Nesta semana, o Ambiente é o Meio conversa com o promotor de Justiça do Estado do Ceará Thiago Marques Vieira sobre as atividades de monocultura na Chapada do Araripe. Vieira, que atua como coordenador auxiliar do Centro de Apoio e Defesa do Meio Ambiente do Ceará, aborda a importância ambiental, cultural e social daquela região que abrange partes do Ceará, Pernambuco e Piauí.
A Chapada do Araripe tem aproximadamente 1 milhão de hectares e é conhecida como caixa d'água do sertão devido à sua formação geológica única que permite grande infiltração de água. A região alimenta importantes reservatórios, incluindo o açude do Castanhão, que abastece Fortaleza.
A área possui uma rica biodiversidade, envolvendo diferentes biomas - Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado - e abriga espécies endêmicas como o pássaro soldadinho-do-araripe, além de conter a primeira Floresta Nacional do Brasil, criada em 1946. A região também é significativa pelo seu patrimônio paleontológico, sendo sede do primeiro geoparque brasileiro.
Segundo o promotor, toda essa diversidade ambiental e riqueza hídrica, que conta ainda com a presença de comunidades tradicionais (indígenas kariri, quilombolas e mais de 150 comunidades extrativistas), enfrenta atualmente ameaças do avanço de monoculturas, especialmente da soja, com impactos tanto na quantidade como na qualidade da água.
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