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Ontem tive a enorme satisfação de participar do encontro de pesquisa do grupo do qual faço parte, o EngePol - Laboratório de Engenharia de Polímeros da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois de três anos de pandemia, foi legal ver a sala cheia de gente, encontrar pessoas que não via há bastante tempo e outras que sequer conhecia, a não ser por trás dessa tela de vídeo. Ver, conviver, trocar ideias em tempo real e refazer laços é essencial para a atividade acadêmica. A verdade é que o todo não é a soma de uns. O todo é essa amálgama que nos conecta.
Já falei em vídeo anterior do canal que o modo remoto veio para ficar e que é bobagem brigar contra isso. Hoje mesmo participarei de uma banca de tese de doutorado, com pessoas de diferentes locais do país, que simplesmente não poderia ser realizada de outra forma em dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo. No entanto, olhando o outro lado do copo, eu gostaria de enfatizar que tampouco existe universidade a distância.
A universidade é feita por essas conexões e sinergias que se desenvolvem entre as pessoas. Por isso, não queira passar rapidamente pela universidade. Participe e viva a universidade. Faça iniciação científica, monitoria e estágio. Participe de eventos técnicos, científicos e visitas técnicas a empresas e plantas industriais. Envolva-se com a extensão e com a comunidade ao seu redor. Participe de projetos com parceiros, colaboradores e financiadores. Vá ao diretório acadêmico. Participe de caravanas e venda poesia no sinal para viajar com os colegas para reuniões acadêmicas, técnicas e científicas. Participe do time de futebol, do vôlei e do coral. Vá às festas dos estudantes. Divirta-se à noite com os amigos falando da vida. Participe da empresa júnior.
Se você puder, não deixe de estudar e viver a universidade. Como dito anteriormente, é certo que existe ensino a distância e que pode existir até mesmo bom ensino a distância, mas não existe de forma alguma universidade a distância.
Que bom que estamos todos juntos de novo no EngePol. E que orgulho desse grupo !!!!
https://youtu.be/Rx-rmVgp_lM
https://youtu.be/xRu59MQSpiI
https://youtu.be/o2xd6E7AiMw
https://youtu.be/XHhU4R1gLew
Você certamente acompanhou os eventos da última sexta-feira, 25/11/2022, quando um adolescente de 16 anos invadiu duas escolas em Aracruz (ES), a Escola Estadual Primo Bitti e o Centro Educacional Praia do Coqueiral, e feriu 16 pessoas, algumas gravemente, sendo que quatro delas morreram até esse momento. Trata-se de mais uma consequência dessa estupidez que é o bolsonarismo, que tenta inclusive importar o modelo americano de invasão dos espaços públicos e promoção de chacinas e carnificinas, com essa apologia descabida e incompreensível às armas.
Os sinais estão todos lá para quem quiser ver: 1) o jovem vestia roupas militares dos pés à cabeça, em momento que se vive a militarização estúpida da sociedade brasileira; 2) o jovem carregava símbolos nazistas no braço; 3) as duas armas que usava são de seu pai; 4) o pai é policial que trabalha para o governo do Espírito Santo; 5) o pai faz propaganda de literatura nazista na internet. Não vê quem não quer.
Por tudo isso, não seja tolerante com os violentos e golpistas. Denuncie, pois jogar luz nesses indivíduos é a melhor forma de proteger a sociedade; caso contrário, a vítima amanhã pode ser você ou seu filho. E não se engane: atrás de um jovem violento provavelmente existem pais também violentos. Inclusive, a violência pode aumentar nessa reta final do governo, por revanchismo e frustração dos bolsonaristas mais violentos. Provas disso são os novos cortes nos orçamentos das universidades públicas federais e a fala nojenta de militar sugerindo que eleitores de Lula sejam assassinados. Não tolere nada disso - denuncie !!!!
https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2022/11/26/ataque-a-escolas-em-aracruz-o-que-falta-esclarecer.ghtml
https://www.metropoles.com/brasil/pai-do-autor-de-ataque-em-escolas-indicou-leitura-de-guia-nazista
https://educacao.uol.com.br/noticias/2022/11/28/mec-corte-bloqueio-universidades.htm
https://spdiario.com.br/noticias/politica/em-ato-antidemocratico-militar-do-gsi-ameaca-lula-nao-vai-subir-a-rampa-do-planalto.html
O clima de Copa do Mundo nos remete necessariamente à questão do nacionalismo, da organização dos indivíduos em torno dos símbolos de grupo, como as seleções nacionais. Parece natural que os indivíduos se aglomerem em torno da nacionalidade, por conta da história, da língua, da bagagem cultural ou do compartilhamento de problemas comuns.
Acontece algo similar quando estudantes vão estudar no exterior e tendem a se aglomerar em ao redor das comunidades nacionais. As justificativas são várias, como a língua, a cultura, o suporte social ou simplesmente as saudades de casa. Mas recomendo a vocês que fujam dessa armadilha e abram-se ao novo e à diversidade mundial.
Em primeiro lugar, as comunidades nacionais não são de fato homogêneas nem iguais a você. Eu provavelmente tenho muito mais a compartilhar com estudantes iranianos ou árabes que lutam pelos direitos humanos e igualdade entre homens e mulheres do que com brasileiros bolsonaristas golpistas que gostam de feijoada e caipirinha e falam português.
Em segundo lugar, o período no exterior constitui uma oportunidade única para conhecer novas culturas, ampliar a bagagem cultural e intelectual e construir redes de relacionamento que se espalhem pelo mundo. No meu caso, quando estive no exterior construí uma coleção de álbuns de músicas de artistas e bandas de diferentes países e construí amizades que guardo até hoje, 30 anos depois de ter voltado ao Brasil. Por isso, frequente as festas internacionais, leias autores estrangeiros recomendados pelos colegas, ouça as músicas dos outros países e abra-se ao novo. Isso será bom para você e para o Brasil.
Que o Brasil vença a Copa do Mundo. Mas não se esqueça que as seleções inglesa e alemão provavelmente têm muito mais a ver com Richarlison do que com Neymar.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/richarlison-doou-chuteira-para-leilao-beneficente-e-ajudou-programa-da-usp-contra-covid-19/
https://oglobo.globo.com/esportes/catar-2022/noticia/2022/11/neymar-prometeu-homenagem-a-bolsonaro-em-caso-de-gol-entenda-o-que-pode-acontecer.ghtml
Um dos maiores engodos do discurso supostamente liberal nas áreas de educação, ciência e tecnologia é a forma com que governos têm tratado as chamadas receitas próprias de universidades e institutos de pesquisa. As receitas próprias são oriundas de serviços prestados por essas instituições e quase sempre relacionadas ao estabelecimento de parcerias, assinatura de convênios e doações. Até por isso, esses recursos raramente estão vinculados ao custeio da máquina pública, mas relacionados ao desenvolvimento de estudos e investimentos, usados para a geração de conhecimento e recomposição e criação de infraestrutura.
Bom, o fato é que esses recursos têm sido sistematicamente contingenciados nos últimos anos, como se as universidades e institutos de pesquisa fossem instâncias de arrecadação, o que obviamente não são. Para você entender, funciona mais ou menos da forma descrita a seguir.
1- No início do ano, o governo estabelece que a instituição A terá direito de executar um certo orçamento, digamos de 100 milhões;
2- Esses recursos têm sido paulatinamente reduzidos, pressionando a capacidade de prestar serviços dessas instituições e promovendo a deterioração da infraestrutura;
3- Até por isso, a universidade ou instituto de pesquisa desenvolve uma parceria que envolve uma verba de, por exemplo, 50 milhões, para executar alguma atividade específica;
4- A lei obriga que os recursos do convênio sejam enviados para o caixa central do Governo Federal em Brasília;
5- O Governo agradece o envio do recurso e informa que não fará a liberação porque a instituição já recebeu os 100 milhões prometidos para o ano;
6- Na prática, o Governo Federal reduz o desembolso e aumenta a pressão sobre a instituição, que passa a ser obrigada a executar atividades adicionais com os mesmos parcos recursos previstos;
7- A situação é particularmente cruel quando a instituição parceira contratante é também pública, pois o Governo Federal faz o pagamento de um lado e bloqueia os recursos do outro, reduzindo na prática o desembolso orçamentário de ambas as instituições sem mover um único centavo real e pressionando ambas as instituições pela realização do serviço.
A PEC da Transição pretende tirar as receitas próprias de universidades e institutos de pesquisa do teto de gastos, o que considero um acerto. No entanto, está sendo removida apenas uma das justificativas que o gestor pode usar para bloquear ou contingenciar essas verbas. É preciso ir adiante e proibir por meio de lei o contingenciamento ou bloqueio de verbas oriundas de receitas próprias dessas instituições. E a hora é agora !!!
https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/11/16/pec-da-transicao-deve-tirar-do-teto-de-gastos-receitas-proprias-de-universidades-diz-relator.ghtml
https://ufrj.br/acesso-a-informacao/receitas-e-despesas/
No esteio da transição de governo, várias propostas têm sido encaminhadas à equipe de transição. Como os representantes das áreas de educação, ciência e tecnologia já foram nomeados, é importante que a comunidade municie os representantes com propostas importantes para essas áreas.
Uma das propostas mais urgentes, sem qualquer dúvida, é a correção dos valores das bolsas de pesquisa, congeladas há incríveis 9 anos, corroídas por cerca de 70% de inflação, corrigidas pela última vez no Governo Dilma Rousseff e uma das causas pela queda do interesse pela pós-graduação nesse momento. Há uma solicitação formal encaminhada à equipe de transição por meio de uma carta pública que você deve conhecer e assinar, se concordar com ela. O link está disponível abaixo.
A solicitação, no entanto, é mais ampla e inclui o reconhecimento do tempo dedicado a pós para fins de contagem do tempo de trabalho para a aposentadoria. Considero, em particular, a solicitação justíssima por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar, há jurisprudência no Brasil, pois os militares têm reconhecido até mesmo o tempo dedicado à educação equivalente ao nível médio. No entanto, não estamos aqui solicitando qualquer benesse, porque a pós-graduação não equivale a período de formação e há trabalho de fato. Aliás, os pós-graduandos são responsáveis pelo item de produção acadêmica mais importante hoje nas avaliações do sistema universitário, que é a produção científica. Para a contagem do tempo, é necessário que o pós-graduando esteja vinculado na forma de dedicação exclusiva ao programa de pós-graduação e que contribua com o INSS, de maneira que a solicitação inclui o pedido de que as bolsas fornecidas por agências de fomento incluam esse item de dispêndio no valor final.
Vivemos um momento de transição muito importante. Por isso, manifeste-se e participe !!!!
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScyAfG0NEjRgGOzyUmg2D7qy_flbO582KpfWmmYdhg5Y2V8cQ/viewform
https://previdenciarista.com/blog/computo-de-tempo-de-servico-militar-para-fins-previdenciarios/
Esse episódio ocorreu no ano de 1974, quando me encontrava no início da adolescência e cursava a quinta série do ensino fundamental em uma escola pública municipal do Rio de Janeiro, a Escola Thomas Mann, localizada no Cachambi, na região do Meier. Um certo dia, quase no final da aula, a aula foi interrompida por um inspetor que informava que uma garrafa havia sido lançada do segundo piso da escola, se espatifado no pátio e quase machucado uma pessoa. Segundo o inspetor, a garrafa havia sido lançada de uma janela em que, para azar meu, eu estava sentado. O professor informou que a garrafa provavelmente não havia sido lançada daquela sala, porque ele teria percebido. No entanto, o inspetor estava resoluto e levou a mim e a mais quatro colegas para a Diretoria, para que confessássemos o delito.
Bom, passamos muito tempo na Diretoria e, usando suas ferramentas autoritárias (lembrando que estamos no período da ditadura), a Diretora concluiu que o culpado era eu. Assim, fui informado de que ficaria sob custódia até que confessasse o delito que eu não havia cometido. Mas eu tinha pais cuidadosos e participativos, que acompanhavam a minha vida escolar. Estranhando a demora para retornar para casa, minha mãe resolveu seguir para o colégio, onde me encontrou naquela situação constrangedora. Minha mãe virou uma fera, me tirou da Diretoria na marra e ameaçou denunciar a Diretora à Secretaria de Educação se ela não provasse com fatos concretos que eu havia cometido o delito que eu dizia não ter cometido. No caminho de casa, minha mãe discursou sobre a importância da justiça, de reconhecermos os erros cometidos e de jamais confessarmos delitos que não havíamos cometido. Falou ainda sobre a importância de enfrentarmos a violência e o autoritarismo. No final do dia, aquele discurso foi repetido por meu pai, quando retornou do trabalho.
Sou trazido a essas lembranças por conta da explosão de violência que vemos nas escolas brasileiras no momento, por conta dessa estupidez que é o bolsonarismo. Infelizmente, esses adolescentes que fazem apologia ao nazismo, ao racismo, a diversas formas de preconceito e ao autoritarismo provavelmente ouviram e aprenderam esse discurso no ambiente doméstico. Além disso, minha mãe poderia estar trabalhando naquele dia, ou eu poderia ser órfão ou meus pais poderiam estar doentes, o que mostra que é necessário defender e proteger os mais frágeis e desassistidos. Por isso, é preciso combater a violência e o autoritarismo escolar com a luz das denúncias e da justiça. E os pais têm importante papel a cumprir em relação a isso.
Uma pergunta frequente em laboratórios de natureza tecnológica diz respeito a quem são os donos de patente ou criação oriunda de projeto acadêmico em uma universidade ou instituição de pesquisa. Para responder essa pergunta, é necessário primeiro dizer que há os autores (pesquisadores que participaram daquele processo de criação) e os detentores da propriedade inventiva (que é um ativo econômico e não precisar pertencer aos autores). Feita essa distinção, vamos falar claramente: a propriedade da atividade inventiva pertence à instituição de pesquisa, não havendo qualquer dúvida ou polêmica sobre esse ponto. As justificativas para isso são várias, como os contratos de trabalho da instituição com os servidores (que muitas vezes exigem dedicação exclusiva), os benefícios financeiros repassados a estudantes e a colocação da infraestrutura da instituição à disposição do desenvolvimento daquela criação particular.
No entanto, é relevante fazer algumas ressalvas apresentadas abaixo.
1) A Lei 10973/2004, a famosa Lei de Inovação, estabelece em seu Artigo 13 que os autores de uma patente ou criação devem ser remunerados com valores nunca inferiores a 5% e nunca superiores a 1/3 dos benefícios financeiros eventualmente auferidos pela criação à instituição. Dessa forma, os autores não são donos, mas devem ser também remunerados pelos eventuais ganhos econômicos da invenção.
2) A Lei de Inovação também estabelece que as instituições públicas precisam publicar suas políticas particulares de inovação, de forma que a sua instituição deve ter uma. Em geral, usa-se a famosa regra do 1/3 para distribuir os benefícios financeiros de uma invenção, sendo 1/3 para a administração central, 1/3 para a instituição local (instituto, escola ou departamento) e 1/3 para os autores.
3) A Lei de Inovação estabelece ainda que as instituições de pesquisa podem firmar parcerias com outras instituições e empresas e negociar os percentuais de propriedade em cada caso particular, a depender do envolvimento e investimento de cada instituição naquela atividade particular. Dessa maneira, a instituição pública de pesquisa não precisa ser a única detentora dos direitos de propriedade da invenção.
4) Apesar disso, essa negociação deve ser feita ANTES do depósito da patente, e nunca depois. Segundo a Lei de Inovação, a transferência de propriedade de uma patente só pode ser feita por instituição pública por meio de edital de licitação.
Sendo assim, ficam aqui duas dicas. Em primeiro lugar, se você é servidor ou estudante de uma instituição pública de pesquisa, baixe a política de inovação de sua instituição. Em segundo lugar, se você é parceiro de instituição de pesquisa, resolva as questões proprietárias antes do depósito e guarde os documentos comprobatórios da parceria, pois nenhuma procuradoria cederá direitos de propriedade sem explicações e sem documentos que comprovem o relacionamento.
https://youtu.be/PqFbtkvcXEs
https://youtu.be/ZyFt8wkRsnE
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2004/lei-10973-2-dezembro-2004-534975-normaatualizada-pl.pdf
https://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/patentes/guia-basico/ManualbsicodePatentes20210607b.pdf
No final da semana passada eu tive o quadro de COVID-19 confirmado, sendo a minha primeira experiência pessoal com a doença. Embora os sintomas até aqui não sejam graves, eles têm sido persistentes. Na verdade, eu sou apenas mais um caso que ilustra a nova onda de COVID-19 no Brasil e no Rio de Janeiro, em particular.
O novo surto pode ser decorrente da chegada da nova variante Ômicron BQ1 ao Brasil, ou da redução da eficiência vacinal por conta da passagem do tempo, ou por causas combinadas, mas o fato é que temos sido lenientes e condescendentes com a doença. A resistência ao uso de máscaras em ambientes públicos e à aplicação das vacinas é incompreensível na sociedade brasileira, mas é certamente inconcebível nas universidades e escolas do país. Afinal, universidades e escolas são pontos naturais de concentração, disseminação e posterior espalhamento da doença. Nesses locais, pessoas de diferentes locais se encontram, mantêm contato de alguma intimidade por algum tempo e depois levam de volta para suas comunidades os vírus adquiridos. Até por isso, as medidas de prevenção, como uso obrigatório de máscaras e a cobrança da cobertura vacinal apropriada, deveriam ser impositivas nesses locais.
No meu caso particular, provavelmente adquiri o vírus no ambiente da universidade, tendo em vista que minha vida social está bem pouco movimentada. Olhando o copo meio cheio, meus sintomas não são graves e não transmiti a doença para os meus familiares mais próximos, indicando a baixa virulência do contágio. Credito ambos os fatores às vacinas, que estão em dia no meu caso, embora certamente outros fatores individuais e os cuidados podem também ajudar a explicar esses fatos.
De qualquer forma, vacine-se, use máscaras em ambientes públicos, proteja as pessoas ao seu redor e proteja você mesmo. Vamos interromper essa nova onda.
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63550537
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/bq-1-o-que-se-sabe-sobre-a-variante-da-omicron-e-a-possibilidade-de-nova-onda-da-covid-19/
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/11/09/rj-ja-aplica-a-quinta-dose-da-vacina-da-covid-veja-condicoes.ghtml
No rastro da derrota bolsonarista, casos de intolerância, violência, preconceito e autoritarismo explodiram nas escolas brasileiras, como parte e amostra da nossa sociedade. Estudantes xingaram e promoveram discursos de ódio em redes sociais ao menos em escolas de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Um ônibus foi invadido em São Paulo e os estudantes foram ameaçados apenas porque fizeram o "L" da janela. São os valores dessa gente de bem que compõe o bolsonarismo. Mas dois casos icônicos merecem atenção especial. Em primeiro lugar, o caso da professora da Universidade Federal do Amapá, que decidiu expulsar dois estudantes esquerdistas (segundo ela própria) do laboratório em que trabalha e que convocou outros estudantes esquerdistas a se revelarem e deixarem aquele espaço de pesquisa. O caso é icônico porque inverte completamente a lógica daqueles relacionamentos, em que a professora é a servidora e não a dona daquele espaço público, que pertence à União e à sociedade brasileira, incluindo eu e você. Portanto, aparentemente é ela quem não merece estar ali. O segundo caso é o do professor de História em Santa Catarina que comparou Hitler a Jesus Cristo, como se isso fosse possível, confirmando uma vez mais a obviedade de que não existe bolsonarismo cristão.
Não é hora de sermos tolerantes com os intolerantes, que se revelam à luz do dia. Como estudado por muitos pesquisadores, a leniência exagerada com a intolerância corrói a democracia. Por isso, se você testemunhar um ato de intolerância, denuncie à chefia imediata, leva à Ouvidoria, denuncie à imprensa. Não é hora de sermos tolerantes com essa gente, mas de defendermos a democracia e os valores humanos.
https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2022/11/03/professor-de-historia-elogia-nazismo-na-web-e-e-afastado-de-escola-em-sc-policia-investiga.ghtml
https://www.cartacapital.com.br/educacao/sou-pro-reescravizacao-do-nordeste-alunos-de-colegio-alemao-sao-investigados-por-racismo-e-discurso-de-odio/
https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/11/video-de-alunos-de-escola-particular-de-porto-alegre-com-comentarios-preconceituosos-contra-nordestinos-e-pobres-repercute-em-redes-sociais-cla2vuasv009i01706dccsxdq.html
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/bolsonaristas-invadem-onibus-e-agridem-estudantes-que-fizeram-l,2fe8f9b3e2aae1cf0d341ce1ea8ec15a3o85b3z1.html
https://bncamazonas.com.br/ta_na_midia/no-amapa-professora-expulsa-alunos-por-serem-esquerdistas/
https://www.cartacapital.com.br/sociedade/apos-2-turno-professora-universitaria-se-recusa-a-dar-aulas-para-alunos-de-esquerda/
https://www.politize.com.br/paradoxo-da-tolerancia/
https://www.buzzfeed.com/br/alexandrearagao/em-1999-bolsonaro-defendeu-tortura-e-guerra-civil-matando
Estou muito feliz com os resultados das eleições presidenciais no dia de ontem, 30 de outubro de 2022. Mas não se enganem: a hora é de deixar as comemorações para ontem e iniciarmos já a defesa da democracia. Os autoritários e golpistas estão por aí e tentarão de tudo, como comprovam os episódios do radiolão e a vergonhosa ação da Polícia Rodoviária Federal no dia de ontem. Aliás, a sociedade democrática tem que reconhecer o relevante serviço prestado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, à causa democrática, sempre pronto a rebater com velocidade os múltiplos ataques à democracia nacional. Também não se enganem: garantida a posse do novo presidente, já no dia 1 os autoritários trabalharão pelo impeachment do novo presidente. A Lei do Impeachment está falida, pois como é possível que um presidente, como Dilma Rousseff, seja destituído do cargo enquanto um outro, que cometeu crimes em série, permaneça tanto tempo no poder ? Por isso, se perdêssemos, teríamos que lutar em defesa da democracia por quatro anos; como vencemos, teremos que lutar em defesa da democracia por quatro anos. E, muito importante: é hora de retomarmos os símbolos nacionais. A bandeira nacional e a camisa da seleção brasileira pertencem a todo o povo brasileiro; pertence, portanto, a mim e você, brasileiros e progressistas.
#lulapresidente
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