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Publiquei nas redes sociais uma frase que uso há algum tempo: “A histeria ideológica de certos brasileiros é tão alienadora que inaugurou a indignação contra boas notícias.”
Imediatamente vieram os provocadores: “defina histeria ideológica. Sem essa definição o post é apena uma frase tentando ser de efeito”. Pois não.
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Meu amigo Nuno Mindelis diz que o Brasil não é um, mas dois. Existe um Brasil que consome as porcariadas que a mídia dissemina e que os marqueteiros inventam para ganhar dinheiro. É um Brasil pobre de espírito, conformado em ser dirigido. Um Brasil ignorante, que faz dessa ignorância fonte de poder e lucro. Um Brasil onde regras têm pouco significado, onde o que vale é tirar proveito, é a malandragem. O Brasil dos Pocotós.
O outro Brasil é composto de gente que exerce seu poder de escolha. É um Brasil intelectualizado naquilo que essa palavra tem de mais importante: a sede pelo conhecimento. Um Brasil que tem bom gosto, que consome cultura, que respeita regras e que em nada difere de outros países mais “desenvolvidos”.
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O Timo era meu vizinho de apartamento em 1984. Eu nunca soube seu nome, mas o apelido era Timo. Tinha uns trinta e poucos anos e vivia com uma moça linda e magérrima, cujo nome não me lembro mais. Ela era modelo fotográfico e de passarela. Formavam um belo casal.
Uma manhã, acordei com um falatório no corredor. Espiei pelo olho mágico e vi uma agitação, pessoas estranhas pra lá e pra cá, vestindo fardas. Era a polícia. E estavam apressados, apavorados até.
Refeito do susto, corri para a janela. Lá embaixo, uma ambulância. Em segundos uma maca é colocada em seu interior e ela arranca apressada. Assustado, fui falar com o zelador.
- “O ´seu´ Timo se atirou” foi a resposta também assustada.
Demorei a entender o “se atirou”. O zelador quis dizer que o Timo havia se suicidado. Desesperado após uma briga com a companheira, entrou no quarto e deu um tiro em si mesmo. Portanto, “se atirou”.
Trinta anos depois, não me esqueci do “seu Timo se atirou”. Aquele lance de humor involuntário num momento trágico me marcou profundamente.
Que poder o humor tem de causar tal impacto mesmo quando coisas muitíssimo mais importantes estão à nossa frente, não é? E se o humor tem esse poder, devemos usá-lo de forma inteligente, você não acha? Com o humor, conseguimos rir de nós mesmos. Conseguimos aliviar os momentos de tensão. Conseguimos nos vingar de quem nos atormenta.
Não sei o tamanho do problema nem o que se passava pela mente perturbada do Timo, mas alimento uma dúvida. E se ele tivesse enfrentado seus problemas com humor?
Talvez levasse uma vida menos atormentada...
Talvez trocasse o desespero pela esperança...
Talvez passasse do choro ao sorriso...
Talvez salvasse sua alma...
Mas, não.
Carente de humor, seu Timo se atirou.
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Correlações acontecem quando as coisas se relacionam. Por exemplo, o Zé adora a festa junina da igreja. Ele vai vestido de caipira e com uma barba desenhada com carvão. E se mata de dançar e comer batata-doce. E então fica como um zepelin: grande, gordo e cheio de gás. Tanto a festa junina como a roupa de caipira, a barba de carvão, a dança e a batata-doce têm a mesma correlação com os gases do Zé. Mas não têm a mesma relação de causalidade.
A causalidade está entre a batata-doce e os gases. Se o Zé comer batata-doce numa festa italiana ou numa praia ou em casa em frente à televisão, terá gases. A batata-doce causa gases. “Se eu fizer isso, acontece aquilo”. Isso é ciência. Isso é causalidade.
O problema é que a maioria das pessoas não se dá ao trabalho (ou não tem capacidade) de pensar para entender essas relações. No Brasil (e não só aqui), a turma sai dizendo que festa caipira dá gases. Que roupa de caipira dá gases. Que pintar barba com carvão dá gases. Que dançar dá gases. E tem neguinho tentando convencer neguinho que soltar gases provoca festas caipiras… Isso acontece por ignorância, má fé ou estratégia política / comercial.
Entender as correlações não significa entender as causas do comportamento. Portanto preste muita atenção nos discursos dos educadores, dos políticos, dos jornalistas, das autoridades e dos vendedores que confundem correlações com causalidades.
Eles querem influenciar suas decisões.
Eles querem determinar seu futuro.
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Há seis anos coloquei um apartamento à venda em Alphaville. É um ótimo apartamento de 63 metros quadrados que coloquei à venda por 420 mil reais na época, hoje está por 320 mil e não aparece ninguém pra comprar. Semana passada apareceu uma proposta. A pessoa perguntou se eu aceitaria um automóvel como parte do pagamento. Eu disse que sim. Ela então mandou a foto. Um Land Rover no valor de 300 mil reais. Trocar um apartamento por um automóvel, cara? Como assim? E ontem, andando pelo Shopping, vi nas lojas camisas e bermudas por 500 reais… uma gravata por 700 reais! Pois é… mas essa minha perplexidade está aí do seu lado, em todos os momentos de sua vida. É um tal de valor subjetivo…
Existe um livro precioso chamado Princípios de Economia Política, escrito por Carl Menger, que foi publicado em 1871. É uma obra revolucionária ao apresentar uma abordagem inovadora para a análise da economia. Para quem não é do ramo, é obra excelente para introdução ao raciocínio econômico. Menger ajudou a compreender as bases da Teoria da Utilidade Marginal, que refutou a teoria do mais-valia, o valor-trabalho, de Karl Marx. Sim, essa mesma na qual seu primo e o professor de história acreditam.
Um bem é algo que tem utilidade para satisfazer alguma de nossas necessidades. Um lápis é um bem que me satisfaz a necessidade de desenhar meus cartuns. O lápis é um bem material, consigo pegá-lo na mão, observar seus atributos e calcular seu valor com base na matéria prima utilizada, na tecnologia empregada na fabricação, na origem, na marca, etc. Um bem imaterial é diferente. A qualidade do bem imaterial são propriedades que imaginamos.
Gostou dessa novidade? Pois é... só que estou falando de ideias de mais de 150 anos atrás, que já tratavam daquilo que aquele seu professor ou palestrante genial falou na semana passada, usando o Google, a Apple, a Uber e Elon Musk como exemplos…
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O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Sabem do roubo do político e exclamam “que vergonha”. Veem a fila de aposentados ao sol e exclamam “que absurdo”. Assistem a quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem “que baixaria”. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram “que medo”. E pronto!
Pois acho que precisamos de uma transição “nestepaíz”. Do ressentimento passivo à participação ativa. A minha transição começou quando li num texto de Érico Veríssimo um trecho delicioso: ”O menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como sinal de que não desertamos nosso posto.”
Pois é... este Cafezinho é meu toco de vela. Não sei se provoquei alguma mudança em alguém, mas acredito que estou cumprindo um papel, homeopático, pequenino e simples. Para mim, relevante. Tem gente que me chama de ególatra, metido e elitista. Para essas pessoas, eu incomodaria menos se permanecesse confortavelmente usufruindo da vida de executivo de uma multinacional, pacatamente curtindo meus ressentimentos passivos.
Seria uma opção. Mas eu escolhi participar ativamente, usando as armas que tenho. Uma delas eu realizarei nos dias 9, 11, 13 e 15 de agosto: quatro lives chamadas ´Bora pra retomada, para falar sobre estar preparado para quando o mundo voltar ao normal.
`bora?
Acesse http://borapraretomada.com.br , junte-se aos que querem sair dos ressentimentos passivos e partir para a ação.
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“Seu podcast fede a autoajuda, seu babaca que fica dando lição de moral.” Este é o comentário que um certo Lucas sobre o Podcast Café Brasil.
Examinei a crítica à procura de algo que me ajudasse a melhorar. Não achei nada que prestasse. Apaguei e bloqueei.
No dia seguinte, após terminar uma palestra num grande evento em São Paulo, fui interceptado por uma garota, Lisiane, que entre embargos na voz e soluços, contou que em 2003 chegou em São Paulo, vinda do Maranhão, junto com a mãe. Trabalhando como empregada doméstica em Arujá, na grande São Paulo, ela contou que guardava todo o salário, que era uma miséria, e pela manhã ouvia o Primeiro Programa, na rádio Nova Brasil, do qual eu era colunista. Ela adorava meus comentários e acabou comprando meu livro Brasileiros Pocotó quando do lançamento em 2004. O livro e os comentários abriram sua cabeça. Ela passou a usar quase todo o salário para pagar um curso de administração de empresas numa faculdade em Guarulhos. Impressionado com sua força de vontade, o patrão convidou-a a trabalhar na empresa dele, uma confecção, onde ela fazia de tudo um pouco. E assim foi. Fez um MBA em Finanças e agora acabara de abrir sua própria empresa.
– Eu tinha que te dizer isso!
Com os olhos marejados e a voz falhando, Lisiane me agradecia pelo bem que fiz a ela, pela motivação e inspiração para sua história de vida.
Dei-lhe um longo e apertado abraço, emocionado, e quase sem poder dizer algo, a não ser “parabéns”. Enquanto isso eu me lembrava do comentário do tal Lucas, me chamando de babaca e dizendo que meu programa “fede a autoajuda”.
Fui pegar meu carro e permaneci dentro dele por alguns minutos, com os olhos cheios d’água e um nó na garganta, ainda emocionado pela Lisiane.
Qual tipo de reação você acha que levo em consideração para orientar meu trabalho? A da Lisiane ou a do Lucas? Liguei o som do carro e botei pra tocar Raul Seixas. E ele mandou, na letra de No Fundo do Quintal da Escola:
Não sei onde eu to indo
Mas sei que eu to no meu caminho
Enquanto você me critica, eu to no meu caminho.
Ganhei o dia.
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Em minha palestra GERAÇÃO T digo assim: se você por acaso se considera estúpido, não perca as esperanças. Você não é estúpido. Você está estúpido. Estar é uma condição e, portanto, pode ser mudada.
Há muito tempo somos convencidos de que somos incapazes, que precisamos de alguém para nos orientar, disciplinar. Para cuidar de nós. E assim tivemos paizões e mãezonas, que tinham as soluções para tudo, e chegamos onde chegamos. Será que em algum momento vamos despertar? Nos encher do cativeiro? Explorar novas possibilidades? Sair do coitadismo, da revolta sem sentido contra os “eles” exploradores, tirar a mente para fora do cenário de confronto e vingança no qual fomos jogados? Mas a turma dos histéricos se nega a permitir que tentemos uma nova solução, que comecemos a tomar as rédeas em nossas mãos.
Que tal recuperar a lucidez? Perceber as mentiras, os engodos, as manipulações? E só isso já nos dá uma centelha de esperança. Uma razão para o otimismo.
Não, não é para mergulhar no otimismo cego, que é tão burro e talvez até mais prejudicial que o pessimismo cego. É para perceber quais causas dos eventos negativos estão sob nosso controle. Sobre quais delas podemos influir?
Ferreira Gullar uma vez disse que “Você tem de ter uma visão crítica das coisas, não pode ficar eternamente se deixando levar por revolta, por ressentimentos. A melhor coisa para o inimigo é o outro perder a cabeça. Lutar contra quem está lúcido é mais difícil do que lutar contra um desvairado.”
Entendeu? Lutar contra alguém lúcido é mais difícil que lutar contra um histérico, cego pelo ódio e desvairado...
Mantenha-se lúcido.
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Um ouvinte me enviou um e-mail curioso. Ouça:
“Eu sou servidor público e sofro bastante ao perceber que o que é público não é de ninguém. (...) Fui ao banheiro da repartição pública onde eu trabalho e me deparei com aquela cena que já é de costume: o chão, que no começo do expediente, menos de trinta minutos antes, estava limpinho e cheiroso, já estava todinho mijado e sujo, com pegadas alaranjadas e marrom terra por todo lado.
Daí, de imediato pensei: preciso dar um jeito de mudar essa situação. Então eu chamei as meninas responsáveis pela limpeza da agência e pedi a elas que, por favor, pelo menos de hora em hora, passassem para conferir se alguém tinha errado a pontaria e o banheiro estava com xixi empoçado. Porque, se tivesse com o menor sinal de xixi respingado no chão, os usuários, em geral, devem pensar: isso aqui é público mesmo e eu estou aqui faz mais de uma hora e ainda não consegui o que preciso, então vou mais é mijar no chão mesmo. Daí, para evitar que a minha teoria do banheiro mijado entre em ação, através da tendência natural do ser humano de piorar aquilo que já está ruim, pedi que elas procurassem manter o banheiro limpo ao longo do dia.”
Cara, não é impressionante? Olha a quantidade de absurdos nesse relato... Primeiro a teoria do banheiro mijado, que é como a teoria das janelas quebradas: se o banheiro está mijado, mijar mais ainda nele! Depois, ter de pedir para o pessoal da limpeza aumentar a frequência com que limpa os banheiros. Ainda, a iniciativa ser de um usuário, e não do encarregado pela limpeza. Terceiro, a percepção de que o pessoal mija no chão em represália à demora pelo atendimento... Tá tudo errado, não é?
Eu nunca me conformei de, ao entrar num banheiro, me deparar com avisos de “lave as mãos”, “não urine fora do vaso” ou “dê a descarga”. Mas pensando bem, acho que é até pouco. Devia haver um cartaz dizendo: seja civilizado.
Versão Youtube: https://youtu.be/HZudsAW0PAk
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A função primordial de nosso cérebro é sobreviver. Manter-se seguro. Evitar ameaças. Por isso estamos permanentemente à cata de sinais de perigo. Julgamos esses sinais rapidamente, sem tempo para juntar todos os fatos e fazer uma análise criteriosa. Usamos atalhos mentais, num julgamento rápido, transformando pequenos estímulos em algo que pode nos colocar em risco. É quase instintivo. E quanto mais algo está presente em nossa consciência, mais peso emocional carrega. Por isso a propaganda trabalha tanto com a exposição das situações de risco, fazendo-as presentes, ao alcance, prestes a acontecer.
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