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A economia anda meio tumultuada ultimamente e o brasileiro está sofrendo com rendimentos negativos em seus investimentos. Nem mesmo aplicações de renda fixa e planos de previdência, como o BrasilPrev dos pais do Marcelo, escaparam. Brasilprev? Marcelo? Aguenta aí que já explicamos.
A Bolsa tem se desvalorizado semana após semana, e vários fundos têm acompanhado a trajetória de queda. Tudo bem. Que a Bolsa era arriscada você já sabia, mas a renda fixa também? A possibilidade de perder parte do principal em PGBLs e VGBLs, que não aplicam em ações, é novidade pra muitos. Será que o Tesouro Direto é uma opção mais segura e rentável que esses planos? Quais são os melhores investimentos financeiros nos tempos atuais? Ou será que a pergunta nem é essa, mas sim: qual é o melhor comportamento do investidor em períodos turbulentos como o atual?
Esse foi o tema da minha conversa com o Pedro Vieira, da Rádio Inconfidência. Aproveitamos uma pergunta enviada pelo nosso leitor e ouvinte Marcelo, que falou das suas dificuldades em gerenciar os recursos dos pais. O investimento deles na BrasilPrev está com rendimento negativo e a família está perdida. O que fazer? Isto é possível?
Neste post vamos comentar tudo isso: investimentos adequados para diferentes fases da vida, bom e mau uso do Tesouro Direto, o que esperar e como agir em 2018 e muito mais.
A pergunta do ouvinteVivo o desafio de cuidar das finanças de meus pais para que tenham um final de vida digno. Eles têm os seus recursos investidos no BrasilPrev e estamos muito insatisfeitos com o rendimento dele. A partir do podcast estou ponderando migrar este recurso para o Tesouro Direto, pois gera um rendimento melhor e é seguro. Eu estou correto no meu raciocínio?
Marcelo
Ele acrescentou que o saldo que os pais têm investido diminuiu de um mês para o outro e que outros fundos do BrasilPrev tiveram o mesmo desempenho ruim.
A partir daí, o Pedro Vieira fez boas perguntas que nos possibilitaram comentar bastante essa questão tão complexa.
É normal um fundo de previdência perder dinheiro?Pode acontecer. O BrasilPrev – a previdência privada do Banco do Brasil – tem mais de 40 fundos diferentes. Desses, apenas 2 não tiveram desempenho negativo nos 30 dias anteriores à nossa análise.
Isto acontece porque os gestores investem em ativos com algum risco, em busca de rentabilidade melhor. Isto significa investir em ações, ou mesmo em renda fixa, que vêm tendo desempenho ruim.
Os gestores podem fazer isso sem minha autorização?Na verdade, eles têm sua autorização. Ao contratar o plano você comunica expressamente que aceita suas condições. Diferentes planos têm diferentes perfis de risco. Alguns são mais conservadores, outros mais arrojados. De acordo com o perfil, os gestores podem assumir menos ou mais riscos, em busca dos melhores investimentos.
Para um idoso compensa aderir à BrasilPrev?Boa pergunta. Previdência privada é plano para longo prazo, certo? Muita gente pensa que, por isso, não é um investimento adequado para pessoa idosa.
Ora, depende. Teoricamente, uma pessoa já é considerada idosa aos 65 anos. Hoje em dia, graças aos avanços da medicina e da informação, muitas pessoas têm passado dos 90 anos cheias de saúde e vitalidade. Sendo assim, PGBL e VGBL podem, sim, ser bons negócios até para idosos. Mas é preciso ficar atento às cláusulas dos planos e às suas próprias condições – e esse conselho vale para qualquer idade.
A primeira condição é a pessoa dispor de um dinheiro do qual só vai precisar no longo prazo. Assim ela poderá desfrutar de importantes vantagens tributárias.
Além disso, é importante ler atentamente as cláusulas do plano, especialmente em relação a taxas – de administração, de carregamento etc. – e ao perfil de risco do plano.
Os investimentos e o pão de queijoUma das grandes delícias da culinária mineira é o pão de queijo. Se Deus é brasileiro, o pão de queijo é um forte indício de que Ele seja mineiro. Para ficar pronta, essa maravilha leva cerca de 30 minutos. Portanto, se você vai fazer um lanche rápido, porque precisa sair daqui a pouco, a dica é simples: NÃO faça pão de queijo.
Mas você adora pão de queijo, vai lá e põe um tabuleiro para assar. E fica ali, o tempo todo olhando pela janela do forno para ver se ele cresce. Dali a 20 minutos, já atrasado para seu compromisso, você tira do forno. O pão de queijo não cresceu, está branco e massudo. Um sacrilégio.
Bem, com investimentos financeiros acontece a mesma coisa. Uma das primeiras perguntas antes de se investir é: QUANTO TEMPO você tem disponível para deixar os recursos? Se tem bastante tempo, poderá pesquisar investimentos de longo prazo. E, aí sim, deverá avaliar as outras condições para aplicação.
Porém, em muitos casos, a pessoa investe em um ativo tipicamente de longo prazo, com a intenção de deixar o dinheiro quieto, mas fica acompanhando a cotação daquele ativo todos os dias. Aí, se a economia do país passa por uma crise no curto prazo, a cotação daquele ativo cai. A pessoa se assusta e vende o ativo a preço baixo, traindo a si mesma.
É como aquela pessoa que põe o pão de queijo para assar e não espera os 30 minutos. Ela até TEM os 30 minutos disponíveis, mas fica olhando pela janela do forno – como se isso adiantasse alguma coisa –, acha que os pães já deveriam estar maiores e mais corados, acha que se deixar mais tempo eles vão ficar duros por dentro, aí não aguenta e tira antes da hora.
Sem generalizarNão estou necessariamente dizendo que este seja o caso do Marcelo, porque não acompanhei de perto o desempenho do fundo em que ele aplicou. Existem ativos que são ruins mesmo. Nesse caso, não resta muita opção a não ser aceitar a derrota, encerrar o prejuízo e partir para outra.
Mas é provável que Marcelo esteja assustado por causa de uma crise que está atingindo à economia como um todo, e não apenas aos ativos dele. Ele fala em sair do BrasilPrev e migrar para o Tesouro Direto.
Sem defender nem atacar o fundo da BrasilPrev – porque, repito, não analisamos detalhadamente a carteira do PGBL/VGBL em que ele aplicou – vamos falar um pouco sobre o Tesouro Direto.
Tesouro DiretoExistem basicamente 3 tipos de títulos do Tesouro Direto:
Desses 3 títulos, o único que nunca perde valor é o Tesouro Selic. Ele rende todos os dias o equivalente à taxa Selic.
No caso dos outros dois, na hora da aplicação o investidor combina as condições da remuneração no vencimento do título. Essas condições estão garantidas pelo Tesouro Nacional. Porém, se decidir se desfazer do título ANTES do vencimento, ele venderá pelo preço que o mercado estiver disposto a pagar.
Isso quer dizer que é possível PERDER dinheiro no Tesouro Direto? Sim, é possível. Se comprar um título de longo prazo e precisar vender antes da hora, é possível perder dinheiro. Se vender na hora certa, não: receberá aquilo que foi combinado no início.
"Ah, Fred, então o melhor título do Tesouro Direto é o Tesouro Selic, que é o único que não se desvaloriza?" Sim, ele é o único que não se desvaloriza, mas nem sempre ele é o melhor.
Em finanças existe o tripé risco-rentabilidade-liquidez. Nenhum investimento tem bom desempenho nesses três fatores ao mesmo tempo. Então, se a pessoa opta pelo baixo risco do Tesouro Selic, ela precisa abrir mão da rentabilidade: este é o título que rende menos.
Isto quer dizer que, se o Marcelo tivesse tirado o dinheiro dos pais dele do fundo BrasilPrev para aplicar no Tesouro Direto por conta própria, possivelmente teria um desempenho semelhante. Quer ver?
Caso práticoComparamos o desempenho de um fundo da BrasilPrev – Tesouro 2023 – com o Tesouro Selic. O fundo rendeu -3,23% nos 30 dias anteriores à análise, isto é, se desvalorizou. Já o Tesouro Selic rendeu 0,46% no mesmo período. Não é grande coisa, mas é melhor do que perder dinheiro, claro.
Porém, ao analisar um período de 12 meses, o fundo rendeu 8,03%, enquanto o Tesouro Selic rendeu 7,5%.
Ou seja, mesmo que 2018 venha sendo um ano muito ruim para investimentos financeiros, no médio prazo o fundo ainda teve um desempenho melhor que o Tesouro Selic.
Melhores investimentos ou melhores estratégias?Para identificar os melhores investimentos, cada pessoa precisa de autoconhecimento, planejamento e disciplina. Se tiver um bom montante para investir, é prudente separá-lo em duas partes. A primeira é uma reserva financeira para emergências. Esta deverá ser investida em algo de baixo risco e alta liquidez – e, consequentemente, com rentabilidade não tão alta. A outra é o dinheiro para o futuro. Este poderá ser investido em algo com menos liquidez e com um pouco mais de risco, em busca de melhor rentabilidade. Para isso é preciso ter cautela e saber bem onde se está pisando.
Simulador de investimentoO Educando Seu Bolso oferece gratuitamente um Simulador de Investimento em Renda Fixa. Por meio dele a pessoa consegue identificar os melhores investimentos, de acordo com sua condição – isto é, o valor e o prazo disponíveis. O simulador apresenta diferentes opções e indica aquela que tem a melhor rentabilidade. É muito prático e, claro, muito vantajoso.
O Simulador de Investimentos compara, por exemplo, a tradicional Caderneta de Poupança, o Tesouro Direto e alguns títulos privados, como CDB. Ele pode ajudar muito na construção de uma boa estratégia de investimentos. É isto que define quais são os melhores investimentos: são aqueles mais adequados a cada pessoa.
Falando nisso, e respondendo ao Marcelo, diferentes fases da vida requerem diferentes tipos de investimentos financeiros.
Investimento para criançasMuitos pais começam a poupar dinheiro para a faculdade dos filhos assim que eles nascem. É uma ótima ideia. Quais são os melhores investimentos, nesse caso?
Bem, é uma clara situação de longo prazo, então pode-se abrir mão da liquidez. Há títulos do Tesouro Direto com vencimento em 15 ou 20 anos, por exemplo. Eles são bem interessantes. O poder dos juros no longo prazo é realmente surpreendente.
É possível também se encontrar bons planos de previdência privada. Repetimos nossa dica: atenção às taxas de administração e de carregamento e ao perfil de risco do plano.
Pais com maior conhecimento sobre investimentos podem colocar parte do dinheiro em algo com um pouco mais de risco, como ações e fundos multimercado.
E nosso Simulador de Investimentos também pode indicar boas opções para prazos mais longos.
E para jovens? Tesouro Direto ou BrasilPrev?Suponhamos que uma moça acabe de entrar no mercado de trabalho e queira transformar seus sonhos em planos. Casa própria, carro, viagens… Bem, nesse caso os prazos não são tão longos quanto o da faculdade das crianças. Quais são os investimentos financeiros mais adequados?
Primeiro é importante separar algum dinheiro para o curto prazo, para algum imprevisto – bom ou ruim.
Para o restante, há diversas opções no Tesouro Direto para o médio prazo – 3 a 5 anos – e outras para prazos maiores.
Também nesse caso a previdência privada pode ser bastante adequada. Recomendamos especial atenção para a tributação. Dependendo da forma como a pessoa declara seu Imposto de Renda, será mais vantajoso o PGBL ou o VGBL. Está em dúvida? Pergunte para nós!
Se possível, vale a pena procurar saber como funcionam as opções mais arriscadas, como Bolsa de Valores. Jovens têm tempo – não apenas décadas de vida pela frente, mas também tempo no dia a dia. O tempo joga a seu favor nos investimentos.
Nosso Simulador de Investimentos também pode ajudar em seus diversos planos.
E não deixe de conhecer também nosso Simulador de Aposentadoria, para ampliar ainda mais os planos!
BrasilPrev serve para idosos?Bom, este é o caso que deu origem a este post, o dos pais do Marcelo. A resposta para esta pergunta depende de alguns fatores:
Se todas as perguntas acima foram respondidas positivamente, a princípio, investir na BrasilPrev pode ser uma boa sim, mesmo para idosos. Alô Marcelo, se este é o caso dos seus pais, o que temos a sugerir é que você relaxe, fique tranquilo e foque no médio/longo prazo. Afinal, é neste horizonte temporal que dedutibilidade e tabela regressiva de imposto de renda, ausência de come-cotas e amortização de custos como o de carregamento costumam fazer com que a performance de um plano de previdência privada se sobreponha à de aplicações financeiras feitas diretamente em CDBs, LCIs ou no Tesouro Direto.
Ah, e por falar em Tesouro Direto, fique tranquilo também, pois tivesse você, ao invés da BrasilPrev, escolhido títulos pré-fixados ou atrelados a inflação no Tesouro Direto, estaria enfrentando perdas similares nos últimos meses.
O que podemos esperar dos próximos meses?Bem, muitos analistas preveem que os juros e o dólar podem continuar a subir, que a Bolsa de Valores ainda pode cair mais. Segundo eles é hora de cautela.
Humildemente, é o que nós enxergamos também. Muita incerteza, que leva a muito nervosismo, que causa oscilações de valores dos ativos, como os preços dos títulos do Tesouro. Talvez seja hora de preservar o capital, correr pouco risco, e não de buscar grandes rentabilidades. Não há segurança em relação ao futuro político no país e todos sabemos como isto afeta a economia e os preços.
Escolha bem seus investimentos, de acordo com suas necessidades. Não apenas a modalidade – curto, médio e longo prazos, previdência privada, multimercado –, mas também em quais ativos vai investir, dentro de cada uma delas. Entenda bem o que pode esperar de cada modalidade. Se estiver bem informado sobre isso, não é preciso se assustar com pequenos solavancos no curto prazo.
Estamos aqui para ajudar. Use nossas ferramentas, leia nossos textos, ouça nossos podcasts. E, sempre que quiser, entre em contato. Será sempre um prazer!
O podcast de hoje foi gravado no dia 14 de junho de 2018, exatamente o dia da abertura da Copa do Mundo. Não perdemos a chance de fazer um paralelo entre finanças e futebol. Não se trata de analisar as finanças DO mundo do futebol. Isso não seria lá muito divertido e teria pouca utilidade prática para o leitor. Em vez disso, fizemos uma comparação entre algumas histórias do mundo do futebol e o comportamento financeiro das pessoas. Que lições podemos aprender?
A riqueza do futebolFutebol é um esporte muito rico. E, mais uma vez, não estou falando sobre as cifras do mundo da bola. Vou muito além disso.
Em primeiro lugar, o futebol é rico como prática esportiva propriamente dita. É uma atividade física bastante intensa, é divertido de se jogar, bonito de se ver e complexo sob o ponto de vista tático. É democrático, pois não requer muito espaço, nem equipamentos caros. Para se jogar futebol bastam alguns metros quadrados de chão e uma bola – às vezes, nem isso: já vi garrafa pet amassada fazer papel de bola em festa infantil.
Mas, além disso, o futebol é muito rico sob os pontos de vista psicológico, sociológico e histórico. Autoestima, autocontrole, liderança, trabalho em equipe, ética, são apenas alguns dos exemplos de traços psicológicos evidenciados pela prática do futebol – tanto o dos grandes clubes como o das peladas de fim de semana. As ações e reações das torcidas, a representação de um povo por um time, o clima nas ruas quando há algum evento futebolístico importante, são exemplos do lado sociológico do esporte. E a interrupção de uma guerra na África, em 1969, para que o povo pudesse ver o Santos de Pelé jogar é apenas um exemplo de como o futebol faz história não apenas no mundo esportivo.
Com tantas conexões possíveis, não é difícil fazer um paralelo dessa paixão nacional com as finanças pessoais.
Finanças e futebolTreinamento, disciplina, visão global, estratégia e ousadia são algumas das características que podem determinar o sucesso, tanto no futebol quanto nas finanças pessoais. Não é difícil elencarmos uma série de situações na história do futebol em que esses fatores tenham feito a diferença – e trazê-los para o mundo das finanças.
A persistência pode gerar bons resultadosA pessoa tem uma ideia, planeja e coloca em prática, convicta de que aquilo dará certo. Porém, quando vêm os primeiros resultados, eles são negativos. Mas a convicção da pessoa não se abala. E vêm mais resultados. Negativos de novo. E agora? É hora de assumir que o plano deu errado, apagar tudo e começar do zero? Ou compensa insistir mais um pouco?
Isso acontece, por exemplo, em relação a investimentos de risco. O investidor compra uma ação, ou aplica em um fundo de renda variável, naturalmente acreditando em seu sucesso. Porém, o que ele vê são seguidas desvalorizações. E agora? Como saber se é hora de desistir ou insistir?
Basicamente, é preciso avaliar o que o levou a investir naquilo. Houve estudo, estratégia, foco nos fundamentos? Se houve, faz sentido pensar em insistir. Mas se a decisão foi baseada em modismo, entusiasmo e foco apenas no passado, talvez seja o caso de assumir a falha e partir para outra.
E no futebol? Me lembro de pelo menos duas situações em que a persistência deu bons resultados.
Corinthians de 2011Em 2011, o Corinthians começou o ano disputando a pré-Libertadores. Ronaldo Fenômeno era a grande estrela da equipe. Porém, as coisas não saíram como o planejado. O time foi eliminado da competição pelo inexpressivo Tolima. Imprensa e torcida adversária ridicularizaram o grupo. Parte da torcida corinthiana exigia a saída do técnico Tite. A diretoria, porém, decidiu mantê-lo.
Resultado: o time foi campeão brasileiro naquele ano e campeão da Libertadores e do Mundial no ano seguinte.
CafuMarcos Evangelista de Morais, o lateral direito Cafu, tinha o sonho de se tornar jogador de futebol. Durante a infância e a adolescência, participou de vários treinos de seleção – as chamadas "peneiras". Foi eliminado nada menos que oito vezes. Mas não desistiu. Na nona tentativa, foi aceito pelo São Paulo Futebol Clube. Tornou-se campeão brasileiro, sul-americano e mundial pelo clube. Como se não bastasse, foi duas vezes campeão mundial pela Seleção Brasileira, tendo sido o único jogador da história a participar de três finais de Copas do Mundo.
Não adianta ter os melhores ativos se não houver disciplinaBom salário, tempo disponível, acesso aos melhores produtos e serviços financeiros. Quando alguém tem tudo isso é impossível ter problemas com dinheiro, certo? Errado. Se não houver disciplina, tudo pode ir por água abaixo. A pessoa gasta mais do que pode, perde prazos de pagamento, se esquece de resgatar aplicações no dia certo e entra no cheque especial, investe da forma errada…
Finanças e futebol se encontram nisso também. São inúmeros os casos de elencos brilhantes que naufragaram por pura falta de disciplina.
Seleção Brasileira de 2006Você se lembra do elenco da Seleção Brasileira na Copa de 2006, na Alemanha? Kaká, Adriano Imperador, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Dida no gol, Cafu e Roberto Carlos nas laterais. Parecia impossível dar errado.
Mas você se lembra da preparação da Seleção para aquela Copa? Treinamentos com arquibancadas lotadas, torcedores em festa, alguns invadindo o campo para abraçar os craques. Carlos Alberto Parreira vaidoso, com livro recém lançado – "Formando equipes vencedoras"… Jogadores dando entrevistas à vontade. Esposas e familiares dentro do campo de treinamento. Na época nós não percebíamos, mas, olhando de hoje, era impossível aquilo dar certo.
Não adianta ter os melhores ativos – jogadores, informação, tecnologia – se não houver disciplina.
Fazer o básico e trabalhar muitoEstudo, seriedade, coesão, atenção a todos os detalhes, foco no objetivo. Receita quase infalível para obter a máxima eficiência em finanças. Não importa quantos e quais ativos você tem. Você pode até não ter muito dinheiro. Se colocar em prática todas essas virtudes, você vai obter o melhor resultado possível.
No futebol isso funciona também.
São Paulo FC de 2006 a 2008"Aqui é trabalho, meu filho". Essa frase do treinador Muricy Ramalho ficou famosa e define o seu temperamento e seu método. O São Paulo foi campeão nacional três vezes consecutivas – o único clube a conseguir essa façanha em quase 50 anos de Campeonato Brasileiro.
Não era exatamente uma máquina de fazer gols. Marcou, em média, 1,6 por jogo, menos do que fizeram muitos dos times campeões nacionais. Por outro lado, levava poucos gols, apenas 0,8 por jogo. Não exibia um futebol magistral, mas eficiente. Não tinha grandes craques, mas jogadores dedicados e um grande líder dentro de campo, o goleiro Rogério Ceni.
Alguns jornalistas brincavam, dizendo que o São Paulo não jogava futebol, mas muricybol, isto é, uma variação do esporte criada pelo treinador Muricy. Ele nem ligava, seguia convicto, soberano.
Investimento de risco X Investimento conservadorUm investidor arrojado precisa de talento, criatividade, trabalho e, principalmente, ousadia. Com essas qualidades ele consegue atuar em vários setores ao mesmo tempo, combinar diferentes estratégias e obter os melhores resultados. Torna-se uma inspiração para seus pares.
Um investidor conservador precisa de dedicação e disciplina. Consegue atuar com eficiência, passo a passo, escolher uma boa estratégia e cumpri-la à risca. Aos poucos pode se permitir uma jogada mais arrojada. Pode até não encantar, mas merece admiração. Torna-se um exemplo.
Final da Copa da Alemanha 1974A seleção holandesa encantou o mundo em 1974, com um futebol criativo e inovador. No estilo criado pelo treinador Rinus Michels os jogadores não guardavam posições fixas. Cruijff, Neeskens, Resenbrink e cia. conseguiam estar em todos os setores do campo. A equipe ganhou os apelidos de "Laranja mecânica" e "Carrossel holandês", o que revela, ao mesmo tempo, extrema precisão, leveza e beleza. Corria riscos e parecia inevitavelmente fadada ao sucesso.
A seleção alemã, por outro lado, era a própria imagem da disciplina, eficiência e dedicação. O craque do time não era um goleador, mas um jogador responsável pela segurança do time. 4 anos antes, Beckenbauer ganhara a admiração do mundo ao permanecer em campo com o braço imobilizado em uma tipoia após deslocar o ombro, na semifinal de Copa. Em 1974, jogando em casa, foi o capitão que conduziu o time à grande final.
O resultado todos sabem. O título ficou com a Alemanha, a consagração pela história ficou com a Holanda. Vitória dos conservadores. Vitória dos arrojados. Vitória do futebol.
Poupar para o futuroQuem acompanha o Educando Seu Bolso sabe da importância de se poupar para o futuro. Quem tem reservas financeiras passa por imprevistos de forma mais tranquila, com menos sofrimento, menos sustos. E quanto mais reservas acumular, mais cedo consegue se aposentar. Básico.
Corinthians de 2017O Corinthians começou o ano de 2017 tendo como treinador Fábio Carille, ex-auxiliar do técnico Tite, que havia sido chamado para dirigir a Seleção Brasileira. Tite saiu em junho de 2016 e foi sido substituído por Cristóvão Borges, que não foi bem dirigindo o Timão. Carille assumiu sob desconfiança geral. O Corinthians chegou a ser chamado de "quarta força do futebol paulista".
Pois bem. O time não apenas foi o campeão estadual daquele ano, como também fez uma campanha histórica no Campeonato Brasileiro. Na primeira metade do campeonato, teve 14 vitórias, 5 empates e nenhuma derrota. 47 pontos ao todo, um feito inédito. Com isso, deu-se ao luxo de fazer uma campanha apenas regular na segunda metade, e mesmo assim foi campeão sem maiores sustos, com algumas rodadas de antecedência. Aposentou-se cedo.
O barato e o caro"O barato, às vezes, pode sair caro". Esse dito popular vale para muitas coisas na vida, inclusive para as finanças pessoais. Quando nós, do Educando Seu Bolso, oferecemos consultorias aos nossos leitores e clientes, nosso foco não é simplesmente vender um serviço – não é esse o nosso jogo. Quando fazemos isso, sabemos que estamos propondo um jogo de ganha-ganha. Temos a convicção de que cada Real investido por nossos clientes pode transformar-se em uma economia de muitos Reais para eles próprios.
Também oferecemos muita informação útil e gratuita para nossos leitores. O ideal é que todos possam cuidar de suas finanças por si só. Em alguns casos, porém, informação qualificada e sob medida é fundamental para a obtenção de bons resultados. Consultoria não é despesa, é investimento.
O barato que sai baratoA Copa do Brasil já foi cenário de boas surpresas no futebol nacional. Ao longo dos quase 30 anos de história do torneio, vários clubes com orçamentos modestos protagonizaram páginas heroicas. Criciúma (1991), Juventude (1999), Santo André (2004) e Paulista (2005) foram campeões com times modestos, motivados e, principalmente, disciplinados. Além destes, Ceará, Ipatinga e Brasiliense, entre outros, também chegaram perto e fizeram história. É o barato que deu resultado.
O caro que sai caríssimoAlto investimento nem sempre significa bons resultados. Quem não se lembra do Flamengo de 1995? "Pior ataque do mundo, pior ataque do mundo? Pare um pouquinho, descanse um pouquinho, Romário, Sávio e Edmundo". Essa era a música alegremente cantada pelos adversários, uma paródia retirada de um antigo comercial de televisão. O ano do centenário do Mengão foi marcado por um time que a torcida prefere esquecer.
O caro que sai justoVanderlei Luxemburgo é um dos técnicos mais vencedores da história do Brasil. Uma das características de seus times é de serem elencos caros, mas que dão bons resultados. Palmeiras (1993 e 1994), Corinthians (1998) e Cruzeiro (2003) são alguns exemplos. No futebol, títulos geralmente significam boas premiações e polpudos contratos de patrocínio. É o caro que compensa.
O barato que sai caroAqui poderíamos citar vários exemplos. Quando não há investimento, geralmente não há bons resultados. Na maioria das vezes não se trata de opção dos clubes, e sim de pura e simples falta de dinheiro. E aí não é o caso de culpar ninguém, mas de lamentar que as coisas sejam assim. Futebol é um esporte caro. Quem tem mais dinheiro é que se credencia a concorrer aos títulos. É assim no mundo inteiro.
ConcluindoBem, há alguns anos o Educando Seu Bolso vem falando que, ao contrário do futebol, finanças pessoais não precisam ser uma caixinha de surpresas. Com autoconhecimento, planejamento e disciplina é possível caminhar com bastante segurança e obter bons resultados.
Apesar disso – ou justamente por causa disso – o futebol pode ensinar boas lições sobre o que fazer e o que não fazer com nosso rico e suado dinheiro. Listei aqui apenas algumas delas. Se você se lembrar de mais alguma, deixe aqui nos nossos comentários. E não deixe de ouvir o podcast!
Na nossa participação desta semana no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, falamos das mais recentes mudanças na regulamentação dos cartões de crédito. Mais especificamente, nas regras do crédito rotativo.
Em 2017 foram anunciadas mudanças importantes, visando diminuir um grave problema de endividamento que vinha atingindo milhões de famílias. Era crescente o número de pessoas que se viam afogadas pelos juros do crédito rotativo. Agora foram anunciadas novas regras, que passaram a vigorar no dia 01º de junho.
Recentemente falamos na rádio sobre as mudanças no cheque especial. Agora explicamos o que mudou no rotativo e comentamos a relação do brasileiro com o crédito.
Além disso, ao final, nosso Pedro Vieira, comandante do programa, trouxe de volta um assunto que tomou conta do país no final de maio: a greve dos caminhoneiros. Que lições podemos tirar de toda aquela confusão?
O que é crédito rotativo?Vamos começar falando um pouco sobre como funcionam as dívidas feitas com cartão de crédito. Em primeiro lugar, é importante aproveitar uma fala do Pedro e lembrar que qualquer compra feita com cartão de crédito é uma dívida. E não há mal nenhum nisso. Se você compra algo hoje usando seu cartão de crédito, e só vai pagar no mês que vem, então contraiu uma dívida. Chegou a fatura e você pagou o saldo integral? Pronto, quitou a dívida. Sem juros. Normal. Saudável, até.
O problema começa quando as pessoas deixam de pagar o saldo integral. Aí elas entram no perigoso crédito rotativo. E assim vão esticando a dívida e tornando-a mais cara.
A legislação que vigorava até 2017 determinava que o consumidor poderia pagar um valor mínimo na fatura do cartão de crédito, que era de 15%.
Quem tem cartão já deve ter visto isso. Vamos supor que o total de compras da pessoa fosse de R$ 1000. A fatura chegava com os seguintes dizeres: "Total da fatura: R$ 1.000,00. Pagamento mínimo: R$ 150,00".
Isto é, a pessoa poderia optar por pagar algum valor entre os R$ 150 e os R$ 1.000. Desta forma, não estaria inadimplente. Porém, se não pagasse o valor total, aquela parte que ela não pagou entraria no chamado crédito rotativo.
Se a pessoa pagasse apenas os R$ 150, estaria jogando R$ 850 para o mês seguinte. E aí, sobre esse valor, incidiriam os juros do crédito rotativo, que estão entre os mais altos do mercado. Suponhamos que fossem de 17% ao mês. Nesse caso, sobre os R$ 850 incidiriam juros de quase R$ 150! Resultado: na fatura seguinte, além das compras do mês, viriam mais R$ 1000 para a pessoa pagar. R$ 850 do mês anterior e mais R$ 150 de juros.
Mudanças nas regras em 2017Grande parte da população brasileira não se organiza financeiramente, nem procura se informar sobre como as coisas funcionam. O resultado é que milhões de pessoas entraram no crédito rotativo e se endividaram além da conta.
Então, em 2017 houve uma mudança importante nas regras. As instituições financeiras foram obrigadas a oferecer uma linha de crédito mais barata para os clientes que ficavam mais de um mês pendurados no crédito rotativo. Por exemplo, um crédito pessoal. Essa linha tem taxas de juros menos caras, em torno de 5% a 6% ao mês.
Regular e não regularLembra quando eu disse que as pessoas poderiam pagar um valor a partir de 15% do saldo da sua fatura? Pois é, mas muita gente não pagava nada. Deixava a fatura vencer e seja o que Deus quiser. Essas pessoas, assim, se tornavam inadimplentes.
Foram criadas, então, as figuras do crédito rotativo regular e não regular. O regular é aquele cliente que pagou pelo menos os 15% da fatura, rolando o restante da dívida. O não regular é o que não pagou nada.
As instituições financeiras podiam cobrar taxas de juros diferenciadas para o crédito rotativo regular e o não regular. Por que isso é importante? Você já vai entender.
Mudanças nas regras em 2018As regras que entraram em vigor em 01 de junho de 2018 acabaram com essa história de cobrar taxas diferenciadas para o regular e o não regular. Agora a taxa de juros é uma só, a do regular – mais baixa –, sendo permitida apenas cobrança de multa.
Além disso, acabou a determinação de que o pagamento mínimo seja de 15% da fatura. Os bancos poderão estipular outros percentuais para o pagamento mínimo, inclusive variando de acordo com o perfil do consumidor.
Porém, permanece a obrigação, por parte das instituições financeiras, de oferecer uma linha de crédito com juros menores que os do crédito rotativo.
"Nossa, então agora ficou bom demais, hein?" Não, senhor. Continua ruim. Um pouco menos ruim, de fato, mas ainda é muito caro, não há motivo para comemorar.
Flexibilização do pagamento mínimo e redução nas taxas de juros poderiam até ser uma boa notícia. O problema é que o brasileiro usa mal os produtos financeiros disponíveis. Por isso vamos aproveitar a oportunidade e falar um pouco sobre esse mau uso.
Mau usoVamos listar algumas situações em que o brasileiro costuma mandar mal na hora de usar produtos financeiros. Em alguns casos, porque é desorganizado, ou até irresponsável. Em outros, porque a informação chega confusa, mesmo.
De toda forma, é importante tomar cuidado.
Crédito rotativoVamos começar pelo próprio crédito rotativo. Diante das mudanças nas regras, tem gente que pensa "Opa, que bom, vou conseguir me livrar dessa dívida cara". Bom sinal. Indica mudança de postura.
Mas tem gente que pensa "Que bom, vou poder gastar mais um pouco". Péssimo sinal. Indica que vem aí mais endividamento.
10 dias sem juros no cheque especialAlgumas instituições financeiras permitem que a pessoa use o cheque especial durante 10 dias consecutivos a cada mês, sem pagar juros. Mas se usar 11 dias ou mais, precisará pagar pelo período todo.
Tem gente que usa esse benefício todos os meses. Em um mês usa 5 dias. No mês seguinte usa 7. Dali a pouco está usando os 10 dias todos os meses. Mau sinal. Indica que o orçamento não está combinando com as despesas. Aí chega um mês em que a pessoa usa o limite por 11 dias… e acaba entrando na ciranda do cheque especial.
Não custa lembrar: cheque especial e crédito rotativo devem ser usados somente em emergências, quando acontece algo totalmente fora do normal. Se você usa essas duas modalidades porque se distraiu, então é mau sinal. E se usa regularmente, todos os meses, como se fosse parte da sua renda, péssimo sinal. Cuidado!
Cheque especial junto com aplicaçãoJá vi – algumas vezes – uma pessoa ter aplicação em um banco e usar o cheque especial no mesmo banco. Não faz o menor sentido. A pessoa paga 10% ou 15% de juros ao mês e recebe 0,5% de rendimento. O melhor é retirar o dinheiro da aplicação e cobrir o buraco na conta.
"Ah, eu não quero mexer na minha aplicação". Ora, mas já está mexendo! É melhor retirar um pouco da aplicação agora do que pagar juros caros e, depois, ter que retirar tudo. Faça um resgate, cubra o buraco, organize suas contas e em breve vai poder colocar o dinheiro de volta.
Título de CapitalizaçãoNão nos cansamos de repetir: Título de Capitalização não merece ser chamado de investimento. É um jogo. Deveria ser vendido na casa lotérica. Aliás, alguns deles de fato são, e esses eu respeito. Não tenho nada contra eles, pois estão no lugar certo.
O problema são aqueles vendidos no banco, como se fossem um investimento, uma "poupança forçada" como alguns gerentes gostam de dizer. Muito forçada, eu diria.
Já vi gente que paga $ 100 por mês em título de capitalização, e de vez em quando entra no cheque especial. Está pagando cerca de R$15 de juros ao mês, e nada, ou quase nada. Cruel.
Confundir saldo com limite de créditoEsses extratos que as pessoas retiram no caixa eletrônico às vezes não são muito claros. Misturam o saldo real com o limite de crédito. Uma pessoa mais distraída ou menos informada pode facilmente se confundir e acabar gastando o que não tem.
E quando o extrato abrevia as palavras? Aí fica quase impossível. "Sd at: R$ 340,00. Lim Cr: R$ 2.000,00. T Disp: R$ 2.340,00". Quem entende uma coisa dessas?
Em relação a isso, creio que os bancos poderiam facilitar a vida do cidadão. Já ouvi muita gente questionar se eles não fazem isso de propósito. Não sei dizer. Mas que a informação poderia ser mais clara, poderia.
Enquanto os bancos não facilitam nosso lado, cabe ao consumidor ficar atento. Entender que existem várias informações no seu extrato além do saldo. Se não conseguir entender, peça ajuda ao funcionário do banco ou a alguém de sua confiança.
Contratar crédito sem perceberQuando vou sacar dinheiro no caixa eletrônico do meu banco, a opção "Crédito pessoal" aparece na primeira tela, em uma cor muito mais chamativa do que as demais opções. Uma vez, distraído e apressado, eu cheguei a clicar nessa opção. Na mesma hora percebi o erro e voltei ao início.
Mas sabemos de casos de gente que contratou crédito sem perceber! A pessoa acessa o caixa para sacar dinheiro, entra na opção errada sem perceber, vai clicando, digita até a senha – pensando que está sacando o dinheiro. Dias depois encontra uma cobrança de prestação em seu extrato.
Também nesse caso os bancos poderiam ser mais claros. Mas, enquanto não são, cabe ao cidadão ficar bastante atento na hora de acessar o caixa.
VoltandoAproveitamos a mudança nas regras do crédito rotativo para, mais uma vez, convidar o leitor a cuidar do seu dinheiro e do seu comportamento.
Você, que leu o texto até aqui, conseguiu compreender as mudanças? Ouça também o podcast, talvez fique ainda mais claro. Se tiver dúvida, fale conosco!
Sabemos que a crise econômica é cruel e que leva muitas pessoas a uma situação difícil, sem que seja culpa delas. Nosso conselho é que tentem conhecer sua realidade atual e se esforcem para reduzir gastos.
Mas sabemos, também, que há muita gente em situação difícil por consequência das suas próprias atitudes, e não por culpa da crise. A essas, nosso conselho é basicamente o mesmo, mas com um leve puxão de orelha. Conheçam sua realidade, se organizem, controlem o consumismo.
E a todas as pessoas, nossa garantia: vale a pena se organizar. A vida fica mais leve, com menos sustos e com mais liberdade.
Greve dos caminhoneirosAo final do programa, Pedro Vieira quis saber nossa impressão sobre a greve dos caminhoneiros. O programa foi gravado no dia 07 de junho, quando o fornecimento de combustíveis e demais mercadorias já estava praticamente normalizado.
Não vamos discutir até que ponto cada parte – caminhoneiros, empresas, governo, Petrobras – tem razão nessa história. Seria assunto para outro post, ou talvez um livro inteiro.
Cabe dizer que foi um episódio negativo, por vários motivos:
Então, em nossa opinião, a greve traz preocupação. Há muito a ser feito em nosso país até amadurecermos como sociedade.
ConcluindoVêm aí as eleições. É preciso escolher os candidatos com muito cuidado. Porém, mais que isso, cabe a cada um de nós refletir sobre seu papel como indivíduo, sobre o papel de sua classe profissional – seja ela qual for – na discussão dos problemas que nos afligem. Este é um exercício constante.
Nós, do Educando Seu Bolso, continuamos acreditando muito na mudança de atitude. Cada um de nós pode melhorar a forma como consome, como cuida do seu dinheiro, como se relaciona com o meio ambiente, como participa da sua comunidade. A mudança é possível e vale a pena!
Nosso assunto nesta semana, no programa Em Boa Companhia, mais uma vez foi máquinas de cartão. O ponto de partida foi o lançamento das marcas BBzinha, do Banco do Brasil, e Bradesquinha, do Bradesco. O que significa, para o mercado, o lançamento de marcas próprias de maquininhas de cartão por duas instituições tão grandes?
Banco do Brasil e Bradesco já têm participação acionária na Cielo. Isto é, eles já estavam faturando no mercado de máquinas de cartão Então por que lançar máquinas próprias? O que BBzinha e Bradesquinha podem lhes trazer, que a Cielo já não trazia? Em nossa visão, há mais de um motivo. Vamos comentar no podcast e no texto.
Esse assunto sempre rende muita conversa. Além do papo sempre agradável com Pedro Vieira, hoje nós também comentamos dúvidas e experiências trazidas por ouvintes. Ficou bem legal a conversa, vale a pena ler e ouvir.
BBzinha e BradesquinhaPois bem, Banco do Brasil e Bradesco lançaram suas maquininhas de cartão, batizadas de BBzinha e Bradesquinha, respectivamente. O mercado já tinha a Moderninha, a Minizinha, agora vêm aí mais duas "inha". Se a Caixa lançar a dela, será que vai se chamar Caixinha? O Sport Club Corinthians Paulista já lançou a sua Fielzinha – não é piada, lançou mesmo. Se o Boa Esporte lançar uma maquininha, será que vai se chamar Boazinha? E se a montadora de automóveis Lada lançar a sua, será que vem aí a Ladainha?
Brincadeiras à parte, o nome importa pouco. O que nos interessa é entender o que essas duas gigantescas instituições financeiras, os maiores bancos do país, pretendem ao lançar suas marcas próprias de máquinas de cartão. E não são só esses dois: a Caixa e o Itaú também vêm estudando o assunto. O Santander já tem a sua marca própria de maquininhas, a GetNet.
Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica já são acionistas da credenciadora de cartões Cielo. Itaú já controla a credenciadora Rede. Por que será, então, que esses bancos decidiram lançar suas marcas próprias?
Ranking de maquininhas mais clicadas no Comparador! Posição Empresa Plano Consultar 1 Sumup Top Plano Econômico AVALIAR 2 Pagseguro Minizinha (30 dias) AVALIAR 3 SumUp Super Plano Econômico AVALIAR 4 Mercado Pago Point Mini (30 dias) AVALIAR 5 Pagseguro Minizinha (14 dias) AVALIAR 6 Sumup Top Plano Acelerado AVALIAR 7 Pagseguro Minizinha (1 dia) AVALIAR 8 Cielo Fixa Linha Discada AVALIAR 9 Rede Com Fio (31 dias) AVALIAR 10 Pagseguro Minizinha Chip (14 dias) AVALIAR Faturamento direto
Bem, um dos motivos é bastante intuitivo: os bancos querem faturar no mercado de credenciamento de cartões de forma mais direta. BB e Bradesco controlam a Cielo, mas as empresas são independentes. Com o lançamento de Bradesquinha e BBzinha, o faturamento vai diretamente para a instituição financeira.
FidelizaçãoOutro motivo é reforçar a marca do banco junto aos seus clientes. Agora o banco poderá, além de fornecer conta corrente, crédito e outros serviços, oferecer também a máquina de cartão. Isso reforça a fidelização e permite elaborar pacotes de serviços mais atrativos para os clientes.
Fortalecimento da marcaAlém da fidelização junto aos seus próprios clientes, ter a maquininha própria ajuda a fortalecer a imagem do banco junto ao mercado como um todo. Isto é, junto aos clientes dos seus clientes. Afinal, a máquina de cartão geralmente fica exposta no balcão, e passa pelas mãos e olhos das pessoas todos os dias, em um momento psicologicamente importante: o da concretização da aquisição do produto ou serviço. Parece pouco importante, mas não é. Pense bem, dezenas de pessoas diariamente olhando para a marca BBzinha e para a logomarca do Banco do Brasil. Isto não é pouca coisa, não.
InformaçãoMas há também um motivo importante, muito interessante e que muita gente não percebe: a informação. Ao fornecer o serviço de credenciamento de cartões, a instituição financeira passa a acompanhar a vida financeira do seu cliente. Com muita precisão, riqueza de detalhes e em tempo real.
O banco passa a saber em que período do ano, do mês, da semana, ou mesmo do dia o seu cliente vende menos ou mais. Sabe se os clientes dele preferem pagar no débito ou no crédito. Sabe se preferem parcelar o pagamento de suas compras ou não. E, o mais importante: o banco passa a saber QUANTO seus clientes receberam e têm a receber.
Por que essa informação é tão preciosa? Bem, por vários motivos.
Verificando o fluxo da BBzinha, o Banco do Brasil pode, por exemplo, saber se seu cliente tem valores a receber que podem ser dados em garantia em operações de crédito.
Acompanhando o movimento da Bradesquinha, o Bradesco pode saber como anda o fluxo de caixa de seu cliente. Assim, pode oferecer produtos e serviços adequados às suas necessidades e possibilidades em cada momento.
A utilização de informações sobre fatos e comportamentos não é novidade. Não é de hoje que praticamente todos os nossos passos na internet são monitorados, e que essa informação pode ser transformada em ações de marketing. Isso pode ser um pouco incômodo e assustador, mas tem também um lado prático e bastante útil para o consumidor.
Você já deve ter percebido que, logo após pesquisar preços de algum produto na internet, você começa a receber ofertas daquele produto, nas mais variadas formas. Coincidência? Claro que não. Marketing puro!
O que o lançamento de BBzinha e Bradesquinha significam para o mercado?Acabamos de mencionar alguns dos motivos que possivelmente levaram os maiores bancos do país a lançarem suas marcas próprias de máquinas de cartão. Mas, sob a ótica do mercado, o que isso significa? O que está por trás disso?
ConcorrênciaBem, em primeiro lugar, parece que a concorrência está surtindo efeito. Quem acompanha o Educando Seu Bolso sabe o quanto nós falamos sobre a importância da concorrência. O mercado de serviços financeiros no Brasil é bastante concentrado. Os cinco maiores bancos do país concentram entre 80% e 90% de alguns dos principais serviços financeiros, como depósitos e crédito.
No caso específico dos serviços de credenciamento de cartões – representado pelas maquininhas de cartão – a coisa é um pouco diferente. As pequenas empresas têm se mostrado bastante competitivas e têm mudado a cara do mercado. Por exemplo, bastou uma pequena credenciadora oferecer isenção de taxas durante um período, e logo em seguida outras – até maiores – passaram a oferecer também.
Isso é muito bom. Significa serviços com maior qualidade e menores preços para os clientes. BBzinha e Bradesquinha poderão significar serviços melhores para os clientes dos dois bancos e, esperamos, para os clientes de outras maquininhas também.
Crescimento do mercadoO aumento no número de fornecedores de máquinas de cartão tem origem em um fato muito simples: o aumento da demanda dos consumidores finais. É crescente o número de pessoas que usam cartões. Além disso, as pessoas usam seus cartões com cada vez mais frequência, até para compras de valores bem baixos.
Até alguns anos atrás, era absolutamente impensável pagar um taxi ou comprar algo de um vendedor ambulante usando cartão. Hoje em dia, isso é cada vez mais comum. Daqui a algum tempo, a exceção vai ser o taxista ou o ambulante que não aceitam cartão.
(aliás, daqui a pouco tempo as pessoas nem usarão mais os cartões de plástico, e sim meios de pagamento 100% eletrônicos; mas isso é assunto para outro post…)
O aumento da preferência do consumidor final por pagar contas com cartões provocou o aumento da demanda dos comerciantes e prestadores de serviços pelas maquininhas. Os avanços da tecnologia fizeram com que pequenas empresas pudessem entrar neste mercado em pé de igualdade, atendendo à demanda e expandindo o mercado.
O resultado é que há muito dinheiro correndo neste mercado. Em 2017 o mercado de cartões movimentou mais de R$ 1,36 trilhão de Reais! É claro que as grandes instituições financeiras também estão de olho nestes números. Com isso, aí vêm BBzinha, Bradesquinha e quem mais chegar.
Mas como escolher?Bem, com tantas marcas, como o comerciante, o empreendedor e o autônomo podem escolher? Não é fácil. Se fosse somente uma questão de comparar preços, seria fácil. Mas não é simples assim.
É preciso, por exemplo, comparar as taxas de desconto que as credenciadoras cobram por cada compra. E há taxas para débito, para crédito à vista e para crédito parcelado. Além disso, é preciso comparar o aluguel da máquina. Só que algumas não cobram aluguel, mas vendem a máquina. Outras não cobram nada. Há ainda a famosa antecipação de recebíveis, isto é, receber à vista pelas vendas feitas a prazo.
É muita coisa junta para pesquisar, comparar, decidir…
Foi por isso que nós desenvolvemos o Simulador de Máquinas de Cartão. Por meio dele, o empreendedor que deseja ter uma máquina de cartão pode comparar com mais facilidade as várias opções disponíveis.
O uso é muito simples: a pessoa informa seu ramo de negócios e alguns números básicos sobre suas vendas. Nosso Simulador calcula quanto ela gastaria para ter cada um dos modelos de máquinas. Os resultados vêm ordenados, da mais barata para a mais cara, levando em conta todos os fatores que compõem o custo. Esta informação é, possivelmente, a principal – embora não seja a única – na hora de escolher que máquina usar.
Reveja suas escolhasMesmo que você já tenha uma máquina de cartão em seu estabelecimento, recomendamos que use nosso Simulador. Afinal, pode ser que haja algum produto mais barato no mercado, e você não saiba.
É importante revermos periodicamente tudo aquilo que contratamos, em nossa casa e em nosso negócio. Isso vale para diversos serviços: telefonia celular, internet, TV por assinatura, seguros – e, claro, a maquininha de cartão de crédito. Há quanto tempo você vem contratando os mesmos fornecedores, sem dar uma conferida na concorrência?
Recentemente fizemos uma pesquisa informal com empreendedores e profissionais autônomos, procurando entender como eles escolheram suas máquinas de cartão. As respostas foram variadas. Alguns deles contrataram suas máquinas anos atrás, quando não havia muitas opções disponíveis, e nunca mais procuraram outra. Outros queriam fugir do aluguel, e por isso contrataram uma que não é alugada, mas vendida. Outros não quiseram confiar em empresas novas, e adotaram soluções de bancos famosos. E, naturalmente, muitos avaliaram as taxas cobradas pelas credenciadoras, em busca da opção mais barata.
O resultado da pesquisa virou uma série de três posts muito interessantes, que publicamos recentemente. Vale a pena conferir.
Capital de giroFalando em "taxas cobradas pelas credenciadoras", há um ponto muito importante que quero ressaltar aqui. É a operação conhecida como antecipação de recebíveis. Como o nome diz, é a operação em que a credenciadora paga antecipadamente, ao empreendedor, as vendas que ele fez a prazo. Então, se o lojista faz uma venda parcelada em 10 vezes, mas deseja receber o valor todo de uma vez, a credenciadora antecipa o pagamento e credita o dinheiro na conta dele, alguns dias após a venda. Parece bacana, né? Mas é claro que você sabe que não existe almoço grátis. Essa operação custa dinheiro, e não é pouco. As taxas de desconto para antecipação de recebíveis costumam ser bastante altas.
"Ah, Ewerton, mas eu preciso de capital de giro, não tenho como fugir da antecipação de recebíveis"!
Opa. Concordo com a primeira parte da frase, discordo da segunda. Vamos lá.
É claro que seu negócio precisa de capital de giro. Você precisa de dinheiro para pagar fornecedores, adquirir insumos, pagar funcionários. É natural.
Mas somos convictos de que, em condições normais, é possível aos empreendedores manter capital de giro sem depender de operações de crédito caras. Sabemos que, no Brasil, às vezes é difícil falar em "condições normais". Este não é um país muito normal. Não queremos dizer que seja fácil empreender no Brasil. O que queremos dizer é que, mesmo com toda a maluquice reinante no ambiente de negócios do nosso país, muitas vezes é possível se organizar, planejar e manter um capital de giro sem pagar juros por ele.
Não é fácil, mas é simplesVamos supor que um empreendedor inicie todos os meses necessitando de R$ 5 mil para capital de giro. Como ele não tem o dinheiro, precisa antecipar o recebimento de suas vendas a prazo. Para isso precisa sacrificar, digamos, R$ 5500 em vendas. Todo mês é a mesma coisa: antecipa R$ 5500 para receber, à vista, os R$ 5 mil.
É importante que este empreendedor faça um plano para se ver livre dessa ciranda. Que estabeleça a meta de, por exemplo, precisar antecipar, a cada mês, R$ 1 mil a menos em vendas. Então, no primeiro mês, ele se esforça para chegar ao dia 30 com pelo menos R$ 1 mil guardados para capital de giro. Assim, precisará antecipar apenas R$ 4 mil. Já vai sacrificar menos as suas vendas futuras. No segundo mês, tenta guardar R$ 2 mil. E assim por diante, até que um dia, finalmente, vai conseguir virar o mês com os R$ 5 mil. Assim, poderá receber as suas vendas a prazo no momento certo, sem pagar mais por isso.
"Ah, Ewerton, falar é fácil, né?". Sim, falar é facílimo. Eu sei que, na prática, as coisas podem não sair como o planejado. Mas, se você não planejar, aí é que não acontece nada mesmo. É importante se organizar, estabelecer objetivos para ficar livre dos custos mais sacrificantes.
ConcluindoO podcast ficou muito bacana. Eu sei, quase toda semana eu falo isso, mas desta vez o Fred e o Pedro estavam especialmente inspirados. Fizeram umas comparações muito legais entre Guerra nas Estrelas e a guerra das maquininhas. Não vou dar spoiler, ouça lá, vale a pena.
BBzinha e Bradesquinha foram apenas o ponto de partida. A conversa levantou voo. Trouxemos as experiências de três ouvintes da Rádio Inconfidência. Uma senhora que telefonou para lá, ao vivo, perguntando se um comerciante pode cobrar preços diferentes para vendas com dinheiro e com cartão. Pode, sim. E, acredite, esta é uma boa notícia. Ouça o programa e entenda o porquê. Outros dois ouvintes enviaram mensagens contando sobre como lidam com vendas e recebimentos por meio de cartões. Fizemos nossos comentários sobre isso também.
É isso. Os meios eletrônicos de pagamento são o presente e o futuro. Esteja você na condição de consumidor final ou de vendedor, é importante saber usá-los. Nós estamos aqui para ajudar. Acompanhe nossos posts e podcasts, envie suas dúvidas e comentários. E não deixe de se planejar!
O hábito de colecionar é muito, mas, muito antigo. Qualquer coleção que seja: de objetos de arte, selos ou figurinhas! Perpassa pelas épocas pré-históricas, pela Roma antiga, pelo faraó Tutancâmon, pelos séculos XVI e XVII e, claro, pelos dias atuais. E uma pessoa em particular resolveu investigar os motivos: o historiador alemão Philipp Blom. Em seu livro "Ter e Manter: Uma história íntima de colecionadores e coleções", ele afirma que o ato de colecionar tem explicações psicológicas, histórias e filosóficas.
Segundo ele, os principais motivos podem ser: a necessidade de pertencimento a algum grupo, a simples "modinha", desejos não-realizados, vontade de isolamento e de controle do mundo. Segundo o escritor alemão em seu livro, após a fase da infância, colecionar é puro saudosismo. É a vontade de reviver momentos maravilhosos que os adultos, de modo geral, não têm mais. É querer voltar a jogar "bafo" (ou "tapão"; cada cidade denomina de uma forma) com os colegas da escola.
Educar através das coleçõesMas, não pense que o ato de colecionar é ruim e um hábito dos isolados e frustrados. Pelo contrário! Quando se é criança, colecionar pode ajudar muito na formação como ser humano. É uma ótima forma de ensinar lições importantes de organização e controle. É ensinar, também, que quando se tem um objetivo, deve-se buscá-lo com dedicação e com foco. Todos esses são ótimos hábitos para serem replicados nos cuidados com as finanças pessoais. Isto é, aproveitar o momento para transmitir bons ensinamentos.
Começo, meio e fimOutro motivo para colecionar, sejamos crianças, adolescentes ou adultos, é o desafio de terminar uma atividade. É conquistar, é terminar o que foi iniciado, é buscar um objetivo. Segundo o renomado filósofo Mário Sérgio Cortella, ninguém monta um quebra-cabeça de 5.000 peças, por exemplo, para ver a imagem construída, afinal, já vimos na capa da caixa como ela será. Monta-se para concluir uma difícil tarefa e ter a sensação de "dever cumprido". O que leva um adulto a completar um álbum de figurinhas é o prazer de brincar, retomar as sensações da infância e de completar a tarefa. E o ato de completar gera duas sensações antagônicas: a felicidade em finalizar uma empreitada e a tristeza porque a "brincadeira acabou".
Geografia, história, idiomas…Um terceiro motivo para colecionar é abordar algum tema específico. No álbum da Copa do Mundo de 2018 há seleções de diversos países e de quase todos os continentes. Será bem mais interessante praticar alguns conceitos de geografia, história e idiomas através do álbum. Ensinar a pronúncia de alguns nomes em inglês ou espanhol, por exemplo, com os nomes de jogadores do Uruguai ou da Austrália, será bem mais divertido. Ou, talvez, demonstrar a importância dos acidentes geográficos para um conflito internacional atual ou algum momento histórico importante, será muito mais bem aprendido com a ajuda do álbum de figurinhas.
Raciocínio financeiroO álbum, os pacotinhos e as figurinhas avulsas são exemplos reais de coisas que custam dinheiro. São uma forma de se abordar o assunto com a criança de maneira que ela compreenda com facilidade. E são vários os valores envolvidos, veja só:
Durante a coleção, são várias as situações em que a criança lida com cifras e, assim, exercita cálculos e planejamento financeiro. É a matemática aplicada de forma simples e lúdica.
NegociaçãoTrocar as figurinhas pode ser uma excelente aula de negociação. Se as trocas forem feitas nos locais públicos, pode ser uma ótima oportunidade para a criança aprender a interagir com desconhecidos, de forma segura. Especialmente para crianças tímidas, pode ser uma oportunidade e tanto.
Mas, além disso, as trocas são uma forma de a criança aprender a negociar.
Imagine a seguinte situação: João está quase completando o álbum, e tem uma enorme quantidade de figurinhas repetidas. Artur, ao contrário, ainda está no início do álbum. Numa situação assim, você não acha plenamente aceitável que João troque duas de suas repetidas por apenas uma de Artur? Afinal, para quem está quase completando o álbum, cada figurinha nova significa muito. E suas repetidas, daqui a pouco, não servirão para mais nada.
Esta é uma situação muito clara para João aprender que, às vezes, o valor é diferente do preço. Por outro lado, se Artur pedir CINCO figurinhas, e não apenas duas, é uma oportunidade para João entender que, mesmo em certas situações, não se pode aceitar preços abusivos. E Artur poderá aprender que, geralmente, quem tudo quer, tudo perde.
RiscoA noção de risco, dentro das finanças, também pode ser trabalhada por meio de um álbum de figurinhas. Ao contrário do que muitos pensam, a palavra risco, em finanças, não significa a possibilidade de que algo ruim aconteça. Ela está mais ligada à imprevisibilidade, a chance de que algo ocorra fora do esperado, seja para o bem ou para o mal.
Tomemos a história de João e Artur, por exemplo. E se João der as duas figurinhas para Artur em troca de uma e, logo em seguida, encontrar alguém que trocaria a mesma figurinha por apenas uma das suas? É um risco.
E se a criança já tiver conseguido mais de 400 figurinhas em seu álbum, e faltarem cerca de 200? Compensa comprar mais pacotinhos na banca?
A criança conhece alguém que vende figurinhas à sua escolha, por R$ 1,00 cada. Compensa? A partir de que momento da coleção?
Enfim, são muitas as situações em que a criança pode trabalhar a noção de risco.
Entre irmãosE se a pessoa tem mais de um filho que quer colecionar as figurinhas da Copa do Mundo 2018? Bem, pode ser interessante ter apenas um álbum para a família inteira. Afinal, pode ser bem mais enriquecedor trabalhar a cooperação do que a competição.
E por aí vai…A motivação para colecionar alguma coisa é algo muito particular. Alguém pode dar muito valor para todos os discos de vinil dos Beatles e pouco querer saber das figurinhas da Copa do Mundo, ou o contrário.
Barato perante o mundo e caro perante o próprio BrasilMilhares (talvez milhões) de pessoas (crianças e adultos) no Brasil estão colecionando o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de Futebol de 2018, que ocorrerá na Rússia. A editora Panini fabrica os álbuns desde a Copa do Mundo de 1970.
Segundo um estudo feito pelo banco Santander, o Brasil tem as figurinhas mais baratas do mundo, em dólares. Os pacotinhos contêm 5 figurinhas em cada e custam, no Brasil, R$ 2,00, o que totaliza, em dólar, USD 0,59. Em termos comparativos, o pacotinho mais caro é encontrado na Suíça, que tem o incrível preço de R$ 1,80. Utilizando a mesma taxa cambial, o valor na Suíça custaria no Brasil pouco mais de R$ 6,10, ou, aproximadamente, R$ 1,22 por figurinha.
Podemos estar baratos no mundo, mas, não podemos nos esquecer da nossa própria situação, não é mesmo? Comparando os preços, percebemos um aumento de 100% em relação ao álbum da Copa do Mundo de 2014. E, se compararmos com a inflação do período, vemos a abusividade do aumento. Em 4 anos, a inflação acumulada foi de, aproximadamente, 30%. Ou seja, o preço das figurinhas aumentou cerca de 70% acima da inflação!
Brasil: barato apenas nas figurinhasQue no Brasil você encontra as figurinhas mais baratas do mundo já está claro. Mas, comparar com base nas figurinhas é muito pouco! A inspiração da pesquisa feita pelo banco Santander foi do Índice Big Mac. Você já ouviu falar neste índice?
O Índice Big Mac (Big Mac Index, em inglês) foi criado em 1986 e é calculado pela revista The Economist. Tem o objetivo de comparar o poder de compra entre os países com base no mesmo produto, que é produzido com os mesmos ingredientes.
O índice busca trazer o conceito de paridade do poder de compra em que o mercado de câmbio deveria se ajustar para o valor que o dólar se equivalesse em qualquer país. Como não há paridade de preços, o Big Mac tem preços variados em cada lugar no mundo. Se houvesse a paridade, ele deveria custar o mesmo valor. Outro ponto importante é que o índice explicita o trabalho necessário para se comprar um Big Mac em diferentes países.
E o Brasil no índice do sanduíche?E em qual colocação o Brasil está no Índice Big Mac? O mais recente resultado (janeiro / 2018) mostrou que o Brasil tem o nono sanduíche mais caro do mundo! Em dólares, o preço é de USD 5,10. E a Suíça, como nas figurinhas, está em primeiro lugar, com o preço de USD 6,80. O sanduíche mais barato é encontrado na Ucrânia, com o preço de USD 1,60.
Comparando o Índice Big Mac e o "Índice das Figurinhas" temos cenários bem diferentes. E, em tese, os dois índices deveriam ter o mesmo resultado. Afinal, os sanduíches e as figurinhas são padronizadas e globalizadas. O preço das figurinhas serem mais baixos no Brasil pode ser explicado com alguns pontos:
Para saber quanto custa completar o álbum da Copa do Mundo temos que ter alguns dados em mente. Inicialmente, dois números impressionam: a Panini, fabricante do álbum e das figurinhas, prevê produzir 8 milhões de pacotes de figurinhas por dia e a tiragem inicial de álbuns foi de 7 milhões.
A edição do álbum para o Mundial de Futebol de 2018 tem 80 páginas num total de 682 figurinhas, sendo que 50 são especiais com efeito holográfico (as figurinhas douradas), e está sendo vendido em 92 países.
Para calcular quanto custaria para completar o álbum é necessário imaginar alguns cenários. Veremos, a seguir, que conseguir uma rede de pessoas para trocar as figurinhas repetidas é fundamental, seja com amigos, na escola ou nas redes sociais. O educador Samy Dana e o professor Cláudio de Lucinda fizeram algumas simulações :
Ainda segundo os calculistas, encontrando 1 pessoa para trocar, cada um gasta, em média, R$ 1.283,00 e compra 641 pacotes de figurinhas. Encontrando 5 pessoas, o valor para cada um cai para R$ 825,00, com um total de 413 pacotinhos comprados. Encontrando 10 pessoas, cada um compra 313 pacotinhos e gasta R$ 626,00. E, finalmente, encontrando 20 pessoas o custo despenca caindo para R$ 507,00 por pessoa, e, assim cada um comprará 254 pacotinhos.
E, colecionar pode ser uma ótima forma de conhecer pessoas novas com os mesmos interesses e, também, fortalecer laços! Descobrir os locais de trocas de figurinhas na sua cidade ou região, também é muito importante e divertido.
Colecionando com tecnologiaCom a internet e os aplicativos, a vida dos colecionadores melhorou, e muito. Uma opção é o site TrocaFigurinhas.com. Nele o colecionador encontrará pessoas de todo país para trocar as repetidas. Como há muitas pessoas cadastradas, há as mais variadas categorias de álbuns! Ou seja, não há mais desculpas de não achar alguém que coleciona o mesmo álbum.
E, para trocar com os amigos as figurinhas do Álbum da Copa do Mundo de 2018 não é mais preciso levar todas as figurinhas. Pode-se , agora, registrar as figurinhas repetidas nos aplicativos, trocar de forma mais simples e, também, controlar o álbum! Alguns dos aplicativos são:
Essa pergunta é muito difícil de ser respondida! É o famoso DEPENDE!
Psicologicamente, pode valer muito a pena! Afinal, é uma ótima forma socializar num mundo em que a tecnologia permeia as relações humanas. Corporativamente, também! Mas, como corporativamente? É isso mesmo! Em algumas empresas, as salas de reuniões no intervalo para o almoço estão reservadas para uma tarefa muito nobre: trocar figurinhas! E, neste momento não há hierarquia e as regras passam longe. Exceto que as figurinhas douradas valem um pouco mais!
Do ponto de vista financeiro, colecionar qualquer coisa é classificada como despesa ou custo dispensável! Mas, como dissemos em outros posts, fazer o orçamento pessoal e familiar é fundamental. Quem sabe o Método dos Envelopes é o melhor para você? Será que não cabe no envelope "diversão e lazer" colecionar figurinhas?
Isto é, colecionar pode ser uma tarefa muito divertida, desafiadora e prazerosa. Basta a organização das finanças pessoais! Organizando e planejando, qualquer diversão será possível e caberá no orçamento!
No podcast desta semana falamos sobre as recentes mudanças ocorridas no Financiamento Caixa. Os juros caíram e o limite do valor financiado aumentou. Conversei sobre isso com a Duda Ramos, que substituía o Pedro Vieira no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência.
A Caixa Econômica Federal é, historicamente, a instituição financeira líder em financiamento imobiliário. Recentemente, devido à crise financeira e às mudanças na política, até andou perdendo essa liderança para outros bancos durante alguns meses. Mas ainda é a instituição referência, quando o assunto é financiamento imobiliário. Por isso, mudanças no Financiamento Caixa acabam afetando todo o mercado.
O que, exatamente, mudou no Financiamento Caixa? Fez tanta diferença assim? Passou a compensar mais? Que cuidados precisam ser tomados? O momento político do país deve afetar a decisão?
Tudo isso e mais um pouco neste post e no podcast.
O que mudou?Em primeiro lugar, explicamos as mudanças no Financiamento Caixa. Além da queda nas taxas de juros, aumentaram os limites dos valores financiados. Então, o valor que o mutuário precisa dar como entrada caiu.
Vamos, então, entender as principais modalidades do Financiamento Caixa.
O SFH financia imóveis com valores de até R$ 800 mil, na maioria dos estados. Para Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, este valor é de até R$ 950 mil.
Nesta faixa, a taxa mínima de juros caiu de 10,25% ao ano para 9% (mais TR – Taxa Referencial de juros). Alguns outros bancos já vinham praticando taxas nesse patamar, e agora a Caixa passou a praticá-las também.
O SFI é a linha de financiamento para imóveis de valor superior aos do SFH. A taxa de juros mínima caiu de 11,25% ao ano para 10%, mais TR.
A linha Pró-Cotista FGTS andou suspensa durante algum tempo, mas foi retomada no início de 2018. Ela contempla as pessoas que contribuíram para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS por mais de três anos, consecutivos ou não.
As taxas mínimas de juros da linha Pró-Cotista já eram de 7,85% ao ano, mais TR, e não sofreram alteração com as recentes medidas.
É a linha de financiamento imobiliário mais barata de todas. Contempla as famílias de baixa renda e imóveis mais baratos. Oferece planos para diferentes faixas de renda e de valor. Para saber mais, acesse o site da Caixa.
O programa Minha Casa, Minha Vida também não sofreu alterações com as recentes medidas anunciadas.
Limite do financiamentoTão importante quanto a queda dos juros é o aumento do percentual máximo do financiamento. Até alguns anos atrás, a Caixa financiava até 80% do valor dos imóveis usados e 90% do valor dos imóveis novos. Em 2017 esses percentuais caíram para até 50% e 80%, respectivamente.
Com as medidas anunciadas recentemente, o Financiamento Caixa passou a cobrir até 70% do valor dos imóveis usados. Para os novos, o limite permaneceu em 80%.
ResumindoSão muitos números, muitas linhas de financiamento, não dá para guardar tudo. Vamos resumir tudo em uma tabela, então.
Juros do Financiamento Caixa: antes e depois
Limites do Financiamento Caixa: antes e depois
Mudou tanto assim?Alguém haverá de perguntar: "Ewerton, convenhamos, de 10,25% ao ano para 9%, quer dizer que não caiu tanto assim, né?"
Ok, concordo que uma redução de 1,25 ponto percentual ao ano não é para a gente sair batendo bumbo na praça. Não é nada que vá revolucionar o mercado. Mas também não é de se jogar fora, não. Quer ver?
Fizemos o cálculo. Suponhamos que uma pessoa vá comprar um imóvel de R$ 290 mil pelo SFH. Vai dar R$ 90 mil de entrada e financiar os outros R$ 200 mil durante 300 meses.
A taxa anterior, de 10,25% ao ano, significava uma taxa mensal de 0,816% ao mês. A taxa nova, de 9% ao ano, significa uma taxa mensal de 0,721% ao mês.
"Olha aí, Ewerton, dá menos de 0,1% ao mês de diferença! Isso não é nada!" Calma aí. Será mesmo?
No primeiro mês, com a taxa antiga, este mutuário iria pagar cerca de R$ 667 de amortização e R$ 1633 de juros. Somados, dariam R$ 2300. Não estou levando em conta a taxa de administração e, principalmente, o seguro, que varia de acordo com a idade da pessoa.
Com a taxa nova, a amortização permaneceria nos R$ 667, mas os juros cairiam para R$ 1441. Ao todo, ficaria em R$ 2108. Uma diferença de R$ 192.
Isso vale para o primeiro mês. Nos seguintes, como o valor financiado vai caindo, a diferença cai também. Em um ano, significaria uma economia de cerca de R$ 2257.
Agora, me diga: para quem está comprando um imóvel, começando uma nova etapa em sua vida, isso é pouco? Eu não acho.
E o limite?As alterações no limite de percentual do valor financiado talvez sejam ainda mais significativas. Afinal, ele pode significar a entrada ou não daquela família no mundo da casa própria.
Retomando o exemplo acima. O imóvel custava R$ 290 mil, lembra? Na realidade atual, o mutuário pode dar 30% de entrada – R$ 87 mil – e financiar o restante. Nas condições anteriores, ele precisaria dar R$ 145 mil de entrada.
Isso, sim, faz bastante diferença. Para famílias que vão juntando o dinheiro aos poucos, com todo o esforço, uma redução no limite pode significar uma antecipação de alguns anos na realização do sonho da casa própria.
Então compensa contratar Financiamento Caixa?Eu considero o financiamento imobiliário algo vantajoso para muitas famílias. Não para todas elas, e daqui a pouco vou falar mais sobre isso. Mas, em termos de negócio, na realidade brasileira, eu vejo muitas vantagens. Eu mesmo adquiri meu imóvel por meio de financiamento. Comprei um apartamento em 2012, financiado por 30 anos. Em 2017 quitei o contrato.
Em primeiro lugar, o financiamento imobiliário não é muito caro. Não digo que seja barato, mas considero bastante razoável.
Além disso, as regras do SFH permitem a amortização extraordinária e a quitação antecipada. Isso oferece muita liberdade para a pessoa adquirir seu imóvel e, ao longo dos anos, desenhar sua estratégia para quitá-lo. Quando contratei meu financiamento por 30 anos, eu sabia que iria quitá-lo antes disso. Contratei um prazo longo, para que a prestação ficasse mais barata e eu pudesse gerenciá-la com o tempo.
Alguns dos nossos posts mais lidos e comentados são justamente os que falam sobre amortização extraordinária. Nosso Simulador de Amortizações já recebeu milhares de consultas. Isso mostra como as regras do financiamento têm permitido a tanta gente não apenas o acesso à casa própria, mas também espaço para pensar estratégias para a quitação.
Se você tem um financiamento e deseja ficar livre dele, consulte os nossos posts que falam sobre o assunto. Já respondemos a centenas de comentários sobre o assunto. Se quiser saber qual seria o efeito de uma amortização extraordinária no seu contrato, use nosso Simulador. E se quiser ajuda profissional para desenhar uma boa estratégia para a quitação do seu contrato, entre em contato conosco!
Casa própria é bom para todos?Disse que considero financiamento imobiliário um negócio interessante. Não quer dizer que eu ache que todas as pessoas deveriam ter como objetivo adquirir sua casa própria. Em minha opinião, morar de aluguel pode ser a melhor opção para muita gente, conforme seu momento de vida.
Algumas famílias, na pressa de ter sua casa própria, acabam adquirindo um imóvel inadequado para suas necessidades. Dois dos fatores que mais determinam o preço de um imóvel são localização e tamanho. Já vi gente comprar imóvel pequeno e mal localizado, apenas para ter a sensação de morar no que é seu. E passou anos preciosos de sua vida morando de forma desconfortável. Melhor seria morar de aluguel durante alguns anos, até conseguir comprar um imóvel melhor.
"Ah, Ewerton, mas quem mora de aluguel joga dinheiro fora. Quem paga financiamento pelo menos gasta em algo que é seu". Será? Quem paga aluguel dá o dinheiro para o proprietário. Mas quem paga financiamento dá dinheiro para o banco, sob a forma de juros. Muito cuidado com esse tipo de raciocínio, não é assim que se avalia um negócio.
"Tá, mas quem paga aluguel tem mais dificuldade para juntar dinheiro". Opa, depende. Há épocas em que o aluguel está bem barato. Há muitos casos em que a prestação de um imóvel ruim é mais cara que o aluguel de um imóvel melhor. A pessoa pode morar melhor, mais barato, e assim juntar dinheiro para, dali a alguns anos, financiar um imóvel bom.
Comprar imóvel é bom para quem?Vou ressaltar alguns cuidados importantes que se deve tomar, sob o ponto de vista financeiro, antes de contratar um financiamento imobiliário.
Reserva financeiraDigamos que você tenha o valor para dar uma entrada maior do que os 30% exigidos pelo Financiamento Caixa – ou qualquer outro banco. O que fazer? Dar uma entrada maior ou deixar um dinheiro guardado?
Este é um ponto importante, principalmente diante da instabilidade profissional pela qual muitos brasileiros estão passando. É importante, para qualquer pessoa, ter uma reserva financeira para emergências – ou mesmo para boas oportunidades. Por outro lado, dar uma entrada maior no financiamento diminui o valor da prestação.
Avalie bem de quanto seria uma reserva adequada para a sua família. Isso varia muito de acordo com o perfil da família. Muitos analistas falam que uma boa reserva é o equivalente a nove meses de despesas da família. Se mais de uma pessoa contribui para a renda da família, e se não há perspectiva de perda de renda, a reserva pode ser menor.
Cuidados com as cláusulasPeça para o banco, com antecedência, o modelo do contrato que você vai assinar. Leia-o com calma, em casa. Se tiver alguma dúvida, pergunte ao gerente ou a alguém experiente – um advogado, ou um despachante.
Esses contratos geralmente têm dezenas de páginas, e são escritos de uma forma que leigos não entendem totalmente. Não deixe para lê-lo na hora da assinatura, quando, além do pouco tempo, há toda a empolgação pelo fechamento de um negócio tão importante.
Diminuindo custos na hora da contrataçãoEmbora as taxas do Financiamento Caixa geralmente sirvam como orientação do mercado, é importante que você converse com outros bancos. Especialmente se você já tiver bom relacionamento com algum. Geralmente existe espaço para negociar as condições do contrato.
Uma forma de se fazer isso é contratar outro produto do banco. No meu caso, o gerente sugeriu que eu transferisse o meu recebimento de salário para o banco em que contratei o financiamento. Eu não quis. Preferi contratar um cartão de crédito.
O seguro também pode ser negociado, e isso pode fazer diferença. Quanto mais alta for a idade do mutuário, mais caro é o seguro. Você não é obrigado a aceitar a proposta que o gerente apresenta junto do contrato de financiamento.
ConcluindoQuando o assunto é compra de imóvel, é preciso pensar muito bem. Afinal, imóveis geralmente são os bens materiais mais caros que uma pessoa pode possuir.
Reflita, pesquise, avalie muito bem tudo o que envolve essa decisão. Converse com outras pessoas. Não apenas aquelas com experiência no mercado imobiliário, mas também pessoas que compraram imóveis recentemente. E, importante, converse com pessoas com experiência de vida, que te conheçam e em quem você confia.
E pode contar com o Educando Seu Bolso. Estamos à disposição para ajudar a tomar a melhor decisão. E, se já tem um financiamento imobiliário e está em dúvida sobre como cuidar dele, podemos ajudar também. Temos atendido a centenas de pessoas que nos procuram. Leia nossos posts, incluindo os comentários. Precisando, é só falar!
Nesta semana, no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, conversamos com o Pedro Vieira sobre um assunto que deu muito o que falar recentemente: a liquidação do Banco Neon. A notícia é importante, claro. Mas será que era para fazer todo esse tumulto?
Na manhã de sexta-feira, dia 4 de maio, os principais sites de notícias do país informaram que o Banco Central havia decretado a liquidação do Banco Neon. Como se sabe, Neon é uma fintech que surgiu recentemente no mercado, oferecendo contas digitais. Quem acompanha o blog e já usou nosso Simulador de Contas Digitais provavelmente já ouviu falar nela.
Como se não bastasse, naquela mesma manhã veio a notícia de que as bases de dados Banco Inter – outro fornecedor de contas digitais – teriam sido invadidas, e que dados sigilosos teriam sido capturados por hackers. Vejam bem, eu disse "teriam sido", pois as informações sobre o caso ficaram meio desencontradas. Já falamos sobre isso no nosso podcast anterior. Para quem não leu ou ouviu, fica a dica: vale a pena.
A notícia da liquidação do Banco Neon fez muito barulho, especialmente no mundo das fintechs. Afinal, estas instituições estão ganhando espaço no mercado, e um fato como esse fez com que muita gente mantivesse um pé atrás em relação a elas.
Vamos destrinchar essa história e explicar o que aconteceu antes e depois dela.
Banco Neon e Neon PagamentosÉ importante começar explicando que existem duas empresas distintas: o Banco Neon e a Neon Pagamentos. O Banco Central liquidou apenas o Banco Neon, conforme explica o comunicado que a própria autarquia publicou no dia da liquidação.
O Banco Neon é uma instituição financeira de pequeno porte. Detém apenas 0,038% dos ativos do sistema bancário. O Banco Central identificou "o comprometimento da situação econômico-financeira" do banco, e "violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição". Por isso decretou sua liquidação extrajudicial.
Já a Neon Pagamentos é uma empresa de tecnologia que oferece serviços como contas digitais e cartões pré-pagos. É uma empresa juridicamente independente do Banco Neon. Alguns dos grandes acionistas do banco figuram entre os investidores na empresa de pagamentos, na condição de pessoas físicas. São investidores anjo, como se usa dizer. Mas uma empresa não tem participação acionária na outra. O que não quer dizer que elas não estejam relacionadas. Estão, sim.
Em primeiro lugar, o Banco Neon tem acordo operacional com a Neon Pagamentos na estruturação da plataforma integrada com a gestão das contas digitais. Para que uma empresa não financeira ofereça serviços desse tipo, a legislação exige que ela designe uma instituição financeira autorizada pelo Banco Central para operar em seu nome no Sistema Financeiro Nacional.
E, em segundo lugar, as duas empresas têm o mesmo nome. Isto evidencia mais que um acordo operacional. Elas firmaram uma parceria comercial. Não é à toa que os acionistas do banco investiram na fintech. Fica claro que havia uma intenção mútua de que ambas caminhassem juntas.
Portanto, era natural que a liquidação do banco afetasse a imagem da fintech. E mais que a imagem, como se verá adiante.
Que banco foi esse?O Banco Neon é o antigo Banco Pottencial, instituição financeira fundada em 1994, em Belo Horizonte. O banco já havia apresentado irregularidades no passado. Alguns dos seus diretores chegaram a ser processados por gestão fraudulenta e gestão temerária.
Empresas do mesmo grupo econômico do Pottencial se envolveram em outras espécies de irregularidades. Não é nossa intenção esticarmos esse assunto, basta dizer que o banco, apesar de ter nome novo, já era conhecido no mercado.
Após a liquidação do Banco Neon, executivos da Neon Pagamentos declararam à imprensa que evidentemente sabiam do histórico do Banco Pottencial. Na época das negociações para o fechamento da parceria, o diagnóstico era de que os problemas haviam sido solucionados, as multas devidamente pagas, e o banco estaria apto para operar.
É difícil avaliar se os executivos da Neon Pagamentos foram demasiadamente confiantes ao se unirem ao Pottencial. Será que os problemas do banco de fato não poderiam ter sido detectados por quem avaliou seus números antes de firmar a parceria? Será que a fintech reconhecia que a saúde do banco não estava 100%, mas acreditava que a parceria prometia um bom futuro às duas empresas?
Na mesma semana em que ocorreu a liquidação do Banco, a fintech havia recebido um aporte de R$ 72 milhões. Os recursos vieram de diversos fundos e investidores nacionais e estrangeiros. Isto é, havia gente experiente considerando saudável aquele negócio.
Apesar disso, a avaliação das autoridades responsáveis pela sua fiscalização foi de que não havia condições para ele prosseguir. Ao final da semana, o Banco Central decretou o fim da linha para o Pottencial.
Efeitos sobre a Neon PagamentosTão logo foi decretada a liquidação do Banco Neon, as operações das contas digitais da Neon Pagamentos foram afetadas. O aplicativo da empresa parou de funcionar e vários usuários afirmaram, pelas redes sociais, que não estavam conseguindo realizar suas operações.
Começou um trânsito de informações desencontradas. De um lado, clientes assustados com a notícia da liquidação do banco – ou mesmo aqueles que queriam simplesmente pagar suas contas – tentaram acessar os serviços da empresa. Deparavam-se com a lacônica e desconfortável mensagem de que o aplicativo estava "temporariamente fora do ar para melhorias", seguida de um "em breve a gente tá de volta!" e um sorriso.
Pelo Twitter, a Neon Pagamentos informava que apenas o aplicativo é que estava fora do ar. Os saques e o uso do cartão, segundo a empresa, estariam normais. Na mesma rede social, porém, alguns clientes relatavam que não estavam conseguindo realizar saques, enquanto outros diziam ter conseguido sacar seu dinheiro.
O que ocorreu é que os serviços típicos de instituições financeiras foram imediatamente afetados – já que o banco parceiro estava impedido de funcionar –, mas outros serviços não foram.
E os clientes?O que seriam esses "serviços típicos de instituições financeiras"? Bem, os pagamentos de boletos, transferências de recursos – DOCs e TEDs – e as aplicações e resgates em Certificados de Depósito Bancário – CDB, entre outros. Todos esses serviços foram bloqueados.
Já os recursos mantidos na conta não eram gerenciados por meio do Banco Neon. Portanto, eles podiam ser sacados da mesma forma como eram antes.
E quem tinha dinheiro aplicado em CDB? Bem, nesse caso o caminho natural é o FGC, o Fundo Garantidor de Crédito. As primeiras notícias dão conta de que o processo de devolução dos recursos deverá ser rápido – as primeiras estimativas falavam em algo em torno de 15 dias.
Bem, mas não dá para viver assim, né? Quem tem conta – seja digital ou não – quer movimentar, pagar, transferir, aplicar, resgatar. Num primeiro momento, tudo isso foi suspenso, aguardando o desenrolar dos fatos.
Rei morto, rei posto?Pois bem. Passou o fim de semana, e na segunda-feira a Neon Pagamentos já anunciava seu novo parceiro para voltar a operar as contas digitais: o Banco Votorantim. A fintech agiu rapidamente, procurando minimizar os transtornos aos clientes e o risco à sua própria imagem.
A normalização dos serviços ainda demoraria algum tempo. Afinal, não basta firmar uma parceria, são necessárias diversas providências técnicas e administrativas para que tudo volte ao normal.
Nosso podcast foi gravado no dia 10 de maio. Fizemos, de dentro do estúdio da Inconfidência, uma consulta ao site da Neon Pagamentos. Lá havia um painel contendo cada um dos serviços oferecidos pela empresa, apresentados em cores diferentes: verde, quando o serviço estivesse funcionando normalmente; amarelo, quando funcionava com restrições; vermelho, quando ainda estava suspenso.
Naquele momento estavam disponíveis, basicamente, os serviços de movimentação dos recursos da conta de pagamento – aqueles que não dependiam do Banco Neon. Isto é, débito com cartão físico, saques, transferências, consultas. Já os pagamentos, débito virtual, investimentos, compras no crédito, emissão de boletos, que dependem de uma instituição financeira, estavam suspensos.
O painel apenas informava o status de cada serviço, sem dar mais detalhes. Os clientes das contas digitais da Neon foram alocados em uma agência virtual do Votorantim. Aos poucos os serviços devem voltar à normalidade.
Situação da Neon Pagamentos em 10/05/2018
O que será das fintechs?Assim como a abertura de capital do Banco Inter foi um marco na história das fintechs no Brasil, não é exagero dizer que a liquidação do Banco Neon também foi um fato marcante. Não quer dizer que vá comprometer o crescimento das fintechs no país – pelo menos não deveria. Mas certamente chama a atenção para uma série de questões.
Todo o mercado esteve atento à postura da Neon Pagamentos nestes primeiros dias após a liquidação do Banco Neon. Assim como estará de olho na forma como ela agirá daqui para a frente e nos resultados que terá nos próximos tempos. Seu desempenho – bom ou ruim – influenciará a forma como as fintechs serão olhadas por muita gente. É inevitável que seja assim.
Há risco de novas quebras?Sempre há risco de novas quebras. Entrada e saída de agentes no sistema financeiro fazem parte do jogo. É claro que as liquidações geralmente causam transtorno, em maior ou menor escala – dependendo da importância da instituição. Mas, quando ocorrem em número moderado, elas podem ser um sinal de saúde do Sistema Financeiro, e não o contrário.
O que vem se discutindo, no entanto, é se o risco de novas quebras é alto o bastante para que se evitem as instituições menores – como o Banco Neon.
É indiscutível que instituições deste porte estão mais sujeitas a falência do que aqueles maiores bancos do país, que todo mundo conhece. Mas será que isso basta para justificar o temor em relação às novas instituições?
Na nossa opinião, não justifica. É claro que a solidez – isto é, a resistência a crises – é uma qualidade importante em uma instituição financeira. Mas ela não é suficiente para que não busquemos serviços mais modernos e baratos em instituições mais jovens.
Alguns cuidados são necessários. Antes de confiar em alguma instituição, pesquise sobre ela. Avalie quanto tempo de mercado ela tem, verifique se há reclamações e denúncias contra ela. Além disso, prefira colocar seu dinheiro onde o Fundo Garantidor de Créditos possa te proteger. Por fim, se possível, não coloque tudo em apenas uma instituição.
Instituições liquidadas. Clique na imagem para a lista completa.
"Confie em Alá, mas amarre seu camelo"Como dissemos no post anterior, continuamos depositando confiança no mundo novo que as fintechs podem proporcionar aos usuários de serviços financeiros. Isso não significa, evidentemente, que confiemos em todas elas. Afinal, elas são centenas, em breve serão milhares. Uma ou outra certamente haverá de gerar problemas, seja por questões naturais do mercado, por decisões erradas, ou mesmo por fraudes.
O que queremos dizer é que olhamos com muito bons olhos para este mundo novo. Acreditamos que ele fará muito bem ao mercado, coletivamente. As fintechs frequentemente trazem propostas inovadoras, modernas, afinadas com os novos tempos, fazendo muito bom uso da tecnologia. Além disso, por si só elas representam concorrência, algo que normalmente beneficia muito aos usuários de serviços.
Já falamos inúmeras vezes sobre as vantagens das contas digitais, que são o objeto da fintech que motivou este post. Essas contas normalmente são mais baratas, oferecem serviços melhores e, em muitos casos, serviços inteiramente novos – como o depósito de cheque à distância.
Recomendamos que você se permita experimentar. Use o problema do Banco Neon como sinalizador de que o mercado exige cuidado e cautela, mas não como sinal de que o novo não merece confiança. Sugerimos que confie, tomando os cuidados necessários. É isso que nós fazemos. Todos os integrantes do blog têm pelo menos uma conta digital em uma fintech.
ConcluindoAo final do programa, um encontro inusitado nos estúdios da Inconfidência. É surpresa, vá lá e ouça este momento inédito.
Aproveitamos para falar um pouco sobre o dia das mães. Demos algumas dicas de cuidados na hora de comprar o presente daquela pessoa tão especial. Você sabe o que diz o Código de Defesa do Consumidor, caso queira trocar um presente que não serviu – ou que sua mãe não gostou? Sabe qual é a diferença entre dia das mães e chá de panela? Sabe se compensa aceitar aquelas garantias estendidas que são vendidas pela internet?
Pois é. Tudo isso e algo mais no nosso podcast. Ficou bem legal, ouça lá!
Estivemos, como de costume, no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência. Na volta do nosso amigo Pedro Vieira, que esteve curtindo merecidas férias, mais uma vez falamos sobre contas digitais. O ponto de partida foi a abertura de capital do Banco Inter. Isto é, o início da negociação de ações do banco na B3, a Bolsa de Valores brasileira.
A oferta inicial levantou mais de R$ 720 milhões. A previsão era de que o preço da ação ficasse entre R$ 18 e R$ 23. Ficou a R$ 18,50, isto é, dentro do intervalo previsto, embora próximo ao valor mínimo.
A abertura do capital do Banco Inter é uma notícia importante, que merece toda a nossa atenção. É a primeira fintech – empresa financeira fortemente baseada em tecnologia – a ter ações negociadas em bolsa. Para nós, do Educando Seu Bolso, é uma notícia especialmente interessante. Afinal, temos falado muito sobre contas digitais aqui no blog, e até oferecemos ao leitor nosso Simulador de Contas Digitais. Ele serve justamente para apresentar ao usuário a opção mais barata, de acordo com o que ele precisa.
Agora veja como são as coisas. A negociação das ações do Banco Inter começou no dia 30 de abril, segunda feira. No dia 03 de maio, quinta, gravamos o programa que está no podcast. E no dia 04 de maio, sexta-feira, vieram duas notícias que agitaram o mercado. A primeira é um fato: o Banco Central liquidou o Banco Neon. A segunda ainda estava envolta em mistério, até o dia da publicação deste post: os arquivos do Banco Inter teriam sido invadidos por hackers, e dados sigilosos teriam sido vazados.
Vamos falar um pouco sobre tudo isso.
Banco NeonVamos começar falando brevemente sobre a liquidação do Banco Neon. Digo "falando brevemente" porque falaremos detalhadamente sobre isso em outro post, em breve.
Em primeiro lugar, é importante explicar que existem duas empresas: o Banco Neon e a Neon Pagamentos. O Banco Neon é o antigo Banco Pottencial; a Neon Pagamentos é uma fintech, fundada recentemente. Apenas o banco foi liquidado.
"Ah, quer dizer que uma empresa não tem nada a ver com a outra?" Não é bem assim. Elas estão conectadas. O banco não tem participação acionária na fintech, nem vice-versa. Apesar disso, sócios do banco estão entre as pessoas que investiram na fintech como pessoas físicas. São o que se usa chamar de investidores anjo. Além disso, ambos – banco e fintech – têm o mesmo nome, e a fintech usa os serviços do banco para realizar suas operações. Portanto, têm relação, sim.
Porém, o próprio Banco Central, em seu site, afirmou que "as irregularidades encontradas no Banco Neon não estão relacionadas com a abertura e movimentação de conta digital ou com a emissão de cartões pré-pagos, objeto de acordo operacional com a empresa Neon Pagamentos S.A. para estruturação de plataforma de banco digital integrada com a gestão de contas de pagamento."
Como eu disse, falaremos mais sobre esse assunto em breve. Para o objetivo deste post, basta, por ora, fazer esse esclarecimento. Bola pra frente.
Banco Inter na Bolsa de ValoresO motivo para voltarmos a falar sobre contas digitais no podcast de hoje é a abertura de capital do Banco Inter na B3, a bolsa de valores brasileira. Por que esse fato é tão importante?
Bem, porque, como dissemos, é a primeira empresa que pode ser chamada de fintech a fazer isso. A PagSeguro, empresa de meios de pagamento do grupo UOL, recentemente abriu seu capital na bolsa de Nova York, mas no Brasil o Banco Inter foi o primeiro.
Esse é um passo muito importante para uma empresa. É um sinal de amadurecimento, de disposição para encarar novos desafios. Demonstra a intenção de, além de investir em tecnologia, marketing e operações, investir também em governança. Isto é, em boas práticas de gerenciamento, transparência e relacionamento com os diversos agentes do mercado – clientes, investidores, reguladores, entre outros.
"Quer dizer que devo confiar mais no Banco Inter do que em outras fintechs na hora de escolher minha conta digital?" Opa, não é isso. Ter ações negociadas em bolsa é um sinal de que a empresa se dispõe a crescer e amadurecer, mas não é selo de garantia. Empresas presentes na Bolsa de Valores também podem passar por problemas.
Nosso Simulador de Contas Digitais indica ao usuário aquela opção que atende a tudo o que ele precisa em uma conta, pelo preço mais barato. Mas já dissemos várias vezes, e vamos repetir: é preciso tomar alguns cuidados na hora de colocar o dinheiro em alguma empresa.
Isso vale não apenas para instituições financeiras, mas para qualquer tipo de empresa. Quem não conhece casos de pessoas que compraram apartamento na planta e, antes de receber o imóvel, viram a construtora falir?
Vamos, portanto, falar sobre diferentes riscos a que os clientes de instituições financeiras podem estar expostos, e sobre como se prevenir.
Bancos e a segurança patrimonialUma das nossas missões é justamente essa: orientar nossos leitores e ouvintes sobre os cuidados a serem tomados antes de colocar seu suado dinheiro em uma instituição financeira.
A boa notícia é que existem leis e mecanismos de proteção para o pequeno investidor. Isso dá muita segurança e facilita até o nosso trabalho, aqui no Educando. Fica mais fácil explicar.
A principal estrutura de segurança é o FGC – Fundo Garantidor de Crédito. Já falamos muito sobre ele aqui, mas não custa repetir. Veja o que está protegido pelo FGC:
Há outras garantias, mas estas são as principais. É importante ressaltar que fundos de investimento NÃO são cobertos pelo FGC.
Portanto, quando você abre uma conta – seja digital ou não –, se seu dinheiro está em qualquer uma das modalidades garantidas pelo FGC, ele estará protegido – até os limites regulamentares. Se a instituição financeira for à falência, seu dinheiro está protegido por um mecanismo seguro e prático.
CorretorasOutro mecanismo de proteção importante é a lei que regula as corretoras de valores. Quando você investe no Tesouro Direto, em ações, ou mesmo em fundos de investimento por meio de uma corretora, caso ela vá a falência, seu dinheiro NÃO vai embora junto com ela.
O único problema é aquele dinheiro que fica parado na própria corretora. Por exemplo: você transfere R$ 1000 para sua conta em uma corretora, e compra R$ 900 em títulos do Tesouro Direto. Assim, sobram R$ 100 na sua conta na corretora, certo? Se ela for a falência, esses R$ 100 vão embora. Você vai precisar entrar na fila para recebê-lo, durante o processo de liquidação. Mas os R$ 900 dos títulos estão lá no Tesouro, guardadinhos em seu nome.
O mesmo acontece com ações e fundos de investimentos. Os seus investimentos ficam todos em seu nome, independentemente da corretora que você usou para contratá-los. Você pode, eventualmente, até perder algum dinheiro por conta da desvalorização das suas ações ou cotas. Isso faz parte do jogo. Mas não vai perder tudo por conta da liquidação da sua corretora. Não é assim que funciona.
Bancos e segurança tecnológicaNa mesma semana do lançamento das ações do Banco Inter na bolsa de valores, veio a notícia de que os arquivos do banco haviam sido invadidos, e que dados sigilosos – como senhas e dados pessoais – teriam sido roubados. Bem, esse é outro tipo de risco, bem diferente do risco patrimonial.
O banco confirmou que foi vítima de tentativa de extorsão, mas afirma que não houve invasão, nem captura de dados. Disse ainda que comunicou o fato às autoridades competentes, e que a investigação corre em sigilo.
Não é nosso papel, nem nossa intenção, especular o que há de verdade ou de boato nessa história. O que podemos dizer é que qualquer pessoa ou empresa está sujeita a sofrer tentativas de invasão, e que elas podem ou não ser bem sucedidas. Poderíamos listar várias histórias de invasões e vazamentos de dados em empresas de todos os setores e tamanhos, pelo mundo afora.
Eu mesmo já tive meu cartão de crédito clonado mais de uma vez. Já aconteceu também de esvaziarem minha conta em um famoso programa de fidelidade de postos de gasolina. Em todos os casos tive os valores devidamente ressarcidos.
Praticamente todas as empresas que lidam com dados sigilosos tomam diversas medidas contra invasões de hackers. Me diga aí: quantas vezes você não se irritou com o que parece um excesso de zelo do site de um banco ou de uma loja? É um tal de enviar código por SMS, instalar leitor de QR Code no smartphone, biometria, enviar senha por e-mail… Eu tenho conta em um banco digital, e ele faz tudo isso.
Às vezes é irritante, e até atrapalha as pessoas menos acostumadas à tecnologia a usar os serviços. Mas tudo isso é sinal de que as empresas estão atentas aos cuidados necessários.
Minha intençãoO que pretendo, ao dizer isso tudo, não é defender o Banco Inter, ou qualquer outra instituição. É apenas, nessa estranha época em que vivemos, em que fake news aparecem a todo momento, convidar o leitor à reflexão e à serenidade. E tentar impedir que o pânico – muitas vezes injustificado – atrapalhe suas decisões, inclusive as de negócios.
Fintechs: use com moderação. Mas use.
Na semana passada falei sobre os benefícios da concorrência para o usuário dos serviços financeiros. O que as fintechs representam é justamente isso: concorrência. Mais e mais pessoas e empresas buscando oferecer novas soluções para velhos problemas.
Meu banco digital tem funcionado muito bem. Estou satisfeito com ele e o recomendo. Já contei aqui sobre a ótima experiência de depositar um cheque sem sair de casa. Bastou fazer fotos de frente e verso, digitar os dados e pronto! Cheque depositado.
Muitas contas digitais oferecem o conforto de poder emitir TEDs à vontade, sem pagar nada por isso. Conheço empresas que se livraram de tarifas em contas tradicionais, por conta disso.
Algumas oferecem a possibilidade de emissão de boletos como forma de depósito. Sabe aquele seu amigo que te deve uma grana, e não conta com o conforto de emitir TEDs de graça? Pois é. Você pode emitir um boleto para ele. Assim, basta ele pagar o boleto – sem pagar tarifa por isso – e o dinheiro estará na sua conta um ou dois dias depois.
Por que as fintechs oferecem isso? Será que os executivos delas são mais inteligentes? Será que elas têm mais tecnologia? Não, elas fazem isso porque querem te atender! Os bancões poderiam fazer isso há muito tempo – aliás, devem começar a fazer em breve, imitando as fintechs. Acontece que eles não tinham motivação para isso, porque lhes faltava concorrência.
Além das contas digitais, uma legião de fintechs está chegando ao mercado, oferecendo empréstimos, financiamentos, investimentos, meios de pagamento e até criptomoedas. Repare só em quantos novos nomes você verá surgir no mercado daqui para a frente. E repare também em como os bancos tradicionais vão começar a oferecer serviços novos, melhores e mais baratos. Esta é nossa aposta e, mais que isso, nossa torcida.
ConcluindoA abertura de capital do Banco Inter é um marco importante. Não é nenhuma revolução no sistema financeiro, mas é um sinal de novos tempos. Não há como negar a força das empresas menores e mais ágeis. Aliás, os próprios grandes bancos demonstram enxergar isso, quando imitam – ou mesmo adquirem – fintechs que se mostraram ágeis e bem sucedidas.
Sabemos que as fintechs não estão imunes a crises. Estão sujeitas a falência, invasões, problemas operacionais. Estão sujeitas até mesmo a envelhecer precocemente e passarem a agir como os bancos tradicionais, com todos os seus vícios.
Apesar disso, acreditamos nelas. Não em todas elas, claro, já que são centenas, em breve serão milhares. Mas acreditamos na transformação que elas, coletivamente, podem proporcionar.
Nosso objetivo é que você veja as coisas – as boas e as ruins – no tamanho que elas têm. Nem maiores, nem menores. Que tome os devidos cuidados, mas que não deixe de aproveitar o que é melhor e mais moderno. Pode fazer muito bem!
Durante as férias do Pedro Vieira, mais uma vez quem comandou o programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência, foi a Duda Ramos. Nesta semana, a conversa partiu de várias notícias veiculadas na imprensa recentemente. Elas falam de assuntos diferentes, mas acabam se encontrando em um ponto importante: a importância da concorrência entre instituições financeiras. Somente a concorrência sadia, associada a regras claras de portabilidade, para melhorar a vida do consumidor.
Vamos às notícias:
Lucro dos grandes bancos cresce 8,5%Com o início da recuperação da economia, começa também a retomada do crédito. Junto disso, a inadimplência dá sinais de queda. Ótimo sinal para os bancos, certo? Bem, pelo menos para os grandes, sim. Os resultados de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, somados, chegam a quase R$ 17 bilhões no primeiro trimestre de 2018. O número é 8,5% maior do que o registrado no primeiro trimestre de 2017.
Cabe lembrar que, de janeiro de 2017 a março de 2018, a taxa básica de juros – Selic despencou de 13,75% para 6,5% ao ano. Ué, mas isso seria motivo para os lucros diminuírem um pouco, não? Pois é, seria sim. O que aconteceu, então?
Aconteceu que os juros básicos da economia diminuíram muito, mas o spread bancário, não. Quem nos acompanha sabe que spread é, em poucas palavras, a diferença entre os juros que o banco cobra pelo crédito e os juros que ele paga pelas aplicações. Então, se, em média, ele paga 0,5% ao mês pelas aplicações e cobra 5% ao mês pelo crédito, o spread é de 4,5%.
O que ocorre é que esse número vem se mantendo alto, mesmo com os sinais de melhora na economia. Por que isso acontece? Já adivinhou, né? Pois é. Daqui a pouco volto ao assunto.
Quatro maiores bancos são responsáveis por quase 80% do créditoRelatório de Estabilidade Financeira do Banco Central mostra que, ao final de 2017, os quatro maiores bancos do país – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Bradesco – detinham 78,51% do volume de operações de crédito do mercado. Em 2007 esse número correspondia a 54,68%.
Bem, essa notícia explica a anterior, certo? Os grandes bancos não diminuem o spread porque vivem uma situação muito confortável no mercado: baixa concorrência.
"Será que é por isso?", alguém perguntará. Se você ainda tem dúvida, dê uma olhada na próxima notícia.
A batalha das maquininhasOs grandes bancos brasileiros dominam as transações feitas com cartões de crédito e de débito. Mas novas regras incentivam o avanço de competidores menores.
Você já reparou que a quantidade e variedade de máquinas de cartão tem aumentado muito nos últimos anos? Até alguns anos atrás você só via máquinas com as marcas das próprias administradoras – geralmente, Visa e Mastercard. Os comerciantes e profissionais liberais que aceitam pagamentos por meio de cartão desde essa época se lembram de como eram esses tempos. Era difícil conseguir e manter uma maquininha de cartão. Os bancos não liberavam máquinas facilmente, o atendimento era ruim e as taxas eram piores ainda.
Mas aí… Veio então o fim da exclusividade e da vinculação entre as credenciadoras e as bandeiras de cartão. Começaram a surgir novas marcas de maquininhas, com novas tecnologias. O uso foi democratizado e, hoje em dia, até comerciantes muito pequenos podem ter máquinas de cartão. Foi por isso, aliás, que nós criamos o Simulador de Máquinas de Cartão: para ajudar nosso leitor empreendedor a escolher a maquininha de cartão mais adequada ao seu negócio.
E o efeito disso?Algumas semanas atrás publiquei aqui no blog uma série de três textos, contando sobre uma pesquisa que fiz com comerciantes e profissionais que recebem pagamento por meio de cartão. Um deles, um comerciante libanês, me contou sobre sua experiência com a maquininha Safra Pay. Ele estava encantado porque, durante alguns meses, não precisaria pagar comissão sobre as vendas. "Isso vai fazer barulho", pensei.
Não deu outra. Dia desses vi na televisão o Fábio Porchat fazendo propaganda da Cielo, dizendo que, durante alguns meses, também não haveria cobrança de comissão, apenas R$ 0,70 fixos por dia. Minutos depois vi o Michel Teló anunciando que a Moderninha também oferece alguns meses com taxa zero.
A palavra chave disso é concorrência. E tem mais uma: portabilidade. Afinal, não basta ter para onde ir. É preciso ter como ir.
Queda de juros favorece a portabilidadeVou fazer um spoiler: em breve falaremos, aqui no nosso podcast, sobre a queda de juros nos financiamentos imobiliários. Não perca.
Recentemente a Caixa Econômica Federal reduziu em cerca de 1,25 ponto porcentual os juros anuais do financiamento imobiliário. Isto deve fazer com que os outros bancos se mexam e reduzam seus juros também. Nesse movimento, é possível que surjam boas oportunidades para mutuários mudarem de banco.
Afinal de contas, não é muito comum que um banco reduza as taxas de um contrato em vigor. Mas as regras da portabilidade de crédito permitem que um cliente transfira seu financiamento para outra instituição financeira com bastante facilidade. Então, é tempo de ficar de olho, fazer as contas e, se for o caso, lançar mão da portabilidade.
Vamos à última notícia, depois comentamos tudo.
Banco Central criará novo sistema de pagamentosEsta notícia ainda está no plano das ideias. O Banco Central pretende fomentar a criação de um sistema de pagamentos instantâneo, sem a intermediação de bancos e sem restrição de dias e horários. O órgão solicitou a bancos e administradoras de cartões de crédito sugestões para desenvolver o sistema.
Atualmente, apenas as transferências de dinheiro entre clientes do mesmo banco são instantâneas. Transferências entre clientes de instituições diferentes – TEDs e DOCs – demoram algum tempo e precisam respeitar os dias e horários comerciais.
Apesar de a ideia ainda estar em gestação, seus efeitos podem não demorar muito. Afinal, repare bem, o Banco Central convocou os próprios bancos e empresas do segmento de cartões para participar da criação do sistema. Então eles já sabem que vem aí mais concorrência. Quem sabe eles já não começam a se mexer desde já?
Concorrência e portabilidade
A relação entre falta de concorrência e baixa qualidade em serviços parece bastante clara. Sempre que alguém está sozinho em um mercado, sente-se confortável para não lutar pelo cliente.
Neste caso, estar só é o mesmo que estar mal acompanhado. Não é difícil citar exemplos de mercados que têm três ou quatro fornecedores. Se eles, em vez de competir saudavelmente, se acomodam no mau atendimento, o consumidor fica abandonado à própria sorte.
O que cada um pode fazer?O convite que fazemos é para que o leitor e o ouvinte não se acomodem. Sabemos que, muitas vezes, dá trabalho mudar de fornecedor. Seja o banco, a empresa de telefonia, o plano de saúde, em muitas situações mudar dá trabalho. Mas pode valer muito a pena.
Quando um restaurante, um posto de gasolina ou um mecânico te atendem mal, você não procura outros? Pois então: faça o mesmo com os bancos.
Alguém dirá: "Ah, Ewerton, falar é fácil. Mudar de banco é mais complicado que mudar de restaurante". Sei disso, claro. Meu recado é de que não é tão complicado como pode parecer. Repito: as regras da portabilidade facilitam muito. Seu banco não pode te segurar, não pode atrapalhar sua saída.
"Mas para onde eu vou? Banco é igual a empresa de telefonia: existem uns três ou quatro, e todos atendem mal"
Opa, não é bem assim. Quer ver?
Cooperativas de créditoCooperativas de crédito são instituições financeiras constituídas para prestarem serviços financeiros a seus cooperados. Isto é, elas não têm como objetivo principal o lucro, e sim a prestação de serviço aos seus cooperados. Isso faz toda a diferença.
Em primeiro lugar, porque o spread nessas instituições geralmente é mais baixo, já que elas não se preocupam tanto com o lucro, e sim com o atendimento.
Mas não é só isso. As cooperativas, por serem instituições menores e mais simples, procuram estar mais próximas dos seus cooperados, ouvi-los, entendê-los e, assim, criar condições de atendê-los bem.
Eu, pessoalmente, sou grande fã e entusiasta do cooperativismo. Não quer dizer que eu seja grande fã de todas as cooperativas do Brasil. Afinal, são quase 1000 ao todo. Entre tantas, há algumas que são bastante bagunçadas, e acabam não conseguindo atender bem aos seus cooperados
Quer saber como encontrar uma cooperativa de crédito na sua cidade? Acesse a página "Encontre uma instituição", no site do Banco Central e siga as instruções.
Conta digitalContas digitais são aquelas contas bancárias simplificadas, que você usa sem precisar recorrer a uma agência ou um gerente.
Para muita gente, elas substituem totalmente uma conta bancária tradicional. São conta corrente, permitem saques em caixas eletrônicos, transferências, investimentos, crédito, têm cartão, e ainda oferecem serviços que contas tradicionais não oferecem – como boletos para que outras pessoas transfiram dinheiro para você sem pagar nada.
Mas tem gente que resiste a abrir mão da sua conta tradicional, pelos motivos mais variados. Ok, não vou lutar contra isso. Afinal, eu mesmo tenho uma conta no Banco do Brasil, outra em uma cooperativa de crédito e mais uma conta digital.
Uso a conta da cooperativa para investimentos e a digital para transferências – tanto enviar como receber. Assim, consigo manter meu pacote de tarifas do BB na opção mais barata possível.
"Ah, Ewerton, Deus me livre! Cuidar de mais de uma conta?"
Sim. Não dá tanto trabalho assim. Pelo contrário, a conta digital tem serviços mais modernos que os de muitos bancos tradicionais por aí. Sabe o que eu fiz um dia desses? Depositei um cheque sem sair de casa. Fiz uma foto do cheque com o aplicativo do banco digital, preenchi os dados e pronto: depósito feito. Seu banco tradicional te oferece isso? O meu, não. Mas a conta digital oferece. Bacana, né? Eu achei.
Quer saber como encontrar a conta digital mais adequada para seu perfil? Basta acessar nosso Simulador de Contas Digitais!
Portabilidade de telefoniaA Duda Ramos aproveitou o ensejo e falou também sobre a portabilidade em serviços de telefonia. Recomendo também.
No caso da telefonia, o mercado é mais restrito. Afinal, são apenas aquelas quatro ou cinco empresas de sempre, e a tendência é de que isso não mude muito… Mesmo assim, nosso conselho é que você não se acomode.
Quanto tempo faz que você contratou serviços de telecomunicações para você e para sua residência? Como foi que você tomou a decisão? Fez uma pesquisa de preços?
"Ah, na época eu fiz uma longa pesquisa, tenho certeza de que peguei a que oferecia melhores preços e qualidade. Isso já faz uns dois anos"
Ótimo. Parabéns pela pesquisa! Mas, sem querer ser chato: já fazem dois anos… Que tal fazer uma nova pesquisa agora, só para ver se a concorrência não está oferecendo nada melhor e mais barato? Afinal, essas empresas frequentemente têm umas ofertas bem interessantes, principalmente para clientes de outras operadoras fazerem a portabilidade.
É até um pouco revoltante, não? Você, que já é cliente há tantos anos, acaba pagando mais caro do que o outro que acabou de chegar. Mas é assim que funciona, infelizmente. Então, dance conforme a música: dê uma olhada no que as outras oferecem para ter você como cliente.
Coragem"Nossa, Ewerton, mas me dá desânimo só em pensar em mudar de operadora"
Eu entendo. Todas as operadoras de telefonia nos dão motivos para ficarmos desconfiados. Se você perguntar aos seus amigos se alguém já teve problemas com a operadora A, B ou C, certamente vai ouvir depoimentos dizendo que sim. Sobre qualquer operadora.
É por isso que, quando nossa operadora passa um tempo sem nos dar problemas, a tendência é querermos ficar quietos. Nesse caso, mesmo se o time estiver só empatando, achamos melhor não mexer nele.
Acontece que, de vez em quando, aparecem umas ofertas muito boas. Nesse caso, amigo, eis minha sugestão: avalie bem. Veja o quanto vai economizar, avalie se o pacote é melhor, procure saber com amigos sobre a qualidade dos serviços da operadora. Pesando tudo isso, se as vantagens compensarem, vá em frente!
ConcluindoEm um mundo com mudanças tão grandes e constantes, é preciso não ter medo de novidades. Não estou dizendo que devemos nos atirar a tudo que é novo sem avaliar bem. Não é isso. Minha sugestão é para que nós não tenhamos medo de experimentar. Banco sem agência, conta sem gerente, mudar de operadora, controle remoto novo. Aprender tudo de novo? Não: aprender o novo. Que venham as novidades!
A Federação Brasileira de Bancos – Febraban anunciou mudanças nas regras do cheque especial. Esse foi o tema da nossa conversa desta semana no programa Em Boa Companhia, da Rádio Inconfidência. Nosso Pedro Vieira está em suas merecidas férias, por isso o papo foi com a Duda Ramos.
Ouça o podcast e fique por dentro de todas as mudanças. A quem elas atingem? O que, exatamente, vai mudar? Melhorou ou piorou? Bem, em princípio melhorou, isso já posso adiantar. Mas não melhorou tanto assim, por isso fique ligado! Ficou menos ruim, mas não quer dizer que ficou bom. Assim, as dicas que sempre demos aqui no Educando Seu Bolso continuam valendo.
Antes de falar das mudanças propriamente ditas, vamos fazer um passeio na história. Por que essa linha de crédito se chama cheque especial, se, hoje em dia, quase não usamos cheques?
O que é um cheque?Bem, aprendi na faculdade que o cheque é "uma ordem de pagamento à vista". Tá, mas como assim? Quem dá a ordem, e quem tem que obedecê-la?
Quem dá a ordem é o emitente. É a pessoa que tem dinheiro depositado em conta corrente em uma instituição financeira – um banco, ou uma cooperativa de crédito – e emite um cheque para pagar por algum produto ou serviço.
Você já reparou no que está escrito em um cheque?
"Pague por este cheque a quantia de ____________ e centavos acima a _________ ou à sua ordem".
Então é uma ordem que o emitente dá ao sacado, que é banco onde ele tem conta. Ele ordena que o banco pague um determinado valor ao beneficiário, que é a pessoa que recebe o cheque. O banco, então, retira o dinheiro da conta do emitente e entrega ao beneficiário.
Quer dizer que o cheque vale aquilo que nele está escrito, certo? Bem, teoricamente, sim. Mas ele só terá valor real para o beneficiário caso o emitente tenha aquele dinheiro depositado na conta. Se não houver o valor, o cheque é devolvido a quem o depositou. E aí começa a dor de cabeça.
O que é um cheque sem fundos?O famoso cheque sem fundos é aquele que, ao ser depositado, não encontra saldo suficiente na conta do emitente para que seja devidamente pago.
Quando emite um cheque sem fundos, a pessoa causa um transtorno para quem o recebe. Afinal, quem vende algum produto ou serviço obviamente conta com o pagamento. Quando isto não acontece começa uma via crucis em busca do dinheiro perdido.
Além disso, o emitente pode causar um transtorno para si próprio. Ele pode ser incluído no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos – CCF.
E, como estamos no Brasil, os emitentes de cheques sem fundos causaram também uma série de piadas com os nomes desses temidos cheques:
O cheque seria um excelente meio de pagamento, graças à sua praticidade e versatilidade, se não fosse esse defeito: ele não oferece a quem o recebe nenhuma garantia de que se transformará em dinheiro. Em países que têm muitas pessoas com pouca disciplina financeira, isto é um problema sério.
Foi para isso que os bancos criaram o cheque especial: para conferir alguma garantia aos cheques.
O que é cheque especial?Não sei dizer exatamente quando o cheque especial foi criado. Se algum leitor quiser contribuir com essa informação de forma mais precisa, terei prazer em atualizar este post. Me lembro de passar a ouvir falar nele com mais frequência na minha infância, no início da década de 1980. Alguns estabelecimentos comerciais – como postos de gasolina – costumavam afixar cartazes dizendo "Só aceitamos dinheiro e cheque especial".
O cheque especial nasceu como uma linha de crédito pré-aprovada para contas correntes. Caso a pessoa emitisse um cheque e não tivesse em sua conta o saldo suficiente para honrá-lo, o banco sacado não devolvia o cheque. Ele o pagaria ao beneficiário e depois cobraria do emitente o uso daquele crédito. Não era todo mundo que tinha acesso a essa linha de crédito, por isso o cheque era, de fato, especial. O risco para quem o recebia era menor.
Não era risco zero, porque a linha de crédito não era ilimitada. Então, se a pessoa exagerasse na emissão de cheques sem fundos, havia o risco de o limite estourar, e até mesmo os cheques especiais começarem a ser devolvidos.
Antes de voltar ao nosso assunto principal, vou falar de um outro tipo de cheque, esse sim, bastante especial.
Cheque administrativoO cheque administrativo é uma ordem de pagamento emitida pelo próprio banco sacado, contra si mesmo. Ele é um serviço bancário, e funciona da seguinte forma: um cliente compra do banco um cheque emitido pelo próprio banco. Isto é, ele paga ao banco o valor do próprio cheque, mais uma tarifa pelo uso do serviço. Com esse cheque ele pode comprar algum bem ou serviço. Quem recebe um cheque administrativo, aí sim, tem a total garantia de que receberá o dinheiro. A menos que o banco vá à falência, mas aí seria uma situação muito excepcional.
Cheques administrativos são usados para a concretização de transações envolvendo grandes valores. Por exemplo, a compra de um carro. Vamos tomar a história da dona Márcia.
Suponhamos que dona Márcia vá até uma agência de automóveis usados para comprar um carro. Qual é a situação perfeita? Dona Márcia paga, o dono da agência recebe, dona Márcia vai embora no seu carro. Todos ficam felizes. Mas isso só vai acontecer caso o dono da agência tenha certeza absoluta de que vai receber o dinheiro. Quais são as formas para que isso ocorra?
Dona Márcia poderia pagar em dinheiro. Só que andar com tanto dinheiro vivo por aí não é seguro para ninguém, certo?
Ela poderia pagar com cartão de débito ou de crédito. Transação eletrônica é sempre garantida. Só que as instituições financeiras geralmente não concedem limites tão altos assim para cartões de pessoas físicas.
Caso dona Márcia emita um cheque dela mesma, o dono da agência exigiria esperar que o cheque compensasse, então ela não poderia ir embora com o carro no mesmo dia.
Para isso serve o cheque administrativo. Uma transação segura – já que o cheque seria nominal à agência de carros – e garantida, pois o banco emissor conta com a credibilidade do mercado.
De cheque especial para limite de créditoCom o passar do tempo e a chegada de novas formas de se usar conta bancária, o limite pré-aprovado passou a ter outras formas de acesso, além do cheque. Débito automático, cartão de débito e saques na boca do caixa ou em caixas eletrônicos, por exemplo.
Como é um limite pré-aprovado, prontinho para uso, caiu no gosto do brasileiro. Não havia burocracia, era só usar. E é muito prático: o cliente só paga juros pelo valor e pelo tempo que usar o dinheiro.
A linha de crédito caiu também no gosto dos bancos. Afinal, a cobrança dos juros também é muito prática: é só debitar na conta corrente no início do mês seguinte ao uso. E, na prática, eles tinham a liberdade até para reajustar as taxas de juros, pois a renovação do limite – com ou sem aumento – pode ser automática, não é necessário que o cliente assine. Os bancos precisam, evidentemente, manter o cliente informado sobre a taxa de juros que está pagando, caso ele queira saber.
Pois é… caso ele queira saber. Acontece que o brasileiro não costuma querer saber dessas coisas, certo? Então as taxas iam aumentando, aumentando…
A consequência disso foi que o cheque especial tornou-se a modalidade de crédito mais cara de todas, ao lado do rotativo do cartão de crédito. E, por ser muito prática, quase uma extensão da conta corrente, muitas pessoas usavam sem perceber. E usavam cada vez mais. O resultado é que milhões de pessoas contraíram dívidas altíssimas.
O processo de endividamento por cheque especial e rotativo de cartão é cruel. A pessoa desequilibra seu orçamento em um mês, e por isso usa uma dessas linhas de crédito, que são as mais práticas, pois já estão à mão. No mês seguinte, além do orçamento desequilibrado, ainda vêm os juros do crédito usado no mês anterior. Resultado: ela usa mais ainda o crédito naquele mês. No mês seguinte a dívida está ainda maior. E assim vai.
Novas regras do cheque especialO governo federal, então, adotou medidas para mudar este cenário. Em 2017 promulgou norma que muda as regras do rotativo do cartão de crédito. Nesta mesma direção, pontuou junto aos bancos que os juros do cheque especial estão altos além da conta.
Diante disso, a Febraban divulgou mudanças no cheque especial, que entrarão em vigor em 1º de julho de 2018. Segundo as novas regras, quando uma pessoa usar a partir de 15% do seu limite de crédito durante 30 dias consecutivos, o banco deverá lhe oferecer uma modalidade de crédito mais barata.
Por exemplo: se o limite de cheque especial do cliente é de R$ 1000, e ele usar pelo menos R$ 150 durante 30 dias consecutivos, o banco será obrigado a entrar em contato com ele, oferecendo uma linha de crédito mais barata. O cliente escolherá se aceita ou não esta oferta.
Cabe destacar que, ao contrário do que aconteceu com o rotativo do cartão de crédito, as mudanças do cheque especial não são uma norma de governo, e sim uma medida de auto-regulação. Isto é, foi uma medida da própria Febraban, a partir das pontuações do Banco Central. Não foi detalhado que linha de crédito será esta, nem estipulado teto para a taxa de juros, tampouco foi definida a forma como o banco deverá fazer o contato. O certo é que o banco precisará se mexer e oferecer uma modalidade de crédito menos cara.
Quais são as consequências das mudanças?A notícia é boa, apesar de requerer cuidados. Em primeiro lugar, a nova regra significa trocar uma dívida caríssima por outra menos cara. Isso é bom. Significa que o cliente poderá pagar menos juros. Como explicamos acima, o mecanismo do cheque especial é muito perigoso. A pessoa entra, às vezes, sem perceber. Vai se habituando a usar o limite de crédito mês após mês. Quando menos espera, está afundada em uma dívida alta, cara, que compromete seu já desequilibrado orçamento e acaba levando-a à ruína. As novas regras diminuem o efeito dessa bola de neve.
Além da redução nos juros, o contato que os bancos são obrigados a fazer podem funcionar para despertar a pessoa para o problema antes que seja tarde demais. Um dos problemas do cheque especial é justamente ser uma linha de crédito silenciosa, que o cliente pode usar até mesmo sem saber que está usando. Com a nova regra, ao receber um alerta do banco com a oferta da linha de crédito, o cliente tem uma oportunidade de parar e olhar com atenção para sua situação financeira.
E os cuidados?Como dissemos lá no início, quando algo torna-se menos ruim do que já foi, não significa que tenha se tornado bom. As linhas de crédito pessoal que possivelmente substituirão o limite de cheque especial ainda são muito caras. Os juros provavelmente cairão de 12% ao mês para cerca de 6%, o que é muito alto.
Portanto, as novas medidas não são motivo para acomodação. Quando o banco entrar em contato oferecendo uma linha de crédito mais barata, não é hora de pensar que a oferta de crédito aumentou, e contrair mais dívidas. É hora de migrar para modalidades mais baratas e tentar ACABAR com as dívidas.
Importante lembrar que o cliente não precisa contratar a linha de crédito oferecida por seu banco. Ele pode procurar crédito fora dele. Ouça no podcast algumas formas de se obter crédito mais barato e visite nosso Simulador de Empréstimo Pessoal.
ConcluindoAs novas medidas podem ser, no máximo, um paliativo. Não mais que isso. Sair do endividamento passa por autoconhecimento, planejamento e disciplina. E não é o Banco Central, muito menos a Febraban, que farão isso pelas pessoas. Cada um precisa tomar a rédea de sua vida financeira.
Se você costuma visitar o cheque especial de vez em quando, recomendamos que avalie suas atitudes. Procure se organizar, prepare seu orçamento pessoal , convoque sua família para esta empreitada. Vale muito a pena fazer um esforço desde já.
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