Ambiente é o Meio - USP

Ambiente é o Meio - USP

Download on the App Store

Ambiente é o Meio - USP episodes

  • Ambiente é o Meio #205: Catadores são os principais responsáveis pela reciclagem no Brasil
    O Ambiente é o Meio desta semana recebe a engenheira ambiental Ana Maria Rodrigues Costa de Castro para conversar sobre o papel dos catadores de recicláveis na economia e no meio ambiente. Ana Maria, que é especialista em Engenharia Hidráulica e Saneamento e atua junto ao Núcleo de Estudo e Pesquisa em Resíduos Sólidos (Neper) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, afirma que, embora o Brasil seja campeão mundial na reciclagem de latinhas de alumínio, apresenta baixa reciclagem total de resíduos sólidos, estimada em cerca de 4% apenas.
    Nesse contexto, enfatiza a pesquisadora, temos que os catadores de recicláveis são os principais responsáveis pela reciclagem no País, mesmo atuando de maneira informal e com poucos dados governamentais sobre sua atuação, situação que se repete em muitos outros países, que até negam a existência desses profissionais.
    Em seu doutorado, Ana Maria investigou a possibilidade de integração desses profissionais à economia brasileira. A revisão sistemática da literatura que realizou mostra que o Brasil é o país mais avançado em termos de pesquisas e práticas de integração de catadores. Já os resultados de seu estudo propõem uma nova definição de integração e de reconhecimento profissional, através de pagamentos pelos serviços realizados à sociedade com garantia de infraestrutura adequada para o exercício das atividades.
    No Brasil, continua Ana Maria, a catação é uma profissão reconhecida por lei e os catadores já participam da construção de políticas públicas como a Política Nacional de Economia Circular; no entanto, muitas práticas de integração estão em ênfase inicial e a implementação das leis ainda representam um desafio.
    As demandas dos catadores, informa a pesquisadora, também variam entre os organizados em cooperativas e associações e os autônomos. Enquanto os grupos organizados buscam contratos com Prefeituras por pagamentos justos e de renovação anual, os autônomos desejam ser incluídos em programas sem serem forçados a entrar em cooperativas.
    Como exemplos de iniciativas bem-sucedidas, Ana Maria cita o Bolsa Reciclagem de Minas Gerais (remunera catadores pelo serviço) e a Universidade de e para Catadores e Catadoras (Unicata).
    Ouça o episódio completo no player acima.
    29 min
  • Ambiente é o Meio #204: Acesso ao saneamento é considerado marcador de desigualdade
    esta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Leo Heller, da Universidade Federal de Minas Gerais, ex-Relator Especial para os Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS) das Nações Unidas e pesquisador do Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para falar sobre os direitos humanos à água e ao saneamento.
    Heller explica que a água e o saneamento básico passaram a ser considerados direitos humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU) apenas em 2010, mesmo que especialistas na área já os considerassem há muito tempo. O pesquisador afirma também que o saneamento é um importante marcador de desigualdade, pois quem não tem acesso, no Brasil, são: populações rurais; povos tradicionais, indígenas e quilombolas; pessoas que vivem em assentamentos nos grandes centros urbanos e pessoas de cidades pequenas.
    Outro ponto mencionado pelo pesquisador é que ninguém pode ter o acesso ao sistema de água ou esgoto limitado pela incapacidade de pagamento; além de ser proibido o corte da água das casas daqueles que não tenham meios para pagar pela conta.
    Sobre a questão da privatização do sistema de água e saneamento, Heller diz que os governos e empresas não abrem espaço para escutar a população afetada por essa ação. Para o pesquisador, a privatização representa um risco aos direitos humanos que ocorre por vários fatores e cita dois: o aumento das tarifas para a população e o aumento da exclusão, já que as empresas relutam quanto aos investimentos em áreas de baixa atratividade econômica.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    29 min
  • Ambiente é o Meio #203: Amontoados de conchas permitem estudo da biodiversidade brasileira
    esta semana, o Ambiente é o Meio recebe Gabriela Prestes Carneiro, historiadora e pesquisadora do Museu Nacional de História Natural de Paris, para falar sobre a presença de sambaquis na Amazônia.
    Gabriela explica que sambaquis são monumentos feitos de conchas construídos por populações humanas há cerca de 3 mil anos e, no Brasil, encontrados principalmente no litoral, no norte da Amazônia e no interior do País. A pesquisadora diz ainda que sambaqui significa conchas amontoadas, em tupi. Esses monumentos, segundo Gabriela, desempenharam diferentes funções ao longo do tempo, servindo, por exemplo, de cemitérios e moradias.
    A pesquisadora destaca que os sambaquis permitem o estudo da biodiversidade e mudanças do ambiente ao longo do tempo: “Por serem feitos de conchas, formam um contexto ideal de conservação”. Dentro dessas construções, continua, é possível identificar fibras, sementes, espinhos e escamas de peixes, e até mesmo remanescentes humanos conservados.
    Apesar de não serem mais construídos no Brasil, Gabriela afirma que em países como Guiné-Bissau e Senegal, os sambaquis ainda fazem parte da cultura. A pesquisadora conta que, no Senegal, algumas populações enterram seus mortos nesses monumentos formados por conchas.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    27 min
  • Ambiente é o Meio #200: Arquitetura hostil limita permanência de pessoas em locais públicos ou privados
    esta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Jeferson Cristiano Tavares, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAUSC) da USP, para falar sobre arquitetura hostil.
    De acordo com o professor, a arquitetura hostil designa ações ou iniciativas, públicas ou privadas, voltadas à transformação de espaços urbanos ocupados por pessoas em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de inibir sua permanência nesses locais. Um exemplo disso, segundo Tavares, é cimentar pedras embaixo de viadutos, colocar grades em canteiros, e até mesmo bancos de praça que delimitam o local para as pessoas sentarem.
    Tavares explica que as maiores vítimas da arquitetura hostil são pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica, e afirma que isso não é uma escolha, mas é o que restou para essas pessoas, pois terra e moradia são caras.
    O professor ainda menciona a Lei nº 14.489/2022, conhecida como Lei Padre Júlio Lancellotti. Com aplicabilidade direta, a lei proíbe a arquitetura hostil e dá argumentos para evitar que ela continue acontecendo e se torne uma política pública.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    30 min
  • Ambiente é o Meio #199: Plantar árvores é algo positivo, mas não é suficiente para restaurar a Mata Atlântica, dizem especialistas
    esta semana, o Ambiente é o Meio recebe as biólogas Débora Cristina Rother, coordenadora do Laboratório de Conservação e Restauração Ecológica (Lacre) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Carine Emer, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e do Instituto Juruá, no Amazonas.
    As biólogas afirmam que hoje resta entre 12% e 18% da vegetação original da Mata Atlântica, uma situação crítica, pois mostra a perda contínua de florestas maduras, mesmo com o ganho de vegetação jovem. Débora e Carine destacam que, apesar de plantar árvores ser algo positivo, não é suficiente para restaurar a Mata Atlântica. 
    Essas informações fazem parte de um estudo realizado pelas pesquisadoras, que utilizaram um banco de dados a partir de amostras da região de Batatais (SP), em que o cultivo de cana-de-açúcar é predominante. O estudo teve como objetivo entender como áreas restauradas integram-se na paisagem e como as espécies se distribuem, análise feita a partir da teoria de redes ecológicas, segundo Carine.
    Os resultados obtidos pelas pesquisadoras revelam que as áreas em restauração ainda não estão totalmente integradas à rede ecológica da paisagem. Também apontam diferenças entre as espécies que estão se regenerando naturalmente e aquelas que foram plantadas, o que indica que as mudas surgidas espontaneamente vêm de outras áreas. Isso sugere que as sementes estão sendo dispersas por animais, como aves e morcegos, um sinal considerado positivo por Débora. Ainda assim, a diversidade observada permanece inferior à da vegetação original.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    30 min
  • Ambiente é o Meio #198: Mesmo despercebidos, fungos fazem parte do dia a dia da população, garante especialista
    esta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Carlos Taborda, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, para falar sobre a importância dos fungos para o ambiente.
    Taborda explica que, embora muitas vezes sejam despercebidos, os fungos estão presentes no cotidiano de todos, especialmente em setores como o alimentício e o farmacêutico. Ele lembra que esses organismos são fundamentais na fermentação de pães e na produção de medicamentos, como os antibacterianos, a exemplo da penicilina, e os antifúngicos. Apesar disso, o professor ressalta que ainda há pouca divulgação sobre a relevância dos fungos para o meio ambiente e para a sociedade.
    Sobre a importância desses microrganismos, o professor afirma que eles se acoplam a raízes de plantas e vegetais, permitindo assim a troca de nutrientes. No entanto, Taborda diz também que os fungos podem causar pragas capazes de destruir plantações, citando o exemplo da vassoura de bruxa, que pode destruir plantações de cacau.
    Outro ponto abordado pelo professor é que os fungos estão sendo destruídos por conta das queimadas e das mudanças climáticas, pelo uso de agrotóxicos e pela destruição das florestas para a construção de estradas. Segundo Taborda, ainda não se sabe as consequências da destruição desses organismos a longo prazo.
    O professor finaliza o episódio afirmando que o Brasil é um grande produtor de grãos, e os fungos que crescem nos silos de armazenamento desses grãos produzem micotoxinas, que podem causar câncer no sistema digestório quando consumidos em grandes quantidades. Além disso, essas toxinas podem afetar animais que se alimentam dos grãos, como peixes e cavalos, e isso pode gerar um grande impacto econômico ao País, com impacto nas exportações, por exemplo, uma vez que existe uma legislação que fiscaliza a quantidade de toxina fúngica aceitável nos grãos usados para alimentação.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    28 min
  • Ambiente é o Meio #197: Desmatamento afetou quantidade de chuva e temperatura da Amazônia nos últimos 35 anos
    esta semana o Ambiente é o Meio recebe Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador visitante do Instituto de Física da USP, colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck na Alemanha e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Marco Aurélio Franco, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. Os pesquisadores conversam sobre a relação entre o desmatamento e as mudanças climáticas na redução das chuvas e no aumento da temperatura na Amazônia.
    Machado e Franco falam sobre um estudo que realizaram em parceria com pesquisadores da Alemanha e da China que analisou uma área de 2,6 milhões de km² amazônica durante 35 anos. Segundo eles, nesse período as chuvas apresentaram uma redução de 21 milímetros durante a estação seca e a temperatura máxima aumentou 2ºC. Tanto a redução das chuvas quanto o aumento da temperatura, alertam, estão ligados ao desmatamento da Amazônia. Informam também que, em regiões com mais perda de floresta, as temperaturas são mais altas e, as chuvas, mais escassas.
    Além disso, afirmam que os efeitos mais intensos são vistos principalmente entre os primeiros 10% e 40% do desmatamento — após isso, dizem eles, os efeitos se estabilizam, apesar de ainda continuarem existindo. Os pesquisadores, então, reforçam a necessidade de preservar a floresta, especialmente quando ela ainda não foi desmatada.
    Machado e Franco concluem dizendo que, com o estudo, os políticos têm números concretos para discutir a importância relativa de cada um dos pontos mais importantes levantados a respeito de quem contribui mais para o aquecimento global: o desmatamento ou as emissões de gases.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    28 min
  • Ambiente é o Meio #196: Brasil vive bom momento para reduzir a emissão de gases estufa, diz pesquisadora
    esta semana o Ambiente é o Meio recebe Bárbara Zimbres, bióloga e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), para falar sobre como o desmatamento e a agropecuária contribuem para o aumento da pegada de carbono no Brasil.
    A bióloga explica que o Brasil é o sexto país que mais emite gases de efeito estufa no mundo. Mas, diferentemente dos cinco primeiros países do ranking, que emitem gases por conta da produção energética, o Brasil emite gases de efeito estufa por conta do setor agrícola, no qual o País é o principal emissor. Bárbara diz ainda que a produção energética brasileira é relativamente limpa, não produzindo tantos gases estufa. 
    A pesquisadora destaca que o Brasil está em uma boa posição para mitigar as emissões de gases estufa, pois com a retomada da fiscalização e controle das áreas mais afetadas, como a Amazônia, o desmatamento diminuiu. Além disso, ela garante que a implementação de uma legislação ambiental pode auxiliar nessa redução.
    Outro ponto que menciona é a questão dos incêndios, que são de difícil fiscalização, podendo ser criminosos ou não, já que o uso do fogo é uma prática comum de limpeza e renovação da pastagem utilizada por populações tradicionais. Dessa forma, os incêndios não são considerados criminosos.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    27 min
  • Ambiente é o Meio #195: Plano nacional propõe recuperação de 12 milhões de hectares de florestas e biomas desmatados
    Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe a bióloga Luisa Fernanda Liévano Latorre, pesquisadora do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS), para falar sobre o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
    A pesquisadora explica que o Planaveg está alinhado aos compromissos internacionais do Brasil de restaurar ecossistemas degradados, como uma solução para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e restaurar a biodiversidade desses ecossistemas. Ela diz também que o plano propõe a recuperação de 12 milhões de hectares de florestas e outros ecossistemas brasileiros até o ano de 2030. A bióloga também afirma que a restauração de 30% de cada bioma brasileiro já seria suficiente para combater os efeitos das mudanças climáticas.
    Luisa informa que um estudo realizado pelo IIS, que conta com mais de 80 pesquisadores, analisou quais áreas eram mais críticas e deveriam ser prioritárias para a restauração da vegetação. Além disso, a pesquisadora garante que, além de mitigar os impactos das mudanças climáticas, a restauração dos ecossistemas também pode gerar novos hábitats para plantas e animais. 
    Ouça o episódio completo no player acima.
    25 min
  • Ambiente é o Meio #194: Capitalismo é o responsável pela destruição da natureza, afirma pesquisador
    esta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Theófilo Codeço Machado Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Cândido Mendes, para falar sobre seu novo livro Capitalismo e Sustentabilidade: Empresa Regenerativa e a Sustentabilidade Corporativa no Século XXI, publicado pela Editora Vozes.
    Rodrigues explica que o objetivo do livro é mostrar ao leitor a incompatibilidade entre o capitalismo e o meio ambiente, afirmando que é o capital que tem destruído a natureza. O professor também cita Marx, que afirmou em seu livro O Capital que o capitalismo criou uma separação entre o homem e a natureza que nunca tinha existido.
    Ele também afirma que os desastres ambientais que vivemos hoje, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, significam que o mundo está em um colapso climático. Para isso, não basta mitigar, é necessário regenerar, garante Rodrigues.
    Sobre as empresas regenerativas, o professor conta que, na década de 1960, surgiu a ideia neoliberalista de que a única responsabilidade social das empresas é gerar lucro para os acionistas. No entanto, Rodrigues afirma que essa ideia é equivocada e que as empresas devem ter responsabilidade social com o meio ambiente e seus funcionários.
    O autor afirma que as empresas regenerativas devem se apoiar em quatro eixos principais: governança inclusiva, com salários justos, igualdade de gênero, diversidade racial e combate ao etarismo; valor compartilhado, em que a riqueza gerada beneficie toda a sociedade; impacto ambiental positivo, indo além da mitigação para atuar de forma verdadeiramente regenerativa; e cidadania corporativa, com participação ativa em movimentos sociais voltados à regeneração.
    Segundo Rodrigues, algumas empresas já praticam esses princípios de maneira isolada. No entanto, apenas quando os quatro eixos forem aplicados de forma integrada será possível superar o capitalismo e inaugurar um novo modo de produção.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    25 min

About Ambiente é o Meio - USP

From the publisher's feed

O programa discute temas ambientais e sociais, analisa questões de sustentabilidade por meio de entrevistas com especialistas e pesquisadores da área no âmbito do município, do Estado, do País e do planeta.