Que gostoso aquele boy do Carnaval carioca! Aquela delicinha, com papo bom, beijo perfeito e aquele jeito acolhedor que te aquece, cada vez que estão juntos. Mas... será? Fecha os olhos e se concentra naquilo que você viveu, de fato, e não das memórias que você inventou com tanto amor e carinho sobre uma "relação" que você tanto fantasiou. Lembra daquele final de semana inesquecível? Pois é, ele não existiu, porque ele só aparecia durante a semana, muito provavelmente depois das dez da noite. No fundo, você sabe que ele tá a fim de comer alguém, abriu a lista de contatos e considerou que você é a que vai dizer sim mais depressa. Você é a que vai acreditar nas declarações feitas por áudio às 23:20 enquanto ele pega a moto para te buscar em casa. E é bom que você esteja descansada, porque, no dia seguinte, ele vai te colocar para fora seis da manhã dizendo que tem vinte e duas coisas para resolver antes do trabalho. Mas, tudo bem, porque depois do baseado maravilhoso que vocês fumarem na madrugada, ele vai te fazer uma tapioca para cuidar da sua larica. Tudo bem que, na hora que você acordar, não vai dar tempo de comer, mas o importante é que ele fez um miojão com tudo dentro depois da trepada na porta do apartamento dele, porque é tanto tesão, que ele só afastou sua calcinha pro lado. Te comeu e te alimentou em seguida, para que mais? Eu sei, eu sei que ele some. Ele te deixa sem resposta. Ele escuta seu áudio contando que a sua avó está internada e ignora. Mas quando ele volta, as desculpas fazem sentido. É que ele tá muito enrolado no trabalho, teve uma crise de ansiedade na semana passada, está ajudando o irmão mais novo numa pesquisa de química. Ele escutou sobre sua avó, sim, e enviou energias para ela, mas foi justamente na semana da crise de ansiedade, caramba, perdão, linda, perdão, está tudo um caos. Ele é um caos. Uma delícia de caos, como resistir? Pois é, nem você, nem eu, nem Ofélia resistimos. Quem nunca?