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CofeComMilque episodes

  • A música brasileira está uma merda?

    Aquele no qual Bruno, Cássio e Osvaldo, juntamente com a Inà Avessa (Rapper e MC, que está com o álbum "Dia a dia e noite", gravado com o Guilherme Eurípides, nas plataformas digitais) e com o Lucas Vasconcellos (produtor musical e podcaster do Berimbolo Musical), falam sobre música brasileira. O Bruno, que conduziu a conversa, levantou questões como se o rap é poesia ou se o negro brasileiro tem apresentado a mesma capacidade de mobilização social, atrás da música, do negro estado-unidense. A partir daí a conversa rumou para a questão da democratização dos meios de produção musical, que desembocaram na premiação do Grammy desse ano, que acabam, infelizmente, sendo limitadas pela falta de democracia dos meios de difusão dos produtos musicais. O Lucas lembrou o Kondzilla, maior produtora de funk do país, que virou um selo de difusão que termina por homogeneizar linguagens e privilegiar quem tem capital para investir em produção. Cássio lembrou de uma expressão de Florestan Fernandes, o negro no mundo dos brancos, e a conversa migrou, naturalmente, para as relações entre capitalismo, racismo e machismo, com a lembrança feita, pela Inà, do próprio filósofo Achille Mbembe. Ela também lembrou de como a audição solitária que fazemos hoje representa um limite para a arte, gerando um consumo sem vivência do que se consome. A violência policial que pesa sobre os eventos de periferia também foi tema da conversa, e assim a Inà foi mostrando pra gente como é pesado ser a "Preta de quebrada original" que ela é. Ela, no entanto, sabe que não lhe resta outra opção a não ser a batalha, e cita uma frase do parceiro Guilherme Eurípides: "nado no esgoto ou construo meu barco". O episódio termina com a maravilhosa música "Permita-se". Quer ouvir tudo isso em detalhes e o que mais rolou na conversa? Aperta o play e se enforque na corda da liberdade!

    CofeComMilque é Bruno Malavolta, Cássio Rodrigues e Osvaldo Machado;

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    Este programa é produzido e editado pela Élis Estúdios.

    1 hr 2 min
  • Cibertelefilia, streaming e o fim do tempo livre.

    Aquele em que eles surfam nos meandros da internet, discutindo a cultura das séries e a cybertelefilia que dominou nosso tempo livre. Os convidados especiais para esse episódio são Larissa Paiva e Thiago Maia, do podcast Supercuts, especialistas em análises da sétima arte e parceiros da produtora Élis Estúdios. Bruno, que conduz o papo, espreme nossos convidados com perguntas que não pretenderam calar: estariam as séries suplantando o gênero do filme? Seria possível produzir séries de arte no mesmo nível que a indústria cinematográfica? Se o filme pretende dialogar com o romance, qual é o diálogo entre a série e a literatura? Estaria o gênero do filme condenado à morte, devido às novas contingências sociais? E o papel do diretor sobreviveria aos novos tempos em que produtores passam a dominar a cena? Ao longo do episódio, várias “relíquias da cultura ocidental” dão o ar da graça: Friends, Deuses Americanos, Hill Street Blues, Breaking Bad, House of Cards, Mind Hunter, entre outros. Cássio troca a biblioteca costumeira pela locadora da sua quebrada e faz reflexões sobre o tempo ocioso com os filhos no cinema e na frente da televisão, aproveitando as reflexões de Byung Chul-Han, e Osvaldo reflete sobre a alienação contida nos “embutidos americanos”.

    Quer saber o resultado? Aperte o play e se enforque na corda da liberdade!

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    44 min
  • Episódio censurado sobre o Fascismo.

    Aquele no qual eles pretendem usar a chama acesa no meio do mato do social para incendiar os fascistas, e que já começou tenho o título censurado nas redes sociais, cujo controle parece não ser muito afeito às metáforas. Utilizando, sobretudo, o arcabouço teórico de Hannah Arendt, o Cássio levantou questões como qual seria a disposição psíquica para a emergência do fascismo, ou quanta política de fato existia em sistemas como o Nazismo e o Stalinismo. O Osvaldo trouxe o debate para a tendência contemporânea presente em alguns discursos de retomarem a lógica que culminou no Holocausto. Proust, Wilde e Brecht apareceram, em contextos distintos, no episódio, lembrando o flerte indissociável entre política e cultura, sobretudo em experiências totalitárias. Zizek e Mbembe foram lembrados para recordar a importância do rebaixamento jurídico dos sujeitos em todo projeto de cunho racial. O Malavolta utilizou os critérios do Umberto Eco pra avaliar a que distância o Bra(z)il anda do famigerado fascismo. Quer saber o resultado? Aperte o play e se enforque na corda da liberdade!

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    58 min
  • Um tanto quanto plástico: Saúde e beleza.

    Aquele em que os odiados têm uma “resenha” a respeito da estética e seus efeitos sobre a psique e a aceitação social. Instigados pelos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que apontam que nos últimos 10 anos houve um aumento de 141% de realização de cirurgias plásticas no Brasil, Cássio, Bruno e Osvaldo debatem sobre temas como a beleza, juventude, aparência, e os sentimentos ambíguos que envolvem aqueles que se predispõem a intervenções no corpo, com efeitos na “alma”. Eivado de filosofia, literatura, sociologia, ironia e comicidade o debate sobre esse tema visceral numa sociedade escópica pode mudar sua percepção de aceitação de “si” e do “outro”, do seu invólucro (hardware - corpo) e de seu conteúdo (software – caráter). Quer conferir o resultado? Aperte o play e se enforque na corda da liberdade!

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    54 min
  • "Morte, morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida!"

    No retorno dos odiados às reflexões, o tema dos temas: a morte e sua relação com a própria vida. Na falta do Moisés pra coordenar a parada, os nômades do sudeste no centro-oeste se revezarão no comando das discussões. Nesse primeiro, o Cássio deu o pontapé inicial com a seguinte pergunta: diante do absurdo da vida, é preciso morrer? A resposta a essa e a outras questões envolveu Gorge Bataille, Jean-Paul Sartre, Jacques Lacan, Émile Durkheim, Byung-Chul Han e Roger Scruton, em reflexões que chegaram até o limite entre o erotismo e a pornografia. Quer conferir o resultado? Aperte o play e se enforque na corda da liberdade!

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    Este podcast é produzido e editado pela Élis Estúdios.

    47 min
  • 24/7: direito à preguiça e sociedade do cansaço

    Este episódio dos quatro odiados é uma regravação do episódio ao vivo, gravado na livraria Palavrear, em Goiânia, com casa cheia e ilustre presença de Ailton Krenak, líder indígena, escritor e ambientalista brasileiro, que gentilmente nos deu uma palhinha a respeito dos temas “sociedade do cansaço”, “sociedade do espetáculo”, “ócio e trabalho” e “capitalismo tardio e fins do sono”. Nem tudo na vida são flores, ou, como diria o Baudelaire, há flores que são “do mau”, mas igualmente belas e fatais: o áudio da gravação, por motivos de hybris, moiras, maldições e outras influências cosmogônicas, ficou imprestável. E lá se vão os quatro odiados exaustos gravarem novamente o episódio, dessa vez para o público da internê. Byung-Chul Han utiliza o termo “sociedade do cansaço” para falar de um período que sucede a sociedade disciplinar, tal como a apresentava Michel Foucault. Na percepção social foucaultiana, apesar de haver uma internalização da disciplina, essa ainda se dá a partir de uma estrutura panóptica, que produz a sensação pessoal de se estar sendo constantemente visto. É toda uma arquitetura social, ancorada na diferença de possibilidade de visão, que produz a autodisciplina. Mas isso ainda exigiria uma percepção de alteridade muito clara, o que produzia uma sociedade imunológica, na qual a elaboração do “eu” passaria fundamentalmente pela negação do “outro”. Segundo Byung-Chul Han o homem da sociedade do cansaço é multitarefas, e por isso está muito mais perto do animal selvagem que do homem prudente de Aristóteles e Epicuro. De acordo com Han, o “animal não pode mergulhar contemplativamente no que tem diante de si, pois tem de elaborar ao mesmo tempo o que tem atrás de si”. Desse modo, se desde a antiguidade a filosofia vincula algum nível de contemplação à possibilidade de se atingir felicidade plena, e se a capacidade de contemplar tem sido subtraída dos sujeitos contemporâneos, muito mais próximos dos animais não humanos que dos sujeitos da filosofia, podemos considerar que a sociedade atual aniquila as possibilidades de uma plenamente realização da subjetividade dos homens e mulheres que nela se encontram. Calcada na lógica da produtividade, infelizmente, a sociedade contemporânea está mais próxima ao que Marx prenunciara, em sua vasta obra, do que nos sugeriram Aristóteles e Epicuro, que do alto de seus latos e profundos saberes sugeriram: “comtemplem” (desacelerem ou popularmente: toque/ligue o foda-se!). O direcionamento ideológico da “busca pelo sucesso”, do lucro, encarnado na moda coach, nada mais é que uma nova manifestação da forma de sociabilidade presente na lógica do capital, em que o ser é consumido pelo produto e se consumindo pelo ideal de “desempenho” no qual o indivíduo acorda pra trabalhar, dorme pra trabalhar, corre pra trabalhar, sem ter tempo de ter, tempo livre de ser, de nada ter que fazer, até se encontrar perdido no mundo criado por ele, não vendo além da fumaça, o amor e as coisas livres, coloridas, nada poluídas. Esta será a diretriz de um outro livro, que habita o título desse debate. Jonathan Crary, em sua obra “24/7: capitalismo tardio e fins do sono”, refletirá acerca da invasão do capitalismo sobre a última fronteira ainda não dominada pelo ideal produtivista, em seu avanço sobre a completude dos fazeres da atividade humana: o sono e o sonho. A expressão 24/7 reflete o ideal de mundo da perfectibilidade produtiva, em que não há “perda de tempo”, já que não há tempo dedicado ao repouso. Isso, é claro, não diz respeito apenas à possibilidade de se criar, através da indústria farmacêutica e da engenharia genética, um funcionário perfeito, que não durma e que trabalhe 24 horas durantes 7 na semana. Reflete, sobretudo, a possibilidade de um consumidor 24/7, já que o sono é o único momento em que, efetivamente, estamos inaptos ao consumo das imagens do capitalismo tardio, mergulhados que estamos na produção de imagens subjetivas a partir de nosso próprio inconsciente.

    1 hr 23 min
  • Amor é latifúndio, sexo é invasão
    Aquele em que os quatro odiados são arremessados sem as suas metades nas águas de eros, e refazem a cena do banquete de Platão, discutindo amor, paixão e sexo. O amor nem sempre foi isso que chamamos por esse nome: ele já foi, para Platão, eros (a paixão), philia (a amizade) e ágape (o amor superior, quase divino), e Cássio nos explica que a principal diferença entre paixão e amor é que esta primeira é uma forma de sofrimento passivo, enquanto o amor é transitivo e pode transcender-se até o abstrato: pode-se amar a justiça e a beleza, ainda que Platão entenda que aquilo que amamos é uma cópia do ideal. Tudo isso é muito diferente dos amores modernos, e é pela literatura que os odiados fazem o link: “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, é o marco do início do Romantismo, e também o momento em que a expressão “morrer de amor” ganha a conotação que conhecemos hoje. Werther decide morrer para abreviar o sofrimento causado pela impossibilidade de realizar o seu amor por Charlotte, e o suicídio ficcional do personagem Werther levou a uma onda de suicídios na Europa do século XIX – o que a psicologia nomearia como “efeito Werther”, e que voltou a repetir-se recentemente com a exibição do seriado “13 reasons why” pela Netflix, quando muitos adolescentes cometeram suicídios influenciados pelo personagem principal da trama: um jovem suicida. Esse excesso de amor de Werther é o mesmo que encontramos no cinema, nas músicas e nas telenovelas: uma necessidade de revestir a vida de sentido a partir da dependência sentimental de um outro. É Heidegger, segundo pensam Cássio e Osvaldo, que vai resolver este fardo do outro para nós, ao entender o ser humano como um ser faltoso por excelência. Como a nossa falta é intrínseca e insaciável, então, na verdade, não existe completude: e daí ficamos livres de encontrar aquela “metade da laranja” que fez o Fábio Júnior ficar tão rico, como lembrou Osvaldo. “Ninguém é obrigado a dar sentido em nossa vida”, nos diz Cássio, e Bruno esclarece que essa noção de “sofrência”, cultivada nos dias de hoje nas canções do gênero sertanejo, tem sua origem na “coita” medieval, de onde se origina a palavra “coitado”, ou seja, respectivamente palavras para “dor amorosa” e “aquele que sofre de dor amorosa”. Em suma, não seria, até hoje, a nossa atitude amorosa uma invencionice da literatura provençal, uma cópia de costumes medievais que preservamos até hoje, na forma de tradição? Cássio observa, entretanto, recuperando Durkheim, que sentimentos são construções sociais, e Moisés, interceptando o raciocínio, acrescenta que o amor é coercitivo, mas é possível modificá-lo, na configuração de novos laços afetivos, embora nesse jogo nem tudo seja permitido. Lévi-Strauss entenderia, na mesma esteira, que a cultura é construída sobre a interdição e o proibitivo, o que leva Bruno e Osvaldo a debaterem os limites do narcisismo e do fetichismo: até que ponto é possível nutrir um fetiche que não é socialmente aceito? A psicanálise entenderá que a perversão é algo bastante oposto ao amor, e que o comportamento do perverso nada mais é que uma tentativa de gozar sem a presença do outro, ou seja, sem a presença da linguagem. A moralidade e a imoralidade são o gancho para Cássio recuperar Nietzsche, alegando que todo moralista é um canalha, já que ele não suporta olhar para seu próprio vício. Assim como na moral do escravo nietzschiana, o moralista precisa censurar no outro o defeito que, na verdade, não suporta ver em si. É o caso do esquerdo-macho, que adota uma prática discursiva progressista mas mantém em sua conduta atos do machismo mais atávico, censurando no outro aquilo que mantém na sua prática interpessoal. É de Cássio o desfecho: amor verdadeiro e desinteressado mesmo é o de mãe, que, assim como Slavoj Žižek interpretou na figura de Cristo, entrega-se à morte sem interesse de troca, com a única intenção de salvar seus filhos de seus vícios.
    1 hr 23 min
  • Mundo virtual: tudo que é sólido desmancha no ar.
    Aquele em que nossos quatro intrépidos e odiados pegam rabeira nos meandros da internê, discutindo questões de cybercultura e cyberespaço. Osvaldão dá o passo inicial para Pierre Levy, definindo cyberespaço como a rede em que se produz a cybercultura – incluindo os nudes! 
    Moisés dá um carrinho na questão e pergunta para Bruno qual seria a diferença entre o real e o virtual e Bruno chama truco ao citar o filósofo Guy Debord, de “A sociedade do espetáculo”, alegando que “no mundo realmente invertido, o real é um momento do falso”. 
    Cássio, que observava a discussão com o queixo apoiado sobre o punho esquerdo, chama seis e cita Marshall McLuhan (“Os meios de comunicação como extensão do homem”): o que interessa no cyberespaço é o próprio meio, ou seja, a forma como nós interagimos com a realidade a partir de uma certa maneira disposta por ele. Após algum bate-bola no meio do campo, Moisés se pergunta se não seria o mundo virtual uma espécie de duplo oscarwildeano em que mostramos o que escondemos na realidade, e Bruno e Osvaldo refletem sobre as relações entre perversão, pulsão de morte e redes sociais. 
    Trocando as ondas fluidas da internê pelas areias movediças da democracia, os quatro odiosos e odientos se interrogam sobre as relações entre democracia e mídias sociais, quando Cássio tira de trás da orelha de Moisés mais um filósofo que só ele leu: Yascha Mounk (“O povo contra a democracia: Por que nossa liberdade corre perigo e como salvá-la”), deixando nosso ouvinte reflexivo ao se perguntar: éramos tão democratas antes da internet? Cássio e Mounk acreditam que não, já que nós amamos mais o dinheiro que a democracia, e o fantasma de Karl Marx aparece no áudio: a Burguesia acordou o demônio do capitalismo, que ela própria não consegue mais controlar. 
    Moisés, ciente de que magia só se combate com magia, pergunta a todos se a internet não nos teria devolvido a alma que a ciência nos roubou (!). Cássio então toca para Milton Santos (“Três aspectos da globalização”), que passa a bola para Ciro Gomes, lembrando da democratização dos desejos mas não da satisfação, que inverte para Aly Muritiba, diretor do filme “Ferrugem”, ganhador do Festival de Gramado, que de canhota joga para Sartre e Dostoiévski, que prendem demais a bola ao discutir se no mundo sem Deus tudo é permitido, quando a bola é roubada por Slavoj Žižek que revida: no mundo sem Deus “nada” é permitido. Na falta de um bandeirinha, Cássio levanta impedimento dizendo que a gestão pessoal do desejo é uma puta de uma sacanagem com o sujeito. Bruno, provavelmente cansado de raciocinar, volta a questão para a literatura, perguntando a Cássio se o mundo das “neuroses”, dos “traumas” e do “outro” descrito por Clarice Lispector não teria chegado ao fim, dando lugar a uma visão fetichista e objetificada das relações sociais. Sufocados no arrastão de tantas perguntas que eles próprios levantaram, nossos odiados decidem sair de fininho pela porta dos fundos da “deep web”. Mas deixam de lembrança a leitura de três textos, para finalizar: de Guy Debord, Karl Marx e o poema quase inédito “Musas”, de Eduardo Sterzi.
    1 hr 21 min
  • Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros?
    Aquele em que eles analisam uma das principais barbáries nacionais, a perversa concentração de renda. A partir de dois relatórios elaborados pela ONG OXFAM em parceria com o DATAFALHA, respectivamente intitulados “País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras-2018” (disponível:https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/arquivos/relatorio_desigualdade_2018_pais_estagnado_digital.pdf) e   “Nós e as desigualdades: percepções sobre a desigualdade no Brasil” (https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/arquivos/relatorio_nos_e_as_desigualdades_datafolha_2019.pdf0), os quatro odiados, na verdade nesse episódio três, uma vez que o integrante Bruno Malavolta não pôde colaborar com o tempero literário pelo nobre motivo de seu doutoramento, debatem sobre como a desigualdade social historicamente vivida pelo brasileiro produz uma ambivalência desumana, em que 1% do estamento social mais rico do país vive como uma espécie de casta que desfruta privilégios, como acesso à educação de qualidade, saúde, lazer, segurança, parafraseando Engenheiros do Hawaii, sob os muros e as grades que os protegem de quase tudo, e nada lhes protege de uma vida sem sentido.  
    E diante dessa realidade sem sentido Cássio ressalta, com base na obra "Linhagens do Estado Absolutista" de Perry Anderson, que o Estado Moderno nasce garantindo o domínio da nobreza e da burguesia, (basta lembrar que só pobres pagaram impostos inicialmente) impondo seus interesses à dinâmica da vida em sociedade, vilipendiando os demais estratos sociais. Enquanto Moisés enfatiza dados perturbadores como a percepção de 49 % dos brasileiros que acham que a renda mínima para estar entre os 10% mais ricos é de 20.000 reais mensais, em contraposição com o dado que revela que apenas 1% dos brasileiros possuem renda entre 20 e 30 mil reais, revelando que a concentração de renda é mais absurda do que o cidadão brasileiro consegue perceber. Já Osvaldo traz para o debate uma espécie de “geografia da concentração de renda”, relembrando que em 2010 a Cidade de Goiânia figurou no cenário internacional entre as 10 cidades do mundo com maior concentração de renda. 
    Assim, nesse episódio os odiados transitam por temas como o avanço das religiões de matriz protestante, que em solo nacional engendram, através da teologia da prosperidade, a ideologia de que pela fé o indivíduo consegue ascender socialmente; passando pelo debate da escolarização/meritocracia, Cássio, Moisés e Osvaldo refletem sobre os 49% dos brasileiros que acreditam na falácia de que ter diploma é garantia de emprego; enfim, ouvindo todo o episódio você perceberá que o fio condutor que vai ligando os assuntos e seus debatedores é a possibilidade do exercício da cidadania em um cenário de profunda concentração de renda, que favorece a formação de uma ínfima casta endinheirada em contraposição a uma classe social miserável em condições de vulnerabilidade, parafraseando Racionais, em que o neguinho vê tudo do lado de fora.  
    Quer conferir como ficou? Dê um play e se enforque na corda da liberdade!
    1 hr 10 min
  • Nem direita, nem esquerda, muito pelo contrário!
    Aquele em que eles falam sobre o significado das concepções de direita e esquerda na conjuntura brasileira. Partindo das definições de Destutt de Tracy e Karl Marx, Osvaldo iniciou a conversa, estimulado pelo Moisés, falando do conceito de Ideologia. A partir desse momento, o próprio Osvaldo se esforçou por delimitar minimamente os campos conceituais da direita e da esquerda, no que foi auxiliado pelo Cássio, utilizando Thomas Piketty, autor da obra “A economia da desigualdade”. A dificuldade para se delimitar com exatidão os pensamentos de direita e esquerda ficou clara quando Cássio apresentou a percepção de imposto negativo, de Milton Friedman, conhecido economista liberal, autor de “Capitalismo e liberdade”. Os quatro odiados se divertiram tentando responder à capciosa pergunta do Moisés, sobre se o casamento seria de direita ou de esquerda. O pensamento Libertário foi representado a partir da apresentação que Cássio fez das reflexões de Robert Nozick, autor de “Anarquia, estado e utopia”. Mas o pau quebrou mesmo, sobretudo entre o Cássio e o Osvaldo, quando eles entraram na discussão sobre a taxação das grandes fortunas no país. De David Friedman a Karl Marx, da Lei Rouanet ao Marxismo Cultural, nossos sagazes debatedores abordaram em um episódio que oscilou entre a tensão e o humor. Quer conferir como ficou? Aperte o play e se afogue na corda da liberdade!
    1 hr 10 min

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