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Folheando um jornal outro dia, li um artigo em que o colunista tentava convencer o leitor da importância de poupar. Falei, "opa, que legal, mais um colega tentando ajudar as pessoas a evitar problemas com dinheiro…"
Resumidamente, ele sugeria cortar o cafezinho de depois do almoço. Com esta economia, você seria capaz de uma poupança de uns 50 reais por mês, que, investidos na poupança, te dariam não sei quantos mil reais ao final de vários anos.
Daí eu fiquei pensando, se alguém toma um cafezinho todo dia após o almoço é porque aquela pessoa gosta de café, não é mesmo?! Pois é. Foi aí que pensei, por que, então, tentar convencer alguém a mudar de comportamento, cortando dela justamente um prazer? Não seria mais fácil criar esta cultura de poupança regular sugerindo que ela cortasse algo que não lhe traz satisfação, como, por exemplo, uma tarifa bancária mais cara ou uma operação de crédito mal contratada?
Bom, este é o meu conselho para os outros amantes do café por aí a fora.
Estamos sempre falando em reduzir dívidas, eliminar custos, "fazer do limão uma limonada" com o salário (é impressionante como o salário some!) de modo que sobre para investir, mas não falamos como quitar dívidas – principalmente as vencidas.
O Procon do Paraná e a Serasa, através de publicações, ajudaram-nos a preparar este texto. Em primeiro lugar, devemos apontar que o inadimplente pode reabilitar seu crédito a qualquer momento. Você não deve temer sua relação com o dinheiro.
A partir do momento que tomar conhecimento da dívida vencida e não paga por qualquer forma (inclusive notificação de inclusão de nome em banco de dados), você já pode regularizar sua situação. Vamos a algumas considerações que podem te ajudar nesta empreitada.
Onde quitar as dívidas?As dívidas devem ser quitadas diretamente com os credores. Os credores são as financeiras, os bancos, operadoras de cartões, lojas ou outros fornecedores). Cuidado com (e evite) a ajuda de empresas especializadas.
Se a dívida estiver sendo cobrada por empresa especializada em cobrança está caracterizada a cobrança extrajudicial. Neste caso, pague apenas o valor inicial (principal), os juros e a mora previstos em contrato. Nada mais é devido por você.
Todos os demais custos são de responsabilidade do credor, incluindo aí honorários advocatícios e demais custos com a cobrança (telefonemas, correios, despesas com cartório, locomoção e etc.). Se o valor estiver em cartório, o valor a ser pago é o constante na intimação. Nada mais.
Nunca recorra a agiotasA situação só vai se complicar. Agiotas em geral cobram juros mais altos, tornando sua dívida ainda mais cara. Lembrando que a agiotagem é algo ilegal, praticada por indivíduos que podem recorrer a meios extremos para receber o pagamento da dívida. Passe longe desse tipo de gente!
Faça uma boa negociaçãoNa negociação, você tem três importantes variáveis a serem discutidas e avaliadas na busca por quitar dívidas: prazo para pagamento, redução do valor da dívida e valor da parcela. Naturalmente que o valor da parcela é função direta das outras duas variáveis.
Lembre-se que só vale o que está escrito. Por isso, acordos verbais devem ser formalizados. Isto é importantíssimo. Isto é fundamental. Insisto: não abra mão disto. Se quiser mais dicas para renegociar suas dívidas.
Todo comprovante de pagamento (recibos, notas, etc.) deve ser guardado. E todo pagamento deve ter algum comprovante. Não se esqueça disto, a menos que você queira correr o risco de ser cobrado novamente por algo que você já tenha pago.
Tentei, neste texto, abordar os principais pontos. Outras dúvidas podem surgir, portanto fique à vontade para compartilhá-las através do espaço de comentários abaixo. Aproveite para escutar nosso podcast (edição do dia 12/01/2015 do quadro Educando Seu Bolso dentro do programa Em Boa Companhia, rádio Inconfidência AM 880) e saber mais sobre como quitar suas dívidas.
Até a próxima.
(Publicado também, com ajustes, aqui)
Por experiência própria – e imagino que de muitos de vocês também – encerrar uma conta em banco não é tarefa simples. No entanto, quando temos mais de uma conta aberta, muitas vezes manter determinada conta só nos trás prejuízo, por absoluta falta de necessidade de mantê-la. Lembramos que esta pode ser uma forma de desperdiçar dinheiro.
Hoje, então, vamos falar um pouco sobre como encerrar uma conta, tentando montar um roteirinho básico para evitar dores de cabeça.
Encarando o problemaNão é tarefa tão simples, especialmente pela pressão que seu gerente exercerá, muitas vezes recorrendo até a chantagens emocionais do tipo "você está conosco há tantos anos", ou "o atendimento que estamos proporcionando não está bom? Em que podemos melhorar para você continuar com a conta?" Se você tiver mínimo interesse em manter a conta, pode ser a hora de negociar uma isenção de tarifas: a conta permaneceria aberta, mas sem te gerar custos.
Vamos, no entanto, supor que você não tem necessidade da conta, ou que por qualquer outro motivo deseja encerrá-la.
Como fazer? Quais cuidados tomar?Encerrar uma conta é algo mais trabalhoso do que deixar de movimentá-la. Deixar de movimentá-la, ao contrário do que muitos pensam, não é suficiente para o fim do relacionamento com a instituição. É preciso solicitar – por escrito – o encerramento ao banco.
A partir deste movimento, o banco deverá emitir um protocolo e apresentar-lhe uma série de obrigações que deverão ser cumpridas para que o encerramento se concretize. O fim da movimentação da conta é apenas uma delas.
Regularizar os compromissos assumidos (retirar os débitos automáticos, cheques pré-datados, etc.) também é necessário.
Verificar se tem cheques que ainda não compensaram também é fundamental (se entrar um cheque depois do encerramento da conta o mesmo não será pago e seu nome entrará para o Cadastro de Cheque sem Fundo, o que não é nada agradável e pode custar caro para resolver).
Caso haja pendências futuras, será necessário acordar com o banco como quitar as dívidas sem que a conta fique aberta.
Deverá ser pedido também que você devolva o cartão do banco e as folhas de cheque que não foram utilizadas. Natural, concorda? E é até bom para você, para sua segurança, que estes não fiquem mais contigo. Mas exija recibo por escrito dessas devoluções.
Não acabou aindaO banco, então, terá 30 dias para encerrar a conta e te comunicar (também por escrito ou, se autorizado por você, por e-mail), definitivamente, o fim do vínculo.
UfaFácil não é. Mas quem disse que ganhar (ou deixar de perder) dinheiro é fácil?
Escute nosso podcast sobre o assunto.
Até a próxima.
(publicado com ajustes também em: http://vocemaisrico.com/2014/04/14/como-encerrar-uma-conta-corrente/)
Gostaria de compartilhar com vocês um relato de um ouvinte que acho que pode ser útil para os milhões de brasileiros que estão descobrindo o crédito. Este, que é útil e às vezes necessário, pode ser a fonte de muitas dívidas!
O ouvinte escreveu o seguinte: "Comecei com uma dívida relativamente pequena, que correspondia a uma parcela da minha renda mensal. Dividi em partes iguais e achei que em poucos meses estaria com ela quitada e meu problema resolvido. Ledo engano. A dívida se multiplicou e, para quitá-la, tive que comprometer por mais tempo que eu imaginava um valor maior do que planejara. Só depois de ter me livrado desta arapuca financeira, aprendi que, se tivesse pago parcelas ainda maiores, por tempo menor, meus outros sonhos não teriam sido adiados por tanto tempo."
A impressão que tive do relato dele é que foi didático para ele se enrolar com uma dívida pequena, pois aparentemente ele aprendeu que com dívida não se brinca e que o pagamento de juros significa sacrifício de outros sonhos.
Mas a principal lição é mais óbvia, ainda que esquecida por muitos: crédito não é renda adicional. Crédito mal utilizado é a porta para a ruína financeira.
Segundo recente pesquisa sobre o endividamento e a inadimplência do consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de brasileiros endividados gira em torno de 62,7%. Isto compromete toda a estrutura familiar.
Já a Serasa Experian realizou pesquisa que apontou que a reincidência de caloteiros em 2013 foi de 36,6%. Isto significa que mais de um terço das pessoas que atrasaram contas em 2012 voltaram a atrasar pagamentos em 2013. Se serve de consolo, este número é melhor do que os verificados nos anos anteriores. Sim, pasme: estamos melhorando.
O que elas nos mostram?São dados preocupantes, apesar de que você pode não estar achando novidade. Afinal, quase todo mundo sabe que a maioria dos brasileiros vive endividada. Se os números apontados são médios, significa que se temos pessoas que não estão endividadas, é bem provável que outras estão enforcadas…
E não é só isto: o tempo médio da dívida continua aumentando. Agora, em média, temos o povo endividado por quase 7 meses (6 meses e 27 dias). Mais de 30% das famílias possuem dívidas que se arrastarão mais de um ano! Ainda que estejamos em um país no qual o desemprego formal está baixo, a estatística pode estar boa para a economia mas é preocupante pontualmente para quem está desempregado.
O fantasma do desempregoDevemos lembrar que para o arrimo de família que perde o emprego ao longo do período em que está entre os endividados torna-se substancialmente perigosa a fronteira entre o endividamento e a inadimplência. Perder o emprego nos próximos 3 meses pode ser algo improvável para alguns, mas será que podemos dizer que continua sendo tão improvável quando falamos de prazos mais longos? Eu acho que não. Quanto mais distante o futuro, mais imprevisível ele é.
Você sabe quanto paga de juros?Para piorar, o brasileiro em geral não tem o hábito de comparar taxas de juros, ou mesmo verificá-las no momento de se endividar. Em geral, está preocupado é se a prestação vai "caber no bolso". Pode até caber enquanto as receitas e as despesas estiverem "comportadas". Mas e se ele perde o emprego? E se surge um imprevisto urgente? Enfim, se surge qualquer problema que reduza as receitas ou aumente as despesas de modo que as dívidas estourem o orçamento?
Evite endividar-seEndividar-se raramente é algo positivo. Há exceções, mas a dívida comum é ruim, mesmo de curto prazo. O que dizer, então, das dívidas mais longas, especialmente quando não estamos atentos à busca das melhores taxas? Não é comum um brasileiro comparar taxas de juros quando contrata uma dívida. Imagine você pagando parcelas de uma dívida mais cara – porque não comparou os juros – por looooongo tempo…
Confiram nosso podcast abaixo com dicas para quem está no vermelho.
Até a próxima.
(Publicado com alterações também em http://vocemaisrico.com/2014/03/31/nao-mais-endividados-endividados-por-mais-tempo/)
Vai ficar querendo. Não existe almoço grátis, ainda mais no mercado financeiro. Juro zero, então, nem pensar. Hoje vou tentar te mostrar isto de algumas formas e espero que, daqui em diante, você só caia nesta armadilha se quiser mesmo ser enganado. Tem gente que gosta – não é o meu caso.
Para começar, um raciocínio rápido: se a poupança, com risco baixíssimo, está pagando pouco mais de 0,5% ao mês, por que em sã consciência um comerciante ou, pior, um banqueiro (que vive de fazer dinheiro nas costas dos outros) te emprestaria (financiaria), a custo zero, sendo que o risco de você não pagar é substancialmente maior do que de um calote da caderneta de poupança?
Se a pergunta anterior não foi suficiente para você perceber que, de alguma forma, os juros de qualquer financiamento lhe serão cobrados, vou tentar colocar mais minhocas em sua cabeça para que você tente descobrir como estão te cobrando os juros que – dizem – é "zero". Olha seu "almoço grátis" aí…
Acabando com o mito do almoço grátisO mais elementar: tente pagar à vista em dinheiro. Teve desconto? Bingo! Olha os juros embutidos aí no preço majorado! Se você teve 5% de desconto ao pagar à vista, então o comerciante está te cobrando estes 5% de juros embutidos. Acho que esta é fácil perceber que o almoço grátis não foi tão grátis assim, correto?
Mesmo que não vá pagar à vista, vale sempre a pena perguntar para saber quanto está sendo cobrado a mais. Quanto mais informações, quanto mais subsídios você tiver em mãos, com as ferramentas adequadas você terá condições de negociar melhor.
Outra forma de embutir juros é na taxa de avaliação de crédito (ou que nome queiram dar ao preço que te cobram – ou querem te cobrar – para analisar se vão ou não te dar o financiamento de, por exemplo, um carro). Esta é mais difícil saber quanto estão te cobrando, afinal esta avaliação realmente tem algum custo para a instituição.
Uma certeza nisso você pode terMas não tenha dúvidas: o preço que estão te cobrando engloba custos, lucro e até alguma taxa de juros embutida. Uma forma de tentar descobrir (que nem sempre funciona, mas não custa tentar), é perguntar quanto custa a taxa caso financie algo, digamos, de R$ 10.000,00 ou outro bem de R$ 50.000,00.
Neste caso, subtraia a diferença de custos e tenha uma ideia (isso é uma estimativa, não é preciso, porque podem haver realmente custos maiores para avaliações de maior monta) de quanto estão te cobrando sobre, no caso, R$ 40.000,00 (R$ 50.000,00 menos R$ 10.000,00).
A tabela abaixo tenta ilustrar o que estou falando supondo que a taxa de avaliação de crédito no primeiro caso é de R$ 200,00 e no segundo caso R$ 300,00. A diferença entre as taxas (R$ 100,00) é referente a aproximadamente os juros embutidos.
Bem 1 Bem 2 Diferença Valor 10.000,00 50.000,00 40.000,00 Taxa 200,00 300,00 100,00 Dica interessante!Sugestão: pergunte primeiro a taxa do bem mais barato. Se o comerciante disser que a taxa é a mesma, pelo menos essa diferença ficará a seu favor. Isto é, se existir diferença…
Existem outras formas um pouco mais complexas de camuflar a taxa de juros, sempre resultando em maior desembolso para você. Mas o importante é que você tenha sempre a certeza de que se há prazo, há cobrança de juros. Certo? Obrigado e até a próxima.
Escute nosso podcast para saber mais sobre esse tal "Juros zero".
(Publicado com adaptações também em http://dinheirama.com/blog/2014/03/13/eu-quero-almoco-gratis-juro-zero/)
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