“Giuseppe Verdi é a quinta-essência da Itália no século 19. É a figura emblemática da Itália como uma nação que pode se chamar assim, sem estar subordinada a ninguém, uma nação que tem hino, bandeira, idioma –uma nação, portanto, que joga a Copa do Mundo quando não dá vexame nas eliminatórias. Giuseppe Verdi foi isso tudo porque soube ser o artista antena da raça, soube captar as aspirações de seus contemporâneos e soube traduzi-las em música, de um jeito que todo mundo, em sua época, se identificou, e soube vestir a camisa azurra, a camisa da unificação. Ele fez isso com tanta força e com tanta maestria que, mesmo hoje, nós, que não temos nada a ver com a unificação italiana, conseguimos ser tocados e nos identificar com a sua mensagem. É a mensagem de alguém que soube ouvir a sociedade da sua época, que não subiu na torre de marfim e soube unificar as suas reivindicações e dar a sua tradução mais convincente e mais veemente.”
Quem fala é o jornalista e tradutor Irineu Franco Perpetuo, um dos grandes estudiosos da música erudita no Brasil, em programa especial de Eleonora e Rodolfo, do TUTAMÉIA, em homenagem a Verdi, morto há 120 anos, em 27 de janeiro de 1901. Ao longo da entrevista, conversamos sobre as principais óperas do grande compositor italiano e sobre sua importância política, sem deixar de falar de seus romances, intrigas, ciumeiras e pitis.