Falando com Ciência

Falando com Ciência

By Jose Carlos PintoScience
Download on the App Store

Falando com Ciência episodes

  • China passa EUA como maior e melhor produtor mundial de ciência. EUA reage com Harvardômetro

    Foi anunciado recentemente que a China passou os Estados Unidos como país com maior número de citações nos extratos dos artigos mais citados do mundo. A notícia é importante porque parece mostrar que a China se consolida como maior produtora mundial de ciência, já que há cerca de 5 anos a China é também o país que produz a maior quantidade de trabalhos publicados em periódicos científicos de todo o mundo. Se tomarmos o número de citações como medida de qualidade (o que é muito polêmico, como discutido aqui em vídeos anteriores do canal), seria então possível dizer que no momento a China produz ciência na maior quantidade e com a melhor qualidade do planeta.

    Esse anúncio é muito relevante porque mexe com o imaginário das pessoas e com a geopolítica mundial de geração do conhecimento. Por exemplo, parece fazer sentido perguntar por que motivo um estudante chinês deveria deixar a China para estudar nos Estados Unidos, Canadá ou Europa se na China se produz a melhor ciência do mundo. O problema é que os estudantes chineses são os maiores financiadores das universidades americanas, canadenses e europeias, de forma que essa possibilidade está aterrorizando o sistema acadêmico do Norte. O que pode acontecer então se as universidades chinesas começarem a atrair estudantes de outros países em grande quantidade ?

    Por conta dessas mudanças, há um movimento com o objetivo de resistir e contestar o avanço chinês. Como ? Por exemplo, mexendo nos rankings.

    Você já ouviu falar do Harvardômetro ? O Harvardômetro é um daqueles rankings em que se mexem nos itens e nos pesos até que eles apontem a liderança das universidades americanas e europeias no mundo. Assim, enquanto Harvard não for a universidade número um do planeta, o ranking não está pronto.

    Nesse sentido, lideranças acadêmicas nos Estados Unidos, Canadá e Europa estão dizendo que os chineses produzem mais papers, obtêm mais citações, mas não são os verdadeiros líderes dessas pesquisas, que continuam sendo lideradas por pesquisadores e laboratórios americanos, canadenses e europeus. Fomenta-se, portanto, um item de liderança para trazer esses países de volta ao topo do ranking da produção científica. Pode ir se preparando que esses índices serão copiados e trazidos para o Brasil em breve, de forma que você terá que indicar o número de papers publicados, o seu índice H e o seu índice de liderança, seja lá isso o que for.

    Assim, se você acha que esses rankings são sérios, assista os vídeos anteriores do canal em que falamos desse tema. E se a China passa os Estados Unidos, Canadá e Europa nos rankings de produção científica, a solução é simples: Harvardômetro neles !!!!

    https://asia.nikkei.com/Business/Science/China-tops-U.S.-in-quantity-and-quality-of-scientific-papers

    https://www.science.org/content/article/china-rises-first-place-most-cited-papers?cookieSet=1

    https://youtu.be/xSfpPwL3SaY

    https://youtu.be/cQWlnTyOSig

    https://youtu.be/__ZsAMexiqw

    https://youtu.be/Yt791gcyyzg

    https://youtu.be/Mh_HuS0ykr4

    https://youtu.be/x7CM4qhAJG4

    5 min
  • CAPES divulga o indivulgável e cria interposição de recurso ao que não existe ! É muita maluquice !

    Você certamente já ouviu a frase atribuída a Tom Jobim que diz que "O Brasil não é para principiantes. Você também certamente já ouviu a frase erroneamente atribuída a Charles de Gaulle, mas tudo indica emitida pelo diplomata brasileiro Carlos Souza, que diz que "O Brasil não é um país sério.". Pois é impossível deixar de associar essas frases ao processo de avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação do Brasil, conduzido pela CAPES.

    Para você lembrar, o processo de avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação do Brasil está atrasado e foi contestado na Justiça, que autorizou a continuidade do processo, mas proibiu a divulgação final dos resultados até o fim da querela judicial. Você vai lembrar, como discutido aqui no canal, que a CAPES pode apertar, só não pode acender agora.

    Pois bem, a CAPES anunciou essa semana por meio de uma nota oficial maluca que terminou a fase preliminar do processo de avaliação e que divulgará os resultados para coordenadores e pró-reitores de pesquisa. No entanto, lembra que a eventual divulgação dos resultados da avaliação será responsabilidade dos coordenadores e que, se os resultados vazarem, eles poderão ser responsabilizados criminalmente. Ai, ai, ai, vai levar palmada no bumbum ...

    A nota é maluca porque são quase cinco mil coordenadores de programas de pós-graduação no Brasil. Se você acha difícil manter em sigilo uma história compartilhada por três ou quatro pessoas, imagine por 5000 pessoas ... Se será possível manter o sigilo sem vazamento, só Deus sabe ... Mas em Ministério comandado por pastores, pode ser que haja contato privilegiado com o Nosso Senhor ...

    Se isso não bastasse, a CAPES diz que precisa divulgar os resultados para que os coordenadores que acharem necessário entrem com recurso contra o resultado, para corrigir ou aprimorar o processo de avaliação. Assim, em um processo de direito criativo, a CAPES inventa a interposição de recurso a um resultado não oficial e que não pode ser divulgado. Nesse cenário, o que será exatamente contestado ?

    Eu imagino que os vídeos e gravadores que registram as reuniões de departamento vão quebrar nas reuniões que discutirem o tema. Voltando aos tempos da ditadura, as reuniões também usarão códigos, como "o nosso programa recebeu CINCO computadores, mas merecia mesmo era receber SEIS computadores ..."

    É muita maluquice e parece piada de mau gosto, mas não é. Vamos ver qual será o primeiro coordenador que vai acordar com a Polícia Federal às 6:00 da manhã, para apreender o celular e desvendar que foi o indivíduo que divulgou a nota naquele grupo de zap com coordenadores de pós-graduação ou docentes do departamento. É muita maluquice !!!!

    https://www.pensador.com/frase/ODkw/

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Alves_de_Souza_Filho#:~:text=Em%201962%2C%20ele%20foi%20o,erroneamente%20atribu%C3%ADda%20a%20de%20Gaulle)

    https://youtu.be/mfVGY3_IcVQ

    https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/capes-divulgara-os-resultados-parciais

    https://www.terra.com.br/noticias/dino/cresce-procura-por-cursos-de-pos-graduacao-no-brasil,182516eb1ad13638b2a3d3043898c25dp0p1bdmc.html

    6 min
  • Apoio a startups ou inovacionismo? Programa de apoio a startups pode ser lobo em pele de carneiro

    A palavra inovacionismo tem sido usada de maneira pejorativa para fazer referência à ideia de que as ações e políticas nas áreas de ciência e tecnologia devem ser concentradas na geração de inovações, produtos e serviços rentáveis, em geral nos últimos níveis das escalas TRL e CRL. O inovacionismo pode de fato causar muitas deformações nas políticas públicas de ciência e tecnologia, deformando também as ações de grandes empresas que embarcam nessa onda.

    Não há qualquer dúvida de que os processos de geração de inovação e transferência de tecnologia constituem gargalos da cadeia do conhecimento no Brasil, como atestam todos os rankings de inovação disponíveis no mundo, em que o Brasil sempre ocupa péssimas posições. Até por isso, muitas empresas têm se apresentado como apoiadoras dos processos de inovação, de empresas startups (empresas nascentes) de base tecnológica e de jovens empreendedores. Essa é uma forma que as empresas também encontram de acelerar seus próprios processos internos de inovação, além de fazerem uso do marketing promocional, ao se associarem à ideia de empresa moderna, inovadora e que apoia os jovens.

    Por conta desse contexto, têm chovido programas de apoio a startups e jovens empreendedores no Brasil, apoiados e patrocinados por grandes empresas, o que a princípio pode ser considerado bom. No entanto, do que tratam esses programas de apoio ? É aqui que mora o "x" da questão: a maioria avassaladora desses programas de apoio pretende apenas oferecer mentoria, aconselhamento e orientação, como se tudo o que as startups e os jovens empreendedores brasileiros precisassem fosse de aconselhamento.

    É importante perceber que muitos desses programas de apoio a startups podem constituir inclusive iniciativas de espoliação do trabalho alheio, pois:

    a) garimpam boas ideias de terceiros para se apropriar delas para benefício das grandes empresas;

    b) terceirizam o risco do desenvolvimento, sendo comum a frase de que o empreendedor deve retornar à empresa quando a ideia estiver madura e pronta;

    c) não remuneram o trabalho de desenvolvimento, passando a investir somente no que dá certo e invertendo a lógica do desenvolvimento tecnológico, que é o de apostar em muitas ideias para acertar em algumas.

    Portanto, o que vemos aqui é que atrás de um programa de apoio a startups pode estar um lobo em pelo de cordeiro. O que as startups e jovens empreendedores brasileiros precisam é de projeto, parceria e investimento, não apenas de conselho. Aliás, como diz a sabedoria popular, se conselho fosse bom não seria dado, seria vendido.

    https://www.ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/621013-inovacionismo-causa-distorcao-nas-universidades-a-supervalorizacao-das-areas-com-capacidade-de-produzir-invencoes-rentaveis-entrevista-especial-com-marcos-barbosa-de-oliveira

    https://anpei.org.br/brasil-melhora-posicao-em-ranking-global-de-inovacao-em-2021/

    6 min
  • Vírus da poliomielite detectado em águas residuais. Obscurantismo mata !!! Vacine seu filho !!!

    Uma das notícias mais importantes da semana passada foi a descoberta de que águas residuais (esgoto) nos Estados Unidos e Inglaterra estão contaminadas com o vírus da poliomielite. A notícia é importante porque o contato com fezes constitui um dos modos de contágio da poliomielite. A notícia também é importante porque mostra que o vírus pode estar em circulação em países que não tinham contato com o vírus nem com a doença há décadas. A notícia vem depois do anúncio do aumento do número de casos no Paquistão, no Afeganistão e no Malawi, além do anúncio do primeiro caso em quase 40 anos nos Estados Unidos. A notícia é também terrível porque a poliomielite esteve à beira de ser erradicada do planeta e ser declarada extinta, retornando na esteira do negacionismo, do obscurantismo e do fundamentalismo religioso e ideológico; da ignorância, portanto. Há inclusive sites anunciando que o retorno da doença se deve à vacina, esquecendo que foi exatamente a vacina que permitiu que a doença viesse quase a ser extinta.

    A poliomielite é uma doença horrível que causa paralisia principalmente em crianças, criando problemas pessoais e sociais para toda a vida. Só nos Estados Unidos, antes das campanhas de vacinação iniciadas na década de 1950, cerca de 35 mil crianças eram afetadas de alguma forma por essa doença todos os anos. Admitindo-se uma idade média de 65 anos e trazendo os dados para o dia de hoje, isso representaria um potencial de deixar cerca de 2 milhões e meio de cidadãos com sequelas apenas nos Estados Unidos.

    No Brasil as estatísticas não são muito boas, mas estima-se que apenas entre 1968 e 1989, ano do último caso registrado no Brasil, cerca de 30 mil crianças foram afetadas pela doença. Infelizmente, o risco de a poliomielite voltar ao Brasil é real, pois em 2021 menos de 50% das crianças que deveriam tomar a vacina de fato a tomaram, enquanto na campanha vacinal desse ano de 2022, que estamos vivendo nesse momento, menos de 10% das crianças que deveriam ser vacinadas tomaram a vacina até agora em muitos locais do Brasil. Portanto, depois de 30 anos, o país pode voltar a conviver com essa doença por obscurantismo e ignorância.

    Obscurantismo mata !!!! Vacine seu filho, cara !!!!

    http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/08/movimento-antivacina-fake-news-e-falta-de-mobilizacao-como-se-explica-a-queda-na-cobertura-vacinal-infantil-23255236.html

    https://vilabelaonline.com/pernambuco-realiza-dia-d-de-vacinacao-para-criancas-e-adolescentes-neste-sabado-20/

    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/08/19/rj-tem-uma-das-piores-taxas-de-cobertura-contra-a-poliomielite-no-pais-dia-d-de-vacinacao-acontece-sabado.ghtml

    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/08/21/rio-aplica-61-mil-doses-no-dia-d-de-vacinacao.ghtml

    https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/primeiro-caso-de-poliomielite-em-decadas-e-detectado-em-nova-york/

    https://g1.globo.com/bemestar/noticia/brasil-teve-26-mil-casos-de-polio-de-68-a-89-e-nao-registra-casos-ha-30-anos-entenda.ghtml

    https://portal.fiocruz.br/noticia/com-primeiro-surto-no-brasil-registrado-em-1911-poliomielite-ainda-preocupa

    https://www.poder360.com.br/internacional/nova-york-e-londres-identificam-virus-da-poliomielite/

    https://www.nytimes.com/2022/08/18/health/polio-new-york-malawi.html

    4 min
  • Você conhece as escalas TRL e CRL ? Nas áreas tecnológicas e de inovação, você precisa conhecer

    Se você trabalha nas áreas tecnológicas, pretende desenvolver produtos e processos inovadores ou considera a possibilidade de conduzir atividades empreendedoras, você precisa conhecer as escalas TRL e CRL de maturidade de uma ideia.

    A escala TRL (Technology Readiness Level) foi desenvolvida pela NASA (agência espacial americana) na década de 1970 para classificar de forma padronizada o grau de maturidade de uma ideia, serviço ou produto de caráter tecnológico. A escala varia de 1 a 9, em que 1 se refere ao nível mais básico de desenvolvimento (em que o pesquisador analisa os efeitos de variáveis sobre a resposta de um problema) e 9 se refere ao nível mais maduro do desenvolvimento (em que a tecnologia está pronta para virar um produto comercial). Entre os níveis 1 e 9 encontram-se os vários estágios que caracterizam o desenvolvimento tecnológico, como a validação da ideia, a construção de uma unidade piloto, a construção de uma unidade de demonstração, dentre outros. Assim, mais do que uma escala padronizada de classificação, a escala TRL apresenta de forma didática os vários estágios por que deve passar o desenvolvimento pleno de uma tecnologia.

    De forma similar, a escala CRL (Commercial Readiness Level) foi consolidada pela ARPA (agência americana de projetos avançados) no início dos anos 2000 para classificar de forma padronizada o grau de maturidade comercial de uma ideia, produto ou serviço. A ideia básica é que uma tecnologia pronta para se transformar em um produto comercial ainda não necessariamente está pronta para comercialização. Assim, a escala também varia de 1 a 9, em que o nível 1 caracteriza a identificação de uma oportunidade de negócio, enquanto o nível 9 caracteriza a disponibilidade comercial do produto ou serviço para a sociedade. Entre os níveis 1 e 9 encontram-se os vários degraus de desenvolvimento comercial, como o de amadurecimento das fontes de financiamento, o de atendimento de demandas específicas do mercado e a caracterização do valor do produto ou serviço para o cliente. Como no caso da escala TRL, mais do que uma ferramenta de classificação, a escala CRL apresenta de forma didática os vários estágios necessários para o desenvolvimento pleno de um produto comercial.

    Assim, se você trabalha nas áreas tecnológicas e tem intenção de desenvolver atividades inovadoras ou empreendedoras, você precisa estudar as escalas TRL e CRL. Até porque editais públicos e privados de financiamento destinados a essas áreas têm exigido com frequência o enquadramento das ideias propostas nessas escalas.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Technology_readiness_level

    https://grantedltd.co.uk/funding-blog/what-is-crl/

    https://arpa-e.energy.gov/sites/default/files/ARPA-E%20T2M%20Plan%20Template%20rev.%204-30-14.docx

    6 min
  • Antes de enviar sua próxima mensagem eletrônica, cheque aqui algumas recomendações

    Uma das características mais marcantes do mundo digital é que estamos todos afogados por informações, mensagem de e-mail, mensagens de zap e outros tipos de comunicação eletrônica. Por isso, é praticamente impossível processar em tempo real e todos os dias todas as mensagens que recebemos, o que gera o inevitável acúmulo de mensagens não lidas e não respondidas. Isso não quer dizer que todas as mensagens recebidas sejam igualmente importantes, mas como saber isso a priori, antes de ler a mensagem ? Como essa é uma experiência por que passamos todos nós, talvez você possa apreciar algumas dicas sobre como lidar com aquela sua próxima mensagem importante.

    1) Privilegie sempre o contato pessoal, sempre que possível. Faça uma ligação no telefone, bata na porta da sala do colega, visite o colega no laboratório para bater aquele papo relevante. Procure sair de trás da tela.

    2) Uma mensagem que gera uma pergunta talvez não deva ser respondida por meio eletrônico, mas sim gerar uma ligação telefônica ou um contato pessoal. Lembre-se que a mídia eletrônica não constitui um meio apropriado para conversas técnicas nem pessoais.

    3) Se uma mensagem é importante ou urgente, dê um jeito de avisar o colega que a mensagem precisa ser lida e respondida. Não basta dizer que a mensagem foi enviada e que o problema agora é de outra pessoa.

    4) Se uma mensagem importante não foi respondida, insista com gentileza. Dê um jeito de reenviar a mensagem, para que ela volte ao topo da lista ou saia da pasta de SPAM.

    5) Especifique o título da mensagem com clareza, para que seja mais fácil identificar em meio ao lixo eletrônico a importância daquela mensagem enviada.

    6) Agradeça o atendimento eletrônico sempre. Embora isso possa gerar mais lixo eletrônico de forma aparentemente desnecessária, o fato é que gentileza é tudo e que a pessoa do outro lado precisa saber que a resposta foi recebida com gosto.

    7) Copie colegas importantes na mensagem sempre que for cabível, como secretárias, orientadores, colegas de projeto, dentre outros. Embora isso possa gerar mais lixo eletrônico de forma desnecessária, esse procedimento aumenta a chance de que aquela informação seja processada com eficiência.

    8) Use e-mail institucional sempre que possível para mensagens importantes, pois isso facilita a classificação das mensagens e a confiabilidade da comunicação estabelecida.

    9) É muito importante lembrar que textos escritos em mensagens eletrônicas usualmente não carregam emoções, de maneira que você não deve tentar interpretar os sentimentos e intenções dos colegas. Se você ficou na dúvida a respeito das intenções da mensagem ou ficou ofendido com o conteúdo do texto, procure o colega pessoalmente para dirimir a dúvida. Lembre-se uma vez mais que o meio eletrônico não é apropriado para discussões pessoais.

    Considere essas dicas nas suas próximas comunicações, mas privilegie o contato pessoal, a voz, o olho no olho, sempre.

    6 min
  • Quando "o ótimo é inimigo do bom" pode trazer importantes ensinamentos para o jovem pesquisador

    Você certamente já ouviu a frase "o ótimo é inimigo do bom", atribuída a Voltaire, importante filósofo francês do século XVIII. De fato, essa frase repetida à exaustão na academia, pode trazer importantes ensinamentos para o jovem pesquisador. Talvez seja possível resumir esses ensinamentos em dois pontos principais:

    a) é preciso ter foco para fazer o que verdadeiramente é importante;

    b) todo trabalho precisa ser dado por terminado um dia.

    No primeiro caso, é preciso lembrar que todo bom trabalho de pesquisa abre muitas portas, abre novas trilhas, desperta curiosidades e levanta novas indagações, não sendo possível discorrer sobre todos os problemas enfrentados simultaneamente, em particular quando há limitações de ordem orçamentária ou restrições de tempo para a execução do trabalho. Por isso, é preciso ter disciplina para manter o foco e executar as atividades que ajudam a mostrar a tese que se pretende apresentar, deixando as novas indagações para avaliações futuras.

    No segundo caso, é preciso reconhecer que todo trabalho precisa ser terminado em algum momento, até para que possa ser continuado por outro investigador ou abordado pelo próprio pesquisador em uma nova fase da investigação. Além disso, é preciso considerar que o polimento das ideias e dos dados costuma demandar cada vez maior investimento de HH e mais tempo de execução para obter um avanço cada vez menor. Assim, depois de revisar a tese dez vezes, talvez não faça qualquer sentido revisá-la uma décima-primeira vez. Aliás, com muita frequência o perfeccionismo costuma ser utilizado como ferramenta psicológica e de forma inconsciente para procrastinar a entrega de um trabalho.

    Com frequência a frase de Voltaire é confrontada com a frase de Jim Collins, gestor americano, que propôs que "o bom é inimigo do ótimo", no sentido de que deixamos de atingir a excelência se nos acostumarmos apenas com o trivial. Contudo, essas frases não são antagônicas, mas complementares, pois Voltaire jamais convidou os seus ouvintes a fazer por menos ou fazer de forma despreocupada, mas a fazer o melhor possível com foco, determinação e sabendo que será preciso terminar o trabalho, já que as restrições de tempo e orçamento são inevitáveis no mundo real. Portanto, pode ser importante considerar que com frequência o feito é melhor que o perfeito.

    https://youtu.be/ZFkPmCjaino

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Voltaire

    https://quemdisse.com.br/frase/o-otimo-e-inimigo-do-bom/12980/

    https://caputconsultoria.com.br/artigos317-o-bom-e-inimigo-do-otimo/

    https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/nova-economia-com-joao-kepler/feito-e-melhor-do-que-perfeito/

    5 min
  • Onde estiverem o obscurantismo e o autoritarismo, o verdadeiro acadêmico estará do outro lado

    Sem qualquer dúvida, os fatos mais relevantes ocorridos nessa semana foram as manifestações do dia 11 de agosto de 2022 a favor da democracia e do estado de direito, que aconteceram em todo o Brasil. Assim, a data de 11 de agosto vai aos poucos se transformando numa espécie de dia nacional em defesa da democracia e do estado de direito. Mas, em verdade, é uma pena que manifestações como essa ainda tenham que ocorrer no Brasil, de pois de tudo o que o país viveu. Você deveria ler o livro "Tortura Nunca Mais" para entender a estupidez do regime autoritário e armado.

    O golpe de primeiro de abril de 1964, sim, primeiro de abril de 1964, apesar de comemorado pelos reacionários em 31 de março, ocorreu há 58 anos atrás e, portanto, a maioria de vocês sequer era nascida. Eu mesmo nasci em 1963 e não tenho obviamente qualquer lembrança desse fato histórico. Portanto, é fácil você compreender que as verdadeiras viúvas do golpe de 1964 são velhos reacionários que querem transformar a vida dos jovens para pior. Os ignorantes que apoiam essa estupidez são apenas massa de manobra. Não seja um deles.

    Apesar disso, eu vivi a minha adolescência em um regime de exceção e lembro de minha mãe fechando as janelas para que os vizinhos não ouvissem as opiniões de esquerda e progressistas de meu pai, para que a família não viesse a ser prejudicada. Testemunhei também a queima de livros de sociologia, para que parentes não viessem a ser acusados de comunistas, esquerdistas ou insurgentes. Sim, porque como discutido aqui em vídeo anterior do canal, esses senhores detestam o conhecimento, a discussão aberta e os esforços para que mantenham os seus privilégios de ganhar salários de 1 milhão em meio a uma crise pandêmica que solapou a vida de milhões de brasileiros. E esses indivíduos ainda têm a cara de pau de se apresentarem como patriotas.

    Por tudo isso, é um orgulho que essas manifestações em favor da democracia e do estado de direito tenham como epicentro a Faculdade de Direito da USP - a Academia. E não se engane: onde houver autoritarismo e obscurantismo, o verdadeiro acadêmico estará certamente do outro lado.

    https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/08/11/ato-em-defesa-da-democracia-e-do-sistema-eleitoral-reune-artistas-juristas-empresarios-professores-no-brasil.ghtml

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil:_Nunca_Mais

    https://www.estantevirtual.com.br/livros/tito-oscar/tortura-nunca-mais/1501395055

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_Tortura_Nunca_Mais

    https://www.cnnbrasil.com.br/politica/dados-da-transparencia-mostram-salarios-de-ate-r-1-milhao-pagos-a-militares-em-2020/

    https://youtu.be/tUlbt2WI_3o

    4 min
  • A vida acadêmica é constituída por uma profusão de ciclos que se abrem, fecham e tocam todo o tempo

    A vida acadêmica é caracterizada por uma profusão de ciclos que se abrem, fecham e interconectam com diferentes períodos e amplitudes todo o tempo. Há, por exemplo, o longo ciclo do pesquisador, que usualmente se inicia com um trabalho de iniciação científica, continua na pós-graduação, atinge a plenitude em alguma posição formal de investigador e eventualmente termina com a aposentadoria. Há o ciclo mais curto do pós-graduando, que chega a um laboratório, se mistura e interage com o ambiente, assume algumas responsabilidades de liderança e eventualmente termina com a titulação, quando o pós-graduando deixa o laboratório para continuar sua própria trajetória de pesquisador. Há ciclos ainda mais curtos, como o do estudante em uma disciplina, que faz descobertas, se envolve com um tema particular e posteriormente aprofunda as descobertas na pesquisa ou fecha essa porta depois de terminadas as atividades obrigatórias. Há também ciclos caracterizados por atividades administrativas ou de apoio, caracterizadas por períodos que variam com a natureza e extensão das tarefas que precisam ser executadas.

    Enfim, de forma poética podemos associar a vida acadêmica a uma enorme profusão de planetas que giram com diferentes amplitudes e períodos em torno de diferentes eixos temáticos. Esses muitos círculos interagem de forma intensa, porque cada ciclo envolve muitos indivíduos e cada indivíduo participa de muitos desses ciclos. E assim estamos todas sempre começando, continuando e terminando algo; aliás, como na vida.

    Por isso, é preciso estar atento e motivado para identificar e trilhar os novos ciclos que se iniciam, assim como estar resolutos e tranquilos com os ciclos que se fecham regularmente. Dessa forma, a vida acadêmica proporciona a alegria constante da nova descoberta e a felicidade permanente da tarefa concluída de forma bem feita.

    Sou trazido a esses pensamentos porque agora mesmo estou fechando disciplinas de graduação, iniciando novas disciplinas de pós-graduação, corrigindo as teses concluídas e planejando os novos projetos de orientação. E, ainda mais importante, iniciando a trajetória de ser avô.

    https://youtu.be/O8diLRSTrig

    4 min
  • Escolha o tema da tese com calma e com o coração, pois a motivação na pesquisa é fundamental !

    Um dos aspectos mais importante de qualquer curso de pós-graduação, por obviedade, é a escolha do tema da tese de mestrado ou de doutorado. Apesar disso, esse é um aspecto que não está completamente pacificado. Em alguns cursos de pós-graduação, o candidato precisa escrever uma proposta detalhada do projeto de pesquisa para que a candidatura seja avaliada e eventualmente aceita. Em outros cursos de pós-graduação, o tema é escolhido ao longo do primeiro ano de atividades, de forma que na entrada o estudante deve manifestar apenas os interesses genéricos que tem nas linhas de pesquisa do programa. É comum ainda que o estudante tenha que escolher o tema da pesquisa a partir de uma espécie de cardápio apresentado pelo programa ou eventual orientador, enquanto há programas em que o tema vai sendo construído de forma negociada com o orientador ao longo do primeiro ano de atividades.

    De minha parte, eu prefiro o modelo em que a tese vai sendo construída e negociada com o orientador ao longo do processo de pesquisa. As razões para a minha escolha pessoal são várias. Em primeiro lugar, é preciso que o estudante esteja legitimamente interessado e motivado com o trabalho a ser realizado, pois as atividades de pós-graduação são usualmente extensas e envolventes. Da mesma forma, é preciso que o orientador conheça o tema e esteja motivado para ajudar o estudante a construir a estrutura pretendida. Adicionalmente, o tema só amadurece com a leitura e revisão detalhada da literatura, o que só é normalmente executado durante a própria atividade de pesquisa. E não devemos esquecer que as pessoas e os achados científicos são dinâmicos, de forma que a revisão pode revelar aspectos novos que o estudante desconhecia e estimular mudanças de rota na trajetória da investigação, além de consolidar as tendências mais relevantes e atuais na área de atividades escolhida. 

    Por todas essas razões, não escolha o tema da sua tese de forma processual ou burocrática. Afinal, o trabalho realizado é usualmente mais importante para a carreira do pesquisador do que o título propriamente dito. Por essa razão, quando um estudante me pergunta que temas posso oferecer, eu normalmente inverto a pergunta e indago: o que você pretende fazer ?

    https://youtu.be/VL4LuouQG-o

    4 min

About Falando com Ciência

From the publisher's feed

Vamos comentar sobre os aspectos, muitas vezes polêmicos, do dia a dia da pesquisa que se faz pelo Brasil, nos Institutos de Pesquisa e nas Universidades.