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É por esta altura que os pais começam a pensar no jardim-de-infância ou na escola onde querem (ou podem) inscrever o seu filho, com toda a ansiedade e desejo de escolher a melhor opção.
Nas grandes e nas pequenas cidades fica-se com a impressão de que a oferta aumenta a cada dia (assim como os preços), com promessas para todos os gostos e modas.
Contribuir para arrumar ideias e algumas regras para distinguir o trigo do joio são os objectivos deste episódio do Birras de Mãe. Que faz um apelo — se o seu filho vai para uma escola pública não deixe de dedicar o mesmo interesse a estudar o projecto educativo do agrupamento, e a envolver-se na associação de pais.
O Birras de Mãe volta a seguir à Páscoa.
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Nos tempos de escola da avó destas Birras, o pai ideal vinha descrito nos livros de leitura: era o chefe de família, que chegava a casa cansado depois de um dia de trabalho duro destinado a sustentar a mulher e os filhos, pelo qual era recompensado por uma esposa que lhe tirava a pasta (ou a marmita) da mão e lhe oferecia uma mesa de modestas, mas deliciosas, iguarias. As crianças, penteadas e obedientes, entregavam-lhe um ramo de flores do campo, gratas por ele lhes ter ensinado que primeiro vinha Deus, logo depois a Pátria e a Família. E, em teoria, era isto.
Na prática, ontem, como hoje, há pais para todos os gostos e, até, desgostos, e só nos tornamos realmente adultos quando, com serenidade, conseguimos reconciliar-nos com o pai que nos calhou em sorte, com as suas imensas qualidades, mas, também, alguns defeitos. Um ser humano, portanto, que correspondeu exactamente ao que esperávamos dele, ou nem tanto. No Dia do Pai, este episódio tinha de ser dedicado aos pais.
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Com duas ruminadoras profissionais, Ana Stilwell achou por bem trazer a estas Birras os resultados da investigação de Susan Nolen-Hoeksema, que dedicou a vida a estudar os efeitos do acto de pensar prolongadamente sobre os assuntos no nosso estado de espírito.
Nolen, psicóloga investigadora de Yale, foi pioneira na descoberta de como as mulheres têm o dobro da probabilidade de desenvolver uma depressão do que os homens, facto que atribui em grande parte à forma como elas tenderem a lidar com o stress. Ou seja, ruminando, enquanto os homens parecem mais capazes de distrair o corpo e a mente.
Mas é na adolescência que o impacto da ruminação é maior, o que nos leva a reflectir sobre a forma como a parentalidade moderna se foca demasiado nas emoções, esquecendo a importância de passar à acção.
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Caso ainda ninguém tenha percebido Isabel e Ana Stilwell arranjaram um pretexto para para estar na mesma sala que as pessoas que admiram! Uma sala com microfones já agora porque não são tão egoistas que não queiram partilhar tudo convosco!
O convidado do BIRRAS COM de hoje é o querido, genuíno, inteligente, genialmente engraçado autor, artista, louctor e cartunista Hugo Van Der Ding !
Hugo conta-nos como foi a casa onde cresceu, onde recebeu de herança o prazer de estar sozinho, pensar, criar e recarregar baterias antes de ir enfrentar o mundo. Com um olhar questionador e um coração extremamente sensivel atravessou as peripécias da adolescência e a descoberta de como era viver longe de Portugal, enquanto também navegava as turbulências dos altos e baixos da bipolaridade. Foi na relação com a mãe, na terapia, nos amigos e na medicação que encontrou o equilíbrio entre os superpoderes da sua mente e as suas fragilidades. A avó materna surge como a maior âncora...o que não podia ter deixado a avó Isabel Stilwell mais feliz.
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Procuram um homem que queira ser pai, ou uma mulher que deseje ser mãe, com o objectivo não só de procriarem (sem sexo), mas de criarem e educarem a criança a dois (ou a três), sem um relacionamento amoroso, visto como qualquer coisa que só atrapalha tudo. É a "co-parentalidade", uma nova "tendência" que já forma muitas famílias e cria negócio para dezenas de agências que pré-seleccionam os candidatos.
A filosofia de base, apresentada como historicamente inovadora, é a de que não é necessário, e talvez nem desejável, que o pai/mãe dos filhos seja, simultaneamente, o amor das nossas vidas.
Visto de fora, não parece muito diferente do tempo em que os casamentos eram arranjados, e a paixão acabava por ser canalizada para outra pessoa, e os testemunhos de famílias formadas desta forma revelam que, em muitos casos, há uma grande ingenuidade — afinal, na prática, um dos elementos pode apaixonar-se pelo outro (contra as regras), e é difícil imaginar que não vão surgir sentimentos de posse e ciúmes.
Decididamente, este é um assunto que merece ser tema de uma das nossas Birras. Explicamos-lhe tudo, se nos quiser ouvir.
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Aprendizagem por projecto, escolas da floresta, movimento moderno, Waldorf, Montessori, tantas novas pedagogias que, com mais ou menos marketing, vão estabelecendo diferentes modelos de ensino. Se é maravilhoso ir tendo caminhos diferentes que encaixem melhor com cada criança e família, também é verdade que a chave para o sucesso é ir avaliando de forma global estes modelos e projectos para se perceber o que funciona e o que não passa de uma moda.
Graças aos novos conhecimentos das neurociências e do desenvolvimento infantil, podem agora estabelecer-se algumas linhas orientadoras para que se respeite melhor a forma como o cérebro das crianças aprende (que não varia tanto quanto gostaríamos de pensar).
É essa a proposta que a Ana traz para o Birras de hoje, com o livro “How Learning Happens: Seminal Works in Educational Psychology and What They Mean in Practice”, coescrito por Paul A. Kirschner e Carl Hendrick, ambos especialistas reconhecidos na área da psicologia educacional e da ciência da aprendizagem.
Oiça esta birra para ficar a saber quais são, para os autores, os 10 pecados capitais da educação!
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Um caso de alegados maus-tratos numa creche em Lisboa provocou uma onda de indignação nas redes sociais, com muita gente enfurecida a clamar por câmaras nos infantários e jardins-de-infância e justiça popular.
Contudo algumas colocaram esta questão com genuína vontade de perceber os prós e os contras dessa opção, levando a dupla Birras de Mãe a investigar serenamente o que os estudos dizem sobre vigiarmos o dia-a-dia dos nossos filhos. É este o tema do nosso episódio de hoje, e queremos conhecer também a sua opinião.
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Para Margarida Gaspar de Matos, psicóloga, professora universitária e coordenadora do Observatório de Saúde Psicológica e Bem-estar, o medo é o maior inimigo de uma parentalidade saudável. É o medo que nos leva a agir de forma desesperada e pouco sustentável a longo prazo. Para a especialista em adolescentes, o medo não só cria mais medo como, muitas vezes, transforma-se em raiva, que não faz bem a nada, nem a ninguém. E qual é o antídoto? Criar uma relação de proximidade e diálogo com os nossos filhos, uma relação que se alimenta desde que são pequenos, muito antes do início dos anos conturbados da puberdade.
Neste episódio Ana e Isabel Stilwell fecharam-se no estúdio do Público com uma das maiores especialistas portuguesas em adolescentes, para tentar perceber o que leva alguém a interessar-se tão a fundo por uma fase da vida que a maioria dos adultos quer trancada num armário. E, claro, a tentarem saber que informação privilegiada traz das trincheiras.
O resultado foi uma conversa tão interessante como útil. Desde dar a conhecer os vários projectos que coordena, a reflectir sobre a crescente dificuldade dos jovens em arriscar ou a carga e pressão absurda que lhes é imposta. Mas, claro, a dupla do Birras não a podia deixar ir embora sem saber como foi a sua própria infância e, igualmente importante, qual foi a sua maior birra!
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Sabe entre que horas e que horas choramos? Vai ter de ouvir esta Birra para descobrir a resposta, mas o que lhe podemos desde já garantir é que as lágrimas têm uma função importantíssima e que as andamos a reprimir demais. E, como os nossos filhos e netos são esponjas, aprendendo muito mais com o que fazemos do que com os sermões que lhes pregamos, se continuarmos assim vão herdar esta critica implícita ao choro, esta vergonha.
Os bebés só produzem lágrimas a partir do primeiro mês de vida, mas quando as vemos cai-nos o coração aos pés. É suposto. Estamos programados para que nos sensibilizem e nos unam na nossa humanidade comum, mas houve quem desse a volta à história e interpretasse mal esse seu poder. As mulheres são as primeiras vítimas, acusadas de as utilizar para “manipular” os outros, e esse é, em dúvida nenhuma, motivo sério para chorarmos todos!
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“Deixe lá o tempo que os seus filhos gastam no telemóvel, preocupe-se antes com a dependência dos seus pais!” — é mais ou menos assim o alerta da revista Economist, repto que o Birras de Mãe levou muito a sério.
Pois é, andamos de olhos postos nos adolescentes, mas são os mais velhos que estão mais dependentes dos ecrãs.
Se, por um lado, o mundo virtual veio ajudá-los a manterem-se em contacto com a família e os amigos, por outro tornou-os vítimas fáceis de burlas e, claro, de fake news que lhes dão a impressão de que o mundo é um lugar perigoso, promovendo um maior isolamento.
Mas, seja em que idade for, a causa da dependência é sempre a mesma: a falta de desafios reais mais aliciantes, a solidão. E, quanto a isso, filhos e netos podem fazer muito.
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Nestas Birras de Mãe discutem, sem sombra de politicamente correcto, medos, irritações, perplexidade, raivas e mal-entendidos entre gerações.