Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 3 - No Reino da Espanha

    O gato se assanha

    e arranha

    o sapato da rainha da Espanha

     

    O rato com façanha

    o queijo apanha

    e no buraco se entranha

     

    O pato com fome tamanha

    bica a lasanha

    e com o cozinheiro se estranha

     

    A aranha se assanha

    cheia de manha,

    pica o rei da Espanha

     

    O príncipe se assanha

    e faz campanha

    para assumir o Reino da Espanha

     

    O rato com fome tamanha

    larga de manha

    e come a aranha

     

    O gato com façanha

    o rato apanha

    e começa a preparar a sua lasanha

     

    O pato com o gato se estranha,

    um bica, o outro lanha,

    mas no final o pato ganha

    O gato solta o rato,

    o rato cospe a aranha,

    a aranha o piso arranha

    quando é esmagada pelo sapato da rainha da Espanha

     

    o rato é preso pelo meganha,

    pois com cara de pau tamanha

    tentou furtar a coroa da Espanha

     

    O gato com suas botas lustradas de banha,

    do príncipe a coroa apanha

    e salva o Reino da Espanha

     

    O pato com medo da sanha

    do cozinheiro que queria a sua entranha

    fugiu para o Reino da Alemanha

     

    Nem mentira, nem fato,

    essa estória é o retrato

    da artimanha

    que aconteceu no Reino da Espanha

    2 min
  • 2 - Menino endiabrado

    Quando eu era pequeno diziam:

    “Esse menino é o diabo”,

    a verdade é que eu só fazia muitas perguntas

    e de respondê-las os adultos se eximiam

    a verdade é que o diabo está no ombro esquerdo de cada um

    de nós,

    é um papagaio que repete suas ideias maldosas,

    mas no ombro direito fica um anjinho que lhe serve de

    algoz

    pondera com palavras caridosas

    é linda sua voz

    como canto de um canário,

    posto o cenário,

    a que mimos consentir?

    Nenhum deles estabelece uma ordem a se cumprir,

    somos nós que decidimos a quem ouvir

    2 min
  • 1 - Selva de Letrinhas

    Bem-vindos à Selva de Letrinhas,

    onde as vírgulas crescem feito ervas daninhas;

    um livro de poesias encantadas,

    com versos desalinhados,

    para crianças comportadas

    e adultos malcriados

    1 min
  • Sonho de uma noite de verão (Amadeus Adamastor)

    A vida é muito cansativa

    a rotina que nos castiga

    todo dia, uma luta,

    o trabalho é muito, o salário é pouco

    o que é duro fica mole

    o que maciço fica oco

    a gente seco engole

    a maldita da labuta

    o teu chefe é um grande filho de Deus sem compaixão

    o nosso destino nunca está na nossa mão,

    com tantas preocupações

    dívidas, papeladas, taxas de colesterol

    nessa vida privada de emoções,

    a gente nem vê pôr do sol,

    e com todo esse caótico reato

    quem é que vai pensar em teatro?

    Ainda mais com esse cara chato

    que não se cala

    e fala tudo rimando

     

    Meu nome é Amadeus Adamastor,

    poeta trovador,

    transeunto trazendo trovas travessas,

    travando batalhas com a melancolia,

    nas avessas da escuridão meu lirismo fura,

    levo meu encanto a todos os cantos do mundo,

    do mar de prantos ao arvoredo da lamentação,

    até a terra mais dura,

    onde só brota o capim mais vagabundo

    Adamastor é nome portador de alegria,

    pois mesmo se o seu dia foi ruim,

    quando lua paira sobre o céu enfim,

    meus versos velejam banhados de auspiciosidade

    ah que tranquilidade,

    a noite acalma os nossos pensamentos,

    é quando relembramos nossos doces momentos,

    é o fim do começo de uma nova esperança,

    relaxa na cadeira, pois a noite é uma criança,

    vê o céu tão cândido,

    perde-te nos pontilhados risonhos das estrelas

    a noite é portadora dos sonhos e pelas

    asas do Pégasos de Morfeu

    volta ao mais lindo sonho teu,

    mergulha no luar bracicândido,

    o luar é afeito,

    é sereno

    de amores pleno,

    mais que perfeito

    não há melhor jeito que se entregar

    aos braços da ilusão,

    amar com poesia,

    se lambuzar nos lábios da fantasia,

    não há nada melhor que sonhar

    numa noite de verão

    3 min
  • Extra - Florípedes

    Quem foi que disse que o amor é só

    para dois,

    larga essa ideia feijão-com-arroz,

    e que venham três,

    e que venham seis,

    e que venha do além

    para dizer amém

    antes de dormir,

    deixa sentir o calor da paixão;

    o coração

    é uma porta por onde entram mais de

    um,

    e de um em um

    se faz do amor uma imensidão

    1 min
  • Extra - Eu gosto de ser eu mesmo
    Eu gosto,
    eu gosto,
    eu gosto de ser eu mesmo
     
    Eu gosto,
    eu gosto,
    eu gosto de ser eu mesmo
     
    Eu gosto,
    eu gosto,
    eu gosto de ser eu mesmo
     
    Quem não gosta de mim
    é pessoa de espiritualidade oca,
    de ódio fica louca,
    e se rasga do cu até a boca
    gosto de ser assim,
    ter que mudar,
    só para agradar,
    é o fim,
    pensamento de sensatez cru
    que todos tomem no meio do cu
    não me importo com o alheio tenesmo,
    eu gosto é de ser eu mesmo
    1 min
  • 40 - Perverso

    O homem mais perverso,

    mais cruel que existe

    nem adianta desiste

    nada vai me impedir de lançar meu

    verso

    processo

    soco

    faca

    bala de fuzil

    uma corrida pela vida

    na Avenida Brasil

    o meu corpo é fechado,

    me mandaram pro inferno,

    mas eu comi o cu do diabo

    e tô de volta

    ninguém me dá volta

    ninguém me para

    ninguém se compara

    e se alguém ainda achar que vai me

    derrubar

    eu sou praga

    peste

    cabra

    da peste,

    cresço na brecha

    escapo da flecha

    eu cresci matando bala de canhão no

    peito

    não tem jeito

    vocês vão ter que me aturar

    1 min
  • 39 - Intolerância religiosa [CENSURADA]
    §@# &0 ¢# de “Deus”!
    Vocês se incomodaram com esse
    primeiro verso,
    eu já sei,
    é o ofensivo, eu confesso
    mas não me calarei,
    minhas críticas eu não cesso
    e não me peçam,
    afinal de contas vocês também não
    cessam;
    vocês são maioria e o meu único
    recurso é o xingamento,
    você colocam “Deus” em tudo,
    em cada discurso,
    cada agradecimento,
    cada frase ou expressão,
    porra, até na Constituição!
     
    Nossos pecados são distintos,
    mas todos somos pecadores,
    se me acusam de heresia,
    eu os acuso de hipocrisia;
    vocês me entediam com esse seu
    prosaico,
    defendem o Estado laico,
    que entre as religiões deve haver
    paz,
    mas impõem o crucifixo nos tribunais
    e no Cogresso Nacional,
    com dinheiro púlico construiram a
    catedral
    de Brasília,
    que aliás, é capital do Brasil
    ou só mais um capital das sua
    hipocrisias?!
     
    §@# &0 ¢# de “Deus”!
    Vocês não perdem a vez
    insistem em colocar “Deus” até no
    coração de quem não o quer
    Coríntios, 11:3,
    Crsito é o cabeça do homem e o homem
    o cabeça da mulher,
    eu não quero ser o cabeça ou ter a
    cabeça de ninguém,
    a igualdade tem que ser a que vocês
    propõem,
    liberdade até onde você põem
    um livro sagrado que sangrou várias
    cruzadas;
    vocês simplesmente não aceitam que
    existam ateus,
    só me resta blasfemar contra o
    senhor dos hebreus,
    então, §@# &0 ¢# de “Deus”!
     
    Vocês cultuam uma entidade que nem nome
    tem,
    “Deus” não é um nome
    é só um substantivo com letra
    maiúscula;
    vocês se assustam quando eu falo:
    §@# &0 ¢# de “Deus”!
    Sim, eu disse de novo,
    perdi esse medo infantil,
    deixei de ser bobo;
    “Deus” é uma mentira que contaram
    quando vocês eram crianças
    e puta que pariu!
    Até o hoje vocês seguem acreditando,
    porque ninguém a desmentiu,
    como fizeram com o Papai Noel,
    vocês deveriam se importar mais com
    a terra
    e se esquecer do céu!
    Generosidade só na noite de Natal?!
    Só porque alguém vai passar a mão na
    cabeça no juízo final?!
    2 min
  • 38 - Dona Clyssia
    Dona Clissya,
    não posso nem chamá-la de vadia,
    antes isso fosse, o saco do seu
    marido esvaziaria
    e não encheria o meu;
    parece que a senhora nunca fodeu!
    Tanto mau-humor só pode ser falta
    duma boa carícia;
    não sei se a senhora fode mal
    ou é mal fodida,
    em caso tal
    fico com a dupla medida;
    Dona Clissya,
    sua xota de virginal imperícia
    atenta contra o seu marido de pica
    mole,
    que seco engole,
    as suas patacoadas
    atenta contra seus filhos
    que de bocas caladas
    acatam as suas ordens,
    a sua casa é um recinto evangélico
    de desordens
    me disseram que pinto de evangélico
    não sobe
    e pelo seu mau-humor, parece ser
    verdade,
    não tem cessar a sua vildade,
    afinal, não se apaga o fogo que o
    diabo lhe impôs;
    você deixou para depois
    e no casamento descobriu um marido
    que goza rapidinho,
    que rapidinho lhe deu quatro filhos
    para criar;
    coitados dos vizinhos
    que seus gritos têm que aturar,
    e além disso têm que escutar;
    a minha voz no megafone a cortar a
    madrugada,
    a ensandecer os ouvidos caninos,
    latidos que orquestram o meu caos,
    meus provérbios libertinos,
    mais que a sua aparência genuínos
    a lhe ensinar uma lição bem dada,
    lhe mostrar com quantos paus
    e certamente nenhum como o do seu
    marido,
    se faz uma canoa,
    você paga de santinha, de boa
    pessoa,
    porém é cobra peçonhenta,
    de descontrolada sana
    de ressecada xana
    que, mais uma vez digo, atenta
    contra a vida do seu próprio filho,
    um desensofrido,
    um desmiolado fora do trilho,
    que pega DST e pensa estar curado
    por ter o pau ungido,
    ungido por um “Deus” que senhora
    tanto quer agradar,
    tanto execra os ateus e foi um deles
    que impediu o seu filho de se matar
     
    Dona Clyssia,
    a senhora falou mal de mim até para
    polícia,
    e teve a cara de pau,
    madeira de jequitibá,
    de ir até a minha casa chorando
    lágrimas de crocodilo só para me acusar
    tenho uma péssima notícia para lhe
    contar,
    a senhora atua mal,
    o seu filho fugiu, por que será?
    Será que foi por culpa do “amiguinho
    cachaceiro”,
    ou porque a senhora lhe suga a
    felicidade como um carrapato-rodoleiro
    o chama preto, de veado, de
    vagabundo,
    de todas as excrescências que cabem
    no excremento do seu ser?
    Como você consegue dormir sem um
    tanto de remorso ter?
    Você agrediu o seu filho com um
    computador!
    E deixou-lhe feridas mais profundas
    que a física dor
     
    Dona Clyssia,
    se o “Inferno” existisse
    queria que lá a senhora fosse
    descansar
    que “Satã” visse
    toda sua imundícia
    e lhe fizesse pagar,
    que lhe torturasse,
    sem o menor apego,
    sem a menor classe,
    comesse o seu rego
    e finalmente lhe fizesse gozar
    3 min
  • 37 - Falso cristão
    Não tenho inimigos,
    mas sou inimigo de muitas pessoas;
    a vida é feita de gentes ruins e
    boas,
    poucos são os meus amigos de
    verdade;
    vejam só que maldade,
    um falso cristão
    a quem estendi a mão
    anda espalhando para qualquer
    desentendido
    que lhe dê ouvido,
    “Simão é mentiroso”
     
    Ah com isso eu fico de fato
    desgostoso
    porque a sinceridade
    é o meu pior defeito e minha maior
    qualidade
    tive por esse sujeito enorme
    consideração
    nunca lhe fiz difamação,
    jamais explanei sua pica de pouca
    penetração
    não, nunca falei de seu insosso
    rocambole,
    nunca disse que ele mete de pau
    mole,
    com sua piroca de sanfona,
    fodia sua namorada cafona
    carcada mal dada
    de rola desencapada
    suscitava
    possível gravidez indesejada
    e lá vinha meu nome em tom de
    padrinho;
     
    Por uma amizade dessas
    é melhor jogar para o alto o
    tabuleiro com todas as peças,
    ficar sozinho;
    um mal-agradecido
    que duma hora para outra fugiu feito
    foragido
    agora quer me chamar de maluco;
    digo resoluto,
    doido é quem vai a pé até Travessão,
    por uma menina lhe traiu sem
    descrição;
    louco é quem acredita na ideia a
    vadia
    de que quem não ama é família,
    doido é quem ofende aquele que quer
    ajudar,
    para proteger quem lhe expulsou do
    próprio lar,
    nesta estória eu nem queria mais
    tocar,
    quanto mais se mexe mais fede o
    merdal,
    mas você inquieto, não deixa o
    passado decantar
     
    Entenda, eu não lhe quero mal,
    nunca desejei que você se fodesse,
    em matéria de tomar naquele lugar
    você é mestre e vai muito bem
    sozinho;
    eu só queria que você me esquecesse;
    escute aqui seu veadinho,
    pense bem antes de anunciar
    que vai se matar,
    porque da próxima vez eu não estarei
    lá
    a nossa amizade morreu,
    do mesmo jeito que se pau
    que a nenhuma das garotas que você
    comeu
    fez gozar
    3 min

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