
Sign up to save your podcasts
Or


O dia em que sentimos pela primeira vez o bebé mexer-se fica-nos para sempre na memória — por muitos testes de gravidez positivos, por muitas ecografias feitas, este é o instante em que tomamos consciência de que, realmente, temos uma vida cá dentro.
Aristóteles postulou que era o instante em que a alma entrava no corpo do feto, e ao longo de muitos séculos era o “quickening” que confirmava uma gravidez, sendo celebrado publicamente, se a mãe fosse rainha...
Não vai querer deixar de ouvir a Birra de hoje, em que falamos sobre o feto de apenas dez centímetros e 100 gramas, mas que chucha no dedo e começa a mover-se motu proprio, e do efeito desta revolução em quem o traz dentro de si.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
A nossa convidada de hoje é uma “fada dos bebés” — Constança Cordeiro Ferreira licenciou-se em Ciências da Comunicação, um curso muito diferente da pediatria escolhida pelo pai e pelo avô, mas acabou por não resistir ao choro inconsolável dos mais pequeninos e ao desejo de ajudar os pais a navegar a parentalidade. Em conjunto com uma equipa multidisciplinar, criou o Centro do Bebé, e é do conhecimento da ciência e da sabedoria da experiência (é também mãe de três filhos) que é feita esta Birra.
Lembra-nos que, na ânsia de racionalizar e controlar tudo, esquecemos que os bebés estão “programados” para chorar, e as mães para lhes pegar, procurando instintivamente consolá-los. Inibir esta resposta emocional tem consequências, mas a verdade, diz Constança Cordeiro Ferreira, é o que muitas mães dão por si a fazer, ameaçadas (às vezes, com a melhor das intenções, pelos próprios avós) de que, se não forem rigorosas com a “educação” do recém-nascido, o suposto mau comportamento se vai prolongar pela vida fora... Com o humor que a caracteriza, recorda, no entanto, que “não são decisões para se tomar às cinco da manhã. Às cinco da manhã, tomam-se as decisões preguiçosas, aquelas que permitem que todos consigam o que é fundamental: dormir!”
Acusando-se de ser demasiado mãe-galinha, deixa-nos uma extraordinária reflexão: assegurar as nossas necessidades não é obrigação dos nossos filhos. Não está na agenda eles preocuparem-se se a mãe dorme, ou come, se faz exercício ou tem tempo para si. Essa é a responsabilidade do adulto. E assegura que, quando lhe falam em crianças tiranas, pensa sempre é que há ali um adulto que se demitiu — não para o condenar, mas para lhe oferecer ajuda, sem julgamento. Entre nesta nossa primeira Birra do ano, a primeira de muitas, porque motivos para birras não faltarão em 2026.
Esta é uma birra especial: queremos conhecer a infância das pessoas que admiramos, descobrir como contribuiu para que se tenham tornado as pessoas fantásticas que são. Perceber como influenciou a forma como pensam a parentalidade, como educam os seus próprios filhos. E, claro, levá-los a confessar as birras que fizeram.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cerca de metade dos casais que se divorciam têm filhos e, para essas famílias, sobretudo o primeiro Natal é uma prova muito, muito difícil. Por vezes a tentação é a de, engolindo corajosamente os sapos, encenar tudo como se nada fosse, mas raramente o efeito é o desejado, criando ainda mais desconforto nas crianças e adolescentes.
Este é o tema desta nossa Birra, que não deve deixar de ouvir. E com ele nos despedimos até dia 8 de Janeiro do novo ano, em que voltamos com novas Birras - Feliz Natal.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Um bom livro é dos melhores presentes que pode oferecer a uma criança. Melhor ainda se, para além do livro, lhe emprestar a sua voz, pelo menos até que consiga lê-lo sozinho (e mesmo depois!). Mas as estantes das livrarias encheram-se de verdadeiros compêndios de auto-ajuda dirigidos aos infelizes leitores: como livrar-se da ansiedade, do ciúme, da tristeza, do bullying, do medo dos cães, dos gatos e dos periquitos, a lista não tem fim.
São livros com “mensagem”, supostamente equivalentes a uma sessão de terapia e parecem presumir que o leitor/doente estará curado pela última página. São entediantes e as crianças — que são inteligentes e têm bom gosto —, morrem de tédio, porque não há aventura, nem mistério, nem boas histórias.
É este o tema da birra de hoje, a ouvir com atenção antes do Natal.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cereja em cima do bolo é o nome do seu primeiro de muitos álbuns, e foi assim que nos sentimos ao receber Luísa Sobral no estúdio do Público, para mais um especial Birras de Mãe.
Luísa confessa que não gostava da escola, sentia que não encaixava no que esperavam dela, mas considera que foi mais do que privilegiada com os pais que lhe calharam em sorte e que nunca colocaram entraves aos dois artistas que tinham em casa.
Hoje é mãe de quatro filhos, daquelas mães que vira o dia do avesso para os poder ir buscar à escola, mas confessa que a “nova” parentalidade corre o risco de ser demasiado obsessiva.
Também falamos de avós, claro. “A minha mãe faz imensas coisas com os meus filhos com as quais não concordo...mas digo-lhes que quando estão em casa da avó fazem o que a avó quer!” O que, escusado será dizer, foi música para os ouvidos da avó destas Birras.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
As estatísticas indicam, tanto em Portugal como noutros países europeus, que há oito por cento de mães que se arrependem de ser mães.
Não estamos a falar daquele fugaz “Ai em que é que me fui meter!”, nem tão pouco do momento de nostalgia pelo sossego e a liberdade da vida pré-maternidade que perdemos, mas de uma angústia permanente e silenciada que suga a felicidade e, seguramente, interfere de alguma maneira na relação com a criança.
Que a maternidade é pintada de cor-de-rosa ninguém dúvida e até é legítimo pensar que a natureza se encarregou de nos fazer esquecer as dores de parto, as noites sem dormir e por aí adiante, de forma a garantir a continuidade da espécie, mas este arrependimento é muito mais fundo do que isso e, ao contrário do que se pode pensar, não é sinónimo de falta de amor pelo filho que se gerou.
A birra de hoje é sobre este tema tabu, sem julgamentos, nem juízos precipitados.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Para os pais, sobretudo para os que foram menos presentes enquanto pais, a descoberta da magia de ser avô é ainda mais extraordinária do que para as avós.
Descobrem o mundo pelos olhos dos mais pequeninos e recebem a recompensa de se tornarem os heróis dos netos, num tempo em que a gratificação profissional pode não ser tão grande.
Mas temos muito mais a dizer sobre esta verdadeira paixão, sintonize a nossa Birra de hoje e não se vai arrepender.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
A notícia de que os portugueses comem o dobro do que deviam, fez acordar na avó destas Birras a sua fobia contra a obsessão nacional por enfiar mais uma colher pela boca de uma criança que protesta que não tem fome! Num canto do mundo onde a alimentação e o afecto se entrelaçam, este episódio promete polémica.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Mário Cordeiro é muito conhecido pelo seu trabalho em pediatria, a sua defesa dos direitos das crianças e adolescentes, bem como por ser uma voz incansável pelos direitos dos pais, mas o que poucas pessoas sabem, ou suspeitam depois de o ver a apresentar livros, palestras ou debates, é que foi uma criança dolorosamente tímida.
Neste episódio do Birras com... ficamos a conhecer mais sobre a sua infância e adolescência. A relação muito próxima com o pai – também pediatra –, os desafios de ser o mais novo de oito irmãos e de como sobreviver a seis irmãs mais velhas foi moldando a pessoa que se tornou.
Ficamos presos à sua história que vai interligando os factos da sua vida com os insights que foi coleccionado sobre a sua experiência e de como é que afectou a forma como depois foi pai dos seus cinco filhos!
Se a infância influenciou a forma como trabalhou loucamente também todas as suas experiências foram direccionando Mário Cordeiro a uma nova descoberta: a da necessidade de abrandar e de viver a vida com tempo.
Junte-se a nós nesta conversa carregada de sabedoria em mais um Birras com... Mário Cordeiro.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
É impossível não ficar impressionado com a tragédia de um adolescente de 14 anos que dispara contra a mãe, matando-a. E é absolutamente humana a curiosidade, o tentar compreender o que aconteceu, a que está subjacente a crença – errada, mas que nos faz sentir mais seguros! — de que as coisas más só acontecem às pessoas que de alguma forma as mereciam, ou seja, que se fizermos tudo direitinho, vide educar bem os nossos filhos, uma desgraça destas não podia acontecer em nossas casas.
Mas o que já é indigno é esquecer que estamos a falar de uma criança, de uma criança que só pode estar muito perturbada, e andar por aí nos comentários públicos ou nas redes sociais, a fazer diagnósticos e a clamar vingança. Esquecendo que tudo aquilo porque devemos lutar, enquanto sociedade, é que seja dado a este adolescente o acompanhamento que lhe permita uma vida com sentido, sabendo de antemão que carregará consigo uma culpa insuportável. Afinal, como diz a avó destas Birras, seria certamente o desejo da vítima, o desejo de qualquer mãe, por maior que fosse a loucura cometida pelo seu filho.
Em lugar de refilarmos com o limite temporal da pena, temos é a obrigação de exigir que, ao contrário do que acontece frequentemente, estes centros educativos tenham os recursos de que necessitam. E se não o quisermos fazer por motivos altruístas, que o façamos por razões egoístas: estes jovens em breve serão adultos.
E, já agora, fica o alerta: se tem uma arma de qualquer tipo em casa desfaça-se dela!
See omnystudio.com/listener for privacy information.
From the publisher's feed
Nestas Birras de Mãe discutem, sem sombra de politicamente correcto, medos, irritações, perplexidade, raivas e mal-entendidos entre gerações.