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Antes de mais nada, FELIZ DIA DOS PROFESSORES para todos os profissionais da Educação !!!! Parabéns a todos pelo dia 15/10 !!!! Hoje é o dia em que a sociedade brasileira lembra dos professores e tece muitos elogios em redes sociais e veículos de comunicação, para logo depois esquecê-los na Quarta-Feira de Cinzas ... Há inclusive muitos sites oferecendo frases para você mandar para o seu professor. Não use essas frases !!!! Se você quiser se manifestar, use o seu coração !!!!
Talvez você não saiba, mas a data de hoje remonta ao longínquo dia 15 de outubro de 1827, quando o então imperador D. Pedro I sancionou uma lei que estabelecia a obrigatoriedade de o Estado brasileiro construir escolas e oferecer ensino fundamental aos cidadãos brasileiros nas cidades mais populosas do Brasil. A lei tinha vários pontos avançados para a sua época, como:
Mas a lei tinha também traços característicos da sociedade da época:
O fato é que, apesar de constituir referência importante, a lei não pegou, porque D. Pedro I esqueceu de dizer quais eram as grandes cidades brasileiras que estavam obrigadas a seguir a lei, de forma que cada um olhava para o lado e fingia que o imperador estava falando com o outro. Hoje, quase 200 anos depois, continuamos vivendo experiências similares no Brasil.
Como vemos, as leis que tratam da educação não costumam pegar no Brasil. Por isso, nesse dia 15/10/2021, desejo a todos os profissionais da educação e a todos os cidadãos brasileiros que a sociedade reconheça a sua dívida em relação à educação e à formação do povo brasileiro e faça algo muito simples: cumpra o que foi combinado.
Para a lista completa das referências, consulte a descrição do vídeo no YouTube.
Como discutido em vídeos anteriores do canal, congressos e eventos científicos se transformaram em um grande negócio. Por isso, todos nós que trabalhamos no mundo acadêmico recebemos todos os anos centenas de convites para participação nesses eventos, em geral acompanhados de uma tabela de preços que fixa frequentemente a participação em valores superiores a mil dólares. Mas um convite recebido na última semana me surpreendeu, porque não apresenta as maravilhas do local onde o congresso está sendo organizado (incentivando o turismo), não discute a importância temática do assunto principal a ser debatido e sequer apresenta os títulos das palestras a serem apresentadas pelos palestrantes, apresentando apenas uma lista de palestrantes e de seus respectivos índices H. A mensagem implícita é que um evento bom depende apenas do desfile de índices H que apresenta, importando pouco o que será debatido. Bizarro !!!
Referências:
No dia 07/10/2021, o Governo Federal vetou (de novo) de forma ilegal a transferência de recursos para o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) necessários para o pagamento de bolsas e de projetos de pesquisa, em particular aqueles vinculados ao Edital Universal. Para você entender o que está acontecendo, é necessário puxar um pouco o fio da meada.
Para a lista completa das referências, consulte a descrição do vídeo no YouTube.
O Governo Federal divulgou no dia 04/10/2021 a lista dos maiores depositantes de patentes no Brasil no ano de 2020. No entanto, é conveniente primeiro olhar outros números do ano de 2020, para relativizar a informação disponível.
Para conferir as referências, consulte a descrição do vídeo no canal do YouTube.
É bem estabelecido na área de Monitoramento e Controle de Processos que a garantia da qualidade só é possível se as características essenciais do resultado principal são medidas, avaliadas, comparadas com medidas de desempenho desejado e eventualmente corrigidas, caso desvios indesejados sejam observados. No caso do processo de ensino, qual seria o resultado principal obtido ? Parece não haver dúvida de que é a formação do estudante, do graduando, do pós-graduando e do egresso daquela instância acadêmica. Dessa forma, o estudante deveria ocupar papel central em qualquer sistema de avaliação acadêmica que se proponha, embora a participação do estudante nas avaliações acadêmicas vigentes no Brasil seja pífia.
Com base nesse pressuposto, o estudante deveria ser ouvido sobre o que pensa a respeito do ensino oferecido e as ferramentas ensinadas, antes e depois da formatura ou defesa de tese. O acompanhamento do egresso ao longo do tempo é fundamental nesse procedimento, pois as opiniões podem mudar ao longo do tempo, com o acúmulo de experiência profissional e a maturidade. Ouvir o estudante antes da formatura é muito simples, por conta da matrícula, da formatura, da defesa, assim como em outras instâncias e oportunidades. Ouvir o egresso depois da formatura é fundamental, embora constitua atividade desprezada pelo mundo acadêmico brasileiro, mas muito bem conduzida pela maior parte das universidades estrangeiras, que procuram manter o vínculo e o relacionamento com os ex-alunos. Portanto, trata-se de atividade perfeitamente factível, bastando vontade para que seja executada.
Além disso, é importante saber se o egresso está trabalhando, está ativo, está produtivo, ou se enfrenta dificuldades profissionais. A universidade tem muita responsabilidade pelo sucesso e o insucesso de seus egressos, que falam muito mais sobre a qualidade do ensino do que o sucesso ou insucesso dos professores. Esse acompanhamento pode ser feito na forma descrita anteriormente e pode contar com o apoio do IBGE, pois constitui estatística social relevante sobre o que se passa no país e o IBGE tem larga experiência na condução dessas pesquisas e estatísticas sociais.
É preciso também compreender se a universidade está promovendo a mobilidade social que dela se espera. É importante avaliar os programas de assistência estudantil e as políticas de cotas, para determinar se a universidade está ajudando a forma estudantes carentes. Aliás, é relativamente muito fácil formar estudantes ricos, que não precisam trabalhar para contribuir com o sustento da família. É preciso compreender se os egressos vivem melhor que seus pais, como esperado, e o Ministério da Economia e o IBGE têm os dados que permitem oferecer respostas para essas perguntas e podem colaborar com esse sistema de avaliação.
Nesse contexto, a infraestrutura disponível na universidade é obviamente importante, mas desde que possa ser compartilhada e utilizada pelos estudantes para a sua formação. Os professores são também muito importantes como condutores desse processo, mas desde que deem aulas, orientem, coordenem projetos que envolvam os estudantes, assinem artigos científicos com os estudantes e auxiliem o processo de formação e mobilidade social desses estudantes.
Talvez você não concorde com indicadores propostos nesse vídeo, mas não há problema algum nisso. Vamos discutir os indicadores de baixo para cima, conduzindo essa discussão com toda a comunidade acadêmica, por meio dos departamentos, institutos, universidades e em grande evento promovido pela CAPES, para consensuar a avaliação que queremos e precisamos. A missão dos Conselhos da CAPES não é formular a avaliação, mas monitorar e implementar as regras consensuadas pela comunidade acadêmica e pela sociedade brasileira.
O que vemos aqui é que outro tipo de avaliação, mais humana e consequente, é possível, desde que a gente queira. Perceba que não foi necessário falar em nenhum momento sobre QUALIS, índice H ou ranking
No dia 30/09/2021 circulou mais um desses rankings que pretensamente avaliam a importância relativa dos pesquisadores. Como é comum nesses casos, o ranking começou a circular nas redes sociais e as pessoas se lançaram à busca de nomes de pesquisadores e instituições, comparando-os uns aos outros. Como tenho interesse acadêmico legítimo nesse tema e como sou crítico contumaz do uso dessas ferramentas, em geral cheias de deformações, fui ver do que se tratava.
O tal ranking em verdade é uma lista de fatores H, já discutido em vídeos anteriores do canal. O fator H é uma medida relativa das citações recebidas por um autor. Assim, se o fator H é igual a 10, isso significa que ao menos dez publicações do autor avaliado mereceram ao menos 10 citações de outros pesquisadores. A inferência que se faz é que, quanto maior é o fator H, maior é a importância e produtividade do pesquisador. No entanto, o fator H está sujeito a várias deformações, sendo afetado por variáveis que nada têm a ver com a produção e qualidade do trabalho que o pesquisador faz, como a área em que o pesquisador trabalha. Dessa forma, o tal ranking apenas atualiza uma ideia velha.
Como não encontrei o meu nome na lista e como o meu fator H normalmente me põe nessas listas, fiquei ainda mais curioso sobre os critérios usados para construir o ranking. Para minha surpresa, percebi que o tal ranking foi construído apenas com pesquisadores que mantêm contas no Google Scholar vinculadas ao e-mail institucional e com perfis públicos. Como não tenho conta no Google Scholar vinculada ao meu e-mail institucional, da mesma forma que não tenho contas no Facebook, LinkedIn e ResearchFinder, não mereço mesmo ser considerado um pesquisador importante. Aliás, sou um desses dinossauros que acreditam que os sistemas computacionais e de comunicação de instituições governamentais não deveriam usar plataformas como a do Google, que faz uso desconhecido dos dados e possivelmente os vende para que instituições façam rankings de pesquisadores, por exemplo.
Fuçando um pouco a plataforma, descobri um botão que permite corrigir e inserir dados da plataforma e do ranking. Ao acionar o botão, me deparei com um conjunto de ações bastante peculiar:
O tal ranking é um negócio picareta para tirar dinheiro de pesquisadores e instituições de pesquisa. Apenas a vaidade acadêmica e o vício nas métricas produtivistas pode explicar o aparecimento de rankings e negócios como esse. Esse ranking não deveria estar sendo divulgado ou celebrado, mas deveria estar sendo denunciado !!!! Algo muito errado está ocorrendo no mundo acadêmico, quando deformidades como essa circulam, são divulgadas e celebradas no mundo da pesquisa.
Referências:
Apresentação do Canal Falando com Ciência, publicado em 14/02/2020 no canal do youtube (https://www.youtube.com/channel/UCjdKQH0NpiESQyi7YjpIIbQ).
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