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Or


O gato se assanha
e arranha
o sapato da rainha da Espanha
O rato com façanha
o queijo apanha
e no buraco se entranha
O pato com fome tamanha
bica a lasanha
e com o cozinheiro se estranha
A aranha se assanha
cheia de manha,
pica o rei da Espanha
O príncipe se assanha
e faz campanha
para assumir o Reino da Espanha
O rato com fome tamanha
larga de manha
e come a aranha
O gato com façanha
o rato apanha
e começa a preparar a sua lasanha
O pato com o gato se estranha,
um bica, o outro lanha,
mas no final o pato ganha
O gato solta o rato,
o rato cospe a aranha,
a aranha o piso arranha
quando é esmagada pelo sapato da rainha da Espanha
o rato é preso pelo meganha,
pois com cara de pau tamanha
tentou furtar a coroa da Espanha
O gato com suas botas lustradas de banha,
do príncipe a coroa apanha
e salva o Reino da Espanha
O pato com medo da sanha
do cozinheiro que queria a sua entranha
fugiu para o Reino da Alemanha
Nem mentira, nem fato,
essa estória é o retrato
da artimanha
que aconteceu no Reino da Espanha
Quando eu era pequeno diziam:
“Esse menino é o diabo”,
a verdade é que eu só fazia muitas perguntas
e de respondê-las os adultos se eximiam
a verdade é que o diabo está no ombro esquerdo de cada um
é um papagaio que repete suas ideias maldosas,
mas no ombro direito fica um anjinho que lhe serve de
pondera com palavras caridosas
é linda sua voz
como canto de um canário,
posto o cenário,
a que mimos consentir?
Nenhum deles estabelece uma ordem a se cumprir,
somos nós que decidimos a quem ouvir
Bem-vindos à Selva de Letrinhas,
onde as vírgulas crescem feito ervas daninhas;
um livro de poesias encantadas,
com versos desalinhados,
para crianças comportadas
e adultos malcriados
A vida é muito cansativa
a rotina que nos castiga
todo dia, uma luta,
o trabalho é muito, o salário é pouco
o que é duro fica mole
o que maciço fica oco
a gente seco engole
a maldita da labuta
o teu chefe é um grande filho de Deus sem compaixão
o nosso destino nunca está na nossa mão,
com tantas preocupações
dívidas, papeladas, taxas de colesterol
nessa vida privada de emoções,
a gente nem vê pôr do sol,
e com todo esse caótico reato
quem é que vai pensar em teatro?
Ainda mais com esse cara chato
que não se cala
e fala tudo rimando
Meu nome é Amadeus Adamastor,
poeta trovador,
transeunto trazendo trovas travessas,
travando batalhas com a melancolia,
nas avessas da escuridão meu lirismo fura,
levo meu encanto a todos os cantos do mundo,
do mar de prantos ao arvoredo da lamentação,
até a terra mais dura,
onde só brota o capim mais vagabundo
Adamastor é nome portador de alegria,
pois mesmo se o seu dia foi ruim,
quando lua paira sobre o céu enfim,
meus versos velejam banhados de auspiciosidade
ah que tranquilidade,
a noite acalma os nossos pensamentos,
é quando relembramos nossos doces momentos,
é o fim do começo de uma nova esperança,
relaxa na cadeira, pois a noite é uma criança,
vê o céu tão cândido,
perde-te nos pontilhados risonhos das estrelas
a noite é portadora dos sonhos e pelas
asas do Pégasos de Morfeu
volta ao mais lindo sonho teu,
mergulha no luar bracicândido,
o luar é afeito,
é sereno
de amores pleno,
mais que perfeito
não há melhor jeito que se entregar
aos braços da ilusão,
amar com poesia,
se lambuzar nos lábios da fantasia,
não há nada melhor que sonhar
numa noite de verão
Quem foi que disse que o amor é só
larga essa ideia feijão-com-arroz,
e que venham três,
e que venham seis,
e que venha do além
para dizer amém
antes de dormir,
deixa sentir o calor da paixão;
o coração
é uma porta por onde entram mais de
e de um em um
se faz do amor uma imensidão
O homem mais perverso,
mais cruel que existe
nem adianta desiste
nada vai me impedir de lançar meu
processo
soco
faca
bala de fuzil
uma corrida pela vida
na Avenida Brasil
o meu corpo é fechado,
me mandaram pro inferno,
mas eu comi o cu do diabo
e tô de volta
ninguém me dá volta
ninguém me para
ninguém se compara
e se alguém ainda achar que vai me
eu sou praga
peste
cabra
da peste,
cresço na brecha
escapo da flecha
eu cresci matando bala de canhão no
não tem jeito
vocês vão ter que me aturar
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