Ambiente é o Meio - USP

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Ambiente é o Meio - USP episodes

  • Ambiente é o Meio #215: Agroecologia é resposta à exploração intensiva dos recursos naturais, diz especialista
    Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, a geógrafa e pesquisadora Tatiane Cristina Fernandes Basconi, professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), compartilhou um pouco sobre seu estudo relacionado à agroecologia.
    Segundo Tatiane, após as pesquisas voltadas às experiências de Karl Marx, estamos vivendo uma ruptura metabólica - conceito desenvolvido por John Bellamy Foster para descrever a quebra na relação entre sociedade e natureza. Agravada pelo capitalismo, essa relação deixa evidente a exploração intensiva dos recursos orientada pela lógica do lucro. Esse processo, argumenta a pesquisadora, desestabiliza os ciclos naturais e aprofunda as crises ambientais.
    Em seus estudos, Tatiane destaca a transição agroecológica, processo que se manifesta nos assentamentos da reforma agrária, como uma resposta à crise ecológica e econômica vividas atualmente. Ela destaca que, apesar das contradições, as famílias assentadas apresentam concepções de natureza, riqueza e desenvolvimento que entram em tensão com a lógica capitalista, abrindo caminho para uma possível reconexão metabólica.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    26 min
  • Ambiente é o Meio #214: Segundo especialista, o Brasil é o líder mundial no uso de bioinsumos
    Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o professor Italo Delalibera Júnior, docente do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, compartilhou uma análise sobre crescimento do uso de bioinsumos e como são melhores para o meio ambiente.
    Segundo o professor Delalibera, o Brasil é o líder mundial no uso de bioinsumos, especialmente em campo aberto e grandes culturas como soja, milho e algodão, algo incomum em outros países onde o uso se concentra em cultivos protegidos ou de alto valor agregado. Mais da metade dos produtores brasileiros utilizam insumos biológicos, uma quantidade significativamente maior do que nos Estados Unidos e na Europa.
    O mercado brasileiro de biossistemas cresce a uma taxa de 22% a 25% ao ano, quatro vezes mais rápido que a média global. Esse crescimento se tornou possível devido à modernização da legislação brasileira, que pode acelerar o registro de produtos biológicos para um a dois anos, em comparação com outros países, onde esse prazo chega a sete anos. 
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    29 min
  • Ambiente é o Meio #213: COP30 apresenta retrocesso em relação à conferência anterior, afirma especialista
    Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, o pesquisador André Felipe Simões, docente do curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, completou a tríade sobre a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), realizada em Belém (PA) em novembro do ano passado, compartilhando sua experiência na delegação da conferência.
    Para o pesquisador, é necessária extrema cautela ao criticar a COP30 pois, diplomaticamente, foi exitosa, em grande parte devido ao trabalho da delegação brasileira. Os esforços se concentraram em avançar nos processos de financiamento climático, mitigação, enfrentamento do desmatamento em florestas tropicais e na luta pelo phase out dos combustíveis fósseis, ou seja, a luta para que nos afastemos da produção e consumo de combustíveis fósseis.
    No entanto, ele apontou que a COP30 não foi bem-sucedida em conter o agravamento da mudança climática, não havendo menção ao afastamento da produção de combustíveis fósseis nos documentos finais, o que representou um retrocesso em relação à COP29.
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    29 min
  • Ambiente é o Meio # 212: Brasil reassume protagonismo climático, diz especialista sobre a COP 30
    Nesta edição do programa Ambiente é o Meio, o professor do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo, compartilhou com os ouvintes sua análise da COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), realizada em Belém (PA) em novembro do ano passado, destacando que a conferência foi marcada por altos e baixos.
    Para o professor, conflitos geopolíticos e tensões internacionais enfraqueceram o multilateralismo, dificultando acordos globais mais ambiciosos. Ainda assim, o Brasil retoma um protagonismo nas questões ambientais e climáticas, com forte participação de organizações da sociedade civil e uma presidência considerada eficiente.
    Artaxo ainda afirma que as negociações climáticas continuam sofrendo forte influência de interesses econômicos, especialmente da indústria do petróleo, e critica o modelo de governança da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele alerta que, sem reduzir as emissões, o planeta pode aquecer até 3 °C e critica a defesa da exploração de petróleo na Amazônia, apesar do potencial brasileiro em energias renováveis. 
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    25 min
  • Ambiente é o Meio # 211: COP30 valorizou povos indígenas, avalia especialista
    Nesta edição do programa Ambiente é o Meio, o  analista sênior de políticas climáticas do Instituto Socioambiental (ISA), Ciro Brito, avaliou a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), realizada em Belém (PA) em novembro do ano passado, como positiva, destacando a transição do ciclo de regulamentação do Acordo de Paris para a implementação das metas climáticas.
    Para o paraense Ciro Brito, mesmo em um cenário de tensões e fragilidade do multilateralismo, a presidência brasileira conseguiu propor consensos combinados com coalizões de países interessados em avançar em temas específicos. Brito cita ainda a volta das discussões em torno do financiamento climático, com países do Sul Global cobrando maior contribuição dos países ricos.
    Ainda segundo Brito, a COP30 ampliou o debate político e social sobre justiça climática e valorizou o papel dos povos indígenas como protetores da floresta. Nesse contexto, ressaltou o protagonismo do atual presidente e da ministra do meio ambiente do Brasil.
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    30 min
  • Ambiente é o Meio #210: Modelo de energia eólica desafia justiça ambiental
    O programa “Ambiente é o Meio” entrevistou a pesquisadora Maria Albertina Thomaz, advogada especialista em sustentabilidade, sobre os impactos da expansão da energia eólica no litoral do Piauí. Com experiência junto a comunidades de pescadores artesanais, ela destacou que a justiça ambiental — conceito surgido nos Estados Unidos nos anos 1980 — defende a distribuição equilibrada dos benefícios e prejuízos do desenvolvimento, além da participação efetiva das populações afetadas nas decisões.
    Apesar de o Nordeste concentrar a maior parte da produção eólica do país, e o Piauí ocupar posição de destaque, a pesquisadora apontou contradições na instalação de grandes empreendimentos em áreas socialmente vulneráveis. Em comunidades como Labirinto e Pedra do Sal, a chegada das torres alterou práticas tradicionais, afetou a pesca, o extrativismo e a produção agrícola, além de gerar impactos como poluição sonora, desmatamento e conflitos fundiários.
    Maria Albertina também criticou falhas no licenciamento ambiental e a ausência de consulta prévia às comunidades, conforme prevê a Convenção 169 da OIT. Segundo ela, embora a energia eólica seja de baixo carbono, o modelo atual não pode ser considerado plenamente “limpo” se não houver respeito aos direitos das populações locais e garantia de uma transição energética democrática.
    28 min
  • Ambiente é o Meio #209: Regras ESG no Brasil são fracas, afirma pesquisador
    O programa Ambiente é o Meio desta semana conversa com o pesquisador e advogado Thiago Lopes de Andrade Lima sobre o uso do ESG no mercado financeiro, principalmente quanto à aplicação em atividades potencialmente poluidoras.
    Formado em direito ambiental e sustentabilidade pela USP, Lima conta que a sigla ESG — ambiental, social e governança — ganhou projeção internacional em 2004, a partir do relatório Who Cares Wins, do Pacto Global da ONU em parceria com o Banco Mundial. Segundo ele, a proposta era de que empresas mais responsáveis tenderiam a ser mais rentáveis no longo prazo.
    O que o pesquisador encontrou em seus estudos foi a falta de métricas científicas claras para definir o que, de fato, é ESG. Lima faz distinção entre sustentabilidade fraca - admite a substituição do capital natural por outros tipos de capital - e sustentabilidade forte - reconhece os limites planetários e atribui valor intrínseco à natureza. Ao analisar as normas brasileiras, concluiu que elas se alinham mais à primeira visão e carecem de base científica, o que compromete sua capacidade de promover transformações reais.
    No contexto nacional, o pesquisador vê regras de ESG formuladas pelo Banco Central do Brasil e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo foco principal é a estabilidade econômica e a mitigação de riscos financeiros, o que abre espaço para o que chama de “greenwashing culposo” ou financiamentos formalmente regulares, mas distantes dos critérios científicos de sustentabilidade. Na prática, afirma, a lógica da materialidade financeira ainda prevalece sobre os riscos socioambientais.
    Ao comparar o Brasil com o exterior, Lima encontra maior maturidade regulatória nos organismos europeus que apresentam mandatos “mais propositivos e a exigência de dupla materialidade”, o que quer dizer que avaliam não somente o impacto financeiro sobre a empresa, mas também “o impacto da empresa sobre a sociedade e o meio ambiente”.
    Para avançar, o Brasil deveria apresentar relatórios financeiros mais transparentes, revelando “não apenas os investimentos sustentáveis, mas também as emissões financiadas em atividades poluentes, além da incorporação explícita de critérios científicos nas normas”. Para ele, ciência e academia seguem sendo forças centrais para alinhar desenvolvimento econômico, justiça social e proteção ambiental.
    27 min
  • Ambiente é o Meio #208: Mercado de economia verde para o Cerrado pode trazer riscos ambientais
    O programa Ambiente é o Meio desta semana entrevistou Bruno Bassi, do Observatório do Agronegócio no Brasil De Olho nos Ruralistas, para discutir a COP 30, o lobby empresarial e os créditos de carbono ligados a plantios de eucalipto no Cerrado.
    Bassi conta que o Observatório articula pesquisa acadêmica e jornalismo investigativo para analisar a atuação de empresas e setores econômicos; e que um relatório recente, lançado antes da COP 30, mapeou o lobby de grandes empresas, incluindo o Banco BTG Pactual, no contexto da chamada “economia verde”.
    A investigação, segundo ele, incide sobre os projetos ambientais do BTG, especialmente acordos com Meta, Microsoft, IKEA e Apple para a compra de créditos de remoção de carbono associados a áreas no Cerrado do Mato Grosso do Sul. Embora o banco anuncie grandes áreas de restauração, parte significativa dos projetos permite o uso de monoculturas de eucalipto ou pinus, o que gera controvérsia científica. Pesquisadores alertam para riscos ambientais, como alto consumo de água, uso de agrotóxicos e impactos sobre a biodiversidade.
    Durante a entrevista, Bassi questionou a lógica da compensação de carbono, que permite às empresas continuarem a emitir gases de efeito estufa enquanto compram créditos, sem enfrentar a redução real de emissões ou a perda de biodiversidade. Ainda segundo Bassi, esse modelo favorece interesses do agronegócio e do setor financeiro, marginalizando comunidades tradicionais e abrindo espaço para fraudes e conflitos territoriais.
    Ele defendeu maior regulação estatal, transparência nos contratos e debate público envolvendo cientistas e comunidades afetadas, além de anunciar novos conteúdos do Observatório sobre a atuação de lobbies no Brasil.
    29 min
  • Ambiente é o Meio #207: Indústria da moda oferece pouca informação sobre seus impactos ambientais e sociais
    O primeiro podcast 2026 do Ambiente é o Meio conversou com Isabella Luglio, gerente de Pesquisa do Fashion Revolution Brasil, para discutir os impactos socioambientais da indústria da moda. A conversa abordou a falta de comprometimento do setor com a sustentabilidade e destacou a importância da transparência como instrumento de mudança.
    Formada em design de moda, Isabella conta que direcionou sua carreira para a pesquisa e o ativismo ao perceber as contradições do modelo tradicional da indústria. Ela integra o Fashion Revolution Brasil, organização que faz parte de um movimento global criado em 2013 após o desabamento de um prédio de confecções em Bangladesh, tragédia que revelou graves violações trabalhistas na cadeia produtiva da moda.
    A entrevistada ressaltou que a moda está entre as indústrias mais poluentes do mundo devido ao uso intensivo de água, produtos químicos, fibras sintéticas derivadas do petróleo e à lógica acelerada de produção, atualmente marcada pelo ultra fast fashion. Esse modelo amplia a exploração de recursos naturais finitos e a geração de impactos ambientais.
    Nesse contexto, Isabella comenta o Índice de Transparência da Moda Brasil, pesquisa que avalia grandes marcas a partir de informações públicas sobre clima e sustentabilidade. Segundo a pesquisadora, esses dados mostram baixos níveis de transparência, com média de 24% entre as empresas analisadas, indicando que a maioria ainda divulga poucas informações sobre seus impactos ambientais e sociais.
    A entrevista também destacou desafios específicos do Brasil, como o desmatamento associado à produção de couro e algodão, além da precarização do trabalho na indústria da moda. Por fim, Isabella enfatizou o papel das políticas públicas e dos consumidores na pressão por mudanças e defendeu a valorização de práticas sustentáveis já existentes em comunidades tradicionais e periféricas como caminhos para a construção de uma moda mais justa e responsável.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    27 min
  • Ambiente é o Meio #206: Visão afetiva pode ajudar na preservação amazônica
    O Ambiente é o Meio desta semana recebe a arqueóloga Ana Caroline Souza Arapium, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, para falar sobre seus estudos em um sambaqui (montes de conchas, ossos e restos de animais feitos em épocas pré-históricas) do Baixo Amazonas. 
    Além de suas pesquisas em zooarqueologia (estuda restos de animais), Ana Caroline fala de origens indígenas e sua trajetória profissional, lembrando que começou cedo, aos 10 anos de idade, em um programa de rádio chamado “A Hora do Chibé” em que contava histórias ancestrais do Baixo Amazonas. 
    A arqueóloga destaca a importância de pesquisadores indígenas, como ela, na reconstrução e valorização das memórias de seus antepassados, trazendo uma perspectiva interna e afetiva para a ciência. Ana Caroline acredita que seu trabalho abre portas para outros jovens indígenas na ciência.
    Atualmente, seu estudo é centrado na zooarqueologia, pesquisando um local específico da Ponta do Jauari, no estado do Pará. Trata-se de um sítio arqueológico que fica submerso seis meses por ano, no qual ela trabalha materiais faunísticos, como os peixes, para entender a relação dos povos originários com a pesca, sua alimentação e métodos de pesca. Ana Caroline conta que compara seus achados com crônicas de viajantes e naturalistas e outros conhecimentos de cientistas indígenas sobre o tema.
    A pesquisadora afirma que o sambaqui Ponta do Jauari data do Holoceno Tardio (era geológica mais atual), com datações que se aproximam do período de contato com os europeus. Mas, diz que o sítio está ameaçado pelo avanço da agropecuária. Assim sua luta hoje compreende usar a arqueologia e as leis de preservação do patrimônio para proteger territórios ancestrais amazônicos.
    Ouça o episódio completo no player acima.
    25 min

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O programa discute temas ambientais e sociais, analisa questões de sustentabilidade por meio de entrevistas com especialistas e pesquisadores da área no âmbito do município, do Estado, do País e do planeta.