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Na coluna desta quarta-feira (04), Atílio Bari fala sobre a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Estado brasileiro pela morte do jornalista Vladimir Herzog. A íntegra da sentença acaba de ser publicada no Diário Oficial da União, cinco anos e meio depois da decisão da Corte.
Vlado era chefe do Jornalismo da TV Cultura quando foi convocado a depor sobre supostas ligações com o Partido Comunista Brasileiro. O que seria uma prestação de esclarecimentos tornou-se o momento de seu suposto suicídio, em 25 de outubro de 1975.
“Publicou-se uma foto em todos os jornais, uma fotografia ridícula, que ao contrário do que pretendia o DOI-CODI (órgão de inteligência e repressão do exército), expunha não só a crueldade como também a incompetência daquela gente que não conseguia sequer produzir um material minimamente crível sobre o que diziam ter sido um suicídio. A foto era quase uma prova inequívoca de que suicidaram o assassinado. Patético“, pontua Atílio.
Na época, a notícia paralisou as redações de todos os órgãos de imprensa e, até hoje, gera questionamentos sobre a real causa da morte do jornalista. Nesse contexto, Bari destaca o documentário “Vlado – 30 Anos Depois” (2009), do cineasta João Batista de Andrade, que confronta os relatos oficiais do regime autoritário a respeito do caso.
Por fim, o colunista ressalta que ainda “falta o principal: investigar e responsabilizar os autores do crime, e realizar um ato público das Forças Armadas pedindo perdão. Essas mesmas Forças Armadas que abrigam em suas fileiras generais e outros graduados que, como se sabe, parecem muito saudosos daqueles tempos sombrios.”
Na coluna desta quarta-feira (27), Atílio Bari aborda a biografia do cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro Carlinhos Brown: ‘Meia Lua Inteira’, escrito por Julius Weidemann. O artista, conhecido pelas suas roupas excêntricas, seus gritos de guerra e suas canções recheadas de citações indígenas e africanas, é um dos mais importantes da música brasileira, além de ter uma notável história de superação em meio ao bairro Candeal Pequeno, em Salvador.
Atílio analisa as origens do compositor, tendo crescido na periferia da Bahia e conquistado o Brasil inteiro: “A história dele começa como começam as histórias de milhões de brasileirinhos que nascem nas franjas das metrópoles brasileiras, na pobreza dos becos das comunidades e nas casas sem reboco, (...) tendo como vizinhança igrejas evangélicas, terreiros de umbanda e traficantes. Só não tinha a presença do Estado”.
O colunista também fala sobre as transformações que o bairro do cantor passou ao longo dos anos, mesmo sem contar com apoio político: “Carlinhos (Brown) transformou o Candeal num case internacional de sucesso, e sem qualquer tipo de envolvimento político, (...) Usou apenas, e de maneira inteligente, a sua imagem de artista e a junção dos esforços da própria gente do bairro. O Candeal hoje tem escola, museu, centro de formação profissional”.
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A
Na coluna desta quarta-feira (20), Atílio Bari aborda as históricas obras do dramaturgo, jornalista e romancista brasileiro Nelson Rodrigues (1912-1980), que revolucionou o teatro no país. Expondo as entranhas da sociedade conservadora e hipócrita da época, ou de sempre, ele marcou seu nome na história das artes cênicas, com obras tragicômicas envolvendo traições, segredos íntimos, inveja, desejo, morte e uma diversificada galeria de personagens.
Atílio analisa, em especial, a peça “Vestido de noiva”, lançada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1943: “Pouquíssimas palmas ao final do primeiro ato, poucas também ao final do segundo, e um longo silêncio ao término da encenação, segundos que pareceram horas ao autor, até que ecoa nas paredes do Municipal uma explosão de aplausos. O teatro brasileiro não seria mais o mesmo, mas Nelson seria durante muito tempo o “autor maldito”.
O colunista também fala sobre outro sucesso do dramaturgo: “A falecida”, de 1953, uma síntese da ‘tragicomédia’: “Zulmira é uma mulher simples que sonha com um enterro luxuoso (...) que o marido jamais poderia pagar. Entra em cena uma cartomante que lhe recomenda tomar cuidado com uma mulher loira. Zulmira recorre a um bicheiro, com quem tivera um caso. Num passeio com ele, ela é vista pela prima, uma mulher loira, como aquela que surgira no baralho”.
Os dois textos estão em cartaz em São Paulo: “Vestido de noiva”, com o grupo Oficina Multimédia, e “A falecida”, com Camila Morgado no papel principal.
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
Na coluna desta quarta-feira (13), Atílio Bari compara os maiores índices de criminalidade do Brasil com escândalos de corrupção e nepotismo nos estados mais perigosos do país. É o caso do Pará, o quinto colocado no índice, que possui nove familiares do governador Helder Barbalho (MDB) no Tribunal de Contas, um primo no Tribunal de Justiça e mais oito parentes trabalhando no gabinete do chefe do estado.
Atílio analisa também o histórico desse nepotismo enraizado na cultura brasileira desde o colonialismo europeu: “O familismo nas mais diversas esferas do poder e os favorecimentos já começam na carta de Pero Vaz
O colunista relaciona esses e outros casos de corrupção à música ‘Tradição’, de Gilberto Gil: “A barbalhice, o barbalhismo, ou seja lá que nome se possa dar, corre solta no estado. A garota do Barbalho do Gilberto Gil era uma garota do barulho, como diz a letra da sua canção chamada Tradição. Mas esses barbalhões são mais do silêncio, (...) aproveitando recursos públicos em benefício próprio, no máximo, ou em benefício dos próximos.
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e 77.9 FM estendida, de segunda a sexta-feira, às 10h. O programa é transmitido também na Rádio Cultura Brasil AM 1200 e no aplicativo Cultura Play.
Na coluna desta quarta-feira (6), Atílio Bari fala sobre as apropriações do que representa o dia 7 de setembro no Brasil ao longo dos anos. De acordo com ele, o que antes era uma data de celebração civil, hoje é usado como palanque político. Além disso, o colunista aponta a conotação épica incorporada ao episódio do grito da independência de Dom Pedro I, graças à pintura extremamente inverossímil de Pedro Américo, em exposição no Museu do Ipiranga.
Atílio analisa também o processo de independência de Angola, a última colônia portuguesa em solo africano a se tornar uma nação independente, como no trecho: “Curiosamente, Angola, a terra de onde vinham boa parte dos escravos para o Brasil, (...) assim como Cabo Verde e Guiné-Bissau manifestaram interesse em agregar-se ao Brasil nessa tal de independência de Portugal, que sugava as riquezas naturais das suas colônias
Por fim, o colunista fala sobre a corrupção sistêmica do governo angolano, que desviou verbas destinadas a obras nunca concluídas, investimentos em empresas locais e auxílios para combate à fome: “O governo do país até tentou diminuir o nível de corrupção, ao proibir o presidente de participar de empresas petrolíferas (...) E o que fez o presidente angolano? Colocou tudo em nome da filha, que hoje lidera a lista de maiores fortunas da África”.
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
Na coluna desta quarta-feira (30), Atílio Bari nos convida a assistir ao novo filme do cineasta brasileiro Gabriel Martins, Marte Um. O longa conta a história de uma família negra da periferia de Contagem, Minas Gerais, buscando sobreviver e seguir seus sonhos, apesar do histórico descaso dos governos com a educação.
Além da situação social e financeira da família, o filme trata das expectativas que os pais colocam nos filhos, uma vez que Deivinho, o filho mais novo, deseja ser astrofísico, enquanto seu pai sonha que ele se torne jogador de futebol. “Esse confronto entre expectativas tão distintas, essa visão do cotidianozinho simples, de gente humilde que não conta com benevolências (..) é o que mostra o filme Marte Um”, ressalta Atílio Bari.
Por fim, o colunista relaciona os personagens do longa à realidade de milhares de crianças brasileiras que precisam estudar por conta própria por falta de amparo do Estado: “Vendo Marte Um, lembrei daquele menino, nos cafundós do Pará, que subia numa árvore pra conseguir ter um sinal de wifi e poder continuar estudando. E tantos outros casos de meninos e meninas que apesar do histórico descaso dos governos com a educação, fazem os seus sonhos se realizarem”.
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
Na coluna desta quarta-feira (23), Atílio Bari imagina um mundo fictício onde personagens da literatura internacional coexistem e se relacionam. Nessa alegoria, o colunista narra um encontro entre os detetives mais famosos da cultura pop, Hercule Poirot e Sherlock Holmes, e o detetive brasileiro Doutor Leite. Na história em questão, os personagens discutem sobre o assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro, em referência à morte de Marielle Franco.
Atílio relata os últimos acontecimentos políticos do Brasil, com o objetivo de situar os detetives no mistério da morte da vareadora, como no trecho: “trapalhadas envolvendo urnas eletrônicas, gente invadindo a capital do país, boicote a vacinas, até que chegou ao fato mais recente: um imbróglio envolvendo jóias, relógios, colares, bibelôs e até rosários, uma festa de brilhantes, ouros e pedras preciosas, coisa de alguns milhões”.
Por fim, o colunista conclui sua narração ao contar que os personagens consideraram que os indícios e provas do crime apontam para uma pessoa, mas não disseram para quem, confira: “Isso são casos que se apresentem? Os indícios são claríssimos, as investigações trouxeram provas evidentes, nomes, interesses, subordinações, tudo. (...) Muito
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
Na coluna desta quarta-feira (16), Atílio Bari discorre sobre o escândalo das joias em Brasília, episódio ainda sob investigação da Polícia Militar em que integrantes do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro teriam tentado vender e depois recomprar presentes árabes ao governo. Além da tentativa de negociar os artefatos, o pai do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cesar Lourena Cid, apareceu no reflexo da foto de um dos itens, facilitando a operação da PF.
Atílio relaciona a foto ao quadro Guernica, de Pablo Picasso, ao comentar sobre o histórico da obra, como no trecho: “Não sei que quadro, ou mural, poderia representar fielmente a surreal trapalhada das joias. Talvez um grande painel todo em marrom, retratando um lodaçal. Talvez um verde oliva escorrendo pela tela, como uma matéria em decomposição. Mas na verdade, não precisa: basta a selfie do general”.
Por fim, o colunista convida o ouvinte a assistir ao espetáculo “Um Picasso”, apresentado pelo Teatro Paiol: “Ela (uma agente alemã) traz três desenhos dele (Pablo Picasso), e quer que o genioso artista revele qual dos três é autêntico, pois precisa de pelo menos um desenho verdadeiro para ser exposto numa mostra de arte degenerada. Daí o título: Um Picasso”.
Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
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