Cafezinho

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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 421 – A normose

    O livro A Patologia da Normalidade, de Pierre Weil, Robert Crema e Jan-Yves Leloup, trata de um comportamento chamado “normose”, o hábito de pensar, sentir e de agir tido num certo consenso social como normal mas que tem natureza infecciosa, podendo ser letal.

    A normose é uma normalidade doentia. Distingue-se da normalidade saudável, como levantar cedo e caminhar todos os dias, por exemplo, que constitui um consenso. E distingue-se também de uma normalidade neutra, como almoçar ao meio-dia.

    O número de normoses é muito grande. Cada dia descobrimos uma ou várias delas nas áreas mais inesperadas. Uma vez que assimilamos o conceito e seu alcance, se torna impossível não ver a normose. Sabe quando você se dá conta da sua ignorância e se pergunta “como é que eu fazia isso e achava normal?”

    Geralmente os normóticos são passivos e acomodados, tipo “deixa a vida me levar”, sabe como é? Apenas reagem aos fatos, com respostas irrelevantes e previsíveis, conformadas ao óbvio. Os normóticos procuram justificar o porquê não fizeram alguma coisa ou desistiram de um desafio, usando argumentos previsíveis. Você já viu ou ouviu gente assim?

    O normótico vive sob efeito da auto-imitação: sempre as mesmas convicções, as mesmas soluções ou os mesmos discursos.

    É confortante saber que somos normais, não é? Pois é. Mas cuidado. Normalidade demais é doença. Venha para o mundocafebrasil.com e entenda como funciona.

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    7 min
  • Cafezinho 420 – A regra dos 30

    Esta semana um leitor cobrou que eu acione minha metralhadora verbal, escolha um lado e saia destruindo. Dessa forma meu podcast bombaria...

    Respondi assim: “ou você começou a ouvir meu podcast ontem ou não entendeu nada de meu trabalho. Eu não vou sair de metralhadora, isso me fará ser mais um pregador para convertidos, que é o que a maioria dos canais que bombam é. Você quer treta, eu não quero. Treta é para os histéricos, eu atuo em outro departamento, me preocupo mais com a qualidade da minha audiência do que com a quantidade. Sacou? Qualidade x quantidade. Pra escolher a primeira tem de estar além do pensamento binário rasteiro.

    Eu acho que sou mais útil agindo da forma como faço. Já tem gente demais com faca nos dentes mandando os outros à ponte que partiu. Eu escolhi a escola de Antonio Gramsci para neutraliza-lo: sem brutalidade, sem faca nos dentes, sem agressão. Apenas no diálogo. Acho que tem espaço e público para todos os estilos. O meu é este.”

    Um outro leitor comentou com uma dica muito interessante, a regra dos 30 centímetros: “preza a regra dos 30 que, devemos procurar manter uma distância constante de 30 cm entre a emoção (coração) e a razão (cabeça). Essa é a distância anatômica dotada pela natureza. Assim impedimos que a emoção predomine de forma apaixonadamente doentia sobre a razão, e vice versa, impedindo que a rigidez da razão nos impeça de sentirmos as sutilezas da natureza humana, em todos os aspectos da dinâmica e convivência social. Muito bom. Me lembrou de uma letra de canção dos Doces Bárbaros, que diz assim:

    Pé quente, cabeça fria, numa boa

    Pé quente, cabeça fria, na maior

    Pé quente, cabeça fria, na total

    Saia despreocupado

    Mas cuidado porque existe o bem e o mal

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    8 min
  • Cafezinho 419 – Pau que só dá em Chico.

    Não parece que o Brasil é uma gigantesca dissonância cognitiva? Por todo lado manifestações repletas de afirmações absolutas como “todo mundo”, “sempre”, “ninguém”, “nunca”, todas como conclusões genéricas de algum incidente em particular ou alguma evidência solitária. Um caso seletivamente escolhido serve como bandeira para a generalização. E dá-lhe dissonância cognitiva.

    Sabe o resultado? Desaprendemos a manifestar nossas dúvidas, a usar “quase”, “talvez”, “alguns”, “a maioria”, ”a minoria” e assim proporcionar o bom debate, evitando os malefícios da generalização. Estamos diariamente expostos a contradições, e o resultado delas, quando respondemos com generalizações e afirmações absolutas, é o surgimento dos justiceiros sociais exibindo virtudes, princípios, credos e valores morais que na verdade não possuem.

    São as generalizações que criam os donos da verdade.

    E aí é só contradição: pratica-se a censura para garantir a liberdade de opinião. Destrói-se a Constituição para garantir o contrato social. Mata-se em nome da paz. Rouba-se em nome da justiça social. Agride-se em nome da democracia. Quebra-se a Constituição em nome da segurança jurídica. Mente-se para proteger a verdade...

    Quanta gente você hoje conhece que diz uma coisa e age ao contrário? Que tem um pau que só dá em Chico, mas não dá em Francisco?

    Há quem chame isso de dissonância cognitiva, mas não é. Dissonância cognitiva é só o gatilho.

    O nome disso é hipocrisia.

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    7 min
  • Cafezinho 418 – Na esquina da sua rua.

    Num cafezinho anterior eu perguntei se em vez de ajudar grandes mobilizações humanitárias que têm possibilidades de desviar recursos, não deveríamos focar em ajudar quem está perto de nós. E teve gente perguntando: então não devemos mais ajudar o Hospital do Câncer? Participar do Criança Esperança? Não participar de nenhuma iniciativa estatal? Bom, não é bem isso que eu quis dizer. Minha ideia é alertar para algumas coisas.

    Primeiro: ser voluntário em causas humanitárias é bom porque sua saúde a longevidade ganham com a atividade. Você aprenderá coisas novas;  estabelecerá relacionamentos fortes com gente do bem; desenvolverá sua habilidade de comunicação; é bom para sua carreira ao criar relacionamentos; é bom para a sociedade. E porque dá a você um senso de propósito. A natureza do voluntariado é a escolha consciente por trabalhar sem ser pago por isso. E você só consegue quando escolhe dedicar seu tempo e esforços para causas que são importantes para você.

    Segundo: se você vai ajudar uma entidade, depois de fazer a investigação habitual sobre a honestidade de propósito, faça uma investigação logística. Examine para ver se a estrutura da organização não consome a maior parte dos recursos, se existe inteligência logística para que seu tempo, esforço e dinheiro doados cheguem até quem necessita, de forma eficiente.

    Terceiro: não espere que o Estado se preocupe com o indivíduo. O Estado age pensando em grupos, no atacado, sem coração, sem empatia. São as pessoas dentro do Estado que tornam os processos mais ou menos eficazes, se e quando podem influenciar na burocracia. O que é muito raro.    

    Quarto: você pode causar um impacto imediato, poderoso e duradouro agindo na esquina da sua casa. Entendeu? Aí na esquina da sua casa.  Ouça o LíderCast 130 com a Katia Carvalho. Ela começou assim, na calçada da casa dela, e hoje impacta a vida de dezenas, centenas, milhares de pessoas. Você pode fazer mais, pode ajudar mais, pode contribuir muito mais. Na esquina da sua rua.

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=BT8Hy43HZsg

     

    Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Acesse: http://cafebrasilpremium.com.br

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    8 min
  • Cafezinho 417 – We are the world

    A USA for Africa era uma organização sem fins lucrativos criada para encaminhar recursos aos povos famintos no continente africano, especialmente na Etiópia, onde a fome vitimava cerca de um milhão de pessoas por ano. Em janeiro de 1985, o mundo tomou conhecimento do movimento que, por ideia do cantor Harry Belafonte, gravou uma canção de Michael Jackson e Lionel Ritchie: We are the world.

    Bem, todo mundo sabe o sucesso que foi a gravação, o vídeo, as entrevistas e toda a mobilização. Isso tudo num planeta sem internet e mídias sociais. O compacto vendeu mais de 7,5 milhões de cópias só nos Estados Unidos e, seguido por um álbum, videoclipe e merchandising, o movimento levantou cerca de 50 milhões de dólares, que hoje equivaleriam a 120 milhões de dólares. Cara! É quase um Petrolão.

    Em 2010, na comemoração dos 25 anos do evento, foi lançado um DVD especial, que continha um documentário onde Harry Belafonte seguiu a entrega do dinheiro na África.

    No final do documentário, ele conclui que a maior parte do dinheiro ficou pelo caminho, pagando estrutura da ONG, logística, propinas, corrupção, chefes políticos. Não havia estrutura logística para fazer com que os mantimentos chegassem, comboios eram desviados por políticos ou saqueados por guerrilheiros… Os esforços tão valiosos dos artistas e de todos que compraram o disco, pouco ou nada adiantaram.

    A história do USA for África me colocou em modo de alerta para essas grandes movimentações de solidariedade, que exigem estruturas caras, se perdem em camadas e processos e têm uma eficiência discutível. Talvez o dinheiro seja melhor aplicado, se for diretamente de mim para a pessoa que está ajudando outra pessoa ali na esquina da minha casa. No meu bairro. Na minha cidade. De mim para quem necessita, com o menor número de intermediários.

     

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    8 min
  • Cafezinho 416 – Verdade ou popularidade

    Falei sobre a integridade intelectual e me perguntaram qual a diferença para integridade moral.

    Integridade intelectual tem a ver com nossos processos cognitivos, com a forma como elaboramos nossos pensamentos. É relacionada a se esforçar para ser completo e honesto na busca e divulgação da verdade. Quando a integridade intelectual falha, nosso pensamento é corrompido. Quando pensamos ou dizemos algo que não se apoia na verdade, criamos obstáculos em nossa mente, que vão se acumulando.  Com o tempo, nos tornamos incapazes de pensar com clareza, e isso pode nos colocar, até inconscientemente, na condição de propagadores de mentiras e falsidade. 

    A integridade Moral tem a ver com manter consistência, identidade, honestidade e compromisso com as regras morais de convivência na sociedade.

    Os entendimentos de integridade moral e intelectual podem se sobrepor, evidentemente. Para mim a integridade intelectual está contida dentro da integridade moral, mas utilizei-a por ser mais específica.

    Pense na verdade como você pensa em dinheiro. Se você quiser dinheiro pra valer, tem de se dedicar plenamente à busca por ele, sem concessões em sua busca. É por isso que tem gente que pisa até no pescoço da mãe, por alguns trocados. Se você deseja a verdade, tem que estar absolutamente dedicado à sua busca. E saberemos quão dedicado você é a essa busca, por sua integridade, entendeu?

    A integridade está para a verdade como a ganância está para o dinheiro.

    O ganancioso que busca dinheiro incomodará muita gente e fará inimigos pelo caminho. O íntegro que busca a verdade, fará o mesmo. Quem faz concessões nessa busca, não está interessado na verdade. Está interessado em popularidade.

     

    No Youtube: https://youtu.be/KsaYdivLNaE

    A versão completa deste vídeo, com a transcrição do texto, você encontra gratuitamente em

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    4 min
  • Cafezinho 415 – Personalidades digitais

    Uma startup chamada Brud (https://brud.fyi) nasceu para, em suas próprias palavras, “criar mídia de propriedade da comunidade, e mundos construídos coletivamente.” Seu projeto inicial é Miquela, uma garota 100% digital, que já tem 8 milhões de fans. No Instagram está como @lilmiquela e se apresenta para seus 3 milhões de seguidores assim: sou “um robô de 19 anos que vive em Los Angeles”. Suas postagens reproduzem tudo que uma garota de 19 anos faz no Instagram, com fotos e vídeos de seu dia a dia. E um engajamento excepcional. O povo comentando a vida digital da robô.

    Pense numa Magalu ao cubo. É a Miquela. Entramos na era das personalidades artificiais, onde não existe absolutamente nada de natural. Com base nos públicos que devem ser atingidos, os caras criam um personagem digital que compartilhará dos gostos musicais, estéticos, políticos e ideológicos. É irresistível. E sem dúvida essas personalidades digitais darão opiniões políticas e comportamentais. Imagine só. Um influenciador digital, 100% controlado por alguém. Você consegue imaginar o poder disso?

    Pois é. É pra esse mundo que a gente está indo.

    Imagine uma discussão sobre moral e ética dessas personalidades digitais? Elas terão direitos? Parece loucura?

     

    Este cafezinho é uma isca para o Podcast Café Brasil 784 - Avatar, onde trato desse tema com mais profundidade. Ouça acessando mundocafebrasil.com.

     

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    4 min
  • Cafezinho 414 – Agir com integridade

    Quem age com integridade tem menos dificuldades em assumir posições nos momentos críticos, pois tem a segurança de escolher aquilo que julga ser melhor para si. Eu luto por aquilo que acredito e pelos valores que defendo. Isso é integridade.

    Mas existem diversos tipos de integridade como a integridade moral, a intelectual, a profissional, a artística… Um indivíduo pode perfeitamente agir com total integridade artística e nenhuma moral. Por isso é que nos decepcionamos com uns ídolos aí, que de repente se revelam uns escrotos. Mas eu quero tratar um pouco mais da integridade intelectual, que acho que é aquela que mais nos tem feito sofrer nos últimos tempos.

     

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  • Cafezinho 413 – Esses eu não negocio!

    Em minha palestra TUDO BEM…SE ME CONVÉM trato de moral e ética, num determinado momento eu provoco a plateia assim: a menos que você seja uma criança muito pequena ou um psicopata, você sempre tem plena consciência do que é certo e do que é errado. Mas nem sempre você tem capacidade de análise e de ação a respeito. Vê que algo está errado, mas não faz nada… Na verdade eu acho que a maioria das pessoas age dessa maneira, por diversas razões: comodismo ou preguiça, medo de se envolver, medo de sofrer alguma represália ou simplesmente por uma falha de caráter. Essa é a característica primordial do brasileiro: deixa pra lá…

     

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    4 min
  • Cafezinho 412 – O viés de confirmação

    No Cafezinho anterior eu defini “histeria ideológica”. Vou permanecer no tema trazendo agora a principal característica do histérico ideológico: o “viés de confirmação”.

    O viés de confirmação ocorre quando uma pessoa interpreta uma situação de acordo com suas próprias crenças pré-existentes. Também conhecido como viés atribucional, o viés de confirmação é uma perspectiva cognitiva enviesada que ignora informações que invalidam sua opinião.

    Cada novo conjunto de evidências que você apresentar ao histérico ideológico, só serve para provar o que a pessoa já acredita, reforçando o preconceito pessoal e estereótipos.

    Normalmente fazemos julgamentos e suposições sobre as razões de as pessoas se comportarem de determinadas maneiras, e é normal que essas avaliações não reflitam a realidade, pois estamos sujeitos a erros de interpretação, no nosso dia a dia.

    Dona Maria foi pega roubando leite no mercado, e você imediatamente atribui o ato à desonestidade dela. Dona Maria é uma ladra, é a constatação mais rápida e fácil de ser feita. Mas a questão é que seus filhos estavam sem alimentos e ela se viu obrigada a roubar. Dona Maria não é uma ladra, é uma mãe desesperada. Percebe como tudo muda?

    Quando prestamos atenção em uma ação, o indivíduo é nosso ponto de referência, enquanto tratamos o contexto como se fosse um simples pano de fundo. E se você não gosta do indivíduo, pronto. Usará esse viés para definir sua intenção, não importa o contexto.

    Todo mundo possui viés. Eu possuo viés.

    Já o histérico ideológico, não. É o viés que o possui.  

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    4 min

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Uma pausa para o café com média de 2 minutos e meio de Iscas Intelectuais sobre comportamento, sociedade, política, economia, educação… tudo aquilo que envolve a complexidade de ser humano.

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