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Em França, decorre hoje a segunda volta das eleições legislativas com a extrema-direita a ter a dianteira em muitas dos 501 círculos eleitorais que ainda falta apurar. Em Bernes-sur-Oise, uma aldeia de cerca de 2.500 habitantes, vota-se numa triangular em que a extrema-direita tem a dianteira, algo que chocou a população.
Em Bernes sur Oise, uma aldeia na extremidade norte da região de Ile de França, a região de Paris, é um dia importante para Jocelyne Borges de Carvalho, franco-cabo-verdiana, que hoje veio votar para impedir a chegada ao poder da extrema-direita no seu cículo eleitoral.
"É extremamente importante votar hoje, este domingo, na segunda volta das eleições legislativas, porque é importante pelo menos para alguém que nasceu e cresceu em França, com pais cabo-verdianos, é importante defender os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, que são valores franceses, mas também o valor da diversidade. Por isso, eu própria não tenho necessariamente uma cor política, mas convido realmente as pessoas a virem votar para que possamos viver todos serenamente", disse a eleitora em entrevista à RFI.
É no 1º círculo eleitoral da região de Val d'Oise que acontece uma das 89 eleições triangulares onde três candidatos disputam a segunda volta das eleições. Aqui, em Bernes sur Oise, a candidata da União Nacional, Anne Sicard, chegou em primeiro lugar há uma semana, com 33,65% dos votos. O candidato da Nova Frente Popular, Maximilien Jules-Arthur, em segundo, e Emilie Chandler, do campo do Presidente, decidiu não desistir e continuar na corrida. O aumento dos votos na extrema-direita face às eleições de 2022 chocou uma parte da população.
"O que marcou mais as pessoas aqui em Bernes sur Oise foi a ascensão da extrema-direita, um partido que defende valores que são contra a diversidade e contra os direitos das mulheres. Portanto, espero realmente que as pessoas venham votar contra este partido", constatou.
Esta manhã, por volta das 13:00, já tinha votado 38% da população, mais do que a média nacional que se situava por volta dos 26%.
Com 34 anos, e tendo crescido em cidades multi-culturais entre a região parisiense e Amies, Jocelyn vê-se agora confrontada com um discurso de ódio e uma agressividade que diz nunca ter visto até agora em França.
"É verdade que este discurso de ódio e racista está a crescer cada vez mais. Antes, em todo o caso, a União Nacional, antiga Frente Nacional, não tinha esta força. Desde que vivemos nesta crise e neste período de grande inflação, as pessoas estão a ter dificuldade em sobreviver e já não acreditam no que lhes é oferecido, por isso tendem a ir para um partido porque não conhecem. Mas também se esquecem de onde vem esse partido. Portanto, acho que as pessoas estão muito preocupadas por tudo o que afecta a sua vida quotidiana e querem mesmo mudar", declarou.
Para esta franco-cabo-verdiana, o que a assusta mais são os valores com os quais o filho será confrontado caso a extrema-direita triunfe.
"Tenho muito medo destas convulsões porque, hoje, não sabemos o que vai mudar. Mas eu preferia que o meu filho crescesse num país que defende a liberdade e a diversidade, onde todos podem viver juntos, tanto mais que ele também cresceu em Sarcelles, uma cidade muito cosmopolita onde todas as nacionalidades vivem juntas. E eu quero realmente que ele cresça num ambiente são, sem ódio, mas que também respeite estes valores ligados à igualdade, uma igualdade que lhe permita dizer que aqui é possível, e se ele quiser ser Presidente, pode ser Presidente, sem se sentir limitado pelas escolhas politicas deste país", concluiu.
A preocupação estende-se a toda a comunidade cabo-verdiana, com alguns membros a ponderarem mesmo um regresso ao país de origem ou país de origem dos seus pais, embora esta seja uma volta difícil para quem viveu toda a sua vida em França.
As pessoas partilham os seus medos, os seus receios de ter obstáculos aos seus direitos em França. Por isso, inevitavelmente, estamos sempre a falar disso, a toda a hora. Neste momento, as pessoas não estão serenas e têm medo do resultado. Já ouvimos as pessoas dizerem talvez volte para Cabo Verde. Se alguma vez a extrema-direita chegar ao poder, fala-se nisso. Temos sorte em poder voltar ao nosso país de origem. Só que não é também não é uma vontade, porque Cabo Verde é um país onde gostamos de ir de férias, mas faltam algumas infra-estruturas, nomeadamente a nível da saúde e alguns reformados aqui em França de cuidados de saúde e têm medo de voltar. Mas ainda é muito cedo para falar deste tipo de extremos.
Este final de tarde, Jocelyn estará entre um número limitado de cidadadãos que vão ajudar a contar os votos, fazendo viver em cada mesa eleitoral o espírito republicano independentemente do candidato mais votado.
Catarina Falcão,
Bernes sur Oise,
RFI
By RFI PortuguêsEm França, decorre hoje a segunda volta das eleições legislativas com a extrema-direita a ter a dianteira em muitas dos 501 círculos eleitorais que ainda falta apurar. Em Bernes-sur-Oise, uma aldeia de cerca de 2.500 habitantes, vota-se numa triangular em que a extrema-direita tem a dianteira, algo que chocou a população.
Em Bernes sur Oise, uma aldeia na extremidade norte da região de Ile de França, a região de Paris, é um dia importante para Jocelyne Borges de Carvalho, franco-cabo-verdiana, que hoje veio votar para impedir a chegada ao poder da extrema-direita no seu cículo eleitoral.
"É extremamente importante votar hoje, este domingo, na segunda volta das eleições legislativas, porque é importante pelo menos para alguém que nasceu e cresceu em França, com pais cabo-verdianos, é importante defender os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, que são valores franceses, mas também o valor da diversidade. Por isso, eu própria não tenho necessariamente uma cor política, mas convido realmente as pessoas a virem votar para que possamos viver todos serenamente", disse a eleitora em entrevista à RFI.
É no 1º círculo eleitoral da região de Val d'Oise que acontece uma das 89 eleições triangulares onde três candidatos disputam a segunda volta das eleições. Aqui, em Bernes sur Oise, a candidata da União Nacional, Anne Sicard, chegou em primeiro lugar há uma semana, com 33,65% dos votos. O candidato da Nova Frente Popular, Maximilien Jules-Arthur, em segundo, e Emilie Chandler, do campo do Presidente, decidiu não desistir e continuar na corrida. O aumento dos votos na extrema-direita face às eleições de 2022 chocou uma parte da população.
"O que marcou mais as pessoas aqui em Bernes sur Oise foi a ascensão da extrema-direita, um partido que defende valores que são contra a diversidade e contra os direitos das mulheres. Portanto, espero realmente que as pessoas venham votar contra este partido", constatou.
Esta manhã, por volta das 13:00, já tinha votado 38% da população, mais do que a média nacional que se situava por volta dos 26%.
Com 34 anos, e tendo crescido em cidades multi-culturais entre a região parisiense e Amies, Jocelyn vê-se agora confrontada com um discurso de ódio e uma agressividade que diz nunca ter visto até agora em França.
"É verdade que este discurso de ódio e racista está a crescer cada vez mais. Antes, em todo o caso, a União Nacional, antiga Frente Nacional, não tinha esta força. Desde que vivemos nesta crise e neste período de grande inflação, as pessoas estão a ter dificuldade em sobreviver e já não acreditam no que lhes é oferecido, por isso tendem a ir para um partido porque não conhecem. Mas também se esquecem de onde vem esse partido. Portanto, acho que as pessoas estão muito preocupadas por tudo o que afecta a sua vida quotidiana e querem mesmo mudar", declarou.
Para esta franco-cabo-verdiana, o que a assusta mais são os valores com os quais o filho será confrontado caso a extrema-direita triunfe.
"Tenho muito medo destas convulsões porque, hoje, não sabemos o que vai mudar. Mas eu preferia que o meu filho crescesse num país que defende a liberdade e a diversidade, onde todos podem viver juntos, tanto mais que ele também cresceu em Sarcelles, uma cidade muito cosmopolita onde todas as nacionalidades vivem juntas. E eu quero realmente que ele cresça num ambiente são, sem ódio, mas que também respeite estes valores ligados à igualdade, uma igualdade que lhe permita dizer que aqui é possível, e se ele quiser ser Presidente, pode ser Presidente, sem se sentir limitado pelas escolhas politicas deste país", concluiu.
A preocupação estende-se a toda a comunidade cabo-verdiana, com alguns membros a ponderarem mesmo um regresso ao país de origem ou país de origem dos seus pais, embora esta seja uma volta difícil para quem viveu toda a sua vida em França.
As pessoas partilham os seus medos, os seus receios de ter obstáculos aos seus direitos em França. Por isso, inevitavelmente, estamos sempre a falar disso, a toda a hora. Neste momento, as pessoas não estão serenas e têm medo do resultado. Já ouvimos as pessoas dizerem talvez volte para Cabo Verde. Se alguma vez a extrema-direita chegar ao poder, fala-se nisso. Temos sorte em poder voltar ao nosso país de origem. Só que não é também não é uma vontade, porque Cabo Verde é um país onde gostamos de ir de férias, mas faltam algumas infra-estruturas, nomeadamente a nível da saúde e alguns reformados aqui em França de cuidados de saúde e têm medo de voltar. Mas ainda é muito cedo para falar deste tipo de extremos.
Este final de tarde, Jocelyn estará entre um número limitado de cidadadãos que vão ajudar a contar os votos, fazendo viver em cada mesa eleitoral o espírito republicano independentemente do candidato mais votado.
Catarina Falcão,
Bernes sur Oise,
RFI

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