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USP Especiais - USP episodes

  • USP Especiais #21: O choro pelos chorões, segundo "Animal" – parte 2
    O segundo programa da série O Choro pelos Chorões, com texto retirado do livro de Alexandre Gonçalves Pinto, também conhecido como “Animal”, foi escrito em 1936, e nos traz importantes descrições e vivências do ambiente do choro nesse período, com o autor sendo testemunha dos fatos e causos, conhecendo pessoalmente os grandes músicos dessa história.
    As figuras são lembradas de modo sincero, como o maestro e professor Anacleto de Medeiros que “era um diretor de música caprichoso e violento, porém, quando não tinha na mão uma batuta, era um cordeiro de mansidão”. A musicista Lily S. Paulo foi lembrada pela doce voz e sua excelência na harmonia, nos mostrando a existência de figuras femininas no meio. Muitos outros são citados com importantes descrições, o que nos dá um arcabouço por vezes negligenciado historicamente.
    Com uma escrita sentimental e poética, carregada de adjetivos elogiosos, mas não exagerados, Animal nos mostra um excelente documento sobre o meio social da época, como se nota, por exemplo, no contexto de camaradagem e consideração que se tinha um para com o outro entre os chorões.
    Aparecem músicos como Donga, batuta das rodas de Pixinguinha; o erudito Villa-Lobos, também ele um dos frequentadores das rodas de choros; o flautista e compositor Benedito Lacerda; os violonistas Canhoto e João Pernambuco; e, por fim, o violonista e compositor Guilherme Cantalice, admirado pela sua musicalidade extrema.
    Um excelente documento histórico para ser escutado ao sabor de uma música verdadeiramente boa, de uma época em que a beleza se escutava na esquina.
    Créditos do programa
    Pesquisa e textos: Amanda Ferraresi
    Apresentação (interpretação de “Animal”): Cido Tavares
    Os textos do programa foram extraídos do livro O choro – Reminiscências dos Chorões Antigos.
    1 hr
  • USP Especiais #20: O choro pelos chorões, segundo "Animal" – parte 1
    Alexandre Gonçalves Pinto, também conhecido como “Animal”, é autor de um conjunto de histórias que revela a nostalgia de um tempo vivido próximo dos chorões da primeira metade do século 20. O texto dessa narrativa é de 1936 e, nele, Animal descreve como eram os músicos e compositores dessa linhagem da música brasileira, o choro. Conta também os feitos e causos, com uma narrativa apaixonante que nos transporta no tempo.
    Na narrativa sobre o flautista Joaquim Antônio Callado, por exemplo, para além do prestígio do músico e compositor, encontramos os detalhes de seu contexto e de sua vida.
    Outro destaque do programa é Salvador Marins, com seu código para sinalizar aos demais do grupo que naquele “pagode” não havia “pirão”. Música e comida andavam juntos.
    O programa também lembra do excelente flautista e maestro Alfredo Vianna, com seu imenso arquivo musical de partituras que, mais tarde, ficaria em poder de seu filho, Pixinguinha.
    Com muito afeto, o autor nos mostra um Ernesto Nazareth muito cavalheiro, um gentleman tão fino quanto suas melodias e suas harmonias. Mas também expõe defeitos e causos, como no caso de Josino Facão e das troças que se aprontava com ele e seu oficleide. Ou ainda como da flauta velha de Leopoldo Pé de Mesa.
    Temos Chiquinha Gonzaga, figura feminina que abre as portas de um ambiente pouco vivido pelas mulheres daquela época. E Catulo da Paixão Cearense, herdeiro dos trovadores que, com seu poema Passado traz esse tempo nostálgico.
     
    Créditos do programa
    Pesquisa e voz adicional: Amanda Ferraresi
    Interpretação do poema O passado, de Catulo da Paixão Cearense: Gustavo Xavier
    Interpretação de “Animal”: Cido Tavares
    Os textos do programa foram extraídos do livro O choro – reminiscências dos chorões antigos.
    59 min
  • USP Especiais #19: Ernesto Nazareth
    Em 1928 Mário de Andrade publicou um texto sobre Ernesto Nazareth que, naquele momento, estava na faixa dos 60 anos. Nesse texto não podemos deixar de antever a importância do compositor para a cultura brasileira. Mário faz uma defesa clara das suas qualidades e mostra como a vida de Nazareth continuava a ser um tanto desfavorável. Como sintetiza o escritor: “Lutar sofrendo a história eterna do verso: a vida é um combate”.
    Em um texto que prima por ser também uma bela descrição, Mário de Andrade mostra a trajetória do compositor, dos estudos iniciais com a mãe ao piano até a “desnecessidade” de estudar piano e composição com Eduardo Madeira ou Charles Lambert, uma vez que Nazareth tinha a facilidade própria dos gênios. Contudo, aprendeu com eles a introjetar, por si só, a humanidade: “Ernestinho compreendeu que todas as hastes desse mundo altivo, sejam notas de música, mínimas ou fusas, sejam seres humanos, maguaris ou catataus, carecem de estar em pé, bem firmes, e mesmo bem sozinhas”.
    A obra de Ernesto Nazareth é pianística, mas, ao mesmo tempo, nela aflora a brasilidade rítmica que torna este um aspecto principal de reconhecimento: essa música é Ernesto Nazareth. “É certo que a obra de Ernesto Nazareth tem uma boniteza, uma dinâmica fora do comum. Que força de invenção rítmica ele possui! Está certo, poderão falar que afeiçoa especialmente a certas fórmulas de medida que se repetem em obras diferentes. Também está certo, porém, isso não quer dizer pobreza, não. É de uma variedade rítmica estupenda. E entre os parceiros dele não tem nenhum que seja tão couro n’água para desenvolver um motivo rítmico”.
    Ernesto Nazareth foi aquele que imprimiu os modelos de composição que se deram naquele tempo e ambiente. “Na obra dele, prodigiosamente fecunda, a gente já encontra manifestações inconfundivelmente nacionais. E, em geral, quase tudo que se tornaria mais tarde processos, fórmulas e lugares comuns melódicos, rítmicos, pianísticos nacionais, sobretudo entre compositores de maxixes.”
    Mário de Andrade é técnico e didático ao mesmo tempo, e nos aproxima de Nazareth com reconhecimentos inegáveis: da produção ao piano; dos ritmos brasileiros traduzidos de modo muito idiomático e orgânico; da harmonia chopiniana e, sobretudo, da genialidade de um compositor muito brasileiro.
    Se as palavras de Mário de Andrade são categóricas e legítimas, elas não servem para alçar Ernesto Nazareth. Na verdade, reconhecem e, já naquele tempo, fazem justiça à genialidade do grande compositor que Ernesto Nazareth foi e continua sendo.
    O texto original de Mário de Andrade foi publicado na revista Ilustração Brasileira, em 1928, e pode ser acessado aqui.
    Créditos do Programa
    Pesquisa, voz adicional e estágio em produção: Amanda Ferraresi
    Voz: Cido Tavares
    57 min
  • USP Especiais #19: Ernesto Nazareth
    Em 1928 Mário de Andrade publicou um texto sobre Ernesto Nazareth que, naquele momento, estava na faixa dos 60 anos. Nesse texto não podemos deixar de antever a importância do compositor para a cultura brasileira. Mário faz uma defesa clara das suas qualidades e mostra como a vida de Nazareth continuava a ser um tanto desfavorável. Como sintetiza o escritor: “Lutar sofrendo a história eterna do verso: a vida é um combate”.
    Em um texto que prima por ser também uma bela descrição, Mário de Andrade mostra a trajetória do compositor, dos estudos iniciais com a mãe ao piano até a “desnecessidade” de estudar piano e composição com Eduardo Madeira ou Charles Lambert, uma vez que Nazareth tinha a facilidade própria dos gênios. Contudo, aprendeu com eles a introjetar, por si só, a humanidade: “Ernestinho compreendeu que todas as hastes desse mundo altivo, sejam notas de música, mínimas ou fusas, sejam seres humanos, maguaris ou catataus, carecem de estar em pé, bem firmes, e mesmo bem sozinhas”.
    A obra de Ernesto Nazareth é pianística, mas, ao mesmo tempo, nela aflora a brasilidade rítmica que torna este um aspecto principal de reconhecimento: essa música é Ernesto Nazareth. “É certo que a obra de Ernesto Nazareth tem uma boniteza, uma dinâmica fora do comum. Que força de invenção rítmica ele possui! Está certo, poderão falar que afeiçoa especialmente a certas fórmulas de medida que se repetem em obras diferentes. Também está certo, porém, isso não quer dizer pobreza, não. É de uma variedade rítmica estupenda. E entre os parceiros dele não tem nenhum que seja tão couro n’água para desenvolver um motivo rítmico”.
    Ernesto Nazareth foi aquele que imprimiu os modelos de composição que se deram naquele tempo e ambiente. “Na obra dele, prodigiosamente fecunda, a gente já encontra manifestações inconfundivelmente nacionais. E, em geral, quase tudo que se tornaria mais tarde processos, fórmulas e lugares comuns melódicos, rítmicos, pianísticos nacionais, sobretudo entre compositores de maxixes.”
    Mário de Andrade é técnico e didático ao mesmo tempo, e nos aproxima de Nazareth com reconhecimentos inegáveis: da produção ao piano; dos ritmos brasileiros traduzidos de modo muito idiomático e orgânico; da harmonia chopiniana e, sobretudo, da genialidade de um compositor muito brasileiro.
    Se as palavras de Mário de Andrade são categóricas e legítimas, elas não servem para alçar Ernesto Nazareth. Na verdade, reconhecem e, já naquele tempo, fazem justiça à genialidade do grande compositor que Ernesto Nazareth foi e continua sendo.
    O texto original de Mário de Andrade foi publicado na revista Ilustração Brasileira, em 1928, e pode ser acessado aqui.
    Créditos do Programa
    Pesquisa, voz adicional e estágio em produção: Amanda Ferraresi
    Voz: Cido Tavares
    57 min
  • USP Especiais #18 - Minorias na ditadura
    Apresentando um recorte musical revelador, programa traz grandes composições da música popular brasileira. Canções fortes que denunciaram as repressões, censuras e dores vividas pelas minorias durante a ditadura militar. Mulheres pobres, camponeses, moradores da periferia, público LGBT e povos indígenas, representam os grupos minoritários vítimas de uma série de atrocidades cometidas ao longo de todo o período em questão.
    Algumas das mais importantes vozes da periferia durante a ditadura, por exemplo, foram as escolas de samba. As letras dos sambas-enredo contavam a luta pela liberdade. Fatos históricos como a Inconfidência Mineira, abolição da escravatura e a proclamação da República viraram temas contra o regime militar. O samba-enredo Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade, de Martinho da Vila, mostra bem essa intenção.
    Nara Leão, Chico Buarque, Edu Lobo, Sérgio Ricardo, Capinan e João do Vale são algumas das importantes vozes trazidas à baila no episódio. Contextualizado com diversos registros históricos que vieram à tona por meio da Comissão da Verdade, o programa nos conduz a uma escuta musical cortante e fundamental para a compreensão do que foi a trágica época do regime militar e seu impacto sobre a cultura, a política e a sociedade.
     
    Créditos do programa
    Pesquisa e roteiro: Gustavo Xavier, Patrick Moreira Lima e Vitor Ramirez
    Locução: Cido Tavares, Patrick Moreira Lima e Gustavo Xavier
    Vozes interpretadas: Vitor Ramirez e Simone Lemos
    57 min
  • USP Especiais #17 – Cidades, lugares e viagens em espanhol
    A música popular espanhola pode seguir uma trilha das trilhas, ou seja, fazer da viagem o caminho das suas composições. Um caminho cujo itinerário pode não ser somente das paisagens do interior da Espanha, mas também das paisagens necessárias ao imigrante na sua forma nômade de sobrevivência. E o sentimento de um pertencer particular: “De ningún lado del todo, y de todos lados un poco” (a nenhum lugar completamente, mas todos os lugares, um pouco), como na letra de Movimiento, de Jorge Drexler, o qual tem também a propriedade da fala de um imigrante.
    O querer descobrir o novo é o que nos coloca em movimento. Esse novo pode estar numa Madri de Joaquin Sabina, da música Pongamos que Hablo de Madri, com sua beleza estonteante, mas que, ao mesmo tempo, pode ser uma metrópole fria e distante. Ou, sobre a mesma cidade, a possibilidade de um olhar delicado, como vemos em Adjunto Foto del Café Verbena, da cantora Zahara. E como é importante, também, viver longe da cidade. Muerdo convida Maria Rozalén na música Lejos de la ciudad, convocando-nos a enxergar a importância de viver num tempo diferente, de “la flor de la libertad”, sem sermos “esclavos del mal”, como alerta a letra.
    O movimento, por vezes, se faz urgente, nos torna nômades por sobrevivência. Rupatrupa, em El Exilio, traz o retrato do refugiado numa descrição direta e nua do africano que sonha tanto com o futuro quanto em deixar o monstro do passado.
    Por fim, “al final del final”, Nómadas, do grupo La Maravilhosa Orquestra del Alcohol, sintetiza o nosso movimento próprio: humano. O prazer de estar longe é o que nos aproxima: “Te sientes vivo en el andén” (Você se sente vivo na plataforma).
    Viaje!
    Créditos do programa
    Roteiro, edição e apresentação: Sara Hernández Caramazana e Ángela Blázquez Fernandez
    Supervisão: Eduardo Vicente
    48 min

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