
Sign up to save your podcasts
Or


Se o acaso e o sobrenatural existissem, não haveria ciência.
A Astronomia seria um mito. Como determinar o dia, a hora precisa de
um eclipse parcial, ou total, do Sol, ou da Luz? Como prefixar o
aparecimento de um cometa? De que maneira estudar a trajetória dos
astros, acompanhando-os no seu incessante movimento, na sua
ininterrupta atividade?
E' pelo Evangelho que cumpre anunciar o Espiritismo. A igreja espírita há de ser a igreja cristã em sua simplicidade primitiva, em sua pureza, em sua verdade, tal como a estabeleceu Jesus e entenderam os apóstolos.
Paulo, o doutor das gentes, discorrendo sobre a missão de Jesus na Terra, disse: "Ninguém pode pôr outro fundamento, além daquele que já está posto, a saber: Jesus-Cristo." No entretanto, continua o converso de Damasco, conquanto seja um só o fundamento, muitas são as edificações levantadas sobre o mesmo; uns constroem obras de prata, outros, de ouro, outros, de pedras preciosas, outros, de madeira, de palha e até de feno.
Tais obras, conclui ele, hão de ser provadas no fogo; aí, umas permanecerão, Outras serão desfeitas.
Os símbolos valem pelo que representam. Falam através da linguagem muda das linhas, das formas e das alegorias.
Lucas, reportando-se às prédicas do Batista em sua missão de precursor de Jesus, cita a seguinte profecia de Isaías:
"Voz do que clama no deserto:
Preparai o caminho do Senhor,
Endireitai as sitas veredas;
Todo o vale será aterrado
E todo o monte e outeiro será arrasado;
Os caminhos tortos far-se-ão direitos
E os escabrosos planos;
E todo homem verá, então, a salvação de Deus."
Essa profecia é uma bela imagem da Justiça, representada no panorama e na topografia das terras da Palestina. Os relevos, as depressões e demais
anfractuosidades dos terrenos, figuram as iniquidades, as opressões e tiranias de que este mundo tem sido teatro.
Deus, pondo a sua infinita inteligência a serviço do seu infinito amor, tem organizado tudo com tanta sabedoria que, não só os bons, mas também os maus concorrem para a mesma finalidade: o bem comum, a felicidade de todos.
Não devemos só aos Espíritos elevados, aqueles a quem denominamos protetores, guias e anjos da guarda, o nosso progresso. Devemo-lo também aos "indesejáveis", isto é, aos que nos tentam, molestam e atribulam.
Jesus, como sábio educador, costumava recorrer frequentemente às parábolas a fim de melhor interessar e impressionar os seus ouvintes.
Esse processo é eminentemente prático e pedagógico, pois supre as deficiências intelectuais do educando, sempre que se trata de assuntos transcendentes.
Demais, na época em que o Mestre Divino predicava, e mesmo muito tempo depois de sua partida, os ensinamentos eram conservados e revividos por meio de tradição. Ora, é muito mais fácil reter na mente a lição ministrada através de um conto qualquer, onde há o enredo que auxilia as associações de ideias, do que quando ensinada de modo inteiramente abstrato.
Errar é dos homens. E' errando que se aprende. Errar não é desdouro. Permanecer, porém, no erro, tornar-se contumaz nesta ou naquela falta, escravizar-se aos maus hábitos é, realmente, uma desonra para o homem.
Não é, portanto, o erro que nos degrada: é a submissão ao seu domínio.
Deixar de reagir contra as imperfeições próprias é sinal evidente de fraqueza moral.
Os descendentes de Noé tentaram, segundo rezam as Escrituras, erguer uma torre cujo ápice atingisse os paramos celestes.
Teriam, com isso, realizado arrojada empresa que lhes traria, certamente, notoriedade e glória. Demais, resolveriam, de vez, o problema do destino, penetrando os arcanos da imortalidade que, segundo supunham, estariam alojados pouco além das nuvens. Conquistado por esse processo o seio de Abraão, eles teriam burlado as leis reveladas pelos profetas, leis austeras que impunham sérias restrições à expansão do egoísmo e prescreviam severa norma de conduta.
Segundo as ideias expendidas pelo conspícuo evangelizador Stanley Jones, cuja passagem pelo Brasil deixou, qual astro no firmamento, uma esteira de luz, o magno problema de todos os tempos consiste em obedecer ao preceito do Cristo: Quem quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus, 16:24, Marcos, 8:34, Lucas, 9:23.)
A renúncia pessoal constitui a condição indispensável para sermos cristãos. Sem a renúncia própria ninguém pode estar com o Cristo nem militar nas fileiras dos seus.
Esta verdade ainda não penetrou o coração dos crentes e, por conseguinte, o seio das suas comunidades. As hostilidades que reinam entre os diversos grupos de crentes atestam esta asserção
"Eu vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz, Eu sou a verdade." (João, 18:37)
O Cristo de Deus veio ao mundo dar testemunho da verdade, e o fêz de tal maneira que pôde dizer com justeza: Eu sou a verdade.
Quando consideramos as guerras e perseguições religiosas da idade média, cujos longínquos vestígios, qual rescaldo de sinistro incêndio, ainda hoje se percebem nesses pruridos de sectarismo, ficamos perplexos.
Hostilidades, perseguições, luta cruenta, guerra de extermínio! por motivos de ordem religiosa! Que aberração!
Que juízo formam de religião os que deixam aninhar em seus corações sentimentos de odiosidade ou mesmo de mero desamor? Ignorarão, acaso, que o objetivo da religião seja precisamente combater a descaridade sob todos os aspectos em que a descaridade se apresente?
From the publisher's feed