Coluna Atílio Bari

Coluna Atílio Bari

By Atilio BariArtsVisual Arts
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Coluna Atílio Bari episodes

  • O ‘nobre’ juiz que desvendou os nossos olhos

    Nesta coluna, Atílio Bari cria uma alegoria envolvendo um desfile carnavalesco e a declaração de um juiz, que afirmou que todos os recentes escândalos de corrupção no país não passaram de uma história inventada e mal contada. Ele ainda vai além e revela que, por mais que o magistrado em questão seja amigo do presidente e da primeira-dama, todos precisam ser merecidamente absolvidos.
    Atílio ainda alerta outros países da América do Sul, pedindo que avisem as autoridades que a corrupção, na verdade, não existe: “Alguém precisa alertar as instâncias judiciais do Equador, do Panamá, do México, da República Dominicana, alguém precisa dizer a eles que parem com os processos. Libertem quem estiver preso, ‘descondenem’ e ‘desmultem’ quem tenha sido condenado e multado, como foi feito aqui, porque foi tudo um lamentável engano”.
    A alegoria criada pelo colunista faz referência à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli de suspender uma multa de 10 bilhões de reais da Operação Lava Jato imposta à empresa J&S. Os antigos donos da companhia, Joesley e Wesley Batista, chegaram a admitir práticas de corrupção, porém podem ser liberados após a análise da segunda turma do STF.
    Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
    O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e 77.9 FM estendida, de segunda a sexta-feira, às 10h. O programa é transmitido também na Rádio Cultura Brasil AM 1200 e no aplicativo Cultura Play.

    6 min
  • A França ficou um pouco menor por aqui

    Na coluna desta quarta-feira (13), Atílio Bari fala sobre o fim de um dos espaços mais queridos e reverenciados pela classe artística de São Paulo: o Teatro Aliança Francesa. Após mais de 60 anos de atuação na cidade, ele fechou as portas no início de dezembro, junto com a unidade de ensino da Aliança Francesa no mesmo endereço, na Rua General Jardim. A instituição mantedora alega dificuldades financeiras, principalmente durante a pandemia, com a redução significativa do número de alunos presenciais.

    O desinteresse das novas gerações pelo idioma francês coincide com a perda da relevância da França no cenário global, opina Atílio Bari, sendo substituída pela China e pelos Estados Unidos: “Afinal, é a língua inglesa e a cultura norte-americana que predominam em todas as áreas – no mundo corporativo, na música, no cinema, na internet, e mesmo nas relações diplomáticas. E lembrei que num filmezinho desses da sessão da tarde na TV, alguém aconselhou a um jovem a estudar inglês e chinês. Talvez tenha razão”.

    O colunista ainda cita diversos nomes históricos da cultura francesa, que influenciaram o teatro, a música e a literatura: “Dramaturgos como Moliére, com suas comédias, Corneille com suas tragédias, Ionesco com seu teatro do absurdo, o controverso Jean Genet, Jean Paul Sartre e seu existencialismo. Na literatura a relação é ainda maior: Julio Verne, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Guy de Maupassant, Antoine de Saint Exupéry e seu Pequeno Príncipe”.

    5 min
  • O colapso da agenda-verde da Braskem durante a COP28

    Na coluna desta quarta-feira (06), Atílio Bari fala sobre a polêmica participação da empresa Braskem na Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, a Cop-28, que acontece em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A companhia é a responsável pela mina de extração de sal-gema, que está prestes a afundar na cidade de Maceió (AL). Cinco bairros estão sendo atingidos pela catástrofe e, alguns deles, já são verdadeiros desertos, alerta Atílio Bari.

    O colunista denuncia o pouco caso que as autoridades e a mídia demonstraram quando foram alertadas sobre rachaduras e tremores na terra: “Pois é, a cidade está colapsando. Mas como? Assim, de repente, de uma hora pra outra? Não! Há mais de cinco anos começaram as rachaduras, as fendas nas ruas, erosões, tremores de terra, mas quem ligou pra isso? A prefeitura? O governo do estado? A imprensa? A bancada de ilustres deputados e senadores de Alagoas? A empresa? Essa menos ainda. “

    Ele ainda cita o episódio do rompimento das barragens em Mariana e em Brumadinho, quando toneladas de lama destruíram ambas as cidades: “Mas a Vale tem todo um discurso bonito, de transição energética, preservação do planeta e outros temas da moda.

    Evidentemente, não vão mencionar as populações de Mariana e Brumadinho, aquela gente que foi soterrada sob toneladas de lama há quase oito anos. Boa parte dessas pessoas, as que sobreviveram, claro, ainda não receberam suas indenizações. ”

    6 min
  • A presença da mão do artista no resultado de uma obra

    Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari repercute uma das maiores polêmicas de 2023: a utilização da inteligência artificial no campo artístico. Ao utilizar um robô para criar imagens e obras, até onde o artista é realmente o autor? Sendo aperfeiçoada pelos comandos e escolhas do ser humano, a arte feita pela máquina pode ser comparada àquela realizada à mão com tintas e pincéis?

    Atílio também explica como a edição da imagem era possível antes mesmo da criação da foto digital: “Eis que então, durante o processo de revelação, era usado um pincelzinho fino para fazer cuidadosas correções nos próprios negativos. Manchas de pele, rugas e verrugas eram apagadas, olheiras eram eliminadas, de modo que as pessoas apareciam em seus documentos com os rostos que elas gostariam de ter. Aí veio a foto digital, veio o Photoshop e tudo mudou”.

    O colunista ainda cita um episódio recente em que a discussão sobre a inteligência artificial nas artes ficou em evidência: “Na edição deste ano do tradicional Prêmio Jabuti de Literatura, um dos finalistas da categoria de “ilustração” era uma nova edição de Frankenstein, que acabou sendo eliminado porque descobriu-se que o concorrente havia utilizado um software de inteligência artificial para produzir as suas ilustrações o que, é bom que se diga,  o próprio concorrente deixou claro nos créditos do seu trabalho. Ou seja, não houve má fé.”.


    7 min
  • O teatro em meio ao delicioso problema do Brasil

    Na coluna desta quarta-feira (22), Atílio Bari analisa a nova peça do dramaturgo e encenador Gerald Thomas em parceria com o ator Marco Nanini, ‘Traidor’. O espetáculo é um delírio psicológico de um ator acreditando e vivendo a soma de todos os personagens da história do teatro. Durante a apresentação, a plateia, hipnotizada pela cenografia, pela música e pela iluminação, busca descobrir quem é o “traidor” no final das contas.

    Atílio ainda fala sobre todo o fazer teatral ao longo do tempo, passando principalmente pela carreira de Nanini: “a gente se emociona, sim, com o Nanini, gigante na sua perplexidade, dono absoluto da cena, joga as cartas que a dramaturgia do Gerald propõe, embaralha, corta, ilude e diverte o espectador com seu discurso anárquico, cáustico. Aquela dramaturgia fragmentada, em que o Gerald aborda assuntos aleatórios, numa espécie de caleidoscópio. ”

    O colunista também destaca a peça ‘Um circo de rins e fígados’, a primeira produção da parceria Gerald e Nanini: “naquela época, Gerald dizia que ‘o Brasil é um enorme problema, mas pelo menos é um problema delicioso’. Dezoito anos se passaram e o Brasil continua sendo um problema, e talvez menos delicioso do que naquele tempo. O mundo é um problema, a vida é um problema. Tudo é confuso, contraditório. Absurdo e encantador, enfurecedor e apaixonante.”

    Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

    5 min
  • A busca incessante pelo conforto em um país desigual

    Na coluna desta quarta-feira (08), Atílio Bari conta a história da nova peça da atriz Ana Flávia Cavalcanti: ‘’Conforto’’, em cartaz no Sesc Pompeia até 10 de novembro. O espetáculo ressalta o espanto de uma menina da periferia ao frequentar a casa onde a mãe trabalha como doméstica e perceber as diferenças sociais entre as duas famílias. A personagem parte, então, em busca do conforto material.

    Atílio também analisa o significado da palavra conforto, afirmando que a comodidade é extremamente relativa: “Mas como tudo na vida é relativo, o conforto também é. Imagine uma família partida, composta só pela mãe e duas filhas. Vivem numa casa pobre, num bairro de vizinhança suspeita. Há algum conforto num lar como esse? Provavelmente um conforto emocional, na convivência daquelas três mulheres unidas, mas material seguramente não. ”

    O colunista ainda cita a história da própria atriz Ana Flávia Cavalcanti, que tem uma origem parecida com a da personagem da peça: “Ana Flávia nasceu e passou a sua primeira infância num pedaço perigoso da cidade de Diadema, nos anos 80. Participou do Centro de Pesquisa Teatral dirigido por Antunes Filho e de estágios no Theatre du Soleil, em Paris, dentre outras experiências. ”

    4 min
  • Pacífica ou perversa? Como seria uma nova civilização?

    Na coluna desta quarta-feira (01), Atílio Bari utiliza os livros “A ilha misteriosa”, de Júlio Verne, e “O senhor das moscas”, do escritor inglês William Golding, com o objetivo de imaginar a criação de uma nova sociedade. O colunista presume duas possibilidades para essa futura civilização: a idealizada e pacífica visão de Verne de um mundo evoluído, ou a distópica e perversa perspectiva de Golding de um universo em constante atrito?

    Atílio também analisa as origens e desdobramentos dos conflitos entre Israel e Palestina, uma guerra que não tem previsão de acabar: “Seguem-se incontáveis ciclos de vinganças, guerras, escaramuças, ataques suicidas, levantes, massacres, surgem movimentos islamitas: Hamas, Hezbollah, Al-Fatah e outros tantos, enquanto Israel se torna uma enorme potência militar. Rancores e ódios se espalham por toda a região, financiados por grandes potências mundiais”.

    O colunista ainda fala sobre a possibilidade da instalação de um grupo de pessoas em Marte, com o objetivo de criar uma nova sociedade: “Assim como ilustres escritores criaram ilhas de ficção, Elon Musk pretende instalar um grupo de pessoas no planeta vermelho. Só que de verdade! Acredito. Afinal, as aventuras de Flash Gordon encantavam os leitores com tecnologias e acontecimentos que eram pura fantasia na época, mas que depois se tornaram realidade”.

    6 min
  • Como eliminar as ervas daninhas da sociedade carioca?

    Na coluna desta quarta-feira (25), Atilio Bari cria uma alegoria envolvendo seu avô e ervas daninhas para explicar a formação e evolução das facções criminosas no Rio de Janeiro.

    O colunista conta que seu avô sempre arrancava as ervas daninhas das plantas pela raiz, uma estratégia para evitar o crescimento e a captura dos nutrientes do solo. E relaciona essa mesma lógica ao crime organizado carioca, que a cada dia infesta mais o estado e fica mais difícil de conter.

    Atílio também analisa as origens dessas facções criminosas, que não foram combatidas no começo e agora são impossíveis de controlar: “A bandidagem começou dominando o jogo do bicho, que mandava nas escolas de samba, que controlava as maquininhas de caça-níqueis, foi essa gente que evoluiu, se organizou debaixo do beneplácito e do conluio com policias, prefeitos, vereadores, governadores, alguns até eleitos com a ajuda desses bandos. ”

    O colunista ainda fala sobre diferentes representações de criminosos brasileiros na cultura do país: “Nas antigas chanchadas era comum a figura do malandro de camisa listrada, que não trabalhava, vivia de pequenos golpes. A gente simpatizava com ele, era folclórico. Em 84 o filme Águia na Cabeça já mostrava uma outra situação: era o bicheiro poderoso que mandava no morro, matava, mandava matar. ”

    8 min
  • Por que a violência ainda está presente na sociedade?

    Na coluna desta quarta-feira (18), Atílio Bari aborda as três principais teorias sobre a violência humana, tentando respondeu o porquê de os seres humanos matarem uns aos outros. Citando Hobbes e Rousseau, passando pela teoria da evolução até a política, o autor busca entender as origens dos nossos ímpetos violentos e procura um fio de esperança para a evolução da sociedade.

    Atílio também analisa como a criação de uma pessoa pode influenciar diretamente na relação dela com a violência: “Uma porção de gente criada num ambiente de ódio, regado a convicções religiosas fundamentalistas e que consideram sujas e execráveis aqueles que não compartilham o seu credo, lancem mão daqueles tais genes de violência que herdamos dos nossos ancestrais primatas e com esses genes e essa violência deem vazão aos seus impulsos naturais. ”

    O colunista ainda fala sobre uma possível saída desse ciclo de violência por meio da educação e da melhoria da qualidade de vida: “A gente vê que nos países mais evoluídos na questão educacional e na qualidade de vida esses ímpetos de violência são consideravelmente baixos. Rousseau nos dá pelo menos a esperança de que aperfeiçoando o nível educacional e cultural, os nossos instintos e os genes de violência terão menos espaço para aflorarem. “

    Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

    6 min
  • Uma viagem pelas ondas sonoras e visuais da Bossa Nova

    Na coluna desta quarta-feira (11), Atílio Bari aborda o novo espetáculo do histórico grupo Circo Graffiti: Bossa Nova Cabaret Bar, em cartaz no Teatro do Sesi-SP. Por meio de esquetes, brincadeiras e misturas de músicas inesquecíveis, a apresentação conta as origens do gênero musical brasileiro mais importante do país. Além disso, as sessões contam com um grande elenco e banda ao vivo, tendo o maestro Pedro Paulo Bogossian ao piano.

    O colunista fala sobre o contexto sociocultural em que a Bossa Nova surgiu, em meio a acontecimentos marcantes da história do Brasil: “Entre 1958 e 1963 o Brasil estava em estado de graça. A seleção brasileira de futebol ganhava sua primeira Copa do Mundo (...) Era um Brasil que sorria com JK, um país que dizia com orgulho “o petróleo é nosso”, afinal a Petrobrás estava recém fundada. Havia o impulso da industrialização, havia empregos, havia esperança”.

    Atílio analisa também as mudanças na política brasileira nos primeiros anos da ditadura militar: “A Brasília da esperança nacional acabou virando uma insensatez, as vozes do planalto se tornaram desacatos, os salões do Senado e da Câmara revelaram a sua enorme ingratidão (...) Mas a Bossa Nova sobrevive, melhor que o país, sem dúvida. Ela revive, reaviva, sempre nova e sempre bossa”.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.

    5 min

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