Educando Seu Bolso

Educando Seu Bolso

By Frederico TorresBusinessInvesting
Download on the App Store

Educando Seu Bolso episodes

  • O dólar subiu, e daí?

    O cidadão brasileiro cansa de ouvir nos noticiários que o dólar está em alta. Recentemente a cotação passou de R$4,00, e pode continuar subindo. Mas o que isso tem a ver com o cotidiano de quem recebe o salário e faz transações em real?

    Na minha conversa com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência, nós vimos que tem muito a ver! Neste post vamos explicar o que tem causado esse aumento da taxa do dólar e quais os impactos disso para o dia-a-dia dos brasileiros e para o país.

    A alta do dólar e a forma como isso afeta a vida tanto de quem vai viajar, quanto de quem não vai, também foi tema da reportagem do programa Bom Dia Minas, que contou com a nossa participação para falar um pouco mais sobre o assunto.

    Porque subiu?

    Existe uma série de tensões internacionais que, somadas ao aumento dos juros em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Inglaterra, fazem com que o dólar se fortaleça. O que gera uma desvalorização das moedas dos países emergentes.

    Se por um lado os juros em países desenvolvidos aumentam, por outro os países em desenvolvimento enfrentam problemas. Casos como o do pastor americano preso na Turquia, a situação da Venezuela e até mesmo da Argentina, além do embate entre o presidente Donald Trump e países como Rússia e China, são alguns exemplos.

    Todo esse nervosismo faz com que o capital fuja para uma zona de segurança. O mercado financeiro é avesso à incertezas. Logo, em situações como essa, todo mundo começa movimentando dinheiro. A tendência é ir em direção ao dólar, que ainda é a moeda de segurança.

    Como as eleições no Brasil afetam esse cenário?

    Um segundo fator, que contribui para a construção desse cenário, são as especificidades de cada país. No Brasil existem algumas incertezas, especialmente em relação ao quadro político para 2019.

    Hoje o governo não consegue gastar de maneira condizente ao que arrecada e o rombo no orçamento aumenta cada vez mais. Além disso, o país não está se recuperando da forma esperada. A expectativa de crescimento de 3%, que vigorava no começo do ano, já caiu para próximo de 1%. Portanto, está claro que, seja qual for o candidato vencedor da eleição presidencial, será preciso fazer reformas.

    Porém, a forma com que essas reformas serão conduzidas depende do presidente eleito. Isso impactará diretamente as relações financeiras e cambiais entre o Brasil e os demais países. Enquanto esses rumos não forem decididos, a economia brasileira continuará morna e nervosa, já que o mercado financeiro não gosta de instabilidade.

    A desvalorização do real em relação ao dólar

    Um ranking divulgado pelo portal G1 mostrou como as moedas se desvalorizaram em relação ao dólar. O real é a sétima moeda que acumula maior desvalorização no ano. Em primeiro lugar vem a Venezuela, seguida de algumas economias da África, como Sudão e Angola e na sequência a Turquia e Argentina.

    O peso argentino já teve quase 40% desvalorização em relação ao dólar. O cotação do real (USD x BRL), por sua vez, teve aproximadamente 20% de desvalorização cambial. Ou seja, nós estamos seguindo o mesmo caminho que muitas economias emergentes.

    O que o seu bolso tem a ver com isso?

    Quem vai viajar para fora do país já está atento às cotações do Dólar, do Euro ou da moeda do país para onde vai viajar.

    A situação é mais favorável para aqueles que planejaram seu roteiro dentro da zona do Mercosul. Na Argentina, por exemplo, a desvalorização da moeda em relação ao dólar é ainda maior do que no Brasil. Isso quer dizer que você vai conseguir comprar mais produtos e serviços lá, já que o real está valendo mais do que o peso.

    Por outro lado, quem pretende ir para os Estados Unidos ou para a Europa precisa refletir um pouco mais. Se você está bem planejado e já possui essa reserva em moeda estrangeira ou, se você tem recursos suficientes em reais para honrar sua viagem, mesmo se o dólar continuar subindo, então você pode manter a sua viagem sem maiores problemas.

    Agora, se você ainda não tem uma reserva bem constituída, talvez seja o caso de redirecionar a viagem para dentro do Brasil ou para outros países que também estão tendo as suas moedas desvalorizadas, como o peso argentino por exemplo. Desta maneira você poderá manter a viagem dentro do orçamento.

    O uso do cartão de crédito no exterior

    Uma dúvida muito comum de quem está planejando viajar é se vale ou não a pena usar o cartão de crédito internacional. Independente da moeda que vigora no país de destino, todas as transações financeiras acabam passando pelo denominador comum: o dólar.

    Assim, quando a fatura do cartão de crédito internacional chegar é provável que ela esteja um pouco mais cara, devido à essa alta do dólar. Uma maneira de evitar essas variações no preço é levar o dinheiro todo em espécie ou um cartão internacional pré-pago.

    Outra opção é abrir uma conta em moeda estrangeira. Não há nada de ilegal nisto, desde que se cumpra algumas necessidades burocráticas. Além dos bancos tradicionais, hoje existem algumas fintechs que possibilitam ter reservas em outras moedas, PayPal e Transferwise são exemplos de aplicativos de pagamento e que permitem carregar recursos em moeda estrangeira na sua conta.

    A alta do dólar não afeta só quem vai viajar

    As variações cambiais impactam o preço de vários insumos produtivos. Isso gera um aumento no preço do produto final, que vai para a prateleira do supermercado, por exemplo.

    Um insumo que é muito importado pelo Brasil é a farinha de trigo. Essa é uma commodity de grande peso nas importações brasileiras. Explicando um pouco do financês, commodity é um termo em inglês usado para representar bens geralmente primários (minério, soja, trigo…) que são comercializados internacionalmente e que tem preços denominados em dólar.

    Como os preços das commodities são em dólar, quando a cotação aumenta, sobe o preço do insumo e, consequentemente, sobe também o custo de produção. Por exemplo, se sobe o preço do trigo, esse aumento será repassado para o produto final que consumimos: o pão. A mesma coisa acontece com o petróleo. Mesmo que a Petrobras produza a maioria do petróleo nacional, ela sofre influência do preço internacional. E isso se manifesta na bomba do posto de gasolina.

    Tem algum tipo de aplicação financeira que está rendendo mais com a alta do dólar?

    Tem! Para quem quer diversificar mais seus investimentos, existem fundos cambiais ou multimercados.

    Está cada vez mais fácil e mais comum encontrar fundos multimercados, que aplicam em vários mercados, inclusive internacionais. Eles investem uma parcela dos recursos em ações ou títulos no mercado internacional. Alguns exemplos são ações da Amazon, da Google, da Apple ou até mesmo em renda fixa em moedas estrangeiras, já que os juros lá fora estão subindo.

    Então para aqueles que acreditam que o dólar vai continuar subindo e querem fazer os investimentos renderem um pouquinho mais, os fundos cambiais ou fundos multimercados são uma boa opção.

    Mandar dinheiro para fora do Brasil é bom para a economia brasileira?

    As remessas de dinheiro do Brasil para outros países no primeiro semestre deste ano ultrapassaram um bilhão de dólares. Esse é o maior montante para o período da série histórica do Banco Central, que começou o levantamento em 1995.

    Mandar dinheiro para fora do Brasil é muito comum. Seja para ajudar parentes que moram fora, um filho fazendo intercâmbio, ou comprar um apartamento em Miami ou Lisboa.

    Mas para a economia brasileira isso não é um bom negócio. Nós dependemos de poupança externa. O Brasil tem uma taxa de poupança muito baixa e a gente sofre na pele a falta de investimento no país. A falta de infraestrutura, metrôs, estradas dignas, hospitais e boas escolas são só algumas carências consequentes dessa falta de recursos.

    O Brasil precisa de dinheiro para fazer investimentos que permitam aumentar a nossa capacidade de crescimento. Então, quando o brasileiro manda dinheiro para o exterior, ele está pegando os poucos recursos que nós temos e mandando para investir em países mais ricos.

    Esse dado é preocupante porque mostra que não estamos conseguindo reter reservas. Além disso, nós também estamos exportando talentos, recursos humanos, que estudaram, se desenvolveram e estão deixando o país em desalento com os nossos prognósticos futuros.

    Como mandar dinheiro para o exterior?

    Como o brasileiro gosta de fazer sempre o que é mais conveniente, o jeito mais fácil é procurar o seu banco de relacionamento. A maioria dos bancos consegue intermediar essa transação.

    Os bancos têm um maneira de se encontrar, mesmo que o banco estrangeiro não tenha atuação no Brasil ou vice-versa. Assim, o dinheiro sai da sua conta em reais e chega na conta de destino em dólares, euros ou na respectiva moeda do país. Esse movimento leva cerca de um ou dois dias.

    Quais são os custos de se enviar dinheiro para fora?

    Para fazer uma remessa de recursos ao exterior, não basta olhar a taxa de câmbio. A transação pode envolver outros custos e tarifas. Por isto, é muito importante calcular o Valor Efetivo Total, que inclui normalmente uma taxa de conversão e uma tarifa de transferência internacional, além do IOF. Não se esqueça pedir ao banco ou a corretora o Valor Efetivo Total (VET) que você está pagando pela transação.

    Existe um ranking desse Valor Efetivo Total no site do Banco Central. Esse ranking é apresentado com um mês de defasagem, ou seja, não é quanto custa 1000 dólares hoje, mas ajuda.

    Então, se estamos em Agosto, temos o ranking do Valor Efetivo Total do mês de Julho. Os bancos são ordenados do mais barato para o mais caro. É possível perceber que os grandes bancos, aqueles que detém o maior número de clientes no Brasil, ocupam as últimas posições da lista.

    Então, se você quer mandar uma soma maior de dinheiro para o exterior vale a pena pesquisar. Uma diferença de R$0,10, R$0,15 ou R$0,20 numa transferência com valores altos pode representar uma economia significativa.

    Há limite de valor para mandar para fora?

    Não há limite de valor, mas pode existir uma burocracia. Devido à necessidade de evitar lavagem de dinheiro, é comum que para transferência de valores muito altos, o gerente faça perguntas como: de onde vem o dinheiro e para onde vai. Até que ele se convença de que a origem dos recursos é lícita.

    Conclusão

    O aumento do preço do dólar tem um impacto direto sobre o bem estar da população brasileira. Diretamente sobre compras, viagens ao exterior e investimentos. Além de indiretamente na nossa própria inflação e taxas de juros.

    Ficar atento às variações cambiais não é tarefa só dos bancos ou corretoras de câmbio. É fundamental para entendermos as alterações no preço dos produtos que consumimos e nos organizarmos financeiramente. Algumas dicas que podemos deixar para você leitor são:

    1. Comparar diferentes cotações de dólar ou euro antes de comprar moeda em espécie ou carregar o cartão pré-pago,
    2. Entender como gastos em cartão de crédito no exterior podem impactar seu orçamento e evitar a o susto na fatura,
    3. Escolher bem sua forma de pagamento: moeda em espécie, cartão pré-pago e cartão de débito ou crédito,
    4. Saber que os bancos são livres para usar as taxas de câmbio que bem quiserem. Uns usam o dólar comercial, outros o dólar turismo e por aí vai. Resultado: Uns são bem mais careiros do que outros,
    5. Checar sempre o VET da transação e não só a cotação do dólar, euro ou de qualquer moeda, e finalmente,
    6. Usufruir da sua liberdade como consumidor para se utilizar de fintechs ou de corretoras de câmbio e não só do seu banco.

    Ouça o podcast para saber mais e qualquer dúvida estamos à disposição!

    22 min
  • Falta muito pouco para você se tornar um investidor.

    Mais da metade dos brasileiros (57%) que compõe as classes A, B e C não possuem nenhum tipo de investimento, nem mesmo aplicações na Caderneta de Poupança! No total, apenas 25% da população se caracteriza como investidor em alguma modalidade, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

    Escute o podcast da minha conversa com o Pedro Vieira da Rádio Inconfidência onde analisamos as causas e consequências desse comportamento. Tenho certeza que vai te ajudar a entender porque você ainda não é um investidor. Perceba e evite as armadilhas que estão te impedindo de fazer bons investimentos e concretizar os seus sonhos!

    Quem é responsável por este perfil de investidor?

    Apesar da maioria dos brasileiros possuir uma conta corrente ou até mesmo uma conta poupança ativa em algum banco, isso não significa que o dinheiro está aplicado. Os R$200,00 ou R$300,00 que ficam disponíveis para saques em caixa automático podem não caracterizar um investimento. Isso porque na maioria das vezes esses valores não rendem juros.

    Fácil apontar o dedo para cá e para lá, colocar a culpa nos bancos, no governo, etc… Tudo bem, tem responsabilidade para todo mundo aqui, mas que tal focarmos na parte que nos toca?

    Entendo que o baixo número de investidores no Brasil é consequência direta de vícios de comportamento, planejamento e de falta de educação financeira. E o que é mais importante, alguns dos problemas que te impedem de se tornar investidor não são difíceis de contornar. Acredita?

    O brasileiro não tem o hábito de constituir poupança! A maioria das pessoas não possui uma reserva financeira, seja na Caderneta de Poupança, que não é a melhor, mas é a mais popular, seja no Tesouro Direto, Fundo de Investimentos ou algum CDB. E elas não sentem necessidade de ter. Isso demonstra o desleixo com as finanças pessoais e a falta de planejamento de longo prazo.

    Ser um bom investidor não depende do salário

    A manchete da matéria: "Mais da metade dos brasileiros das classes A, B e C não possui nenhum tipo de aplicação financeira" já derruba a ideia que ser investidor só se aplica para quem tem um salário alto.

    Os segmentos A, B e C são os mais ricos da sociedade. No entanto, mais da metade das pessoas que o compõe não possui nenhum tipo de investimento. Logo, não é porque o salário é baixo que não é possível constituir uma reserva financeira. As pessoas que ganham salários altos também não possuem essa reserva.

    Ser um investidor inteligente depende muito mais da disciplina e do perfil do investidor, do que propriamente dos rendimentos mensais.

    Falta mais interesse que conhecimento

    Dentre os 3374 entrevistados pelo Datafolha, 32% citaram a poupança, 11% conhecem ações, 9% falaram sobre os fundos de investimento, 8% mencionaram os títulos públicos via Tesouro Direto, 7%, os títulos privados, 6%, imóveis, 3%, a Previdência, também, 3%, os títulos de capitalização e 2% conhecem as moedas digitais.

    Somando todos esses percentuais, obtemos um número mais alto do que o número de pessoas que possuem investimentos. Portanto, Apesar das pessoas saberem que existem alternativas para investir elas não se sentem impelidas a fazê-lo.

    A diferença entre teoria e prática

    A pesquisa também apontou que um em cada quatro brasileiros que recebem algum tipo de renda (formal ou informal) possui alguma aplicação financeira. Ou seja, de praticamente toda a população economicamente ativa apenas 25% são investidores.

    Apesar de conhecer as diferentes modalidades de investimento, o brasileiro encontra dificuldades para transformar essa teoria em prática. Reconhecer que uma reserva financeira é necessária para o futuro e que existem diversas formas de construí-la não é suficiente para criar um comportamento de investidor. É preciso transformar essas informações em conhecimentos práticos. Para que estes sejam capazes de avaliar qual o melhor investimento e qual o melhor momento para realizá-lo.

    Sem essa visão de que para ser um bom investidor é preciso desenvolver um comportamento e preservá-lo, fica muito fácil se desviar do caminho planejado. Muitas vezes o investidor se perde na organização das finanças. Quando ele deixa de guardar o valor planejado no mês e o mesmo acontece no mês seguinte, isso vai gerando uma bola de neve. O que pode acarretar até mesmo em dívidas, sufocando o investimento, que era o plano inicial.

    O investidor brasileiro e sua aversão ao risco

    Outro dado apresentado na pesquisa é que dos brasileiros que possuem alguma aplicação, 70% se limitam a Caderneta de Poupança. 42% destes não pretende trocá-la por outro tipo de investimento. Apenas 4% trocariam por um plano de previdência, 3%, pelo tesouro direto e 2%, por ações. Um número muito baixo de investidores. Ou seja, o investidor brasileiro investe mal e sequer está preocupado em melhorar.

    É possível interpretar esse dado de duas maneiras. A primeira, mais crítica ao comportamento do investidor, parte do princípio de que existem vários outros investimentos melhores do que a Poupança. Já a segunda, entende que diante do cenário em que a maioria dos brasileiros negligencia a importância de uma reserva financeira, aqueles que aplicam o dinheiro, mesmo que não seja na melhor opção, já evoluíram no cuidado com as finanças. É aquela velha história do copo meio cheio ou meio vazio.

    O copo meio vazio

    Utilizando o Simulador de Investimento em Renda Fixa do Educando Seu Bolso, fiz uma simulação de R$5.000 aplicado durante dois anos. O resultado foi que a melhor aplicação hoje seria um CDB. É importante ressaltar que todas as aplicações mostradas no simulador são em renda fixa, com garantia do FGC e riscos equivalentes ao da poupança.

    O investimento, líquido de imposto de renda, equivale a 106,7% do CDI (uma taxa próxima aos 6,5% da SELIC). Ele oferece uma rentabilidade de 14,2% no período. Assim, os R$5.000,00 passariam para R$5.707,00 ao final dos dois anos. Na Poupança esses mesmos R$5.000,00 renderiam apenas 9,4%, passando para para R$5.469,00 ao final do prazo. Uma diferença de R$238,00!

    Portanto, para quem quer fazer o dinheiro render mais, vale a pena sair da comodidade que a Poupança oferece. Um bom primeiro passo é pesquisar um pouco sobre outras modalidades em renda fixa. É possível encontrar investimentos que rendem mais, com a mesma segurança da Caderneta. O nosso simulador de Investimento em Renda Fixa, gratuito, compara diversas opções e pode te ajudar na hora de escolher a melhor aplicação.

    O copo meio cheio

    Por outro lado, tendo em vista que a grande maioria dos brasileiros não possui nenhum tipo de reserva, podemos entender que aqueles que possuem alguma aplicação, mesmo que seja a Caderneta de poupança já avançaram de alguma forma.

    Então, se você não confia em robôs de investimento ou fica com um pé atrás de abrir uma conta em alguma corretora, guarde o seu dinheiro no banco, na Caderneta de Poupança mesmo. Melhor ter alguma reserva financeira, do que não ter nada, mesmo que ela não renda tanto quanto poderia.

    Segurança, falta de tempo ou preguiça?

    A superintendente de Educação da Anbima, Ana Claudia Leoni fez a seguinte afirmação sobre o estudo: "De maneira geral, as pessoas não estão preocupadas com a rentabilidade do investimento. Elas querem apenas guardar o dinheiro de forma segura e poder contar com ele quando precisarem".

    De fato, o brasileiro preza muito pela segurança. Mas o investidor também se pauta por aquilo que é conveniente, fácil, rápido e que não requer trabalho. Não dedicando o mínimo necessário para cuidar das finanças. E existe inclusive uma pitada de preguiça para explicar esse comportamento.

    Se por um lado a vida é corrida e procurar melhores formas de investir não é uma prioridade. Por outro, existem questões culturais somadas à falta de educação financeira, que reforçam esse comportamento.

    Finanças é um assunto que amedronta. O desconhecimento intimida o debate. Muitas vezes as pessoas têm medo de confrontar o gerente do banco, porque não falam o "financês" e mal assimilam o que ele quer dizer. Assim, os investidores acabam aplicando apenas na Caderneta de Poupança, que é mais confortável.

    Conclusão

    Gastar um tempinho para entender um pouco mais sobre finanças e aplicações financeiras é um investimento que não vai apenas fazer seu dinheiro render mais. Por meio da educação financeira é possível adquirir conhecimentos que te permitirão superar as barreiras do medo e da insegurança. Além de proporcionar um olhar mais crítico sobre a visão tradicional do gerente do banco, abrindo novas possibilidades de investimentos. O que pode impulsionar o investidor a sair do comodismo e aplicar o dinheiro da melhor maneira possível.

    Portanto, utilize nossos simuladores, ouça o podcast e qualquer dúvida entre em contato com a gente! Estamos sempre à disposição para te ajudar a direcionar melhor seus investimentos!

    22 min
  • Proteção veicular: o que é? Dá para confiar?

    Você sabe o que são as Associações de Proteção Veicular? Bem, como o próprio nome diz, são associações criadas para a proteção dos veículos dos seus associados. "Então é como um seguro de veículos, certo?". Bem, é parecido, mas há algumas diferenças importantes. É bom ficar atento a elas para evitar dor de cabeça.

    De uns tempos para cá têm surgido propagandas – principalmente no rádio, em jornais populares e em outdoors – sobre essas associações. Nomes como Lions Proteção Veicular, Auto Truck, Amais, Mais Brasil, entre outras, tornaram-se presentes na mídia. Achamos oportuno, então, explicar o que é uma Associação de Proteção Veicular – também chamada de Associação Veicular, Associação de Seguros, Assistência Veicular, Cooperativa de Seguros, Cooperativa Veicular, entre outros nomes.

    Este foi o tema da nossa conversa dessa semana com Pedro Vieira, no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência. Explicamos o que são essas associações e quais são as diferenças entre elas e as seguradoras. Falamos também das semelhanças e diferenças entre os produtos e serviços delas. Fizemos recomendações sobre os cuidados na hora de contratar seguros ou proteção veicular. Contamos em que pé está a regulamentação do tema na Câmara dos Deputados. Por fim, demos nossa opinião sobre as Associações de Proteção Veicular.

    Antes de começar, quero lembrar ao leitor que eu sou um entusiasta do cooperativismo e do associativismo. Aqui no Educando Seu Bolso já escrevemos e falamos sobre as cooperativas de crédito. Minha dissertação de mestrado foi sobre esse tipo de instituição financeira. Acredito firmemente que o cooperativismo pode ser uma solução muito interessante para diversas questões econômicas e sociais do nosso país.

    Apesar disso, no texto de hoje eu faço algumas críticas e ressalvas às Associações de Proteção Veicular. Principalmente quando elas deixam de se comportar como cooperativas e passam a se assemelhar a empresas. E o pior: a empresas pouco transparentes e afastadas da regulamentação que um assunto tão sério exige.

    Assim, se você participa ou conhece de perto uma dessas associações e tem alguma história bacana para compartilhar, mesmo – ou principalmente – se for para discordar de mim, deixe seu comentário logo abaixo do texto. Certamente vai enriquecer nosso post.

    O que são as Associações de Proteção Veicular?

    Como dissemos acima, são instituições constituídas sob a forma de associação, com o objetivo de promover a proteção dos veículos dos seus associados contra roubos e acidentes, além de prestar outros serviços relacionados, como socorro mecânico.

    Associações são como cooperativas: um grupo de pessoas que se uniram para providenciar e promover serviços para si mesmas, sem fins lucrativos. Uma associação veicular, portanto, é um grupo de pessoas que pretendem compartilhar custos e providências da assistência veicular para elas próprias. Sem o objetivo de obter lucro, apenas arrecadar o suficiente para cobrir os custos operacionais – consertos e indenizações –, fundos de reserva e despesas administrativas. Pelo menos em tese deveria ser assim.

    Na prática, o que se vê são empresas vendendo planos de assistência veicular para clientes. Sem deixar claro que eles, na verdade, não são clientes, e sim associados. E isso pode fazer toda a diferença.

    Se você é cliente de uma empresa, o que te acontece se essa empresa tiver um prejuízo? Nada, certo? O problema é da empresa, não seu. E se, em vez de cliente, você for sócio da empresa, o que te acontece? Você vai se responsabilizar pelo prejuízo. Dependendo do tamanho e da natureza do rombo, pode até precisar tirar dinheiro do bolso para salvar a empresa.

    Pois essa é a grande diferença – e o grande risco – de uma associação de proteção veicular. Pela lei, cada associado pode sofrer as consequências de eventuais prejuízos da associação. Assim, seu plano pode ficar mais caro de um mês para o outro.

    Isto é: se o número de acidentes e roubos de veículos for bem maior do que a associação calculou, ela pode ter prejuízo. E o prejuízo terá que ser assumido pelos próprios associados.

    Quais são as diferenças entre uma associação de proteção veicular e uma seguradora?

    Uma seguradora é uma empresa com fins lucrativos, que vende serviços para clientes. Isto é, se, por azar, um grande número de clientes sofre acidentes ou roubos na mesma época, e a seguradora amargar prejuízo, o problema é dela e dos seus donos. O cliente não pode ser penalizado por isso. O preço que ele havia combinado quando contratou o serviço não vai se alterar. É claro que a seguradora pode ir à falência e deixar o cliente na mão, mas essa é outra história. Estamos falando de responsabilização.

    "Ah, Ewerton, então você está dizendo que seguradoras são melhores que associações de proteção veicular". Opa, não estou não. Não tenho nenhuma paixão por seguradoras. Acho cooperativas bem mais simpáticas que elas.

    Estou apenas ressaltando aquele que é, em minha visão, o ponto mais complicado da assistência veicular. Mas que pode perfeitamente ser evitado, se a associação for séria e transparente.

    Pequena história

    Para exemplificar, na conversa com o Pedro eu inventei uma historinha sobre a criação de uma associação de proteção veicular. Ela é fictícia, mas se parece com a criação de algumas cooperativas e associações por aí. Vamos supor que os servidores públicos do Estado de Minas Gerais resolvam criar uma associação de proteção veicular. Fizeram um levantamento, divulgaram a ideia em todos os setores do funcionalismo, e juntaram 2000 pessoas dispostas a criar a associação.

    Em seguida, fizeram os cálculos. Estimaram que, durante 1 ano, haveria X acidentes envolvendo associados, estimaram o preço médio dos reparos e, assim, chegaram à previsão de gastos com consertos. Fizeram a mesma coisa com os roubos: estimaram o número de ocorrências, o custo médio de cada uma, e chegaram ao custo estimado. A seguir, estimaram um fundo de reserva. Por fim, calcularam o gasto com despesas administrativas – alugueis, salários etc.

    Suponhamos que tenham chegado ao custo total de R$ 4 milhões. Dividindo pelos 2000 associados, chega-se ao custo de R$ 2000 para cada um, em 1 ano. Ou seja, pouco mais de R$ 160 por mês, em média.

    Em seguida, definiram um estatuto, as regras, decidiram que quem tem carros mais caros pagaria mais que os R$ 160, quem tem carros mais baratos pagaria menos. Ok, tudo certo, colocaram a associação para funcionar.

    Surpresa ruim

    Por mais que os cálculos tenham sido cuidadosos, erros acontecem. Suponhamos que o número de acidentes e roubos tenha sido maior que o esperado e que os preços das autopeças tenham subido mais que a inflação. Resultado: os R$ 160 não seriam suficientes para manter a associação. Em assembleia decidiram que a contribuição média precisaria passar para R$ 180.

    Pode acontecer. É um risco clássico de uma cooperativa ou associação.

    Surpresa boa

    Mas pode acontecer o contrário. Vamos supor que os associados, sabendo que suas ocorrências seriam custeadas pelos colegas, passaram a tomar mais cuidado. Instalaram alarmes nos carros, tomaram cuidado redobrado no trânsito. Afinal, já pensou se, além do desconforto natural de um acidente, a pessoa ainda tenha que aguentar comentário dos colegas? "Êh, Fulano! Bateu aquele seu carro numa Mercedes? Não podia ter batido num carro mais barato, não?" Ninguém merece.

    Resultado: o número de ocorrências foi bem menor que o esperado. A associação teve sobras, e agora teria que decidir em assembleia o que fazer com elas: devolver, baixar os custos, aumentar o fundo de reserva? O associado decide.

    Pode acontecer também. É menos provável, mas teoricamente pode ocorrer.

    Que cuidados a pessoa deve ter ao contratar seguro ou assistência veicular?

    Entendido o conceito de associação e conhecidas as diferenças entre seguros e proteção veicular, que cuidados devemos ter na hora de contratar esses serviços? A primeira coisa é procurar conhecer bem a instituição.

    No caso de uma seguradora, é um pouco mais fácil obter informações. Primeiro, porque é um mercado regulado por uma autarquia governamental, a Susep – Superintendência de Seguros Privados. No próprio site dela há informações sobre as companhias.

    Além disso, também devido à regulação, são exigidos das seguradoras vários requisitos, incluindo um montante muito alto de capital. Por isso, não é grande o número de empresas com capacidade e disposição para entrar nesse mercado. Com menos opções fica mais fácil obter informações. Assim, além da pesquisa pela internet – incluindo sites como o Reclame Aqui –, meia dúzia de conversas com amigos e corretores de confiança podem ajudar muito.

    Já em relação às associações de proteção veicular, a pesquisa ainda é um pouco mais trabalhosa. Em primeiro lugar, porque ainda não há uma autarquia responsável por sua regulação e fiscalização. A Susep ainda não é responsável por supervisionar a assistência veicular – está caminhando para ser, como veremos adiante, mas ainda não é.

    Existe uma entidade chamada AAAPV, Agência de Autorregulamentação das Associações de Proteção Veicular e Patrimonial. Evidentemente, não é uma fonte tão isenta quanto a Susep, pois é uma entidade de classe, criada para defender os interesses das associações. Mas é uma referência importante, principalmente se levarmos em conta que as associações sérias têm interesse no fortalecimento de sua imagem e, por isso, vão zelar por manter no mercado apenas as instituições confiáveis.

    Além da AAAPV, outras formas de procurar informações são entrar em contato com a própria associação, conversar com amigos e pesquisar a reputação da empresa na internet.

    Nossa pesquisa

    Na preparação para a conversa com o Pedro e para a elaboração deste post, entrei em contato com a própria AAAPV e com algumas associações de proteção veicular. Nem sempre fui bem sucedido. Muitas não responderam ao meu e-mail e com outras não consegui uma conversa por telefone esclarecedora.

    Na maioria dos casos percebi que as associações não funcionam como tal, mas sim como empresas. A maioria não faz assembleias regulares abertas aos associados, nem divulga relatórios financeiros periódicos – que são de total interesse dos membros, para acompanhar os custos com que eles próprios precisarão arcar.

    Confrontadas com a pergunta sobre o risco de os associados virem a arcar com prejuízos não estimados pela associação, algumas afirmaram que isso seria improvável e outras chegaram a afirmar que é impossível – o que evidentemente não é.

    Características dos planos

    Questionadas sobre a composição da contribuição mensal, a maioria não soube dar explicações seguras e claras. Quanto, da contribuição, refere-se à cota de participação na sociedade? Quanto refere-se a rateio? Como elas chegaram àquele número, já que o rateio, em princípio, ocorre após a ocorrência das despesas? Fiquei sem resposta.

    Analisando os planos de diferentes associações, fizemos uma constatação importante: muitas delas não estabelecem preços diferentes de acordo com o perfil do associado. Enquanto as seguradoras concedem descontos quando o veículo fica guardado em garagem durante o dia e a noite, ou de acordo com a idade e o sexo do segurado, as associações não fazem essa distinção.

    O resultado disso foi que, pelo menos para mim, o plano de proteção veicular ficou mais caro do que o seguro que renovei recentemente. Isto porque a seguradora me concede bônus por eu não ter acionado o seguro recentemente, e porque meu carro fica em garagem o dia todo. A associação veicular nem me perguntou sobre isso.

    Constatamos também que algumas associações estabelecem limites de utilização em seus planos. Algumas não permitem mais de 2 ou 3 eventos no mesmo ano. Seguradoras não estabelecem esse limite.

    Mudanças na regulamentação

    Em 2015 foi criado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3139, pelo deputado Lucas Vergílio, que, na prática, visava proibir as associações de proteção veicular. O deputado é filho do ex-deputado Armando Vergílio, que até junho de 2018 era presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros.

    O Projeto foi discutido durante um bom tempo até que, em maio de 2018, foi aprovado em Comissão Especial na Câmara, com modificações importantes. Deverá, portanto, seguir para votação no Senado e sanção presidencial.

    As principais modificações são as seguintes:

    -As associações de proteção veicular passam a ser equiparadas com as seguradoras de veículos, porém devendo atender a regras em relação ao tamanho, número de associados e área de atuação.

    -A Susep passará a ser a responsável pela fiscalização das associações. Terá autonomia para firmar termos de compromisso, a exemplo do que fazem o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, com suas respectivas entidades fiscalizadas.

    -Para serem regularizadas, as associações precisarão apresentar a descrição detalhada dos planos oferecidos, incluindo a comprovação de sua viabilidade econômico-financeira, planos para constituição de reservas, provisões etc.

    -As associações serão enquadradas em regime tributário similar ao das seguradoras. Foi considerado que, já que prestam serviços semelhantes, deverão pagar impostos de forma equivalente.

    -Instituições constituídas sob forma de associação ou cooperativa somente poderão oferecer planos similares aos seguros veiculares, sendo vedadas outras modalidades, como seguro de vida, por exemplo.

    -Está prevista também a atuação de corretores na venda dos planos de proteção veicular.

    Concluindo

    Como eu disse anteriormente, sou entusiasta do cooperativismo, incluindo o financeiro. Por isso, em princípio vejo com bons olhos a existência das associações de proteção veicular. É necessário, evidentemente, que sejam estabelecidos normas e procedimentos contábeis e financeiros, visando a segurança da instituição e dos seus associados, de forma semelhante ao que ocorre com instituições financeiras.

    Além disso, é fundamental que as associações de proteção veicular funcionem de fato como cooperativas, e não como empresas. Isto é, que haja conselhos de administração e fiscal, assembleias regulares, transparência na prestação de contas e na tomada de decisão.

    Sem entrar no mérito do que de fato motivou a criação do Projeto de Lei 3139, ele poderá contribuir para que o mercado da assistência veicular amadureça.

    Por enquanto, tomando por base a pesquisa que fizemos junto às instituições, muitas delas ainda são pouco transparentes e, assim, não me transmitem confiança. Tenho convicção de que há empresas sérias no mercado, mas obter informações que assegurem isso ainda não é tarefa simples.

    Vou repetir o convite que fiz no início do texto. Se você acompanha de perto alguma associação de proteção veicular, conte para nós. Seja para concordar, discordar ou apenas para contar sua experiência. Certamente vai enriquecer o post e poderá ajudar muita gente.

    26 min
  • Financiamento de imóveis é um bom negócio no cenário atual?

    Alugar ou comprar um imóvel? Financiamento de imóveis é um bom negócio? Amortização: pelo prazo ou pelo valor da parcela? Nós já falamos sobre esse tema algumas vezes na época em que a inflação estava rondando a casa dos 10% ao ano e a SELIC chegou a mais de 14%. Hoje a realidade mudou, mas a casa própria continua sendo o sonho de muita gente. Diante de um novo cenário econômico é necessário reajustar as estratégias para tomar esse tipo de decisão.

    Conversamos sobre isso com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência. No podcast e ao longo desse post iremos te ajudar a entender o que mudou e como isso afeta a dinâmica do financiamento imobiliário. Apresentaremos quais estratégias de amortização deixaram de ser eficientes com a mudança do cenário e quais ainda são válidas.

    Ao final responderemos se vale a pena usar o FGTS para amortizar o financiamento de imóveis, o que é Pagamento de Parte da Prestação, quais as vantagens e como utilizá-lo.

    O que mudou no cenário econômico?

    O ambiente mudou. A inflação, que estava em torno de 10%, em 2015, caiu bastante e deve fechar o ano em torno de 4%.

    Na nossa conversa, o Pedro fez uma ressalva interessante sobre isso: qualquer pessoa que saia para fazer compras hoje pode se assustar um pouco com alguns preços. Afinal, a inflação caiu ou não caiu?

    Bem, isso acontece porque inflação é uma média de todos os preços. A ponderação desses valores vai de acordo com a importância que cada produto tem nos hábitos da população. Logo, alguns produtos afetam mais esse índice, outros menos. Portanto, tudo depende do padrão de consumo.

    Assim como a inflação, a taxa SELIC também caiu de 14,25% em 2016, para 6,5%, em 2018. Esses dois índices são muito importantes na hora de avaliar se o financiamento imobiliário é uma boa opção. E eles mudaram muito de três anos atrás até hoje.

    E o que não mudou?

    Uma coisa que não mudou foi o custo do financiamento imobiliário, principalmente a taxa de juros. Ela continua ali entre os 8% e os 10%. Outra coisa que não mudou muito é a relação de preço entre aluguel e compra de imóvel. Ela varia um pouco dependendo da região e do padrão do imóvel, mas, em média, continua girando em torno de 0,35%. Então, para um imóvel de R$300.000,00, por exemplo, o aluguel sairia em média a R$1.050,00.

    Apesar de as condições do financiamento de imóveis não terem tido grandes variações, o cenário econômico mudou bastante. Isso muda tudo! A tomada de decisão agora é diferente do que era há alguns anos atrás.

    A pergunta que não quer calar: compensa alugar ou comprar um imóvel nos dias de hoje?

    Vamos supor que uma pessoa tenha R$ 200.000,00 em mãos. Se o foco dela for conseguir um imóvel, logo vem a dúvida: compro um imóvel nesse valor ou aplico o dinheiro e alugo um imóvel desse mesmo padrão?

    Alguns anos atrás, quando a SELIC estava em 14,25%, se a pessoa aplicasse esses R$200.000,00 ela receberia mais ou menos R$2.000,00 de rendimento, líquido, descontado o Imposto de Renda. Com esse montante ela poderia arcar com o aluguel – que seria cerca de R$700,00 – e ainda sobraria um dinheirinho. Parte desse dinheiro ela precisaria manter aplicado, para repor a inflação, mas mesmo assim ainda sobraria algum.

    Hoje em dia, se a pessoa aplicasse esses mesmo R$200.000,00 no Tesouro SELIC, o rendimento gerado é de mais ou menos R$900,00. Então pagar um aluguel de R$700,00 continuaria sendo viável, mas sobraria menos dinheiro. Praticamente o tanto necessário para deixar aplicado. Dessa maneira, comprar e alugar um imóvel geram um custo benefício quase equivalente.

    Ou seja, o que antes era uma estratégia financeira (pensando só em números) muito adequada hoje não é tanto mais.

    O que levar em conta para traçar estratégias?

    Manter uma aplicação e ao mesmo tempo usufruir dos rendimentos exige disciplina e organização! Mesmo quando o rendimento da aplicação estava mais alto, era preciso controlar o dinheiro. Conheço casos de pessoas que, diante dos bons rendimentos das aplicações, passaram a gastar mais do que deviam e se endividaram! É preciso ponderar se você tem disposição de fazer essa ginástica financeira.

    Outra questão importante diz respeito ao uso do imóvel. O locatário não tem liberdade de derrubar uma parede no apartamento alugado, ou de mandar fazer uma estante super bacana sob medida, porque ele não é o dono do imóvel. Portanto, você não pode deixar um apartamento alugado com a "sua cara".

    Por outro lado, o aluguel amplia a mobilidade do morador, facilitando ocasionais mudanças. Por exemplo, para um jovem de 20 e poucos anos, que está iniciando sua vida profissional, talvez seja mais interessante manter o leque de possibilidades aberto. Ele pode, de uma hora para outra, receber uma proposta ou cavar uma oportunidade em outro estado, ou mesmo outro país. Numa situação assim é bem melhor ter dinheiro no bolso e morar de aluguel do que ter o dinheiro imobilizado em um apartamento.

    Outra questão que muitos levam em conta ao decidir comprar um imóvel: é diferente deixar como herança um apartamento ou um dinheiro aplicado. Por exemplo, um pai que tem três filhos, sendo dois disciplinados e um meio desorganizado. O pai tem medo de deixar dinheiro como herança porque acha que o filho desorganizado não vai conseguir administrar. Prefere deixar como herança um imóvel. Assim, os filhos disciplinados irão cuidar, colocando para alugar, e o desorganizado recebe pelo menos o dinheirinho do aluguel. Já ouvi história parecida com essa várias vezes.

    Tudo depende do perfil e do estilo de vida de cada um.

    Comprar um apartamento para ter renda de aluguel é um bom negócio?

    Nesse caso a compra do imóvel passa a ser entendida como um investimento e é preciso levar em conta outras variáveis. É necessário avaliar o preço, a possibilidade do imóvel se valorizar, dentre outros aspectos.

    Quando se compra um imóvel, assume-se o risco da sua valorização ou desvalorização. Se você acredita firmemente que a região em que ele se encontra vai se valorizar, ou se você pega uma oferta muito interessante, vale a pena comprar.

    Financiamento de imóveis: compensa ou não?

    Em minha opinião, compensa, sim! O financiamento de imóveis é uma das dívidas menos caras que se pode contrair no Brasil.

    No caso do automóvel, muitas vezes é mais vantajoso juntar dinheiro para comprar a vista do que financiar – mesmo porque os financiamentos de veículo são bastante caros. Dependendo da situação, um ou dois anos são suficientes para juntar o montante necessário. Mas um imóvel é muito caro! Seria necessário um prazo muito grande para juntar todo o dinheiro. Nesse caso, acho o financiamento de imóveis interessante, não apenas pelo custo, como também pelas regras de saída.

    Essas regras de saída – amortização e quitação – dão bastante oportunidade para que o mutuário possa montar a estratégia mais adequada. Nós nos especializamos bastante nisso, aqui no Educando Seu Bolso, e desenvolvemos um Simulador de Financiamento Imobiliário. São muitos caminhos a serem seguidos na hora de tomar um financiamento de imóveis e o Simulador pode te ajudar a traçar um plano eficiente.

    Sistemas Price e SAC

    PRICE e SAC são formas de amortização mensal, ou seja, como a dívida será paga.

    SAC é o Sistema de Amortizações Constantes. Nessa modalidade o valor da prestação vai caindo um pouquinho a cada mês. Por exemplo, supondo que o imóvel custe R$360.000,00 e o prazo do financiamento seja de 360 meses, o valor da amortização mensal seria de R$1.000,00 (360.000 dividido por 360). Esse valor é constante ao longo do contrato (não estou considerando a TR no cálculo). O que vai variar é a quantidade de juros a cada mês. Assim, como o mutuário vai pagando e o saldo final vai diminuindo, os juros vão caindo. Isso faz a prestação diminuir, até que a última seja só os R$1000,00, sem juros.

    No sistema Price o valor da prestação é o mesmo ao longo do contrato inteiro. Nessa modalidade o valor da parcela começa mais baixo que no SAC, e termina mais alto. Isso porque, no início de um contrato Price, o valor da amortização mensal é menor. Durante o contrato as coisas se igualam e, ao final, as prestações do Price são mais altas que as do SAC.

    Observando o gráfico, a linha azul representa o sistema Price e a linha vermelha o, SAC.

    Qual é o mais vantajoso?

    Isso varia de caso para caso. Se o mutuário pretende fazer o financiamento e levar até o final pagando mês a mês, sem fazer nenhuma amortização, o Price acaba saindo mais caro. Se ele pretende fazer amortizações extraordinárias já no início do contrato, aí pode ser que o Price saia até mais barato. Vai depender da situação: as condições do contrato, a capacidade financeira e a disciplina da pessoa, seus planos, e até do cenário econômico – inflação e Selic.

    Para muitas pessoas, o Price é a única porta de entrada para conseguir um financiamento de imóveis. Isto porque em determinadas situações os bancos não autorizam o SAC, porque a parcela inicial fica muito alta. Se o valor da prestação comprometer uma parte grande da renda da pessoa, o banco pode se recusar a conceder o crédito. A diferença de valor do Price, em muitos casos, pode ser suficiente para que o banco aprove o crédito.

    Compensa fazer amortização do financiamento?

    No passado, quando o Tesouro SELIC rendia 14% ao ano, ou 12% líquidos, e o custo do financiamento de imóveis era de 10%, compensava manter a dívida e aplicar o dinheiro. Então, muitas vezes, mesmo tendo o montante suficiente para quitar o financiamento, era mais interessante esperar um pouco para não zerar completamente a reserva financeira. Por isso, colocar na ponta do lápis era fundamental.

    Agora isso acabou! Quase todo financiamento de imóveis é mais caro do que o rendimento do Tesouro SELIC. A exceção é o programa Minha Casa Minha Vida, que tem taxa de aproximadamente 5%, e mesmo com outros custos a mais, ainda fica um pouco abaixo do rendimento do Tesouro SELIC.

    Então, hoje em dia, em quase todos os casos compensa fazer a amortização. Porém, ainda é necessário fazer as contas com atenção. Pagar menos juros é ótimo, mas é preciso tomar cuidado para não gastar toda a reserva financeira, principalmente num momento complicado como esse que o Brasil vive.

    Portanto, se o financiamento não é tão caro, custando em torno de 8,5%, pode compensar, por questão de segurança, não usar o dinheiro todo em uma amortização, para não ficar completamente desprotegido. Por outro lado, se for um financiamento muito caro, o ideal é amortizar o máximo que puder. É preciso avaliar caso a caso.

    Amortização reduzindo prazo ou parcela?

    Depende! Isso varia de acordo com as características do financiamento – taxa de juros e do prazo, principalmente – e com a condição da pessoa. Não apenas sua condição financeira, mas também seu perfil pessoal, o momento de sua vida.

    Ao amortizar reduzindo a prestação, o mutuário vai ficar com um dinheirinho a mais no bolso. Mesmo que seja uma diferença bem pequena, já que o financiamento de imóveis tem um prazo longo, já diminui um pouquinho.

    Reduzir o prazo, por sua vez, mantém a prestação do mesmo tamanho. A vantagem é que o saldo devedor começa a cair mais rapidamente. Isto porque, como são menos meses, a amortização mensal fica um pouco maior.

    Para saber o que compensa mais é necessário fazer as contas, ponderando o que vai resultar no menor pagamento de juros. Mais uma vez, é preciso avaliar caso a caso.

    Aqui no Educando Seu Bolso nós também oferecemos um serviço de consultoria, para responder a essa pergunta da maneira mais qualificada possível, analisando todos esses aspectos.

    Vale a pena usar o Fundo de Garantia para fazer a amortização?

    Nesse caso, sem sombra de dúvida, vale a pena sim! É possível utilizar o FGTS de dois em dois anos, e compensa fazê-lo para amortizar o financiamento. Isso porque o Fundo de Garantia rende 3% ao ano, mais a TR, o que certamente é menos do que o custo do financiamento de imóveis.

    Também é possível utilizar o fundo para pagar as prestações. Mas isso só é recomendável se a pessoa estiver precisando muito de dinheiro. Vamos explicar isso melhor daqui a pouco.

    Vale lembrar que o FGTS nasceu para ser uma garantia do trabalhador em caso de perda do emprego. Então, ao ponderar se compensa usar o Fundo de Garantia para fazer a amortização, é preciso levar em conta o grau de segurança do indivíduo no trabalho. Do ponto de vista da ponta do lápis, do cálculo, dos números, compensa sempre. Então, se você está bastante seguro no seu emprego, pode e deve usar. Mas se você não se sente tão seguro assim, talvez seja mais prudente deixar pelo menos um pouquinho do saldo depositado no Fundo.

    Uma outra forma de pensar a respeito dessa questão, é amortizar diminuindo a prestação justamente para não diminuir o prazo. Dessa maneira é possível usar o FGTS mais vezes ao longo do tempo.

    O que que é PPP?

    PPP é o Pagamento de Parte da Prestação. É uma forma de utilizar o FGTS para pagar até 80% da sua prestação durante 12 meses consecutivos. Não é uma modalidade de amortização, porque ela não usa o Fundo para reduzir apenas o saldo devedor, e sim para pagar a prestação – incluindo aí os juros e tarifas.

    Vamos supor que a prestação custe R$1.000,00. É possível pagar até R$800,00 com recurso do FGTS, durante um ano. E, nesse caso, é um ano mesmo! Não há a possibilidade de usar esse recurso por apenas seis meses ou por um ano e meio, por exemplo.

    Essa é a forma de uso do FGTS que mais alivia o orçamento no curto prazo. Isto porque, usando o recurso do Fundo, a pessoa não precisa desembolsar o dinheiro para pagar prestações. Para quem já está com o orçamento apertado, essa possibilidade pode ser uma boia de salvação.

    Mas, repetimos: o PPP só é recomendado em casos de muita necessidade. Isto porque, na amortização, o FGTS é inteiramente usado para reduzir o saldo devedor, isto é, a dívida. No PPP os recursos do fundo são usados para pagar também juros e tarifas.

    Conclusão

    O Financiamento Imobiliário tem diversas vantagens, mas é preciso saber utilizá-lo. Traçar estratégias para amortização e manter as finanças organizadas é fundamental. Além disso, é preciso analisar o cenário econômico. Não é necessário ser um super economista para colocar os números na ponta do lápis antes de tomar uma decisão.

    Levantar as possibilidades de amortização, uso do FGTS e comparar com outras aplicações faz do Financiamento Imobiliário um aliado e não um inimigo. O podcast e o nosso Simulador também podem te ajudar a fazer isso! Qualquer dúvida, entre em contato com a gente, estamos à disposição!

    27 min
  • Financiamento de imóveis ainda é bom negócio?
    Alugar ou comprar um imóvel? Financiamento de imóveis é um bom negócio? Amortização: pelo prazo ou pelo valor da parcela? Nós já falamos sobre esse tema algumas vezes na época em que a inflação estava rondando a casa dos 10% ao ano e a SELIC chegou a mais de 14%. Hoje a realidade mudou, mas a casa própria continua sendo o sonho de muita gente. Diante de um novo cenário econômico é necessário reajustar as estratégias para tomar esse tipo de decisão.
    Conversamos sobre isso com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência. No podcast e ao longo desse post iremos te ajudar a entender o que mudou e como isso afeta a dinâmica do financiamento imobiliário. Apresentaremos quais estratégias de amortização deixaram de ser eficientes com a mudança do cenário e quais ainda são válidas.
    Ao final responderemos se vale a pena usar o FGTS para amortizar o financiamento de imóveis, o que é Pagamento de Parte da Prestação, quais as vantagens e como utilizá-lo.
    O que mudou no cenário econômico?
    O ambiente mudou. A inflação, que estava em torno de 10%, em 2015, caiu bastante e deve fechar o ano em torno de 4%.
    Na nossa conversa, o Pedro fez uma ressalva interessante sobre isso: qualquer pessoa que saia para fazer compras hoje pode se assustar um pouco com alguns preços. Afinal, a inflação caiu ou não caiu?
    Bem, isso acontece porque inflação é uma média de todos os preços. A ponderação desses valores vai de acordo com a importância que cada produto tem nos hábitos da população. Logo, alguns produtos afetam mais esse índice, outros menos. Portanto, tudo depende do padrão de consumo.
    Assim como a inflação, a taxa SELIC também caiu de 14,25% em 2016, para 6,5%, em 2018. Esses dois índices são muito importantes na hora de avaliar se o financiamento imobiliário é uma boa opção. E eles mudaram muito de três anos atrás até hoje.
    E o que não mudou?
    Uma coisa que não mudou foi o custo do financiamento imobiliário, principalmente a taxa de juros. Ela continua ali entre os 8% e os 10%. Outra coisa que não mudou muito é a relação de preço entre aluguel e compra de imóvel. Ela varia um pouco dependendo da região e do padrão do imóvel, mas, em média, continua girando em torno de 0,35%. Então, para um imóvel de R$300.000,00, por exemplo, o aluguel sairia em média a R$1.050,00.
    Apesar de as condições do financiamento de imóveis não terem tido grandes variações, o cenário econômico mudou bastante. Isso muda tudo! A tomada de decisão agora é diferente do que era há alguns anos atrás.
    A pergunta que não quer calar: compensa alugar ou comprar um imóvel nos dias de hoje?
    Vamos supor que uma pessoa tenha R$ 200.000,00 em mãos. Se o foco dela for conseguir um imóvel, logo vem a dúvida: compro um imóvel nesse valor ou aplico o dinheiro e alugo um imóvel desse mesmo padrão?
    Alguns anos atrás, quando a SELIC estava em 14,25%, se a pessoa aplicasse esses R$200.000,00 ela receberia mais ou menos R$2.000,00 de rendimento, líquido, descontado o Imposto de Renda. Com esse montante ela poderia arcar com o aluguel – que seria cerca de R$700,00 – e ainda sobraria um dinheirinho. Parte desse dinheiro ela precisaria manter aplicado, para repor a inflação, mas mesmo assim ainda sobraria algum.
    Hoje em dia, se a pessoa aplicasse esses mesmo R$200.000,00 no Tesouro SELIC, o rendimento gerado é de mais ou menos R$900,00. Então pagar um aluguel de R$700,00 continuaria sendo viável, mas sobraria menos dinheiro. Praticamente o tanto necessário para deixar aplicado. Dessa maneira, comprar e alugar um imóvel geram um custo benefício quase equivalente.
    Ou seja, o que antes era uma estratégia financeira (pensando só em números) muito adequada hoje não é tanto mais.
    O que levar em conta para traçar estratégias?
    Manter uma aplicação e ao mesmo tempo usufruir dos rendimentos exige disciplina e organização! Mesmo quando o rendimento da aplicação estava mais alto, era preciso controlar o dinheiro. Conheço casos de pessoas que, di
    27 min
  • Crédito Consignado: o barato também pode sair caro!

    Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tomaram R$5,9 bilhões em empréstimo consignado, entre janeiro e maio deste ano. O que dá uma média de R$39,5 milhões de reais por dia, levando em consideração feriados e fins de semana. No montante total, os beneficiários do INSS devem cerca de R$122,1 bilhões aos bancos nessa modalidade, segundo dados do Banco Central.

    No post de hoje nós iremos mostrar como o crédito consignado, uma das dívidas mais baratas do mercado, tem desequilibrado a vida financeira de milhões de brasileiros, principalmente servidores públicos e aposentados do INSS.

    Além disso, falaremos um pouco sobre como funciona essa modalidade de empréstimo. Além de abordar quais estratégias as instituições financeiras utilizam para te manter devedor durante mais tempo que o necessário e quais cuidados devemos ter para evitar esse tipo de situação. Ao final responderemos se vale a pena utilizar a primeira parcela do 13° salário, que será paga em agosto, para quitar essa dívida.

    Entendendo o empréstimo consignado

    Crédito consignado é uma modalidade de empréstimo que se aplicada a servidores públicos, beneficiários do INSS e funcionários da iniciativa privada cujo empregador estabeleceu um convênio com alguma instituição financeira. As parcelas para quitação dessa dívida são descontadas direto da folha de pagamento ou, no caso dos aposentados, direto do provento de aposentadoria.

    Dessa maneira, o Estado ou a empresa fornecem uma garantia a mais para a instituição financeira que concede esse tipo de empréstimo. Por isso, nessa modalidade as taxas de juros são geralmente menores que nas demais.

    Portanto, o crédito consignado é uma das dívidas mais baratas que se pode contrair. Os juros são, em média, 2% ao mês. Não é fácil conseguir um crédito a essa mesma taxa por outros meios. O cartão de crédito, o cheque especial e o crédito pessoal, por exemplo, são cerca de três vezes mais caros.

    Quanto é possível pegar de empréstimo consignado?

    As prestações de pagamento do crédito consignado devem representar no máximo 35% da renda do tomador do empréstimo. Então, se esse tomador recebe um salário de R$1000,00, a parcela mensal pode chegar até R$350,00.

    No entanto, esse crédito pode ser tomado por prazo muito longo, de, por exemplo, 8 anos ou até mais. Ao final do período, mesmo com taxas relativamente baratas, o empréstimo pode virar uma dívida de mais de R$ 30 mil!

    Devido ao baixo custo das taxas e ao longo período pelo qual o empréstimo pode ser carregado, o tomador do crédito pode adquirir esse montante de dívida com uma renda muito baixa. Isso pode desequilibrar bastante sua vida financeira.

    E se o tomador do empréstimo consignado for muito idoso e morrer antes de finalizar o pagamento?

    Para esses casos existe o Seguro de Morte e Invalidez Permanente, que quita a obrigação financeira do contratante do empréstimo consignado no caso de falecimento ou invalidez. Esse seguro já está incluído nos custos que o beneficiário do INSS paga quando vai tomar um crédito desse tipo.

    Portanto, é preciso ficar atento não só aos juros nominais, mas também aos outros custos associados. Essas variáveis compõem o chamado Custo Efetivo Total (CET). Esse custo é o que determina o valor real da dívida e deve ser levado em conta na hora de tomar um empréstimo consignado.

    Calculando o Custo Efetivo Total

    A tabela a seguir compara o Custo Efetivo Total (ao mês) de cinco grandes bancos com as taxas oferecidas pelo Olé Consignado. Os dados foram extraídos do site do Banco Central e do Simulador de Empréstimo Pessoal desenvolvido pelo Educando Seu Bolso. Ele compara as taxas de diversos bancos. Assim, te ajuda a tomar a melhor decisão na hora de contrair um empréstimo. Você pode acessá-lo gratuitamente e simular quanto seriam não só as taxas, mas também o valor de cada prestação.

    *Além desses 0,25%, o IOF também possui uma taxa adicional de 0,38% que incide sobre o valor total da operação.

    Apesar de o Olé Consignado trabalhar especificamente com empréstimo consignado, em se tratando de empréstimos para servidores públicos o Custo Efetivo Total desse banco foi o segundo mais caro.

    O empréstimo do Olé Consignado apresentou-se mais barato apenas do que o crédito oferecido pelo Itaú. Para servidores públicos o empréstimo mais barato, dentre esses bancos, é o do Bradesco.

    No que tange aos beneficiários do INSS o Olé Consignado apresentou as melhores taxas para empréstimo. O Custo Efetivo Total mais caro, por sua vez, foi novamente o do Itaú. Este também oferece o empréstimo consignado mais alto para os funcionários da iniciativa privada. Nesse último quesito, o crédito consignado mais barato é o da Caixa Econômica Federal.

    Vale lembrar que o Custo Efetivo Total para o crédito consignado pode incluir outras taxas além dos juros nominais e do IOF. Dependendo da instituição financeira, também podem ser cobradas taxas administrativas, taxas de manutenção de cadastro, taxas de abertura de crédito, entre outras. Então fique atento a todos os custos que envolvem a contratação do empréstimo consignado.

    Leve aumento da inadimplência

    Mesmo com a taxa de juros mais barata para o crédito consignado, a inadimplência nessa modalidade cresceu, entre junho do ano passado e maio desse ano. A porcentagem de inadimplentes passou de 1,9% para 2,1%. Mas esse crescimento ainda é menor que em outras em outras modalidades. Isso é um reflexo da situação financeira do país.

    Grande aumento do volume da dívida

    O dado realmente preocupante diz respeito ao volume da dívida contraída por meio de empréstimo consignado. Esse índice aumentou cerca de 13% nos últimos 12 meses. O crédito consignado vem crescendo juntamente com o aumento das dívidas no cartão de crédito, no cheque especial e no financiamento de veículos.

    Isso mostra que o crescimento da dívida está intimamente ligado à facilidade de acesso ao crédito, que essas linhas oferecem. No caso do empréstimo consignado isso é ainda mais aprofundado por se tratar de uma dívida relativamente "barata". Entre aspas, porque mesmo com juros baixos ela chega a ser 3 ou 4 vezes maior que os rendimentos de uma aplicação financeira em renda fixa.

    Portanto, esse crescimento está relacionado, em grande parte, à comodidade do cidadão. Logo, fica aqui um alerta para o leitor: pesquise antes de contratar qualquer empréstimo, inclusive o crédito consignado. Fique atento não só às taxas, mas também ao Custo Efetivo Total.

    Normalmente essas taxas são mais baratas para aposentados e servidores públicos. Para funcionários da iniciativa privada elas são um pouco mais caras. Então, para quem trabalha no setor privado, é possível encontrar créditos mais baratos que o consignado. Alguns refinanciamentos de veículos ou imóveis podem valer a pena. Comparar as taxas faz toda a diferença na hora de tomar a decisão por contrair um empréstimo.

    Facilidade de contratar crédito consignado: onde mora o perigo!

    É possível encontrar ofertas de crédito consignado nos mais variados meios de comunicação. Telefonemas e chuvas de e-mails oferecendo um cadastro de aposentados ou de servidores públicos são extremamente comuns. Ao demonstrar um mínimo de interesse, o cidadão logo recebe a visita de algum representante bancário, o famoso "pastinha". O contrato é assinado e pronto! O dinheiro está na conta.

    Além disso, se o refinanciamento da dívida andou um ano ou dois, as instituições financeiras não hesitam em ofertar um novo refinanciamento. Ou seja, uma nova contratação de dívida. Então os representantes de vendas de bancos e financeiras usam da premissa de que a dívida do tomador de empréstimo diminuiu para oferecer novos empréstimos.

    Analogamente falando, é como se você tivesse comido um pouquinho do seu prato e estivesse sobrando um espaço. Então, vem o garçom com mais um pedacinho de picanha gordurosa. E você, que já tem o colesterol alto, e estava começando a ficar livre do problema, acaba esticando por mais dois, três ou quatro anos a sua recuperação.

    Esse processo muitas vezes é feito sem sequer comparar taxas. Ao alongar os prazos, o que esses pastinhas fazem é diminuir um pouco o valor da parcela. Aqueles R$350,00 caem para R$340,00, o que pode parecer um bom negócio à primeira vista. Mas isso significa que a obrigação de pagar a dívida será esticada por mais alguns anos. Então, cuidado!

    Crédito não é renda!

    É muito comum vermos cada vez mais pessoas usando o empréstimo como se fosse renda, para saldar despesas diárias. Isso é preocupante. Como é muito simples tomar esse tipo de empréstimo, fica fácil se convencer de que o consignado é a solução dos problemas financeiros.

    Não é! Dívida ou crédito não é renda! Tomar um empréstimo consignado para pagar despesas rotineiras é sinal de um orçamento desequilibrado. Não se iluda com o alívio de curto prazo que o crédito consignado oferece. O que vai reequilibrar sua vida financeira é repensar o orçamento. É preciso voltar para a prancheta e refazer todas as contas e fazer um planejamento onde as despesas caibam nas receitas.

    O idoso e o crédito consignado

    Grande parte do grupo de devedores do crédito consignado é composta pela terceira idade. Muitos idosos têm tomado esses empréstimos não para eles mesmos, mas para ajudar entes queridos. Infelizmente, a sensibilidade dos avós em querer ajudar um netinho desempregado, um primo que quer começar um negócio, ou até mesmo a necessidade e se sentir útil acabam levando o aposentado a contratar o crédito consignado. Além disso, algumas financeiras ainda incentivam o cliente a recorrer a alguém que recebe o benefício de aposentadoria do INSS.

    No entanto, a velhice é um período que traz uma série despesas extras, como plano de saúde, remédios e consultas médicas. Por outro lado, a grande maioria dos idosos não recebe salário integral. Assim, pegar um empréstimo pode ser bastante comprometedor para as finanças do idoso.

    Portanto, aprender a dizer "não" é fundamental. Uma grande parte do gerenciamento de finanças pessoais tem a ver com comportamento. Saber dizer não a outros, ou a si mesmo, é extremamente importante para conseguir manter a rédea das finanças.

    O conselho que a gente deixa para os avós é que talvez eles estejam ajudando mais ao não fornecer um empréstimo, do que emprestando o seu nome para conseguir um crédito consignado e repassar isso para alguém da sua família. Quanto antes essa pessoa entender que é ela mesma que precisa organizar suas finanças, sem precisar de se recorrer de alguém que já está na terceira idade, melhor.

    É recomendável usar a parcela adiantada do 13° salário para quitar as dívidas?

    O governo anunciou que vai pagar a primeira parcela do 13º salário antecipadamente para aposentados e pensionistas do INSS. Essa medida deve injetar 21 bilhões de reais na economia, em agosto. Então, para aqueles que estão endividados, usar esse dinheiro para quitar dívidas é sempre uma boa. Se ela estiver custando juros, melhor ainda!

    Mesmo se for uma dívida barata, como é o caso dos milhões de brasileiros que pegam empréstimos consignados, vale a pena antecipar uma parte das parcelas. O cidadão tem direito de fazer esse pagamento antecipado e a instituição financeira não pode cobrar tarifas a mais por isso. Aquela tarifa de liquidação antecipada que existia até alguns anos atrás não pode mais ser cobrada.

    Além disso, antecipar o pagamento das parcelas também dá direito a descontos. É como se houvesse uma repactuação do contrato, com um saldo devedor menor, portanto, juros mais baixos. O que diminui o peso dessa dívida no bolso do cidadão.

    Conclusão

    A falta de educação financeira e de uma cultura previdenciária estimula o crescimento dos endividados. Mas o Brasil tem melhorado no que tange o cuidado com as finanças. As pessoas têm buscado mais informação, que está cada vez mais simples de ser acessada, devido ao uso da internet. Então para quem é curioso e interessado e quer se informar antes de tomar uma decisão financeira, está cada vez mais fácil.

    Aqui no Educando Seu Bolso nós desenvolvemos um Simulador de Empréstimo Pessoal. Ele compara as taxas de diversos bancos e te ajuda a tomar a melhor decisão na hora de tomar um empréstimo. Lembre-se também de calcular o Custo Efetivo Total.

    Mas reforçando: depender de crédito não é bom! Nem mesmo do crédito consignado. Utilize nossos simuladores e ouça o podcast para saber mais!

    20 min
  • Distribuição de Lucros do FGTS de 2017
    O FGTS

    O FGTS é a sigla para Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Esse fundo recebe depósitos feitos pelos empregadores de todos os trabalhadores que possuem registro profissional através da CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social). O FGTS foi criado pela Lei 5.107/1966 e passou a vigorar em Janeiro de 1967. Atualmente, ele é regido pela lei 8.036/1990 e é administrado pelo Conselho Curador do FGTS. Quando ele foi criado, o FGTS existia apenas como forma de garantia de emprego. Era uma estabilidade, ou seja, quando o empregado completava 10 anos de trabalho em uma empresa, não poderia mais ser demitido, a não ser em justa causa.

    O valor do depósito mensal é de 8% da remuneração bruta do empregado. Atualmente, a Caixa Econômica Federal é o Agente Operador do FGTS e é lá que todas as contas vinculadas são abertas.

    O FGTS foi criado com o objetivo de ser um apoio financeiro caso o trabalhador fosse demitido, em qualquer hipótese de encerramento da relação de emprego, seja ela por motivo de doenças graves e até catástrofes naturais. O FGTS não é descontado do salário do empregado e sim uma obrigação do empregador.

    A Rentabilidade

    O FGTS rende em todos os meses no dia 10. A remuneração é de 3% ao ano acrescida da TR (Taxa Referencial). Ou seja, uma remuneração muito baixa em comparação com outros investimentos de Renda Fixa.

    O que é mais relevante é que, historicamente, a rentabilidade perde para inflação. Ou seja, os valores perdem valor ao longo do tempo, por, exatamente, renderem menos que a inflação. Segundo dados do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, entre 2010 e 2015, a perda real do trabalhador foi de 18,82%. Ou seja, esse percentual foi a perda do poder de compra do FGTS.

    Diferentemente dos demais anos, no ano de 2017, devido à taxa de inflação oficial, o IPCA, ter sido muito banco, remuneração do FGTS foi maior que a inflação. Quer saber mais sobre a inflação? Leia dois posts muito interessantes, aqui e aqui.

    Segundo a consultoria Economática, a diferença de rentabilidade entre o FGTS e outros investimentos pode ser percebida na tabela abaixo:

    Fonte: Consultoria Economática

    Críticas ao FGTS

    O FGTS, como falamos, foi criado na década de 60 do século XX. A realidade brasileira naquela época é muito diferente do que vemos atualmente. Por isso, muitas são às críticas à existência dele.

    Primeiramente, cabe ressaltar que o FGTS é uma exclusividade brasileira; no popular, uma jabuticaba. Nenhum dos países mais desenvolvidos tem um fundo com características semelhantes.

    Alguns analistas questionam que ter um fundo como o FGTS funciona como um recado para a sociedade de que ela não sabe cuidar do dinheiro, que não sabe gerenciar a sua renda e poupar para algum imprevisto, portanto, é necessário que o governo compulsoriamente cuide. Educação Financeira poderia ser uma alternativa interessante ao FGTS como formar de incentivar a população a poupar.

    Um segundo ponto é o rendimento muito baixo, pensando como investimento financeiro. A justificativa para esse ponto é de que o recurso é utilizado para subsidiar as taxas baixas dos Financiamentos Imobiliários.

    Macroeconomicamente, o FGTS tira dinheiro da economia. Isto é, retira 8% da renda de todos os celetistas em um fundo que tem restrições (que veremos à seguir) para ser acessado e, na prática, tira dinheiro do mercado fazendo com que a economia "rode menos". E, esses 8% significam, segundo dados dos Balancete do FGTS de setembro de 2017, R$486.222.043.709,64. Isso mesmo, mais de R$ 486 bilhões!

    E, finalizando as críticas, sempre que há a gestão por parte do governo, há a possibilidade de ingerência política, corrupção, crimes contra economia popular etc.

    As Possibilidades de Saque do FGTS

    As possibilidades de ter acesso aos recursos do FGTS por parte do trabalhador são bastante reduzidas. Umas das mais usadas é a utilização na compra e na amortização no financiamento imobiliário. Falando nele, você já conhece o Simulador de Amortização – Prazo ou Parcela e o Simulador de Financiamento Imobiliário do Educando seu Bolso? Se não, clique nos links e conheça! Vale muito a pena!

    Segundo o site do próprio FGTS, o saque pode correr nos seguintes casos:
    • Em casos de demissão sem justa causa.
    • Em casos de rescisão por acordo (a partir de 11/11/2017 – Lei nº 13.467/2017 – Reforma Trabalhista).
    • Em casos de término do contrato por prazo determinado.
    • Em casos de rescisão do contrato por extinção total da empresa; supressão de parte de suas atividades; fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filiais ou agências; falecimento do empregador individual ou decretação de nulidade do contrato de trabalho – inciso II do art. 37 da Constituição Federal, quando mantido o direito ao salário.
    • Em casos de rescisão do contrato por culpa recíproca ou força maior.
    • Quando da aposentadoria.
    • Em casos de necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural previsto no Decreto 5.113/2004, que tenha atingido a área de residência do trabalhador, quando a situação de emergência ou o estado de calamidade pública for assim reconhecido pelo Governo Federal.
    • Em casos de suspensão do Trabalho Avulso.
    • Em casos de falecimento do trabalhador.
    • Em casos que o titular da conta vinculada tiver idade igual ou superior a 70 anos.
    • Em casos que o trabalhador ou dependente for portador do vírus HIV.
    • Em casos que o trabalhador ou dependente estiver acometido de neoplasia maligna – câncer.
    • Em casos que o trabalhador ou dependente estiver em estágio terminal, em razão de doença grave.
    • Em casos que a conta vinculada permanecer sem depósito por 03 (três) anos ininterruptos cujo afastamento tenha ocorrido até 13/07/90, inclusive;
    • Em casos que o trabalhador permanecer por 03 (três) anos ininterruptos fora do regime do FGTS, cujo afastamento tenha ocorrido a partir de 14/07/90, inclusive, podendo o saque, neste caso, ser efetuado a partir do mês de aniversário do titular da conta;
    • Quando da amortização, liquidação de saldo devedor e pagamento de parte das prestações adquiridas em sistemas imobiliários de consórcio;
    • Quando da aquisição de moradia própria, liquidação ou amortização de dívida ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional.
    Será um Filme repetido?

    Em 2017, todos se lembram da possibilidade de saque das contas inativas do FGTS, não é mesmo? Tal possibilidade foi autorizada na Medida Provisória 763/2016 que foi convertida em Lei sob o número 13.446/2017. Essa regulamentação legal trouxe, também, outras determinações.

    O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, como o próprio nome diz, é um fundo, e gera lucros. Diferentemente dos anos anteriores, a partir de 2017 em que foram distribuídos os lucros de 2016, em todos os anos os lucros serão distribuídos com os trabalhadores. A Lei prevê que seja distribuído a metade do lucro. Antes, todo o lucro ficava para o Governo Federal e para a Caixa Econômica Federal.

    Quem tem direito a receber os lucros e a "regra do jogo"

    A regra para ter direito é bastante simples: Todos os trabalhadores que tinham saldo positivo em 31/12/2017 (e assim nos demais anos) receberão a distribuição de 50% do lucro do FGTS até 31/08/2018. Em 2017 (referente ao ano de 2016) para cada R$1.000,00 foram creditados R$19,30. Isso significa, assim, um acréscimo de 1,93% na rentabilidade de 3% ao ano mais a Taxa Referencial. O lucro do FGTS em 2016 foi de 14,55 bilhões e foram distribuídos, assim, R$ 7,28 bilhões com os trabalhadores. Em 2017, 245,7 milhões de contas vinculadas receberam metade do lucro do FGTS. Ao todo, 88 milhões de pessoas receberam, o que significa uma média de 2,79 contas por trabalhador. Em 2016, o desempenho do fundo foi maior justamente pelo retorno dos títulos públicos por causa, principalmente, da taxa Selic mais alta.

    Evolução da Taxa Selic

    Fonte: Banco Central do Brasil

    A previsão dos valores relativos aos lucros de 2017

    Referente ao ano de 2017, a previsão é de que o lucro do FGTS seja menor. Um dos principais motivos da redução é a quantidade de saques das contas inativas. Afinal, o valor das contas inativas era, também, utilizado para os financiamentos habitacionais no Sistema Financeiro da Habitação, por exemplo. A previsão é de que o lucro seja em torno de R$ 12 bilhões, ou seja, R$ 6 bilhões serão distribuídos. Baseando no ano passado, serão creditados R$ 15,91 para cada R$ 1.000,00 de saldo no FGTS, o que representa 1,591% a mais na rentabilidade do FGTS. Porém, a quantidade de contas será menor, afinal, várias das contas inativas que tiveram direito aos lucros, hoje, estão com saldo zerado.

    O valor exato do lucro e a quantidade de contas terão o lucro creditado deve ser divulgado em julho de 2018 quando a Caixa Econômica Federal, responsável por administrar os recursos, publicar o balanço do FGTS.

    Valores definidos

    Em atualização a este post, trazemos os valores exatos da distribuição dos lucros do FGTS de 2017. Eles foram anunciados no dia 15 de agosto. O pagamento será creditado até 31 de agosto de 2018 nas contas vinculadas que tinham saldo positivo em 31 de dezembro de 2017.

    Em 2017, o FGTS teve R$ 12,46 bilhões de lucro. Assim, serão distribuídos R$ 6,23 bilhões aos trabalhadores. Receberão a distribuição um total de 258 milhões de contas ativas. O rendimento será de 1,72% em cima do saldo existente no dia 31 de dezembro de 2017. Assim, o trabalhador receberá R$ 17,2 para cada R$ 1 mil de saldo do FGTS. Um pouco menos referente em comparação com o lucro de 2016.

    Vamos por a mão na massa

    Agora, é só você conferir o seu saldo em 31/12/2017 neste link, pelo telefone 0800-726-2017 ou pelos aplicativos de smartphone do FGTS (Google Play / App Store / Windows Store) e fazer uma regra de 3 para saber quanto aproximadamente você terá direito. Faça as contas!

    O valor não é muito grande, mas, como dizem os antigos, "antes pingar do que secar". E, as regras para o saque da distribuição dos lucros seguirá as mesmas regras das possibilidades de saque.

    26 min
  • Ficou mais caro ter uma conta corrente!

    Ao abrir uma conta corrente, muitas pessoas não se atentam ao preço das tarifas bancárias. Mas, uma breve análise sobre os serviços oferecidos é suficiente para perceber o tamanho do impacto que o preço desses produtos tem no bolso dos correntistas.

    No post de hoje vamos te ajudar a entender melhor porque ocorrem oscilações no valor das tarifas bancárias e porque esse valor aumentou mais que o dobro da inflação, no período de 2016 para 2018.

    Além disso, vamos mostrar como poucos minutos gastos acompanhando as tarifas do seu banco podem nortear mudanças de conta corrente, ou até mesmo de bancos, com pacotes de serviços mais adequados à necessidade do correntista. Abordaremos também as contas digitais, que são uma boa alternativa para quem quer fugir das tarifas abusivas dos grandes bancos tradicionais.

    Por fim, falaremos um pouco sobre o pacote de serviços essenciais, que deve ser oferecido por todos os bancos, e a portabilidade de salários. O que pode ser cobrado? O que não pode? Saiba o que diz o Banco Central a respeito.

    Oligopólio no sistema financeiro

    Em abril deste ano, o Banco Central divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira.

    Dentre os dados apresentados, o relatório apontou que 83% dos ativos do sistema estão em poder de apenas cinco bancos: Banco do Brasil, Itaú, Unibanco, Caixa Econômica, Bradesco e Santander. Ou seja, há um grande oligopólio no setor financeiro.

    O mesmo acontece na área de telefonia, por exemplo. Existem aproximadamente quatro empresas que dominam o mercado. Quando o cliente está insatisfeito com algum serviço ele muda de operadora. Assim, ele consegue melhorar um pouquinho em determinados quesitos, com o ônus de piorar em alguns outros.

    Por outro lado, avaliando os relacionamentos financeiros, a situação é um pouco mais positiva para o consumidor, em comparação com a telefonia. Uma justificativa é o surgimento das Fintechs, que têm ampliado a concorrência no setor. Essas empresas de tecnologia, novas e menores, têm buscado prover serviços financeiros de qualidade. Isso dá ao cliente uma opção fora dos grandes bancos, tradicionais, que dependendo da variável dominam quase 90% dos negócios financeiros.

    Aumento do preço dos serviços bancários para conta corrente

    O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, IDEC, também realizou uma pesquisa a respeito dos serviços bancários. Um dos dados levantados mostra que aqueles consumidores que possuem conta corrente em algum banco pagaram, em junho deste ano, 14,16% a mais pelos pacotes de serviços financeiros, se comparado com o novembro de 2016. Ou seja, ficou mais caro manter uma conta corrente. O reajuste de 14,16% representa mais que o dobro da inflação no período, que foi de 5,8%.

    A desaceleração da economia somada ao endividamento das pessoas físicas e à dificuldade financeira enfrentada pelas empresas, em 2014, 2015 e 2016, fizeram com que os bancos reduzissem a concessão de crédito. Desde então, eles vêm buscando extrair os seus lucros de outras fontes, uma delas é o aumento da tarifa bancária.

    Essas instituições ainda possuem cerca 95% das contas correntes em suas mãos. Então esses cinco bancos citados anteriormente têm em média 20 ou 30 milhões de clientes. Assim, quaisquer R$5,00 ou R$10,00 a mais que forem aumentados num pacote de serviços significa muito dinheiro.

    Esses valores podem até parecer pouco num primeiro momento. Então se você, correntista, acha que não vale a pena se mexer por esses R$5,00 ou R$10,00, contabilize o acumulado do ano. Depois multiplique pelo número de anos que você é cliente desse banco. No final das contas, é muito dinheiro que sai do bolso do cliente para pagamento dessas tarifas.

    O banco pode corrigir as tarifas quantas vezes ao ano?

    Antes de corrigir as tarifas o banco deve avisar os correntistas com seis meses. Portanto, o banco pode praticar uma nova tarifa duas vezes por ano.

    Os bancos também precisam notificar o Banco Central como uma antecedência de seis meses. Geralmente eles pregam avisos na parede das agências ou colocam no site que está havendo um reajuste de tabela. Mas infelizmente a experiência mostra que a maioria dos clientes bancários sequer fica sabendo, mesmo depois que a cobrança ocorre.

    Mudanças nas relações entre o banco e seus clientes

    Atualmente muitas pessoas fazem tudo pelo celular ou pelo aplicativo. O público não tem ido mais com tanta frequência às agências e muitas delas vêm fechando nos últimos anos. Se pelo lado físico os bancos estão encolhendo, por outro o lucro dessas instituições tem aumentado. Ou seja, elas estão compensando a fuga dos clientes pras fintechs, que oferecem o conforto de fazer tudo pela internet sem filas, com o aumento das tarifas.

    No entanto, a reação dos bancos a essa mudança na demanda é um tanto quanto contraditória. Quando se tem mais clientes fazendo transações através dos canais eletrônicos, menores são os custos para o banco. Usar um canal virtual dispensa a manutenção de uma agência física, um caixa, a rede de segurança, permite reduzir o número de funcionários, dentre outros cortes de gastos. A transação eletrônica chega a ser um décimo do curso da transação tradicional.

    O que deveria estar acontecendo é o contrário do que as pesquisas apontam. Os custos dos serviços prestados deveriam estar caindo de preço, e não aumentando. Se mais pessoas estão transacionando, ou usando o banco através dos canais mais baratos é possível repassar essa redução de custo para os preços cobrados nas tarifas.

    Os incomodados que se retirem

    A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) argumentou que cada banco constrói sua estratégia comercial da maneira que julga mais adequada. Isso, desde que não infrinja a regulamentação do Banco Central, onde está dito que o que pode e o que não pode ser cobrado.

    Aqueles que quiserem fugir das tarifas altas demais podem procurar em outro banco. Mas infelizmente esse é um processo que leva o consumidor a ponderar ônus e bônus, assim como no caso das empresas de telefonia. Muitas vezes, o resultado acaba sendo a escolha do banco "menos ruim".

    Existe também a opção de procurar as contas digitais. Aqui no Educando Seu Bolso nós oferecemos um Simulador de Contas Digitais. Uma ferramenta que te ajuda a escolher uma conta corrente adequada, dado o tipo de perfil que você tem e o volume de serviços que você consome.

    Por que os grandes bancos também não aderem a contas digitais?

    Houve um momento em que os bancos tentaram aderir a essa modernização, criando contas digitais. No entanto, logo em seguida eles pararam de se movimentar nessa frente.

    Uma explicação possível é a de que as contas digitais estavam reduzindo o lucro que o banco obtinha por meio da cobrança de tarifas. Isso porque os clientes estavam migrando da conta corrente tradicional para essas contas digitais.

    Então, hoje encontram-se contas digitais com mais facilidade fora dos grandes bancos. Alguns bancos até oferecem essa opção. Mas é a mesma estratégia de uma famosa rede de farmácias, por exemplo. Para que o cliente chegue até o remédio procurado, ele passa por uma série de outros produtos, onde a empresa aufere maiores margens de lucro.

    Como mudar essa situação?

    Primeiro, é preciso continuar fazendo pressão para que o sistema financeiro seja cada vez mais concorrencial. Ou seja, para que haja um acirramento da competição e que os bancos tenham interesse em oferecer produtos cada vez melhores, a custos cada vez mais baixos. Isso é uma frente social/política.

    Num âmbito mais individual é possível tomar atitudes com mais agilidade. O preço médio de um pacote de serviços oferecido por um banco é de aproximadamente R$50,00 por mês. Valor que ao final de um ano gera um montante de R$600,00. O que é um preço muito alto considerando que o cliente bancário tem direito a um pacote de serviços essenciais gratuito, que todo banco é obrigado a oferecer. Vale ressaltar que muitas contas digitais em bancos menores também são gratuitas.

    Pacote de serviços essenciais: uma conta corrente sem tarifas

    A resolução 3919 do Banco Central prevê que todos os bancos ofereçam um pacote de serviços essenciais gratuito. Neste pacote estão inclusos:

    • Dois saques por mês, em guichê de caixa ou em terminal de autoatendimento;
    • realização de transferências para contas depósito na mesma titularidade;
    • fornecimento de extrato contendo a movimentação do últimos trinta dias por mês.

    Talvez esse pacote não atenda algumas pessoas, que necessitam de mais serviços ou de fazer mais operações. Para isso há outros pacotes e esses outros, sim, podem ser cobrados.

    Pode acontecer que, ao abrir a conta corrente, o gerente do banco não avise ao correntista que existe essa opção, apresentando apenas os pacotes pagos. Para contornar essa situação, basta que o cliente ligue e abra uma reclamação sobre o atendimento. Além disso, é possível solicitar o pacote de serviços essenciais por telefone ou e-mail.

    E os serviços adicionais?

    Essa mesma resolução também compele os bancos a padronizarem a oferta de serviços adicionais. Para ir além do pacote de serviços essenciais, os bancos devem padronizar os pacotes pagos em quatro categorias.

    Esses pacotes padronizados de serviços vão crescendo em número de serviços oferecidos. Analogamente a um carro que possui versões 1.0, 1.6 e 2.0. Cada uma, obviamente, é mais cara que a outra. A existência dessa padronização foi a forma adotada pelo Banco Central para facilitar a comparabilidade entre as instituições financeiras.

    Antes da padronização, cada banco compunha a sua cesta de serviços de uma forma diferente. Portanto, o cliente não conseguia comparar com precisão os produtos oferecidos. Agora, com esses serviços padronizados em pacotes 1, 2, 3 e 4, o consumidor consegue saber rapidamente se o banco A é mais barato que o banco B. Você pode conferir o que cada pacote oferece no próprio site do Banco Central. A variação entre os valores máximos e mínimos dos pacotes de serviços é muito alta. O mais caro pode chegar a custar 10x mais que o mais barato.

    A tabela abaixo compara esses quatro tipos de pacotes padronizados nos cinco grandes bancos citados no início do post.

    Fonte: Banco Central

    Percebe-se que para todos os pacotes a conta corrente da Caixa Econômica Federal é a mais barata. A conta corrente do Santander apresentou-se como a mais cara nos pacotes 1, 2 e 4, sendo a conta corrente do Itaú a mais cara do pacote 3. A conta corrente do Banco do Brasil e a conta corrente do Bradesco, possuem valores intermediários para todos os tipos de pacotes, em comparação com os outros três bancos.

    Você sabe quanto paga de tarifas pela sua conta corrente?

    Por fim, fica o alerta para você, leitor. Se você não sabe quanto está pagando de tarifa bancária, verifique! No seu extrato vem discriminado. O banco é obrigado a oferecer uma opção de consulta. Esse serviço pode estar disponível em algum aplicativo, internet banking ou mesmo no caixa automático.

    Busque saber o quanto pagou no consolidado do ano anterior em tarifas bancárias. Olhe o extrato desse mês. Se achou algo estranho ou não se lembra se era isso mesmo no ano passado, procure a opção "consolidado tarifas do ano anterior". Assim você será capaz de saber o quanto pagou ao longo do ano. Esses valores podem chegar a ser bastante significativos.

    Gastar alguns minutos fazendo esse exercício também pode te dar uma base comparativa para buscar serviços mais baratos, seja em outros bancos ou nas contas digitais.

    Portabilidade de salários

    Outra forma de economizar dinheiro pagando tarifas mais baixas é a possibilidade de portar salários para contas de pagamento. A portabilidade de salário existe desde 2007 e em 2014 houve uma reformulação.

    Antes dessa reforma o correntista tinha que negociar com o banco em que tinha conta para que ele emitisse uma liberação, possibilitando a portabilidade. O banco, por sua vez, muitas vezes utilizava-se dessa premissa para impedir a migração do cliente.

    Hoje, o responsável por assinar essa autorização é o banco novo. Assim, o banco para onde o correntista quer ir é que vai se incumbir de negociar com o banco antigo. Dessa maneira, os bancos grandes negociam entre si, e a chance de o cliente ser prejudicado é menor.

    É importante lembrar que o banco não pode cobrar tarifas sobre as contas salário. As operações disponíveis para o cliente são mais limitadas, mas as tarifas não podem ser cobradas.

    Portabilidade de salários para contas de pagamento

    No meio deste ano, começou a valer a possibilidade de portar salário também para contas de pagamento.

    Essas contas não pertencem a bancos. Elas podem ser encontradas nas fintechs. Por exemplo, na PagSeguro é possível ter uma maquininha em um determinado negócio e um cartão pré-pago, onde há a possibilidade de consultar o saldo de recebimentos na própria maquinha.

    Dessa maneira é possível deixar de receber salários nos grandes bancos e passar a receber em uma conta de pagamento como na PagSeguro, no Mercado Pago, Nuconta, entre outros. Existe uma série dessas pequenas instituições, que já concentram uma grande parte do relacionamento bancário hoje de autônomos, microempreendedores individuais, e pequenas empresas.

    Esse tipo de iniciativa ajuda a ampliar a concorrência no mercado financeiro. É um ponto fundamental para que as notícias apresentadas no começo do post se esvaziem. Impedindo, assim, que os bancos reajustem novamente as tarifas de 2018 para 2019 em 16% ou 17%, mordendo ainda mais o dinheiro do cidadão.

    Conclusão

    Muita gente evita ao máximo as idas frequentes ao banco, mas o melhor mesmo é evitar gastar mais dinheiro que o necessário. Pesquise o quanto você paga de tarifas no seu banco e compare com o que os outros bancos e contas digitais oferecem. Descubra se há a possibilidade de migrar sua conta corrente para uma instituição que oferece um custo-benefício melhor.

    Outra maneira de tomar uma atitude é formalizar uma declaração no Banco Central quando se sentir lesado. Lá as reclamações estão ranqueadas em uma lista que é divulgada mensalmente. No caso dos serviços bancários, esse tem sido um recurso apenas para algumas reclamações pontuais.

    Portanto, não fique acomodado! Ouça o podcast, teste as ferramentas e para dúvidas, comentários ou sugestões, entre em contato com a gente! Estamos aqui para te ajudar.

    Até a próxima!

    23 min
  • Brasileiro precisa começar a construir poupança!

    "Trabalhador planeja se aposentar antes dos 65 anos". Essa é a chamada de uma pesquisa encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FENAPREV) ao Instituto IPSOS. Foram ouvidas 1.200 pessoas, com idades entre 16 e 60 anos, de 72 municípios brasileiros. Segundo o estudo, metade dos brasileiros pretende se aposentar até os 64 anos. Por outro lado, 48% não souberam responder qual seria o valor da aposentadoria que receberiam. Além disso, 60% dos entrevistados consideram necessário fazer uma poupança ou um plano complementar de previdência. Contudo, 55% não foram capazes de informar o percentual do salário que estariam dispostos a poupar por mês para garantir a aposentadoria.

    Esses dados são bastante preocupantes. Os resultados evidenciam uma certa contradição no comportamento do cidadão. Percebe-se que, ao mesmo tempo em que a necessidade de garantir um bom fluxo de renda no futuro é reconhecida, existem um imediatismo e uma desorganização financeira, que impõem empecilhos para que esse objetivo seja alcançado.

    Neste post, vamos falar sobre estes e outros dados que mostram o brasileiro em posição muito ruim, quando o assunto é preparação para aposentadoria. Por que isso acontece? Você verá que não é só porque somos um país ainda em desenvolvimento. Há fatores comportamentais.

    Além disso, falaremos sobre como constituir reservas financeiras de curto, médio e longo prazos. Como separá-las? Em que aplicar? Pretendemos provocar os brasileiros a planejarem melhor sua vida financeira. Além de apresentar dicas bastante práticas para construir uma poupança sólida para o futuro.

    Ao final, respondemos uma oportuna pergunta de um ouvinte, que tem um dinheiro para receber e pede sugestões sobre onde aplicar.

    A pesquisa do Banco Mundial

    O Banco Mundial também fez recentemente uma pesquisa que aborda o planejamento da população para a aposentadoria. O estudo foi realizado com 150 mil pessoas, das quais 1.000 são brasileiras.

    Como resultado, concluiu-se que, em 2017, apenas 6% dos brasileiros entre 15 e 24 anos de idade tinham dinheiro guardado para a velhice. Levando em consideração todas as faixas etárias, esse índice foi de 11%.

    Nosso país foi 101° colocado entre 144 países pesquisados, ficando atrás de nações muito pobres como Filipinas, Bolívia e Mali. Além de estar abaixo da média dos países em desenvolvimento

    Uma questão mais comportamental que econômica

    Os dados sinalizam que essa é uma questão comportamental. O Brasil em 101° lugar – e, em outros estudos, ainda pior ranqueado – demonstra que isso não é apenas consequência da pobreza. Estamos atrás de vários países bastante mais pobres do que nós.

    Além disso, estamos abaixo da linha média dos países em desenvolvimento. Não estamos nos comparando com países desenvolvidos ou mais ricos, mas sim com o segmento de que o Brasil faz parte. Portanto, não se pode atribuir esse resultado apenas à condição sócio-econômica.

    Aqui no blog vemos exemplos de pessoas que muito cedo, ou ganhando muito pouco, já conseguem se preparar para criar uma poupança para futuro. Então, o fator socioeconômico pode até pesar um pouquinho. Mas o que essas duas pesquisas apontam, e o que nós também vemos por experiência no Educando Seu Bolso, é que esse comportamento vem de uma mistura de fatores.

    Mesmo quando se reconhece a necessidade de poupar para emergências ou mesmo para a aposentadoria, existe uma lacuna que impede a operacionalização desse pensamento. Dentre essas barreiras podemos citar, por exemplo, o despreparo, a falta de educação financeira para o cidadão e de domínio da própria matemática.

    Dado o estado calamitoso das finanças públicas do país, as perspectivas são de que daqui a 20 ou 30 anos a capacidade financeira do Estado para prover benefícios sociais será bastante reduzida. Vide todas as discussões que estão acontecendo sobre reforma da previdência. Portanto, é imprudente confiar que lá na frente o governo consiga carregar o peso desse envelhecimento populacional. Mais que nunca, cada um de nós precisa cuidar de seu próprio futuro. E é para já.

    Como começar a fazer uma poupança?

    Primeiramente é preciso entender que, quando dizemos poupança, não nos referimos à Caderneta de Poupança. Poupança é reserva financeira. Essa reserva pode até ser feita por meio da Caderneta de Poupança, mas também pode ser construída por diversos outros tipos de aplicação.

    Dito isso, para construir uma poupança sólida e adequada às expectativas do poupador, é necessário pensar o quanto você precisa para manter seu padrão de vida no futuro.

    Pondere os gastos. Se por um lado os custos com plano de saúde, remédios e despesas médicas auxiliares irão aumentar, por outro você vai deixar de gastar com a escola dos seus filhos e viagens muito intensas.

    Dá trabalho se planejar financeiramente. Mas é um trabalho que compensa muito, e pode render frutos mais rápido do que você imagina. Para garantir um futuro seguro e tranquilo, ter organização e disciplina é fundamental.

    Passo a passo para uma poupança bem feita

    Aqui no Educando Seu Bolso já escrevemos alguns posts que podem te ajudar a manter suas finanças organizadas, como o Método dos Envelopes. De maneira geral, construir uma poupança estruturada se resume a três passos:

    1. Estabeleça objetivos para o curto prazo e escolha a aplicação mais adequada para isso. Não adianta ter uma reserva de longo prazo, para ser retirado daqui a 30 anos, se você daqui a seis meses precisar capitalizar esse dinheiro para alguma urgência. Se a reserva foi pensada para o longo prazo, utilizá-la no curto prazo pode custar caro. Assim, dê preferência para aplicações mais líquidas, que não vão pesar no bolso e cobrar taxas absurdas para retirar o dinheiro a qualquer momento. Por exemplo, Tesouro Selic, ou fundos de Renda Fixa e CDB com liquidez diária.
    2. Estabeleça como segundo objetivo uma reserva financeira de médio prazo. Aquele dinheiro que pode ser usado, por exemplo, para trocar de carro daqui a cinco anos. Sempre analisando qual o investimento que mais se encaixa com esse objetivo. Alguns títulos do Tesouro Direto com vencimento no médio prazo, ou CDBs de baixa liquidez podem ser adequados.
    3. Por fim, construa a poupança para a sua aposentadoria investindo no longo prazo. É preciso ter mais paciência com a performance desse tipo de investimento. Aplicações mais arriscadas que podem não performar bem no curto prazo porque foram talhadas para render bem no longo prazo. Na sequência falaremos mais sobre aplicações para o longo prazo.

    Dessa maneira, você poderá escolher os instrumentos financeiros mais adequados a cada um dos seus objetivos. Com perfis de risco e prazo de maturação diferentes. Assim, você vai poder até mesmo buscar uma renda extra ou deixar de fazer um gasto por impulso, por querer estar sempre colocando um pouquinho em cada um desses objetivos.

    "Mas eu não consigo poupar nem para um objetivo, imagina para três"

    Esse é um grande desafio para o ser humano: estabelecer metas e se pré-dispor a cumpri-las. É um exercício tanto necessário quanto recompensador, que vai fazer toda diferença no futuro. Obviamente, no começo será preciso dividir pouco dinheiro em três "gavetas". Mas mesmo que sejam R$10,00, R$20,00, R$50,00, já está valendo.

    Se você não tem reserva financeira de curto prazo, deixe de lado a aposentadoria por enquanto. Primeiro crie uma poupança de curto prazo. O Brasil ainda está passando um momento difícil e é fundamental conseguir manter a sua vida mesmo que imprevistos aconteçam.

    A poupança permite que você previna e contorne essas intempéries sem precisar tomar empréstimos, que é o que leva muitas pessoas a parar na lista de negativados.

    Outras formas de construir uma poupança para a aposentadoria

    O teto da Previdência hoje é de R$5.645,81. É bastante possível receber esse valor, ou até mais, mesmo sem contribuir mensalmente para a previdência social.

    Uma pesquisa do Banco Central apontou que apenas 1,9% dos brasileiros têm plano de previdência privada. Esse é mais um sinal de como o brasileiro não se prepara financeiramente para o longo prazo. Porém, a previdência privada não é a única – e, em muitos casos, nem a melhor – forma de se poupar para a aposentadoria por conta própria. É possível fazer isso de muitas outras formas.

    Para isso, é imprescindível separar uma reserva, começar o quanto antes, mesmo que com pouco dinheiro, e aplicar com segurança. Escolher bem a aplicação e ter disciplina são pontos fundamentais. Se você está aplicando para longo prazo, não é necessário, nem recomendável, ficar olhando o rendimento disso todo dia.

    Aqui no Educando Seu Bolso nós temos um Simulador de Aposentadoria gratuito, que te permite saber quanto você precisa investir, dada sua faixa etária, para poder receber esse teto de R$5.645,81. Para aqueles que querem se aposentar mais cedo é possível pendurar as chuteiras antecipadamente com uma reserva financeira própria.

    Um alerta para a situação financeira do brasileiro

    Alguns outros dados da pesquisa do Banco Mundial valem a pena ser citados.

    32,5% da população brasileira conseguiu poupar nos últimos 12 meses. Isto é muito pouco, menos de um terço. Mais uma vez o Brasil está mal ranqueado, 15º entre 19 países americanos, alguns bastante mais pobres do que a gente. Em termos de finanças nós estamos acomodados com uma situação muito ruim.

    A pesquisa perguntou ainda aos brasileiros se eles teriam condições de desembolsar R$1.400,00 para realizar uma despesa extra. Como resultado, mais da metade da população brasileira considerou impossível obter esse dinheiro. Nesse quesito o Brasil ficou em 107° lugar, dentre os 144 países pesquisados, sendo que essa quantia (R$ 1.400,00) foi estabelecida tendo como base o PIB de cada país.

    Esse é um sinal muito preocupante para as finanças do brasileiro. Isso pode ajudar a entender porque o cheque especial, nomes negativados e taxas do cartão de crédito têm um impacto tão grande no bolso do cidadão.

    A pergunta do Rubens

    Oi, Frederico. Eu tenho que receber o reembolso da poupança do Plano Collor e do Plano Verão. Devo deixar esse dinheiro na Caderneta de Poupança?

    Agradecemos a participação do ouvinte e ficamos felizes por ele estar recebendo um dinheirinho legal.

    Contextualizando, esse é um dos casos em que a correção da Poupança não foi feita devidamente. Os Bancos ficaram com uma boa parte do dinheiro dos poupadores. Alguns deles entraram na justiça e recentemente houve acordo em que os bancos se dispuseram a devolver esse dinheiro.

    A Caderneta de Poupança não é a melhor aplicação financeira de baixo risco. Outras aplicações como o Tesouro IPCA+, que tem um pouquinho mais de risco, ou o Tesouro Selic, que no quesito segurança se iguala à Poupança, possuem rendimentos melhores. Além disso, outros investimentos como CDB, LCI e LCA tendem a render um pouco mais e possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, de até R$250.000 no vencimento.

    Existem também as plataformas de investimento, como as corretoras de valores e os robôs de investimento, que possuem estruturas de aplicações financeiras seguras. Seu dinheiro fica na conta de corretora em seu próprio nome eles não mexem nos seus recursos, mas te dão uma recomendação de investimento.

    Sem conhecer o perfil do Rubens seria imprudente dar uma orientação mais detalhada. Mas ficam dois convites para ele. O primeiro é usar nosso Simulador de Investimentos. Ele apresenta algumas das melhores opções em Renda Fixa. É gratuito e muito fácil de usar. O segundo é escrever para nós aqui no Educando Seu Bolso, dizendo bem qual é o seu perfil, quando e para que pretende usar esse dinheiro, para que a gente consiga ser um pouco mais específico.

    Conclusão

    Os dados não são nada animadores, mas brasileiro que é brasileiro não desiste nunca, e nem deve!

    Precisamos começar a correr atrás de uma educação financeira de qualidade, aprendendo desde cedo a importância de construir uma poupança e planejar o futuro. Isso, para que possamos gozar de uma aposentadoria tranquila, com qualidade de vida na velhice.

    Nós do Educando Seu Bolso estamos sempre à disposição para dúvidas, sugestões e comentários. Entre em contato com a gente, teste os simuladores e ouça o podcast para saber mais.

    24 min
  • Tesouro Nacional: vender ou esperar o vencimento?

    O baixo desempenho dos investimentos em renda fixa vem preocupando boa parte dos investidores. As pessoas estão acostumadas a ver suas aplicações nessa modalidade rendendo positivamente, nem que sejam juros bem pequenos. Sendo assim, era quase inimaginável pensar em uma variação negativa para aplicações como os títulos do Tesouro Nacional.

    No entanto, na semana passada trouxemos aqui o exemplo do Marcelo. Ele estava receoso após notar o rendimento negativo da previdência privada dos pais, gerenciada por ele, no Brasilprev. E na minha conversa com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência, nós aproveitamos a dúvida de outro ouvinte, sobre o Tesouro IPCA+, para dar continuidade à discussão sobre possibilidades de perda nos investimentos em renda fixa.

    No post de hoje iremos abordar de uma maneira mais aprofundada a modalidade de investimento nos títulos do Tesouro Nacional indexados à inflação (Tesouro IPCA+), os riscos que eles apresentam e estratégias para lidar com eles. Além disso, aproveitamos a dúvida de outra ouvinte para esclarecer o conceito de taxa de carregamento nos planos de previdência privada.

    A dúvida do Edison

    Desde o começo do ano iniciei meus investimentos no tesouro IPCA + 2035 porém, olhando as informações mensalmente eu estou perdendo dinheiro gostaria de confirmar se realmente é isso mesmo.

    Ele acrescentou as seguintes informações: o investimento feito foi de R$10.586,44. Ao conferir o extrato viu que agora ele tem R$9.396,32. Ou seja, R$1.200,00 a menos.

    Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao Edison por enviar esta dúvida. Ela nos dá a oportunidade de falar sobre esse assunto mais uma vez, complementando a conversa iniciada na semana passada.

    Segundo, percebe-se que, seja com planos de previdência privada como o BrasilPrev, seja com o Tesouro IPCA +, existe a possibilidade de ter perda de capital mesmo nos investimentos em renda fixa, considerados mais seguros. Não só baixo rendimento, mas também a diminuição do valor inicial, que foi o que aconteceu com o Edison.

    Como funciona a modalidade IPCA+ do Tesouro Nacional?

    O Tesouro IPCA+ é uma forma de aplicação no Tesouro Nacional em que o investidor recebe uma taxa de juros pré determinada mais o índice inflacionário IPCA.

    O título comprado pelo Edison é o Tesouro IPCA + 2035. O número indica o ano em que ele vence, isto é, 2035. Então, no começo do ano, quando o Edison comprou o título, ele estava rendendo a inflação mais 4,8% ao ano. Esta era a remuneração oferecida pelo Tesouro Nacional na época. Isso significa que o título comprado em 2018 vai render até 2035. Ao final desses 17 anos, o investidor receberá o equivalente à inflação mais 4,8%, por cada ano. A outra opção é vender o papel antecipadamente, ou seja, antes de 2035, ao preço de mercado. Nesse caso, o que acontece?

    Os riscos dos títulos do Tesouro Nacional indexados à inflação Contextualizando

    Para entender como é possível perder dinheiro nesse tipo de aplicação é preciso voltar o olhar para o contexto da economia nacional. No começo do ano o céu estava azul, limpo. Estimava-se que o PIB do Brasil iria crescer 3%, o dólar estava custando em média R$3,40. A bolsa estava a 80 mil pontos… O próximo presidente iria fazer todas as reformas e o Brasil iria reduzir o déficit. Uma maravilha! O mercado estava de bem com a política e os rumos do país.

    Passados 3 ou 4 meses, tudo mudou da água para o vinho. A bolsa de valores caiu em mais de 10 mil pontos. O Dólar subiu para cerca de R$4,00. E uma onda de desconfiança muito grande pairou sobre mercado.

    E o título do Edison nessa história?

    Bom, o Edison comprou juros. Diferentemente do Tesouro Selic, que não varia negativamente nunca, rendendo sempre uns centavinhos aqui e ali, todo dia, de acordo com a Selic, o título do Tesouro Nacional indexado à inflação tem um pouquinho de risco. Não é um risco muito alto, de perder todo o dinheiro do dia para a noite. São riscos momentâneos.

    Existe um valor fixo para receber em 2035, mas o trajeto até lá é tortuoso. Há momentos de mais ganho, do que os 4,8% de juros além da inflação. E há momentos de menos ganho, que é justamente o momento que estamos vivendo.

    Agora o valor dos títulos dele é de R$9.396,32 porque o mercado está negociando esse mesmo título hoje pagando inflação + 5,7% ao ano. Logo, o ativo oferece juros maiores do que esse mesmo papel no início do ano, rendendo mais do que o foi comprado pelo nosso leitor, fazendo com que o dele se desvalorize.

    É como se você comprasse um carro e, antes mesmo de tirá-lo da concessionária, a montadora lançasse ao mesmo preço um carro com motor muito mais potente e com muitos outros incrementos. Então o carro que você acabou de comprar automaticamente se desvaloriza.

    Refazendo as contas com a Calculadora do Tesouro Nacional

    O site do Tesouro Nacional oferece uma calculadora que permite ao investidor fazer simulações a avaliar o comportamento dos títulos. O próprio Edison poderia ter feito essa simulação para conferir seu extrato. Fica a dica para o leitor, que também pode fazer o mesmo.

    Usando essa ferramenta do Tesouro Nacional para refazer a conta, foi possível concluir que realmente é isso mesmo. O valor do título em questão hoje é esse mesmo, de R$9.396,32. Portanto, momentaneamente existe um prejuízo (que não é uma multa, mas é uma perda). Se for realizada a venda antecipada desse papel, para capitalizar o dinheiro agora, o prejuízo se concretiza em aproximadamente R$1200,00.

    De maneira análoga, é como se você investisse num projeto de longo prazo. Por exemplo, a construção de um condomínio. Ao emprestar o dinheiro para a construtora, que no caso é o governo, ela promete te pagar um valor fixo ao final do projeto. Mas se você quiser sair no meio do caminho, vai levar uma multa. Então você pode sair no meio do caminho com um prejuízo, que são esses R$1.200,00, se o resgate for realizado agora.

    Essas vantagens oferecidas para quem faz a retirada apenas no final do prazo é mais ou menos parecida com a história do Brasilprev da semana passada. O Marcelo fez um plano de previdência que tem benefícios no longo prazo. Por exemplo, diluir a taxa de carregamento, não ter o famoso "come-cotas" no longo prazo e de ter uma tabela de Imposto de Renda favorável.

    Tem alguém errado?

    Não, isso é a lei da oferta e demanda. O valor dos investimentos oscila todo dia. Vez ou outra vê-se notícias sobre o Tesouro Nacional como: "hoje o programa está interrompido porque houve uma volatilidade muito grande". Às vezes o programa é fechado durante algumas horas durante o dia, porque há uma grande variação nos preços. Quem está errado não é o sistema. Há uma responsabilidade no caso do investidor, de ele mesmo programar o horizonte temporal das suas aplicações.

    E se ele for paciente e esperar 2035?

    Vamos estimar uma inflação de três ou quatro por cento ao ano durante 17 anos, mais os 4,8% de juros durante 17 anos. O montante final pode dobrar ou até triplicar! Mas se ele quiser tirar o dinheiro agora, vai ter um prejuízo de R$ 1200,00. Então, se realmente for necessário sair no meio do caminho, o ideal é esperar o momento em que o prejuízo seja mitigado.

    A importância de planejar o investimento

    Nota-se, ou pelo menos pode-se inferir pelo comportamento de checar todo mês o extrato do investimento, que o foco do Edison não está em 2035, mas na rentabilidade mensal de curto prazo.

    Então, ao investir em um papel do Tesouro Nacional com um prazo muito longo para o vencimento, a recomendação é que você se faça as seguintes perguntas:

    -Sua intenção é realmente fazer uma aplicação de longo prazo?

    -Se sim, você está preparado para usar esse dinheiro somente lá na frente?

    Vamos supor que esse montante seja uma reserva de aposentadoria para daqui a 17 anos. Então não fique olhando no relógio. Se você está correndo uma maratona, não fique olhando no GPS toda hora. Siga o seu planejamento, olhar no relógio não vai te ajudar. Esse título vai render bastante em 17 anos, quase triplicando o valor inicial e cumprindo seu objetivo de ganhar da inflação em 4,8% e aumentando seu poder de compra no futuro.

    No caso do Edison, se a aplicação foi bem feita e se está condizente com seu perfil de risco. Ou seja, se ele não é conservador ao extremo e tolera estas desvalorizações de curto prazo, em benefício de uma rentabilidade maior no final, minha sugestão é que não faça nada. Fique tranquilo!

    A dúvida da Marília O que é taxa de carregamento nos planos de previdência privada?

    Mais uma vez gostaria de agradecer pela excelente pergunta e parabenizar a leitora por se interessar pelos custos que as aplicações financeiras têm.

    Essa taxa é descontada dos investimentos na largada. Por exemplo, quando você faz um investimento no plano de previdência de R$100,00, que tem uma taxa de carregamento de três por cento, significa que apenas R$97,00 dos R$100,00 que você investiu vão ser creditados na sua conta de previdência. O banco – ou a seguradora ligada ao banco – que administra esse plano de previdência já abocanha essa taxa de carregamento no momento em que você investe. Assim, a incidência da remuneração passa a ser sobre os R$97.

    E existem variações. Além da tradicional taxa de carregamento na entrada, ela pode ocorrer na saída. Essa é uma taxa de carregamento que se aplica, por exemplo, a quem permanecer no plano de previdência por menos do que dois ou três anos, dependendo do plano e sendo cobrada apenas no final

    A percentagem incide sobre o valor. Logo, se o valor cresceu, até o final do prazo essa percentagem vai representar o valor nominal final também maior. Por exemplo: três por cento sobre R$110,00, no futuro, serão R$3,30 e não R$3,00. Assim, o banco faturou trinta centavos a mais. Mas isso é uma maneira de tentar te manter no plano durante algum tempo.

    Portabilidade Entre os Planos de Previdência Privada

    A dúvida da Marília também traz outras questões. Uma delas é a possibilidade de fazer portabilidade de planos de previdência privada. A ideia de que é possível pegar o seu dinheiro e levar de uma seguradora para outra está ficando um cada vez mais disseminada. No intuito de não perder o cliente, os bancos ou seguradoras passam a oferecer benefícios para eles não migrem seus investimentos para outras instituições. Um exemplo é o que acabamos de citar: se o cliente permanecer no plano por três anos, pode não pagar a taxa de carregamento, apenas a taxa de administração é cobrada.

    Essa taxa gira em torno de 1,5% ou 2%. Está caindo, mas ainda continua relativamente salgada, dependendo do caso. É importante ficar atento não só ao carregamento, mas também à taxa de administração que o plano de previdência cobra.

    Conclusão

    A partir do estudo de caso que acabamos de apresentar e do momento que estamos vivendo na economia nacional, cabe ressaltar a importância de se alinhar os investimentos às necessidades do investidor.

    Existem muitas possibilidades de aplicação. O próprio Tesouro Nacional oferece pelo menos três. Cabe ao investidor analisar qual se encaixa melhor em cada um de seus objetivos financeiros. Ele deve levar sempre em consideração o curto, o médio e o longo prazo. Aqui no Educando Seu Bolso nós oferecemos um Simulador de Renda Fixa gratuito. Ele compara os títulos públicos com alguns títulos privados e até mesmo com a Caderneta de Poupança, e pode te ajudar a traçar estratégias para seus investimentos.

    Além disso, é importante frisar que é fundamental ficar atento às taxas e impostos que incidem sobre esses ativos. É bom ter em mente, por exemplo, quais deles são isentos de Imposto de Renda. E é muito importante também avaliar se não existe a possibilidade de migrar para uma aplicação melhor.

    Agradecemos mais uma vez a participação do Edison e da Marília. E fica o convite para todos os leitores que quiserem contribuir, tirar dúvidas, ou buscar esclarecimentos: entrem em contato com a gente! Teste as ferramentas e ouça o podcast para saber mais!

    22 min

About Educando Seu Bolso

From the publisher's feed

O Educando Seu Bolso é um portal criado por profissionais do mercado financeiro justamente para quem não é do mercado.