vertente no trabalho de Tom Nando é a musicalidade herdada da África. Na Bahia ele encontra as referências para produzir seu trabalho e apresentar ao público sua performance e sua alegria.
Desde 2018 é membro da ala de compositores e cantor no desfile oficial do BLOCO REFOGADO DO SANDI, o maior e mais tradicional bloco de carnaval de rua de Jundiaí.
Novos projetos
Atualmente está focado em trabalhos autorais e apresentações online devido a pandemia que o mundo enfrenta.
"Tenho o objetivo de apresentar meus pensamentos através da minha música.
Estou compondo e gravando essas idéias para apresentar ao mundo o que penso e sou."
Integrante e Baterista oficial da banda RPM. Substituiu Paulo Pagni (baterista da formação original) de junho 2018 até junho de 2019 e após seu falecimento ficou como baterista contratado até Novembro de 2022 , onde foi convidado e tornou-se integrante oficial.
Proprietário e professor da (Escola De Bateria "Kiko Zara"- Jundiaí-SP) desde 2003.
Free Lancer em shows e gravações, com diversas bandas da região;
Baterista e produtor musical da cantora Geisa Mel - (Geisa Mel & Banda)
Duo com Geisa Mel & Kiko Zara (Pop Rock Internacional) Eventos.
O Tons do Brasil recebe a paulistana Bruna Funari (@brunafunari) cantora, produtora, ativista LGBTQIA+, idealizadora do projeto "Artistas na Cidade" (@artistasnacidade). A apresentação é de Shirley Espíndola (@shirleyespindola.oficial) #67
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O podcast Tons do Brasil recebe Sara Negritri (@saranegritri) que lança o livro “Samba e Pandemia – 2021: O Ano em que o Samba Parou”
O livro, traça uma linha histórica desde os batuques nos navios negreiros e a escravidão até os impactos da pandemia nas escolas de samba de São Paulo
A obra convida, ao longo das 200 páginas, à reflexão acerca da história do samba de forma inédita, ao mesmo tempo em que traz o profundo impacto da pandemia do COVID-19 na cadeia produtiva do Carnaval, no universo do Samba e das Escolas de Samba. A apresentação é de Shirley Espíndola (@shirleyespindola.oficial).
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A paulistana Cristina Guimarães lança seu primeiro EP, Em Canto. O trabalho, de voz e piano, traz quatro composições que a apresentam como uma intérprete singular, de timbre grave e aveludado, que imprime sua identidade à música popular brasileira.
Na primeira faixa, “Caso Você Case” (Vital Farias), o arranjo intimista sugere a docilidade de uma caixinha de música e endossa a feminilidade contida na letra que invoca o despertar da mulher para sua individualidade. Em contraponto, a tonalidade grave de voz de Cristina confere força à mensagem da canção: “Caso você case / Não escreva a nota / Não destrave a porta / Não esteja morta / Não estrague a horta”.
Das quatro faixas do EP, duas foram lançadas como singles. A primeira é “Dindi”, um clássico de Tom Jobim (parceria com Aloysio de Oliveira) e um dos ‘hinos’ da bossa nova. “A bossa nova foi fundamental na minha formação. Ouvia porque queria entender a harmonia, a sonoridade, o coloquial, o inusitado que esse movimento trouxe”, revela a cantora. A outra é “Tempo Velho”, de Douglas Germano - compositor contemporâneo, expoente do samba paulista. Essa música traduz a metrópole, a musicalidade paulistana, sobre a qual ela comenta: “o verso ‘minha voz é vento’ é muito representativo para mim nesse momento de retomada da carreira, é uma verdade em mim”.
Pérola de Lupicínio Rodrigues, “Nunca” fecha o EP Em Canto: outra canção clássica que amarra a ideia da intérprete de retomar sua voz cantada com um trabalho clássico, mas livre de estereótipos. “Esta música surgiu no processo de criação do trabalho, perfeita para o contexto que idealizei apresentar”, afirma.
Em Canto tem produção musical de Luis Felipe Gama, que também executa o piano e assina os arranjos.
Cristina Guimarães, que é filha de pianista, descobriu o amor pelo canto na juventude. Estudou canto; formou-se em Psicologia na Universidade São Francisco, em Itatiba, SP; cursou Psicanálise na Escola de Psicanálise de Campinas e segue em formação no Instituto Vox de Pesquisa em Psicanálise, em São Paulo, cidade onde mantém trabalho em consultório. Paralelamente, seguiu cantando. Em Campinas, foi a voz de grupos que se apresentavam na cidade, atuando ao lado de instrumentista de renome como o pianista Bebeto von Buettner, o baterista Ramo Montagner e, no Trio Azeviche, com o guitarrista Bruno Mangueira e o baixista Marcos Souza, entre outros.
Em 2019, a pianista e cantora Cida Moreira, com quem fazia aulas de canto, incentivou-a assumir definitivamente sua relação com a música. Foi quando decidiu investir em um trabalho próprio de intérprete, gravar alguns singles e, finalmente, lançar seu primeiro EP. Cristina também prepara o show Presente & Cotidiano, com canções compostas e gravadas por Luiz Melodia, uma paixão que pretende colocar no palco em breve, junto com André Bedurê (direção musical, violão e baixo), Gustavo Souza (bateria) e Rovilson Pascoal (guitarra). Esse trabalho de releituras é pautado pela originalidade, trazendo arranjos que apresentam Cristina Guimarães interpretando Luiz Melodia.
FICHA TÉCNICA - Em Canto (EP) - Voz: Cristina Guimarães. Piano, arranjos e produção musical: Luis Felipe Gama. Faixas: 1 - Caso Você Case (Vital Farias); 2 - Dindi (Antônio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira); 3 - Tempo Velho (Douglas Germano); 4 - Nunca (Lupicínio Rodrigues). Captação de áudio (2021): Beto Mendonça e Gustavo do Vale - Estúdio 185 Apodi. Edição: Luiz Bueno e Pedro Luz. Mixagem e masterização (2022): Alexandre Fontanetti e Luiz Bueno - Estúdio Space Blues. Produção fonográfica: Cristina Guimarães. Fotografia: Gal Oppido. Capa/arte: João Nunez. Assistência de produção: Liliane Pugliesi. Distribuição digital: Tratore.
Lançamento/single: Em Canto
Artista: Cristina Guimarães
Data: março/2023
Nas principais plataformas de música.
Pre-save: https://tratore.ffm.to/cristinaem
Na rede: @cristinahguimaraes
Informações à imprensa: VERBENA ASSESSORIA
Eliane Verbena
Pesquisa com jovens da Orquestra Sinfônica Heliópolis mostra transformação por meio da música
Professora entrevistou integrantes em vulnerabilidade social que encontraram novas perspectivas de vida
É possível comprovar a relação entre música e cidadania a partir da experiência da primeira orquestra criada em uma favela no Brasil? Essa foi a pergunta que motivou a pesquisa da professora do Programa de Pós-graduação em Humanidades, Direitos e outras Legitimidades do Diversitas da Universidade de São Paulo (USP) Sandra Regina Chaves Nunes. Em busca da resposta, ela entrevistou treze integrantes da Orquestra Sinfônica Heliópolis, além de um dos maestros que está desde a fundação do Instituto Baccarelli, organização sem fins lucrativos responsável pelas aulas e manutenção do grupo.
“Tinha uma das falas que era assim ‘eu podia pegar num revólver ou no violino. Eu fiz a opção pelo violino’. [A orquestra] é uma forma de tirar [o jovem] de uma condição de vulnerabilidade. E foi efetivamente nas entrevistas que eu pude ouvir o quanto mudou. E não só mudou pra ele, mas muitas vezes mudou pra família dele. É uma abertura de horizontes, passar a sonhar, ter outro estilo de vida, que ele não imaginava pra ele”, afirma.
“Teve uma menina que a mãe ficava felicíssima e que ela conseguia ganhar dinheiro com música – porque no primeiro momento ninguém acredita: ‘como assim, você vai escolher música? Olha a sua realidade, de onde você vem, o seu lugar social’. E aí a mãe ficou impressionada, porque ela fala disso: ‘eu posso viver fazendo o que eu gosto e eu tenho o salário que eu levo pra minha família’”, relata a professora.
Nunes cita, ainda, o relato de um jovem que passou a pensar em estudar filosofia e fazer parte de outras orquestras pelo mundo como possibilidades de futuro. “E ele disse pra mim ‘eu não sonhava antes’. Não é que ele viajou, mas, pela música, ele viu a possibilidade de viajar. Ele viu a possibilidade de ir além. Como todos. O que todos diziam é ‘a gente passou a sonhar que há possibilidade de ser, que a gente pode ir para um outro lugar’”, conta.
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