Cafezinho

Cafezinho

By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
Download on the App Store

Cafezinho episodes

  • Cafezinho 381 – País-pererê

    Eis uma situação / totalmente pervertida

    -- uma nação que é rica / consegue ficar falida,

    o ouro brota em nosso peito, / mas mendigamos com a mão,

    uma nação encarcerada / que doa a chave ao carcereiro

    para ficar na prisão.

    Cada povo tem o governo que merece?

    Ou cada povo / tem os ladrões a que enriquece?

    Cada povo tem os ricos que o enobrecem?

    Ou cada povo tem os pulhas / que o empobrecem?

    O fato é que cada vez mais / mais se entristece esse povo num rosário de contas e promessas

    num sobe e desce de prantos e preces.

    Este não é um país sério / já dizia o general.

    O que somos afinal? / Um país-pererê? folclórico? tropical?

    misturando morte e carnaval?

    Um povo de degradados? / Filhos de degredados

    largados no litoral? / Um povo-macunaíma

    sem caráter-nacional?

    Espelho, espelho meu! / há um país mais perdido que o meu?

    Espelho, espelho meu! / há um governo mais omisso que o meu?

    Espelho, espelho meu! / há um povo mais passivo que o meu?

    E o espelho respondeu / algo que se perdeu

    entre o inferno que padeço / e o desencanto do céu.

    Esse é um trecho de um poema de Affonso Romano de Sant´Anna publicado em 1998. Ouviu? Mil-novecentos-e-noventa-e-oito.

    Eu lembrei dele quanto tentei escrever um texto sobre a CPI do Covidão e seu relator Renan Calheiros. Foi inevitável pensar nesta nação Macunaíma com seus heróis sem caráter.

     

    Versão no Youtube:   https://youtu.be/FfgE2miKoAU

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    4 min
  • Cafezinho 380 – Minha vida naquela rua

    O texto de hoje é de autoria de Walter Mancini, de 78 anos.

    Não fecharei as portas . Uma notícia falsa que circulou recentemente na internet dizia que, devido as medidas de isolamento social implementadas em São Paulo, meu restaurante, o Famíglia Mancini, estava falido e iria fechar as portas para sempre. É mentira.

    De certa forma o boato foi bom, porque recebi dezenas de ligações, e-mails e até cartas de clientes de todo Brasil me apoiando, isso me deu ainda mais gás para lutar pelo meu negócio.

    Há 42 anos, em 10 de maio de 1980, eu fundei o Famíglia Mancini na rua Avanhandava, na capital paulista. Desde então, todos os dias, às 6h30 da manhã, eu sou o primeiro a chegar. E o último a sair, já de madrugada. Tanto trabalho rendeu frutos. De lá para cá, na mesma rua, abri outros quatro restaurantes e uma galeria de arte. Minha filha inaugurou por lá uma loja de roupas e acessórios. Revitalizamos a vizinhança e a transformamos em um ponto turístico, um pólo gastronômico a céu aberto.

    Desde o estouro da pandemia, no entanto, as coisas ficaram bastante difíceis. Não só o meu restaurante, como todos os outros, foram obrigados a fechar as portas, atendendo somente por delivery. Nesse abre e fecha, infelizmente voltamos a servir almoço a partir deste sábado, 24. Mas a queda foi tão grande que, se antes eu comprava um caminhão de verduras e legumes no Ceasa, hoje é suficiente ir à feira livre.

    Os meses foram passando e meu caixa acabou. Para manter todos os meus estabelecimentos abertos, honrar compromissos com fornecedores e, principalmente, pagar todos os meus funcionários, precisei recorrer ao banco. Desde então, em média, tenho despesas mensais de cerca de R$130.000,00 por restaurante.

    Somando tudo, em um ano acumulei 9 milhões de reais em empréstimos. Estou no limite do meu crédito. Mas não estou falido.

    Hoje, eu ainda emprego cerca de 300 funcionários. Antes, eram mais, mas muitos foram embora. Acertei as contas com todos eles, com decência e dentro da lei. Sem traumas e numa relação carinhosa e de agradecimento.

    Daí, você me pergunta: não seria melhor fechar? Não!

    E a razão é simples: a minha vida está naquela rua. Eu quero que aqueles restaurantes durem mais 100 anos. Não sou um investidor. Sou o mantenedor. Cuido com amor.

    Eu não sei onde isso tudo vai dar, mas sei que, se os restaurantes morrerem, eu morro junto. Morre o restaurante, morre o Valter.

    Mas eu não me entrego fácil. Não posso deixar baixar o moral. Vou lutar para sobreviver porque aquilo ali é a minha história, eu estou defendendo a minha vida. Daqueles restaurantes eu tirei o sustento da minha casa e a criação dos meus filhos. Não existe para mim essa história de “encerrar as atividades”. Isso nem passa pela minha cabeça. Estou falando da herança dos meus filhos, e não dá para pegar um legado e jogar fora. Para mim aquelas casas têm as digitais de Deus. Então, como eu posso fechar um lugar assim? Seria uma ousadia. Eu sou apenas o caseiro Dele.

    Mesmo diante de uma situação tão dramática, hoje eu estou tranquilo e sereno. Sabe por quê? Porque eu não persigo dinheiro. Eu persigo um sonho. Eu não quero o lucro ou trocar de carro todo ano. Minha natureza não é a da ganância. Eu quero ver a máquina voltar a andar, quero ver aquela rua toda iluminada novamente e repleta de pessoas felizes, com saúde e com esperança de viver. O que pingar no meu caixa eu vou usar para pagar todas as contas.

    Não estou desesperado. Eu estou, sim, agradecido de ter a companhia dos meus colaboradores e funcionários. Sem soberba, devo tudo aos meus funcionários e os meus clientes. Estamos todos abraçados. A rua Avanhandava não morreu. Ela só está adormecida e vai acordar já, já.

    Essa crise é como uma batalha para mim. Eu vou defender aquilo que eu criei. Vou lutar e vou vencer.

     

    Versão no Youtube:  https://youtu.be/_2xn6N57PUo

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    7 min
  • Cafezinho 379 – Mentiras

    A mentira está institucionalizada, em horário nobre e na cara dura. Ou melhor, cara de pau. E a mentira quase nunca é confrontada com a verdade. O sujeito chega na mídia, diz uma mentira descarada e fica tudo por isso mesmo. Houve um tempo em que jornalistas ridicularizavam o mentiroso. Hoje não, especialmente se o mentiroso fizer parte da minha tribo. Mentir é parte do jogo e contestar a mentira é “ser grosso”, “jogo político”, “criar factóides” e algum ismo aí.

    E neste Brasil onde “nóis invertemo as coisa” os mentirosos são tratados com respeito, pompa e circunstância. É um tal de “senhor candidato” pra cá, Vossa Excelência pra lá que me deixa nervoso!  Pô, quando é que essa gente será tratada como “mentiroso de uma figa”?

    Vivemos tempos complicados, nossa saúde, nossas finanças, nosso futuro estão ameaçados. Nós precisamos de nossas tribos para nos sentirmos seguros, protegidos, por isso nos tornamos cada vez mais tribais, polarizados. E as mentiras se tornam ainda mais poderosas. Abrimos mão de nossa inteligência para dar licença às mentiras dos iluminados que nos prometem proteção. E aí é isso que está aí...

    Afinal, as mentiras ditas pelos líderes de sua tribo, em nome de sua segurança, são para seu bem-estar, não é?

    Olha, bote uma coisa na cabeça: tirando as pessoas que amam você, ninguém está interessado em sua saúde, em sua segurança, em seu bem-estar. O interesse é no poder, na vitória mesmo que a custo de conflitos e divisões. E se para isso tiver de sacrificar a verdade, paciência.

    Sempre, sempre haverá alguém tentando progredir às suas custas.

    Acredite. Isso não é mentira.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    5 min
  • Cafezinho 378 – Capitu traiu Bentinho?

    No grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, surgiu uma interessante discussão: no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, Capitu traiu ou não Bentinho?

    Na discussão, mostrei um trecho de uma entrevista da escritora Lygia Fagundes Telles, onde ela diz que fez algumas leituras do romance. A primeira, ainda jovem, a segunda leitura, já madura. E então, aos 80 anos, Lygia diz: “Capitu traiu Bentinho? Eu já não sei mais. Minha última versão é essa, não sei. Acho que, enfim, suspendi o juízo. No começo, ela era uma santa; na segunda, um monstro. Agora, na velhice, eu não sei.”   

    Em diversos episódios de meu podcast Café Brasil tenho focado na importância da dúvida, para desespero dos que sabem tudo. Aí vem o rótulo de negacionista, terraplanista e outras bobagens, que fazem parte do repertório dos que têm certeza de tudo e que acabam sendo os verdadeiros negacionistas.  

    Conheço um monte de gente com conhecimento, ilustrada, gente com muita experiência de vida e que...se acha. Gente que transforma conhecimento em fé. Falta-lhe al inteligência emocional que coloca o conhecimento nos trilhos.

    Wilson Mizner, dramaturgo e escritor norte-americano, um dia disse assim: Respeito a fé, mas é a dúvida que educa.

    Alimentar a dúvida é um exercício de fitness intelectual, sacou? No podcast Café Brasil 706 – Humildade Intelectual, eu digo que a humildade representa a liberdade de não ter de provar todo o tempo que você é superior. A humildade é cheia de emoções encantadoras, como admiração, companheirismo e gratidão. Humildade é o reconhecimento de que existe muito que você não sabe, e que muito do que você sabe está errado ou distorcido. A humildade de assumir a dúvida leva à sabedoria.

     

    Versão no Youtube:  https://youtu.be/Lq933v5W-2U

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

     

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    4 min
  • Convite para três encontros

    Nos dias 26,27, e 28 de abril, Luciano Pires promoverá três encontros virtuais como parte do Desafio AS MÍDIAS E EU. Depois de mais de 30 anos como criador de conteúdo, tendo a informação como matéria prima, Luciano desenvolveu métodos para filtrar as informações, selecionando aquilo que é pertinente dentro do tsunami de mentiras, fake news e manipulação no qual se transformaram as diversas mídias.
    Descubra o passo a passo para se proteger das mentiras, refinando sua capacidade de julgamento e tomada de boas decisões.
    Saiba mais em https://mlacafebrasil.com

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    3 min
  • Cafezinho 377 – Uma onda de crimes

    Lincoln Steffens foi possivelmente o maior repórter investigativo americano da história. Sua autobiografia registra como ele e seu principal concorrente, iniciaram uma onda de crimes quando Theodore Roosevelt era presidente da Comissão de Polícia de Nova York.

    Uma tarde, Steffens estava no porão do quartel-general da polícia, onde os policiais jogavam pôquer. Pensando que ele estava dormindo, os detetives contaram uma história sobre como um jovem policial ingênuo ajudou alguns homens a carregar uma carroça porque suas coisas estavam bagunçando a rua. E depois descobriu que os homens eram ladrões que haviam limpado a casa.

    Steffens escreveu a história para o New York Post. Seu principal concorrente, Jacob Riis do The Evening Sun, foi repreendido por seus editores por ter sido furado, e então apareceu com uma história de crime que Steffens não tinha. Entrando numa competição pelo maior furo, os dois repórteres policiais redobraram seus esforços e logo os jornais de Nova York estavam cheios de histórias de crime, espalhando o pânico entre os moradores da cidade. Isso foi constrangedor para Roosevelt, que deveria ser um reformador. Roosevelt chamou os dois repórteres em seu escritório. Riis confessou que teve acesso não autorizado aos relatórios da polícia porque eles foram colocados em uma determinada mesa. Steffens contou sobre seus cochilos. Eles combinaram uma trégua e a “onda de crimes” cessou.

    Veja bem, não é que os crimes tenham parado, mas o relato massivo sobre os crimes parou. E a impressão de uma onda crescente de crimes desapareceu e a vida da população de Nova Iorque voltou ao normal. Isso aconteceu por volta do ano 1900.

    Notícias são as coisas importantes e interessantes que acontecem ao longo do dia. Mas quem define o que é importante e o que é interessante? Quem vai contar os fatos.

    Essa história mostra bem como “notícia” é tudo aquilo que o jornalista ou editor quiser que seja.

    Em outras palavras: notícias são fabricadas. E a intensidade que o jornalista ou editor der a ela determina como sua cabeça será feita.

    ______________________________________

    O mundo está caótico, as fontes de informação deixaram de ser confiáveis e você é forçado a tomar decisões nesse cenário. Muitas pessoas não acreditam mais nas fontes tradicionais de informações que as guiaram até aqui. Outras estão completamente afogadas pelo tsunami de dados e informações que chegam pela internet sem qualquer ordem, priorização ou filtragem.

    Esse cenário é irreversível. É dentro dele que temos de encontrar o alimento intelectual para guiar nossas escolhas. E é natural que, em meio ao caos e à histeria, você se sinta inseguro e angustiado.

    Meu, para que lado eu vou?

    Quem conseguir se livrar dessa insegurança que tira o sono, saberá com inteligência julgar e fazer as escolhas certas para sua vida pessoal e profissional.

    Simples não é, mas existem métodos.

    Saiba mais em http://mlacafebrasil.com

    _________________________

    Versão no Youtube:  https://youtu.be/l-pTQWzuy4I

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    8 min
  • Cafezinho 376 – Amizades supérfluas

    Quando digo que amizades verdadeiras não deveriam ser desfeitas por desavenças políticas, não nego a importância dessas desavenças. Nossas vidas serão dramaticamente afetadas pelas pessoas que escolhermos para exercer o poder. Quem nega suas convicções para não magoar os outros, submete-se às convicções desses outros.

    É muito raro encontrar alguém que concorde 100% com nossas opiniões. A regra é que surjam sempre discordâncias, mas é preciso lembrar que ideias têm consequências. Existem certos valores íntimos que, se não forem compartilhados, impedem que uma amizade verdadeira permaneça. Ficam amizades supérfluas.

    Me afastei de um amigo quando descobri que ele agia como um cavalo com a esposa. Me afastei de um amigo que virou sócio ao perceber que era um mentiroso contumaz. 

    Nossos credos, nossos valores jamais devem servir como desculpa para a falta de decência ou de empatia. Nossos credos e valores jamais devem ser postos de lado em nome da amizade. Mas se com valores não se mexe, é possível negociar com os credos. Ser flexível. Aceitar, até um limite, quem acredita em coisas diferentes.

    É por isso que, no meio de uma limpa gigantesca, mantive amigos que defendem o socialismo ou passam pano para os criminosos que gerenciaram o Brasil por quase 20 anos, por exemplo. A amizade deles não é supérflua, vale mais que as crenças políticas.

    Essa é a consequência boa da polarização do país: estamos valorizando as amizades que valem o tempo de vida que aplicamos a elas. E tempo de vida se valoriza não apenas em quantidade, mas em qualidade.

    Não tenho tempo de vida para amizades supérfluas.

     

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    4 min
  • Cafezinho 375 – As Mídias E Eu

    Quem me conhece sabe que há mais de 30 anos eu trabalho gerando conteúdo, publicando de várias formas em vídeos, podcasts, textos, mídias sociais e livros. Uso canais muito diferentes para passar informação ou conteúdos para vocês.

    A informação a minha matéria prima.

    Eu vivo de informação e não procuro informação apenas para saber o que aconteceu no mundo, mas para criar meus meus conteúdos e repassar para você. Então eu tenho um compromisso muito maior, não é só comigo mesmo, mas com você. Eu preciso cuidar para que os conteúdos que estou repassando tenham um mínimo de transparência, o pé na verdade, que sejam isentos da medida do possível.

    Entre um fato e você, normalmente existe uma mídia, a forma como aquela informação chegou até você. Pode ser através de um jornal ou de uma revista, da TV, do rádio, de um outdoor, do grupo de WhatsApp e de uma rede social, não importa. Tem uma mídia no meio do caminho.

    E essa mídia sempre tem donos, que sempre têm sua visão do mundo. Eles têm interesses que são econômicos, têm interesses políticos e têm interesses ideológicos. Eles vão evidentemente enxergar a verdade através desses interesses. É assim que funciona e é natural que seja assim. E não há problema nenhum desde que você saiba de qual janela está vendo o mundo. O que acontece hoje em dia é que, além de não dizer qual é a janela, essas pessoas andam manipulando os fatos. Contam mentiras usando verdades, pegam fragmentos de informações, manipulam, torcem a verdade, colocam uma palavra bem sacana, mudam um título, uma ilustração, uma fotografia. E através dessa manipulação, conseguem levar você a tirar conclusões que não têm um pé na verdade. São conclusões que interessam aos interesses deles. Se você não abrir o olho, vira presa.

    Você não detém as técnicas, não está o dia inteiro estudando as informações, você se abastece aqui e ali de alguma coisa que entra pelo seu celular. Você pega fragmentos da verdade, que normalmente são muito bem dirigidos, muito bem trabalhados. Eles não chegam a você por acaso, eles não chegam a você de qualquer forma, a partir da generosidade de alguém que está contando uma história. Hoje em dia os caras chegam com uma opinião sobre os fatos. O fato em si,  raramente aparece. Ele vem com uma opinião. As pessoas não querem dizer o que está acontecendo, querem dizer porque é que está acontecendo na visão delas. Se você não abrir o olho, você vai dançar.

    Eu trabalho com isso há 30 anos, tive que aprender como é que faz para se proteger minimamente desse tsunami de informações. Tive de criar uma armadura que, se não me livra de ser presa das mentiras, no mínimo garante que eu tenha uma visão crítica.

    Quais cuidados eu devo tomar antes de consumir uma informação e, principalmente, antes de passar essa informação para frente.

    Dias 26, 27 e 28 agora vai acontecer o DESAFIO AS MÍDIAS E EU. São três reuniões, três lives,  três aulas, chame como você quiser, com mais ou menos 40 minutos cada uma, onde vou contar como é que essas coisas acontecem e quais são os truques usados. Usarei uma série de exemplos de como é que essa manipulação acontece e, principalmente, quais cuidados devemos tomar. Quais métodos a gente pode usar para tentar se proteger dessa enxurrada de gente apontando o dedo, dizendo que sabe tudo, trazendo uma visão de mundo deles que se acham os donos da verdade.

    A tentativa é provocar uma reflexão sobre o desenvolvimento da nossa capacidade de julgamento e tomada de decisão. Se meu repertório está enviesado, minha tomada de decisão também estará enviesada. E se esse viés foi trabalhado por alguém, tomarei decisões que não são os melhores para mim. São as melhores para esse alguém.

    São três noites: 26, 27 e 28 de abril. O link é https://mlacafebrasil.com

    Cada aula custa seis reais. Como assim? É só isso?

    É. Coloquei um preço simbólico para simplesmente não dar de graça. De graça já dou um monte de coisas, já faço isso há anos, e já entendi que quando você dá de graça, as pessoas não dão valor. Elas dizem que vão, mas não aparecem. Então nós colocamos um valor simbólico para juntar pessoas interessadas nesse assunto.

    Evidentemente, vou capturar o seu e-mail e depois vou oferecer coisas ainda ais legais...

    Esses três dias prometem. Você vai se divertir, vai encontrar opções de coisas que você não tinha visto sob certos ângulos.

    Quero levar para você a perplexidade dos nossos dias, e ajudar para que você se protegia dessas mídias.

    Desafio as mídias e eu. Vem comigo, você não vai se arrepender.

    Julgamento e tomada de decisão é o nome do jogo.

     

    Versão no Youtube:  https://youtu.be/WVewCzMZPoY

     

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    8 min
  • Cafezinho 374 - Amizades perdidas

    Você já perdeu amigos por causa de política? Quando uso o adjetivo “amigo” ou o substantivo “amizade”, refiro a um sentimento de afeição e simpatia recíprocos entre duas ou mais pessoas. Sacou? Sentimento de afeição recíproco. E isso só acontece entre pessoas que se respeitam.

    No fundo tudo se retoma uma questão de civilidade, que é aquele conjunto de princípios que regem o convívio social do homem, em harmonia. Quem obedece aos princípios da Civilidade é uma pessoa educada, preocupada em viver bem e fazer os outros felizes. Civilidade tem a ver com a forma como lidamos com nossos oponentes políticos, e não com a negação das diferenças políticas.

    Quando o sujeito ou a encontrou entram chutando o balde, xingando ou cuspindo, não existe respeito. E aí faz todo sentido dar o bloco, o deixar de seguir. Amigo que é amigo não desrespeita.

    O escritor Milan Kundera, na coleção de ensaios Um Encontro, escreveu assim:

    Em nosso tempo, aprendemos a submeter a amizade ao que chamamos de convicções. E até mesmo à fidelidade de uma retidão moral. De fato, é preciso ter muita maturidade para compreender que a opinião que defendemos é apenas nossa hipótese preferida, necessariamente imperfeita, provavelmente transitória, que apenas os mais obtusos podem transformar em uma certeza ou verdade. Ao contrário de uma fidelidade pueril a uma convicção, a fidelidade a um amigo é uma virtude, talvez a única, a derradeira. Hoje, eu sei: na hora do balanço final, a ferida mais dolorosa é a das amizades feridas. E nada é mais tolo do que sacrificar uma amizade pela política.

    O jornalista Alon Feuerwerker escreveu assim sobre este assunto:

    Não brigue com seu amigo por causa da política. Depois os políticos se entendem, mas você perdeu um amigo.

    Pense nisso.

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    4 min
  • Cafezinho 373- oladocheio.com

    Eu estava caminhando de manhã aqui na minha região e pensando sobre como está difícil proporcionar discussões legais através das mídias socias.

    Não concordou ou não entendeu, o sujeito já vem com o pé na porta. Já entra xingando e ofendendo. A gente se expõe colocando alguma ideia e de repente toma a pancada.

    Tá certo, a maioria absoluta dos retornos vêm de gente que entendeu a proposta e respeita as ideias, mas sempre vem uma quantidade respeitável de pessoas que são contra ou não entenderam e já entram com ofensas. Olha, eu já passei da idade de suportar gaiato de rede social. Então há um bom tempo botei na cabeça que os haters eu não respondo, simplesmente bloqueio. Estou bloqueando inclusive adolescentes de 50 anos...

    Por isso criei algumas alternativas, que aprendi com o pessoal de stand up comedy.

    Você que paga para ir a um lugar onde o sujeito vai fazer piadas, já vai disposto a rir. E se conhece quem é o comediante, sabe que ele fará piadas, e se o humor dele for negro, serão piadas infames. Quem paga para ir num show de stand up para se ofender com as piadas, no mínimo é burro.

    Os comediantes norte-americanos fazem piadas que aqui no Brasil dariam cadeia, mas lá o povo dá risada porque há um certo compromisso entre o artista e o seu público. Pensei então em criar um público que já chega com um compromisso claro: eu vou ouvir o que você tem a dizer, e vou me manifestar de uma forma que seja no mínimo educada.

    Há algum tempo acabei criando algumas alternativas, como o Café Brasil Premium e grupos no Telegram como o Premium e a Confraria. Criei também no Telegram o canal Café Brasil onde você não interage, só recebe as notícias. Criei um grupo agora para o agronegócio...

    Nesses grupos, a coisa muda de figura, porque as pessoas pagaram para estar neles, assumindo o compromisso de travar debates legais, inclusive de ideias que são contrárias. Sem ninguém chutando a barraca, xingando e agredindo. Você nem precisa participar do debate, só assisti-lo já é muito legal, porque são confrontos de ideias. Não tem nenhum estúpido lá, as pessoas têm toda a liberdade de expor seus pontos de vista.

    Então acabei colocando meu esforço lá e diminuindo muito minha atuação nas mídias sociais, porque o meu tempo, meu esforço, quero dedicar às pessoas que querem promover o bom debate.

    Esta semana criei uma página dentro do portalcafebrasil.com.br chamada oladocheio.com, para facilitar seu acesso aos vários canais que uso para distribuir meu conteúdo. Tem Facebook, Twitter, Instagram, tem o Café Brasil Premium e canais do Youtube.

    Convido você para conhecer meu conteúdo, que quer ser acima de tudo, equilibrado. Não é sobre concordar, nem especular em quem você votou ou quem está com a razão. É sobre analisar as questões com equilíbrio e, no mínimo, com educação.

    Então o propósito hoje foi trocar essa ideia com você, falar sobre meu objetivo de propor um ambiente salutar de discussão, onde ideias diferentes serão confrontadas, onde as pessoas vão defender com veemência seus pontos de vista, onde você não será obrigado a concordar com coisa nenhuma. Onde você pode se expressar com segurança, sabendo que não será agredido, xingado ou humilhado. Nem cancelado.

    O meu objetivo não é outro além de propor: cara, pensa! Não quero que você concorde com coisa nenhuma, só quero que você pense de forma equilibrada sobre o que está ocorrendo no mundo.

    Junte-se a quem quer construir. De destruição, já estou com o saco cheio.

     

    Versão no Youtube:    https://youtu.be/xz15OeCkuZU

     

    Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    See omnystudio.com/listener for privacy information.

    9 min

About Cafezinho

From the publisher's feed

Uma pausa para o café com média de 2 minutos e meio de Iscas Intelectuais sobre comportamento, sociedade, política, economia, educação… tudo aquilo que envolve a complexidade de ser humano.

More shows like Cafezinho

This American Life by This American Life

This American Life

90,768 Listeners

Canal Café Brasil by Luciano Pires & Café Brasil Editorial Ltda

Canal Café Brasil

252 Listeners

Carioca Connection - Brazilian Portuguese Conversation by Carioca Connection

Carioca Connection - Brazilian Portuguese Conversation

131 Listeners

Petit Journal by Petit Journal

Petit Journal

77 Listeners

Momento da Política - Merval Pereira by CBN

Momento da Política - Merval Pereira

6 Listeners

O Assunto by G1

O Assunto

163 Listeners

Não Inviabilize by Déia Freitas

Não Inviabilize

251 Listeners

Podcasts do Clóvis by Clóvis de Barros

Podcasts do Clóvis

31 Listeners