Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 8 - Sabonete
    Não venhas com essa estória de que estou no armário;
    não tenho medo
    de limpar o cu usando o dedo,
    só não acho necessário,
    enfio o sabonete,
    mais aliviante porrete
    - Imagino que seja de maior limpeza,
    mas quanto ao alívio, não tenho certeza;
    penso que é comprar abóbora por rabanete,
    Lúcifer por diabrete,
    fazer o sabão de cacete.
    Não digas cousa tola,
    não se trata de esbregue de rola;
    não o faço com ou por desejo,
    apenas creio no sabão como melhor ensejo;
    é como aquele beijo
    que vem depois da garrafa de rum,
    tem a seriedade de lundum
    - Sim, entendo,
    não hei aqui de cometer ato horrendo,
    não estou incubido
    de destituir o teu tesão proíbido;
    o segredo que se esconde em si mesmo,
    intensifica o ejaculante tenesmo.
    1 min
  • 7 - Comichão
    Demasiada aflição
    quando dá no cu comichão,
    à cabeça, tremenda confusão
    Se lá sente tesão?
    Se é gay ou não?
    Por fim a indecisão
    do que fazer com a mão,
    pelo sim, pelo não,
    por que não?
    Lascívia anal não é condena,
    ser homossexual não é a sua pena,
    isso é coisa de mente pequena
    Pior enredo
    seria cultivar o medo,
    isso é sê-lo em segredo,
    Quem por um dedo no arredondado
    teme mudar de lado,
    de desejo masculino já está impregnado,
    era gay e não havia notado
    Não há motivo para auto digladiação,
    e que não se perca a noção,
    é bom sem penetração,
    basta o dedo, sem outra aparição;
    inovadora bonança
    que não cansa,
    é deixar-se estar, sem aflições, sem tabu
    de coerções nu
    sem abrir mão do cu
    1 min
  • 6 - Basculante
    No veraneio com a namorada
    bate vontade desesperada,
    sinto-me no vespeiro;
    aonde vou? Ao banheiro,
    convencional recinto
    para deflorar o pinto
    Dizem que é cousa de ogro
    bater punheta na casa do sogro,
    com essa ideia não me incomodo,
    dou um jeito e me acomodo,
    toco olhando pela janela,
    vigiando a família dela,
    a mais despretensiosa saídela,
    a mais involuntária olhadela,
    e desfilarei em vergonhosa passarela
    1 min
  • 5 - Polução noturna
    Ó coisa soturna
    é a polução noturna,
    jorrada inoportuna,
    no alto da madrugada
    vem indesejada,
    deixa a pica ensebada,
    a cueca manchada
    A cada um é diferente
    a similaridade é o inconveniente,
    é esporro espirrado,
    uns tantos sentem o caralho desgovernado,
    alguns, o saco esvaziado,
    outros até, o cu molhado;
    chora-se por onde se sente saudade
    clama-se por onde há vontade,
    o chamado da maldade,
    malícia sexual,
    milícia hormonal,
    de porra empedrada,
    de rola mal ordenhada,
    escrotal mal estar,
    aflição vindoura,
    o remédio é gozar,
    evitando o noturno melar de ceroula
    1 min
  • 4 - Revista
    Eu me deprimi em ver
    a primeira mulher que amei se desfazer,
    pela colagem rasgada,
    sua bela imagem então desfigurada
    dilacerou meu coração,
    levou tudo aquilo que tinha em mão,
    murcho e triste encarando o chão,
    era finda minha primeira paixão
    1 min
  • 3 - Campeonato de centímetros
    Em qualquer roda de rapazes,
    de maturidade incapazes,
    vê-se tosca disputa,
    na qual os centímetros se computa;
    argumentos levianos,
    rememorando os três deuses indianos,
    não há maior tolice,
    dizer-se “pau de légua”,
    pois a pequenice
    constata-se na régua
    1 min
  • 2 - Puberdade verdadeira
    Não há preparo
    para o primeiro disparo,
    quando vem a sensação matreira,
    puberdade verdadeira,
    a criança indefesa,
    vê-se a expelir a surpresa,
    jato inesperado,
    há doze anos engatilhado,
    jamais será superado,
    pois intervalo igual nunca será impetrado,
    não há maior revolução que a primeira punheta,
    sente-se entre as pernas uma nova caceta
    1 min
  • 1 - Sexual ironia
    Dizem que o que faço é heresia,
    que ao fazer poesia
    deve-se pensar em Castro Alves, Drummond;
    mas falar de sexo que é bom
    isso não pode,
    parece até que essa gente não fode
    Abaixo a censura em forma de regime!
    Não há nada mais sublime
    que o prazer de gozar
    Como eu hei de ficar?
    Se não puder falar
    da leveza da boceta,
    da destreza da caceta,
    e o cu, que nunca sai de moda,
    eterna sobremesa da foda?
    E digo nestes finais acréscimos
    que se pudéssemos
    faríamos todo dia,
    ninguém jamais se sacia,
    seja de alma comportada ou vadia;
    portanto, vamos parar de hipocrisia,
    entre estuque e piso
    não há cavalheiro indeciso,
    como entre quatro quadrelas
    não existem donzelas;
    meu poema de sexual ironia
    também é poesia!
    1 min

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