Educando Seu Bolso

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By Frederico TorresBusinessInvesting
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Educando Seu Bolso episodes

  • Controle financeiro: empresas auxiliam funcionários

    Na nossa participação desta semana no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, falamos sobre como algumas empresas auxiliam seus funcionários a ter controle financeiro. Todos nós sabemos que muita gente tem dificuldade em cuidar bem do próprio dinheiro. Sabemos também que problemas financeiros são capazes de tirar o sono das pessoas. Pois bem, as empresas têm percebido que funcionários financeiramente organizados geram melhores resultados. Assim, elas próprias têm investido tempo e dinheiro em estimular que seus colaboradores tenham melhor controle financeiro pessoal.

    Esta postura vem se tornando cada vez mais comum em outros países, como os Estados Unidos. Mas, aos poucos, vai chegando também ao Brasil. E não é para menos. Afinal, motivos para isso não faltam:

    • O trabalhador brasileiro está mais sujeito ao descontrole financeiro do que o americano. De modo geral, ganha menos, recebe menos educação formal e tem menos acesso a serviços financeiros de qualidade.
    • Ajudar os funcionários a ter mais controle financeiro não precisa custar caro para as empresas.
    • O retorno desse investimento acontece de diversas formas diferentes.

    Ao longo desse texto vamos detalhar cada um desses pontos.

    Pesquisa

    Nosso amigo Pedro Vieira apresentou, durante o programa, os resultados de uma pesquisa feita nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, 46% das pessoas acham que a falta de dinheiro é o grande fator de stress no dia a dia.

    Os outros fatores citados ficaram bastante distantes dos problemas financeiros: 17% afirmam que o trabalho é a grande fonte de stress, 15% citaram os relacionamentos afetivos, 14% os problemas de saúde e 8% mencionaram outros motivos.

    Se a falta de controle financeiro afeta tanto a vida das pessoas, evidentemente interfere em seu desempenho no trabalho. Afinal, por melhor profissional que alguém seja, é difícil se desligar totalmente das preocupações pessoais para se dedicar de corpo e alma ao trabalho.

    E no Brasil?

    Uma pesquisa deste tipo, se feita no Brasil, provavelmente trará resultados um pouco diferentes. Problemas de segurança pública, por exemplo, certamente são citados por muitos entrevistados, especialmente os que vivem em cidades grandes e médias. Mas os problemas financeiros têm destaque também.

    Em primeiro lugar, porque o trabalhador brasileiro ganha menos do que os de países desenvolvidos. Os salários são menores e, por isso, os gastos para a simples sobrevivência representam uma fatia maior dos rendimentos das famílias.

    Além disso, o Brasil é um país mais instável que outros. A economia é muito sujeita a crises, o que afeta o mercado de trabalho como um todo.

    Soma-se a isto o fato de o brasileiro receber menos educação formal. Isso dificulta tudo. Faz, por exemplo, com que a pessoa não tenha familiaridade com números. Mesmo que o controle financeiro não exija da pessoa muito mais do que somar e subtrair, muitas pessoas têm aversão à matemática.

    A pouca educação formal faz também com que algumas pessoas não se informem corretamente sobre seus deveres e direitos, não compreendam as condições dos serviços que contratam e não busquem ter padrões de organização em suas vidas.

    Por tudo isso, as empresas podem e devem estar atentas a eventuais dificuldades de seus colaboradores em relação ao controle financeiro, e se prontificar a ajudá-los.

    Controle financeiro: o que as empresas podem fazer?

    Existem várias iniciativas que as empresas podem adotar para ajudar seus colaboradores a ter mais controle financeiro. E muitas delas podem custar bem pouco.

    O primeiro passo, antes de fazer qualquer coisa, é conhecer os funcionários. Saber como anda sua vida financeira e identificar eventuais problemas que possam estar acometendo a alguns ou vários deles.

    Isso pode ser feito de várias formas. Desde simples conversas informais no dia a dia até eventos mais estruturados, como uma palestra sobre gestão de finanças pessoais. A melhor forma vai depender do perfil da empresa e dos funcionários.

    A partir daí a empresa poderá mapear a situação, identificar problemas e pensar em soluções adequadas. Que também poderão ser de diferentes formas, quer ver?

    Palestras

    Uma palestra inicial pode incentivar os colaboradores a se interessarem pelo tema ou, se for o caso, a externarem suas principais dificuldades no controle financeiro.

    Como o assunto é muito extenso, depois a empresa pode programar outras palestras, com temas específicos, como orçamento familiar, crédito, endividamento, investimentos, aposentadoria, entre outros. Algumas horas de informação sobre esses assuntos podem causar um efeito surpreendente.

    Cursos

    Alguns temas são mais bem assimilados se tratados sob a forma de cursos, com atividades práticas, discussões, reflexões em conjunto. Uma sala de aula, com menos pessoas que em uma palestra, e maior proximidade entre elas, pode ser um ambiente muito rico para a criação de soluções.

    Os cursos poderão ser ministrados por gente da própria empresa – caso haja pessoal capacitado para isso – ou por outros profissionais especializados.

    Aplicativos

    Há empresas – geralmente de porte médio ou grande – que patrocinam aplicativos e ferramentas de controle financeiro para seus colaboradores.

    Pode parecer muito complexo e caro, mas não precisa ser. Ferramentas simples, como uma planilha de controle financeiro, podem ajudar muita gente a se organizar. Aplicativos com recursos básicos, como alertas de vencimento de boletos, podem evitar multas e contratempos. Ou calculadoras que ajudem a pessoa a estimar quanto precisam poupar por mês para alcançar um objetivo, por exemplo, já são um ótimo estímulo à poupança e ao planejamento de médio prazo.

    Programas internos

    Algumas empresas criam programas internos visando participar mais ativamente da vida financeira dos funcionários.

    Algumas grandes empresas têm Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC, os chamados Fundos de Pensão. Mas empresas menores podem estimular os funcionários a aderirem a planos de previdência privada, por exemplo. Como forma de estimular e demonstrar comprometimento com a causa, elas podem até contribuir com valores extra, de acordo com o volume de dinheiro que o próprio funcionário deposita. Por exemplo, para cada R$ 100 que o funcionário investe, a empresa deposita mais R$ 50.

    A empresa não precisa necessariamente aderir a um plano de previdência privada formalmente estabelecido. Ela pode criar suas próprias formas de estimular a poupança e o investimento.

    Consultorias

    Há empresas que contratam profissionais para prestar consultorias individuais, ou para pequenos grupos, em sua equipe. Isso pode ser muito útil e adequado, já que algumas situações na vida são bastante particulares e não podem ser generalizadas. Imagine uma empresa de médio porte, que tem em seus quadros alguns funcionários que vão se aposentar dentro dos próximos meses. Ou que foram obrigados a mudar de cidade por causa do trabalho. Ou que vão sair da casa dos pais e se casar em breve. Consultorias sob medida para essas situações tão especiais podem ser muito bem vindas.

    Caso real

    Na conversa com o Pedro, falamos sobre uma empresa norte-americana que criou um programa assim. Era uma companhia de grande porte, tinha mais de 1800 motoristas. Toda semana a empresa depositava um determinado valor para cada um deles, em uma conta acompanhada por ela própria. Os funcionários poderiam gastar o dinheiro, se quisessem. Mas, se preferissem não gastar, para cada dólar poupado por eles, a empresa depositava mais 1 dólar.

    Isto é o que o economista Richard Thaler, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2017, chama de empurrãozinho. Quem acompanha o blog já nos ouviu falando sobre ele.

    Se a empresa simplesmente se prontificasse a depositar um valor igual ao que o funcionário depositasse por sua própria atitude, possivelmente não funcionaria tão bem. Mas se a empresa deposita previamente o dinheiro e se prontifica a aportar valor equivalente ao que o funcionário deixar na conta, o efeito é outro. Este é o tal empurrãozinho do Thaler.

    O que a empresa ganha com isso?

    Boazinha essa empresa, né? Bem, pode ser. Não a conheço suficientemente bem para afirmar. Mas que, além de beneficiar seus funcionários, a empresa pode beneficiar muito a si mesma com essa atitude, isso eu afirmo sem pestanejar. E de várias formas diferentes. Quer ver?

    Mais rendimento, menos acidentes

    Já vimos que descontrole financeiro é apontado pelas pessoas como uma importante fonte de stress, certo? Bem, várias pesquisas – além do nosso senso comum – apontam que funcionário estressado rende menos.

    A pessoa estressada dorme pior. E, cansada, tem menor poder de atenção. Além disso, tem sua mente ocupada por problemas. Assim, tem menos condições de se concentrar no trabalho. Com isso, o rendimento cai.

    Pessoas estressadas se acidentam mais. A empresa de que falamos há pouco percebeu que, entre seus 1800 motoristas, aqueles que passavam por problemas de descontrole financeiro se envolviam mais em acidentes.

    E, finalmente, pessoas estressadas têm sistema imunológico mais debilitado. Com isso, adoecem mais e faltam mais ao trabalho.

    Por tudo isso, não é exagero afirmar que cuidar do stress do funcionário pode melhorar seu rendimento.

    Orgulho, gratidão, motivação

    É muito bom conhecer histórias de empresas que têm iniciativas louváveis com seus funcionários, certo? Passamos a admirá-las. Agora imagine trabalhar em uma empresa dessas. Além do benefício material, fazer parte de uma entidade assim gera um sentimento de orgulho na pessoa.

    Além do orgulho, outro sentimento que nasce dessa relação é a gratidão. O funcionário tem mais boa vontade em demonstrar aquele interesse extra, um pouco além do que é esperado dele, como resposta à atitude da empresa, que também vai além do que se espera.

    É claro que tudo isso pode parecer bobagem aos olhos das pessoas que acham que orgulho e gratidão são sentimentos em vias de extinção no mundo corporativo. De toda forma, teorias consagradas da Administração apontam estes fatores como capazes de produzir a motivação real e duradoura – mais do que fatores materiais, como salário e benefícios.

    Incentivo para permanecer

    Seja pelos fatores materiais, seja pelos motivacionais, é certo que programas desta natureza incentivam o funcionário a permanecer na empresa. E isso é muito benéfico para ela. Demissões, recrutamento, seleção e treinamento são processos caros. Além disso, o funcionário que sai leva consigo experiência e cultura. Perder isso sai caro para a empresa. E se isso for parar nas mãos da concorrência, pior ainda.

    Assim, tudo o que for motivo para que o funcionário queira ficar acaba sendo bom para a empresa.

    Outro caso real

    Meu primeiro emprego, aos 17 anos de idade, foi em uma pequena empresa de ônibus que explorava linhas intermunicipais em Minas Gerais. Trabalhei lá durante 7 anos.

    Era uma empresa familiar. Uma das suas características era proporcionar boas condições de trabalho aos funcionários. Por exemplo, pagando salários acima da média do mercado. Mas não era só isso. Havia estímulos à capacitação e ao crescimento profissional, bons canais de comunicação entre patrões, gerentes e demais funcionários, flexibilização nas condições de trabalho, entre outras vantagens.

    No meio da década de 1980 o Brasil vivia um processo de hiperinflação. Se hoje nos assustamos quando a inflação chega a 10% anuais, naquela época era comum que ela chegasse a 30% mensais. Como um trabalhador de baixa renda e pouca instrução conseguia se organizar em condições assim? A resposta é: não conseguia.

    "Caixinha"

    Um dos donos da empresa teve a ideia de criar uma "caixinha". Era uma pequena cooperativa de crédito informal, à qual os funcionários poderiam aderir ou não – mas a maioria aderia.

    Todos os meses era descontado um pequeno valor no salário de cada funcionário – algo próximo a 1% do salário. O volume total descontado era mantido em uma Caderneta de Poupança e usado para fazer empréstimos aos próprios funcionários. Ao final do ano, o lucro obtido com os empréstimos era incorporado ao capital de cada funcionário na tal Caixinha.

    Vale lembrar que, à época, pouca gente tinha conta em banco, principalmente a população de baixa renda. A Caixinha, então, promovia não apenas acesso ao crédito, mas ainda fazia isso com taxas muito mais baixas do que os bancos ofereciam.

    Para muitos funcionários, esse era o primeiro contato com noções básicas de poupança, investimento, crédito e planejamento financeiro, além de ser seu primeiro acesso a serviços "bancários".

    É importante destacar que o que estou relatando não é uma sugestão para nenhuma empresa, por um simples motivo: é proibido. Como eu disse, tratava-se de uma cooperativa de crédito, instituição financeira que precisa de autorização do Banco Central para funcionar, coisa que os donos da empresa nunca se preocuparam em pedir. Daquela forma a Caixinha era, portanto, ilegal. Só que ninguém sabia disso – nem os próprios donos, creio.

    Quando a empresa foi vendida, a primeira atitude dos que a compraram foi extinguir a Caixinha. Este foi um – entre muitos – dos motivos de tristeza dos funcionários. Estavam saindo do seio de uma grande família, que incluía educação, afeto e fraternidade na rotina profissional , e caindo em uma empresa mais fria e pragmática.

    Concluindo

    Bem, esse foi o tema da nossa conversa. No podcast falamos ainda mais. Contamos um pouco da experiência do Educando Seu Bolso com empresas que se preocupam com seus funcionários.

    Esta, aliás, é uma das nossas especialidades. Frequentemente fazemos palestras e promovemos cursos em empresas que buscam mais educação financeira para seus funcionários. Se você é empresário, gerente, se trabalha com Recursos Humanos, ou mesmo se for funcionário, pode contar conosco. Estamos prontos para promover eventos deste tipo, para elaborar um plano de orientação e acompanhamento financeiro para sua equipe, para prestar consultorias especializadas sob medida. Enfim, o que sua empresa precisar.

    Cuide bem do clima da sua empresa. Isso passa também pela educação financeira da equipe. Os bons resultados dessa medida vêm de diversas formas.

    22 min
  • Jovens sonham com aposentadoria antes dos 60

    No podcast desta semana vamos falar de um dos temas mais discutidos hoje em dia no Brasil: aposentadoria. Na nossa participação no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, falamos sobre como os jovens enxergam seu próprio futuro. Nosso amigo Pedro Vieira usou nosso Simulador de Aposentadoria ao vivo, no ar, e desenhou cenários para sua aposentadoria.

    O ponto de partida foi uma pesquisa do Datafolha, recentemente publicada, que revela como o jovem enxerga esse importante momento da vida. Os resultados da pesquisa são, no mínimo, intrigantes. E acompanhar o Pedro usando o Simulador foi sensacional. Leia e ouça, você vai gostar.

    Expectativa irreal

    Segundo a pesquisa, os jovens de 16 a 24 anos têm a expectativa de se aposentarem com menos de 60 anos. Esta ideia é cada vez mais distante da realidade. Primeiro, porque a reforma da previdência que esteve em intensa discussão até pouco tempo atrás – e que agora está encostada, por motivos diversos – deverá estipular uma idade mínima para aposentadoria superior a 60 anos. O texto em discussão fala em idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para os homens.

    Mas, além disso, essa ideia de chegar à aposentadoria com menos de 60 anos não é coerente com a própria conduta do brasileiro em relação às suas finanças. O brasileiro, de modo geral, não se prepara bem para o futuro. Em parte porque, para a maioria das pessoas, o orçamento é bastante apertado. Isto é, se o dinheiro mal é suficiente para cuidar do presente, será menos suficiente ainda para cuidar do futuro.

    Mas, além disso, mesmo para aqueles que não têm orçamento tão apertado assim, não existe uma cultura de cuidar do futuro. Isto é, não existe uma compreensão de que é preciso abrir mão de parte do consumo no presente para garantir um pouco mais de tranquilidade no futuro.

    Desinformação

    Um dos fatores responsáveis por esta falta de cultura previdenciária é a desinformação. As pessoas não sabem – e não procuram saber – como funciona um sistema de aposentadoria. Muitas pessoas simplesmente aprendem, desde cedo, que todos trabalham até certo momento da vida, depois se aposentam e passam a receber um dinheiro "do governo". E pensam que isso acontece por alguma força da natureza, e assim será para sempre. Ou, pelo menos, até que chegue a vez delas próprias se aposentarem.

    Acontece que não é assim que funciona. Não existe mágica, nem força da natureza. O que existe é um conjunto de regras que rege um sistema de aposentadoria, e o gerenciamento do dinheiro arrecadado ao longo dos anos. Vamos entender melhor?

    Sistema de repartição

    A previdência oficial no Brasil funciona pelo chamado sistema de repartição. Por meio dele, o trabalhador do presente sustenta o trabalhador do passado – que, no presente, está aposentado. E o trabalhador do futuro sustentará o trabalhador do presente – que, no futuro, estará aposentado. Esse sustento ocorre por meio de contribuições, tanto do próprio trabalhador da ativa como também das empresas e do próprio estado. Estas contribuições são equivalentes a uma pequena parte do salário do trabalhador.

    E, como não existe mágica, é preciso que haja um número grande de trabalhadores na ativa, em relação aos aposentados. Este sistema, porém, está cada vez mais próximo da exaustão, devido, principalmente, a dois fatores:

    • O número de trabalhadores que contribuem para a previdência – isto é, aqueles com carteira assinada – é relativamente menor que no passado, devido às novas relações de trabalho. Quem acompanha o blog sabe que o mercado de trabalho no Brasil está mudando. Muita gente que antes trabalhava com carteira assinada tem migrado para outras formas de trabalho. Muitas pessoas têm se tornado, por exemplo, Microempreendedores Individuais – MEI. Boa parte destes não contribuem para a previdência oficial.
    • A expectativa de vida do brasileiro tem aumentado. Isto, é claro, é motivo para comemorar. As pessoas têm vivido mais. Porém, isto tem um preço: elas ficam aposentadas por mais tempo, e exigem mais do sistema oficial de aposentadoria.
    Déficit da Previdência

    Deu para entender que a conta está caminhando para não fechar? Muitos dizem que a conta já não fecha. Outros dizem que ela ainda fecha. Os números são controversos. Você deve estar acompanhando pela imprensa o intenso debate que se trava sobre este assunto. Uma pergunta que as pessoas frequentemente se fazem é: afinal, a Previdência é ou não é deficitária?

    Esta dúvida ocorre porque as fontes de receita da Previdência são várias. Além das contribuições de trabalhadores, empresas e governo, há impostos – como a Contribuição Sobre o Lucro Líquido, CSLL – que são originalmente destinados a alimentar a Previdência, mas que têm sido direcionados a outros fins. Por isso, a discussão é longa, e não é nossa intenção aqui aprofundar nela.

    Quase ninguém nega, porém, que este sistema não é sustentável no futuro. Se a conta ainda fecha, em breve não fechará mais.

    Regime de capitalização

    Um caminho natural para a previdência oficial é adotar outra modalidade. Em vez do sistema de repartição, uma alternativa é adotar o sistema de capitalização.

    Esse sistema funciona de forma semelhante a um plano de previdência privada. O trabalhador contribui para a sua própria aposentadoria, e não mais para a aposentadoria dos trabalhadores do passado. As contribuições que vêm de parte do seu salário – assim como as contribuições do empregador e do governo – vão para um fundo que se transformará na sua aposentadoria no futuro.

    Isso muda tudo. Não apenas a forma de se calcular e compor a aposentadoria, mas a própria relação do trabalhador com seu próprio futuro. A tendência é de que desapareça essa noção de "estado provedor", e surja uma noção muito mais realista. O trabalhador passa a perceber que ele é mais diretamente responsável pelo seu próprio futuro.

    Este sistema não é, necessariamente, "neoliberal", como muitos acusam. Alguns políticos de esquerda – isto é, que defendem que o estado tem o papel de atuar diretamente na distribuição de renda – defendem esse sistema, por ser matematicamente lógico. Mas esta discussão também não é a intenção deste post.

    Voltando

    O que importa agora, é convidar o leitor e ouvinte a ser mais diretamente responsável por cuidar do seu futuro. Ou seja, da sua aposentadoria. E isto não se limita a contribuir para a previdência oficial. Pelo contrário. O que vai acontecer com a aposentadoria do INSS é um grande mistério. Por isso, é importante que cada um pense em outras formas de compor um fundo para sua própria aposentadoria.

    Para isso o Educando Seu Bolso criou o Simulador de Aposentadoria. Ele permite que o usuário desenhe cenários reais, concretos, para seu futuro, a partir da sua condição no presente. O Pedro Vieira testou o Simulador no ar, e os resultados foram muito interessantes.

    Pedro tem hoje 37 anos, e fez várias simulações na nossa calculadora. Simulou uma aposentadoria mais modesta, depois outra mais generosa. Testou uma aposentadoria a partir dos seus 37 anos, depois outra em idade mais avançada. Considerou uma situação da qual ele começa do zero, depois outra como se tivesse algum dinheiro já guardado.

    Vamos aos resultados?

    Como funciona o Simulador

    Na ferramenta criada pelo Educando Seu Bolso, você precisa informar sua idade atual, a idade com que quer se aposentar, e se já tem algum dinheiro guardado destinado à aposentadoria.

    Você pode escolher entre duas formas de se fazer o cálculo. A primeira é informar o valor com que deseja complementar sua aposentadoria. Neste caso, o Simulador te diz quanto é preciso guardar mensalmente para atingir essa meta. Ou você pode informar o valor que você pode guardar todos os meses até se aposentar. Neste caso, o Simulador te informa de quanto será seu complemento de aposentadoria, a partir desse valor.

    O cálculo é feito levando em conta que a pessoa guardará o dinheiro em uma aplicação de baixo risco – semelhante às apresentadas em nosso outro simulador, o de Investimentos em Renda Fixa. Fará isso até atingir a idade de se aposentar, que ela própria informou. A partir daí começará a usar mensalmente o dinheiro. Adotamos como expectativa de vida a idade de 80 anos, que é superior à média do brasileiro atualmente. Isto é, durante um tempo ela acumula, e depois usufrui. Como deve ser, certo?

    Aposentadoria de 1 salário mínimo

    A primeira simulação que o Pedro fez foi para receber um complemento de aposentadoria no valor de 1 salário mínimo, isto é, R$ 954 mensais. Ele informou que, hoje, ainda não tem nenhum dinheiro guardado com a finalidade de complementar aposentadoria. Como dissemos, Pedro tem 37 anos e pretende se aposentar com 65 anos.

    Segundo o Simulador, ele precisa guardar mensalmente R$ 173,14. Este valor será suficiente para acumular pouco mais de R$ 122 mil, o que será suficiente para prover os R$ 954 mensais a ele.

    O resultado surpreendeu nosso amigo. Ele achou que ficou barato. Apenas R$ 173 mensais, para prover uma renda mensal quase 6 vezes maior. Qual é o segredo? Daqui a pouco comentaremos. Vamos a uma nova simulação.

    Aposentadoria de R$ 5 mil

    Como achou que estava fácil demais, nosso Pedro decidiu aumentar a própria aposentadoria. Assim, definiu que, aos 65 anos, quer se aposentar recebendo um complemento de R$ 5 mil. Também nesse cálculo, considerou que ainda não tem dinheiro guardado.

    Segundo o Simulador, para receber essa bolada ele precisará poupar mensalmente R$ 907,45. Isso resultará em um montante de R$ 640 mil daqui a 28 anos, quando a idade de Pedro for 65.

    Os R$ 5 mil mensais equivalem ao teto da aposentadoria pelo INSS. Repare que, mesmo uma pessoa jovem como o Pedro – por favor, leitor, concorde que alguém com 37 anos é jovem – precisa poupar mensalmente uma quantidade boa de dinheiro. R$ 907 estão além do que a maioria dos brasileiros é capaz de guardar.

    E se tivesse dinheiro guardado?

    Na terceira simulação, pedimos que Pedro informasse que já tem guardados R$ 100 mil. Para uma pessoa disciplinada não é nada absurdo imaginar que, após 15 anos de trabalho, haja uma poupança de R$ 100 mil.

    O resultado foi surpreendente. Nesse caso ele precisaria aplicar R$ 365,82. Qual é o segredo? Ora, não existe. E o que isso significa? Já diremos. Vamos a outra simulação.

    E se Pedro não tivesse 37 anos?

    Pedimos ao Pedro que mantivesse as condições da simulação anterior, mas dissesse que tem 47 anos de idade, e não os 37. O resultado também surpreendeu. Uma pessoa com R$ 100 mil guardados, com 47 anos, precisaria guardar mensalmente mais R$ 1180 para se aposentar aos 65.

    Depois pedimos a ele que informasse a idade de 27 anos. Nesse caso, mantidas todas as outras condições, ele precisaria aplicar mensalmente apenas R$ 17 mensais!

    Como assim? Se aumentar a idade em 10 anos, triplica o valor. Se diminui-la em 10 anos, o valor fica irrisório! Pois é… Vamos às últimas simulações depois, finalmente, comentaremos.

    Contribuição mensal de R$ 100

    Pedro manteve as condições da terceira simulação. Isto é, 37 anos de idade, R$ 100 mil guardados e o desejo de se aposentar aos 65 anos. Informou que pretende guardar mais R$ 100 mensais. Nesse caso, ele teria um complemento de aposentadoria no valor de R$ 3535.

    Por fim, Pedro manteve essas condições, mas considerou que não tem nenhum dinheiro guardado. O resultado foi que, apenas os R$ 100 mensais dariam um complemento de R$ 550 na aposentadoria.

    Conclusões

    O que podemos tirar como lição nisso tudo?

    Creio que o que mais surpreendeu foi aquela história de aumentar a idade em 10 anos e depois diminui-la em 10 anos. Mantidas as outras condições, o Simulador nos diz que, para alcançar o mesmo objetivo é preciso poupar R$ 17 aos 27 anos, R$ 365 aos 37 anos, e R$ 1180 aos 47.

    A conclusão é óbvia: começar a poupar antes é MUITO melhor. O tempo é um dos fatores mais poderosos na constituição de uma reserva para aposentadoria. Ele conta mais do que o valor poupado mensalmente e que a taxa de rendimento da aplicação. Portanto, se você é jovem e começar já, vai precisar de um esforço mensal menor.

    Isso fica confirmado na última simulação. Se houvesse R$ 100 mil guardados, os R$ 100 mensais dariam uma aposentadoria de mais de R$ 3500. Como não há, os R$ 100 mensais se transformam em apenas R$ 550. Isto é: jovem, comece a poupar cedo, porque assim, aos 37 anos você já terá uma reserva importante, que vai render muito conforto na aposentadoria.

    Mas se você já não é tão jovem, não desanime. E, principalmente, não se afogue em arrependimento por não ter começado a poupar cedo. Bola pra frente. Se você não tem mais tanto tempo a seu favor, compense isso aumentando sua poupança mensal.

    Muito legal essa história, não foi? Eu falei que você iria gostar. Então comece a praticar desde já. E, se puder, compartilhe com os amigos e dê sua avaliação no nosso podcast. Desde já agradecemos.

    24 min
  • Score de crédito. Cuide e faça bom uso!

    O assunto de hoje, no Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, foi score de crédito. Ou, em bom português, nota de crédito, ou escore de crédito. Conversamos com o Pedro Vieira sobre essa avaliação, que é muito utilizada em outros países, e no Brasil tem se difundido cada vez mais.

    Afinal, o que é score de crédito?

    O score de crédito é uma nota – como uma nota de prova escolar – calculada por uma empresa, para avaliar a forma como uma pessoa lida com seu dinheiro, principalmente quanto ao crédito. Ele também costuma ser chamado de escore de crédito, nota de crédito, rating de crédito, entre outros nomes.

    Esse assunto já foi tema de um post nosso em 2017. Se quiser saber mais detalhes sobre o que é, como é calculado, como fazer para melhorar a nota, leia lá. O material ficou muito bom, modéstia à parte.

    O foco da nossa conversa com o Pedro foi além da definição do que é score de crédito. Falamos sobre diferentes formas de se utilizar a informação contida nestes e em outros sistemas. Em países como os Estados Unidos seu uso é muito mais intenso, e de formas bastante surpreendentes.

    O que é considerado um bom score de crédito?

    O principal score de crédito em uso no Brasil, atualmente, é o da Serasa Experian. O site deles que cuida do sistema é o Serasa Consumidor. Este site informa que um score de crédito de até 300 pontos é de alto risco. Isto é, há grande chance de esta pessoa ser ou tornar-se inadimplente. De 300 a 700 pontos, o risco é médio. Acima de 700 pontos, o risco é baixo.

    Cerca de 30% dos brasileiros têm escore de crédito abaixo de 300. 38% têm escore entre 301 e 700, e 32% têm nota superior a 700. O escore de crédito médio do brasileiro é de 485 pontos.

    Os números assustam um pouco. Quase um terço das pessoas têm alto risco de inadimplência. A nota média é a metade da máxima, fica bem no centro da faixa de médio risco. Mau sinal.

    "Por você eu mudaria até o meu nome"

    Um dos motivos para o brasileiro ter, em média, um score de crédito tão baixo, segundo a Serasa, é o hábito que muitas pessoas têm, de "emprestar" o nome para outras. Isto é, fazer compras e contrair dívidas em seu nome, para que amigos e parentes usufruam.

    Em muitos casos, a pessoa que vai usufruir do bem não pode adquiri-lo com seu próprio nome, porque ele já está com restrições na praça. Não é preciso ser a Serasa para imaginar que o risco de que a dívida não seja paga é alto. Mas, como se trata de parente ou amigo, muitas vezes a pessoa fica constrangida em negar o favor, e acaba sujando seu próprio nome.

    Por trás dos números

    A metodologia do score de crédito não é perfeita. Como dissemos no nosso texto de 2017, é possível que a nota não reflita exatamente o comportamento da pessoa – seja bom ou ruim. Mas, na maioria das vezes, reflete, sim.

    E então? O que fazer quando meu escore de crédito está ruim? Bem, a primeira coisa é refletir sobre isso. Perguntar POR QUE a nota está ruim. Foi por causa de algum acidente de percurso, ou por algum hábito que eu tenho frequentemente? Por que tenho esse hábito? Aonde ele está me levando? O que preciso mudar? Como aumentar meu score de crédito?

    É preciso usar o escore a seu favor. Sempre. Se ele estiver bom, que ótimo, cuide bem dele, use com moderação – para que ele não piore – e viva tranquilo. Se ele estiver ruim, use como reflexão. Faça todas as perguntas acima e tente arrumar a casa. Procure avaliar seus hábitos. Se algum deles piora seu escore de crédito, possivelmente é um hábito ruim.

    Há coisas que não podem ser mudadas. Na página do Serasa Consumidor que informa a nota da pessoa, são informadas também a nota média das pessoas do mesmo CEP, e das pessoas da mesma idade. Isto é, quando alguém avalia sua nota, ela é comparada com a nota dos seus pares. Você não pode mudar isso. Não vai mudar de endereço apenas por causa do score de crédito.

    A maioria dos fatores que afetam o score de crédito, porém, pode ser mudada. Se quiser saber como aumentar seu score de crédito, leia nosso post de 2017. Nele há dicas preciosas, da própria Serasa.

    Bonito na fita

    O score de crédito tem sido usado para finalidades que vão além do puro controle das finanças. Segundo pesquisa da empresa de consultoria americana Discover Financial Services, a responsabilidade financeira é um atributo pessoal muito valorizado por quem procura parceiros afetivos. A pesquisa foi feita em conjunto com a Match Media Group, empresa que controla plataformas de encontros, como o Tinder, uma das mais utilizadas no mundo inteiro.

    Segundo a pesquisa, o equilíbrio financeiro é citado por 69% das pessoas entrevistadas como sendo um atributo extremamente importante em um potencial parceiro. Para se ter uma ideia, o senso de humor foi citado por 67% das pessoas, e a beleza física por 51%. Isto é, a boa gestão do próprio dinheiro é bem mais sensual do que atributos físicos.

    Por isso, nos Estados Unidos, muitos usuários das plataformas e aplicativos de encontros publicam o seu score de crédito nos seus perfis pessoais. No Brasil isto ainda não é comum. Em parte por questões culturais, possivelmente, e em parte pelo uso ainda restrito do escore.

    Imagine só. "Fulano de Tal, 45 anos, 1 metro e 74, mora em Recife, score de crédito 947". Já pensou? Acha estranho? Bem, eu, particularmente, acho muito melhor do que publicar foto de carro – e, acredite, tem gente que publica foto do próprio carro em seu perfil nesses aplicativos de encontros.

    Ao publicar o próprio score de crédito, a pessoa – ao contrário de quem publica foto do carro –não está dizendo que tem muito dinheiro. Está dizendo que sabe cuidar do dinheiro que tem.

    Não é pelos R$ 0,20

    Esse novo hábito nas redes sociais de encontros é muito interessante. E não vamos reduzi-lo apenas ao interesse pelo dinheiro. Em primeiro lugar porque, como dissemos, ter bom score de crédito não significa ter muito dinheiro. Há pessoas que ganham muito bem, mas gastam de forma desordenada, a ponto de terem escore ruim. Por outro lado, há pessoas que não ganham tão bem, mas são serenas e disciplinadas e, por isso, têm escore bom.

    Então por que o escore de crédito é tão "sensual" assim? Bem, porque quem cuida bem do próprio dinheiro provavelmente tem outros atributos não diretamente ligados a questões materiais:

    • São pessoas que sabem se planejar, possuem metas bem definidas e sabem como realizá-las. Isto é muito importante quando se pensa em longo prazo, principalmente na vida a dois.
    • Não se estressam por causa de problemas financeiros. Isto é, têm pelo menos uma fonte de preocupações a menos do que as pessoas desorganizadas financeiramente.
    • Como sabem gerenciar um recurso limitado, como o dinheiro, é possível que saibam gerenciar também seu tempo e sua saúde.
    • Têm condição de proporcionar a si mesmos diversão, lazer e descanso, aspectos tão desejáveis em uma vida a dois.
    • Frequentemente são pessoas bem formadas, que se interessam por estudos e por se manterem bem informadas.

    É claro que gerenciar bem o próprio dinheiro não garante os fatores citados acima. Mas que é um forte indício, não há dúvida. E isso conta bastante para quem está procurando um parceiro, na hora de formar a primeira impressão.

    Então, é ou não um bom motivo para cuidar bem do seu dinheiro e do score de crédito?

    Score de crédito social

    As empresas que calculam o escore de crédito estão sempre aprimorando suas metodologias. Elas vivem, basicamente, de dados que estão espalhados por aí – especialmente na internet – e que precisam transformar em informação útil.

    Acontece que, principalmente em países como o Brasil, boa parte da informação útil não possa ser encontrada nos locais usuais.

    Explico melhor: no Brasil existe muito trabalho informal. Então, há muita gente trabalhando, ganhando até um bom dinheiro, sem que isso esteja registrado em nenhuma base de dados oficial do governo. Isso, sem falar também na sonegação tributária, que é, também, sonegação de informação.

    Algumas empresas têm utilizado formas criativas e avançadas para superar esse problema. Por exemplo, pesquisando informações em redes sociais. Aquilo que não está nos dados da Receita Federal, do Caged e em outras bases de dados oficiais, em muitos casos pode estar bastante claro no Facebook e no Instagram.

    Assim é construído o chamado score social. Certamente é mais difícil usar essa informação de forma automatizada e massificada. Mas já é alguma coisa, e empresas têm se empenhado em melhorar a forma de busca, análise e classificação da informação.

    Privacidade

    Falando nisso, na conversa com o Pedro comentamos sobre como nossa vida é, cada dia mais, um livro aberto e exposto na internet. As redes sociais são espaços onde se troca informação, diversão, comunicação pessoal e… hábitos de consumo!

    Já reparou que, quando você pesquisa na internet algo que quer comprar, pouco depois aplicativos como o Facebook, ou o próprio Google, apresentam ofertas daquele produto? É claro que isso não é coincidência. Quando utiliza mecanismos de busca, você autoriza – de forma explícita ou apenas tácita – o uso da informação para outros fins.

    Outra forma de ofertar serviços que vem se tornando comum são mensagens diretas que chegam pelo celular, de acordo com o local em que você está. O Pedro deu o exemplo de, quando está perto de uma concessionária de carros, a pessoa receber uma oferta de financiamento de veículos, praticamente convidando-a a visitar aquela concessionária.

    Nesse caso, a tecnologia une o GPS, informações sobre a loja, informações de navegação na internet e o score de crédito. Pelo GPS, a instituição financeira fica sabendo que você está perto da concessionária. Por meio de contato prévio, ela conhece também os produtos oferecidos pela concessionária. Além disso, ela sabe se você deseja trocar de carro – o Google fornece seus dados de navegação a quem pagar bem. Por fim, ela sabe a sua condição financeira – por meio do escore de crédito. Aí, embala tudo isso em um produto e te envia a mensagem.

    Bom ou ruim?

    Há quem não goste desse tipo de coisa. Gente que se sente incomodada ao perceber que o mundo é um grande Big Brother, onde estamos todos sendo vigiados, observados e analisados o tempo todo. E que pense que isto é uma invasão de privacidade.

    Bem, de certa forma, pode ser considerada mesmo uma invasão. Mas será que a privacidade existe, mesmo? Você não acha fantásticas certas ferramentas da tecnologia, como o Google e os sistemas de GPS? E as utiliza de graça. Não seria justo fornecer em troca algumas informações sobre seus hábitos?

    E não é apenas questão de justiça. Será que isso não pode ser vantajoso para você? Não pode ser bastante prático, numa época em que corremos tanto e temos cada vez menos tempo, receber ofertas prontas e sob medida, de produtos e serviços que nos interessam?

    Concluindo

    Foi, mais uma vez, uma conversa muito boa sobre o admirável mundo novo. Vale a pena ouvir. Não deixe de baixar o podcast e de nos avaliar. Sua opinião é muito importante para nós!

    23 min
  • Fundos de investimento com taxas abusivas. Fuja!

    Reportagem divulgada recentemente mostra que mais de 1,2 milhão de brasileiros têm dinheiro em fundos de investimento cujo retorno é menor que a taxa de administração cobrada pelo banco. Este foi o tema da nossa conversa desta semana com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência, no programa Em Boa Companhia.

    O que é um fundo de investimento?

    Para você, que não sabe direito o que é fundo de investimento, apesar de ter dinheiro aplicado em um deles, aqui vai uma breve explicação.

    Fundos de investimento são um tipo de condomínio. Sim, parecido com os edifícios. Em um condomínio imobiliário, cada proprietário – condômino – é dono de uma ou mais unidades – sejam salas, lojas, apartamentos etc. Os condôminos contratam um síndico para gerenciar os recursos e realizar tarefas, como limpeza, manutenção e segurança. Para isso, pagam uma taxa, geralmente proporcional à quantidade e tamanho de suas unidades.

    Um fundo de investimento é parecido. A diferença é que o condomínio imobiliário normalmente não visa lucro aos condôminos, apenas bem estar. E o síndico, às vezes, não recebe nada pelo serviço.

    Nos fundos de investimento, os condôminos são chamados de cotistas. As unidades são as cotas. Os síndicos são os gestores. A taxa de condomínio é a taxa de administração do fundo, e é a remuneração do serviço do gestor.

    O objetivo dos fundos de investimento é obter retorno financeiro para os cotistas. A forma como ele se presta a fazer isso deve estar muito bem definida no regulamento do fundo. É lá que vão estar descritos os tipos de ativos em que aquele fundo pode aplicar, a quantidade de dinheiro que o gestor pode colocar em cada tipo, as regras para entrada e saída – aplicação e resgate –, os custos. Tudo bem detalhado e transparente. Além do regulamento, há também o prospecto e a lâmina, que são documentos em que são apresentadas as principais informações sobre o fundo. Desta forma, o investidor pode ler mais rapidamente e comparar um fundo com o outro.

    Vários tipos

    Existem várias formas de se classificar os fundos de investimento. Por exemplo, pelo tipo de ativos em que eles aplicam. Outra forma é pelo perfil de risco dos ativos.

    Quando um investimento oferece baixo risco, ele oferece também rentabilidade modesta, ou baixa liquidez – isto é, o dinheiro fica "preso", a pessoa não pode contar com ele durante um tempo. São considerados de baixo risco os ativos de renda fixa, como títulos públicos federais e alguns títulos privados. São adequados para fundos com perfil conservador.

    Para obter rentabilidades melhores, os gestores precisam investir parte dos recursos do fundo de investimento em ativos mais arriscados, como ações e derivativos. Fundos que se expõem a um pouco de risco são chamados moderados. E os que se expõe a muito risco são chamados agressivos.

    Pronto. Esse era o ponto a que eu queria chegar, para poder voltar ao assunto central do podcast.

    Taxa de administração

    Os fundos de investimento listados na reportagem são considerados conservadores. Eles não requerem grandes malabarismos, nem tanta dedicação por parte dos gestores.

    Não são, por exemplo, como fundos de ações, que requerem uma equipe experiente e dedicada em tempo integral a apurar e analisar as oportunidades de mercado, e a tomar decisões rápidas. Uma equipe experiente e dedicada, evidentemente, custa caro.

    Mas, sinceramente, gerenciar ativos de renda fixa não justifica cobrar taxas de administração absurdas. Não estou desqualificando o trabalho dos gestores, mas sim falando do que é ou não razoável.

    A taxa de administração é cobrada anualmente sobre todo o patrimônio do fundo – e não apenas sobre sua rentabilidade – como forma de remunerar o gestor pelo seu trabalho. Existe fundo cobrando 5,5% de taxa, para dar um retorno equivalente ao da taxa Selic!

    Vamos colocar em números. O investidor aplica R$ 10 mil em um fundo. Dali a 1 ano, o dinheiro dele rendeu 6,75%. Só que o fundo cobra 5,5% de taxa, então sobram apenas 1,25% para o investidor!

    Não é estranho? O dono do dinheiro ganha 1,25% e o gestor ganha 5,5%! E para fazer um trabalho que, sinceramente, é bem mais simples que a de muitos outros gestores de fundos por aí.

    E se levarmos em conta o Imposto de Renda, que nesse caso, é de 20% do rendimento, o investidor vai ficar com apenas 1% líquido, o que é menos que a inflação prevista para o período. Isto é: a pessoa deixa de consumir algo hoje, para poupar e poder consumir mais no futuro. O que acontece? Ela consome menos, já que a inflação é maior que o rendimento do fundo.

    Mas quem aplica nesses fundos de investimento?

    Para aplicar em um fundo caro desses a pessoa deve ser muito desinformada, não? Devem ser pessoas que não estudaram, mal sabem ler e são facilmente enganadas, certo?

    Errado.

    Nosso amigo Pedro contou que ele mesmo aplica em um desses fundos de investimentos caros. Aliás, foi muito legal da parte dele contar isso no programa, pois muita gente tem vergonha de contar desvantagem. Pedro, que tem estudo, é jornalista, trabalha em uma das principais rádios do país e está sempre perto da notícia, acabou caindo em uma cilada dessa…

    Mas como uma pessoa esperta assim aplica em um fundo tão ruim? Bem, pela nossa experiência de anos lidando com pequenos investidores, podemos listar algumas possibilidades.

    Vamos a elas:
    • O dinheiro estava parado na conta, o banco foi lá e aplicou. Bem, a instituição financeira não pode fazer isso sem a autorização do cliente. Acontece que muitas incluem no contrato de abertura da conta uma cláusula que permite que ela invista o dinheiro sem que o cliente precise comandar cada aplicação. Normalmente elas fazem isso em fundos com resgate automático. A maior parte dos clientes acha aquilo uma grande vantagem, pois seu dinheiro nunca fica parado, sempre está rendendo alguma coisinha. Faz sentido. O problema é que rende uma coisinha para o cliente e uma coisona para o banco.
    • O cliente nem olhou regulamento, prospecto, lâmina, nada disso. Foi lá e aplicou. Situação muito comum. A pessoa tem R$ 10 mil para investir, entra no site, escolhe uma aplicação cujo valor mínimo é R$ 10 mil – achando que é a mais adequada para ela. E não se preocupa características importantes, como taxa de administração.
    • O gerente recomendou. Infelizmente acontece com frequência maior que o aceitável. Seja por desconhecimento, seja por má fé mesmo, muitos gerentes recomendam aos seus produtos ruins. Fundos de investimento caros, consórcios ruins ou os malfadados títulos de capitalização, não é raro vermos micos sendo empurrados para o colo dos clientes mal informados.
    Fique de olho!

    Bem, se isso aconteceu com o Pedro, pode acontecer com qualquer um. Por isso, recomendamos que todos os que aplicam em fundos de investimentos deem uma olhada no prospecto do fundo. Verifique a taxa de administração. Existem bons fundos de investimento em renda fixa com taxas entre 0,5% e 1%. Se o seu cobra mais que isso, sinal amarelo! Se está na casa dos 2,5%, 3% ou até mais, sinal vermelho! Recomendamos procurar outro! Compare com outros fundos do seu banco. Compare também com outras possibilidades fora do seu banco.

    Alguém dirá: "Ah, comparar com outros fundos do meu banco, tudo bem. Mas procurar em outros bancos dá muito trabalho". Sinceramente, em minha opinião o que dá trabalho é perder dinheiro. Mas ok, sabemos que muita gente pode não saber como começar. Vamos ajudar.

    Sempre falamos aqui no blog sobre nosso Simulador de Investimentos em Renda Fixa. É a maneira mais fácil de você saber como obter o melhor rendimento para a quantidade de dinheiro e tempo que você tem disponíveis. Ele é suficiente para você comparar o rendimento do seu fundo de investimento com o que há de mais rentável em renda fixa.

    Ok, mas você quer algo mais arrojado que a renda fixa? Já tem conta em corretora de valores? Há muitas boas corretoras que não cobram nada para você se tornar cliente, ou para realizar operações simples, como o Tesouro Direto, por exemplo. E elas geralmente têm uma sessão dedicada aos fundos, onde você pode ter acesso às principais informações e comparar um com o outro. É uma forma prática de não ficar preso a uma só instituição financeira.

    Quem quer informações completas pode também acessar a Central de Sistemas da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, a autarquia responsável pela regulamentação e fiscalização dos fundos.

    Tesouro Direto

    Quem acompanha o Educando Seu Bolso sabe que já falamos muito sobre Tesouro Direto por aqui. Em tempos de Selic baixa, ele ainda é uma boa aplicação? É, sim. É claro que ele não rende os mesmos 14%, ou mais, que rendiam alguns anos atrás. Mas, por outro lado, a inflação também não é mais de 10% como era antes. Então o ganho real ainda é bastante razoável.

    Seu banco tem uma corretora que te permite aplicar no Tesouro Direto? Bem, antes de usá-la, verifique as taxas que ela cobra. Algumas corretoras de banco cobram taxas por operações simples. E há muitas corretoras independentes boas – até melhores que as de bancos – que não cobram nada.

    Coisas do Brasil

    Como disse o poeta, "O Brasil não é para principiantes". Falando especificamente sobre o mercado financeiro, há coisas que só acontecem por aqui, e que um estrangeiro tem dificuldade de entender.

    Nossa cultura inflacionária, por exemplo, está cada vez mais distante, já que a hiperinflação foi derrotada há mais de 20 anos. Mas nossa passividade, ainda hoje, diante de seguidos reajustes em preços de produtos – como o dos combustíveis, recentemente – mostram que essa cultura não está totalmente sepultada.

    O mesmo ocorre com nossa relação com taxas de juros e de rendimentos. Consideramos normal que a taxa básica de juros seja superior a 10% ao ano. É motivo de surpresa que o governo venha conseguindo mantê-la abaixo dos 7%. Da mesma forma, quando vemos que os rendimentos do Tesouro Direto caíram para a faixa de 5% ao ano, mais inflação, consideramos pouco.

    Por que estou dizendo isso tudo? Porque isso explica parte do problema das taxas de administração abusivas de alguns fundos de investimento. Estamos mal acostumados. Achamos normais números que, em outros países, causam espanto. É hora de parar com isso.

    Caso a inflação e a taxa Selic permaneçam em níveis baixos durante um bom tempo, é possível que a cultura financeira do brasileiro mude. Que comecemos a valorizar cada ponto percentual de diferença em taxas de juros ou de rendimentos que nos são oferecidas.

    Então vamos?

    É hora de começar, desde já. Uma das missões do Educando Seu Bolso é… educar! Incentivar o leitor a deixar de lado o comodismo, a pesquisar, planejar, recusar produtos e serviços financeiros ruins e caros, mudar de instituição, aprender coisas novas.

    O podcast de hoje fala, basicamente, sobre oportunismo e falta de planejamento. De um lado, pessoas distraídas, acomodadas ou mal informadas; do outro, pessoas se aproveitando disso. Resultado: de um lado, pessoas pagando caro achando que estão ganhando, e do outro, pessoas ganhando dinheiro fácil.

    Chega de pagar Bolsa Banqueiro! Verifique as condições dos seus investimentos. Use nosso Simulador para saber a quantas anda o mercado. Visite o Portal do Investidor oferecido pela CVM. Pesquise. Procure uma boa corretora, abra uma conta e conheça os produtos disponíveis além dos fundos práticos – e caros – oferecidos pelo seu banco.

    A partir do momento em que os clientes se mexerem, os fornecedores se mexem também. Principalmente em um momento em que mais e mais fornecedores têm entrado no mercado financeiro. Fica aqui nosso convite: mexa-se. Nós garantimos que vale a pena.

    29 min
  • Mulheres empreendedoras e desenvolvimento

    Países que têm leis que protegem as mulheres contra o assédio são também aqueles em que elas são mais ativas economicamente. Este foi o tema da nossa conversa com Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência, no programa Em Boa Companhia desta semana. Lugares em que as mulheres têm segurança para exercer sua cidadania são mais propícios para o surgimento de mulheres empreendedoras, mulheres bem colocadas profissionalmente e com maior participação na economia.

    Este assunto foi o foco de um artigo escrito por três economistas – mulheres – do FMI. Ou melhor, duas economistas, Corinne Deléchat e Monique Newiak, e Christine Lagarde, advogada, cientista política e, principalmente, diretora geral do FMI.

    Proteção social e inclusão financeira

    O estudo mostra que, de modo geral, as mulheres têm menos acesso a produtos e serviços financeiros do que homens. E essa diferença é ainda maior em países emergentes ou em desenvolvimento. Nesses locais, as mulheres chegam a ter 14% menos acesso a serviços financeiros! O gráfico mostra a situação, comparando a região mais pobre da África, os países em desenvolvimento e o mundo como um todo.

    As pesquisadoras foram mais fundo para buscar explicações para isso, ou, pelo menos, para buscar outros fatos que andam lado a lado com este. E concluíram que, mesmo em países e regiões em desenvolvimento ou emergentes, o acesso a produtos e serviços financeiros é maior quando há proteção jurídica. Na África Subsaariana esta diferença chega a 25%!

    Dita assim, essa conclusão pode parecer óbvia. Alguém poderá dizer que o maior número de mulheres empreendedoras nesses países não é PORQUE existem leis contra o assédio. E sim porque são países mais ricos. E, por isso, são econômica e socialmente mais avançados. E, POR ISSO, lá existem tanto leis mais avançadas conta o assédio, quanto um maior número de mulheres empreendedoras.

    Pode ser. Parece até o desafio da propaganda daquela antiga marca de biscoitos. É mais fresquinho por que vende mais, ou vende mais porque é mais fresquinho? Neste momento, isto é de menor importância. Porque os objetivos do artigo são outros, muito além de explicar causa e efeito do fenômeno.

    Toda a economia ganha com a igualdade

    Um dos objetivos, por exemplo, é mostrar como o país pode ganhar economicamente quando combate a desigualdade entre gêneros e protege as mulheres contra a violência e o assédio.

    Na mesma semana em que foi publicado o artigo, o FMI divulgou também um estudo sobre a Nigéria. Nele, fica claro que a redução da desigualdade de gênero pode aumentar o crescimento do PIB em mais de 1 ponto percentual por ano. A partir daí, a entidade recomendou medidas como o fortalecimento das leis, especialmente em proteção às mulheres, e o investimento em infraestrutura, saúde e educação. Junto disso, o FMI recomenda também – não apenas para a Nigéria – políticas para incentivar a participação das mulheres na economia, como assistência às crianças, inclusive com investimentos em transporte público e creches.

    "Ora", dirão alguns, "mas o respeito às mulheres deve ser um objetivo de toda a sociedade por razões humanas, não econômicas". Está certo, claro. Mas repare bem nas mensagens que você ouviu nesta semana, em razão do dia internacional da mulher. De modo geral, elas falam em proteção, em combate à violência, ao desrespeito, ao assédio sexual e moral, à igualdade. Tudo isso também não parece óbvio? Quem vai, em sã consciência, dizer que isso não é importante, e que não são problemas reais?

    Acontece, amigo, que nesse mundo maluco, o óbvio precisa ser dito. E repetido, mais e mais vezes, porque o problema é realmente grave, e ainda tem muito para avançar.

    O jeito FMI

    E este é o "jeito FMI" de abordar as questões. Pela via da economia. Outras instituições vão abordar o problema de outras formas. Então, até você, que torce o nariz para o FMI – e razões não faltam para isso – há de convir que todo argumento a favor é bem vindo neste momento.

    Então o FMI mostra, com números e pesquisas sérias, com pesquisadoras do mais alto gabarito, que proteger as mulheres é bom para a economia. Quem sabe assim, os governantes de países que se preocupam mais com a economia do que com questões humanas, não se veem motivados a agir? O importante, neste momento, é agir.

    Repare bem nas recomendações do FMI. Incentivar a participação das mulheres na economia e o surgimento de mulheres empreendedoras por meio do combate ao assédio e à violência, e do estímulo ao investimento em transporte e bem estar das crianças. As coisas estão todas ligadas. Economia e bem estar.

    "Mas por que o cuidado com as crianças é considerado uma política de apoio às mulheres? Isto não é interesse também dos homens, isto é, dos pais dessas crianças?" É, sim, claro. No mundo ideal. No mundo real, infelizmente, o cuidado com os filhos ainda é considerado algo mais das mães do que dos pais.

    O papel da mulher

    Isto me faz lembrar do nosso presidente Michel Temer. No ano passado, no dia internacional das mulheres, o presidente fez um discurso que ficou famoso.

    Temer ressaltou o papel da mulher no lar, nos afazeres domésticos e na educação dos filhos. Quando trouxe a economia para o discurso, o presidente ressaltou que o papel da mulher na economia é perceber o aumento dos preços na hora de fazer compras.

    Evidentemente, o mundo veio abaixo. Foi acusado de reforçar um discurso retrógrado que limita o papel da mulher na sociedade ao lar. As críticas fazem sentido. No mundo todo – e no Brasil, particularmente – segmentos importantes da sociedade têm lutado para reforçar a importância de legitimar o papel da mulher em todos os lugares da sociedade, especialmente naqueles em que a participação dos homens é historicamente maior. Exemplos não faltam. Na política, nas empresas, na imprensa, nos esportes.

    Dados não faltavam ao presidente. O IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – havia divulgado dias antes estudo que mostrava que as mulheres seguiam ganhando menos que os homens, mesmo quando ocupam os mesmos cargos. Mesmo que tenham mais escolaridade. Em um discurso de poucos minutos, o presidente poderia ter preferido mostrar esse lado da questão.

    Nossa experiência

    Bem, vou tentar defender o lado positivo do discurso do presidente… O que ele falou pode até não contribuir para diminuir o problema, mas não está totalmente descolado da realidade atual. Nesses mais de quatro anos de Educando Seu Bolso, tivemos oportunidade de conhecer de perto e ajudar muitas famílias. Em muitos casos percebemos que a mulher era a responsável pelo equilíbrio financeiro da família. Enquanto o homem às vezes adotava uma postura mais ousada, quase irresponsável, a mulher enxergava coisas que ele não enxergava sobre a realidade das coisas, do dia a dia.

    Bem, a natureza não dá saltos. As sociedades também não costumam dar. Por isso, um caminho para tornar nossa sociedade mais igualitária entre os gêneros pode ser, justamente, aproveitar traço da herança machista como elemento de transformação. Vou explicar melhor. Um dos caminhos da transformação da nossa sociedade pode ser estimular as mulheres empreendedoras.

    Mulheres empreendedoras

    Pequenos negócios são mais fáceis de serem criados. Para pessoas com poucos recursos – tempo, dinheiro, espaço – pode ser uma forma de conquistar profissão, renda, dignidade, independência. Já falamos tanto sobre empreendedorismo aqui no blog, hoje propomos lançar este novo olhar sobre o assunto.

    Às vésperas do dia internacional da mulher em 2017 foram divulgados números sobre mulheres empreendedoras. Segundo a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), entidade que pesquisa o empreendedorismo no mundo, mais da metade dos empreendedores que iniciaram negócios em 2014 são mulheres. Enquanto isso, aqui no Brasil, o Sebrae divulgava que o número de mulheres empreendedoras havia aumentado 34% nos últimos anos.

    Segundo o estudo, 40% dessas mulheres empreendedoras têm menos de 34 anos. A maior parte desses negócios são de setores simples, como restaurantes, cabeleireiros e cosméticos, e 35% dos negócios funcionam dentro da própria casa das empreendedoras.

    Pode parecer pouco, mas é um começo. E, na mesma época, o CNPq divulgou que o número de bolsas de estudo – entre iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e estímulo à inovação – concedidas a mulheres mais que dobrou em 15 anos. Dá para perceber que, aos poucos, as coisas vão caminhando em diferentes frentes?

    Várias frentes

    Pois é. Acho que este é o moral da história. A conquista da igualdade entre os gêneros é uma luta em várias frentes. Por um lado, há que se mudar as políticas, como destaca o artigo do FMI. Criação e aplicação de leis firmes que garantam os direitos e a proteção das mulheres. Por outro lado, há as campanhas de vários segmentos da sociedade, denunciando e recriminando o desrespeito. E, pelo lado de dentro, iniciativas eficazes e eficientes, como o estímulo às mulheres empreendedoras, à reconquista da dignidade e da independência pelo trabalho.

    Nós, do Educando Seu Bolso, acreditamos muito no empreendedorismo e no acesso aos produtos e serviços financeiros. Para isso oferecemos nosso Comparador de Contas Digitais e o Simulador de Investimentos em Renda Fixa.

    E, sobretudo, trabalhamos muito pela igualdade e pela inclusão. Parabéns às mulheres empreendedoras, às trabalhadoras, às batalhadoras, às mães, às filhas, a todas. Feliz dia da mulher, todos os dias!

    24 min
  • Programas de milhagem: Multiplus, Livelo, Smiles…

    Existe uma "moeda" bastante valorizada na praça, para a qual muitas vezes não damos a devida atenção: os pontos dos programas de milhagem de cartões de crédito, como Multiplus, Livelo, Smiles, Tudo Azul e outros. Será que vale a pena usá-los? É importante levar isto em consideração ao planejar sua próxima viagem de férias?

    Esse foi o tema da nossa conversa no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência.

    Fred, esses bônus de programas de milhagem, podem entrar no orçamento de alguma forma?

    Esses pontos são importantes, sim. E, infelizmente, há muitos brasileiros desperdiçando uma pequena fortuna: temos um estoque de dezenas de milhões de milhas sendo perdidas, porque têm a validade expirada por falta de uso.

    Para o nosso leitor e ouvinte entender como funciona, antes de entrarmos nos prós e contras: são aquelas milhas que você adquire a usar o seu cartão de crédito. Você gastou R$ 2000 na sua fatura de cartão de crédito e eles são convertidos em milhas nos programas de milhagem. Em outras palavras, você acumula milhas sempre que usa o cartão. Alguns convertem a um dólar por milha, ou mais. Vamos supor que a pessoa adquiriu 1000 milhas: ela vai diretamente para o extrato do programa, que estão, muitas vezes, dentro dos extratos dos bancos. É só dar uma olhada no site, por exemplo, e você vai ver lá: Livelo, Multiplus, Smiles, ou outros.

    Eu tinha um plano do HSBC. Era correntista do banco, então acessava o meu extrato lá e lia lá, por exemplo: "Pontos adquiridos: 1000". Se, porventura, houvesse alguma leva de pontos que eu perdi por deixar expirar, apareceria lá um débito com os pontos que eu perdi, porque eles haviam caducado.

    Eles expiram mês a mês?

    Depende do programa. Você vê aquilo no seu extrato bancário. Só que, obviamente, não é dinheiro, não são Reais, são pontos de programas de milhagem. Esse prazo de expirar geralmente é de um ou dois anos, dependendo do programa. Então pode ter esse extrato dentro do próprio site do banco. Como eu falei que era correntista do HSBC, minha conta passou para o Bradesco, que adquiriu o HSBC. E, no caso o Bradesco, eles têm um site separado. O programa de fidelidade do Bradesco, em parceria com o Banco do Brasil, é o Livelo. Eles têm um programa separado de fidelização. Então eu preciso acessar um outro site para verificar realmente e controlar crédito e débito desses pontos. Bem como o resgate, que é o grande objetivo desses programas de fidelização.

    Aí eu me pergunto: "Para que eu fiquei acumulando esses pontos? De que me adianta isso?" É uma moeda valorizada, mesmo, porque isso permite fazer o uso de serviços, comprar produtos, passagens aéreas, que é a utilização mais popular dessa moeda. Então, para resgatar, você usa também esse ambiente. No caso do HSBC, o resgate estava dentro do próprio site do banco. No caso do Bradesco, tem que usar Livelo.

    Isso vale dinheiro. Acho que o recado principal para o nosso ouvinte hoje é: vamos apertar e torcer para pingar, para sair alguma coisa de onde for possível.

    Há empresas que compram pontos da Multiplus, da Livelo etc.?

    Sim, há muitas empresas que compram. Um grande negócio, hoje em dia, no Brasil, é você adquirir e revender os pontos desses programas de fidelidade. Há várias delas, uma que a gente já usou e funcionou muito bem é a Maxmilhas.

    Vale a pena?

    Geralmente vale a pena. Houve uma controvérsia, inclusive jurídica – e eu não sou especialista jurídico – em relação à possibilidade ou legalidade de se fazer essas transações, de revender esses pontos. As empresas Multiplus, Smiles, Tudo Azul, Livelo, alegavam que não era legal fazer esta transação. E parece que tem havido uma decisão ou outra, um pronunciamento dos órgãos de defesa do consumidor, de que é um direito, de quem tem as milhas, cedê-las ou revendê-las a terceiros, assim como você emite uma passagem com seus pontos, para terceiros, eu posso entrar no meu extrato da Livelo agora, ou do Multiplus, por exemplo, emitir uma passagem para minha mãe, no nome dela. Então, para minha mãe eu não vou cobrar nada, mas se eu porventura emitisse uma passagem para você, por exemplo, eu negociaria um preço justo.

    Você disse que muitos brasileiros deixam os pontos expirarem

    Eu fico imaginando que muita gente nem sabe que está participando do programa. Todo mundo que tem cartão de crédito, de uma loja, de um posto de gasolina – e quase todas as bandeiras oferecem programas de milhagem – eles oferecem, porque querem fidelizar o cliente. Algumas pessoas ouvem falar em Multiplus, em Livelo, nem sabem direito o que são. Mas podem até já estarem inscritas nesses programas, sem saber.

    Mas todo mundo que tem cartão de crédito tem pontos que poderiam ser trocados por serviços ou produtos?.

    A maioria tem. Se não tiver, possivelmente isto vai estar explícito. Por exemplo, um cartão popular entre a turma mais jovem, o Nubank, que tem muita gente querendo, não tem anuidade, mas também não oferecia programa de milhagem. O que estão fazendo agora, a partir de críticas de potenciais usuários, é dar a opção de a pessoa adquirir também um programa de fidelidade. Mas aí custava, se não me engano, R$ 190 por ano para participar do programa, para fazer com que os gastos daquele cartão sejam transformados em milhas. Então, se não houver um programa de fidelidade automaticamente vinculado ao cartão, provavelmente isto estará explícito, porque é uma coisa que o brasileiro valoriza muito.

    Apesar de, como eu falei, muitos dos que valorizam, que usam isso como critério de decisão, "Não, eu não vou porque não tem milhagem". Essa mesma pessoa acaba deixando expirar os pontos da Livelo, por exemplo, por descontrole, por falta de planejamento.

    Como é a transformação disso em passagem aérea?

    É muito tranquilo transformar isso em passagem aérea fora de temporada. Mas em alta temporada é bem mais complicado. Você quase não acha.

    Não é vantajoso porque as milhagens são mais altas.

    Exatamente. Por exemplo, talvez você consiga viajar com 4 ou 6 mil pontos Livelo, ou Multiplus, Smiles etc., aqui em Belo Horizonte, ou São Paulo, ou Brasília, fora de temporada, numa terça-feira no meio do dia, em novembro, quando não tem ninguém de férias. Mas para viajar em janeiro para a praia você vai pagar as 20, 25 mil. Então, 6 ou 7 vezes mais. Então, a multiplicação disso é por oferta e demanda, mesmo.

    Há diferença entre pontos e milhas? Como é que a gente escolhe esse cartão?

    Basicamente é uma regra de custo-benefício. Por "custo" a gente entende anuidade – e para quem usa o rotativo, que é não pagar o total da fatura, é preciso ficar muito atento à taxa de juros que o cartão cobra.

    A gente já falou aqui várias vezes que não recomenda de forma alguma que nossos ouvintes usem o rotativo do cartão de crédito. Mas para quem sabe que é descontrolado, que vai deixar escapar dois, três, quatro dias, é preciso ficar muito atento à taxa de juros que o cartão cobra. Então fique de olho nesses dois custos: anuidade e taxa de juros do cartão. A custos iguais, vá para aquele que te oferece mais milhas, ou aquele que tem um ambiente de site que você entenda melhor, que seja mais amigável, que tenha parcerias com outras empresas.

    Por exemplo, para passar do programa no meu banco eu tinha que transferir para Multiplus, Smiles, Livelo, Tudo Azul. Então, muitas vezes, você tem que fazer um passo de transição para conseguir emitir a passagem. Então, se o seu programa de fidelidade tem várias parcerias, ele te dá mais escolhas de para onde ir e de como usar.

    Fred, é mais interessante você concentrar os gastos em um único cartão ou programa, ou participar de vários?

    Bom, aí já é a resposta que não gostamos de dar: geralmente depende. Vou falar o que eu costumo fazer: eu concentro os meus gastos em um cartão só, porque no programa de fidelidade vale muito o seu poder de fogo. Se você tem 10 mil pontos, para transferir para a Multiplus, para emitir uma passagem pela Latam, eu vou conseguir 10 mil milhas. Se eu tiver 50 mil pontos na Livelo – saiu lá, recentemente, uma promoção do programa Tudo Azul – eu vou receber 40% de bônus – acima de 49 999. Então, se eu vou transferir 50 mil pontos, vou receber um crédito de 70 mil milhas.

    Existe hoje, no mercado, uma concorrência grande entre as empresas aéreas para atrair participantes para os seus programas de milhagem. Elas estão oferecendo – e quem faz parte desses programas sabe do que eu estou falando, está recebendo e-mails na sua caixa de entrada com promoções – a possibilidade de que você transfira esses pontos dos seus programas de milhagem para eles.

    Você pode sempre fazer esse intercâmbio?

    Não, eu posso ir, mas não posso voltar. Esse é que é o ponto. Eu posso sair do programa de fidelidade que eu tenho no banco, no cartão de crédito e ir para Tudo Azul. Depois que eu fui para lá, estou refém dele, só me resta comprar uma passagem. É como se eles garantissem para si mesmos que vão vender uma passagem. "Olha, esse cara veio para cá e agora daqui ele não sai mais". Enquanto você está no banco, você consegue ir para um, ou ir para outro. Se amanhã aparecer uma oferta boa na Latam, eu vou mandar meus pontos para a Multiplus e lá eu vou adquirir minha passagem.

    Esta é outra dica que fica. Além de concentrar os pontos para ter um poder de fogo maior, é bom você adiar a transferência do banco para os programas de milhagem. Vamos supor, de uma companhia aérea, se for o caso, seu destino final. Por que? Porque assim você mantém as possibilidades abertas, você pode entrar na porta que você quiser, quando bem quiser. Se você transfere antes, sem ter perspectiva de uso, aquilo fica parado, você não tem mais todas as portas abertas. E o pior: começa a contar o prazo de validade no programa, para expirar um ano, dois anos.

    Nós estamos dizendo que isso vale dinheiro, mas não falamos exatamente sobre isso até agora. Existe um mercado para isso. Essas 10 mil milhas valem R$ 250. Isso é dinheiro! Tem relatos lá no blog de pessoa que vendeu 40 mil milhas, ganhou R$ 1000.

    Existem até golpes agora, com transferência de milhas.

    Sim, é preciso tomar cuidado.

    Quais são os cuidados necessários para fazer o resgate?

    Para fazer o resgate para si mesmo, o cuidado é o que você normalmente tem com suas senhas. Para fazer a transferência para terceiros, aí você está em uma transação que pode se complicar um pouco, muito embora seja muito comum hoje em dia. Existem diversas plataformas que recebem pontos dos programas de milhagem para fazer a transferência para terceiros. O mais comum é isso ser intermediado até através de agências de viagem.

    Eu tenho um o caso concreto: a pessoa tinha 40 mil milhas e queria viajar em janeiro com a família para a praia. Mas, como a gente falou aqui, em janeiro é alta temporada. As companhias estavam exigindo uma quantidade enorme de pontos para viabilizar a viagem aérea. O que ele fez? Ele procurou esses sites, uma agência de viagem – muitas vezes é até combinado, o site tem uma agência. Ele vendeu, conforme nos relatou, 40 mil milhas por R$ 1000. A agência de viagem, ou o site, vão ter acesso aos dados dele. Tem que passar a senha de acesso ao programa – Multiplus, por exemplo, que foi o caso dele – e a senha de resgate, inclusive.

    Passar a senha??

    Sim, aí a agência passou a emitir passagens para os clientes dela. Parece que emitiram 4 ou 5 passagens, agora no mês de outubro, para São Luís, Teresina, Porto Velho. Existem alguns lugares em que a relação entre milhas e o custo da passagem é mais favorável, que não eram os trechos que ele gostaria de fazer. A agência teve um lucro porque emitiu uma passagem com as milhas dele. Pagou um pouco mais barato do que pagaria se tivesse que comprar realmente a passagem da empresa aérea. Ela teve lucro com o cliente final, que realmente usou aquela passagem, e ele, por sua vez, não deixou os pontos dos programas de milhagens. As milhas dele estavam para expirar em dezembro e janeiro. Então, ou ele usava para essas férias, ou não usava mais com passagem.

    Além de passagens, o que é possível adquirir com pontos Multiplus, Livelo etc.?

    Pois é, precisamos dizer também que não é só com passagem que dá para usar. Dá para comprar uma bicicleta, micro-ondas, eletrodomésticos. Você tem parceria desses programas fidelidade com lojas de eletroeletrônicos. Então há inúmeras possibilidades de conversão de pontos dos programas de milhagem.

    Então primeira dica é: não deixe expirar de jeito nenhum, controle bem a validade. Dois: concentre os seus gastos em um cartão só, de preferência que tenha uma boa relação de conversão em pontos. 1,5 milha já é considerada uma boa relação, hoje em dia. Os de uma relação de duas vezes já são bem mais escassos, e muitas vezes eles cobram anuidade cara. A terceira dica: compare bem custos do cartão, taxa de juros, com os benefícios dos programas de milhagem. Muitas vezes não vale a pena você ter um cartão mais poderoso em termos de milhagem se você tem que pagar uma anuidade caríssima para mantê-lo.

    Eu percebi também, no mercado, que para eles te oferecerem esse cartão que faz uma conversão favorável de pontos em milhas, também pedem comprovação de renda. Porque eles não oferecem todas as bandeiras de cartão para qualquer consumidor.

    É, a gente está falando, para ser mais específico, desses cartões que se chama de black. Esses cartões têm programas de milhagem melhores. Não são oferecidos para qualquer um, realmente só para quem tem uma renda ou um movimento no cartão muito grande. Então a gente tem relato de pessoas que fizeram a reforma da casa e começaram a pagar por tudo através do cartão. Logo o banco chamou, falou "Olha, vem cá, eu tenho um cartão para você aqui", porque o padrão de gasto dele no cartão aumentou tanto que eles entendiam que aquele cliente era um cliente com poder financeiro maior. Eles não são oferecidos para todo mundo, não.

    Então, os cuidados de um relacionamento com uma terceira parte: fornecer sua senha para alguém. Você pode criar uma senha diferente, temporária. Porque você dá acesso a empresa ou agência de viagem ao teu extrato, aos teus programas de milhagem, durante dois meses, por exemplo – porque eles precisam de um tempo para ir recebendo pedidos dos clientes e emitindo as passagens para se recompensar do que pagaram. Eles pagam antecipadamente, inclusive, segundo nos relatou o leitor do blog. Ele recebeu esses R$ 1000 de cara, abriu o acesso à conta dele por dois meses para a empresa e eles foram aos poucos emitindo passagens.

    Então até uma análise de crédito essas empresas fazem, de quem está vendendo as milhas. Porque a pessoa pode vender, depois querer dar um golpe em quem comprou, ir lá e mudar a senha de novo, e vender de novo. Então pode ser uma relação meio complicada.

    O que eu já vi de golpe é desses em que pessoas te ligam oferecendo serviços, produtos, fala que você pode pagar com os programas de milhagem, te pedem número de cartão.

    Ah, sim, é preciso saber com quem está se relacionando, se é uma empresa estabelecida. É muito fácil você criar sites na internet, hoje, que amanhã não existem mais. Então você tem que saber disso tudo, onde é que está situada fisicamente aquela empresa, buscar relatos de experiências anteriores de outros clientes daquela empresa. E hoje é muito fácil fazer isso, através do Reclame Aqui, por exemplo. E entender se aquela empresa realmente honrou as promessas que fez em relação aos negócios passados.

    Outra dica: deixar para transferir também de última hora para a emissora de passagem – a Multiplus, por exemplo. Você está dando uma vida útil maior para esses pontos. Para que você tenha mais possibilidades de utilizá-lo. O objetivo é não deixar isso passar, isso vale dinheiro. Como eu falei, isso vale R$ 250. Estamos no ambiente de vacas magras. Não vamos deixar perder.

    Tem algum banco, algum administrador de cartão, que fala assim, 'Olha, você tem tantos pontos, eu te dou tantos Reais', que faz a conversão em moeda mesmo?

    Eu tinha experiência do HSBC, que fazia isso. O programa Valeu, do HSBC, convertia esses pontos em créditos na próxima fatura. Também, mais ou menos nessa faixa. Dependendo do valor, R$ 250 ou R$200, a cada 10 mil pontos. O que era ótimo, porque eu não precisava de fazer essas transações.

    E estimula também esse mercado paralelo

    No Bradesco, ou na Livelo, que é o mesmo do Banco do Brasil, dois bancos enormes, não há essa possibilidade. Lá fora isso é muito comum, há um produto chamado cashback. Os cartões de crédito são ofertados, fazem propaganda deles na televisão, muito em cima dessa possibilidade. Americano adora isso de ter esse recurso de volta. O American Express é famoso por ter um dos melhores programas de cashback nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, só recentemente começaram a surgir os programas de cashback.

    É isso! Estamos à disposição do ouvinte da Inconfidência, dos ouvintes do podcast. Aproveito a oportunidade para pedir o pessoal para avaliar, entra lá na Apple Store, na Google Store. Dizer o que que está achando, inclusive criticar, sugerir temas. A gente quer falar de assuntos facilitem a vida do máximo de pessoas possível. Vamos fazer o nosso dinheiro render!

    26 min
  • Imposto de Renda 2018: o Leão vem aí!

    Como em vários anos, participamos, com muito entusiasmo, do programa Em boa Companhia da Rádio Inconfidência. Em mais uma conversa descontraída com o Pedro Vieira, tratamos da Declaração de Imposto de Renda de 2018, ano base 2017! Há algumas novidades importantes e que você deve se atentar! Veja o vídeo da nossa participação e ouça o áudio em podcast.

    Lá vem o Leão, cheio de paixão!

    A folia de momo já passou e como em todos os anos muitos brasileiros são chamados à jaula do Leão! Não entendeu? O período de entrega da Declaração de Ajuste do Imposto de Renda é de 01 de março até 30 de abril – esse ano será em uma "segunda-feira brava" para os que deixarem para a última hora e tranquila para os que se anteciparem e enviarem o mais rápido que puderem. Faca o download do software neste link. A expectativa da Receita Federal é de que sejam entregues 28,8 milhões de declarações. E por que muitos dizem que irão prestar contas com o Leão? Será que é porque o Imposto de Renda morde ferozmente como um leão faz com sua presa?

    Apesar de muitos acharem que é por isso, existe uma resposta oficial. Em 1979, a Receita Federal encomendou uma campanha de divulgação e o leão foi escolhido como símbolo do trabalho de fiscalização. E o motivo é: "O leão é o rei dos animais, mas não ataca sem avisar; é justo; é leal; é manso, mas não é bobo." Veja abaixo a campanha publicitária!

    Quem deve declarar o Imposto de Renda?

    As obrigatoriedades são as seguintes:

    • Obteve rendimentos tributáveis (salário, aposentadoria, pensão, aluguéis) igual ou superior a R$ 28.559,70
    • Obteve rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00
    • Obteve, em qualquer mês de 2017, ganho de capital na alienação (venda) de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto
    • Realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros etc
    • Realizou alienação (venda) de bens imóveis residenciais, mesmo com isenção de imposto de renda por ter tido o produto da venda destinado a compra de outro bem imóvel residencial no prazo de 180 dias contados da celebração do contrato de venda
    • Obteve receita bruta anual com atividade rural superior a R$ 142.798,50
    • Teve a posse ou propriedade de bens ou direitos (patrimônio), em 31/12/2017, igual ou superior a R$ 300.000,00
    • Passou a ser residente fiscal no Brasil em qualquer mês e permaneceu assim em 31/12/2017

    São muitas, não é mesmo? Se você se enquadra em uma delas, você é obrigado(a) a declarar!

    Deduções

    As deduções são muito importantes para reduzir o Imposto de Renda a pagar ou aumentar a restituição. Você pode deduzir as seguintes despesas:

    • Dedução por dependente: R$ 2.275,08
    • Despesas com educação por dependente ou com educação própria: limite de R$ 3.561,50
    • Desconto com cada empregado doméstico: R$ 1.171,84
    • Despesas com saúde: não há limite
    Quem pode ser dependente?
    • Filho(a) ou enteado(a), até 21 anos de idade
    • Filho(a) ou enteado(a), em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho
    • Filho(a) ou enteado(a) universitário ou cursando escola técnica de segundo grau, até 24 anos
    • Irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, de quem você detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho
    • Irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, com idade de 21 anos até 24 anos, se ainda estiver cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, desde que você, contribuinte, tenha detido sua guarda judicial até os 21 anos
    • Menor pobre até 21 anos que você, contribuinte, crie e eduque e de quem detenha a guarda judicial;
    • Pessoa absolutamente incapaz, da qual você seja tutor ou curador. No caso de pais separados, é considerado dependente o filho que fica com o pai ou a mãe, em decorrência de cumprimento judicial.
    • Companheiro(a) com quem você tenha filho em comum;
    • Companheiro(a) com quem você viva há mais de cinco anos;
    • Cônjuge;
    • Pais, avós e bisavós que, em 2017, tenham recebido rendimentos, tributáveis ou não, até R$ 22.499,13

    Qualquer dependente só pode ser declarado na declaração de uma pessoa. Apesar de os filhos serem dependentes dos pais, só pode ser informado em uma declaração. E, para 2018, é obrigatório informar o CPF para maiores de 8 anos! Em 2019, a obrigatoriedade será para todos os dependentes, independentemente da idade que tenham.

    Quais despesas educacionais podem ser usadas como dedução?

    As que podem:

    • Educação Infantil (as creches e as pré-escolas)
    • Ensino Fundamental
    • Ensino Médio
    • Educação Profissional (ensino técnico e tecnológico)
    • Educação Superior – Graduação e Pós-Graduação (especialização, MBA, mestrado e doutorado)

    As que não podem:

    • Despesas com uniforme, material e transporte escolar
    • Despesas relativas à elaboração de dissertação de mestrado ou tese de doutorado
    • Despesas com livros e outros materiais jornalísticos
    • Despesas com aulas de idiomas, música, dança, natação, ginástica, tênis, pilotagem (aulas de trânsito), tênis, dicção, corte e costura, informática
    • Despesas com cursos preparatórios para concursos ou vestibulares
    • Despesas com taxas de inscrição para concursos
    • Despesas com crédito educativo
    • Despesas com passagens e estadias para estudo no exterior
    • Despesas com participação em congressos

    Importante: Todas as despesas têm que ter o seu respectivo recibo, nota fiscal ou informe de pagamentos.

    Quais gastos com saúde podem ser deduzidos?

    As que podem:

    • Planos de saúde
    • Médicos
    • Dentistas
    • Psicólogos
    • Fisioterapeutas
    • Terapeutas Ocupacionais
    • Fonoaudiólogos
    • Hospitas
    • Exames Laboratoriais
    • Serviços Radiológicos
    • Aparelhos Ortopédicos
    • Próteses Ortopédicas
    • Próteses Dentárias

    As que não podem:

    • Despesas cobertas pelo plano ou seguro saúde ou que foram reembolsadas não devem ser deduzidas
    • Despesas com enfermeiro(a) ou cuidador(a) de idosos
    • Despesas com exames de DNA
    • Despesas com medicamentos (exceto se estiver em conta hospitalar)
    • Despesas com passagens e estadias para tratamento médico no exterior
    • Despesas com academia
    • Despesas com próteses para cirurgias plásticas

    Importante: Todas as despesas têm que ter o seu respectivo recibo, nota fiscal ou informe de pagamentos.

    Pensão Alimentícia

    Todos os valores pagos a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos integralmente do cálculo do Imposto de Renda. Porém, quem recebe a pensão está sujeito à tributação.

    Previdência Privada PGBL

    Valores das contribuições feitas a planos de previdência PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) ou Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) no ano de 2017 podem ser deduzidas, limitadas a 12% dos rendimentos tributáveis no ano. Nunca ultrapasse 12%! É a mesma coisa que tributar um dinheiro sem necessidade!

    Aportar recursos em planos PGBL é uma das melhores formas de reduzir o imposto a pagar ou de aumentar a restituição. É o que chamamos de diferimento fiscal – é trocar, por exemplo, 27,5% por 10% em 10 anos! Além de receber juros de um dinheiro que estaria nas mãos da Receita Federal.

    O limite de 12% dos rendimentos tributáveis não vale para a modalidade Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) pois nestes os aportes são enquadrados na mesma situação de aplicações financeiras, ou seja, você irá declará-las como patrimônio.

    Doações podem ser deduzidas do Imposto de Renda?

    Podem ser deduzidos os pagamentos referentes a:

    • Estatuto da Criança e do Adolescente
    • Fundos Nacional, Estaduais ou Municipais do Idoso
    • Incentivo à Cultura
    • Incentivo à Atividade Audiovisual
    • Incentivo ao desporto
    • Incentivo ao Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas-PCD)
    • Incentivo ao Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon)

    O percentual máximo na soma das 5 primeiras possibilidades é de 6% do imposto devido e das 2 últimas é de 1% do imposto devido, sendo que o máximo para doações é de 6%.

    Bens e direitos e dívidas e ônus

    Aqui estão algumas das novidades para 2018!

    Todos os bens e direitos, bem como dívidas e ônus, devem ser declarados. Para os imóveis financiados, não se esqueça de que todos os valores pagos podem ser informados. Em uma venda futura, diminuirá muito o seu Ganho de Capital. Estão dispensados de serem informados os saldos em contas correntes abaixo de R$ 140,00 e os bens móveis, exceto carros, embarcações e aeronaves, com valor abaixo de R$ 5 mil.

    Não precisam, também, ser declarados ativos financeiros abaixo de R$ 1.000,00. Dívidas menores que R$ 5.000,00, também não precisam ser declaradas.

    Se você tem aplicações financeiras, atente-se a todos os Informes de Rendimentos. Para ações, a dificuldade aumenta. Apenas os lucros referentes às vendas de ações abaixo de R$ 20.000,00 que há isenção.

    Em 2018, a Receita Federal pedirá (não é obrigatório) que sejam informados o endereço, número de matrícula, IPTU e data de aquisição de imóveis, além do número do Renavam de veículos. Para 2019, todas essas informações serão obrigatórias! Assim, já as inclua para ficar tudo preenchido.

    Declaração de Imposto de Renda completa ou simplificada?

    Na declaração simplificada, o próprio sistema da Receita Federal atribui um desconto de 20% como despesa dedutível, já na completa, as deduções informadas é que são utilizadas. O ideal é informar todas as despesas e optar pela melhor opção para você que está na lateral inferior esquerda do software disponibilizado pela Receita Federal.

    Dicas importantes
    • Use o mesmo computador para poder importar os dados. Assim, a chance de esquecer alguma informação reduz muito! Caso troque de computador, salve um backup nos vários serviços de nuvem para facilitar o preenchimento futuro.
    • Mesmo se você não é obrigado a declarar, vale a pena declarar se teve imposto retido e, também, para que você tenha um comprovante de renda. É mais importante ainda para os autônomos e para os MEI.
    • Faca da Declaração de IR sua aliada: ela fará um diagnóstico da sua vida financeira. Você poderá perceber como está o andamento do seu patrimônio e de suas dívidas. Por isso, mesmo não sendo obrigatório o lançamento de algumas informações, informe-as!
    • O software da Receita Federal armazena os nomes ao digitar o CPF ou CNPJ. Aproveite esta funcionalidade e economize tempo!
    29 min
  • Robôs em busca do melhor investimento hoje

    Começo com esta obsessão atual com robôs. Hoje em dia é comum ouvirmos falar de robôs que fazem o trabalho que antes era feito pelo ser humano. Porém, de forma mais eficiente. Eles são mais confiáveis, pois não dormem, não tiram férias, não se cansam e, por isto, não falham. É nesta onda que serviços de investimento como Monetus, Vérios, Magnetis e Warren têm sido chamados de robôs de investimento. Apesar de não serem exatamente robôs, são mecanismos que procuram o melhor investimento hoje.

    Eles tampouco são iguais entre si, por isso é importante compará-los. Afinal, você já abriu os olhos e percebeu que seu dinheiro rende mais fora dos bancões, certo? Então compare os robôs em busca do melhor investimento hoje, de acordo com seu perfil.

    Como funcionam estes Robôs de Investimentos?

    Onde está o seu dinheiro? Nas mãos de quem? Na maioria destes serviços que buscam o melhor investimento hoje, os robôs de investimentos (chame como quiser), a Gestora ou Consultoria de Investimentos (todas autorizadas e reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM) – Warren, Vérios, Magnetis, ou Monetus – não coloca a mão no seu dinheiro. Você faz uma transferência bancária – TED – para sua própria conta. Não em um banco, mas em uma Corretora de Títulos e Valores Mobiliários – instituição fiscalizada pelo Banco Central. Em seguida a gestora dá ordens à corretora para que ela aplique o seu dinheiro.

    Como assim?

    Você transfere dinheiro do banco onde recebe seu salário, por exemplo, para a corretora parceira de cada uma destas gestoras. Somente a partir de orientações de Monetus (Amaril Franklin), Warren (Santander), Vérios (Rico) ou Magnetis (EasyInvest) é que a corretora sabe o que fazer com o dinheiro, em busca do melhor investimento hoje.

    Pode dar um exemplo?

    Digamos que seu perfil de investidor seja mais jovem, bem planejado e que tem tolerância a risco. Assim, você teria, por exemplo, 70% em renda fixa e 30% em renda variável.

    Se você investiu R$ 10 mil, digamos que R$7 mil vão comprar CDBs, LCIs, LCAs ou cotas de Fundo de Investimento Financeiro em Renda Fixa – FIRF. Os outros e R$3 mil vão comprar Ações ou cotas de Fundo de Investimentos em Ações – FIA.

    Quem diz para a corretora que é para pegar os R$ 10 mil que estão na sua conta e comprar R$3 mil em ações ou cotas de FIA e R$7 mil em CDBs, LCIs, LCAs ou cotas de FIRF é o tal Robô de Investimentos. Ele é que vai buscar o melhor investimento hoje, de acordo com seu perfil.

    Minha esposa, que é Designer, vive me dizendo que nem todo mundo gosta de ler e que muitos são "visuais". Então para vocês, "visuais", segue abaixo o caminho do dinheiro na Vérios. Ele é bem parecido com o que ocorre nos demais.

    Segurança nos melhores investimentos

    Muitos falariam antes da rentabilidade, que é o que faz arregalar os olhos da maioria. Você não conhece alguém que adora se gabar dos seus ganhos em investimentos? Aquela ação que comprou, ou pior, os ganhos com criptomoedas e outros animais fantásticos, que a gente não sabe bem onde habitam? Pois é! Mas aqui, não. No Educando Seu Bolso, somos mineiros, desconfiados… Nos melhores investimentos, segurança é fundamental.

    Digamos que os R$7 mil compraram diretamente títulos (CDBs ou LCIs). Eles serão necessariamente registrados na Cetip e custodiados pela corretora em conta no nome do cliente (você), com possibilidade de verificação através do Cetip Certifica. Todas as instituições financeiras parceiras destes robôs de investimentos aderiram ao Cetip Certifica. Se você não conhece o programa, leia nosso post sobre o assunto.

    Além disso, o Fundo Garantidor de Crédito – FGC – fornece uma espécie de seguro. Ele garante até o valor de R$250 mil que você tenha aplicado por banco, com limite máximo de R$1 milhão a cada 4 anos. Você também não conhece a proteção do FGC? Já escrevemos sobre ela. Então, se o melhor investimento hoje é coberto pelo FGC, melhor ainda!

    Fundos de investimento

    E no caso dos R$7 mil terem sido destinados à compra de cotas de FIRF? Aí não há o mesmo grau de segurança e controle. Em relação a aplicações em fundos, este é o padrão no Brasil. Por exemplo, se você aplica em um fundo na XP, você só vê esta informação na XP. Não conheço um lugar que centralize ou onde você possa consultar estas informações, como CETIP e BMF.

    Na teoria, um fundo de investimento é separado da estrutura de corretora ou gestora. Tem CNPJ próprio e é propriedade dos cotistas. Assim, os patrimônios dos fundos não se comunicam com a Gestora ou corretora. Elas apenas têm o papel de gerir e administrar, respectivamente. Caso a qualquer uma destas gestoras de investimentos pare de existir, a administradora chamaria uma AGE para mudança da gestão. Caso a Administradora pare de existir, a gestora e os cotistas chamariam um AGE para mudança do Administrador. Tudo isso sem nenhuma penalidade para cotistas.

    Porém, me parece que já houve caso no passado onde essa separação legal não foi devidamente respeitada. Portanto, eu, pessoalmente, acho que há, sim, um enfraquecimento na segurança do investimento via fundos, quando comparado com aquele feito diretamente em títulos. Apesar disto, devo esclarecer que mantenho um bom volume de recursos com a Monetus. Uma parte destes – a proporção alocada no curto prazo – no FIRF Monetus.

    Renda variável

    A mesma lógica vale para os R$3 mil restantes. Se comprarem diretamente ações, há registro em conta própria. Recebe-se extrato não só da corretora, mas de fonte independente, a Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia – CBLC.

    Se, alternativamente, o modelo de negócio dos Robôs de Investimento determinar a compra de cotas de FIA, entendo que perde-se novamente certo grau de controle – conforme descrevi acima, para o caso de você querer a conferir a vinculação específica da aplicação ao seu CPF.

    Além disso, no caso de ambos os fundos de investimentos, além do extrato de Magnetis, Monetus, Warren e Vérios e de suas instituições financeiras parceiras Amaril Franklin, Santander, Rico ou EasyInvest, respectivamente, é possível consultar a CVM para obter ou confirmar informações sobre os fundos.

    Segue abaixo o caminho do dinheiro na Magnetis, para vocês verem que é bem parecido com o da Vérios (acima).

    Rebalanceamento de carteira

    O rebalanceamento de carteira automático é um argumento de marketing dos Robôs de Investimento.

    Este balanceamento é diferente daquele que você já conhece, feito no seu carro junto com o alinhamento de pneus. Este aqui se dá na sua carteira de investimentos (se lembra dos R$10 mil?).

    Digamos que seus R$10 mil foram investidos no começo de 2017. Como já dissemos, R$7 mil foram investidos em renda fixa e renderam aproximadamente 10% em 2017. R$3 mil foram parar, por exemplo, no Fundo de Investimento em Ações da Monetus, que se valorizou 57,92% no ano. Seu investimento agora vale R$12.437,60 (R$ 7mil + 10% + R$3 mil + 57,92%). Nada mal este ano, hein? Tomara que 2018 seja assim também!

    Bom, mas voltando ao ponto, como você deve ter notado, sua carteira agora não tem mais a mesma proporção entre renda fixa e renda variável. Ao final do ano, você passou a ter 38% em ações, ao invés dos 30% originais, seu objetivo de investimentos. Isto é, aquele adequado ao seu perfil de riscos. Assim, pode se dar um ajuste a sua carteira. Ou vende-se uma parte da sua renda variável ou, em novos aportes, pode-se comprar apenas renda fixa. Isto, visando reequilibrá-la rumo aos percentuais originais.

    Olhos humanos

    Importante ressaltar que, quando se fala de Robôs de Investimentos, muita fé se deposita neste ponto. Imagina-se rebalanceamentos contínuos, capazes de reduzir exposição a Bolsa de Valores quando se imagina que ela subiu demais. Afinal, o melhor investimento hoje pode não ser o melhor amanhã. Os mesmos Robôs de Investimento se encarregariam de comprar novamente após fortes quedas, potencializando rendimentos.

    Infelizmente, não vi nada assim em nenhum destes 4 robo-advisors. Monetus, Warren, Magnetis e Vérios são bastante cautelosos ao dizer que não fazem estes ajustes continuamente. Não fazem por causa dos custos de transação que estariam envolvidos, muitas vezes eliminando ganhos financeiros com as transações.

    Acho que o mais seguro é dizer que eles, na verdade, não são realmente Robôs de Investimentos. São gestores ou Consultorias de Investimentos que se utilizam também de alguns algoritmos como ferramentas auxiliares. Não se iludam. O robozinho que a minha esposa comprou para limpar o piso lá de casa não faz o serviço melhor do que um ser humano, mesmo que as vezes esta pessoa queira se utilizar dele. =)

    Neste ponto devo dar mais crédito à Monetus, que é quem menos se vende como Robô de Investimentos. Ela destaca mais o papel desempenhado por seres humanos como analistas, em busca do melhor investimento hoje.

    Como se comparam estes robôs de investimento na rentabilidade?

    Os rendimentos das empresas Monetus, Warren, Vérios e Magnetis nos últimos 12 meses estão listados abaixo. Os dados obtidos nesta tabela foram retirados do site Yubb em 09/02/2018. Mas atenção: é importante lembrarmos que a rentabilidade passada não garante nenhum retorno futuro!

    Como podemos ver, no perfil 1, que é o mais conservador – renda fixa apenas –, Magnetis, Verios e Monetus renderam mais do que o CDI – mostra lá pro seu gerente bancário, que fica te oferecendo CDBs a 80% do CDI, vai! – com a Warren ficando um pouco para trás.

    Mas é quando se vai agregando mais risco que as diferenças entre os diferentes estilos de gestão aparece mais claramente. Agora repare os perfis 2 em diante. Veja como a boa performance do Fundo de Investimentos em Ações da Monetus fez a diferença nos últimos 12 meses.

    E produtos de investimento de longo prazo? Todas têm?

    É do interesse de muitos investidores criar carteiras que deem um maior rendimento no longo prazo. Dessa forma a Monetus oferece hoje CDB's com liquidez de 3 anos. Porém, com taxas mais atraentes do que as aplicações de curto prazo. Premiando aqueles que se planejam bem e que podem manter o dinheiro aplicado por mais tempo.

    Hoje o fundo de Renda Fixa da Monetus dá um retorno de 100% do CDI. É bom, mas não é espetacular. Confira nosso Simulador de investimentos para ver que há opções melhores se você quer apenas investir por alguns meses. Já os investidores que podem e querem investir com liquidez de 3 anos, desfrutam de 120% do CDI. Este tipo de produto não é ofertado por exemplo pela Warren hoje. Recomendo mais uma vez que consulte nosso simulador para ver que esta, sim, é hoje da melhores rentabilidades do mercado.

    E no fim das contas, qual é o melhor investimento hoje?

    Em resumo, acho que com qualquer um deles você muito provavelmente estará melhor servido do que com seu gerente/banco. Então, minha recomendação é: mexa-se! Especialmente com Selic a 6,75% ao ano. Agora, não consigo bater o martelo exatamente em qual delas aplicar.

    Temos recebido mensagens de leitores perguntando qual é o melhor investimento hoje. Na maioria das vezes, eles estão entre a Monetus e alguma outra – Vérios, Warren ou Magnetis pela ordem de frequência. Isso pode ser uma ordem de preferência. Ou pode simplesmente ter a ver com o fato de termos aplicação na Monetus e já termos escrito sobre eles. Afinal, podemos avaliar melhor a experiência quando somos usuários.

    Mas acho que posso dizer com segurança que, para aplicações de curto prazo, a diferença de rentabilidade não é tão grande. E, infelizmente, há pequena redução na segurança, pela questão da operacionalização via fundos, que comentei acima. Apesar de que o tratamento que temos recebido dos gerentes dos bancões é tão marromeno que pode valer a pena migrar mesmo para os curtoprazistas.

    Já para os que se planejam e têm horizonte de médio e longo prazos e também para aqueles que têm alguma tolerância a risco, a diferença de rentabilidade é significativa. Além disso, a manutenção da segurança da aplicação direta em títulos via corretora com a adesão ao Cetip Certifica e em valores dentro do limite de cobertura do FGC, fazem com que a escolha seja ainda mais óbvia. Corra, Lola, Corra! Escolha uma delas e volte aqui para nos contar como tem sido sua experiência e ajudar os demais.

    =)

    23 min
  • Robôs em busca dos melhores investimentos
    Começo com esta obsessão atual com robôs. Hoje em dia é comum ouvirmos falar de robôs que fazem o trabalho que antes era feito pelo ser humano. Porém, de forma mais eficiente. Eles são mais confiáveis, pois não dormem, não tiram férias, não se cansam e, por isto, não falham. É nesta onda que serviços de investimento como Monetus, Vérios, Magnetis e Warren têm sido chamados de robôs de investimento. Apesar de não serem exatamente robôs, são mecanismos que procuram os melhores investimentos.
    Eles tampouco são iguais entre si, por isso é importante compará-los. Afinal, você já abriu os olhos e percebeu que seu dinheiro rende mais fora dos bancões, certo? Então compare os robôs em busca dos melhores investimentos, de acordo com seu perfil.
    Como funcionam estes Robôs de Investimentos?
    Onde está o seu dinheiro? Nas mãos de quem? Na maioria destes serviços que buscam os melhores investimentos, os robôs de investimentos (chame como quiser), a Gestora ou Consultoria de Investimentos (todas autorizadas e reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM)  – Warren, Vérios, Magnetis, ou Monetus – não coloca a mão no seu dinheiro. Você faz uma transferência bancária – TED – para sua própria conta. Não em um banco, mas em uma Corretora de Títulos e Valores Mobiliários – instituição fiscalizada pelo Banco Central. Em seguida a gestora dá ordens à corretora para que ela aplique o seu dinheiro.
    Como assim?
    Você transfere dinheiro do banco onde recebe seu salário, por exemplo, para a corretora parceira de cada uma destas gestoras. Somente a partir de orientações de Monetus (Amaril Franklin), Warren (Santander), Vérios (Rico) ou Magnetis (EasyInvest) é que a corretora sabe o que fazer com o dinheiro, em busca dos melhores investimentos.
    Pode dar um exemplo?
    Digamos que seu perfil de investidor seja mais jovem, bem planejado e que tem tolerância a risco. Assim, você teria, por exemplo, 70% em renda fixa e 30% em renda variável.
    Se você investiu R$ 10 mil, digamos que R$7 mil vão comprar CDBs, LCIs, LCAs ou cotas de Fundo de Investimento Financeiro em Renda Fixa – FIRF. Os outros e R$3 mil vão comprar Ações ou cotas de Fundo de Investimentos em Ações - FIA.
    Quem diz para a corretora que é para pegar os R$ 10 mil que estão na sua conta e comprar R$3 mil em ações ou cotas de FIA e R$7 mil em CDBs, LCIs, LCAs ou cotas de FIRF é o tal Robô de Investimentos. Ele é que vai buscar os melhores investimentos, de acordo com seu perfil.
    Minha esposa, que é Designer, vive me dizendo que nem todo mundo gosta de ler e que muitos são “visuais”. Então para vocês, “visuais”, segue abaixo o caminho do dinheiro na Vérios. Ele é bem parecido com o que ocorre nos demais.
    Segurança nos melhores investimentos
    Muitos falariam antes da rentabilidade, que é o que faz arregalar os olhos da maioria. Você não conhece alguém que adora se gabar dos seus ganhos em investimentos? Aquela ação que comprou, ou pior, os ganhos com criptomoedas e outros animais fantásticos, que a gente não sabe bem onde habitam? Pois é! Mas aqui, não. No Educando Seu Bolso, somos mineiros, desconfiados... Nos melhores investimentos, segurança é fundamental.
    Digamos que os R$7 mil compraram diretamente títulos (CDBs ou LCIs). Eles serão necessariamente registrados na Cetip e custodiados pela corretora em conta no nome do cliente (você), com possibilidade de verificação através do Cetip Certifica. Todas as instituições financeiras parceiras destes robôs de investimentos aderiram ao Cetip Certifica. Se você não conhece o programa, leia nosso post sobre o assunto.
    Além disso, o Fundo Garantidor de Crédito – FGC – fornece uma espécie de seguro. Ele garante até o valor de R$250 mil que você tenha aplicado por banco, com limite máximo de R$1 milhão a cada 4 anos. Você também não conhece a proteção do FGC? Já escrevemos sobre ela.
    Fundos de investimento
    E no caso dos R$7 mil terem sido destinados à compra de cotas de FIRF? Aí n
    23 min
  • Como ficar rico com seu próprio trabalho?

    Na nossa participação no programa Em Boa Companhia desta semana, falamos com o Pedro Vieira sobre como ficar rico. Pois é, acabou 2017, passou a Mega da Virada, nenhum de nós ganhou o prêmio. E agora? No Brasil de hoje é possível ficar rico somente com o fruto do trabalho?

    Nossas conversas com o Pedro costumam ser bastante práticas, concretas, abordando os temas da economia de forma bastante objetiva. Desta vez foi um pouco diferente. A conversa teve um lado um tanto filosófico, reflexivo.

    Pequena fábula

    Começamos lendo um texto de Alberto Ajzental. O autor é graduado em Engenharia Civil, mestre e doutor em Administração de Empresas. Ele milita na área de negócios, estratégia, marketing e economia. Enfim, em tudo aquilo de que o Educando Seu Bolso trata.

    O texto começa com uma pergunta que é uma provocação. "Seu lucro é real no final do mês, ou mal dá para pagar o seu trabalho?"

    A história é sobre a personagem fictícia Lúcia. Ela saiu do seu emprego e passou a fazer marmitas em sua comunidade. Cada quentinha, saborosa e honesta, sai por R$ 7,50. Ela costuma vender 50 marmitas por dia, faturando, assim, R$ 375,00. O custo dos ingredientes, do gás e da diária de sua ajudante ficam em torno de R$ 266,00. Sobram para ela, portanto, R$ 109,00 todos os dias. Não é muita coisa: é apenas a remuneração do seu trabalho. Não dá para investir na ampliação do negócio, nem para melhorar sua qualidade de vida.

    Reinventar-se

    Lúcia não é a única a fornecer o serviço, outros vizinhos também vendem o produto, pelo mesmo preço. Por isso, ela se vê diante de uma decisão. Ou vende o mesmo produto que outras pessoas vendem, e se contenta com o lucro que remunera apenas seu trabalho, ou precisa se reinventar. Isto é, diferenciar seu produto.

    Começou então a oferecer, junto da marmita, salada, molhos e frutas. Aumentou o preço, manteve as vendas, e passaram a sobrar para ela, por dia, R$ 275,00. Sua expectativa é ampliar o negócio, mas ela sabe que não pode se acomodar. Seus concorrentes, assim que perceberem que ela se diferenciou, vão querer imitar. E aí a diferença acaba, e todos voltam a ter a mesma retirada modesta de antes.

    A grande pergunta: como ficar rico?

    Neste ponto, vem a pergunta: é possível ficar rico trabalhando em seu próprio negócio? Ou, por outro lado: é possível ficar rico SEM ser por meio do seu próprio negócio? Isto é, apenas ganhando salário, mesmo que seja um bom salário? Como ficar rico em uma economia tão complexa como a atual?

    Será que é preciso fazer a opção – salário ou negócio próprio? Ou será que é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo?

    Quando se é assalariado, parte do lucro que a pessoa gera fica para a empresa. Sendo assim, parece mais vantajoso ser empreendedor, certo? Por outro lado, a maioria das pessoas não conseguiria gerar lucro sem a ajuda da estrutura da empresa. Além disso, o salário certinho no final do mês dá mais segurança, certo? Pensando assim, parece melhor ser assalariado. Mas, espere aí: "salário certinho"? E o desemprego? Quem é dono do próprio negócio nunca é demitido. Mas e a concorrência, os impostos, as falências?

    Difícil decidir, né? Sim! Nosso objetivo hoje não é dar respostas, mas sim fazer boas perguntas. Convidar o leitor a pensar na própria vida. Você está satisfeito com seus níveis atuais de rendimentos e de riscos? Quer ganhar muito mais do que ganha? Como ficar rico? Ou será que lhe basta ter mais segurança e tranquilidade? Será que estudar para buscar a aprovação em um Concurso Público, e, ser Servidor Público ou Funcionário Público poderia ser, também, uma boa ideia?

    Empreender

    Para quem quer se aventurar a ser empreendedor, que tal pensar em ser MEI – Microempreendedor Individual? Este programa é muito interessante, bastante simples de ser colocado em prática. Mas, claro, ele é apenas a ferramenta. Não responde as perguntas principais: O QUE e COMO fazer?

    Não há como ficar rico sendo MEI, se a pessoa continua pensando como assalariado. Nos primeiros tempos o MEI geralmente não tira férias, não tem remuneração garantida. É preciso, primeiro, pensar na empresa, depois em si próprio.

    Conheço caso de microempreendimento que foi à falência porque o dono pensou como assalariado. Após um mês de boas vendas, limpou o caixa da empresa e foi tirar férias com a família. Ok, merecidas férias, ele e a família mereciam. Acontece que, para fazer isso, era preciso planejar. Entender que a vida do MEI não é feita apenas por meses de boas vendas. Na volta, a empresa estava fraquinha e não suportou alguns meses seguidos de vendas apenas medianas. Uma pena.

    Perfil

    Ser dono do próprio negócio significa lidar com clientes, fornecedores, concorrentes, funcionários, governo, leis. Significa, às vezes, fazer papel de motorista, vendedor, comprador, faxineiro, segurança. E é preciso fazer isso tudo com dedicação, amor à camisa, alegria e a convicção de que tudo aquilo é para o próprio bem.

    Nem todo mundo gosta disso. E tem gente que até gosta, mas não tem perfil para isso. Então não adianta olhar para seu vizinho, que está se dando muito bem sendo MEI, e achar que basta você imitá-lo para também se dar bem. Nem sempre isso acontece.

    Quem acompanha o Educando Seu Bolso já ouviu falar na Santíssima Trindade da Educação Financeira. Ela vale também para os empreendedores. Autoconhecimento, planejamento e disciplina. Primeiro, conheça a si mesmo, entenda o que é importante para você e quais são suas aptidões. Depois, tenha um bom plano, conheça o mercado em que quer atuar, saiba o que deu certo e o que deu errado para quem já se aventurou nele. Finalmente, tenha disciplina para executar seu plano e para repensá-lo, se for necessário.

    Cuidado com as modinhas

    Falei há pouco sobre essa história de imitar seu vizinho que está se dando bem em um empreendimento. Muito cuidado com isso. Você já deve ter visto, perto da sua casa, algum negócio que é uma verdadeira novidade. Depois, percebeu que perto do seu trabalho há mais duas pequenas empresas daquele mesmo segmento. À noite, assistindo à novela, vê um personagem que também tem uma lojinha daquela. Aí você tem a ideia genial: "Já sei como ficar rico. Vou abrir uma empresa dessa para mim". Cuidado! Pode ser tarde demais para entrar.

    Quando muita gente percebe que determinado segmento pode ser um bom negócio, talvez o momento para entrar naquele setor já tenha passado. Se parar para pensar, você vai se lembrar de várias modas que surgiram, bombaram e agora já não são mais o que já foram. Paletas mexicanas, açaí, lan houses, lojas de R$ 1,99, espetinhos, food truck… Mais algum? Pois é, houve gente que ganhou dinheiro com isso tudo, mas aí o mercado se saturou, passou o momento. É importante, então, enxergar boas oportunidades antes dos outros. Não existe segredo, é preciso ter percepção, informação e, claro, um pouco de sorte. Sem isso, não tem como ficar rico sendo empreendedor.

    Como obter informação sobre o segmento em que você quer empreender? Há várias formas, recomendo praticar todas. Uma delas é estudar por conta própria, pesquisar, visitar sites. Outra é visitar as empresas que já existem, observar como a coisa funciona, conversar com funcionários, ou com o próprio dono. E outra é contar com entidades como o Sebrae e agências de desenvolvimento regionais, que podem ser grandes parceiros neste momento.

    Boa sorte!

    É isso. Como foi dito lá no início, a conversa hoje foi um tanto reflexiva. Não era o objetivo trazer respostas definitivas, e sim as perguntas certas. Conheça a si mesmo, faça planos para sua vida. Se decidir empreender, pense no que gosta de fazer, estude, desenvolva a curiosidade e a percepção, atualize-se e prepare para colocar mãos à obra!

    27 min

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