
Sign up to save your podcasts
Or


No Podcast de hoje o Dr. Pablo Kurlander explica a história do nome Eureka, que está ligada à história do Filósofo Grego Arquimedes, mas que também está intimamente ligada à sua história de vida pessoal.
Conheça um pouco destas duas histórias!
PODCAST 2
TEMA: Representações socioculturais das drogas na música e no esporte
Texto de: Aline Porcel Lima Mazzoni
A preferência por determinadas espécies de drogas pode depender do contexto sociocultural analisado. A seguir, será exposta uma breve análise sobre os motivos pelos quais o uso de determinadas drogas é mais ou menos reforçado em determinados contextos.
Ressalta-se que a droga se torna convidativa em algum momento, caso contrário não haveria o uso. E as promessas que cada droga traz podem torná-la mais atraente de acordo com o contexto em que vive o indivíduo.
1. SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS NA MÚSICA
A música precisa ser observada não apenas enquanto objeto artístico, mas também como um produto que, assim como qualquer outro, é elaborado e reproduzido em grande escala para conquistar o consumidor e ser vendido como mais um produto do universo de objetos de consumo disponíveis.
O mesmo ocorre com as substâncias psicoativas, no que concerne à caracterização de um produto disponível enquanto objeto de consumo.
Álcool e música sertaneja
As músicas carregam mensagens que são constantemente repetidas aos seus ouvintes. Considerando que o gênero sertanejo está entre os mais populares no Brasil, uma pesquisa reuniu 243 letras de músicas de 48 duplas sertanejas. Dentre as 48 duplas analisadas na dissertação de mestrado, apenas 7 não falam sobre o consumo de álcool nas canções.
Embora exista todo um trabalho de políticas públicas voltado à conscientização dos malefícios do consumo de bebidas alcoólicas, como a dependência ou outras doenças associadas, tal discurso é difícil de conquistar adesão, especialmente se a finalidade do consumo for o uso recreativo. O consumidor não se enxerga como alguém que pode evoluir para padrões nocivos de consumo ou mesmo para a dependência química. Desta forma, de um lado tem-se a medicina, o governo e a religião apresentando a droga como nociva e, de outro lado, tem-se a música transmitindo a mensagem que ela pode proporcionar alegria, amigos, mulheres, sexo e cessação de problemas.
O perfil das letras sertanejas está geralmente relacionado à busca por:
1. conquistas amorosas e sexuais;
2. diversão e felicidade;
3. alívio da angústia e da dor.
Álcool e forró
O forró tradicional surgiu na década de 40 e possui características ligadas ao universo rural do homem sertanejo, assim como o sertanejo enquanto estilo musical. Do mesmo modo que o estilo musical sertanejo, o forró também foi para as grandes cidades através do êxodo rural e passou por diversas transformações, o que fez com que fossem criadas novas nomenclaturas. Uma delas consiste no termo “forró escrachado”, que exprime um novo momento do forró. Essa variante surgiu no ano de 2000 e se caracteriza por sucessos rápidos que tocam incessantemente nas rádios.
Numa linha muito semelhante à relação entre álcool e sertanejo, a ligação entre álcool e forró também se sustenta nas letras que descrevem o álcool como um agente que facilita a socialização, dinheiro e conquistas sexuais e amorosas.
Êxtase e música eletrônica
O êxtase é um derivado sintético da anfetamina. O uso provoca, geralmente, a elevação da autoestima, simpatia, felicidade, bom humor e uma sensação de intimidade com as pessoas (SIQUEIRA, 2007).
Segundo uma pesquisa realizada com estudantes universitários, os usuários de êxtase têm como uma de suas características preponderantes a alta frequência a festas “raves”, ou seja, preferência pela música eletrônica.
PODCAST #1
TEMA: Padrões de consumo de substâncias psicoativas.
Texto de: Aline Porcel Lima Mazzoni
1. O QUE É PADRÃO DE CONSUMO?
Por drogas entende-se uma ampla gama de substâncias, podendo ser, segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, qualquer substância química que modifica os processos fisiológicos e bioquímicos dos tecidos ou dos organismos. Assim, não apenas substâncias ilícitas como maconha, cocaína ou crack são enquadradas neste contexto, como também bebidas alcoólicas, tabaco, café, chocolate e medicamentos em geral. Esta definição insere grande parte dos indivíduos no conceito de usuário de drogas, no entanto, o que os diferencia são elementos como: o tipo de droga, a quantidade, a frequência e a forma de consumo. Assim, o padrão de consumo consiste na maneira como um indivíduo faz uso de uma determinada droga, com base nos elementos supracitados.
Uma vez que os padrões de uso correlacionam-se aos graus de interação do usuário com a substância, faz-se necessário analisar como se classificam. Segundo a OMS, são: uso experimental, uso recreativo, uso nocivo/abuso e dependência. A seguir serão abordados cada um destes níveis, de acordo com o Glossário de Termos de Álcool e Drogas, elaborado em 1994 pela OMS com tradução cedida à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD.
2. CLASSIFICAÇÕES DOS PADRÕES DE USO DE SUBSTÂNCIAS
Uso experimental
O padrão de Uso Experimental se refere aos primeiros e limitados episódios de uso de uma determinada droga, refletindo um padrão de consumo demasiadamente raro. Neste padrão, os usuários provam a droga uma ou algumas vezes e em seguida perdem o interesse em repetir a experiência. Alguns dos motivos pelos quais um indivíduo interrompe o uso de substâncias podem ser: medo das consequências do uso; não gostar dos efeitos do uso; saciação da curiosidade a respeito do uso.
2.2 Uso recreativo
O padrão de Uso Recreativo se refere ao uso de substâncias psicoativas, em geral ilícitas, em circunstâncias relaxantes ou socialmente aceitas, sem que haja implicação em dependência ou outros problemas. A finalidade imediata consiste em lazer e descontração. Ressalta-se que o uso recreativo não necessariamente equivale ao uso moderado. Como exemplo é possível citar certas sociedades da América do Sul, nas quais os indivíduos bebem até o ponto de intoxicação em festas que são aprovadas pela comunidade.
2.3 Uso nocivo
O padrão de Uso Nocivo consiste em um padrão de consumo de substâncias psicoativas que causa dano para a saúde. O dano pode ser físico (por exemplo, hepatite secundária ao uso de injeção de drogas) ou mental (por exemplo, episódios depressivos secundários à ingestão abundante de álcool). As complicações clínicas ou psicossociais decorrentes deste padrão se restringem ao período de consumo. O termo foi introduzido na CID-10 e suplantou o “uso não dependente” como formulação diagnóstica, sendo o equivalente mais aproximado em outros sistemas diagnósticos, como por exemplo, o DSM-V, o termo “abuso de substância”. O padrão de uso nocivo pode evoluir para a dependência química. Esse diagnóstico se distingue da dependência pela ausência de tolerância, pela síndrome de abstinência ou pelo diagnóstico anterior de dependência química, resumindo-se apenas às consequências prejudiciais do uso frequente.
2.4 Dependência química
A dependência, por sua vez, inclui o uso nocivo de substâncias químicas, mas com os traços característicos da tolerância, da síndrome de abstinência e da compulsão. Na CID-10 (código F19.2), está descrita como síndrome de dependência e se caracteriza por um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após consumo reiterado de uma substância psicoativa.
From the publisher's feed