Áudios Novo Tempo

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  • Mais acusações
    Como se já não bastasse receber um sermão de Elifaz, Jó também encarou o discurso
    de Bildade, que disse coisas semelhantes ao que Elifaz havia dito. Infelizmente,
    Bildade foi ainda mais rude e duro com Jó do que Elifaz. Imagine ir até
    alguém cujos filhos morreram e dizer a essa pessoa: “Se os seus filhos pecaram
    contra Deus, Ele os castigou por sua transgressão” (Jó 8:4, New King James Version,
    tradução livre).
    Isso é irônico, pois o primeiro capítulo de Jó (1:5) deixa claro que Jó oferecia sacrifícios
    em favor de seus filhos exatamente por essa razão, caso eles houvessem
    pecado. Portanto, vemos um contraste entre a compreensão da graça, vista nas
    ações de Jó, e as primeiras palavras de Bildade, que revelam um legalismo duro e
    punitivo. Mas ainda pior é que Bildade falou dessa maneira numa tentativa de defender
    o caráter de Deus.
    1. Leia Jó 8:1-22. Qual foi o argumento de Bildade? Quanta verdade ele proferiu?
    Se você se esquecesse do contexto imediato e observasse apenas as opiniões
    expressas, encontraria algum erro nas palavras de Bildade?
    Quem pode encontrar algum erro no que Bildade disse? “Pois nós nascemos
    ontem e não sabemos nada. Nossos dias na Terra não passam de uma sombra”
    (Jó 8:9, NVI). Essas são palavras poderosas, verdadeiras e muito bíblicas (Tg 4:14).
    Ou ainda, que há de errado com sua advertência de que os ímpios que colocam
    sua esperança em coisas terrestres e temporais estão, de fato, confiando em algo
    cuja firmeza é como a “teia de aranha” (Jó 8:14)? Pensamento mais bíblico que esse
    é difícil de encontrar.
    Talvez o maior problema é que Bildade estava apresentando apenas um aspecto
    do caráter de Deus. É como estar em uma vala de um ou de outro lado da estrada.
    Nenhum desses lugares é onde você realmente deveria estar. Alguém pode,
    por exemplo, se concentrar apenas na lei, na justiça e na obediência, enquanto outra
    pessoa pode focalizar a graça, o perdão e a substituição. A ênfase exagerada em
    ambos os casos geralmente leva a uma imagem distorcida de Deus e da verdade.
    Vemos na fala de Bildade um problema semelhante.
    Devemos sempre lutar pelo equilíbrio entre lei e graça em nossa teologia e em nosso trato para
    com as pessoas que erram. A lei seria diminuída se estendêssemos a graça aos que caíram profundamente?
    Por quê?
    4 min
  • Castigo retributivo
    O problema do sofrimento humano certamente continua a assombrar a humanidade.
    Vemos pessoas “boas” sofrerem imensas tragédias, enquanto os maus
    ficam impunes nesta vida. Há alguns anos foi lançado um livro cujo título é Why
    do bad things happen to good people? [Por que coisas ruins acontecem com pessoas
    boas?]. Ao longo dos milênios, essa foi uma das diversas tentativas de se chegar a
    uma resposta satisfatória para o problema. Bem, não deu certo. Muitos outros escritores
    e pensadores têm escrito sobre suas lutas para aceitar o sofrimento humano.
    No entanto, parece que eles não encontraram as respostas certas.
    É evidente que esse é o tema do livro de Jó, e nele continuamos a investigar
    por que até mesmo pessoas “boas”, tais como Jó, sofrem neste mundo. A diferença
    crucial entre o livro de Jó e os outros, entretanto, é que o livro de Jó não está
    fundamentado em perspectivas humanas sobre o sofrimento, ainda que encontremos
    muitas delas no livro. Em vez disso, por ser a Bíblia, vemos ali a perspectiva
    de Deus sobre o problema.
    Nesta semana estudaremos mais alguns discursos dos que foram visitar Jó em sua
    miséria. O que podemos aprender com eles, principalmente com seus erros, à medida
    que eles, assim como outros têm feito, tentam lidar com o problema do sofrimento?
    4 min
  • Estudo adicional
    Como vimos, não é que Elifaz não tivesse compaixão de Jó; é que simplesmente
    ela ficou em segundo plano, pois ele via como sua maior necessidade defender
    o caráter de Deus. Afinal de contas, Jó estava sofrendo muito, e Deus é justo.
    Portanto, Jó devia ter feito algo para merecer o que havia acontecido com ele. Elifaz
    concluiu que essa seria a essência da justiça de Deus. Portanto, Jó estava errado
    em sua queixa.
    É evidente que Deus é justo. Mas isso não significa automaticamente que veremos
    a manifestação de Sua justiça em tudo que ocorre neste mundo caído.
    A verdade é que muitas vezes isso não acontece. A justiça e o juízo virão, mas não
    necessariamente agora (Ap 20:12). Parte do que significa viver pela fé é confiar em
    Deus, crendo que a justiça tão escassa hoje será revelada e manifestada um dia.
    O que vemos com Elifaz também aparece na atitude de alguns escribas e fariseus
    para com Jesus. Aqueles homens estavam tão presos ao seu desejo de ser “fiéis”
    e religiosos, que sua ira por causa das curas que o Senhor realizava no dia de
    sábado (Mt 12) superou a alegria que eles deveriam ter sentido, pois o enfermo havia
    sido curado, e o sofredor, aliviado. Por mais específicas que tenham sido as palavras
    de Cristo no texto a seguir, elas têm um princípio que nós, que amamos a
    Deus e somos zelosos por Ele, devemos sempre nos lembrar: “Ai de vós, escribas
    e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e
    tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia
    e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt 23:23).
    6 min
  • Julgamento precipitado
    Muito do que Elifaz disse a Jó estava correto. Isto é, ele fez muitas colocações
    válidas, que foram expressas na Bíblia posteriormente. Contudo, havia algo
    muito errado em sua resposta a Jó. O problema foi o contexto, pois as verdades
    que ele estava expressando não se aplicavam àquela situação.
    Veja esta afirmação de Ellen G. White: “Nenhuma verdade a Bíblia ensina mais
    claramente do que aquela segundo a qual o que fazemos é o resultado do que somos.
    Em grande parte, as experiências da vida são fruto de nossos próprios pensamentos
    e ações” (Educação, p. 146).
    Contudo, você poderia imaginar um “santo” bem-intencionado indo até alguém
    numa situação como a de Jó e lendo para essa pessoa a afirmação de Ellen G. White
    mencionada acima? Teria sido muito melhor se esse “santo” bem-intencionado tivesse,
    em vez disso, seguido este conselho: “Muitos pensam que estão representando
    a justiça de Deus, enquanto deixam inteiramente de Lhe representar a ternura
    e o grande amor. Muitas vezes aqueles a quem eles tratam com severidade e rispidez
    se acham pressionados pela tentação. Satanás está lutando com essas pessoas,
    e as palavras ásperas, destituídas de compaixão, desanimam-nas, fazendo-as cair
    presa do poder do tentador” (A Ciência do Bom Viver, p. 163).
    Havia muito mais coisas acontecendo ali do que Elifaz e todos os outros, inclusive
    Jó, sabiam. Portanto, o julgamento precipitado de Elifaz, mesmo com toda a sua
    teologia correta, era dificilmente a coisa certa a se fazer, dadas as circunstâncias.
    6. Por que os seguintes textos devem ser os primeiros em nossa lista quando lidamos
    com alguém que, segundo pensamos, tenha cometido erros? Mt 7:1, 2;
    Rm 2:1-3; 1Co 4:5. Avalie as afirmações abaixo e marque as alternativas corretas.
    Os textos revelam que:
    A. ( ) Estamos na mesma condição das outras pessoas e, portanto, não podemos
    julgar.
    B. ( ) Com a medida com que julgarmos, também seremos julgados.
    C. ( ) Não sabemos das intenções do coração; elas serão reveladas somente
    quando Deus trouxer à luz aquilo que está oculto.
    D. ( ) Ao julgar, estamos cometendo os mesmos atos daquele que é julgado.
    Mesmo que Elifaz estivesse certo e Jó, de fato, fosse o responsável por aquele sofrimento,
    as palavras de Elifaz foram imprudentes e inoportunas. Todos nós, em
    algum momento, precisamos de compaixão e solidariedade, não de um sermão.
    É evidente que há um momento e lugar para receber uma advertência. Mas quando
    um homem está sentado num monte de cinzas, com sua vida arruinada, seus filhos
    mortos e seu corpo coberto de feridas, esse com certeza não é o momento certo.
    4 min
  • O louco lançando raízes
    No capítulo 5, Elifaz continuou com sua argumentação. Basicamente ele disse a
    mesma coisa que tinha dito no capítulo anterior: o mal acontece apenas com
    pessoas más. Imagine como Jó deve ter se sentido, sabendo que isso não podia estar
    correto e que ele não merecia sua condição deplorável.
    No entanto, há um problema aqui: nem tudo o que Elifaz disse estava errado.
    Ao contrário, muitos desses mesmos pensamentos são ecoados em outras partes
    da Bíblia.
    6 min

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