Uma pergunta que tenho recebido com muita frequência de jovens pesquisadores diz respeito à vocação para a vida de pesquisador. Embora essa pergunta com frequência diga respeito a problemas conjunturais que o país vive (e eu deixo essa questão para um próximo vídeo), vale a pena refletirmos sobre ao menos dez pontos que caracterizam a vida do pesquisador.
1. O pesquisador precisa gostar de ler e estudar, pois fará isso a vida toda. Aliás, a situação não é muito diferente em outros segmentos da vida profissional, tendo em vista a enorme velocidade com que se desenvolve o conhecimento, como já discutido em vídeos anteriores do canal. (https://youtu.be/wf32KZaka4Q);
2. O pesquisador vive constantemente sob pressão de datas limites e pendências, pois são muitos os prazos acadêmicos que devem ser atendidos, além dos prazos para entregas de artigos, relatórios e projetos, dentre outros. Embora essa característica seja comum também em outras atividades, o pesquisador precisa conviver bem com a pressão.
3. Até por isso, o pesquisador com frequência leva trabalho para casa e com certeza vai trabalhar muitos finais de semana e noites no ambiente familiar. Não adianta dizer que não levará trabalho para casa, porque levará e precisará de um ambiente domiciliar que seja capaz de compreender isso.
4. O pesquisador deve ser empreendedor, pois o dinheiro não estará disponível para a pesquisa nem será simplesmente enviado ao pesquisador pelo governo federal, governo estadual, instituição de fomento ou instituição de pesquisa. Os recursos para a pesquisa deverão ser conquistados, impondo que o pesquisador corra atrás da grana. (https://youtu.be/QLFOzJezPHw)
5. O pesquisador tem que ter curiosidade para fazer perguntas e criatividade para propor respostas. De certa forma, as atividades executadas pelo pesquisador serão aquelas sugeridas pelas perguntas formuladas. Portanto, o pesquisador que se mostra incapaz de fazer perguntas e propor respostas não terá o que fazer. (https://youtu.be/XE-uuRbjGb8 , https://youtu.be/4ceSB0bNZw4 , https://youtu.be/c-nYT2IhKC4)
6. O pesquisador deve ser capaz de lidar bem com as críticas, pois será criticado todo o tempo pelos pares, pelos estudantes, pelos revisores, ... O pesquisador que não souber conviver bem com as críticas vai sofrer. (https://youtu.be/Gw2wt09lYic , https://youtu.be/SGxLTrEoNDE)
7. O pesquisador tem que atuar em rede, pois são raros os pesquisadores que têm acesso a toda a infraestrutura de pesquisa de que necessitam. Portanto, é preciso desenvolver habilidades para trabalhar em grupo. (https://youtu.be/nKgONN9jLJo , https://youtu.be/w5HHZDoWWi8)
8. O pesquisador tem que gostar de escrever e se comunicar, pois a ciência guardada na prateleira tem pouca ou nenhuma serventia. É necessário comunicar os achados na forma escrita, como artigos científicos, mas também na forma oral, por meio de apresentações em seminários, simpósios e congressos. (https://youtu.be/AB9eYfJX44g)
9. O pesquisador tem que gostar de participar do debate e estar pronto para defender de forma saudável as suas ideias, opiniões e pontos de vista em ambientes colegiados. A ciência avança exatamente por conta do debate que se estabelece e é necessário que o pesquisador participe dele. (https://youtu.be/OjpWqTt0G0E , https://youtu.be/SGxLTrEoNDE)
10. O pesquisador precisa ser bom negociador para conduzir atividades conjuntas com parceiros, de forma que não abuse, mas também não seja explorado pelo relacionamento que se desenvolve. Encontrar o ponto certo de equilíbrio para o relacionamento é muito importante.
Enfim, como se vê, para viver da atividade de pesquisa é preciso ser estudioso, mas também bastante ativo e proativo. A ideia do pesquisador que fica numa sala ou laboratório trabalhando até que tenha uma ideia genial é uma caricatura que não existe. Defendida a tese de doutorado, é preciso muita energia para ir à luta.