África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

By DW.COM | Deutsche WelleNewsPolitics
Download on the App Store

África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • 40 anos de carreira de Dany Silva: de agrónomo a músico
    Nascido em Cabo Verde, Dany Silva é referência no panorama cultural dos países de língua portuguesa. Para comemorar 40 anos de carreira, compositor apresenta em Lisboa uma compilação dos seus maiores êxitos musicais.Dany Silva está na música há mais de 40 anos. Nascido na cidade da Praia, em Cabo Verde, o músico começou a tocar violão ao lado do pai. Em 1961, chegou a Portugal para estudar na Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, onde se formou como Engenheiro Técnico Agrário. Entretanto, trocou a agronomia pela música.
    "Já na escola, fui um dos fundadores dum grupo, Os Charruas. Nós, na altura, fazíamos os temas dos anos 60: Beatles, Bee Gees e por aí fora. Fui me ligando à música de tal maneira que, quando acabei o curso, vim para Lisboa à espera de entrar no serviço militar e tive um convite para entrar no grupo Quinteto Académico+2. O empresário do grupo conseguiu arranjar um adiamento da tropa, como nós dizíamos, durante um ano e meio. Tornei-me um profissional da música em grupos", conta em entrevista à DW África.
    Dany Silva concluiu o curso e fez um estágio, mas nunca exerceu a profissão. "A música falou mais alto", admite o cantor e compositor. Depois da independência de Cabo Verde, em 1975, o engenheiro Horácio Soares, que foi o primeiro ministro da Agricultura, convidou-o para ser regente agrícola e fazer face à falta de quadros que havia na altura no país natal. Dany Silva declinou o convite, porque já tinha optado pela música, e não se arrependeu da opção que fez na altura.
    Heranças do colonialismo
    Os anos 60 também foram marcantes devido ao surgimento dos movimentos de libertação que lutaram pela independência das então colónias portuguesas em África. Dany Silva chegou a Lisboa em 1961 quando começava a guerra em Angola, recorda sublinhando a aspiração que tinha em relação a Cabo Verde.
    "Eu sempre pensei nisso. Sempre pensei num Cabo Verde independente, um Cabo Verde que não tivesse os problemas que tinha na altura do colonialismo", como a fome que matou muitas pessoas, sublinha o artista.
    Dany Silva lembra dos ensinamentos através dos livros que lia e as mensagens de líderes como Amílcar Cabral, o que ajudou a pensar no futuro das então colónias numa época em que a luta clandestina exigia muitos cuidados dos nacionalistas africanos por causa da polícia política portuguesa, a PIDE, "que não perdoava".
    É muito mais tarde que surgem canções como Mamã África ou Cabo Verde, Terra Estimada, Terra de Paz. "Portugal é o meu país de eleição por viver aqui, ter cá os meus filhos e a minha profissão. Sou acarinhado, mas, apesar de tudo, o meu coração foi, é e será sempre de Cabo Verde", afirma o cantor e compositor que faz anos a 4 de julho, véspera da independência do seu país natal.
    Influências musicais
    Dany Silva é influenciado por mornas e coladeiras, mas também por outros sons das músicas do mundo, da salsa ao blues, passando pelo semba e o bolero angolanos. Das canções que gravou no último CD, As Canções da Minha Vida, diz que gosta de todas, porque são temas dos clássicos obrigatórios nos seus concertos.
    "As canções que eu gravei nesse CD são referência para mim. Por exemplo, Branco, Tinto e Jeropiga foi o tema que divulgou o meu nome na lusofonia. Foi o primeiro que eu gravei em português. É um quotidiano a contar uma história de uma paródia e de repente enfrento um sucesso enorme. Vendeu naquela altura 50 mil unidades de um single", lembra.
    "É um balanço bastante positivo, embora em 40 anos tenha tido altos e baixos, momentos bons, momentos menos bons. Mas isso é experiência. Quando as coisas correm mal nós aprendemos para correrem muito melhor no futuro", acrescenta.
    Depois deste ano dedicado à celebração dos seus 40 anos de carreira a solo, Dany Silva não vai cruzar os braços. "Há sempre projetos, mas neste momento estou já a pensar e a fazer pouco a pouco maquetes para um novo trabalho discográfico, que será quase totalmente de temas inéditos", afirma o cantor e compositor. Como diz ser um homem de fé, Dany Silva acredita que o futuro ainda será risonho: "Espero que sim. Há que ter esperança".
    Referência incontornável da música há quatro décadas, Dany Silva junta este sábado (08.06), em Lisboa, vários cantores e amigos convidados, entre os quais Rui Veloso, Luís Represas, Kátia Guerreiro, Tito Paris e Nancy Vieira. Este é o ponto alto das celebrações dos 40 anos de carreira a solo, com produção de Barry Marshall e do próprio Dany Silva. Dos temas emblemáticos, enumera títulos como A Banhada, Branco, Tinto e Jeropiga, Crioula de São Bento, Lua Nha Testemunha, Badjo na Fazenda, Farra na Sanzala, entre muitos outros.
    5 min
  • Angola: Fim do "saco azul" na Presidência da República?
    Presidência da República foi sempre acusada de entregar dinheiro de origem duvidosa a empresários e associações para branquear a imagem do partido no poder, o MPLA e a do chefe de EstadoEm Angola, analistas afirmam que o "saco azul” "deixou de ter a dimensão que tinha” e os beneficiários já começaram a ressentir-se da ausência dos valores. Agora, querem saber se o Ministério das Finanças continua a financiar "uma vez que já não fazem tal trabalho”.
    Ao longo dos anos, a Presidência da República foi sempre acusada de entregar dinheiro de origem duvidosa a empresários e associações para branquear a imagem do partido no poder, o MPLA, e a do chefe de Estado.
    Em declarações a DW África, Benedito Jeremias "Dito Dali”, um dos ativistas angolanos que lutaram nas ruas de Luanda contra as alegadas más políticas públicas da anterior governação e a destituição do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, começou por explicar o significado do "saco azul”.
    "É um dinheiro roubado dos cofres públicos, sem justificação, sem transparência e sem dizer o destino do dinheiro. E é esse dinheiro que era usado para os cambalachos (esbanjamento) ”.
    A história do "saco azul” não é nova. O ativista do conhecido caso dos "15+2” também explica o destino que era dado aos valores que supostamente eram extraídos dos cofres do Estado."Sempre existiu o saco azul. O dinheiro era gasto desnecessariamente para suportar os bajuladores, para comprar as vozes críticas. Também servia para despejar nas maratonas (eventos de comidas e bebidas) e campanhas a favor de José Eduardo dos Santos”.
    O país tem uma nova governação desde setembro de 2017, mas com o mesmo partido desde 1975, o MPLA.
    O jornalista angolano Ilídio Manuel esclarece que os casos de verbas não orçamentadas vindas da Presidência da República tendem a reduzir na era, João Lourenço.
    Para Ilídio Manuel, "o saco azul deixou de ter a dimensão que tinha” e que atualmente no país, há menos "visibilidade agora de ações promovidas pela Presidência da República. Anteriormente a presidência da república era quase pau para toda obra e era sempre questionável como é que esse dinheiro era obtido, uma vez que, eram verbas que não estavam orçamentadas”, frisou o jornalista.
    Associações e empresários em declínio
    Algumas organizações e empresários que dependiam destes valores estão é declínio. Entretanto, suspeita-se que o Clube desportivo Kabuscorp do Palanca, do chamado "empresário da Juventude” Bento dos Santos Kangamba, dirigente do MPLA e genro por afinidade do ex-presidente José Eduardo dos Santos, também esteja a ressentir-se. Esta semana a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) ordenou que a equipa fosse relegada ao segundo escalão do futebol angolano. Em causa está a dívida que tinha com o jogador brasileiro Rivaldo pelos anos que atuou no Girabola, campeonato angolano de futebol da primeira divisão.
    "É natural que elas (as empresas) recitam-se do (saco azul) como já estão a ressentir da crise económica e financeira que o país vai registando. Portanto, já não temos tantos episódios de despesismo como tínhamos anteriormente. Anteriormente davam-se ao luxo de gerir o dinheiro para determinadas coisas supérfluas. Basta ver, por exemplo, os músicos de renome e o envolvimento dos empresários nas campanhas eleitorais”, sublinha Ilídio Manuel.
    Agora, o analista questiona: porque o governo continua a dar verbas às associações e empresas que não prosseguem interesse público?
    "Neste momento não se sabe se os movimentos de caráter bajulatório que tinham como objetivo promover a imagem do partido governante e do próprio Presidente da República, se continuam a receber dinheiro do Estado para este fim. Elas deixaram de fazer o trabalho que anteriormente faziam com aquela visibilidade que era conhecida, mas o Ministério das Finanças não é claro neste aspeto”.
    4 min
  • Nancy Schwarz para uma presidência inclusiva na Guiné-Bissau
    Com uma mulher à testa da nação guineense haverá sensibilidade para os problemas reais do povo e uma sociedade mais inclusiva e equilibrada, defende a Nancy Schwarz, que pretende mudar o rumo da Guiné-Bissau.A Guiné-Bissau vive numa encruzilhada política sem fim à vista. No próximo dia 23 de junho termina o mandato do atual Presidente, José Mário Vaz, que ainda não nomeou o novo primeiro-primeiro, para formar o novo Governo. O perfil do futuro Presidente começa a aquecer o debate político num país profundamente dividido e muito instável.
    A socióloga Nancy Schwarz, que pretende ser candidata nas próximas eleições presidenciais, ainda sem data marcada, disse à DW que com uma mulher à frente da nação guineense e com a paridade na governação o país terá êxito no processo de desenvolvimento.
    "Chegou a hora da mulher poder fazer parte da construção da Guiné-Bissau, da mulher se juntar aos homens com vontade de o fazer, de formar uma equipa multidisciplinar, para que se possa construir os alicerces sólidos para que a Guiné-Bissau possa erguer”, disse em entrevista exclusiva a partir de Lisboa onde se encontra em contatos com a comunidade guineense.
    Trabalhar com todos os atores sociais
    A sua candidatura irá defender a necessidade de se trabalhar em estreita colaboração com todos os atores sociais guineenses, para o alcance de uma sociedade mais inclusiva e equilibrada. Aos 46 anos de idade, Nancy Schwarz, licenciada em Sociologia, em Portugal, está em fase final de auscultação dos guineenses para a recolha de assinaturas e formalizar nos próximos meses a sua candidatura ao mais alto cargo da nação guineense, para proporcionar aos guineenses um amanhã diferente:
    "Uma amanhã que defenda a união e a coesão nacional, que defenda a inclusão de todos os atores sociais, para que se possa sedimentar o desenvolvimento da Guiné-Bissau, com base nos valores éticos e morais, onde haverá possibilidade dos nossos jovens poderem ter emprego, um ensino de qualidade e levar avante os seus projetos, num país estável”.
    Estabilidade governativa
    Nancy dá como garantia a sua postura de que irá servir o país se for eleita Presidente, no sentido de fortificar o Estado de direito democrático com base na heterogeneidade do país, onde haverá uma relação profícua entre a presidência, o Governo e demais instituições do Estado.
    A ativista social iniciou a caminhada para as presidenciais de 2019 deste 2011, no Reino Unido, através do grupo conhecido por "Amanhã Guiné-Bissau" que fez um diagnóstico dos entrevas que minam o processo de desenvolvimento do país.
    "O que tem estado a travar o desenvolvimento da Guiné-Bissau, sustenta-se em duas vertentes, a primeira tem a ver com a liderança. Existe uma crise na liderança e a outra vertente é o obscurantismo, estamos num país mergulhado na idolatria e esse obscurantismo está também dentro dos partidos políticos. E está-se a levar o dinheiro do povo para alimentar esse mal e criar o medo, não só dentro da classe política, mas também arrastada para a sociedade”, argumentou.
    Mulher poder mudar a Guiné-Bissau
    Na ausência de um líder capaz de se sacrificar para o bem do povo, Nancy Schwarz vê numa mulher com postura como solução para a Guiné-Bissau e marcar a diferença na liderança com a sua postura de aproximação do povo para conviver, sem interlocutores, com os problemas reais do país.
    "Não posso dizer que sou líder quando um grupo de pessoas que me vem informar o que está a acontecer e não sou eu a caminhar em direção à massa para obter informações... juntamente com a equipa que acompanha o líder deve-se delinear estratégias de intervenção plausível para o país. Temos também o aspeto maternal, com capacidade de cuidar e proteger”.
    Para Nancy nos tempos que correm é necessário que um Presidente tenha estratégias de comunicar para que a sua mensagem chegue a todos de igual forma, sem vaidades, mas baseado na simplicidade.
    Sobre a crise politica que paralisou a Guiné-Bissau há quatro anos, Nancy diz que a situação tende a agudizar-se: "vai piorr porque não há um querer dialogar, não há um querer comunicar, um querer entender-se para o bem do coletivo, neste caso para o bem do povo. É necessário que se tenha a noção do que está acontecer realmente, parar e pensar a Guiné-Bissau”.
    Três meses depois da realização de eleições legislativas na Guiné-Bissau, a 10 de março, o Presidente guineense continua sem nomear o primeiro-ministro e o Governo, alegando que falta resolver o problema da eleição da mesa da Assembleia Nacional Popular, o que tem levado à realização de vários protestos em Bissau.
    Imposições ao PR
    Segundo a Nancy o que está a acontecer com o atual Presidente guineense, José Mário Vaz é um conjunto de imposições que não pode acontecer num Estado de direito democrático. Imposições que vieram não só do lado do Presidente, mas também do coletivo que está acompanhar todo o processo da governação. Por isso, defende um diálogo sério, muito trabalho, a vontade de prestar um serviço condigno ao povo da Guiné-Bissau e aceitar perder muitas vezes para que o povo possa ganhar.
    Ainda na entrevista à DW, Nancy revela a primeira medida que tomará ser for eleita Presidente da Guiné-Bissau.
    "Colocar em cima da mesa um conjunto de auscultações que fizemos, reunir equipas multidisciplinares tanto da diáspora como residentes no país, para debruçar com o Governo e encontrar as prioridades a dar vazão logo no início da governação e da presidência. É um trabalho a ser feito por todos os técnicos guineenses espalhados pelo mundo, não com os partidos políticos, e depois convocar o povo para um debate nacional”.
    4 min
  • Moçambique: Garimpeiros ameaçam meio ambiente em Manica
    Aumento de garimpeiros artesanais é a principal causa dos problemas ambientais na província de Manica. As consequências já são visíveis, mas as autoridades e associações estão empenhadas em promover boas práticas.As atividades tem ocorrido principalmente nos distritos de Manica, Sussundenga, Guro, Báruè e Macossa, onde abundam minérios preciosos com destaque para o ouro e turmalinas.
    A prática preocupa as autoridades e ambientalistas que se esforçam para reduzir os problemas ambientais.
    A Associação para Gestão de biodiversidade em Manica, constituída por jovens estudantes do curso superior de Ecoturismo e Gestão de Fauna Bravia, tem estado a desenvolver trabalhos nas comunidades rurais plantando mudas de árvores de frutas com vista ao reflorestamento.
    Danos
    José Pedro Zunguza é o presidente da Associação e conta: "Estamos a sensibilizar as comunidades visando consciencializa-las sobre as boas práticas de gestão da biodiversidade sem por em risco a própria natureza. As práticas que elas usam não são benéficas ao ambiente e nem as próprias comunidades."
    O líder da associação exemplifica: "Se formos ver há muitos rios e cursos de água que estão poluídos, devido a esta atividade de exploração mineira que acaba devastando tudo. Então, é algo a lamentar quanto a questão de exploração". E sobre medidas entende que "se calhar o que devia ser feito é uma maior fiscalização dessas áreas."
    E Zunguza explica o ciclo da poluição: "A poluição das águas dos rios para além de afetar as espécies que vivem lá no rio, até mesmo as próprias comunidades acabam ficando afetadas, porque aquela água é usada para vários fins, consumo das pessoas, machambas [campos agrícolas] e quando a água contém mercúrio proveniente da prática do garimpo ela torna-se imprópria para o consumo..."
    As consequências
    Jone Samissone Njanje é ambientalista especializado em recursos hídricos e explica o seguinte: "Quando as pessoas exploram ouro duma forma insustentável estão também a perigar o nosso ambiente tal como vimos, com o ciclone Idai."
    O ambientalista conta que "os resíduos sólidos resultantes da exploração ilegal de ouro foram depositados nos rios Mussapa e Lucite, onde a população ficou sem os seus campos de produção agrícola, porque o lodo foi transportado e foi depositado no rio, o que provocou assoreamento dos rios."
    Já as autoridades dizem estar em curso trabalhos de fiscalização para os operadores de pequena escala assim como para os ligados à mineração artesanal.
    Lamentações e apelos das autoridades
    O diretor provincial dos Recursos Minerais e Energia em Manica, Silva Manuel, lamenta que alguns cidadãos pratiquem o garimpo à noite, logo depois da retirada dos fiscais: "O que nós estamos a dizer [aos garimpeiros artesanais] é que devem estar organizados, formando grupos associados e esse grupo depois transforma-se em sociedade ou cooperativa mineira."
    Silva Manuel explica que "quando se transformam em cooperativa mineira, tem possibilidades de mudar a situação da pá e picareta para o uso de pequenas maquinarias e assim tem a possibilidade de trabalhar de forma organizada, abrindo bacias de decantação onde irão lavar o seu minério para não poluir os rios."
    Em Manica existem 22 associações mineiras e nos primeiros três meses de 2019 que registaram a extração de 75 kg de ouro. Normalmente elas registam pouco mais de 400 kg de ouro por ano.
    4 min
  • Estatuto de "observador associado" é porta de entrada para países da CPLP
    Vários países têm mostrado interesse em integrar a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) como observador associado. A DW África falou com a especialista Alexandra Magnólia Dias para entender as vantagens.O estatuto de observador associado da CPLP pode ser uma porta de entrada de países terceiros no espaço lusófono. Este estatuto exige que os Estados partilhem dos princípios orientadores da CPLP, como democracia, boa governação e respeito pelos direitos humanos.
    A comunidade é composta por 11 Estados-membros e 19 observadores associados. Recentemente, a Indonésia anunciou que pretende apresentar a sua candidatura. Muitas vezes, a ligação entre os observadores associados e os Estados-membros é pouco óbvia, como os casos da Turquia, do Japão, da República Checa ou da Hungria. A DW África falou com a africanista Alexandra Magnólia Dias, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, para entender o interesse destes países na CPLP.
    DW: Qual seria o interesse de certos países em participar na CPLP?
    Alexandra Magnólia Dias (AMD): O estatuto de observador associado ao executivo pode também ser uma porta de entrada para os Estados-membros da CPLP e também para as outras organizações internacionais. Com o crescimento demográfico, quer de Angola quer de Moçambique, o português será uma das línguas mais faladas em África nos próximos 20 a 30 anos. Logo, tem toda a importância estes Estados aproximarem-se da CPLP.
    DW: Para os Estados da CPLP também é vantajosa a entrada de novos membros?
    AMD: Repare na variedade das origens regionais dos diferentes Estados que procuram este estatuto de observador associado. Entre os países africanos, saliento dois. O Senegal, um Estado da África Ocidental, tem todo o interesse - e a própria Guiné-Bissau, Estado vizinho contíguo, também é um Estado-membro da Organização Internacional da Francofonia. E a Namíbia, país vizinho de Angola. Também temos aqui um padrão que me parece mais importante.
    Dentro da CPLP temos algumas potências emergentes, nomeadamente o Brasil. E temos aqui potências emergentes como a Turquia e o Japão com preços fortes e um envolvimento em África e CPLP também tem interesse em posicionar-se e em desenvolver uma política para as potências emergentes, nomeadamente no que toca ao seu desenvolvimento em África.
    DW: Vários países estão presentes como observadores associados, entre eles a Hungria, que atualmente tem uma postura mais populista, que parece não estar de acordo com os valores defendidos pela CPLP. A Hungria é um "elefante branco" dentro da CPLP?
    AMD: Essas são orientações conjunturais e estão a caracterizar vários estados da União Europeia, infelizmente. Penso que a socialização e a exposição a diferentes organizações internacionais e particularmente aquelas que são marcadas pela diversidade podem contribuir para uma maior exposição à tolerância.
    DW: Como avalia a intenção da Indonésia candidatar-se a observador associado tendo em conta a relação com Portugal e Timor-Leste?
    AMD: Poderá ser eventualmente importante num contexto de relações restauradas, já numa fase de Timor-Leste como Estado com a sua própria trajectória, estado independente.
    DW: Esse interesse recente pela CPLP fortalece a organização?
    AMD: Este reconhecimento por parte dos pares só atesta a importância da CPLP. Temos de ver mais liderança por parte de Portugal, por parte do Brasil e mais empenho por parte dos Estados-membros na maior vitalidade, dinamização e pujança da CPLP.
    8 min
  • União Africana suspende Sudão após repressão de protestos
    Depois da repressão violenta das manifestações dos últimos dias, a União Africana suspendeu o Sudão até que seja formado um governo de transição liderado por civis. Etiópia tenta mediar tensão entre civis e militares.Abiy Ahmed, o primeiro-ministro da Etiópia, país onde está localizada a sede da União Africana (UA), já chegou a Cartum, onde deverá encontrar-se esta sexta-feira (07.06) com dirigentes do Conselho Militar que ocuparam o poder depois do afastamento do Presidente Omar al-Bashir. O governante deve reunir-se também com os organizadores das concentrações que exigem o afastamento dos militares do poder.
    Militares e civis mantinham conversações sobre uma transição democrática liderada por civis, mas as negociações colapsaram quando as forças de segurança investiram contra os manifestantes na passada segunda-feira (03.06), matando dezenas de pessoas.
    Reunido numa sessão de emergência na capital da Etiópia, Addis Abeba, o Conselho de Paz e Segurança (CPS) da UA invocou a interrupção da ordem constitucional para suspender o Sudão.
    "Decidimos, em conformidade com os instrumentos relevantes da UA - em especial os atos constitutivos da UA, o protocolo do CPS e a Carta Africana sobre democracia, eleições e governação - suspender a partir de hoje a participação da República do Sudão em todas as atividades da UA até à criação efetiva de uma autoridade de transição liderada por civis como única forma de permitir ao Sudão sair da crise atual", anunciou o representante da Serra Leoa e atual presidente do conselho, Patrick Kapuwa.
    ONU pede investigação
    O derramamento de sangue foi condenado também pelas Nações Unidas e pelo Ocidente. "Insistimos na necessidade de uma investigação que clarifique os acontecimentos ocorridos a 3 de junho no Sudão, para levar a julgamento os responsáveis pelo assassinato de sudaneses inocentes, tal como solicitado pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana", disse o embaixador sul-africano, Jerry Matthews Matjila, na sede da ONU, em Nova Iorque.
    O Reino Unido, antigo poder colonial, convocou o embaixador do Sudão ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para manifestar a sua preocupação. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que apoiam os militares sudaneses, apelaram ao diálogo sem condenar a repressão.
    A aliança da oposição disse não estar pronta para continuar o diálogo e exigiu que os militares entreguem o poder. A oposição diz que 108 pessoas foram mortas e mais de 500 ficaram feridas na repressão violenta dos protestos, desde segunda-feira (03.06).
    No entanto, segundo os números do Governo, 61 pessoas morreram durante as operações militares contra os movimentos de contestação. Soliman Abdel Gabbar, subsecretário do Ministério da Saúde do Sudão, especificou em conferência de imprensa que destas, 52 pessoas morreram nos últimos três dias na capital sudanesa, Cartum, e que os corpos de outras duas foram retirados do Rio Nilo, junto da cidade.
    3 min
  • Guerra de 7 junho deixou Guiné-Bissau frustrada e a culpa é dos políticos
    Antigo chefe das Forças Armadas Zamora Induta diz-se frustrado com o rumo que a Guiné-Bissau tomou após a guerra civil e responsabiliza os políticos. Ativista Nelvina Barreto diz que conflito deixou o país de rastos.Foi há precisamente 21 anos que os militares leais ao brigadeiro Assumane Mané pegaram em armas para depor o então Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira. Na madrugada de 7 de junho de 1998, os guineenses acordaram ao som de tiros na capital do país, quando a Junta Militar abriu fogo contra a caravana do Presidente, que se dirigia ao Aeroporto de Bissau, junto ao "poilão de Brá", árvore de grande porte e com muito simbolismo na avenida principal.
    Iniciava-se, assim, a sangrenta guerra civil que viria a durar 11 meses e que culminou com o afastamento de Nino Vieira, que estava no poder há quase 20 anos. Cláudia Veigas tinha 13 anos quando rebentou a guerra civil. A advogada diz que o conflito veio chamar a atenção das autoridades para justiça social.
    "Vinte e um anos após a guerra de 7 de junho, há mais a lamentar do que a festejar, mas que deve servir como um alerta para a necessidade e importância de dar maior atenção ao setor da justiça. Principalmente já que se percebeu que é o caminho para a resolução de grandes questões e conflitos que travam o desenvolvimento do país", sublinha.
    Zamora Induta frustrado
    O antigo chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, Zamora Induta, que foi porta-voz da Junta Militar, disse à DW África que, apesar da data do início do conflito político-militar continuar bem presente na sua memória, é com frustração que vê o rumo que o país tomou após o golpe de Estado.
    Zamora Induta responsabiliza os sucessivos governos que assumiram a liderança do país pela instabilidade que se vive na Guiné Bissau desde a guerra civil. "Agora vejo a situação com alguma frustração porque os desejos e os motivos que estiveram por detrás desse levantamento militar viram-se depois falhados", diz.
    Induta lembra que houve uma "tentativa de responsabilização da Junta Militar pela situação em que se encontra o país", algo de que discorda completamente, "não por ter feito parte, mas porque se esquecem que a Junta apenas criou condições para que ainda hoje possa haver eleições livres e democráticas."
    "Como os políticos não conseguiram dar respostas às grandes questões do país, agora toda a areia é atirada para a Junta", explica o capitão-de-mar-e-guerra, nomeado chefe das Forças Armadas em 2009, pelo Presidente interino Raimundo Pereira.
    Ainda segundo Zamora Induta, os problemas internos dentro do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), as questões sociais e fundamentalmente um mal-estar que havia nos quartéis estiveram na base da guerra civil, conhecida também por 7 de junho.
    "Mesmo dentro dos quartéis também havia problemas, não podemos escamotear a verdade. E foram fundamentais para a revolta dos militares, apesar de o golpe de Estado ser explorado do ponto de vista político. As pessoas podem até não se ver, que as primeiras leis das Forças Armadas, refiro-me ao Estatuto dos Militares e à Lei da Defesa Nacional, todos esses instrumentos não existiam. A pergunta é como é que se pode dirigir um punhado de homens armados sem qualquer tipo de legislação?", questiona o militar formado numa academia militar na Rússia.
    Problemas nas tropas continuam
    Afastado dos círculos militares desde o golpe de Estado de abril de 2012, Induta refere que ainda algumas más práticas continuam nas Forças Armadas, como, por exemplo, "as promoções que são feitas, em que se marca uma data e todos são promovidos, coisa que não acontece em nenhuma parte de mundo, que não é correto e que gera mal-estar" entre as tropas.
    Zamora Induta afirma que não havia outra forma de resolver aqueles problemas não fosse através do recurso a armas. "Logo a seguir ao levantamento, a Junta Militar disponibilizou-se de imediato a negociar, o que na altura foi mal interpretado. Aliás, foi rejeitado liminarmente. As condições que foram postas é que a Junta Militar iria à mesa das negociações mas só se deixasse as armas, coisa que seria de malucos. Ninguém queria depor as armas para ir a negociações, sabendo que iria acontecer a seguir", declarou à DW África o ex-membro da Junta Militar do brigadeiro Ansumane Mané, que derrubou Nino Vieira em 1999 e chefiou o comité militar criado para gerir a crise no país após o duplo assassinato do Presidente e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas em 2009.
    Apesar da legislação em vigor nas Forças Armadas da Guiné-Bissau, Induta argumenta que há muitas leis que não estão a ser cumpridas, aludindo ao facto de ter sido afastado das fileiras militares em situação ainda por clarificar. Sobre a Guiné-Bissau de hoje, Zamora Induta não vislumbra nenhum caminho que possa tirar o país da profunda instabilidade governativa.
    Guiné-Bissau está de rastos
    A ativista guineense Nelvina Barreto não tem dúvidas que a guerra deixou a Guiné-Bissau de rastos, com uma administração praticamente inexistente, uma população sem motivação sem expetativas para acreditar no futuro e uma juventude a quem apenas resta a emigração.
    "Um país que estava a dar os primeiros passos depois daquele período de ajustamento estrutural imposto pelas instituições de Bretton Woods, estava a tentar integrar-se na zona de moeda única FCFA, havia alguma dinâmica em termos económicos com investimentos estrangeiros importantes, a nível interno também havia muita dinâmica empresarial e social. Foi nesse período que começaram a surgir movimentos da sociedade civil, e toda essa dinâmica foi quebrada. A Guiné-Bissau não saiu só com as infraestruturas destruídas. Saiu principalmente ferida na sua alma. A unidade nacional que vinha desde os tempos da guerra de libertação nacional contra o colonialismo português foi duramente abalada com a guerra civil", sublinha.
    É nessa altura, que segundo Nelvina Barreto, que as estruturas do Estado de direito democrático que estavam a pôr-se de pé, embora timidamente, acabaram por ser completamente arrasadas. "Tudo isto aliado a uma cegueira, a um autismo completo da classe política que insiste em digladiar-se entre si e não olhar para sua responsabilidade para organizar a vida pública dos guineenses", lamenta.
    4 min
  • Como criar órgãos eleitorais credíveis em Moçambique?
    Oposição, analistas políticos e académicos defendem reformas profundas e a extinção do STAE. Dizem que essa seria a melhor forma de credibilizar os órgãos, depois das denúncias de irregularidades no recenseamento.O recenseamento eleitoral em Moçambique, que terminou a 30 de maio, continua a gerar críticas. As queixas constantes de irregularidades durante o processo descredibilizaram as instituições eleitorais moçambicanas, nomeadamente o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e a Comissão Nacional de Eleições (CNE), dizem especialistas e partidos.
    Sebastião da Costa, da RENAMO, o principal partido da oposição, considera que é preciso criar órgãos eleitorais mais credíveis e, para tal, é preciso unificar o STAE e a CNE.
    "O STAE, sendo um órgão do apoio da CNE, a partir do STAE central até ao STAE distrital tem de estar juntos na Comissão de Eleições, para a Comissão Nacional de Eleições ter o poder pleno do controle da organização do processo. Mas como o STAE é um órgão que tem dupla subordinação, fica complicado", entende o membro da RENAMO.
    Sebastião da Costa considera ainda que "o nível de preparação das eleições deste ano seria melhor do que as eleições anteriores, mas o que se verificou nessas eleições foi que o recenseamento foi pior em relação a todos tipos de recenseamento que tivemos no país."
    "O STAE tem que ser desmantelado"
    Tendo em conta o nível de queixas e denúncias de irregularidades, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a segunda maior força da oposição, já exigiu que o STAE seja extinguido. Seria uma forma de tornar mais credíveis os órgãos de administração eleitoral.
    José Lobo, deputado desta formação, diz que "o STAE tem que ser desmantelado, tem que ser incorporado na CNE. É um órgão totalmente independente, cometem desmandos e ninguém os sanciona. É lamentável porque a população na Zambézia cresceu e o STAE, ao serviço do partido no poder (FRELIMO), está a criar manobras para a redução do número de eleitores "
    Para o académico Lourindo Verde, tornar mais credíveis os órgãos eleitorais em Moçambique significa a despartidarização dos mesmos.
    "É um processo que carrega muitos defeitos, que estão a passar de um problema conjuntural para um problema estrutural. Digo isso porque os mesmos problemas de 1992 ainda continuam. Estamos a falar de problemas técnicos e de recursos humanos, encontramos pessoas que não sabem manipular os aparelhos usados.
    Diminuir gastos
    O especialista Lourindo Verde defende ainda que seria bom ter um único órgão para gerir todos os processos eleitorais: "Muitas vezes atribuímos a culpa à CNE ou ao STAE, não sabemos quem é o culpado do processo. Neste momento temos dois órgãos paralelos e não sabemos, de facto, de onde é que parte o problema da gestão do processo eleitoral."
    Para Lourindo Verde "esta seria mais-valia económica, iríamos diminuir as pessoas que estão envolvidas no processo a receber salários, mas todos eles comprometidos ou a gerirem o mesmo processo. Estamos a gastar dinheiro a pagar pessoas da CNE e a pagar pessoas do STAE."
    O analista e ativista Carlos Vitorino lembra ao diretor-geral do STAE, Felisberto Naife, que não há cargos vitalícios. E questiona: "Porque é que não pegamos nas várias experiências positivas dos outros países?"
    E conta uma experiência: "Em Madagáscar houve uma posição boa nas eleições, foi credível, tudo apreciado. Porque é que não pegamos nisso como uma experiência, termos órgãos credíveis. Temos de aceitar uma reforma. O Felisberto Naife que está lá como diretor, há quanto tempo está lá? Aqui ninguém nasceu vitalício para as instituições."
    4 min
  • Decisão da CAF aplaudida por comentador e criticada por adeptos tunisinos
    Comité Executivo da CAF decidiu repetir, num campo neutro, a final da Liga dos Campeões do continente africano entre Espérance de Tunis, da Tunísia, e o Wydad Casablanca, do Marrocos.Jardel Andrade, comentarista desportivo angolano considera positiva a decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de repetir num campo neutro, a final da Liga dos Campeões do continente, entre Espérance de Tunis, da Tunísia, e o Wydad Casablanca, do Marrocos, cujo jogo de segunda volta da decisão foi disputado na última sexta-feira.
    A equipa tunisina levava a melhor por 1-0, quando os visitantes igualaram a partida aos últimos 14 minutos do jogo, mas a equipa de arbitragem anulou o golo.
    Segundo a agência EFE, havia possibilidade de revisão do golo no Vídeo Árbitro (VAR), mas os aparelhos para que fossem visionadas as imagens, não estavam funcionar, o que gerou revolta entre jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes do Wydad Casablanca e a posterior saída do campo, o que fez a arbitragem terminar a partida.
    Nesta quarta-feira (05.06), o Comité Executivo da CAF, reunido em Paris, França, onde acontece o Congresso da FIFA, considerou que não havia condições necessárias de organização e segurança para a partida.
    O Espérance terá que devolver a taça e entrar em campo novamente, de acordo com a decisão da CAF.A data para a nova partida ainda não foi definida, embora tenha se determinado que vai acontecer após a disputa do Campeonato Africano de Nações (CAN), que começa a ser disputado no dia 21 deste mês no Egito.O resultado da primeira partida, disputada no Marrocos, que terminou empatada em 1 a 1, de acordo com a Confederação Africana de Futebol.
    Um historial de anti- jogos
    Em entrevista à DW África, o comentador desportivo angolano Jardel Andrade afirma que equipa tunisina tem um historial de anti- jogos em partidas decisivas realizadas no seu terreno.
    Jardel lembra que na época passada registaram-se casos semelhantes ao do jogo da semana passada, quando o Esperance de Tunis eliminou a equipa angolana, 1° de Agosto, no desafio da segunda mão das meias-finais da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
    "O Espérance de Tunis que é o principal causador desta quezília é já uma equipa reincidente neste tipo de situações, estamos bem recordados que na meia-final da temporada passada, o que aconteceu se não é coincidência, é algo muito semelhante contra o 1. de Agosto. Geralmente quando os jogos da segunda mão das ligas africanas é em Tunis, o Esperance faz sempre das suas, utilizando os adeptos para atitudes menos boas.
    Adeptos protestam a decisão
    Entretanto, vários adeptos dos dois clubes protestaram em frente do hotel onde decorreu a reunião da CAF em Paris.
    Khaled Abichou que apoia Espérance de Tunis critica a decisão do órgão que gere o futebol africano e afirma que o seu clube não deve repetir a partida.
    "Não estamos felizes porque nas regras da FIFA, o árbitro decidiu e disse que o Esperance é o campeão, e é isso. É assim. Não vamos jogar a partida novamente ou assistir a outros vídeos.''
    Nabil Aoujil, um dos torcedores da equipa marroquina, disse que quer que o jogo se repita em qualquer estádio e que haja um digno vencedor.
    " Não somos ladrões. Não queremos vencer a a Liga dos Campeões dessa forma. Se tivermos que jogar novamente na Argélia, vamos fazê-lo. Com árbitros europeus, seja na Argélia, em Dubai ou em França. Com regras reais, com árbitros reais sem pessoas corrompidas, é tudo o que queremos.”
    Segundo o especialista em questões de futebol, a CAF também tem culpa nos incidentes que ocorreram em Tunis.
    "A CAF tem a sua quota de erro neste sentido, deveria realizar as finais em uma só mão, imitando a UEFA, que tem realizado finais numa única mão e tem tido sucesso. As competições da UEFA ao nível de clubes, são as melhores do mundo, e são exemplos a seguir. Mas infelizmente não tem acontecido isso em África, se continuar assim, vamos ter sempre situações do género".
    3 min
  • Bissau: MADEM e PRS pedem ao Presidente para não ceder a pressões
    Partidos da oposição marcharam para pedir ao Presidente a não ceder a pressão de nomear novo Governo. Enquanto isso, a central sindical pede solução para greve na função pública através de uma marcha pacífica em Bissau.Na manifestação convocada pela oposição, o MADEM G-15 (Movimento para a Alternância Democrática) e o Partido da Renovação Social (PRS), exigiram a conclusão do processo de eleição da mesa do Assembleia Nacional Popular (ANP).
    Luís Oliveira Sanca, primeiro vice-presidente do MADEM-G15, pediu ao Presidente da República para não ceder a pressões e aguardar a conclusão da formação definitiva da mesa do Parlamento.
    José Mário Vaz, Primeiro Magistrado da Nação, a quem tivemos grande consideração e estivemos sempre juntos até que chegamos a fase atual, portanto vamos pedir-lhe para não ceder a nenhum momento, repito a nenhum momento para nomear o novo primeiro-ministro, enquanto não forem ultrapassados os problemas na Assembleia Nacional Popular.
    Por seu turno, Jorge Malú um dos vice-presidentes do Partido de Renovação Social (PRS), terceira força política mais votada nas legislativas de 10 de março apelou "a todos os guineenses para estarmos unidos nesta causa, sobretudo quando temos a certeza que temos razão, nós estamos a reivindicar a nossa razão".
    O PRS reivindica a indicação de um nome para o lugar de primeiro secretário da mesa do parlamento da Guiné-Bissau, enquanto o MADEM-G15 se recusa a apontar outro nome, que não seja o do seu coordenador nacional, Braima Camará, para ocupar o cargo de segundo vice-presidente do Parlamento.
    Para Jorge Malú "querem ocupar 80% na mesa da Assembleia Nacional Popular, isso é possível? Que tipo de matemática é essa, não vamos aceitar isso. Um partido que ganhou com 47 mandatos e pretende ter 80% dos elementos na mesa".
    O PRS reivindica a indicação de um nome para o lugar de primeiro secretário da mesa do parlamento da Guiné-Bissau, enquanto o Movimento para a Alternância Democrática (Madem) se recusa a apontar outro nome, que não seja o do seu coordenador nacional, Braima Camará, para ocupar o cargo de segundo vice-presidente do parlamento.
    Melhores condições de trabalho
    Uma outra manifestação de caráter social foi promovida também esta quinta-feira (06.06.) pela União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes (CGSI).
    Recorde-se, que as duas centrais sindicais realizam desde há três semanas períodos de greve que decorrem sempre entre terça e quinta-feira para reivindicar a aplicação de um conjunto de diplomas sobre estatuto de carreiras de vários funcionários públicos, a conclusão do processo de aprovação do novo código de Trabalho, bem como um aumento do salário mínimo para 150 euros mensais.
    Os participantes na manifestação das duas centrais sindicais estiveram na rua vestidos com "coletes amarelos” para se diferenciarem dos manifestantes políticos.
    À imprensa, Júlio Mendonça, Secretário-geral da UNTG, acusou a classe política de ser a pior no continente e, por isso pediu a união dos trabalhadores guineenses no combate aos "desmandos políticos no país".
    "Cabe aos trabalhadores começar a pensar e refletir porque a nossa luta é para dignificar todo aquele que presta um bom serviço ao Estado guineense. A Guiné-Bissau não é o país mais pobre da África mas o problema é que temos a pior classe política a nível do continente, em particular e do mundo em geral. Por isso vamos continuar a lutar contra todos esses desmandos políticos".Júlio Mendonça, criticou por outro lado o que considerou ser a grave violação dos direitos dos trabalhadores "sobretudo por parte das empresas multinacionais. Por isso o nosso apelo à classe trabalhadora, é que ganhe a consciência que só reivindicando é que vai conquistar os seus direitos. Os direitos dos trabalhadores estão plasmados nas leis da República e devem ser conquistados se não forem aplicados voluntariamente por quem de direito. E no setor público aquilo que ganhamos é pequena coisa e insignificante. Por isso temos que acreditar nas nossas dinâmicas e coerência de que somos capazes de conquistar ainda mais coisas", concluiu.
    Também Malam Ly Baldé, Secretário-geral da Confederação dos Sindicatos Independentes responsabilizou o Governo liderado por Aristides Gomes pela situação laboral atual do país.
    "Apesar de pouca adesão dos trabalhadores, esta marcha tem um significado tão grande para as duas centrais sindicais, pois permiti-nos exprimir o nosso desagrado face à situação atual do funcionalismo público guineense. Temos 45 pontos em reivindicação mas que o Governo não pode dar resposta a todos. Daí haver alguma cedência da nossa parte...mas o que estamos a reivindicar são diplomas aprovados em Conselho de Ministros, mas que até agora não foram aplicados. Refiro-me por exemplo aos estatutos da carreira docente, da Televisão da Guiné-Bissau, dos oficiais de Justiça, dos Funcionários do Ministério das Finanças e do Ministério das Pescas".
    Vigília em BissauAinda no âmbito das manifestações, cerca de três dezenas de mulheres dos partidos que representam a maioria no Parlamento da Guiné-Bissau e outros partidos sem assento parlamentar realizaram esta quinta-feira uma vigília no centro de Bissau a exigir a nomeação do primeiro-ministro.
    "As mulheres dos partidos de maioria parlamentar estão a exigir ao Presidente da República para nomear o Governo que saiu das urnas", disse à Lusa Joana Kopte, da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB).
    Tudo está parado
    Segundo Joana Kopte Nhanque, as mulheres guineenses estão a sofrer e pedem ao Presidente para nomear o Governo para o país sair da situação em que se encontra.
    "Não há escola, não há nada. As mulheres não conseguem vender e têm crianças em casa sem nada para comer", disse.
    Joana Kopte disse também que no final da vigília vão entregar cartas às Nações Unidas, União Africana, União Europeia, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e vão prosseguir com o protesto até ao final do mandato do Presidente guineense, José Mário Vaz, que termina a 23 de junho.
    Participaram na vigília mulheres do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), APU-PDGB, União para a Mudança, Partido da Nova Democracia, Partido da Convergência Democrática e Partido da Unidade Nacional.
    4 min

About África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

From the publisher's feed

Os temas africanos em destaque da DW – Voz da Alemanha. Entrevistas, reportagens e matérias sobre o que se passa no continente africano: de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau a Cabo…