Escritor Milton Hatoum, autor de "Dois Irmãos", fala ao TUTAMÉIA sobre a literatura palestina e a tentativa de ocultamento do genocídio em Gaza, processo que se desenrola há 75 anos: ""O colonizador quer sempre apagar a cultura, a língua, a voz do colonizado".
Sobre isso e sobre o comportamento de intelectuais em relação ao massacre do povo palestino pelo governo de Israel, ele diz:
"Foram assassinados ontem [20.11.23] dois jornalistas libaneses, que se somam a mais de 50 jornalistas. É matar a informação. Não querem que o mundo saiba o que está acontecendo. Como mataram poetas nesse bombardeio de Gaza. Mataram poetas, além de jornalistas. Mataram uma escritora.
São tantos assassinatos, são tantos massacres ao longo desses setenta e cinco anos que é difícil você aceitar como é que as pessoas ainda hesitam, como é que esses intelectuais ainda se desviam da verdade, recuam, se escondem.
A quinta potência militar do mundo, com total apoio dos Estados Unidos, está destruindo uma metrópole, a única metrópole -pobre, é verdade, miserável, mas uma metrópole, que tinha teatros, que tinha universidades, que tinha livrarias, que tinha uma vida cultural, que tinha tudo. Não tinha água, é verdade, não tinha luz, mas vivia. Destruir isso, e você ficar calado?! Onde está a humanidade das pessoas? Que humanistas são esses? Eu não espero [nada] da imprensa, é uma vergonha o que está acontecendo. Mas sempre há pessoas decentes, honestas e corajosas, eu acho. Sempre."