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Enquanto o debate eleitoral pretensamente avança, a análise detalhada do orçamento enviado pelo governo federal para o Congresso Nacional, para ser executado no ano de 2023, vai revelando aos poucos a verdadeira importância da educação para o atual governo. Por exemplo, 97% dos recursos destinados à construção, manutenção, reforma e reparos de escolas foram sumariamente cortados da proposta orçamentária. E no item destinado a transporte escolar, por exemplo, há dinheiro suficiente para comprar um único ônibus para todo o Brasil.
Nesse cenário de terra arrasada, estudo publicado mostra que o país está à beira de um colapso em relação ao número de professores que atuam nas escolas brasileiras, pois é cada vez menor o número de professores formados e é cada vez maior a idade média dos professores ativos e que se aproximam da aposentadoria. Esse movimento é impulsionado pelos menores salários pagos a professores no mundo, segundo estudo recente da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), clube de países do qual o Brasil deseja fazer parte. Os salários são os menores do mundo tanto em termos absolutos como relativos, quando se considera o poder de compra local.
Diante de todos esses problemas, a palavra ciência sequer foi mencionada nos debates eleitorais, mostrando o papel a que foi relegada a ciência no Brasil, sujeita a cortes orçamentários continuados por parte do governo federal. Mas, em vez de combater esse estado de coisas, e como se não tivesse mais nada o que fazer, o ministro da ciência e tecnologia resolveu adquirir retratos de si mesmo e distribuir por repartições de todo o Brasil, a três meses do fim do mandato desse péssimo presidente da república.
É um festival de horrores em que estamos metidos, sendo incompreensível que algum acadêmico ou pessoa preocupada com a educação ainda possa emprestar o seu apoio a tanta iniquidade. Por isso, torço para que a Terra volte a ser redonda e que o Brasil retome o eixo já no próximo domingo.
#forabolsonaro
https://appsindicato.org.br/governo-bolsonaro-propoe-corte-de-97-em-recursos-para-a-infraestrutura-de-escolas/
https://g1.globo.com/educacao/noticia/2022/09/29/brasil-pode-enfrentar-apagao-de-professores-em-2040-diz-pesquisa.ghtml
https://exame.com/brasil/piso-salarial-de-professor-brasileiro-e-o-mais-baixo-entre-40-paises/
https://br.noticias.yahoo.com/ministro-de-bolsonaro-coloca-fotos-de-si-mesmo-em-todos-os-orgaos-ligados-a-ele-133905746.html
Como discutido em vídeos anteriores do canal, um bom trabalho de pesquisa não precisa ser necessariamente comercialmente relevante nem imediatamente aplicável. Aliás, os eventuais usos e aplicações que uma boa ideia pode encontrar muitas vezes não foram sequer imaginados pelo pesquisador, como ilustra uma enxurrada de casos na história da ciência, como o bem conhecido caso da invenção e uso do laser.
No entanto, é certo que a desconexão entre o pesquisador e o mundo real onde ocorrem os impactos daquela investigação ou ideia pode ser prejudicial ao amadurecimento da pesquisa e do próprio investigador. Por exemplo, parece óbvio que um pesquisador que estuda o tratamento de uma doença pode se beneficiar muito do contato com pessoas que infelizmente são portadoras da doença e com ambientes e profissionais que se dedicam ao tratamento daquela doença.
Esse contato com o mundo real onde ocorrem os impactos do que se estuda costuma ser muito valorizado nos cursos de graduação, mas é usualmente negligenciado nos cursos de pós-graduação. Nos cursos de graduação esse contato é usualmente estimulado por meio dos programas de estágio obrigatório e dos trabalhos de campo, enquanto na pós-graduação, quando ocorrem, esses contatos são usualmente subprodutos de projetos conduzidos com parceiros institucionais.
Apesar disso, os trabalhos de campo podem ser muito úteis para a formação e amadurecimento do pesquisador, porque:
a) ajudam o pesquisador a contextualizar o ambiente real em que se dá o estudo e em que ocorrem os impactos da investigação;
b) revelam dimensões, características e condições reais que envolvem eventuais aplicações e usos do conhecimento gerado;
c) sugerem problemas reais enfrentados por profissionais nesses ambientes e que precisam ser mais estudados e investigados, sugerindo novos trabalhos futuros de pesquisa;
d) estimulam a formação de redes de relacionamento com os profissionais que atuam nesses ambientes, que podem se transformar em eventuais parceiros de pesquisas presentes e futuras e pontes para inserção dos pesquisadores no mercado de trabalho.
Por todas essas razões, os cursos de pós-graduação deveriam estimular formalmente o desenvolvimento de programas de visita e de trabalhos de campo com seus estudantes e pesquisadores, talvez como parte formal das disciplinas de Metodologia Científica. No meu caso particular, procuro sempre organizar visitas a plantas industriais reais em caravanas que são muito apreciadas por estudantes e pesquisadores do grupo, indicando que há de fato demanda para esse tipo de atividade. Por tanto, fica aqui a dica para que você procure organizar trabalhos de campo no seu programa de pós-graduação.
https://youtu.be/rc7xRSp4VFg
https://youtu.be/kHzMGV5XE0w
https://www.scielo.br/j/rbef/a/bXZ3scjTLbDmBWMWxYJB7YB/?lang=pt&format=pdf
Os Artigos 205 e 208 da Constituição Federal dizem:
Artigo 205: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, ...
Artigo 208: O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:
IV: educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade.
O texto parece não deixar dúvidas: a educação é direito de todos e dever do Estado, que deve prover educação infantil em creche e pré-escola a todas as crianças com até cinco anos de idade. Pois bem, o prefeito bolsonarista de Criciúma (SC), Sr. Clésio Salvaro, decidiu que não é bem assim, que pode oferecer educação infantil a quem quiser, no momento que melhor lhe aprouver e segundo o orçamento que tiver disponível para esse fim e que, bem ao estilo bolsonarista, a justiça nada tem a ver com isso. Como resultado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem, 22 de setembro de 2022, em ação absolutamente desnecessária, que o senhor prefeito de Criciúma e de todos os demais municípios do Brasil têm que oferecer sim educação infantil em creche e pré-escola a todas as crianças com até cinco anos de idade, como manda a Constituição Federal.
Poderíamos parar aqui com esse final feliz, mas deve ser observado que de fato os direitos de acesso à educação estão sendo atacados em todos os níveis e de forma coordenada, não se tratando de fato isolado. Esse mesmo prefeito no ano passado fez um vídeo virulento contando mentiras sobre a Universidade Federal de Santa Catarina e clamando pelo fechamento de todas as universidades públicas do Brasil. Além disso, o orçamento federal para o ano de 2023 propõe a redução dos investimentos em educação infantil, educação fundamental e construção de creches e escolas, exatamente como pede o prefeito de Criciúma (SC).
O ataque à educação infantil é, acima de tudo, desumano, pois os ricos podem colocar as crianças em creches e pré-escolas pagas e contratar babás, enquanto os pais pobres têm que ficar em casa e abdicar do trabalho, comprometendo as finanças da família. Ou, pior ainda, esses pais podem entregar os filhos mais novos aos cuidados dos filhos mais velhos, comprometendo o desenvolvimento de outras crianças nesse processo.
Se o STF for julgar todos os processos desse tipo, daqui a pouco teremos prefeitos e empresários dizendo que pagarão o décimo-terceiro e darão férias quando for possível e lhes aprouver. Ou que garantirão o direito de acesso à saúde quando o orçamento permitir. Defenda os seus direitos.
#forabolsonaro
https://youtu.be/ROkC9jcRQ1Y
https://www.cartacapital.com.br/cultura/violencia-de-prefeito-contra-musica-de-criolo-se-contrapoe-ao-que-o-rapper-cultiva/
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/09/22/stf-decide-que-e-dever-do-estado-garantir-vagas-em-creches-e-pre-escolas.ghtml
http://pactoensinomedio.mec.gov.br/images/pdf/constituicao_educacao.pdf
https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/prefeito-de-criciuma-autoriza-lockdown-sem-salarios-para-servidores/
https://noticias.ufsc.br/2021/08/reitor-envia-oficio-a-prefeito-de-criciuma-em-resposta-a-sugestao-de-fechamento-de-universidades/
https://ndmais.com.br/politica-sc/video-clesio-salvaro-sinaliza-apoio-para-bolsonaro/
Dois relatórios importantes sobre o atual estado da educação brasileira foram publicados na última semana por instituições oficiais: o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e a CGU (Controladoria Geral da União). Os dados apresentados revelam a tragédia que se abate sobre a educação no Brasil.
Para começar, o desempenho dos estudantes brasileiros piorou em todos os níveis e todas as disciplinas ao longo dos últimos anos. Além disso, caiu 5% o número de matrículas de estudantes no ensino médio, confirmando estudo da UNICEF que mostra que aumentou o número de crianças e adolescentes em idade escolar nas ruas ou trabalhando para os ricos, ao invés de estarem nas escolas se preparando para um futuro melhor. Não fosse o bastante, dobrou o número de crianças no ensino fundamental que não sabem nem ler nem escrever.
Apesar desse cenário aterrador, o governo Bolsonaro conseguiu ser elitista até mesmo da distribuição das verbas da educação. Segundo relatório da CGU, o governo Bolsonaro privilegiou os municípios e comunidades mais abastadas do Brasil com verbas da educação, ao invés dos municípios e comunidades mais carentes, como recomenda o próprio Ministério da Educação. Além disso, o relatório da CGU aponta indícios de acordos escusos e corrupção na distribuição das verbas destinadas à educação pública no país.
Para piorar, a exclusão de crianças portadoras de deficiências aumentou nos últimos anos, com aumento das matrículas em escolas especiais, ao invés das escolas regulares. Dessa forma, o governo federal incentiva a exclusão dessas crianças, para serem educadas de forma apartada do restante da sociedade.
A despeito desse estado de coisas, a proposta orçamentária do governo federal para o ano de 2023 propõe ainda: a) redução das verbas destinadas à educação infantil; b) redução das verbas destinadas à educação fundamental; c) redução das verbas destinadas à alfabetização de jovens e adultos; d) redução das verbas destinadas à construção de creches e escolas; e) redução dramática das verbas destinadas a projetos de inclusão para crianças portadoras de deficiência.
Não vê quem não quer. O governo Bolsonaro é uma tragédia para a educação e o futuro do Brasil, segundo o próprio Governo Federal.
#forabolsonaro
https://g1.globo.com/educacao/noticia/2022/09/16/raio-x-da-educacao-o-que-mostram-o-censo-o-ideb-e-o-saeb-divulgados-nesta-sexta-feira.ghtml
https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2022/09/dois-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-estao-fora-da-escola-no-brasil-diz-unicef/
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/09/gestao-bolsonaro-ignorou-criterio-tecnico-e-facilitou-acordos-escusos-com-verbas-de-educacao-diz-cgu.shtml
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/09/20/decreto-considerado-inconstitucional-e-usado-para-dificultar-acesso-de-criancas-com-deficiencia-ao-ensino-regular.ghtml
https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/artigos/se-depender-de-bolsonaro-nao-ha-futuro-para-a-educacao-no-pais
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/ideb/resultados
Uma pesquisa muito informativa sobre o apoio da população brasileira às políticas deliberadas de cortes nas áreas de educação, ciência e tecnologia, e em particular nos orçamentos das universidades federais públicas, foi divulgada no dia 15 de setembro de 2022. Organizada pelo Centro SoU_Ciência, a pesquisa mostra que 62% da população são contrários a essas políticas deliberadas de cortes. Os trinta e poucos porcentos que são favoráveis ou indiferentes a essas políticas devem falar muito para você.
Quando se analisam os extratos da sociedade que apoiam essas políticas deliberadas de cortes, no entanto, as diferenças são abissais. Enquanto 82% dos pobres e 75% dos negros ou pardos são contrários a essas políticas, cerca de 65% dos ricos e 50% dos brancos são favoráveis ou indiferentes a essas políticas. Os números mostram que, sim, as políticas de cortes nos orçamentos da educação, ciência e tecnologia são parte do projeto de uma elite branca, egoísta, autoritária e insensível às necessidades do país, em particular das frações mais carentes da população brasileira. É fácil compreender por que os ricos apoiam essas políticas e os pobres as rejeitam. Enquanto os ricos podem pagar pela educação de seus filhos e mandá-los estudar no exterior, os pobres precisam ter essas oportunidades aqui mesmo no Brasil e não podem pagar por elas.
Se você acha essa fala exagerada, deveria prestar atenção nas notícias que coincidentemente circularam também ontem, 15 de setembro de 2022:
1- Relatório da UNICEF mostrou que cresceu o número de adolescentes pobres fora das escolas. São cerca de 2 milhões de adolescentes (ou 11% da população nessa faixa etária) fora das escolas, vendendo balas na rua ou subempregados e trabalhando para os ricos.
2- O Governo Federal propôs o corte de 95% das verbas destinadas à construção de casas populares e destinadas às populações mais carentes, para aumentar as verbas do orçamento secreto, usadas de forma ilegítima e imoral para comprar políticos e promover maracutaias sem qualquer transparência.
3- O Governo Federal propôs corte de 60% no orçamento de programas da área de saúde, como o programa de Farmácia Popular, que vende remédios a preços mais acessíveis à população carente, para engordar uma vez mais o orçamento secreto. Você não vê se não quiser. Trata-se de projeto consistente de manter o pobre aprisionado na pobreza e de uso dos recursos públicos para benefício dos ricos.
#forabolsonaro
https://souciencia.unifesp.br/images/PDfs/Noticia_Cortes_Ciencia.pdf
https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/dois-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-de-11-a-19-anos-nao-estao-frequentando-a-escola-no-brasil
https://observatorio3setor.org.br/noticias/governo-federal-corta-95-da-verba-para-moradia-popular/
https://www.cut.org.br/noticias/bolsonaro-corta-59-dos-recursos-do-farmacia-popular-e-50-7-dos-mais-medicos-c7ac
Acabou a novela em torno do processo de avaliação dos programas de pós-graduação brasileiros, referente ao período 2017-2020. Foi homologado no dia 09 de setembro de 2022 o Termo de Autocomposição, que é o nome pomposo que se dá ao acordo judicial a que chegaram o Ministério Público (MP) e a CAPES, em torno dos processos de avaliação dos programas de pós-graduação do Brasil, sendo assim autorizada a divulgação das notas. Por isso, nesse momento já há muita divulgação pública, marketing institucional e reclamações circulando nas redes sociais a esse respeito.
No entanto, uma leitura cuidadosa desse documento mostra de forma inequívoca que não se trata de um acordo sobre o processo de avaliação do período 2017-2020, mas de todos os processos de avaliação a serem feitos no presente e no futuro, com amplo potencial de impacto na vida acadêmica brasileira. Por isso, você deve baixar, ler e debater esse documento, formando a sua própria opinião. Como o documento é muito longo e rico, concentro-me abaixo apenas nos pontos que considero mais importantes.
1) Logo nos considerandos o MP dá o tom do que vem pela frente, dizendo que é necessário aumentar a previsibilidade dos processos de avaliação e aumentar a segurança dos gestores envolvidos com esses processos.
2) Na cláusula primeira o MP diz que o documento não trata do Qualis, cuja composição e critérios vêm sendo questionados na Justiça, e cujo processo de contestação continuará tendo continuidade normal.
3) A cláusula terceira autoriza o processo de avaliação do período 2017-2020, e portanto a divulgação dos resultados, mas cria dois importantes senões: 3a) O rebaixamento da nota de um programa não poderá resultar de novos critérios criados ao longo do período de referência e que não estivessem vigentes no período imediatamente anterior; 3b) a CAPES terá que aceitar interposição de recurso dos programas que tiverem sido prejudicados por novos critérios e está obrigada a repetir a nota do período anterior nesses casos.
4) A cláusula quarta obriga a CAPES a usar os mesmos parâmetros do período 2017-2020 para a avaliação do período 2021-2024, como previsto aqui em vídeo anterior do canal.
5) A cláusula quinta impõe o princípio da anterioridade às avaliações futuras e obriga a CAPES a publicar os critérios de avaliação no início de cada período de referência.
6) A cláusula sexta é um pouco confusa e pode gerar alguma confusão, pois abre espaço para exceções, dizendo que novos critérios poderão ser eventualmente criados, desde que sejam necessários, amplamente divulgados, com períodos de vigência estabelecidos e nunca aplicáveis aos períodos anteriores, o que na prática poderá resultar no uso de critérios diferentes a diferentes momentos dentro de um mesmo período de avaliação.
7) As cláusulas sétima e oitava propõem uma intervenção do MP nos processos de avaliação, pois definem as naturezas dos critérios usados: 7a) privilegiando critérios quantitativos (ou não subjetivos, como descrito no documento); 7b) privilegiando critérios relativos, ponderados pelos números de títulos concedidos, estudantes ou docentes dos programas de pós-graduação avaliados; 7c) coibindo o uso de métricas internacionais e estimulando o uso de critérios nacionais e locais para avaliação de programas dedicados ao estudo de problemas brasileiros; 7d) disciplinando até mesmo a participação de membros internos e externos aos programas nos eventos acadêmicos avaliados.
8) As cláusulas finais impõem ampla divulgação do documento e dos termos acordados e definem penas, caso a CAPES deixe de cumprir o acordado, não deixando dúvidas de que a CAPES é a parte fraca do documento.
Enfim, esse não é um documento que trata da avaliação do quadriênio 2017-2020, mas um documento histórico que impõe um freio de arrumação no processo de ...
[Para a descrição completa com os links, confira o vídeo em https://youtu.be/TuCtlmtLj_k]
Levantamento feito pelo site G1 mostra que mais de 60% do valor real do programa de assistência estudantil, de bolsas concedidas a estudantes carentes vinculados ao PROUNI, foi cortado por esse Governo Federal. As bolsas de assistência estudantil são concedidas a estudantes carentes para que eles possam se alimentar, se movimentar e adquirir livros e material escolar. De um total de cerca de 250 mil bolsistas do PROUNI (cujas bolsas, é importante que se diga, são usadas para financiar as universidades e faculdades particulares), menos de 10 mil (portanto, menos de 5%) recebem o apoio a título de assistência estudantil. Se esse dado já não fosse suficientemente relevante, as bolsas estão congeladas há incríveis 10 anos (como as demais bolsas de graduação, iniciação científica e pós-graduação).
A justificativa que se dá sempre é a da falta de dinheiro. Mas será que isso é verdade mesmo ? Para fins de comparação, se o programa tivesse o tamanho original do que foi lançado em 2012, o custo anual do programa de assistência estudantil seria de 100 milhões de reais por ano, embora tenha sido reduzido a menos de 40 milhões por esse Governo Federal. Pois bem, apenas o orçamento secreto, que nesse Governo Federal já movimentou cerca de 70 bilhões de reais para comprar apoio eleitoreiro e financiar maracutaias Brasil afora, representa cerca de 2000 vezes o valor do programa de assistência estudantil. Se considerarmos que o Governo Federal tenta de forma ilegítima transferir cerca de 6 bilhões de reais da área de ciência e tecnologia para o orçamento secreto, só aqui são mais de 150 vezes o valor do programa de assistência estudantil. Além disso, o programa de assistência social do Auxílio Brasil, importante para o apoio a famílias carentes, representa mais de 150 bilhões no orçamento, ou 4000 vezes o programa de assistência estudantil. Será que não havia espaço aqui para inclusão do apoio aos estudantes carentes ?
Em verdade, não se trata de falta de dinheiro, mas de escolha ideológica. Não há interesse de financiar a libertação do pobre, do indivíduo carente, por meio da educação. O que se deseja é manter a escravidão que mantém o cidadão brasileiro dependente da politicagem nacional. Se você acha que isso é exagero, é porque você não viu o vídeo asqueroso do cidadão bolsonarista que condiciona a concessão de uma marmita ao voto no seu candidato.
#forabolsonaro
https://g1.globo.com/educacao/noticia/2022/09/10/prouni-perde-60percent-da-verba-para-assistencia-estudantil-bolsa-auxilio-esta-congelada-ha-10-anos.ghtml
https://www.infomoney.com.br/politica/governo-manda-orcamento-com-auxilio-brasil-de-r-40500-em-2023-apesar-de-bolsonaro-prometer-r-60000/
https://www.istoedinheiro.com.br/orcamento-secreto-mensalao-bolsonaro/
https://noticias.uol.com.br/colunas/reinaldo-azevedo/2022/09/12/a-marmita-de-ilza-o-empresario-bolsonarista-caridoso-e-a-banalidade-do-mal.htm
É impossível deixar de considerar que a celebração mais importante da década no Brasil foi a comemoração do bicentenário da independência, no último dia 07/09/2022, transformada em evento lamentável por essa gente medíocre que ocupa o Governo Federal. Ao invés de uma festa cívica nacional, o evento foi transformado em culto a um indivíduo ignorante por uma elite branca e burra que despreza a nacionalidade, apesar de se apresentar como patriota frequentemente. Transformado em palanque político, diga-se de passagem com o apoio cínico das forças militares, que promoveram um festival de patetices por todo o Brasil, os discursos do presidente no Rio e Brasília não fizeram uma única referência sequer ao bicentenário, a D. Pedro I ou à nacionalidade brasileira, até porque esse indivíduo não saberia discorrer sobre esses temas.
Os eventos foram solitários, centrado na figura de um presidente ignorante, ao melhor estilo Maduro que ele diz rejeitar, mas cultua. Não estavam lá representantes do Governo Federal, do Congresso Nacional, do povo brasileiro, de nações estrangeiras, com exceção de um constrangido presidente de Portugal. Mas estava presente o "Véio da Havan", símbolo de um país que cultua sua própria estupidez e ignorância. Quando autoridades e representantes se reuniram no Congresso Nacional, o presidente obviamente não estava lá. Não foi feita a inauguração de uma placa, uma estátua, uma exposição, um museu, com exceção do Museu do Ipiranga em São Paulo, mas por iniciativa do Governo de São Paulo.
Enfim, o Sete de Setembro do Bicentenário mostra de forma cristalina a farsa intelectual medíocre que é o bolsonarismo.
O fato de que parte de uma elite branca e burra cultua essa cartilha fala muito sobre o Brasil. As cenas que mostram jovens pobres nos ônibus discutindo com ricos sentados em suas Harley Davidsons em Copacabana falam muito sobre o Brasil.
Que o próximo Governo refaça a festa do bicentenário da independência no próximo dia 02 de Julho de 2023, comemorando o bicentenário da Independência da Bahia, quando as forças de resistência portuguesa foram finalmente derrotadas. O Brasil e a nação brasileira merecem.
#forabolsonaro
https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2022/09/07/bolsonaro-7-setembro-discurso-eleitoreiro.htm
https://www.poder360.com.br/eleicoes/bolsonaro-puxa-coro-de-imbrochavel-para-si-mesmo/
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/7-de-setembro-bolsonaro-diz-que-nao-foi-ao-congresso-porque-tinha-muita-gente-no-cercadinho,1a512599805b4424d2ac05d70bcde6c9cf9evlf9.html
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/09/06/museu-do-ipiranga-e-reinaugurado-oficialmente-em-sp-para-autoridades-e-patrocinadores.ghtml
https://youtu.be/-b2nxIQE4Ko
https://youtu.be/lPTEqp_4GUw
https://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Bahia
A palavra inovacionismo tem sido empregada para designar de forma pejorativa a ideia de que políticas, ações e investimentos públicos devem privilegiar as investigações que estão nos últimos níveis da escala TRL, gerando produtos rentáveis. Embora seja impossível deixar de admitir que a inovação e o processo de transferência de tecnologia constituem gargalos da cadeia do conhecimento no Brasil, o inovacionismo traz consigo algumas contradições intrínsecas que em última instância prejudicam o próprio movimento de inovação.
Em primeiro lugar, parece óbvio que, para que uma boa ideia se encontre no nível 9 da escala TRL, algum dia ela tem que ter passado pelos níveis 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 da escala. Portanto, parece óbvio que uma boa ideia precisa ser apoiada ao longo de todo o processo, para que eventualmente se transforme em um produto comercial e não morra ao longo da cadeia. Logo, os investimentos e políticas públicas precisam ser feitos de forma equilibrada para apoiar ações em todos os níveis de desenvolvimento científico e tecnológico.
A ideia de que só devem ser feitos investimentos nos últimos níveis da escala TRL admite implicitamente que existe um estoque infinito de boas ideias apenas aguardando a oportunidade de serem transformadas em produto. No entanto, nada parece dar suporte a essa ideia; muito pelo contrário, o estoque de boas ideias é pequeno e fugaz, sendo necessário preencher esse estoque todo o tempo.
O estoque de boas ideias é fugaz até porque o investimento privado (que no Brasil é muito pequeno) na cadeia do conhecimento se concentra nos últimos níveis da escala TRL, quando boa parte dos riscos de desenvolvimento já foi suprimido ou mitigado. Portanto, a disponibilidade financeira privada aumenta ao longo da escala TRL, tornando ainda mais importante a participação dos recursos públicos nos níveis mais baixos do desenvolvimento científico e tecnológico.
Finalmente, por conta dos riscos naturais do processo de investigação, é necessário que muitas ideias sejam apoiadas simultaneamente para que uma delas venha a se transformar em um bom produto comercial. Assim, há uma espécie de pirâmide em que o número de boas ideias vai diminuindo, à medida que avançamos na escala TRL, o que torna necessário o afluxo contínuo de incentivos para as investigações conduzidas nos níveis básicos da escala, para que ao menos algumas boas ideias possam um dia se transformar em produtos.
Por tudo o que foi exposto, políticas públicas de inovação não podem ignorar de forma alguma os investimentos em ciência básica e nos níveis intermediários da escala TRL. É necessário, portanto, que as políticas e investimentos públicos sejam feitos de forma continuada ao longo de toda a escala do conhecimento. Lembrando sempre que, como dizia meu velho pai, tudo o que é demais é sobra.
https://youtu.be/lfAflltkxiw
https://youtu.be/6Wvqn1hXSy0
https://www.ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/621013-inovacionismo-causa-distorcao-nas-universidades-a-supervalorizacao-das-areas-com-capacidade-de-produzir-invencoes-rentaveis-entrevista-especial-com-marcos-barbosa-de-oliveira
https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/em-busca-de-uma-alternativa-ao-inovacionismo/
Foi apresentada no dia 29/08/2022 a proposta de Bolsonaro para as áreas de ciência e tecnologia nos próximos quatro anos e é muito simples de compreender: MAIS CORTES !!!! É impressionante a perseguição desse Governo Federal às ações que se fazem nas áreas de educação, ciência e tecnologia no Brasil. Nesse caso, na calada da noite foi publicada a Medida Provisória de número 1136/2022 que impede o uso pleno dos recursos de FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) até o ano de 2017 !!!! Portanto, a proposta avança ao longo de todo o próximo mandato presidencial em meio a um processo eleitoral em que o candidato sequer é o líder das pesquisas.
Apenas para lembrar, o FNDCT é o fundo constituído por fração dos impostos pagos em alguns setores econômicos e cujo investimento em ciência e tecnologia é obrigatório. Mas as ações do Governo Federal foram tantas e tão frequentes no sentido de cortar e contingenciar as verbas destinadas à pesquisa no Brasil, que o Congresso Nacional se manifestou por meio da Lei Complementar de número 177/2021 no sentido de proibir o contingenciamento dessas verbas. Não satisfeito, o Governo Federal promulgou a lei orçamentária PLN 17/2022, tentando tornar bloqueável e contingenciável o que foi tornado incontingenciável pelo Congresso Nacional. Por ser ilegítima, imoral e desrespeitar decisão prévia do Congresso Nacional, a proposta foi reprovada.
Pois bem, passados menos de dois meses o Governo Federal volta à carga com essa medida provisória, tentando obrigar o Congresso Nacional a se manifestar pela terceira vez em relação ao mesmo tema em prazo de um ano !!!! Por ser ilegítima, imoral e desrespeitosa, essa medida provisória tem que ser devolvida imediatamente ao Palácio do Planalto pelo presidente do Senado Federal.
Você deveria se perguntar a quem interessa essa perseguição de morte à pesquisa que se faz no Brasil. A resposta é simples: ela interessa aos fundamentalistas que perseguem as vacinas, e que estão tornando possível o retorno da pólio ao Brasil; ela interessa aos entreguistas que se apresentam como patriotas e pretendem transformar o Brasil numa fazenda descampada, cheia de buracos, coalhada de garimpeiros e cheio de mercúrio; ela interessa aos que desejam que o Brasil seja eternamente dependente dos países do Norte.
Diga não a esse projeto em outubro. #forabolsonaro
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/08/29/mp-editada-nesta-segunda-feira-impoe-limites-para-aplicacao-de-recursos-do-fndct
https://www.congressonacional.leg.br/materias/pesquisa/-/materia/153935
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp177.htm
http://www.finep.gov.br/a-finep-externo/fndct
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Nacional_de_Desenvolvimento_Cient%C3%ADfico_e_Tecnol%C3%B3gico
https://youtu.be/HWwnDA4hy9c
https://youtu.be/QlUBg4Id7Ks
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