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Duas crianças nascidas no mesmo dia em Portugal graças à procriação medicamente assistida (PMA) têm direitos diferentes, apesar de, no dia 7 de Maio de 2018, o Tribunal Constitucional ter decidido que o direito a conhecermos as nossas origens não autoriza excepções. Nem a pressa em fechar os trabalhos legislativos impediu os deputados de voltarem a aprovar uma lei que o permite, e o presidente da República carimbou-a. Se isto não é motivo para uma Birra de Mãe não sabemos o que será.
É tentador pensar que o assunto só diz respeito aos interessados, mas os interessados são crianças que só daqui a muitos anos se vão confrontar com a injustiça de terem sido privados de um direito fundamental. Esta avó e esta mãe não são constitucionalistas, mas são exactamente os cidadãos que têm de fazer um esforço para compreender estas questões, para que não acordem tarde de mais.
Rebobinando no tempo — em 2018, os verdadeiros peritos consideraram que os portugueses nascidos de um processo de PMA, a partir dos 18 anos, não precisavam de alegar razões de saúde ou outras para ter acesso não só à informação genética, mas também à identificação civil dos dadores. Ressalvando, contudo, que estes dadores não passariam a ter quaisquer direitos ou deveres em relação às pessoas que ajudaram a gerar, nem vice-versa. A decisão agitou os centros de medicina reprodutiva: se é verdade que o direito ao anonimato nunca foi absoluto, ao contrário do que por aí se diz, a verdade é que era considerado irrisório e completamente escamoteado.
Foi então que a Assembleia da República decidiu que era necessário criar um regime transitório que tornasse possível continuar a implantar embriões, espermatozóides e óvulos recolhidos antes de Maio de 2018, mesmo sem esse consentimento reforçado. Sete anos depois, continuamos exactamente na mesma e, tanto quanto o Birras sabe, sem que ninguém se pareça importar muito com isso. Entre no nosso debate, e deixe-nos a sua opinião.
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Numa altura em que tudo tem de ser lúdico, onde fica a capacidade de fazer uma tarefa, só porque o pai ou a mãe mandam?
“Banho só com castelos de espuma”; "Arrumo os brinquedos, mas só se fizeres uma corrida comigo!”; e por aí adiante.
Os pais estão a investir na brincadeira, e isso é uma coisa boa, mas será que a brincadeira pode minar a autoridade?
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Voltámos à rainha Vitória e à franqueza com que confessava a desilusão que lhe causava o seu filho mais velho e herdeiro do trono, Eduardo VII, sim, o que deu o nome ao parque em Lisboa.
É o ponto de partida para uma conversa difícil: os filhos podem desiludir os pais? Desiludem-nos porque não preenchem as expectativas que criaram para eles, porque – do seu ponto de vista — são “ingratos”, porque se tornaram pessoas de quem, se não fossem seus filhos, não gostariam? Entre na nossa Birra sem medo.
Estamos aqui para pensar juntos.
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Enquanto as montras das lojas se enchem de presentes para o Dia do Pai, muitas escolas decidiram mudar-lhe o nome, transformando-o no Dia da Família, na ânsia de proteger as crianças com um pai ausente, ou com o argumento de que já não faz sentido esta dualidade apenas de pai e mãe. O elefante está na sala, e é preciso reflectir e conversar sobre o assunto com bom senso e sem extremismos, mas também sem medo de uma opinião própria.
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A rainha Vitória do Reino Unido é uma figura incontornável, associada ao puritanismo que marcou dois séculos, mas a sua visão da mulher, da gravidez, do parto e do papel das mães que encontramos na correspondência que trocou com a sua filha mais velha, quando Vicky casou e se tornou princesa da Prússia, é extraordinária.
Diz o que pensa sem meias palavras, num discurso que não pode deixar de nos fazer rir, mas também levanta muitas questões sobre qual é, e continua a ser, o preço que as mulheres pagam pela maternidade.
Como quando diz que a dedicação aos maridos é uma coisa muito bonita, mas como os homens são uns egoístas, a devoção acaba em submissão, quando diz que dar à luz pode ser uma coisa muito poética nos livros, mas que ela, pessoalmente, sentiu-se mais uma vaca, ou quando avisa à filha, que acabou de ser mãe, que, por favor, por favor, não se torne numa dessas “adoradoras de bebés” que abdicam de toda a vida intelectual. Assunto de Birras de Mãe, decididamente.
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Muita gente não sabe que os seus filhos podem frequentar o Ensino Articulado, associando a dança, a música ou o teatro à sua formação. Sim, na escola pública, e sim, com ganhos extraordinários para a sua vida e para o seu futuro. Mas uma grande maioria de pais desconhece esta possibilidade, o que prova que o Ministério da Educação tem dificuldade em comunicar com as famílias, mesmo quando é para lhes dar conta das coisas boas. Contamos-lhe mais na nossa Birra.
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Soam os alarmes! No mundo ocidental, as doenças sexualmente transmissíveis crescem entre a população com mais de 55 anos, revela o The Economist, superando os mais jovens. O assunto, apesar de delicado, merece uma Birra de Mãe porque, afinal, esta é a geração dos avós que, felizmente — e graças aos medicamentos, dizem os especialistas —, ganhou anos de vida e se sente com direito ao amor e ao prazer.
Mas é, também, uma geração que faltou às aulas de educação sexual e nunca prestou grande atenção às campanhas de prevenção, julgando que não lhes diziam respeito. Não é uma conversa confortável, queixa-se a mãe destas Birras, mas a avó insiste em tê-la, porque é importante e é urgente derrubar os tabus, sobretudo quando esses tabus põem em perigo grave a saúde não só do próprio, mas de terceiros. Não deixe de nos ouvir e de partilhar connosco a sua opinião.
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É tempo de ir buscar os seus antigos diários e cartas de amor, ou mesmo as fotografias daquelas férias de Verão em que se apaixonou pela primeira vez. A instrução é de que revisite estas memórias, mesmo que sinta alguma vergonha de si mesma, porque recordar como os primeiros amores foram profundos e sérios impede-nos de desprezar as paixões dos nossos filhos ou netos. Ou de desvalorizar os seus desgostos (por favor, por favor, não diga que ele não a merece ou que há mais peixes no mar!).
Em véspera de Dia dos Namorados, e apesar de, aqui pelas Birras de Mãe, nenhuma das duas ser grande adepta de romance com dia e hora marcado, falamos sobre o amor dos mais novos.
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Nunca, como hoje, os pais esperaram tanto tempo para se tornarem avós. Os filhos casam muito mais tarde e adiam a primeira gravidez para perto dos 40 anos, o que era inimaginável há uma geração. Percebe-se, por isso, que a notícia de um “teste positivo” os deixe em polvorosa, focando toda a atenção no neto que aí vem, de tal forma que podem esquecer-se da mulher que o tem dentro de si. Da mãe que, ainda por cima, provavelmente nessa fase está enjoada, nervosa e com as hormonas aos saltos, a precisar de colo e de ser assegurada de que vai tudo correr bem. De ter espaço para se queixar (desejar um bebé é uma coisa, gostar de vomitar duas vezes por dia durante três meses, outra!), para se sentir insegura e com medo, sem que os pais/sogros pareçam indiferentes aos seus estados de alma porque, afinal, o que importa realmente é o “produto final”. Sim, parece exagerado, mas há momentos em que as mães se podem sentir vistas apenas como uma barriga de aluguer para os sonhos dos outros. O assunto merece decididamente uma birra.
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O estúdio do Público, onde se gravam estas birras, é ideal para confissões e, desta vez, é a filha/mãe — de quatro filhos, recorde-se — que decide colocar as cartas na mesa. Diz que, ao longo do tempo, percebeu que a única forma de ser boa mãe é ter momentos em que é péssima mãe. Insiste: “Não basta ser medíocre tem de ser péssima, mesmo”.
"Mas isso não causa culpa?", pergunta a avó/mãe. É claro que sim, mas compensa. Dá um exemplo: “O Milka é meu, meu, e só meu!” Diz que é capaz de tirar o pão da sua própria boca para o dar aos filhos, que podem contar com uma mãe que se desdobra para os ajudar em tudo, mas que passa a louca egoísta se lhe tentam tirar o chocolate. Pior, rouba o dos filhos.
Mas confessa mais, e a avó, entusiasmada com esta certeza de que não é assim tão terrível ter estas manias no meio de tantas coisas que damos aos nossos, também embarca na enumeração destes pecados sem arrependimento.
Oiça a nossa Birra, ria connosco e partilhe as suas resoluções de “má mãe” ou de “má avó”. Garantimos-lhe desde já a nossa absolvição.
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Nestas Birras de Mãe discutem, sem sombra de politicamente correcto, medos, irritações, perplexidade, raivas e mal-entendidos entre gerações.