Cafezinho

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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 352 – O drama da esquina

    Que legal a mobilização das pessoas para ajudar de alguma forma nossos irmãos no Amazonas com a questão do oxigênio. É isso que acontece quando esses dramas ganham as manchetes. E aqui vão algumas reflexões:

    Primeiro: a natureza do voluntariado é a escolha consciente por trabalhar sem ser pago por isso. Ser voluntário é bom porque você aprende coisas novas; porque estabelece relacionamentos fortes com gente do bem; porque desenvolve sua habilidade de comunicação; porque cria relacionamentos; porque é bom para a sociedade. E dá um senso de propósito.

    Segundo: se você vai ajudar uma entidade, depois de fazer a investigação habitual sobre a honestidade de propósito, faça uma investigação logística. Examine para ver se a estrutura da organização não consome a maior parte dos recursos, se existe inteligência logística para que seu esforço e dinheiro doados cheguem até quem necessita, de forma eficiente.

    Terceiro: não espere que o Estado se preocupe com o indivíduo. O Estado age pensando em grupos, no atacado, sem coração, sem empatia. São as pessoas dentro do Estado que tornam os processos mais ou menos eficazes, se e quando podem influenciar na burocracia. O que é muito raro.    

    Quarto: você também pode causar um impacto imediato, poderoso e duradouro agindo na esquina da sua casa. Entendeu? Isso mesmo, aí na esquina da sua casa.  Eu convido você a ouvir o LíderCast 130 com a Katia Carvalho. Ela começou na calçada da casa dela, e hoje impacta a vida de dezenas, centenas, talvez até milhares de pessoas.

    Não espere os grandes dramas nacionais para agir. Tem um drama precisando de você aí, na esquina da sua casa.

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    6 min
  • Cafezinho 351 – Um autoritário pra chamar de seu

    O mundo está ficando estranho. As pessoas perderam completamente o bom-senso e já há gente pregando autoritarismo do bem na imprensa. Fiz uma rápida pesquisa sobre o que podemos esperar de alguém autoritário:

    1. Ódio. A pedra fundamental do autoritarismo. O ódio contra quem pensa ou age diferente do que ele acha certo.
    2. Punição e crueldade. O ódio leva à necessidade de punir quem age errado. Evidentemente, o juiz do erro é ele, o autoritário.
    3. Violência. Física ou psicológica.
    4. Ameaças e amedrontamento. Autoritários precisam incutir o medo nos outros.
    5. Regras confusas. O autoritário precisa que a regra seja quebrada para se sentir poderoso... punindo.
    6. Paranoia. Autoritários agem como se estivessem sendo ameaçados todo o tempo. Tem inimigo pra todo lado.
    7. A verdade é inimiga. Para quem quer punir os outros, a verdade é uma inconveniência.
    8. Humilhação e ridicularização. Não basta controlar, vencer, dominar o alvo. É preciso envergonhá-lo.
    9. Obsessão por comando e controle. A vida do autoritário é repleta de regras, certezas e verdades que, para ele, deveriam ser óbvias para todo mundo.
    10. Intromissão. Combinação da necessidade de controlar e envergonhar. O autoritário se mete onde não foi chamado.

    Vamos lá então? Ódio, punição, crueldade, ameaças, confusão, paranoia, desprezo pela verdade, humilhação, obsessão por controlar, intromissão...

    Sério que, em nome do bem futuro, você acha que vale se submeter a gente assim?   

     

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    6 min
  • Cafezinho 350 – Sob o domínio do medo

    Quando estive no Museu Aeroespacial do Smithsonian em Washington, a coisa que mais me impressionou foi a minúscula cápsula espacial do Projeto Mercury, que colocou o primeiro astronauta norte americano em órbita em 1962. Que coragem de John Glenn de entrar ali e ser lançado para o incerto, sem saber se retornaria. Impressionante.

    Aquela era uma época de gente que fazia acontecer, de lideranças que assumiam riscos. Aquela era uma época em que os planos eram levados a sério, de gente responsável e compromissada com a ação.

    Hoje vejo estruturas complexas, gente superficial e planos. Planos, planos e mais planos. Todo mundo apresentando planos com nomes pomposos e depois esperando que se transformem em ação. Como mágica. São raras as lideranças que sentam a bunda no foguete e partem para a ação. Todo mundo quer livrar o seu. Decisão? Só se for num comitê, com a responsabilidade compartilhada com muita gente. Fazer acontecer? Só depois que outros fizerem.

    Sabe o que que é isso? É resultado de um processo de ampliação do medo. O mundo nunca esteve tão bem, por qualquer indicador que você pesquise, mas nunca tivemos tanta certeza de que o futuro será terrível. Portanto, evite riscos, não saia do rebanho, não invente moda, não tente provar seu ponto, especialmente se ele estiver fora da convenção social... Se ele não concordar com a patota.

    Enquanto isso os chineses, disciplinados, comprometidos, focados num objetivo comum, traçado em planos que já têm 30 ou 50 anos, dominam o planeta. Sem medo.

    No mundo de hoje, caótico, competitivo e apressado, não vence mais só quem tem o melhor plano, a melhor tecnologia, mais velocidade ou se adapta com facilidade.

    Vence quem não é cagão.

     

     

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    Versão do Youtube: https://youtu.be/wgDM8OcBytk

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    6 min
  • Cafezinho 349 – Pânico moral

    Mídia é “todo suporte de difusão de informação que constitui um meio intermediário de expressão capaz de transmitir mensagens.” É tentador jogar a internet no mesmo balaio, não? Mas a internet vai mais longe. Google, Facebook, Twitter e a internet em si, são novidades que ainda não compreendemos. Não são “editores” ou produtores de conteúdo, mas plataformas de conversação, não apenas para levar conteúdo de um lugar para outro, mas para conectar pessoas. E isso muda tudo.

    Pense neste podcast, como uma mídia social, por exemplo. Você pode comentar, compartilhar ou encaminhar, com um monte de gente lendo e comentando, fazendo um ruído imenso, tão maior quanto mais polêmico for o assunto e a troca de mensagens. Esse ruído, esse barulhão, é a sociedade conversando. E às vezes o barulho fica tão alto, que começa a incomodar.

    É então que surge o conceito do “pânico moral”, definido nas palavras da cientista de dados Ashley Crossman:

    “Pânico moral é um medo espalhado pela sociedade, geralmente um medo irracional, de que alguém ou alguma coisa é uma ameaça aos valores, à segurança e aos interesses de uma comunidade ou sociedade. Tipicamente, o pânico moral é perpetuado pela mídia, alimentado por políticos e geralmente resulta na aprovação de novas leis e políticas que têm como alvo a fonte do pânico. Dessa forma, o pânico moral pode ampliar o controle social.”

    Ampliar o controle social. Tá entendendo?

    E o pânico moral não tem lado. Ele é ferramenta para qualquer um que quiser espalhar o medo. Até para um obscuro site alimentado por um modesto casal do interior do Paraná.

    Isto foi uma ironia.

    A pergunta do novo milênio, portanto, tem de ser:

    Quem se beneficia da ampliação do controle social?

    Os bobinhos dirão: “a sociedade”, enquanto caminham bovinamente em direção ao matadouro.

     

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    Versão do Youtube: https://youtu.be/P2nPKp2OuVA

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    6 min
  • Cafezinho 348 – Quem conta as histórias

    Houve um tempo em que era no seio da família que aprendíamos por que acontecia o que acontecia. As narrativas familiares permitiam que entendêssemos como e onde nos encaixávamos dentro do mundo. E eram narrativas ricas, que misturavam fatos da realidade com histórias, tradições e lendas, não só do Brasil, como de nossos antepassados.

    Mas se o meu avô, meu tio, minha mãe, ao contar uma história, queriam desenvolver meu senso moral, ajudando que eu encontrasse meu lugar no mundo, quem conta as histórias hoje quer que eu compre uma sandália, um shampoo, um automóvel… ou uma ideia.

    Hoje as crianças encontram seu lugar baseadas nas marcas dos produtos que utilizam, no vocabulário da tribo que frequentam, no comportamento que imita celebridades vazias de conteúdo, invariavelmente ligadas à troca de algum produto por nosso dinheiro. Uma criança com oito anos de idade, tendo na bagagem umas 15 mil horas de internet, precisa de som, movimento, cores e situações extremas. Rápido! O que, convenhamos, atrai mais do que a conversa do avô.

    E assim ela cresce exposta ao excesso, aos gritos dos que a tentam convencer de que problemas complexos têm soluções simplórias. E essa gente tem um discurso sempre muito sedutor, simples, fácil de entender: a promessa do céu no futuro, desde que você viva o inferno no presente. Um céu que jamais chega.

    Então a criança vê a imagem de milhares de pessoas espremidas dentro de um ônibus ou vagão do Metrô, enquanto o governador grita: Fique em casa!

    Imagino a criança perguntando aos pais por que é que isso acontece.

    Tenho medo da resposta.

     

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    Versão do Youtube: https://youtu.be/oizsUVdGIRg

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    7 min
  • Cafezinho 347 – Remédio ou veneno

    E 2020 termina com a sociedade mobilizada politicamente, como nunca. E isso não deveria ser ruim.

    A política é onipresente, você pode se expressar politicamente fazendo parte de um partido ou simplesmente saindo à rua numa manifestação. Pode se envolver com questões de estado, com atividades sociais, com resolução de conflitos, com a política no ambiente de trabalho. E, é claro, votando. Ou manifestando sua opinião livremente.

    Política não é algo ruim, sorrateiro, do mal. Política é a cola que mantém a sociedade unida. Política é remédio.

    Uma sociedade interessada em política, portanto, deveria ser algo importante, sinal de maturidade social.

    Mas...

    Depois de 50 anos de incitação ao confronto político e ideológico, do nós que somos do bem, contra eles, que são do mal, surgiu o palco ideal para o conflito: as redes sociais, que despertam nossos mais primitivos instintos, como disse aquele. Nelas, feridas jamais se fecham. Pelo contrário, abrem novas.

    Escolhendo quem seguir e quem excluir, nos colocamos em silos, câmaras de eco, enviesados e lutando para eliminar os inimigos. Alguns reais, a maioria imaginários.

    Julgamos que somos imunes às pressões, ofensas e preconceitos aos quais somos expostos. Achamos que somos capazes de observar e criticar os rebanhos, sem fazer parte deles. Esquecemos que quem nada contra a maré, também está dentro da água. O diabo está nos outros...

    Essa política do confronto, do ódio, contamina todos os segmentos de nossa vida. Agora até tratamento médico tem lado!

    É nesse contexto que a política, de cola que une a sociedade, se transforma no veneno que a fragmenta e destrói.

    Voltamos a conviver como tribos que se sentem ameaçadas por opiniões contrárias, consideradas heresias que precisam ser eliminadas. A mentira é colocada no mesmo patamar da verdade. Vencer o debate é mais importante que estar certo.

    E tudo fica chato, muito chato.

    Como promover a construção em vez da destruição, quando um lado quer é destruir o outro? Como expor ideias num ambiente envenenado dessa forma?

    Política deveria ser o remédio. Mas nós a transformamos em veneno. Tá na hora de rever a dose.

     

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    8 min
  • Cafezinho 346 – O homem foguete

    “Ela arrumou minha mala na noite passada, antes do voo/ Na hora zero, às nove da manhã / Eu estarei bem lá no alto / Como uma pipa.”

    Esses são os versos iniciais de uma canção icônica, Rocket Man, de Elton John e Bernie Taupin. Lançada em 1972, a música foi baseada num conto de ficção científica do autor Ray Bradbury, que trata de um astronauta em conflito: quando está no espaço, ele quer estar em casa, e quando em casa, quer estar no espaço.

    Escolhi essa música para o Podcast Café Brasil que encerra 2020, por algumas razões. Primeiro porque amo a canção, e isso é o ingrediente número um para produzir um bom podcast. Depois porque nela estão presentes alguns atributos que marcaram 2020: a angústia da incerteza sobre o futuro, a sensação de impotência, o medo diante do desconhecido, a possibilidade de não voltar para casa, a saudade das pessoas que amamos, a presença inestimável da tecnologia, a consciência apavorante das limitações da ciência.

    Mas o que mais pega na canção de Elton John, é a situação do pai que, por seu trabalho, se vê obrigado a ficar longe de casa. Isso é uma marca da revolução industrial e do desenvolvimento da economia nos últimos 100, 200 anos. Algo que foi invertido em 2020, quando fomos obrigados a ficar em casa, longe do nosso trabalho. É assim que terminamos 2020, é assim que começaremos 2021.

    Mas no fundo, o que eu quis mesmo foi prestar uma homenagem aos que não se entregaram ao medo que paralisa, e tiveram a coragem de assumir riscos mesmo com informações fragmentadas ou incompletas.

    Esses são os Rocket Man.

    Ouça o Podcast Café Brasil 750 – The Rocket Man.

    E parta firme para 2021.

    Feliz ano novo.

     

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    Versão Youtube: https://youtu.be/veX-rfNObM0

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    7 min
  • Cafezinho 345 – Pedra no Lago

    Quem assina o Café Brasil, tem acesso a um grupo do Telegram, que é sensacional. Ali as pessoas exprimem suas ideias sem medo de ofensas, ataques e cancelamentos. Saem altas discussões, mas sempre com educação. E o mais interessante é que os usuários mais constantes acabam construindo laços de amizade. Nunca se viram, mas são amigos.

    Poucos dias atrás fui surpreendido por um grupo de 17 participantes que se reuniram para escrever um livro que me entregaram de surpresa. O nome é Pedra No Lago, e nas 117 páginas descreve como cada um deles me conheceu e de que forma o meu trabalho impactou suas vidas. É uma obra única, um esforço de três meses, quando cada um se dedicou a praticar a gratidão. Para mim.

    Não sei explicar o que senti conforme fui virando as páginas do livro... Aliás, esse momento está registrado em bit.ly/pedralago

    Um dos textos, do Alisson, diz assim: “Tenho comigo o que José Mauro de Vasconcelos chamou para seu personagem Zezé, de ‘o passarinho que canta pra dentro’. E é este passarinho que ouve podcasts, e que mora em mim não só numa árvore, mas várias, e vizinho a um lago, que ondeia quando ouve uma música, acordando o pássaro do sono leve das coisas cotidianas, me levando para o mundo de dentro do peito.”

    É isso. Um mundo dentro do peito, esperando para ser descoberto, conectado, compartilhado.

    O ano de 2020 entra para a história como um período de extremos desafios, de sustos, perdas e de reavaliação pessoal.

    Eu saio dele apreensivo, preocupado e abalado, mas agora confortado pela certeza de que sou aquele que lança as pedrinhas no lago que acordam o passarinho que canta pra dentro de você.

    E isso é um privilégio.

    Muito obrigado e feliz 2021.

     

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    Versão do Youtube em

    https://youtu.be/wXNAbdE-MZ8

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    9 min
  • Cafezinho 344 – Quando um não quer

    Fiz um post reproduzindo um artigo que trata das mentiras da imprensa e dizendo: “Vá vendo aí como fazem você de trouxa.” E uma leitora respondeu: “E o que te faz acreditar que você está imune?”

    Uma coisa que me deixa particularmente irritado é quando as pessoas comentam dizendo “você disse isso”. A frase certa é “eu entendi que você disse isso”. Você notou a diferença? Você reconhece a possibilidade de ter entendido errado.

    Minha primeira reação foi responder com uma típica patada facebooqueana tipo: “Onde foi que eu escrevi que eu sou imune? Você precisa aprender a interpretar textos.”

    Esse tipo de resposta eu sei que reação traria. Preferi deixar a questão descansar um pouco para responder de forma mais positiva, assim, ó: “Nada. Eu sou só mais um trouxa, Katharina.”

    Respondi com ironia, sem ataca-la, apenas me colocando na mesma posição dela e desarmando os espíritos. Ela respondeu assim: “É como me sinto. Em todos os aspectos.”

    Pronto. Não havia mais enfrentamento, apenas a manifestação de nossa vulnerabilidade. Dei o próximo passo, oferecendo uma dica de vídeo. E ela respondeu: “Adorei o vídeo, muito obrigada pela atenção.” Pronto. O que tinha potencial para se transformar num confronto, acabou numa amável troca de comentários com um agradecimento sincero ao final.

    É assim que deveria ser nas mídias sociais, em vez de xingar ou enfrentar, cada um contribuindo para construir uma espiral de distribuição de conteúdo, de crescimento, movida pela gentileza.

    “Quando um não quer, dois não brigam”, lembra da sua mãe dizendo isso?

    Que bobagem, não é? É?

    Experimente.

     

     

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    6 min
  • Cafezinho 343 – O Lobisomem

    Revi o filme O Lobisomem, de 1941. Na hora que o homem vira monstro, a transformação é grotesca, aquele monte de pelos aparecendo e os dentões... Eu lembrei do terror que senti quando assisti esse filme ainda criança.

    Pois depois que eu cresci, conheci um monte de lobisomens. Gente que é normalzinha, legalzinha, até receber uma promoção e virar lobisomem. Quando é homem, lentamente os testículos sobem para o cérebro e o sujeito se sente poderoso.  Quando é mulher, eu não sei bem o que sobe, mas que sobe, sobe... o indivíduo ganha status, passa a se sentir mais do que as pessoas com as quais convivia, e não sabe lidar com isso. E aí vira lobisomem, fazendo vítimas.

    Quantas empresas estão preocupadas em dar a seus colaboradores uma base sólida para que as decisões sejam tomadas usando o melhor julgamento possível, hein? E nós? Como estamos nos preparando para refinar nossa capacidade de julgamento e tomada de decisão?

    O que tenho visto são programas de treinamento voltados para a eficiência operacional, para ensinar a fazer cada vez melhor o que a gente sempre fez. E uma pressa insana na busca por certificações teóricas que garantam pontos aos currículos das empresas e dos profissionais.

    Nenhuma preocupação com bom senso, cultura, repertório, arte de pensar, polidez, apreço. Nenhuma preocupação em desenvolver a capacidade de julgamento e tomada de decisão.

    O resultado, são fábricas de lobisomens.

     

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Uma pausa para o café com média de 2 minutos e meio de Iscas Intelectuais sobre comportamento, sociedade, política, economia, educação… tudo aquilo que envolve a complexidade de ser humano.

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