Ambiente é o Meio - USP

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Ambiente é o Meio - USP episodes

  • Ambiente é o Meio #245: Moradia digna vai além do teto e depende de acesso à terra e à infraestrutura urbana
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, o arquiteto, urbanista e professor associado da Universidade Federal do Pará (UFPA) Juliano Ximenes fala sobre o direito à moradia e sua relação com a sustentabilidade. 
    Segundo Ximenes, um dos principais entraves é o nó da terra, conceito da sociologia rural das décadas de 1930 e 1940 que descreve a concentração fundiária. Na cidade, ele aparece no que o professor chama de boca de jacaré: o poder de compra dos salários perde valor ao longo do tempo, enquanto o solo urbano, valorizado pelos investimentos públicos nas áreas centrais, só encarece. Sem acesso ao mercado formal e sem condições de morar longe dos locais de trabalho, a população de baixa renda acaba ocupando várzeas, morros, mangues e outras áreas frágeis, o que a deixa exposta a deslizamentos e inundações.
    Para o especialista, o caminho é urbanizar em vez de remover. Ele defende a urbanização de favelas, que valoriza o conhecimento técnico e a mão de obra dos próprios moradores, e a destinação de imóveis vazios à função social, por meio de aluguel social ou desapropriação indenizada. Ele também destaca que as soluções precisam respeitar as particularidades de cada região.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    26 min
  • Ambiente é o Meio #244: Livro infantojuvenil traduz importância da conservação do solo
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a geógrafa Ana Paula Marés Mikosik, doutora em Ciência do Solo, conta sobre o desenvolvimento do seu livro Organalinda: a protetora do rio, com temática voltada ao conhecimento do solo.
    Segundo Ana Paula, a personagem principal do livro, Organalinda, é a personificação do organossolo, um tipo de solo saturado com água, popularmente conhecido como banhado. Na década de 1980, o governo federal incentivou a drenagem de organossolos para a agricultura por meio do programa Provárzeas. Porém, pesquisas demonstraram sua importância ambiental, socioeconômica e cultural. Esses solos desempenham 75 funções ambientais e, por serem ricos em matéria orgânica e argila, retêm o fósforo dos fertilizantes, evitando que ele chegue aos rios e cause poluição.
    Nas atividades de divulgação do livro, a autora utiliza amostras reais de solo para que as crianças conheçam sua textura e compreendam que ele vai além de uma superfície marrom, "é um ambiente cheio de vida e matéria orgânica", conta Ana Paula, conscientizando as novas gerações sobre a importância do solo, um recurso finito e essencial à vida, incentivando a conservação ambiental.
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    27 min
  • Ambiente é o Meio #243: Novo cenário econômico pode moldar o futuro da Amazônia
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a jornalista Mônica Piccinini, que atualmente vive em Londres e escreve para os sites YourVoiz e The Ecologist, continua o debate sobre os riscos da chamada nova economia da Amazônia.
    Um dos pontos centrais levantados é a disparidade de poder na definição do destino da floresta. Embora governos, bancos, empresas, organizações filantrópicas e comunidades tradicionais participem do processo, "eles não possuem a mesma influência", alerta.  
    Outro desafio da nova economia amazônica é a assimetria na captura de valor. Embora as comunidades tradicionais detenham o conhecimento sobre a biodiversidade, o retorno financeiro se concentra nas etapas de processamento, tecnologia, propriedade intelectual e marketing controladas por fatores externos. O risco, segundo a jornalista, é que essa valorização tardia se transforme em uma nova forma de apropriação, na qual as comunidades perdem a autonomia sobre seus territórios e se tornam dependentes de mercados externos. 
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    32 min
  • Ambiente é o Meio #242: Financeirização da Amazônia pode transformá-la em ativo e estimular desmatamento
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a jornalista Mônica Piccinini, que atualmente vive em Londres e escreve para os sites YourVoiz e The Ecologist, fala sobre os riscos da chamada nova economia da Amazônia.
    A jornalista diz que o debate sobre a preservação da floresta mudou de linguagem. O que antes era descrito como um ecossistema vivo a ser protegido hoje é tratado como sistema econômico, com capital natural, serviços ecossistêmicos e ativos negociáveis. 
    Segundo Mônica, o problema começa quando valorizar a natureza passa a significar dar um preço a ela. Ela critica, por exemplo, o mercado voluntário de carbono. Afirma que os créditos dependem de projeções sobre o desmatamento que poderia ocorrer, estimulando exageros, com uma floresta protegida hoje que pode queimar amanhã, depois dos créditos já terem sido vendidos.
    Outra consequência preocupante da financeirização é a inversão de prioridades na agenda ambiental. Em vez de se identificar um problema para então buscar recursos, a disponibilidade de capital abundante para determinados ativos acaba definindo quais problemas receberão atenção. 
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    25 min
  • Ambiente é o Meio #241: Demanda comercial coloca em risco de extinção os jumentos
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a bióloga Patrícia Tatemoto, representante da The Donkey Sanctuary (uma organização de caridade britânica dedicada ao bem-estar dos burros) na América do Sul, fala sobre os riscos de extinção dos jumentos no Brasil. 
    A bióloga informa que a atual crise da espécie é impulsionada por uma forte demanda asiática, especialmente da medicina tradicional chinesa, pelo elijao (produto feito a partir do colágeno extraído do couro do jumento). A demanda, segundo ela, consome cerca de 5,9 milhões de peles por ano. Hoje a Bahia concentra os três únicos abatedouros do País com Serviço de Inspeção Federal (SIF) autorizados a exportar esses animais, tendo contabilizado o abate de mais de 230 mil jumentos nos últimos anos. 
    Além do valor cultural, os jumentos desempenham funções ecológicas vitais. Em ecossistemas nativos, eles são capazes de cavar poços para encontrar água, beneficiando outras espécies, além de atuarem como dispersores de sementes e consumidores de plantas invasoras que outros animais rejeitam.
    Para solucionar o impasse comercial sem dizimar a espécie, cientistas brasileiros apontam para a biotecnologia como uma alternativa. A técnica consiste em identificar a sequência genética responsável pela produção do colágeno no jumento e inserir em fungos ou bactérias, que passam a produzir a substância em biorreatores, de forma limpa, sem a necessidade de abater o animal. Trata-se do mesmo princípio tecnológico utilizado há anos para a produção de insulina.
    Ao adotar essa alternativa, o Brasil poderia se posicionar na vanguarda tecnológica, gerando empregos qualificados e arrecadando impostos, ao mesmo tempo em que preserva um patrimônio genético único no mundo. Assim, Patrícia resume citando o conceito da Economia Donut: "Para fazer com que algumas práticas parem de existir, a gente tem que trazer novos produtos que tornem essas práticas obsoletas".
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    27 min
  • Ambiente é o Meio #240: Fronteiras agrícolas mudam de acordo com a pauta exportadora agropecuária
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, o geógrafo e pesquisador da Embrapa André Farias fala sobre como os produtos agrícolas ganham novas regiões de concentração da produção brasileira. 
    Segundo Farias, a dinâmica da agricultura no Brasil é marcada por uma velocidade de transformação superior à de outros setores econômicos, como a indústria e os serviços. Em poucos meses, ou anos, a configuração produtiva de uma região pode ser completamente reorganizada. Para compreender essas rápidas mudanças territoriais, a Embrapa realizou um estudo sobre a concentração espacial das principais cadeias produtivas do País. Entre os produtos mais analisados, estão a laranja e a cana-de-açúcar.
    Para o pesquisador, cana-de-açúcar e a laranja são exemplos claros da determinação espacial. Altamente concentrada, a cana precisa ser cultivada em um raio de 300 a 400 quilômetros das usinas de processamento e, pela alta demanda, o cultivo se expandiu de São Paulo para o sul de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, com áreas planas que viabilizam a colheita mecanizada.
    Enquanto isso, a laranja está concentrada no interior paulista, migrando para o centro e o sul do Estado. Farias afirma que o principal motor dessa migração é o greening, uma doença bacteriana altamente contagiosa e sem cura que reduz drasticamente a produção dos pomares.
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    29 min
  • Ambiente é o Meio #239: Nanotecnologia e ciência pós-colheita estendem vida útil dos alimentos
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Marcos Ferreira fala sobre como a tecnologia pós-colheita e a nanotecnologia têm sido aplicadas para prolongar a vida útil de frutas e hortaliças.
    Ferreira comenta que, embora o Brasil seja o terceiro maior produtor de frutas do mundo e autossuficiente em diversas hortaliças, o País enfrenta um cenário preocupante: as perdas e o desperdício ao longo da cadeia produtiva. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, destacados pelo pesquisador, as perdas (do campo ao varejo) somadas ao desperdício (do varejo ao consumidor) podem atingir de 30% a 40% do total produzido, dependendo do produto. 
    Desta forma, o pesquisador informa que uma das soluções mais bem-sucedidas desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a iniciativa privada é o uso de revestimentos comestíveis, popularmente conhecidos como ceras. Atualmente, a legislação brasileira (Instrução Normativa 211) permite a aplicação dessa tecnologia em seis frutas específicas: cítricos (como laranja e limão), melão, mamão, manga, abacate e abacaxi. 
    Ferreira afirma que, para disseminar o conhecimento acumulado sobre o tema, a Embrapa disponibiliza a plataforma gratuita e-Campo, que conta com a trilha de aprendizagem em tecnologia pós-colheita. O curso, que já recebeu premiações nacionais e internacionais, "possui sete módulos assíncronos que abordam desde rastreabilidade, beneficiamento e nanotecnologia até o uso racional da água na produção", acrescenta.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    28 min
  • Ambiente é o Meio #238: Drone desenvolvido pela USP auxilia no monitoramento ambiental e na detecção de incêndios
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, o engenheiro mecânico Glauco Carin fala sobre o novo drone que está sendo desenvolvido na USP de São Carlos, seus benefícios e inovações.
    Sob a coordenação do professor Caurin, pesquisadores criaram um drone inovador, projetado para o monitoramento ambiental, detecção de incêndios e combate a práticas de greenwashing (a prática de divulgar informações enganosas para fazer uma empresa, produto ou serviço parecer ambientalmente sustentável). O projeto, que une aeronáutica brasileira à inteligência artificial, propõe o conceito de um computador com asas capaz de atuar de forma autônoma em áreas críticas, como a floresta amazônica e o Cerrado.
    Atualmente, o projeto conta com dois protótipos funcionais. Contudo, para viabilizar uma escala comercial e cobrir municípios inteiros, o objetivo da pesquisa é avançar para a tecnologia de enxames, frotas de drones coordenados operando de forma conjunta.
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    28 min
  • Ambiente é o Meio #237: Agronegócio brasileiro recebe inovação tecnológica para a produção de bioinsumos
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a engenheira biotecnológica Fabíola de Oliveira, graduada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), fala sobre a produção de bioinsumos agrícolas à base de fungos.
    A engenheira conta que a união da biologia com a engenharia está gerando soluções inovadoras para o agronegócio brasileiro, entre elas o desenvolvimento de um biorreator automatizado voltado para a produção de bioinsumos agrícolas à base de fungos. A tecnologia, detalha Fabíola, é fruto de uma parceria entre a academia e o setor privado que promete otimizar processos, reduzir custos e tornar a agricultura mais sustentável.
    A inovação deve resolver desafios logísticos, adianta Fabíola, uma vez que, para a produção industrial de fungos, a fermentação em estado sólido exige condições de aeração e controle de calor e massa. O método tradicional utiliza milhares de pequenos sacos ou bandejas, já que grandes volumes dificultam a passagem de oxigênio. Assim, para produzir até duas toneladas por dia, são necessários muito espaço físico e grande quantidade de mão de obra.
    Assim, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) se juntaram à startup Ikove Agro para desenvolver um biorreator automatizado para a produção de fungos. O equipamento integra esterilização, inoculação e cultivo em um sistema fechado, reduzindo contaminações e a necessidade de mão de obra. A tecnologia também otimiza o espaço das fábricas e, apesar do maior investimento inicial, pode diminuir os custos operacionais e tornar o produto mais acessível aos agricultores.
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    27 min
  • Ambiente é o Meio #236: Pantanal aquece acima da média nacional e perde 60% de suas áreas alagadas
    Neste episódio do podcast Ambiente é o Meio, a física Luciana Rizzo, graduada e mestre pela USP, fala sobre a grave crise climática enfrentada no Pantanal.
    Segundo Luciana, o bioma está aquecendo a uma taxa de aproximadamente 0,5 °C por década, um ritmo superior ao registrado na Amazônia e no Cerrado. Por estar localizado no centro geográfico da América do Sul, distante do litoral, o Pantanal já possui temperaturas naturalmente elevadas, o que torna a aceleração desse aquecimento ainda mais grave.
    Entre os impactos notados estão seca prolongada, perda de água e incêndios devastadores.
    A pesquisadora explica que a transformação do Pantanal não decorre apenas do aquecimento global, mas também de fatores locais e regionais de mudança no uso da terra. A substituição da vegetação nativa por pastagens altera as trocas de calor e umidade com a atmosfera, reduzindo a retenção de água no solo. 
    Ouça o episódio completo no player acima.
    24 min

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O programa discute temas ambientais e sociais, analisa questões de sustentabilidade por meio de entrevistas com especialistas e pesquisadores da área no âmbito do município, do Estado, do País e do planeta.