Por princípio, todo campus universitário deveria ser vibrante, movimentado e convidativo, para que estudantes, servidores e pesquisadores possam permanecer longos períodos de tempo nesses espaços. Também por princípio, todo campus universitário deveria funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, porque há muitos estudantes de fora e pressionados por prazos, que precisam tocar suas atividades; porque há muitos eventos acadêmicos que ocorrem durante a noite e nos finais de semana; e também porque estudantes que trabalham costumam dedicar noites e finais de semana aos estudos. Por isso, instituições estrangeiras procuram manter os ambientes universitários vibrantes e cheios de gente todo o tempo. Infelizmente, não é essa a realidade brasileira, já que a maior parte dos campi universitários do Brasil é erma, maltratada, disfuncional e funciona apenas no horário comercial.
Parte da explicação usual para esse estado de coisas é a violência e a má qualidade dos serviços de transporte disponíveis na grande maioria das grandes cidades brasileiras. No entanto, deve ser observado que essa é uma das muitas escolhas equivocadas da sociedade brasileira, pois a segurança e os serviços de transporte são usualmente muito melhores nas áreas turísticas dessas mesmas cidades. Portanto, é legítimo perguntar por que motivo deveria ser diferente nas áreas universitárias.
Contudo, parte importante da explicação é a visão tacanha que se tem da vida universitária, em que comumente se admite que não há espaço para outras atividades nos campi que não sejam as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Essa visão, contudo, é equivocada, pois obviamente há. Por exemplo, há necessidade de:
a) restaurantes para que as pessoas permaneçam por longos períodos de tempo nesses ambientes, inclusive restaurantes mais reservados, para a condução de reuniões de trabalho e pequenos eventos;
b) instalações esportivas, para a condução de atividades internas da universidade e integração com a sociedade;
c) instalações hoteleiras, para acomodar as dezenas (frequentemente centenas) de professores, técnicos, estudantes e pesquisadores que visitam a universidade todos os dias;
d) instalações comerciais que ofereçam serviços de papelaria, informática, equipamentos eletrônicos, livrarias, farmácia, bancos, dentre outros serviços necessários para a fixação de pessoas;
e) instalações culturais, como teatros e cinemas, para a condução de atividades internas da universidade e integração com a vida cultural do país;
f) centros de convenções, para abrigar ao menos parte das dezenas (frequentemente centenas) de workshops, seminários, congressos e simpósios conduzidos pela universidade.
Como vemos, há óbvio espaço para a condução de muitas atividades distintas no ambiente universitário, para benefício da própria universidade, inclusive financeiramente, se essas atividades forem geridas pela instituição. Portanto, essas atividades não são invasoras, mas atividades de apoio que viabilizam a permanência de servidores, estudantes e pesquisadores nesses espaços por mais tempo, para benefício da comunidade e do trabalho acadêmico. Não é normal que um campus universitário feche às 6:00 da tarde, feche aos sábados e domingos ou que faça a comunidade temer o horário da saída para casa. Isso precisa mudar com urgência no Brasil, para benefício da vida acadêmica e desenvolvimento do país.