Dois adolescentes e o sonho de transformar a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Foi com este desejo que nasceu o embrião do Instituto Amargen, há 12 anos. Hoje, a ONG é estruturada, profissionalizada e tem impacto real em Juiz de Fora.
Alexandre Silveira recebeu Livia Silveira e Raphael Leonello, fundadores do Instituto Amargen, no 3º episódio da 8ª temporada do Programa Zine Negócios. O episódio foi um bate-papo profundo, humano e necessário com bastidores, dilemas, decisões difíceis e aprendizados de quem escolheu o empreendedorismo social como missão de vida.
A história do Instituto Amargen começa antes mesmo de existir um nome. Livia e Raphael se conheceram muito jovens, ainda adolescentes, atuando em ações sociais em comunidades periféricas de Juiz de Fora. O que parecia “apenas” voluntariado logo se mostrou algo maior: um propósito que insistia em ficar.
O nome Amargen carrega mais significado do que parece. Ele nasce da ideia de amar pessoas que vivem à margem — da sociedade, das oportunidades e, muitas vezes, da própria esperança.
“Eu não queria simplesmente prosperar sozinha. Eu queria carregar outras pessoas comigo.” — Livia Silveira.
Durante a conversa, os fundadores explicam como a organização deixou de ser apenas um projeto informal para se tornar um instituto estruturado, com CNPJ, processos internos, programas contínuos e parcerias estratégicas.
Um dos insights mais interessantes do episódio é a importância do marketing no terceiro setor. A resistência inicial em divulgar ações deu lugar a uma compreensão clara: comunicar bem não é vaidade, é ferramenta de impacto. Foi a partir deste ponto que o Instituto Amargen conseguiu ampliar doações, engajar voluntários e alcançar resultados muito maiores.
Como a maioria das organizações sociais, o Instituto Amargen enfrentou na pandemia um enorme desafio — e, ao mesmo tempo, um período de grande atuação.
O Instituto Amargen se manteve presente nas comunidades, atuando no combate à insegurança alimentar e apoiando famílias em situação crítica. A mobilização ultrapassou as expectativas, alcançando vários bairros de Juiz de Fora, consolidando a ONG como referência local.
Esse período também trouxe reflexões profundas: vale a pena seguir? Dá para viver do empreendedorismo social? Existe sustentabilidade financeira nesse modelo?
“A pandemia escancarou o nosso papel. A gente teve medo, mas decidiu que não podia deixar as pessoas na mão.” — Raphael Leonello.
“Chega um momento em que só apagar incêndio não transforma a realidade. A gente precisava de continuidade, estratégia e estrutura.” — Livia Silveira.
Em um dos momentos mais fortes da conversa, Livia e Raphael falam sobre algo pouco discutido: o peso emocional do trabalho social.
Transformar vidas não é como entregar um produto ou concluir uma obra, é lidar diariamente com histórias duras, frustrações, limites e decisões que nem sempre têm final feliz. Neste contexto, captação de recursos, credibilidade, saúde emocional e inteligência emocional aparecem como alguns dos maiores desafios do empreendedor social no Brasil hoje.
“É preciso ter calma. A gente vira um para-raios de problemas, histórias e dores que muitas vezes são invisíveis para o resto da sociedade.” Raphael Leonello.
O empreendedorismo social conecta negócios, propósito e impacto social de forma prática e transformadora. Este episódio mostrou, dentre outras coisas, que profissionalizar o social é possível — e necessário.