
Sign up to save your podcasts
Or


Em vídeos anteriores do canal discutimos sobre o fato de que a tese não é exatamente um documento escrito ou um livro, mas um conjunto coerente de ideias e argumentos que embasam um ponto de vista do pesquisador sobre o problema investigado. Apesar disso, a tese precisa ser apresentada de alguma maneira, de forma que o formato importa. Não minimize esse tema, pois o formato da apresentação afeta a qualidade e a clareza da exposição, o que é muito importante para a comunicação. Apesar disso, considere também que uma tese é um documento autoral, de forma que o autor deve ter liberdade para encontrar a maneira ideal de apresentar os seus argumentos, o que permite concluir que formatos muito rígidos devem ser descartados.
O formato mais comum da apresentação é aquele que divide o texto escrito em capítulos. Tipicamente, os capítulos tratam da introdução, dos objetivos perseguidos e da motivação para realização do trabalho, da revisão bibliográfica, da apresentação dos fundamentos teóricos, dos materiais e métodos utilizados, dos resultados obtidos, da discussão dos resultados, da apresentação das conclusões, de sugestões para trabalhos futuros e, finalmente, da lista de referências bibliográficas que embasam o trabalho. Deve ser ressaltado que a revisão bibliográfica e a apresentação dos fundamentos teóricos não se confundem, embora frequentemente sejam tratados de forma conjunta. O capítulo de revisão fala do status da discussão do tema investigado na literatura, enquanto o capítulo de fundamentos teóricos trata dos conceitos, definições e aspectos teóricos fundamentais relacionados ao tema investigado, o que não impõe atualidade dos conceitos, que podem ter sido propostos muitos séculos atrás. Os capítulos de apresentação dos resultados e de discussão de resultados são frequentemente apresentados de forma separada e outras tantas vezes de forma simultânea (modelo que eu particularmente prefiro).
Embora esse formato seja o mais comum, ele não é único. Uma variação frequente é aquele associado a teses que tratam de diferentes temas ou que abordam diferentes aspectos de um mesmo problema. Nesse caso, os capítulos podem ser apresentados de forma independente e auto-contida, com suas próprias conclusões, revisões bibliográficas, discussões e listas de referência. Gosto muito desse formato, porque ele torna a tese mais viva e facilita a comunicação.
Esse modelo pode ser radicalizado, como incentivado por várias instituições acadêmicas por conta da pressão produtivista. Nesse terceiro modelo, os artigos podem ser simplesmente agrupados em um único documento, amparado por uma curta introdução. Esse modelo já foi adotado por várias universidades brasileiras e de fato pode acelerar o processo de redação e defesa da tese. No entanto, o pesquisador deve observar que uma coleção de artigos não constitui necessariamente uma tese, não apresentando um conjunto organizado de ideias que fundamentem um ponto de vista do autor. Além disso, esse modelo gera muita redundância e repetição quando os trabalhos tratam de temas similares, com introduções, revisões bibliográficas, apresentações de dados e listas de referência bibliográfica similares. O modelo também reduz a importância da banca, o que não é irrelevante para o rito acadêmico, tendo em vista que críticas e sugestões da banca não resultam em modificação dos documentos já publicados. Finalmente, o modelo gera problemas de propriedade intelectual e direitos de reprodução, tendo em vista que os direitos de reprodução são frequentemente transferidos para a editora que publicou os artigos e não podem simplesmente ser distribuídos em documentos públicos disponíveis na internet.
Como na prática as teses geram arquivos digitais em formato pdf, parece razoável considerar que outros formatos poderiam ser também aceitos, como arquivos de ... [Para a descrição completa, bem como as referências, consulte a descrição do vídeo no YouTube https://youtu.be/rhWfvJmxN84]
Você certamente já ouviu a expressão "Nossa !!! Sua tese é um livro !!!", fazendo referência à extensão do documento final da tese. Ou você já recebeu ou conhece alguém que recebeu o convite de uma editora desconhecida, meio suspeita às vezes, que propõe a publicação da sua tese no formato de livro. Mas uma tese é um livro ?
Se nos ativermos ao objeto livro, como um texto extenso, dividido em capítulos, que aborda um determinado tema e é apresentado na forma impressa ou de arquivo pdf, a tese sempre é um livro. Mas se nos ocuparmos dos aspectos conceituais e do que se espera de um livro, a tese quase nunca é um livro.
Em primeiro lugar, a tese se dirige a um público de especialistas que dominam um determinado tema e procuram a comprovação de algum aspecto técnico de uma área de pesquisa. Já o livro se dirige em geral a um público mais amplo, que frequentemente não domina um tema e procura aprendizado no texto. Por isso mesmo, o centro do livro é o leitor, que deve ser alçado de um determinado patamar de desconhecimento para um outro nível de conhecimento sobre o tema abordado. Na tese, o centro do texto é o argumento, que precisa ser construído e comprovado, importando pouco o nível de conhecimento prévio que o leitor tenha sobre o tema abordado.
Por conta dos objetivos particulares perseguidos, o livro deve ser didático e apresentar muitos exemplos, enquanto a tese precisa ser cientificamente rigorosa e clara, usando exemplos apenas quando necessário e remetendo o leitor às publicações disponíveis sobre o tema. Por isso mesmo, o livro é dividido em capítulos que normalmente tratam de assuntos diferentes, enquanto os capítulos da tese apresentam fragmentos da construção teórica que permite a comprovação do argumento central do texto.
Finalmente, o livro tem quase sempre apelo mercadológico, precisando ser bonito, ter capa colorida, texto envolvente e figuras bem acabadas. A tese pode ter tudo isso, mas não precisa se a apresentação for rigorosa e a exposição clara.
Enfim, como vemos aqui, uma tese quase nunca é um livro, independentemente de sua extensão. E, embora seja comum que editoras desconhecidas, muitas vezes predadoras, convidem os autores a publicar as teses ipsis litteris, fique atento, pois essa ação pode ser eticamente indefensável, ainda mais porque a maior parte das teses está disponível na internet para os especialistas interessados no tema.
Eu certamente incentivo você a transformar a sua tese em livro, mas perceba que não se trata de publicar pura e simplesmente o texto da tese em uma outra plataforma. Editar um livro dá trabalho e essa transformação pode consumir muitas horas de trabalho dos autores.
A empresa QS divulgou a nova versão do seu ranking de melhores universidades do mundo. Esse ranking tem sido muito prestigiado por alguns, mas será que ele merece esse suposto prestígio ?
Para começar, a empresa QS atua no ramo de consultoria acadêmica e vende rankings, que são usados como peça publicitária para que a empresa convença o mercado de que conhece as universidades do mundo. A empresa vende inclusive serviços de formação e desenvolvimento de carreiras acadêmicas e conselhos sobre ações que devem ser tomadas pelas instituições para subirem em seus próprios rankings, o que pode ser contestado eticamente.
Além disso, vale a pena dissecar a metodologia usada pela empresa para definir a qualidade das universidades. Como visto a seguir, a metodologia usada é muito estranha.
O primeiro item da avaliação, concentrando 40% da nota, é um índice de reputação. Funciona mais ou menos assim: um entrevistador pergunta a um entrevistado o que ele acha da universidade XYZ. Você acha isso sério ? Inicialmente, esse critério é autorrealizável, pois uma instituição bem avaliada por um entrevistado se posiciona bem no ranking e passa a ser bem avaliada pelos demais por estar bem no ranking. Não há fundamento científico algum nesse procedimento. Além disso, a empresa diz que entrevistou 130 mil pessoas, o que parece bastante. Mas, considerando que 1300 universidades são avaliadas e que cerca de 50 cursos são ranqueados, chega-se à conclusão de que há na média cerca de duas entrevistas por cada curso de cada universidade, o que não é estatisticamente significativo. Além disso, por conta da dispersão dos dados, é provável que alguns cursos não tenham sido avaliados por ninguém, embora a empresa não se manifeste sobre o que acontece nesses casos. Nesse cenário, é provável que um mesmo entrevistado fale por diferentes cursos de diferentes universidades, o que é um absurdo, pois não é possível que alguém conheça bem cursos distintos de instituições diferentes. Finalmente, não há qualquer transparência sobre quem são os entrevistados e a existência de viés nessas avaliações.
O segundo item da avaliação, concentrando 10% da nota, é ... reputação de novo !!!! Agora por meio de entrevistas a empregadores de estudantes oriundos de diferentes instituições. Além de todos os problemas já apontados, o número de entrevistas é ainda menor (cerca da metade), tornando ainda mais grave o problema da significância estatística. E quem fala pelo empregador: o presidente, o gerente de RH ou o chefe do funcionário ? Não há qualquer transparência a esse respeito.
O terceiro item da avaliação, concentrando 20% da nota, é a razão professor / estudante; ou seja, para a empresa, quanto maior é o número de professores, melhor é a qualidade do ensino. Não há qualquer evidência científica de que isso seja verdade e a empresa ensina que para melhorar no ranking é suficiente contratar mais professores.
O quarto item da avaliação, concentrando 20% da nota, é o número de citações de docentes da instituição. O critério é absurdo, pois esse é um índice polêmico de qualidade da pesquisa que nada fala sobre a qualidade do ensino. Pense entre seus botões quem são os melhores professores do seu curso de graduação - são necessariamente aqueles com maiores números de citações ?
Finalmente, o quinto item da avaliação, concentrando 10% da nota, é o percentual de estrangeiros entre professores e alunos da instituição. Embora a internacionalização deva ser incentivada, esse índice nada tem de científico ou significativo. Segundo essa lógica, uma universidade chinesa no Brasil é melhor que a mesma universidade chinesa na China.
Enfim, vê-se que o tal prestigiado ranking QS nada mais é que um amontoado de abobrinhas, sem qualquer ...
Um dos maiores exemplos da precarização do trabalho do pesquisador no Brasil é a forma com que se dá o gerenciamento da maior parte dos projetos de pesquisa apoiados por instâncias formais de fomento. Como nós lidamos com esse modelo há muitos anos e nos acostumamos com ele, acabamos por achar os muitos absurdos normais e até a concordar implicitamente com esses muitos absurdos.
Aprovado o projeto e passada a euforia da aprovação, começa a via crucis. É inicialmente necessário juntar documentos, coletar assinaturas e ir a uma agência bancária abrir uma conta do projeto. Não minimize o trabalho que essas etapas iniciais podem dar, podendo tomar muitas horas ou até mesmo vários dias de trabalho do pesquisador. E, para piorar, instâncias de fomento voltaram a cobrar reconhecimento de firmas, obrigando o pesquisador a peregrinar por cartórios em busca de comprovação da validade de assinaturas.
Uma vez liberados os recursos, devemos lembrar que os valores são depositados em conta corrente vinculada ao CPF do pesquisador. No entanto, o dinheiro não é e nunca foi um benefício pessoal repassado ao pesquisador, mas recursos institucionais que são gastos integralmente na instituição em que o pesquisador trabalha. E isso nada tem a ver com a satisfação que o pesquisador tenha com a execução daquelas atividades em particular. Há inclusive muitos relatos de pesquisadores que enfrentaram problemas com o Fisco ou a Receita Federal por conta do depósito de valores elevados em contas pessoais vinculadas diretamente aos pesquisadores.
Esse modelo nunca foi implementado para facilitar a vida do pesquisador, como muitos parecem acreditar., mas sim para facilitar a liberação dos recursos pelas instâncias de fomento e os gastos dos valores pela instituição em que o pesquisador trabalha. A maior prova disso é que a maioria dos projetos proíbe a contratação de serviços administrativos, de gerenciamento, de secretaria, de contabilidade ou outro qualquer serviço de apoio para auxiliar o trabalho de administração e gerenciamento do projeto. O discurso oficial diz que isso não é possível porque se trata de uma contrapartida institucional, o que é uma balela porque esse serviço de contrapartida não é oferecido e não existe. Dessa forma, o que ocorre de fato é o aumento da carga de trabalho e de responsabilidade do pesquisador.
Para piorar, trata-se de dinheiro público e que muitas vezes precisa ser distribuído com pesquisadores que trabalham em outros laboratórios e outras instituições, o que dá uma medida do nível de responsabilização pessoal do processo. Por ser dinheiro público, o pesquisador se torna alvo potencial de órgãos de controle e se sujeita a enfrentar problemas por cometer pequenos erros relacionados à barafunda do marco legal brasileiro. O correto seria que a instituição ou a fundação de apoio a ela vinculada recebesse esses recursos e administrasse de forma adequada os valores disponíveis, sendo devidamente remuneradas para prestar esses serviços.
No momento final da prestação de contas, além do trabalho monstruoso (imagine a apresentação de mil notas fiscais de mil reais em um projeto de um milhão de reais), o pesquisador está de novo só diante da instância de fomento e dos órgãos de controle, enquanto a instituição beneficiada não está nem aí.
O trabalho de pesquisa está tão precarizado que a gente sequer se dá conta desses absurdos. Os projetos deveriam envolver e responsabilizar as instituições beneficiadas pelo uso dos recursos da pesquisa e deixar o pesquisador fazer o que ele faz de melhor - pesquisa.
Um dos aspectos menos edificantes da vida acadêmica, a meu ver, é uma certa propensão para a hierarquização e elitização das atividades acadêmicas exercidas por professores e pesquisadores. É como se fosse necessário sempre formular e apresentar listas de "fodões" e "PhDeuses" e vincular ações acadêmicas à posição que um indivíduo ocupe nessas listas. No Brasil, por exemplo, existem várias dessas listas, mas talvez a mais famosa delas seja a lista de pesquisadores do CNPq.
Como por questões orçamentárias há poucas vagas nas listas de pesquisadores do CNPq, há muita competição para entrar nessas listas. A despeito disso, há muitos processos vinculantes relacionados a essas listas. Por exemplo, a CAPES premia nas avaliações a presença de pesquisadores do CNPq no rol de docentes dos programas de pós-graduação. De forma similar, alguns editais públicos exigem a presença de Pesquisadores I do CNPq na coordenação e de pesquisadores do CNPq nas equipes dos projetos, criando uma espécie de mercado cativo para quem está nas listas. Além disso, os Comitês de Assessoramento do CNPq são preenchidos apenas com Pesquisadores I, de maneira que os comitês de certa forma legislam e causa própria. Por que não seria conveniente que Pesquisadores II e outros pesquisadores participassem desses comitês e levassem para ele as discussões sobre a realidade que enfrentam ?
Se formos sinceros, não fosse pela complementação salarial associada às bolsas de pesquisa (por conta dos baixos salários pagos a docentes e pesquisadores) e a vaidade de estar presente em uma lista elitizada, não haveria qualquer necessidade de haver uma lista de pesquisadores do CNPq. O problema é que a vida acadêmica demanda em vários de seus processos internos essa hierarquização de indivíduos, criando um mercado para esses rankings de docentes e pesquisadores que circulam. Por exemplo, vários programas de pós-graduação exigem que o jovem docente apresente uma produção prévia para que possa participar desses programas, o que é contraproducente e impede o desenvolvimento pleno do pesquisador, quando a pesquisa deveria estar disponível e acessível para todos os docentes e pesquisadores da instituição.
Tomando um exemplo do futebol, suponha que existam três times. Um deles é formado exclusivamente por jogadores maduros, com mais de 35 anos, que venceram vários campeonatos e receberam vários prêmios. Um segundo time é formado apenas por jovens de 20 anos, recém promovidos das categorias de base e cheios de vontade de vencer. E um terceiro time formado por alguns jogadores experientes, outros de meia idade e outros jogadores jovens, recém promovidos das categorias de base. Em qual time você apostaria ?
O conhecimento constitui poderosa ferramenta de inclusão. Dentre muitas outras coisas, o conhecimento: (i) permite que compreendamos melhor o mundo que nos cerca e, portanto, que a gente se insira melhor na sociedade em que vivemos; (ii) permite que enfrentemos e resolvamos problemas com os quais convivemos, melhorando nossas vidas; (iii) dá acesso a melhores oportunidades de trabalho e salários; etc.
No entanto, esteja atento, pois o conhecimento tem sido usado frequentemente como ferramenta de exclusão por aqueles que o detêm. Esse é o caso quando se impede de forma cartorial que indivíduos tenham acesso a cargos e funções remuneradas porque não dominam um conhecimento particular. Por exemplo, o caso de exigir que todos os professores de Engenharia Química sejam engenheiros químicos, quando há espaço certamente para a atuação de profissionais de outras áreas, como matemáticos, biólogos, físicos, químicos, dentre muitos outros. Esse é o caso também quando se impede que um indivíduo ocupe um cargo de representação por não dominar um conhecimento específico. Por exemplo, quando se impede que analfabetos votem e sejam votados, como se a política não fizesse parte da vida de todos. E esse também é o caso quando se tenta desqualificar alguém que fala publicamente por não dominar um aspecto particular do conhecimento. Por exemplo, quando se sugere que alguém não deve ser ouvido porque fala errado.
Nesse contexto, a linguagem e o domínio da dita "norma culta" do idioma exercem um papel central e perigoso de discriminação, sendo usados com frequência como ferramentas de exclusão. No entanto, talvez você nunca tenha percebido que a "norma culta" é apenas um acordo feito pela elite sobre qual é a forma correta de falar, não tendo existência real e, por isso, mudando no tempo. Adicionalmente, o acordo impõe a forma de falar e se expressar da própria elite, nascendo já de forma excludente. Como Chico Buarque pergunta na canção Almanaque, "diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor".
É óbvio que uma norma é necessária para que possamos nos comunicar, e em particular escrever e documentar o que pensamos, de forma organizada e compreensível. Mas é igualmente óbvio que a mensagem é muito mais importante do que a forma com que ela é transmitida. Nesse sentido, agradeço Emicida, dono de conhecimento invejável, por usar a linguagem como poderosa ferramenta política, lembrando sempre de onde ele vem e quem ele é.
O conhecimento deve ser usado de forma includente, nunca excludente. Por isso, denuncie sempre aqueles que usam o conhecimento apenas para benefício próprio e exclusão da maior parte da sociedade.
https://www.youtube.com/watch?v=ql_qrlFx_Ao
https://www.letras.mus.br/chico-buarque/45105/
https://www.youtube.com/watch?v=QlhsiMWT-eQ
Como todos já esperavam, o Ministro da Educação caiu. Poderia ter caído antes, quando disse que a universidade era para poucos, ou que os gays eram frutos de famílias desajustadas, ou que crianças com deficiência atrapalhavam a educação, ou quando sugeriu que estudantes secundaristas não deveriam entrar na universidade, mas cai agora por suspeita de corrupção e tráfico de influência no MEC.
A história é horrorosa e mostra as trágicas consequências dessa mistura estúpida de religião, política, clientelismo e manipulação ideológica na educação. Para começar, o centrão controla o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), com orçamento próximo de 50 bilhões de reais. Aquele mesmo centrão do qual o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação diz proteger a administração. O centrão reserva uma fração do FNDE para que pastores negociem projetos de interesse das igrejas com dinheiro da educação. Para fazer a intermediação junto a prefeitos, os pastores cobram propinas em bíblias, impressas nas gráficas de propriedade dos próprios pastores, numa prova da verticalização capitalista dos atos ilícitos em nome de Deus. Não fosse isso suficiente, as bíblias contêm textos dos próprios pastores, o que dá uma medida do nível de manipulação ideológica a que crianças e jovens estão sujeitos com essas ações feitas em nome da picaretagem religiosa. E as bíblias servem ainda de outdoors ambulantes das politicagens, carregando fotos dos pastores e do ministro, com anuência dele. É tudo muito escabroso !!!!
Em meio a tudo isso, o governo federal destrói a educação, destrói a CAPES e mantém as bolsas de pesquisa nos menores valores reais da história. Ontem mesmo circulou uma notícia espantosa, em que o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) considera a repetição de questões nas provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) por falta de questões nos bancos de dados da instituição, em função da destruição e desmonte do instituto.
Não fosse tudo isso suficiente, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação vem à televisão para fazer pronunciamento eleitoreiro em cadeia nacional (como se tornou rotina) e mentir desavergonhadamente, falando do compromisso do governo federal com as vacinas, quando o governo federal boicotou de todas as formas possíveis o plano nacional de vacinação. E fala de investimentos inexistentes de 1 bilhão de reais para o desenvolvimento de vacinas brasileiras, como fez no caso do gráfico do Google para explicar a eficácia de remédios contra a COVID.
É um festival de horrores e é inconcebível que um país aceite destruir o seu presente e o seu futuro dessa forma. Essa trajetória precisa ser interrompida com urgência.
https://www.youtube.com/watch?v=YdK0xd0hNlw
https://www.youtube.com/watch?v=hqsn102_B3w
https://www.youtube.com/watch?v=7esuEkEYYTc
https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/09/16/senador-gay-ministro-educacao-familia-desajustada.htm
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/08/17/romario-e-ministro-trocam-ofensas-apos-fala-sobre-alunos-com-deficiencia.htm
https://revistaforum.com.br/politica/2022/3/23/pastores-do-mec-queriam-propina-ate-em-biblia-revela-prefeito-111971.html
https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,biblias-de-pastores-do-mec-exibem-foto-de-ministro,70004021539
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/milton-ribeiro-diz-que-autorizou-uso-de-imagem-em-biblias-para-evento-religioso/
https://educacao.uol.com.br/noticias/2022/03/29/inep-propoe-repetir-questoes-enem-2022.htm
https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-sabotador/
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/10/governo-usa-grafico-generico-para-dizer-que-vermifugo-tem-eficacia-contra-covid.shtml
Padrões e normas técnicas encontram amplo uso nas áreas técnicas e científicas. Para começar, nem todos percebem que o nosso sistema de medição é todo oriundo de acordos e do trabalho de padronização. Por exemplo, as definições de metro e quilograma foram originalmente associadas a peças metálicas armazenadas nos Arquivos da República na França, de onde eram copiadas e distribuídas para o mundo. De forma similar, a mais tradicional escala de medição de temperaturas, a escala centígrada, estabeleceu por convenção que a água congelava a 0 grau centígrado e fervia a 100 graus centígrados.
Mas não é só a escala de medição que é padronizada, mas o próprio processo de medição. Por exemplo, o que é mais resistente, um palito de fósforo ou uma tora de madeira ? Se você pensar nesse tema, vai concluir que talvez seja conveniente padronizar as dimensões da peça analisada para caracterizar as propriedades da madeira.
Em verdade, o estabelecimento de padrões e normas técnicas é fundamental para que a medida possa ser feita e informações possam ser trocadas entre técnicos e pesquisadores em diferentes lugares e tempos. Portanto, as normas e os padrões constituem uma espécie de linguagem, por meio da qual os técnicos conversam e trocam informações. Por isso, há várias iniciativas importantes em todo mundo para a padronização de procedimentos de medida. Dentre essas, talvez as mais conhecidas sejam as da ASTM (American Society for Testing and Materials). No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) coordena trabalhos importantes nessa área e coordena a série de normas NBR, que padroniza procedimentos de medição e outros aspectos técnicos de interesse da sociedade brasileira.
Mas deve ser ressaltado que as normas não são exatamente ciência, mas grandes acordos. Até porque a ciência sempre precede a norma, pois não faz sentido normatizar algo que não existe e nunca foi medido. Além disso, em várias áreas as normas competem entre si por privilégio de uso em diferentes áreas. Por exemplo, o sistema inglês/americano de medidas (com galões, pés, polegadas, libras, graus Fahrenheit, etc.) nunca foi abandonado em favor do sistema internacional usado na maior parte do mundo. Finalmente, as associações normativas fazem das normas um negócio, que são vendidas a preços muitas vezes elevados para a comunidade técnica e nem sempre estão disponíveis para o pesquisador na forma de textos e equipamentos acessíveis.
Por isso, embora os padrões e normas sejam importantes, não se deixe aprisionar por eles. Se você não tiver acesso ao procedimento de medida normatizado, crie, use a imaginação e meça com as ferramentas que você tiver a sua disposição. E lembre-se sempre que a boa ciência precede a norma.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grau_Celsius
https://www.astm.org/
https://www.abnt.org.br/
https://www.previnsa.com.br/blog/o-que-e-nbr-e-qual-sua-importancia-para-as-empresas-veja-aqui/
Vários estudos abordam a importância da memória olfativa para os seres humanos. Somos capazes de associar cheiros a perigos, prazeres, ações e necessidades. Além disso, cheiros e aromas despertam lembranças e emoções. Particularmente, eu sempre tive uma relação olfativa com os livros e, como muitas outras pessoas, sempre adorei o cheiro dos livros.
Lembro que na infância e na adolescência eu simplesmente adorava o dia em que os novos livros eram entregues em caso pelo Tio Zé Pinho no início do ano letivo. Eu passava horas a fio folheando os novos livros, com enorme curiosidade sobre os temas que estudaria ao longo do novo ano e imerso naquele cheiro característico de livro novo.
Da mesma forma, na década de 1980 o período áureo do Flamengo é confundido na minha mente com o cheiro das folhas e tintas da Revista Placar, que eu folheava por muitas horas na busca por notícias e curiosidades a respeito daquela equipe espetacular.
Quando entrei na graduação, me acostumei a passar muitas horas na Livraria Civilização Brasileira no centro de Salvador, folheando os muitos livros científicos que eu não tinha como comprar. Sempre achei que os livros científicos têm um cheiro característico e diferente. A experiência foi repetida muitas vezes depois na Livraria Ciência Moderna, no centro do Rio de Janeiro, quando iniciei a pós-graduação.
Durante a pós-graduação costumávamos todos fazer cópias xérox dos livros que não tínhamos como comprar e não estavam disponíveis. Era sempre muito peculiar o cheiro e a temperatura dessas cópias quando as pegávamos na copiadora. Esse cheiro impregnava as salas de aula e de estudo, porque esse cheiro se mantinha por muitos meses e todos fazíamos uso dessa prática de estudo.
Depois, como professor, sempre gostei de receber as cópias recém-impressas de teses para correção. Eu sempre brincava com os alunos naquele momento que era necessário cheirar a cópia para perceber se a tese era de fato nova ou não.
Enfim, privilegio até hoje esse contato físico e olfativo com os livros e os textos e resisto bravamente à leitura e correção desses livros e textos no computador. Segundo Caetano Veloso, na canção "Livros", livros são objetos transcendentes com os quais estabelecemos relações táteis. Depois, na canção "Reconvexo", Caetano confessa que ele é o próprio cheiro dos livros.
Por tudo isso, torço para que os pesquisadores continuem vivendo, sentindo e impregnando suas memórias com o maravilhoso cheiro dos livros.
https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2022/01/23/interna_bem_viver,1338858/o-valor-da-memoria-olfativa.shtml
https://blog.phebo.com.br/memoria-olfativa/
https://www.youtube.com/watch?v=AkPozzLSrsM
https://www.youtube.com/watch?v=FYZpzzbEvHo
Impossível deixar de falar sobre o caos em que se transformou a gestão pública das áreas de educação, ciência e tecnologia no Brasil.
De um lado, apareceu um áudio divulgado no dia 22/03/2022 pelo jornal "Folha de São Paulo" em que o ministro da Educação, Sr. Milton Ribeiro, admite e reforça a existência e a relevância do gabinete paralelo discutido aqui no último vídeo do canal. O gabinete paralelo faz a intermediação de verbas e projetos de interesse de pastores da denominação religiosa Assembleia de Deus. No áudio o Ministro diz explicitamente para dar atenção especial aos pedidos do pastor Gilmar, a mando do presidente da república. Lembra muito a Márcia do Crivella, que ajudava fiéis simpáticos ao prefeito a furarem a fila do atendimento médico no Rio. O Gilmar é a Márcia do Bolsonaro; os mesmos métodos e a mesma política tosca. à tarde, o ministro negou o áudio e disse que o presidente nunca lhe pediu nada, de forma que ou mentiu no áudio ou mentiu na declaração posterior, pois as duas afirmações são simplesmente irreconciliáveis. Em qualquer país sério o ministro já teria se demitido ou sido demitido.
Na outra ponta, o ministro Marcos Pontes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deu declaração de que pensa em não se candidatar a deputado federal pelo estado de São Paulo para defender o ministério das garras do centrão. A declaração é risível e ou é muito ingênua ou muito cínica; afinal, o governo federal que ele representa é do centrão. Alguém precisa apresentar ao ministro com urgência o presidente da Câmara Federal, o ministro da Casa Civil ou a presidente do Partido Liberal, que prepara a candidatura do chefe dele. Além disso, proteger o ministério exatamente do quê ? O Ministro deixou as verbas do seu ministério serem drenadas em mais de 90%, deixou as bolsas de pesquisa atingirem o menor valor da história, desidratou o CNPq a ponto de quase acabar com a instituição. Nós é que precisamos de proteção contra essa administração. Cumpre salientar que o ministro e sua família moram em Houston, nos EUA, onde mantém agenda oficial intensa, em particular na proximidade de datas festivas, como seu aniversário. Deveria se candidatar a deputado pelo Texas, não pelo estado de São Paulo.
Enfim, é o caos !!!! Se você preza a educação, a ciência e a tecnologia e ainda apoia esse governo federal, dou um conselho: procure um psicólogo com urgência !!!!
https://www.youtube.com/watch?v=bhrH4kLA1qw
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/03/ministro-da-educacao-diz-priorizar-amigos-de-pastor-a-pedido-de-bolsonaro-ouca-audio.shtml
https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/03/22/ministro-diz-em-audio-que-a-pedido-de-bolsonaro-repassa-verba-a-municipios-indicados-por-pastores.ghtml
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2022/03/marcos-pontes-resiste-em-entregar-ministerio-ao-centrao-e-ameaca-desistir-de-pre-candidatura.shtml
https://www.jcnet.com.br/noticias/nacional/2022/03/795565-marcos-pontes-resiste-em-entregar-ministerio-ao-centrao-e-ameaca-desistir-de-pre-candidatura.html
https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/ministro-de-novo-coincide-agenda-com-aniversario-em-familia-nos-eua#:~:text=Nesta%20semana%2C%20ele%20est%C3%A1%20em,sexta%2C%20ontem%2C%20seu%20anivers%C3%A1rio.
From the publisher's feed