Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a bióloga Patrícia Tatemoto, representante da The Donkey Sanctuary (uma organização de caridade britânica dedicada ao bem-estar dos burros) na América do Sul, fala sobre os riscos de extinção dos jumentos no Brasil.
A bióloga informa que a atual crise da espécie é impulsionada por uma forte demanda asiática, especialmente da medicina tradicional chinesa, pelo elijao (produto feito a partir do colágeno extraído do couro do jumento). A demanda, segundo ela, consome cerca de 5,9 milhões de peles por ano. Hoje a Bahia concentra os três únicos abatedouros do País com Serviço de Inspeção Federal (SIF) autorizados a exportar esses animais, tendo contabilizado o abate de mais de 230 mil jumentos nos últimos anos.
Além do valor cultural, os jumentos desempenham funções ecológicas vitais. Em ecossistemas nativos, eles são capazes de cavar poços para encontrar água, beneficiando outras espécies, além de atuarem como dispersores de sementes e consumidores de plantas invasoras que outros animais rejeitam.
Para solucionar o impasse comercial sem dizimar a espécie, cientistas brasileiros apontam para a biotecnologia como uma alternativa. A técnica consiste em identificar a sequência genética responsável pela produção do colágeno no jumento e inserir em fungos ou bactérias, que passam a produzir a substância em biorreatores, de forma limpa, sem a necessidade de abater o animal. Trata-se do mesmo princípio tecnológico utilizado há anos para a produção de insulina.
Ao adotar essa alternativa, o Brasil poderia se posicionar na vanguarda tecnológica, gerando empregos qualificados e arrecadando impostos, ao mesmo tempo em que preserva um patrimônio genético único no mundo. Assim, Patrícia resume citando o conceito da Economia Donut: "Para fazer com que algumas práticas parem de existir, a gente tem que trazer novos produtos que tornem essas práticas obsoletas".
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