Em julho de 2020, o Congresso aprovou o Marco do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020), que estabeleceu metas de universalização de água potável e expansão da rede de esgoto para 90% dos municípios até 2033.
Uma das principais entregas do governo Bolsonaro na área da infraestrutura, a lei fomentou a concorrência e a regionalização dos serviços. O setor, que era dominado por empresas estatais até então, ofereceu fortes atrativos para a entrada da iniciativa privada.
No mesmo ano, a Aegea, empresa de saneamento considerada um exemplo de expansão agressiva sobre as concessões de água e esgoto no país, procurou o Ministério Público para revelar ter promovido um esquema de corrupção que movimentou pelo menos R$ 63 milhões entre 2010 e 2018.
Executivos e colaboradores ligados à empresa admitiram o pagamento de propinas a agentes públicos em pelo menos seis estados e 20 municípios para obter ou manter concessões de água e esgoto, segundo documentos e anexos de uma delação premiada homologada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2025, ainda sob sigilo, aos quais o UOL teve acesso.
A Aegea saltou de seis municípios atendidos em 2010 para 126 cidades em 2021, em 12 estados, atendendo mais de 11 milhões de pessoas.
Neste episódio do podcast UOL Prime, o colunista do UOL Graciliano Rocha revela detalhes do esquema de corrupção promovido pela Aegea e conta para o apresentador José Roberto de Toledo sobre como a decisão pela delação premiada estava conectada à mudança estrutural nos serviços de saneamento. A apuração foi feita com o repórter Eduardo Militão.
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