Cafezinho

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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 401 – No pain, no gain

    Uma vez, quando comecei a fazer academia, para tentar manter a forma física, um cartaz na parede chamava a atenção: NO PAIN, NO GAIN. Mais ou menos: SEM DOR, SEM GANHO. Era preciso malhar muito, suar a camisa, sentir as dores musculares para ver os resultados. Na moleza, nada de músculos.

    Pois durante toda a vida tive milhares de exemplos que apenas vieram a comprovar essa tese.

    Mas o melhor de todos aconteceu quando fiz minha caminhada ao Campo Base do Everest, no Nepal, em abril de 2001. São 100 quilômetros de pura exaustão. Subidas íngremes e descidas para acabar com qualquer joelho. Dores de cabeça. Falta de oxigênio. Frio abaixo de zero. Em determinados momentos, eu achei que não conseguiria prosseguir, tamanho sofrimento…

    Mas sabe o que eu fazia nos momentos de desespero? Eu olhava para cima. E via montanhas com 8 mil metros de altura. Via que eu estava no Himalaia. A caminho do meu sonho. Essa constatação bastava para me dar forças que faltavam. No final da viagem, ao fazer um levantamento das coisas que vi e vivi, ficou claro que aquela minha experiência não poderia ter sido de graça. Não dá para simplesmente pegar um avião, descer no Campo Base do Everest e ver o que eu vi, viver o que vivi.

    As maravilhas que me impactaram para o resto da vida, têm um custo: o sofrimento da caminhada. É preciso sofrer tudo aquilo para vivenciar minha experiência. Sem sacrifício, não se conquista a montanha.

    No pain, no gain.

     

    A versão completa deste vídeo, com a transcrição do texto, pode ser obtida gratuitamente acessando http://cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.

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    4 min
  • Cafezinho 400 – Duzentas semanas.

    Quando lancei este podcast Cafezinho, em Setembro de 2017, pretendi explorar novos formatos e tamanhos de podcasts. Eu já tinha o Café Brasil, que durava em média 30 minutos, e o LíderCast, com 90 minutos. Que tal um podcast com três minutos? Nasceu o Cafezinho, que vem sofrendo mutações desde então. 
    Minha intenção aqui é lançar uma isca, uma reflexão, um conteúdo que faça você pensar a respeito de algum tema que está presente na sociedade, mas fora dos refletores. Tem sido interessante, o Cafezinho migrou do áudio para o vídeo e hoje é distribuído por diversas plataformas: agregadores de podcasts, Youtube, Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp, Telegram, no Portal Café Brasil e no Café Brasil Premium. E na semana passada lancei o Cafezinho Cortado, uma versão com um minuto de duração, especial para o Instagram e o Facebook. Um minuto! UM Cafezinho de verdade. 
    Sei que o Cafezinho tem uma tremenda penetração, vira e mexe recebo o programa em grupos de Whatsapp, comentários de gente que assistiu ou ouviu e referências por meios indiretos. O Cafezinho, assim como o Podcast, é o que eu chamava nos anos 1990 de undervertising: ele caminha no subsolo, por baixo dos panos, sem alarde, sem holofotes. Vai na calma e na quietude, chegando onde jamais imaginei que chegaria. É um exemplo acabado das novas mídias, dos canais de distribuição de conteúdo que não precisam de fogos de artifício para se mostrarem eficientes. Eles o são pela capilaridade, pelo alcance, pela liberdade. 
    Este é o Cafezinho número 400. São 200 semanas ininterruptas. Sem patrocinador, sem estar debaixo de nenhum portal importante, nenhum jornal ou revista. Independente, livre, leve e solto, apoiado apenas na teimosia deste que vos fala.
    Obrigado a você que assiste, comenta, dá likes e compartilha. Você que tem participação ativa neste projeto. Vamos a caminho dos próximos 400. Mas você pode ajudar, não é?    

    Versão do Youtube:
     https://www.youtube.com/watch?v=1u4qXLKaWyo

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    9 min
  • Cafezinho 399 – Diálogo aberto ou porrada

    A gente começa a ter ideias próprias sobre o mundo no final da adolescência e, conforme o grupo com que andamos, essas ideias serão solidificadas, transformando-se em convicções. A partir das convicções é que tomamos nossas decisões. E assim encontramos gente que acredita que a terra é plana, que o homem nunca pisou na lua, que o planeta tem 6 mil anos de idade e que Lula é a alma mais honesta que já pisou neste país. Essas convicções são tão estabelecidas que a simples possibilidade de que estejam erradas provoca um incômodo tão grande que essa gente não suporta, entrincheira-se atrás de suas certezas e combate quem as ameaça.

    Mas então… Qual é a saída? Bem, para a maioria dessas pessoas, não existe saída. Vão defender suas ideias mesmo que tenham de causar danos a outras pessoas. Estão cognitivamente blindadas a qualquer informação que vá contra sua fé. Mas para quem não está tão cegamente preso a suas crenças, existem formas de evoluir para a verdade.

    Primeiro é parar de andar com gente em estado terminal de dissonância cognitiva compulsiva obsessiva. Sai de perto, meu. Essa gente contamina os outros e tem mais é que ser ignorada.

    Segundo, é colocar essas suas convicções em questão. De que jeito? Bom, reunindo pessoas para discutir temas que estão quentes na sociedade. Discussões em Facebook não servem, é preciso reunir as pessoas cara a cara, quando os valentões de rede social ficam pianinhos, pianinhos… e quando ideias podem ser anunciadas, discutidas e questionadas.

    Mas para isso as pessoas precisam conhecer e acreditar no poder do diálogo aberto. Ele não resolve os problemas de ataques, de haters e dissonância cognitiva, mas ajuda a ter discussões mais produtivas.

    Diálogo aberto. Quanto tempo faz que você não tem um?

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    4 min
  • Cafezinho 398 - Sobre valores e convicções

    Em dezembro de 2003, o Congresso discutia as bases da reforma previdenciária elaborada pela equipe econômica do então presidente Lula. Era a PEC-40. A senadora petista Heloisa Helena não concordava com as bases da PEC e passou a criticar abertamente o projeto. Foi expulsa pelo partido.Na época eu disse que admirava os valores da senadora, mas tinha restrições às suas convicções.


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    4 min
  • Cafezinho 397 – O último da fila.

    No Anuário de Competitividade Mundial 2020 (World Competitiveness Yearbook – WCY), o Brasil está em último lugar no fator educação. A posição do país é a de 63, duas abaixo de 2019. Entre outros fatores, o resultado se explica pelo mau desempenho do país no que diz respeito aos gastos públicos totais em educação. Segundo a pesquisa, quando avaliado em termos per capita, o mundo investe em média R$ 34,5 mil por estudante anualmente, enquanto o Brasil aplica apenas R$ 10,6.

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    5 min
  • Cafezinho 396 – Relativismo absoluto

    Por muitos anos fomos silenciosamente contaminados por um discurso que prega o relativismo absoluto, uma contradição em termos. Afinal, o relativo não pode ser absoluto, não é?

    Mas peço licença para usar essa contradição, pois não encontro outra forma de definir estes tempos, a não ser como de relativismo absoluto. Tudo passou a ser relativo, em todas as instâncias. Já não sei se um indivíduo é homem ou mulher. Não sei se um bandido é mau ou apenas vítima das circunstâncias. Não sei se alguém que faz uma benevolência é uma alma boa ou um oportunista. Não sei nem mesmo se um artista que faz músicas horríveis é bom ou ruim. Tudo depende.

    E o simples fato de eu levantar essa questão, de dizer “não sei”, já me coloca na alça de mira dos relativistas absolutos. Provavelmente vou apanhar à direita, à esquerda, acima e abaixo.

    O relativismo absoluto incorpora uma tolerância cínica para com a ignorância. Ele nivela um técnico com 40 anos de estudo a um semiadolescente dono de canal no Youtube. Nivela um gênio da música a um emissor de ruídos ininteligíveis. Transforma o belo em mera questão de opinião.

    O relativismo absoluto faz com que fatos sejam menos importantes do que o que as pessoas sentem sobre os fatos. E quando temos uma opinião diferente do que o outro sente, imediatamente somos considerados agressivos, ofensivos e intolerantes. Danem-se os fatos, ferimos o sentimento do outro.

    Por isso a busca pela verdade e as ideias corretas por meio do debate honesto e respeitoso e da argumentação rigorosa, que é uma tarefa nobre, nunca foi tão difícil. Até mesmo impossível.

    Se eu não for forte, seguro e consciente de minha individualidade, vou acabar abrindo mão da busca pela qualidade, pelo belo, pelo resultado. Só para não ferir os sentimentos do jovem esperto.

    Isso vai dar merda.  

     

    Versão no Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=D_7quSj8b8U

     

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    4 min
  • Cafezinho 395 – Ervas daninhas

    O que você faz quando valores morais entram em conflito com interesses políticos? Talvez seja esse o grande desafio do novo milênio: o convívio civilizado entre interesses conflitantes. Estamos lidando com isso o tempo todo, e de uma forma que jamais foi tão hipócrita. Os discursos vão para um lado e as atitudes para outro.... E não é só em política, mas em todos os segmentos de nossas vidas.

    O diretor da escola diz que se preocupa com a qualidade do ensino e força a professora de artes plásticas a dar aula de teatro. O executivo diz que “pessoas são nossos ativos mais importantes” e assina a demissão de centenas, às vésperas do natal. O político diz que se preocupa com seus eleitores e troca a votação da lei importante por um carguinho que renda poder e dinheiro. O advogado jura defender as leis a as utiliza para manter o bandido rico fora da cadeia. O diretor artístico jura que quer qualidade na programação e programa pra tocar axé-corno, funk-corno, e aquelas coisas horrorosas todas. O jornalista jura imparcialidade e não se cansa de contar só o lado da história que lhe interessa.

    É da natureza humana discursar para um lado e andar pro outro. Uma espécie de desonestidade intelectual e política, considerando que política é a arte de interagir com as pessoas, não apenas aquela coisa que se faz em Brasília.

    Afinal, em que tipo de solo você acha que brota a honestidade política? Só pode ser num solo adubado por uma cultura de tolerância, disciplina, solidariedade e justiça social. Um solo tratado com carinho, respeitado e cultivado por todos.

    Você acha que o solo do Brasil é assim? Eu acho.

    Mas também acho que estamos deixando que ele seja tomado por ervas daninhas, que fique seco, sem nutrientes, sem água, sem sol, sem sombra... E num solo assim, valores morais não brotam. Já pensou?

    De quem será a responsabilidade por manter nosso solo rico e pronto para plantar?

    Putz... acho que é minha...

     

    Versão no Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=PVvwAHfw0qc

     

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    5 min
  • Cafezinho 394 – Seu trabalho não nos interessa

    Nos anos noventa, ao mudar de escritório, comprei um cesto de lixo lindo e coloquei dentro dele todos os troféus e prêmios que havíamos recebido. E deixei bem na entrada do departamento. Muita gente estranhou, mas a mensagem era explícita: os êxitos do passado não garantem os êxitos do futuro. Mas fui mais longe. Outro dia, limpando minha caixa postal encontrei um e-mail:

    “Olá Luciano. Sobre os livros apresentados, não tivemos sinalização positiva de nosso Conselho Editorial. Agradecemos sua atenção e estamos à disposição. Atenciosamente, Fulana de Tal”.

    Era uma resposta de uma grande editora, que me havia sido indicada por um conhecido como uma possível editora para meus livros. O recado implícito do e-mail era:

    “Luciano, seu trabalho não nos interessa”.

    Formatei o e-mail bem bonitinho, imprimi e pedi para emoldurar. Minha assistente estranhou: “Pô, mas o conteúdo é negativo!” Pois é. Esse quadrinho pendurado na minha parede me lembrará diariamente que tem gente que não se encanta com meu trabalho, que o fracasso faz parte de meu dia a dia, que sou falível como qualquer ser humano. Que não estou com a bola toda.  E cada vez que eu entrar em minha sala e encontrar o quadrinho, vou me sentir provocado e desafiado:

    ”Ah é, é? Vou mostrar pra eles!”

    Isso é o que eu chamo de “celebrar o fracasso”: aprender com nossos insucessos, transformar os momentos em que quebramos a cara em novos pontos de partida. Receber um “não”, não como uma derrota, mas como um desafio. Inverter o sinal, transformando o que deveria ser um fator desmotivador, numa provocação capaz de incendiar meu espírito e – acima de tudo – me inspirar.

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    4 min
  • Cafezinho 393 – Velhos razinzas

    Como jovem profissional, eu ficava extasiado com a capacidade de tomar decisões, comandar equipes e lidar com problemas complexos dos executivos mais velhos. Mas eu achava que tinha mais coragem que eles, que podia tudo, pois eu tinha 24 anos! Com o tempo fui calibrando meu ímpeto, aprendendo com meus erros e sendo aceito pelos mais maduros. Foi um período de profundo aprendizado, que durou até meus 28 ou 30 anos.

    Na maturidade, percebi que não conseguiria mudar o mundo sozinho. Eu dependia de uma equipe que me permitisse combater os que não faziam e não deixavam fazer. Na maioria, “velhos ranzinzas que detinham o poder”. Percebi a importância de liderar equipes, motivando e desafiando, servindo de exemplo e orientando os fedelhos impertinentes para canalizar a energia na direção certa. E fui me aproximando dos quarenta anos. E dos velhos ranzinzas. Foi um período de conquistas que durou até os 45 anos.

    Após essa idade os acomodados começam a envelhecer, no pior sentido. Viram figuras quase decorativas, assistindo às besteiras sendo feitas e esperando sua hora chegar. Mas os inconformados ativos experimentam uma coisa louca: a bolsa escrotal perde a elasticidade. Ficam sem saco para ouvir absurdos, lidar com idiotas, dar murro em ponta de faca. Tornam-se contestadores, implicantes, chatos e negativos. E começam a incomodar o sistema. E são vagarosamente colocados para escanteio como se tivessem vencido seus prazos de validade, a maioria na plenitude da capacidade, mas cometendo o pecado mortal de não ter mais saco para a comédia corporativa. Velhos ranzinzas.

    Se no reino animal é a degeneração física que torna os mais velhos obsoletos, no reino humano são os estereótipos. Os mais velhos “são cheios de defeitos e manias já não têm energia para o trabalho, é mais difícil comandá-los, pois têm opinião e contestam. Além disso, têm família, dores e compromissos que os mais novos não têm. Os mais velhos são mais caros estão por fora das novas tecnologias e ondas do mercado. Em geral são mais feios, mais lerdos e… ranzinzas”. Já ouviu isso? Pois é.

    No universo profissional dos medíocres, os jovens têm futuro enquanto os velhos só têm passado. É assim que o processo funciona. Seria apenas triste, se não fosse burro…

     

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    5 min
  • Cafezinho 392 – Eu vou matar a rainha

    Na série Game Of Thrones, depois de uma sucessão de aventuras e de matar o clã dos Freys, Arya Stark, a adolescente que acabou se tornando a personagem principal da série, encontra um grupo de soldados na estrada, com os quais compartilha uma refeição. Curioso, um dos soldados pergunta por que “uma garota legal” estava indo para Porto Real? Arya responde: “Eu vou matar a rainha”.

    Todos caem na risada, inclusive ela. Ninguém acredita na menina, que revelou precisamente sua intenção. Para você, Arya mentiu? Para aqueles soldados, obviamente, sim.

    Para que uma afirmação seja mentira, a pessoa que a divulga tem de acreditar que é mentira. E tem de pretender que você acreditará nela. Ela precisa querer enganar você.

    Arya em momento algum mentiu para si. Mas sua afirmação era tão absurda, que os soldados levaram na brincadeira. Fosse hoje, diriam que Arya era terraplanista ou adepta de teorias da conspiração. E isso facilitaria que ela chegasse até a rainha.

    Estamos mergulhados na sociedade da mentira, e tem gente para todo lado usando fragmentos da verdade para que você pense que é mentira. O que fazer então? Ficar esperto pra não cair nas mentiras? Mais que isso.

    Uma passagem do livro Os Irmão Karamazov, de Dostoiéviski, traz uma reflexão preciosa sobre a mentira:

    “O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira, chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade, nem em si, nem nos outros, e portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais. Se respeitar ninguém, deixa de amar e, sem amor, para se ocupar e se distrair, entrega-se a paixões e a prazeres grosseiros e acaba na total bestialidade em seus vícios, e tudo isso movido pela contínua mentira para os outros e para si mesmo.”

    É isso. Tem tanta mentira em volta da gente, que acabamos mentindo para nós mesmos.

    E aí o estrago está feito.

     

     

    Versão no Youtube:

     https://www.youtube.com/watch?v=wMZHOj37ImA

     

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    5 min

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Uma pausa para o café com média de 2 minutos e meio de Iscas Intelectuais sobre comportamento, sociedade, política, economia, educação… tudo aquilo que envolve a complexidade de ser humano.

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