Como os latino-americanos lidam com o dinheiro?
A pandemia acelerou o processo de bancarização na América Latina. Atualmente, cerca de sete em cada dez latino-americanos são titulares de conta, quatro deles abriram a conta para receber auxílios emergenciais dos governos.
Mas, apesar do crescimento da inclusão financeira e do grande volume de transações digitais, esse movimento não se traduziu numa mudança de comportamento na região. A maioria das pessoas ainda prefere usar o dinheiro vivo.
Como incluir efetivamente essas populações ao sistema? Como ajudá-las a ter uma vida financeira saudável? Como desenvolver jornadas para acelerar essa transformação? Essas questões foram discutidas por representantes de 27 países, reunidos no Congresso Latino-Americano de Educação e Inclusão Financeira 2022.
Durante os dois dias de evento, em parceria com a Felaban (Federação Latino-Americana de Bancos) e apoio do Banco Central do Brasil, os participantes trocaram experiências de como estão mobilizando os diferentes atores, públicos e privados, para colocar a saúde financeira no centro da agenda dos governos e instituições financeiras.
Compartilharam as iniciativas e programas de educação financeira, bem como as melhores estratégias para se chegar às populações mais vulneráveis e carentes. E discutiram a importância de se criar métricas e indicadores para mensurar os impactos desse processo. A maioria dos países já lançou o seu índice de saúde financeira, inclusive o Brasil.
Apesar dos diferentes contextos dos países latino-americanos, os desafios e as soluções são muito semelhantes. E todos são unânimes: a inclusão e a educação financeiras podem alavancar o desenvolvimento humano e sustentável em toda América Latina.
Todo esse conteúdo foi reunido nesta série especial de 4 capítulos da FEBRABAN NEWS, sobre a saúde financeira na América Latina. Neste primeiro, vamos focar nos desafios para conscientizar os diferentes setores da importância estratégica dessa questão para o empoderamento das pessoas e para o desenvolvimento regional. Há estudos que mostram que a inclusão e a educação financeiras podem levar a um incremento do PIB de até 14% nos países em desenvolvimento.
Mona Dorf, jornalista, Diretora- Adjunta de Mídias Sociais da Febraban.
Maurício Moura, Diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central do Brasil.
Nancy Widjaja, Assessora de Políticas do Advogado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para Financiamento Inclusivo para o Desenvolvimento, UNSGSA.
Eric Usher, Head da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – UNEP.
Alan Gómez, VP de Sustentabilidade e Coordenador do Comitê de Sustentabilidade da Associação de Bancos do México (ABM).
Saniya Ansar, Economista Líder do Banco Mundial.
Amaury Oliva, Diretor de Sustentabilidade, Cidadania