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Frente Popular "resolveu" problemas da esquerda e conseguiu apoio alargado


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Em 2022, a esquerda francesa uniu-se na coligação NUPES, mas acabou por encontrar problemas na Assembleia Nacional devido a desacordos internos. Agora, segundo João Martins Pereira, candidato do partido socialista e desta nova Frente Popular pelo 8º círculo eleitoral do Val-de-Marne, os problemas estão resolvidos, com uma coligação mais sólida, mais alargada e com o apoio de toda a esquerda.

A esquerda em França anunciou um acordo para um programa comum que será apresentado pela Frente Popular, uma coligação constituída pelo Partido Socialista, France Insubmissa, Partido Comunista, Partido ecologista e outras forças de esquerda para concorrer às eleições legislativas antecipadas convocada pelo Presidente e que acontecem já no dia 30 de Junho e 07 de Julho.

Em entrevista à RFI, o candidato no 8º círculo eleitoral do Val-de-Marne pela Frente Popular, João Martins Pereira, disse que os problemas à esquerda estão mais do que ultrapassados, estão “resolvidos” e que o foco agora é ganhar as eleições.

"Estas duas coligações distinguem-se desde logo pelo contexto político. Em 2022 não tinha nada a ver porque tínhamos um partido de esquerda radical que era forte. Todo o resto dos partidos tinha quase desaparecido e só reunia quatro partidos. Agora a diferença é também naquele momento, muita gente dentro destes partidos não, não estavam a favor. Agora estamos noutro contexto dado o resultado da extrema-direita, dado a incapacidade do Governo em lutar contra a extrema-direita e de propor um caminho para este país, agora temos uma união que abrange todos os partidos de esquerda", indicou o socialista.

Entre as figuras que já disseram apoiar esta nova Frente Popular está, por exemplo, o antigo Presidente, François Hollande, e Raphaël Glucksmann, que obteve o terceiro lugar nas eleições europeias que acabaram de se realizar. Para João Martins Pereira, os problemas nesta nova coligação como a nomeação de um primeiro-ministro de extrema-esquerda ou as posições relativas à Ucrânia ou Palestina estão "resolvidos".

"Toda a gente fez um esforço. Ou seja, também nós tínhamos uma grande preocupação em relação a certos aspectos, mas também por certas pessoas que não queríamos que tivessem um papel muito grande, porque sabemos que podem provocar divisão na esquerda. É o caso do Jean-Luc Melenchon e ele próprio reconheceu este facto quando foi entrevistado ontem à noite. E então agora não quer dizer que estamos a esquecer das diferenças ou não quer dizer que já tudo vale, mas todos os partidos tiveram que dar um passo em frente e no caso da França Insubmissa também fizeram este esforço", declarou.

Esta força política anunciou hoje o seu programa, prometendo revogar pelo três reformas feitas nos últimos anos: a reforma do sistema de pensões que aumentou a idade da reforma para 67 anos, a reforma da imigração e ainda a reforma do subsídio de desemprego. Os custos da revogação destas reformas serão, segundo a esquerda, pagos pelo melhor redistribuilção fiscal.

"As pessoas pediam-nos isto. Estas três medidas em concreto foram aprovadas sem o apoio da população, não houve uma maioria, nem parlamentar nem social sobre estas propostas de lei e que se converteram em lei. Então, eu acho que é uma maneira muito forte também de dizer ao povo em geral qual é a nossa maneira de fazer as coisas e de não deixar pensar que agora estamos a fazer uma união só para ter o poder e não fazer nada com ele. A ideia é utilizá-lo para melhorar a vida das pessoas, que é para isso que estamos em política. Há um impacto orçamental e nós propomos também como foi o caso nas eleições europeias, uma fiscalidade que seja mais redistributiva e mais justa, porque hoje em dia quem paga mais impostos são mais pobres e a classe média", indicou.

Nos dias 30 de Junho e 07 de Julho resta agora aos franceses escolherem, segundo o candidato a deputado, entre três cenários possíveis.

"Como é que eu vejo a situação do país no dia 8 de julho? Teremos um país liderado pela extrema direita e temos Jordan Bardella como primeiro ministro? Eu acho que isto seria um desastre para o país, para a Europa e para o Mundo, especialmente no contexto da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, porque já sabemos a ligação que eles têm com a Rússia. Depois temos a alternativa com a esquerda a liderar o país. E acho que há uma grande possibilidade de que isso aconteça. Estamos a trabalhar nisso. E a terceira, que não é inevitável, é um possível bloqueio por causa da atitude também do bloco central de Emmanuel Macron, que também tem estratégias um pouco diferentes segundo os territórios, e então não se percebe muito bem aquilo que eles querem", concluiu João Martins Pereira.

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