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No presente episódio, Ana Frazão conversa com Paulo Gala sobre economia da complexidade e suas contribuições para a compreensão das causas da pobreza e da riqueza das nações. Nesse sentido, o professor explora as conclusões principais do seu livro Complexidade Econômica. Uma nova perspectiva para entender a antiga questão da riqueza das nações, explicando como a complexidade nos ajuda a compreender o funcionamento da economia, como tal abordagem pode ser enriquecida com as análises de dados e se e como é possível tentar sair das correlações para extrair causalidades nos fenômenos econômicos. Ao trazer toda a bagagem da economia da complexidade para entender o Brasil, o professor mostra as razões pelas quais o conhecimento é o motor invisível da prosperidade econômica e o preço que o Brasil paga por não produzir conhecimento. O professor também trata da importância de haver um sistema econômico apto a receber mão de obra qualificada, salientando a imprescindibilidade de políticas estatais para que o Brasil produza conhecimento e oferte produtos e serviços complexos.
Nesse episódio, Ana Frazão conversa com o professor João Sabóia sobre as razões e os impactos da desigualdade e da pobreza no Brasil. O professor explica também o que é o índice da miséria e como ele e outros pesquisadores procuraram aprimorar o índice, incluindo outras importantes variáveis. Parte especialmente interessante da conversa é quando o professor explica os resultados do índice da miséria no Brasil desde 2012, mostrando que há uma convergência entre os resultados regionais, embora a intensidade da miséria no Norte/Nordeste seja bem maior do que em relação ao Sul/Sudeste, o que pode ser uma explicação para os resultados da eleição presidencial no primeiro turno. O professor também trata de importantes discussões metodológicas, da imprescindibilidade da multidisciplinaridade e de novas questões e agendas para as discussões econômicas.
No episódio, Ana Frazão conversa com Rodrigo Zeidan, Professor da NYU Shangai e da Fundação Dom Cabral sobre a sua trajetória de pesquisa e seus temas de interesse, como é o caso da sustentabilidade e as relações entre gestão financeira, desenvolvimento econômico, finanças sustentáveis e a importância dos modelos de gestão de risco. O fio condutor do diálogo é a perspectiva mais generalista adotada pelo Professor e sua preocupação em buscar soluções viáveis para os problemas estudados a partir de uma visão que não fique no terreno das utopias e das ideias mas sim, pelo contrário, leve em consideração os limites políticos e organizacionais. O professor explica o que o levou a editar, juntamente com Fabio Giambiagi, o livro “Apelo à razão: a reconciliação com a lógica econômica”, em que buscam mostrar como o debate econômico ocorre no Brasil e quais são as perspectivas para a solução de alguns dos nossos principais problemas. O Professor também trata da importância da educação e das políticas de transferência de renda para os mais pobres para a superação da armadilha da renda média em que nos encontramos.
No episódio, Ana Frazão conversa com Mário Theodoro, Graduado, Mestre e Doutor em Economia (Doutorado pela Sorbonne), Consultor Legislativo aposentado do Senado Federal, Membro da Associacao Brasileira dos Economistas pela Democracia - ABED e autor do recente livro A Sociedade Desigual. Um dos fios condutores da conversa foi a questão da desigualdade no Brasil e no mundo e como o racismo foi e continua sendo um elemento organizador da desigualdade no Brasil. O Professor Mario explica por que o Brasil é uma sociedade tão desigual, quais são os motores dessa desigualdade e o quanto isso está relacionado ao nosso passado escravista. Dentre outros tópicos abordados, estão o papel das elites, do Estado e da própria teoria econômica para a construção ou para a legitimação de um projeto político que naturalizou a desigualdade. O Professor também compartilha sua experiência profissional e apresenta diversas sugestões de tópicos e autores que são imprescindíveis para a compreensão dos impactos do racismo na economia, na sociedade e na política na atualidade.
No episódio, Ana Frazão conversa com Alexandre de Freitas Barbosa sobre o seu novo livro O Brasil Desenvolvimentista e a trajetória de Romulo Almeida. A partir da importância da história econômica e do esclarecimento sobre qual é o papel do investigador social, o Professor explica as principais características do desenvolvimentismo, período que compreende de 1945-1964, destacando, dentre outros aspectos, o quanto as discussões econômicas estavam conectadas às discussões políticas e às tentativas de se construir um projeto de nação. Na rica conversa, o professor salienta a importância dos bacharéis em direito na estruturação e aplicação do projeto desenvolvimentista, traçando também diversos paralelos sobre a importância da multidisciplinaridade e dos diálogos entre direito e economia. O professor também explora as limitações da ortodoxia econômica, ressaltando a importância da economia política e de diversas questões que, tendo sendo apresentadas pelos desenvolvimentistas no período estudado, ainda estão a merecer maior reflexão.
Nesse episódio, Ana Frazão conversa com Sérgio Firpo sobre os maiores problemas das politicas sociais e econômicas realizadas no Brasil e como elas podem ser aperfeiçoadas a partir da utilização de evidências. O professor aborda o que pode ser considerada uma política pública baseada em evidências e trata de questões sensíveis, tais como a interdependência entre a análise dos dados empíricos e os julgamentos valorativos. Uma grande atenção é dada à questão metodológica, oportunidade em que o professor aborda o que a econometria e outras áreas/metodologias da economia têm a oferecer para esse debate, expondo também suas visões sobre a importância do pluralismo metodológico e da interdisciplinaridade. Dentre os pontos altos da conversa, está a análise do professor sobre as contribuições mais recentes da economia para a compreensão das relações de causalidade.
No terceiro e último episódio da série em homenagem ao Professor Avelãs Nunes, Ana Frazão explora com ele o tema do neoliberalismo e a crise da democracia. Para ele, esse sistema econômico é incompatível com os regimes democráticos de direito. O professor relaciona o neoliberalismo à ascenção de partidos e ideologias de natureza antidemocrática. Avelãs Nunes traça um diagnóstico desse fenômeno na Europa e nos Estados Unidos, demonstrando como a democracia nessas regiões corre risco. Ele comenta sobre a fabricação do consenso, principalmente através da manipulação da opinião pública e do mercado da desinformação, que podem corromper os regimes democráticos. Segundo o professor da Universidade de Coimbra, o Estado Social é elemento essencial para o fortalecimento da democracia enquanto o neoliberalismo propaga a pobreza e a desigualdade.
No segundo episódio da série em homenagem ao Professor Avelãs Nunes, Ana Frazão explora com ele o tema do neoliberalismo, presente em várias das suas obras, dentre as quais “Os trabalhadores e a crise do capitalismo” e “O neoliberalismo não é compatível com a democracia”. Na conversa, o professor Avelãs Nunes mostra os riscos de se pensar a ciência econômica como uma ciência pura ou uma ciência dos meios, alheia em relação aos fins, mostrando como esse tipo de visão está associada ao neoliberalismo, ainda que este envolva obviamente importantes componentes ideológicos. O professor também aborda os riscos da crescente utilização da matemática nos assuntos econômicos, as razões pelas quais a economia contemporânea precisa mais de filósofos do que de econometristas, o equívoco das visões deterministas sobre a globalização, o papel da política e do dinheiro no cenário econômico atual, os abusos do sistema financeiro, as perplexidades do “too big to fail”e do “too big to jail” e as distorções das políticas de austeridade.
Nesse episódio, que é o número 1 da série de 3 episódios em homenagem ao ao Professor Avelãs Nunes, Ana Frazão conversa com o Catedrático da Universidade de Coimbra sobre as razões pelas quais a economia é necessariamente política. O professor explica como a revolução marginalista incorretamente retirou a dimensão política da economia e como isso provoca não apenas um descolamento entre a economia e a realidade como também a incapacidade da teoria econômica de compreender os problemas econômicos e resolvê-los adequadamente, sobretudo quando constatamos o atual cenário de abundância e não de escassez. Nesse sentido, o Professor trata da questão da fome, da pobreza extrema e da sustentabilidade, mostrando como a lógica de mercado predominante é insuficiente para resolver tais problemas, que exigem outros olhares e também uma modificação na estrutura de direitos. O professor também demonstra porque a economia não é nem pode ser uma ciência positiva, porque a neutralidade ideológica é uma falácia e porque a melhor alternativa para o progresso da ciência é assumir claramente as posturas ideológicas que todos nós adotamos e submetê-las ao devido debate democrático.
Nesse episódio, Ana Frazão conversa com Ana Maria Bianchi, Professora Titular de Economia da USP a respeito das principais discussões metodológicas atualmente existentes na economia. Dentre os assuntos tratados, a Professora Ana Maria mostra a importância da sua formação nas ciências sociais para a compreensão dos fenômenos econômicos, bem como a relevância do pluralismo metodológico, desde que sejam tomados os devidos cuidados para se evitar anarquia, a superficialidade e a irracionalidade. A partir do debate entre ortodoxos e heterodoxos, a Professora Ana Maria mostra a importância do método nas discussões econômicas atuais, bem como as perspectivas futuras para a ciência econômica, ressaltando o papel das narrativas, das crenças e dos valores para o fenômeno econômico, bem como a importância do diálogo entre Direito e Economia.
Para saber mais:
Muitos métodos é o método: https://centrodeeconomiapolitica.org/repojs/index.php/journal/article/view/1419
The changing face of mainstream economics (David Colander, Richard Holt e Barkley Rosser Jr.): https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/0953825042000256702
Apresentação: Ana Frazão
Produção e Edição: José Jance Marques
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