Gilson Aguiar

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By Gilson AguiarEducationSelf-Improvement
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Gilson Aguiar episodes

  • Os dilemas da criação

    A velha história das “boas intenções”

    Mais vale o sentido, a intenção, ou a ação? Nem sempre o que

    nos leva a fazer alguma coisa é o que a atitude denuncia ou faz parecer. Para
    que você entenda melhor, é aquela velha máxima que se diz, de boa intenção o
    inferno está cheio.

    E te garanto que este tipo de comportamento não está tão

    distante assim de nosso dia a dia. Quer um exemplo? Muitos pais, preocupados
    com os filhos, tentando protegê-los. Eles agem para evitar que tenham problemas
    e, fazendo isso, podem criar um problema maior ainda para outros e para o
    próprio filho.

    Quantos pais encobrem o que os filhos fazem, impõe uma

    maneira de viver e ser. Na melhor das boas intenções acabam por criar o pior
    futuro.

    A melhor coisa é conhecer com quem está se lidando. Entender

    que a resiliência, a capacidade de enfrentar a vida e de ter responsabilidade
    sobre os dilemas que a vida traz só se consegue vivendo. Não tem receita
    pronta.

    A gente pode aprender com os erros dos outros, mas ninguém

    vive por nós. A vida é nossa e pronto.

    Se alguém tem que sentir o gosto da terra para ficar de pé,

    vai ter que levar o tombo e aprender a se levantar. E na regra do “cai e se
    levanta”, basta levantar uma vez mais do que cair.

    Já vi muita gente boa, honesta, de boas intenções, ver seus

    filhos não terem o futuro que desejavam, não atingirem um comportamento
    adequado, não saberem lidar com a vida. Estes mesmos pais se culparem e não
    entenderem o “porquê” que a boa conduta deles não fez do filho um bom
    ser-humano.

    A resposta é simples, por mais que dolorosa. Não se é bom em

    tudo. E nem sempre quem sabe viver a vida é capaz de criar alguém de bem com ela.

    Antes, a algumas gerações atrás, copiávamos a conduta de

    nossos pais e pronto. A criança, o adolescente, era educado a cumprir o papel
    que seus pais cumpriam. As relações e possibilidades mudaram esta lógica.

    Nossos filhos raramente vão reproduzir nossos papeis

    sociais. Assim, educar alguém para a vida exige a capacidade de reconhecer que
    o que somos e pensamos não é o que o outro de fazer e pensar.

    Por isso, muitos pais, cheios de boas intenções, acabam por

    agir de forma nociva e determinar para seus filhos um mal que seu ato não teve
    a vontade de expressar.

    As consequências desta ação de interesse protetivo e de

    prática venenosa mata o rebento aos poucos. Ele vai se definhando pela própria
    fragilidade do excesso protetivo. Se desmancha no sopro da brisa.

    Seres fortes são criados com bases profundas, muitas delas

    plantadas no interior da terra e regadas com fortes experiências. Elas, as
    doses da vida, não precisam ser traumáticas, mas entendidas como condição vital
    para viver. Em especial a frustração.

    Deixe viver, nem por isso, deixe de amar e compartilhar, de

    estar perto, o que não significa viver pelo outro e fazer para o outro.

    Mas como agir de maneira coerente?
    Boa intenção pode ser dose de veneno
    Viva e deixe viver

    3 min
  • Ter opções não é ser livre

    O que define a liberdade?

    Ontem perguntava aos meus alunos se somos mais livres que

    nossos avós. Eles consideravam que sim. Que temos muito mais opções. Que
    podemos ser o que nós quisermos.

    Mas, será que ter opções e ser o que antes não podíamos nos

    faz mais livres?

    Pense comigo, hoje, grande parte das opções que temos são

    programadas e oferecidas diante de um conhecimento prévio dos seres humanos.
    Somos satisfeitos por um desejo que é programado para termos.

    Se formos a um supermercado, ao shopping center, esta

    disposição inteligente das opções fica mais nítida. As coisas estão nos lugares
    para cumprir uma programação cujo principal objetivo é nos seduzir.

    Nas redes sociais, no mundo digital, a programação carregada

    de opções tem o mesmo sentido, nos levar a escolher o que está programado. A diversidade
    é planejada e agimos como bichos condicionados dentro de um ambiente projetado.

    Nossos dados estão à disposição. Pesquisa de perfis,

    tendências e interesses são feitas instantaneamente. Inúmeros dados ficam
    disponíveis para se estabelecer estratégias de lançamento de produtos e
    serviços.

    A fama, aquilo que se deseja, ser conhecido e desejado, deve

    obedecer a uma lógica de disposição no mercado. Existe estratégia para isso. Lembrando
    que tudo é efêmero.

    O que hoje está em alta, não vai durar para sempre e é importante

    que não dure. O que desaparece já teve seu glamour e deve abrir espaço para um
    novo bem, um novo desejo.

    Que liberdade há nisso? Não há!

    Por isso, nossos avós tinham menos escolhas, a vida era

    engessada e o futuro restrito, porém, o que se construía de opção era resultado
    do próprio esforço e não de manipulação. Era o resultado de uma luta para mudar
    o destino, fazer um novo caminho e não ter opções prontas e pré-estabelecidas.

     

    A vida de shoppings e supermercados
    Não há liberdade onde tudo é programado

    2 min
  • IA invade o cinema e atores podem sair de cena

    Sétima Arte e a Inteligência Artificial

    A inteligência artificial chegou ao cinema. O ator Harrison

    Ford rejuvenesceu 50 anos em seu novo filme da franquia “Indiana Jones”. Ele
    aparece com seus 30 anos estreando um novo capítulo do “herói” que o
    imortalizou nas telas.

    Toda a produção do filme está ligada a IA. Ford não é o

    único, é apenas um exemplo do que está tirando o sono de muitos e preocupando a
    indústria cinematográfica.

    Claro que os grandes estúdios de Hollywood querem tirar o

    máximo proveito do uso da inteligência artificial na produção de suas
    películas. A “machine learning” é uma ferramenta fundamental na construção de
    imagens retrabalhadas fazendo com que se rejuvenesça atores ou mesmo os faça
    renascer, o que aconteceu com o Superman mais icônico do cinema, Christofer
    Reeve.

    Até onde vamos parar? Qual a verdadeira ameaça que há por de

    trás da inteligência artificial no mundo da “sétima arte”?

    O temor em relação aos desdobramentos do cinema não são

    ilusão, há uma greve em andamento feita por atores e roteiristas. Claro que,
    não são os famosos que se sentem mais ameaçados, mas os que tem menos poder de
    barganha. Artistas de menor nome, coadjuvantes e roteiristas menos conhecidos.

    Eles temem a utilização de seus produtos. No caso dos

    atores, já há contratos de grandes estúdios colocando cláusulas de uso das
    imagens de forma permanente. Ou seja, eles estariam permitindo que sejam
    recriados pela IA sem terem que ser recontratados para um novo papel ou
    produção.

    A discussão não está longe do Brasil, você se lembra do

    comercial da Maria Rita com sua mãe, Elis Regina, aquele da Volkswagen. Se você
    não viu, vale a pena ver. A peça ficou incrível, recriaram Elis. Mas, será que
    ela aceitaria? A filha autorizou.

    Já imaginou um filme com Marilyn Monroe e Elvis Presley,

    juntos, em uma película inédita. Pense, James Dean retornando as telas, já
    pensou? Quem não gostaria? Mas, o quanto isso custaria para a criatividade
    humana.

    A questão é, o que está por de trás deste debate? Ele não é

    só um dilema da indústria cinematográfica, é uma discussão do poder que a
    tecnologia está tendo em mudar a vida de muitas pessoas. Alterar a expectativa
    em relação ao futuro. Mais que isso, aniquilar a existência de profissões e
    reduzir o valor de muitos profissionais.

    Acredito que “incerteza” é a palavra que expressa a

    discussão de até onde o uso da inteligência artificial irá nos levar. O que
    parecia seguro não é mais.

    Claro que você pode dizer, e terá razão, “O tempo dirá!”. O

    futuro vai responder as condições que hoje não conseguimos descortinar. Uma transição
    como a que estamos vivendo tem um preço elevado para quem a vive e outro leve
    para os que posteriormente irão analisá-la.

     Ao final, considero

    que estamos diante de algo novo. Isso acaba por dificultar a racionalidade,
    sobriedade no tratamento do tema. Há extremos se apresentando. Tanto o uso
    indiscriminado como o temor exagerado.

    Desta forma, o caminho do meio ainda será construído. Ele

    responderá às medidas extremas que agora preocupam e faz cometer injustiças. A
    vida do desenvolvimento humano é cheia de exemplos como este. Muitos temem,
    outros tanto sofrem, paga-se o preço, há arrependimento, e, por fim, a
    humanidade incorpora e refaz o sentido.

    Acredito que agora, quando se fala do poder da tecnologia da

    inteligência artificial, é momento de deixar a carruagem andar mais um pouco e
    as abóboras assentarem.

    Há limites na IA no Cinema?
    No Brasil, o nosso exemplo é Elis
    IA desperta nossa insegurança

    5 min
  • Comunicação ou distorção?

    Meios de comunicação são empresas

    Meios de comunicação e renda tem uma relação direta na

    formação brasileira. Onde há riqueza a notícia está presente. Os meios de
    comunicação são um empreendimento que atuam diante da possibilidade do retorno
    financeiro. A filantropia tem pouco espaço no meio da informação.

    Claro que esta condição não tira de muitos dos meios de

    comunicação um compromisso de conduta ética. Tem inúmeros meios de comunicação
    que cumprem um papel fundamental na vida dos brasileiros. Porém, não é regra,
    ainda mais absoluta.

    Esta condição já é uma dificuldade pelo poder que os meios

    exercem na vida das pessoas quando são a fonte de informação ou deformação da
    realidade. O controle sobre estes meios é sinônimo de poder.

    Em regiões mais pobres a comunicação depende de meios para

    se ter o conhecimento a respeito da realidade local e entendê-la dentro de um
    contexto regional ou nacional. Quando este meio de comunicação está a serviço
    de um ou alguns, esta condição de esclarecer, informar e conscientizar está
    comprometida.

    Na história brasileira, no mando dos coronéis, há regiões

    onde o controle sobre o jornal impresso, que por sinal está em decadência, era
    fundamental. Sobre as rádios, concessões dos próprios senhores do lugar, como
    afirmava Cacá Diegues, fazia o se papel. Ser a “voz do dono”, como fala a
    canção de Chico Buarque.

    No Paraná ainda existem cidades que não tem meio de

    comunicação sediado no município. São 44% das cidades paranaenses. Mesmo o Sul
    do Brasil concentrando 26,5% das empresas de comunicação do país, a região tem
    apenas 15% da população. Uma questão de renda associada ao poder de decisão.

    Há muito o que se fazer para democratizar a comunicação, a

    informação, e promover qualidade naquilo que representa o jornalismo no Brasil.
    Porém, deve ser um exercício constante.

    Na sociedade que temos, vivemos mais do espetáculo do que da

    notícia. Se faz mais o exagero do que se relata o fato e o compreende com
    racionalidade. Em determinadas regiões, se manipula a informação e se muda a
    lógica das coisas para que elas pareçam o que não são.

    Por isso, mais do que meios de comunicação, o que os

    brasileiros precisam é de informação e qualidade na análise dos fatos. Conhecer
    e saber do que se fala e não transformar o detalhe em relevância. Também, temos
    que tomar cuidado com o abandono do relevante porque não somos capazes de
    compreendê-lo.

     

    Informação é uma relação de produto, escolaridade e renda
    Boa comunicação depende de uma população bem formada

    3 min
  • Vida de pedestre não é fácil

    Os pedestres estão ameaçados?

    Pelo que tudo índica, ser pedestre não é tarefa fácil no

    Brasil. Em especial em cidades de médio e grande porte. A faixa de pedestres
    pode significar a “faixa da morte”. Os números têm apontado essa tendência de
    risco em caminhar pela cidade.

    Levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde e analisados

    pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostra que cresceu 13%
    o número de pessoas que foram atropeladas no país, jovens em especial.

    Segundo a Abramet, os números demonstram que há para os

    pedestres maior insegurança nas ruas. E isso está relacionado tanto com o comportamento
    do pedestre como com os riscos que ele encontra em seu caminho.

    Especialistas como Flávio Adura, diretor científico da Abramet,

    o fim da pandemia aumento o número de pessoas nas ruas. Segundo ele, muitas
    delas estão se tratando com medicamentos que tem efeitos colaterais e
    prejudicam os reflexos.

    Mas, segundo os especialistas não é só isso, temos um maior

    número de moto-entregas nas ruas. Este tipo de serviço demonstra um
    comportamento agressivo dos motociclistas nas vias públicas. O número de
    motocicletas atropelando pedestres cresceu.

    Outro fator, o qual considero relevante, está no uso de

    celular por pedestres. Isso mesmo, pessoas caminhando e usando o celular. Elas se
    distraem. Perdem a noção de onde estão, e se tornam potenciais vítimas de atropelamento.

    Mas, a tudo isso, vamos colocar um outro ingrediente. As

    cidades estão se tornando um ambiente de congestionamento de veículos de
    transporte individual motorizado. Cresce o número de automóveis e motocicletas.

    A pressão exercita por proprietários de veículos automotores

    aos gestores públicos, sedentos por manterem seus interesses políticos, os
    fazem sempre arrumar uma forma de remediar e não resolver a questão da
    mobilidade urbana. As cidades têm uma logística urbana favorável ao automóvel

    Se queremos salvar vidas de verdade nas vias públicas nós temos

    que ter políticas que preservem as pessoas, os pedestres. No Código Nacional de
    Trânsito, ironicamente, eles são os mais frágeis e devem ser protegidos pelos
    demais agentes, ou seja, a vida em primeiro lugar. Porém, não é bem isso que
    acontece.

    Vamos a alguns fatores...
    Cidades não são para pedestres, mas deveriam...

    3 min
  • Acredite na ciência

    Ciência nossa de todos os dias

    Pesquisa é coisa séria. O conhecimento científico aplicado a

    vida prática é que o que permite alterar a realidade e soluciona problemas. A
    tecnologia que você vê aplicada no cotidiano é fruto do conhecimento científico.

    O fator determinante do que somos e podemos ser na superação

    dos nossos problemas é responsabilidade da ciência, do conhecimento acumulado
    ao longo dos anos.

    Se há alguma dúvida de qual é o papel da escola, da

    educação, é a transferência de parte do conhecimento acumulado pela humanidade
    para garantir que o futuro seja melhor e a qualidade de vida do ser humano
    também.

    O conhecimento científico é um patrimônio que uma sociedade

    não pode descuidar, deve ampliar e manter. Um legado tão importante quanto o
    território nacional e todas as suas riquezas naturais. Inclusive, para
    preservar esta natureza tem que se desenvolver ciência.

    Desta forma e neste sentido, um dos maiores pesquisadores do

    mundo, Ângelo Agostinho, é uma maringaense e está entre os 10 maiores do país
    na área de Ecologia e Evolução e um dos 900 cientistas do mundo.

    Como Ângelo, mais 21 pesquisadores paranaenses de destacam

    internacionalmente. Eles estão ligados as universidades estaduais do Paraná. O
    levantamento foi feito pela plataforma acadêmica internacional Research.com.

    Estes pesquisadores lutam diariamente para manter seu

    trabalho. A falta de recursos para a manutenção e desenvolvimento das pesquisas
    é o maior desafio. Muitas vezes maior do que o objeto a ser investigado.

    Nossa vida precisa de mais racionalidade científica. Nossos

    problemas precisam ser analisados com conhecimento e capacidade de intervenção
    lógica para chegarmos a uma solução definitiva.

    O grande mal da atualidade é que vivemos de sensações. De nosso

    cotidiano contaminado por análises precárias e superficiais. Frequentamos os
    bancos escolares para uma formalidade e não para desenvolvermos um conhecimento
    de fato. Somos limitados no que observamos e por isso nos contaminamos com
    distorções.

    Precisamos reconhecer os cientistas, incentivar a ciência

    e termos a melhor resposta.

     

    Há cientistas próximos de nós
    A ciência por todo o lado

    3 min
  • Violência contra a mulher tem história

    Violência cotidiana e constante

    Me canso de olhar para os jornais e ver noticiado atos de

    violência contra a mulher. Todo o dia.

    Inclusive, vale a estatística da Rede de Observatório de

    Segurança, uma mulher é agredida a cada 4 horas. Que país é esse? Como
    permitimos isso?

    No final, um terço das mulheres brasileiras já sofreram

    agressão física ou sexual em sua vida. Este é um dado da Organização das Nações
    Unidas (ONU). Lembrando que o Brasil está entre os países com maior número de
    ocorrências de agressão contra elas.

    Considero que grande parte dos brasileiros ignora nossa

    formação social. Não somos educados a refletir sobre o nosso passado e
    entendermos as origens profundas de nossos principais problemas. Deveríamos
    fazer isso com a nossa vida.

    O patriarcalismo instituído com a formação da sociedade

    brasileira é extremo. O encontro do elemento europeu, português, com os
    indígenas e a implantação do trabalho escravo africano foi um ambiente propício
    para os excessos e os excessivos.

    Nas relações da grande produção açucareira, na vida nos

    engenhos e nas áreas de importância fundamental para o colonizador, como também
    nas áreas de economia regional ou local onde as relações foram estabelecidas na
    informalidade costumeira no encontro entre nações, a violência esteve presente.

    O corpo da mulher foi apropriado e sobre ele se jogou todas

    as intenções, as mais torpes deixaram cicatrizes ao longo do tempo e temos a
    ferida aberta a cada nova agressão.

    A menos de um século as mulheres estavam juridicamente

    submissas aos homens. A lei permitia um assassino sair ileso em “legítima
    defesa da honra”. Absurdo para os olhos de hoje, uma marca comum em um país
    onde a agressão já foi ação de direito e resiste a ser superada.

    Se você acessar o noticiário dos jornais, das mídias

    tradicionais ou digitais, vai ter neles atos de violência contra a mulher.
    Agressões constantes e das mais diferentes formas.

    Hoje, por exemplo, acessei jornais on-line e li atos de

    agressão como estupro, tentativa de assassinato de ex-companheira, como também,
    a tentativa de matar o novo companheiro da ex-mulher.

    Um dos fatos marcantes no país é o do médico ginecologista

    que atuava em Maringá, no noroeste do Paraná. Ele foi denunciado por três mulheres
    e hoje 36 delas já relataram ter sofrido abuso. Imagina a quantidade de outras
    tantas que ainda estão em silêncio mesmo tendo sido abusadas?

    O médico está preso desde o dia 15 de junho. Mas, o quanto

    abusou até ser detido?

    Ele não é um caso isolado, quantos já fizeram e fazem o

    mesmo. Eles estão em todos os lugares e nas mais diversas profissões. Algumas
    delas com a função de proteger os seres humanos. Porém e por isso, são as que
    mais facilitam o acesso as mulheres.

    O agressor sempre está por perto.

    Onde tudo isso começa? Em casa.

    Claro que não estou colocando a culpa da agressão na criação

    que os pais deram, mas ela é fundamental para a formação de um ser humano
    consciente do respeito que se deve ter ao outro.

    No cotidiano, nas práticas mais comuns, nos lugares que

    consideramos distante de ser um ambiente nocivo são os que plantamos a semente
    da agressão.

    Muitos em nome de proteger ou gerar um comportamento “moral”

    em seus filhos acabam por legitimar a agressão e moldar as crianças e
    adolescentes a serem agressores.

    Se queremos respeito para com a mulher, é preciso mudar o

    conceito de sua formação marcada por um modelo de submissão. O discurso de
    proteger não pode estar associado ao controle do corpo somente por ser mulher.

    Enquanto isso não acontecer, nada muda.

     

    Por que isso acontece?
    Os casos cotidianos
    E tudo começa em casa

    3 min
  • Coca-Cola é nosso "deus"

    A lógica de Mário Quintana

    Muitas vezes meus alunos me perguntam o que Antropologia

    estuda. Eu sempre me lembro das coisas deste mundo, desta simbologia que nos
    persegue no dia a dia. Esta carga imensa de significado que diz muito de nós e
    até o que não sabemos sobre nós mesmos.

    Veja, eu curto texto de Mário Quintana há muito o que

    aprender:

    “Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto

    principal de todas as metrópoles, existe – de modo que, se esta civilização
    desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem que recomeçar
    tudo desde o princípio – até que um dia também tenham os seus próprios
    arqueólogos – estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo
    inteiro, aquela mesma palavra. E pensarão eles que Coca-Cola era o nome do
    nosso Deus!”

    Esta é a afirmação mais emblemática de Quintana ao desvendar

    os nossos símbolos. Como eles chegaram até nós e os efeitos que são capazes de
    fazer em nossas vidas.

    Você pode sorrir e dizer que chamais a Coca-Cola será o

    nosso Deus. Porém, reflita. Ela consegue estar do lado que opostos se
    identificam por negação a um determinado valor.

    Judeus e muçulmanos travam conflitos, mas Coca-Cola está nos

    dois lados inquestionavelmente. Os seguidores da “direita” e da “esquerda” tem
    inconciliáveis posições, mas podem argumentá-las com o mesmo refrigerante nas
    mãos.

    A Coca-Cola tem no vermelho sua cor principal, porém, isso

    não faz com que os adeptos do capitalismo a olhem como um símbolo da propaganda
    stalinista. Até o Papai-Noel se vestiu de vermelho para poder ser seu principal
    garoto propaganda.

    Sim, você pode ter razão, Coca-Cola nunca será o nosso Deus.

    Mas, quem de nós estará vivo daqui a milhares de anos para dizer isso? Pelo
    menos segundo o texto de Mário Quintana.
    Nem sempre o que cultuamos acreditamos

    3 min
  • Viver é condição intransferível

    Neste episódio, Gilson Aguiar comenta da condição intransferível da vida. Por mais que muitos gostariam de ter a vida do outro.

    O ato de viver depende de ação. E uma ação deve ter um propósito. Sem isso, nada existe.

    3 min
  • Na sociedade do espetáculo todos se sentem no palco

    O que é a sociedade do espetáculo?

    Diria que estamos mais preocupados com a forma do que com o

    conteúdo. Mas, não se engane, a forma é talvez e possivelmente a única coisa
    que importa para que percebe o seu objeto de desejo, pessoa ou coisa.

    Este papo de que temos que buscar a essência das coisas é

    uma preocupação para quem deseja conhecer o outro. Os que se atraem em sua
    maioria, a massa, a grande parte, não precisa de essência, projeta o desejo na
    aparência.

    Não entendeu? Explico melhor. Sem medo de arriscar, dois

    terços dos seres humanos não estão enxergando outra pessoa a sua frente, não
    desejam entender o que está por de trás daquilo que veem, estão vendo o que
    querem.

    Entrando em um restaurante, senta-se à mesa, se pede o

    cardápio. Uma olhada na mesa ao lado e se vê uma família. Sim, tudo indica
    isso, aparentemente. Há um casal, há crianças, todos estão ali.

    Mas, um olhar mais atento tenta desvendar se eles estão

    “juntos”, “unidos” ou “reunidos”. Sentados a mesma mesa estão, sem dúvida. Mas,
    todos dialogam com a coisa. Se dão uma olhada para quem está ao lado, à frente,
    mas coisa rápida. Continua-se encantado pela luminosidade da tela do objeto que
    se tem nas mãos.

    Quatro pessoas á mesa, quatro seres humanos envoltos com

    seus objetos.

    Cada um está em um mundo que é só seu. Os demais, a sua

    volta, se encaixam no desejo que se tem na medida que se precisa projetar à
    vontade e se necessita de um corpo externo para assumir o personagem desejado.

    Cada um percebe sua família, se é membro de uma comunidade

    que existe apenas na minha imaginação e vontade legitimada pela aparência.

    Ao final, a família está reunida, sai nas imagens propagadas

    como um símbolo de unidade, contudo, cada um dos elementos está só, acompanhado
    de si mesmo e de suas projeções.

     

    O eterno diálogo solitário

    3 min

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A vida não é tarefa fácil. A gente tem que gestá-la depois de ter sido fruto de uma gestação. As coisas não param e a gente também não. Mesmo os que se neguem a se movimentar serão arrastados ou…