Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

By Felipe SimãoArtsBooks
Download on the App Store

Felipe Simão - Poesias episodes

  • 13 - Pepeu Papeca

    Pepeu Papeca era um bom menino,

    sabia se comportar,

    Pepeu papava tudinho,

    não deixava nada no prato sobrar,

    Pepeu papava tudinho,

    no café, no almoço e no jantar,

    não deixava cair a peteca,

    não deixava a comida estragar

     

    Mas Pepeu Papeca

    gostava mesmo era de papar... cheiro-verde,

    Pepeu papava tudinho,

    não deixava nem o prato esfriar,

     

    Nada saciava a sua sede,

    até que um dia Pepeu Papeca

    conheceu uma garota sapeca

    e nunca mais quis saber de cheiro-verde,

    seu nome era Pâmela Papeco,

    era menina, mas também brincava de boneco

     

    Pepeu cresceu e virou príncipe,

    e Pâmela se tornou a sua princesa,

    os dois formavam um casal de muita lindeza

     

    Pepeu virou cavaleiro da tempre

    ela subiu na garupa do seu cavalo

    e os dois foram viver felizes para sempre

    1 min
  • 12 - Parlenda do rejeitado

    Eu queria ser prefeito

    duma cidade sem confim

    Eu queria fazer tudo do meu jeito,

    e escrever a história até o fim

     

    Eu queria que não apontassem os meus defeitos,

    que não tivesse de guardar todo amor só para mim,

    que ignorassem meus trejeitos,

    e entendessem o meu latim

     

    Eu queria ser mais afeito,

    mais amado enfim,

    queria ser eleito

    dono de mim

     

    Eu queria ter mais coragem no peito,

    ir até o fim,

    queria ter mais respeito

    ser um rei, um delfim

     

    Eu queria lutar pelo meu direito,

    ser um guerreiro ou um anjo serafim,

    queria vencer o preconceito

    e que os outros confiassem em mim

     

    Eu queria ser perfeito,

    porque errar tem um gosto ruim,

    eu queria ser aceito,

    porque é muito triste viver assim

    1 min
  • 11 - Poesia esquecida

    Uma página mal passada,

    deslida,

    do caderno não foi transcrita,

    poesia recém-nascida,

    pobrezinha, ficou para trás, foi esquecida,

    largada como um bebê numa caixa de sapato;

    era tão bonita

    e nunca teve um leitor de fato,

    quão cruéis podem ser dois dedos ao esfregar umas folhas

    de papel!

    Deixaram uma obra-prima ao léu,

    uma trova com sabor de arco-íris

    e outras doçuras do céu,

    uma poesia que não se casou,

    nunca fez uma viagem de lua-de-mel,

    sequer noivou,

    nunca vestiu o véu,

    ficou para as traças,

    uma solteirona cerrada num pedaço de papel

    1 min
  • 10 - Magnitude

    Olho para a copa das árvores e vejo o sol escapando pelos

    galhos

    olho para a roxidão da noite e vejo as estrelas

    salpicando no céu

    em tudo há uma beleza contida,

    que escondida foge aos nossos olhos apressados,

    desatentos ao que realmente importa,

    mas quando paro e começo a caminhar sem pressa,

    o universo parece que por mim se interessa

    e cheio de atitude

    começa a me mostrar a sua magnitude,

    a sua grandeza

     

    O mundo tem tantas texturas,

    tantas cores,

    que é impossível aos meus olhos captar todas

    e talvez essa seja a sua grande beleza

    1 min
  • 9 - O gato

    Um dia,

    de repente,

    o gato deu vida a fantasia

    de agir como gente,

    começou a ficar de pé nas patas traseiras,

    a gesticular com as dianteiras,

    empinou-se num andar galante,

    empossou-se dum gestual elegante;

    aprendeu a se sentar na mesa,

    a comer com garfo e faca na maior destreza,

    a usar o toalete,

    a limpar com guardanapo sua boca suja de croquete,

    desimpressionou-se da luz a laser,

    dos ratinhos de borracha

    e até de sua bola,

    passou a detestar o apelido de “Frajola”

    em caçar não via mais beleza,

    nunca mais comeu ração,

    só queria saber de comida francesa;

    aprendeu até mesmo a jogar xadrez e dominó

    começou a trajar paletó,

    às vezes colete,

    gravata comprida,

    às vezes borboleta,

    monóculo,

    cartola

    bengala,

    o felino, incrivelmente, aprendeu a falar,

    e fazia sala

    para as visitas,

    que figura atraente,

    com sua fala mansa e envolvente

    era agradável demais,

    bastante cortês

    e muito sagaz

    sabia contar piadas como ninguém,

    dominava a arte do flerte cordial

    e tinha sacadas geniais,

    tratava os humanos na maior camaradagem,

    só numa coisa permanecia selvagem,

    dispensava cinto, suspensórios, todo tipo de alças

    o bichano se recusava a usar calças,

    detestava também usar calçados,

    deixava todos avisados,

    não era coisa para gato,

    a moda de usar sapato,

    tamanha cafonia,

    ele até escreveu uma sinfonia

    com um complicado arranjo de notas

    deixou exposto

    o seu repúdio ao mau gosto

    do Gato de Botas

    3 min
  • 8 - Bicho do azar

    Tenho muitas coisas a fazer,

    mas hoje é dia de azar,

    é melhor esquecer,

    é melhor ficar quieto,

    não é bom sair de casa em dias de azar,

    a má sorte vira uma bola de neve que não para de rolar;

    não adianta insistir em fazer as coisas darem certo,

    quando certo mesmo é o nosso azar

     

    Tem hora que o Bicho-do-azar gruda no nosso pé

    não solta de jeito nenhum, não arreda pé,

    maldito bicho do azar,

    quando ele agarra não quer mais largar

     

    Mas de repente, uma hora,

    o bicho do azar se catapulta feito catapora,

    do nada some, vai embora;

    é bicho de fase, é de lua

    quando dá o tempo, finalmente

    ele larga a gente

    ganha a rua

    o que a gente não pode é achar

    que o Bicho-do-azar

    está sempre no nosso lar

    2 min
  • 7 - Colheita

    Fui à Lagoa,

    perambular à toa,

    e como sempre

    colhi umas estrofes

     

    A natural beleza sempre inspira

    as palavras pairam pelo ar daquele céu de poesias

    se pode tocar letra por letra

    como frutas num pomar;

    uma por uma se retira,

    vencendo doces dilemas,

    e assim nascem, de um em um, os poemas

    1 min
  • 6 - O gato

    O gato hipnotiza com seus movimentos,

    com seu jeito de brincar,

    o gato amolece o coração,

    com seu ronronado,

    sua doçura de miar

     

    O gato é o que não deixa esse apartamento ser vazio,

    ele caça ratos,

    caça insetos,

    caça também a depressão,

    despedaça o mal-estar,

    deita do meu lado no colchão

    e faz dessas paredes um lar

    1 min
  • 5 - Amores e amoras

    Por que choras?

    Por que choras,

    Marilena,

    se a vida é feita de amores e amoras

    e doces rimas de poemas?

     

    Por que vais para longe?

    Por que queres morar na casa do Conde,

    Mariana,

    se a vida dura muito mais que uma semana?

     

    Por onde se esconde?

    Por que te escondes,

    Giuliana,

    se é tão bonito o horizonte,

    se amores tens aos montes

    e a rima para o fim da vida está longe de se achar?

    1 min
  • 4 - Amanda

    Ó mulher, que não me conhece,

    que nunca me viu e já me esquece

    A tua voz

    desata todos os meus nós,

    desata meu coração

    nos acordes da canção,

    a tua voz, doce voz,

    ela me faz pensar o que seria de nós,

    um amor platônico,

    um amor icônico,

    uma cantora famosa,

    e um poeta desconhecido

    uma bela rosa

    e um capim enxerido,

    a dizer “bom-dia”,

    inesquecível manhã seria,

    mas não és mais que uma mera ilusão

    e eu só posso te amar no meu coração

    1 min

About Felipe Simão - Poesias

From the publisher's feed

Todas as poesias publicadas de Felipe Simão.