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“Todas as pessoas são capazes de construir ideologias morais para justificar seus comportamentos, e geralmente tendem a convencer a si e aos outros de seus princípios conforme lhes convêm.” Essa frase é de Albert Bandura, psicólogo e pedagogo autor do livro Desengajamento Moral, que deveria ser obrigatório em todas as escolas.
No processo de justificativa moral, tentamos fazer com que a conduta prejudicial aos outros seja apresentada como algo valioso para propósitos morais e sociais. E assim, o que seria reprovável passa a ser aceitável.
Uma das ferramentas do processo de desengajamento moral é a linguagem eufemística, que troca termos ou expressões que possam ofender alguém, por outros mais suaves. Caixa dois vira “recursos não contabilizados”… ditadura vira “democracia social”… censura à imprensa vira “controle social da mídia”… Privatização é chamada de “desestatização”. Quarentena vira lockdown. Cada eufemismo permite um alívio moral.
Sabe qual é o problema? As pessoas se comportam de forma muito mais cruel quando suas ações são verbalmente atenuadas.
Racionalizar a conduta delituosa, é disso que trata o desengajamento moral.
Recorro a William Sheakespeare, na fala de Julieta, a namorada de Romeu:
“Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume.”
Pense nisso.
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Versão do Youtube em
https://youtu.be/-loaPx27CTM
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O abismo existente entre o que você quer ser e o que você realmente é, chama-se hiato da aspiração.
A aspiração dos chineses, indianos e coreanos provavelmente é conquistar o mundo, exatamente como queriam os brasileiros de sessenta anos atrás. Mas qual será a expectativa, a aspiração média dos brasileiros de 2020, hein? Talvez ter um dinheirinho pra comprar um carrinho chinês, que é mais baratinho? É? Essa é a aspiração de quem vive na média, acostumado com o que é meio-bom, meio-suficiente, meio-competente, meio-confortável, meio-saudável. De quem não percebe que meio-bom também é meio-ruim. Meio-honesto é meio-desonesto. Meio-competente é meio-incompetente. Com qual metade você fica, hein?
Voltando ao nosso hiato da aspiração: qual é o país que você aspira? Que distância ele está do país que você tem hoje, hein? O que é preciso para chegar lá? Onde você se encaixa nessa missão? Você tem o perfil para fazer parte dos que ajudarão os brasileiros a chegar lá? Reconhece que para isso tem de ser mais engajado, que não basta votar (se é que você vota…), mas que é preciso compreender as decisões difíceis para se obter benefícios de longo prazo para nossa sociedade? Que é necessário esperar menos dos outros – especialmente do Estado – e construir um repertório mais rico e uma postura mais pró social? Você é assim, hein? Ou passa o tempo vomitando ódio do bem em redes sociais, hein?
Todo mundo tem um hiato da aspiração, a diferença de onde está para onde quer chegar.
Mas nem todo mundo faz alguma coisa para chegar lá.
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Cafezinho 340 - Sobre valores e convicções
Bom dia boa tarde boa noite, mais um cafezinho diferenciado. Eu estou em cima da edição do módulo de liderança do meu curso CAMP, e esse processo todo me obriga a voltar atrás do tempo e capturar muitos conteúdos que eu fui acumulando ao longo do tempo sobre liderança.
A internet não tem conteúdo velho, existe o conteúdo que está depositado em algum lugar, e que a gente pega e traz para diante, dá uma revisada e coloca para funcionar outra vez.
Então não é como aquele livro antigo que já foi lido e fica colocado lá na prateleira para um dia alguém se lembrar dele. A internet está viva! Então, cada vez que eu começo a puxar conteúdos antigos, encontro coisas que se aplicam perfeitamente ao nosso dia a dia.
Olha essa reflexão que é muito antiga, sobre como é que você faz a fundação para seu processo de julgamento e tomada de decisão.
Valores e convicções são o que formam um solo compacto. Não pode ser um solo flácido, solto, temos que usar nossos valores e convicções, que estão baseados em princípios.
Por exemplo, se tenho como princípio “não faça aos outros aquilo que você não quer que faça um para você”, em cima dele eu vou criar valores como integridade, honestidade e respeito.
E esse solo é o solo que tem que ser muito bem preparado para ser compacto, pois em cima dele eu vou sustentar as colunas da minha vidas: minha educação, as experiências que eu tive, ética, cultura... Todas apoiadas no solo compacto de meus valores e convicções. Em cima dessas colunas eu consigo construir uma repertório que será tão maior quanto mais curioso eu for, quanto mais tempo eu dedicar a ele. Esse repertório está apoiado em cima de colunas firmes apoiadas num solo firme. Em cima desse repertório é que eu vou colocar minha capacidade de julgamento e tomada de decisão.
Se o solo não for firme, for um solo fofo, eu não consigo manter as colunas firmes. E se elas estão bambeando, tudo vai bambear. E aí, de repente, nem o repertório que eu consegui criar se sustenta, porque ele não está apoiado em valores e convicções sólidas.
O seu trabalho como liderança tem a ver com a capacidade que você tem de mostrar claramente para as pessoas que você é íntegro, que se apega a valores, que tem convicções. E você não é burro a ponto de não muda-las, porque se o contexto muda, se o mundo muda, se o ambiente muda, eu posso mudar uma convicção. Eu posso até mudar um valor. Mas princípios, é complicado. Princípios são a minha alma e se eu me apego a eles, consigo ter a construção de uma credibilidade. Consigo que as pessoas me enxerguem como alguém que tem coerência.
Mas parece que tem muita gente que não está dando muita bola para isso, não. Largou fora os valores, largou fora os princípios. Me faz lembrar de uma frase de Groucho Marx que diz assim: “Estes são os meus valores. Se você não gostar, eu tenho outros”.
Estamos vivendo um mundo assim.
Mas o mais legal é entender que todo esse conhecimento passa pelo processo de julgamento e tomada de decisão de onde é que você vai bater o dedo, qual o clique que você dará. Em que lugar você vai entrar para aplicar o seu tempo de vida. Se vão ser aqueles 15 minutos assistindo o youtuber de cabelo colorido comendo uma barata ao vivo ou se vão ser 15 minutos com uma discussão profunda. Ou então entrar num site que traga valor para seu tempo de vida. Há uma escolha no meio do caminho, que funciona para todo mundo.
Você tomará uma decisão de onde aplicar o seu tempo de vida. Se for baseado em princípios, valores e convicções, você tem uma grande chance de acertar. Se for baseado só na gritaria, nessa coisa superficial na modinha que está por aí, você tem grande chance de errar. E o prejuízo é grande, é seu tempo de vida que vai embora.
Pense bem.
Onde é que você apoia a sua decisão, o seu julgamento?
E venha junto!
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Mantenha por perto quem quer construir. Livre-se dos que querem destruir, seja por má intenção, inveja ou burrice.
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Todo ano os Correios promovem uma campanha de Natal, incentivando crianças a escreverem para o Papai Noel pedindo um presente. Em 2016, no grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, publicaram uma cartinha que dizia assim: “Querido Papai Noel, me chamo Priscila da Silva, tenho dez anos estou no quinto ano, adoro estudar estou escrevendo para minha prima Amalia, ela tem 8 anos mora com a minha tia e meu primo, como ela é especial fica na cama deitada ou na cadeira de roda. Gostaria de ganhar 2 cobertor de solteiro um para mim e um para ela. Vai ajudar muito neste inverno foi bem frio e minha tia não tem condições de comprar porque vive de doação da igreja e do benefício que ela recebe. Muito obrigado, tenha um natal iluminado.”
Todo ano aparecem cartinhas assim, mas aquela foi especial, porque eu li o texto no exato momento em que recebia a informação de que o ex-ministro Geddel de Lima era pego num escândalo que envolvia um apartamento cheio de malas com 3,5 milhões de reais.
Ir de um post ao outro foi como sair de uma sauna e cair numa piscina de gelo.
Passados quatro anos, vale rever os acontecimentos. Da Priscila, da Amália e da tia, eu nada sei.
Mas em outubro de 2019, depois de ter sido preso algumas vezes, Geddel foi condenado a 14 anos e dez meses de prisão em regime fechado. Nove meses depois foi para casa cumprir a pena em prisão domiciliar em seu luxuoso apartamento em Salvador, porque pegou o coronavirus...
Em vez do cobertor de solteiro da penitenciaria, Geddel tem agora um edredon de casal.
E assim seguimos.
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Versão do Youtube em https://www.youtube.com/watch?v=RwDj4bTkTfw&feature=youtu.be
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Uma pequena amostra de como são os módulos do curso CAMP, de Luciano Pires. A abertura do módulo Planejamento é impressionante, com o relato da Expedição Franklin, que no final do século 19, apesar de contar com tudo de mais moderno em tecnologia, despareceu misteriosamente enquanto tentava descobrir a Passagem Norte, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá. A história é fascinante e seus desdobramentos ainda mais. E todo o CAMP é elaborado assim: a partir de histórias e experiências reais, reflexões sobre produtividade, planejamento, liderança, comunicação, inovação e moral e ética de um jeito como você nunca viu. Venha para o CAMP http://mlacafebrasil.com
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Meu conteúdo vale muito. Desde que seja de graça.
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Em Rondonópolis, eu fui comprar um cabo para celular. Chegando ao shopping descobri que esquecera a carteira. Voltei para o hotel e retornei ao shopping. Coisa de 15 minutos. Quando desci do carro, vi o rio ao lado e fui presenteado por um pôr do sol de tirar o fôlego. Maravilhoso, exuberante. Bati uma foto e, à noite, na palestra, contei a história e agradeci ao povo de Rondonópolis por me recepcionar com aquela cena maravilhosa. Mostrei a foto do pôr do sol e a plateia explodiu em aplausos.
Quanto daquilo foi sorte, hein? Foi sorte eu ter esquecido a carteira? Foi sorte o hotel ficar perto? Foi sorte eu lembrar de tirar a foto? Sorte colocá-la na palestra? Se eu tivesse seguido a rotina, não tivesse esquecido a carteira, não teria visto o pôr do sol e nem tirado proveito da situação... Cara, eu sou um sujeito sortudo…
Sorte é timing: estar no lugar certo, na hora certa. Quem tem sorte tem timing. Mas tem mais. Está no lugar certo, na hora certa... e preparado!
Lugar certo: eu escolho onde quero estar. Quando não posso escolher, vou, mas fico em busca do melhor lugar.
Hora certa: eu avalio os contextos para entender como e quando as coisas acontecem. E muitas vezes consigo escolher a hora certa para me fazer presente.
Preparado: opa! Aí é comigo mesmo. Se eu tenho um plano, eu sei o que quero e como quero, acabo descobrindo o que preciso fazer para me preparar caso a sorte chegar. E quando ela aparece, eu estou lá, prontinho pra pegar…Sacou?
Não dá pra provocar a sorte. Mas dá pra dar uma chance pra ela.
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Que povo eu sou
que senta comigo no sofá
e que assiste a tv embasbacado?
Que povo eu sou
se não sou um
mas muitos nós?
Que povo eu sou
que vai à missa
e pede perdão e pede clemência
e salvação pelos erros
que cometem comigo?
Que povo eu sou
incompleto e perdido?
Que povo eu sou
que vivo olhando
para o meu próprio umbigo
e não me encontro em mim
mesmo nos outros eus?
Que povo eu sou
se não sou eu?
Esse pequeno poema chama-se Identidade, e é de autoria de Heraldo Montenegro. Usei-o num podcast Café Brasil bem, antigo e me lembrei dele hoje, quando dava uma olhada nas notícias dos grandes portais. Estou a um passo de não reconhecer mais que povo eu sou, sabia?
Sim, a gente vive um momento único na história, de pressões angustiantes, com uma ameaça contínua que não poupa ninguém. Este era exatamente o momento para estarmos unidos, combatendo um inimigo comum. Como já fizemos em alguns momentos da história.
Mas não. Não me reconheço mais neste povo incompleto e perdido, olhando para o próprio umbigo.
Mudou o povo ou mudei eu?
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Versão do Youtube em https://www.youtube.com/watch?v=T_VNfliUk1U&feature=youtu.be
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Cafezinho 334 – Eu vi Rivellino jogar
E o algoritmo do Youtube me traz um vídeo chamado “Roberto Rivellino was incredible”. Dezessete minutos de tirar o fôlego, cara.
Olha, ao mesmo tempo, na TV, eu vejo que a Seleção Brasileira joga. Se bobear, a gente nem sabe que jogou, muito menos os nomes dos jogadores. Cara, estou falando da seleção pentacampeã do mundo. Uma entidade, que hoje vive da memória da mítica camisa amarela que um dia teve Rivellino na 11.
Eu vi Rivellino jogar. E isso me afastou do futebol.
Os psicólogos definem dois tipos de orgulho: o orgulho autêntico, de sentir-se bem consigo próprio, confidente e produtivo; e o “orgulho hubrístico“, que envolve a egolatria, a arrogância, o descaso… a vaidade. Hubrístico vem de húbris, conceito criado pelos antigos gregos para sinalizar um comportamento desmedido, que contrariava ou desafiava os deuses e causava o declínio e a ruína de quem se comportava daquela forma. Húbris é o excesso de orgulho.
Rivellino brilhou numa sociedade de escassez, sem puxação de saco, viajando de ônibus por horas, jogando duas, três vezes por semana, com chuteira e bola de couro. De capotão. Foi forjado na dificuldade, e tinha o orgulho autêntico de quem sabe quanto custou cada degrau conquistado.
A molecada de hoje joga essa coisa que chamam de futebol, tem o orgulho hubrístico. Preocupa-se com o cabelinho, com a tatoo, com o fone de ouvido e com as redes sociais. O gol... é acessório.
Por isso, toda vez que ligo a TV e vejo um jogo, lembro que vi Rivellino jogar. Aí mudo pro MMA. Pelo menos lá os caras dão o sangue.
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