Gilson Aguiar

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By Gilson AguiarEducationSelf-Improvement
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Gilson Aguiar episodes

  • Infantis e armados II

    A mente infantil com arma na mão

    Aconteceu de novo. Lá está ele, o infantil inconformado com

    as frustrações. O agressor constante que extermina a vida de pessoas por
    considerar prejudicado e alimentar a lógica tola. Aquela que se resume a frase
    rasa de que “Se não vai ser meu não será de mais ninguém!”.

    Abro o ambiente on-line em um jornal estadual e lá está a

    manchete: “Soldado-aluno da Polícia Militar mata ex-mulher e o advogado dele.”
    Mais um inconformado com o fim do relacionamento que resolve acabar com a vida
    da ex-companheira.

    Ele, como tantas outras retóricas semelhantes, não suportava

    o fim da relação. Ou seja, se o outro não quer, eu querendo, está valendo.
    Mais, e se o outro não quiser, não será de mais ninguém.

    Como também, em outros tantos casos, o assassino que depois

    se suicidou, já tinha agredido a ex-parceira. Já tinha ficha na polícia. Ela, a
    vítima, já havia pedido medida protetiva. Mas, nada impediu o tolo e infantil
    de exterminar quem dizia amar.

    Isso não é amor, e posse. É uma criança que não tem

    maturidade e capacidade de enfrentar perdas. Mimados e alimentados com o
    autoritarismo consideram que podem tudo. Para eles, o outro não tem vontade
    própria. Para uma mente medíocre, só tem vida o que girar em sua órbita
    umbilical.

    No mesmo jornal on-line estava a manchete do julgamento de

    um casal que tentou matar a própria filha, em 2019, por não querem ter despesas
    com a criação da criança. Sim, é isto mesmo.

    Pode parecer absurdo, mas a lógica é medíocre. A mesma

    percepção rasa da realidade e a busca da saída que consideram mais fácil.
    Independente se seja desumana, imoral, egoísta, mesquinha, o que você quiser
    adjetivar de forma negativa.

    Nestes dois casos, sempre há que refletir sobre o agressor.

    Ele não é um ser externo, ele não reside além dos muros de nossa casa, não é um
    estranho, está embaixo do mesmo teto muitas vezes. Nos dois casos, um parceiro
    soldado e pais sempre são associados a proteção, mas, nestes casos, são a
    principal ameaça.

    A violência não acaba por aí...

    3 min
  • Infantil e armado

    Infantis e armados não são novidade

    Já falei aqui e falo quantas vezes for necessário. O autor

    dos disparos em uma escola estadual em Cambé, ontem, segunda-feira, que tirou a
    vida de uma estudante de 15 anos e deixou outro adolescente em estado grave,
    não é um doente mental.

    Nós estamos produzindo estes seres humanos em série e alguns

    deles dão o sinal dos riscos que produzimos diariamente.

    Agora, em nome da falsa liberdade, o que se tem é falta de

    limites, produzimos um ser adulto com uma mentalidade infantil. Só uma mente
    infantilizada deseja a vingança de um sentimento que não sabe lidar, de um
    problema que é seu e que deve resolver.

    Estamos empoderando as pessoas de um sentimento de egoísmo

    autorizado. Agora, as dores pessoas, os traumas particulares, os problemas de
    conflitos pessoais que todos nós temos, não se resolvem mais no mundo privado.

    O autor dos disparos na escola em Cambé confessa que queria

    matar mais gente. Que planejava o ato de “vingança” porque tinha sofrido
    bullying na escola quando era estudante. Ele estudou na escola em 2014 e
    durante quase dez anos planejou a vingança.

    O assassino ficou um tempo considerável de sua vida

    alimentando um ódio que foi seu único objeto de interesse. Para o autor dos
    disparos, a mente infantil, nada que ocorreu nestes 9 anos foram o suficiente
    para o faze superar o suposto “trauma”.

    Vingança alimenta ódio e rancor. Isto que estamos fazendo

    diariamente e já por um bom tempo praticamos. Consideramos, como crianças, que
    a vida se divide entre os bons e os maus. Somos tão tolos que não temos a
    capacidade de entender que os seres humanos são contraditórios e angustiados
    por natureza.

    Esta sociedade idolatra uma fantasia da felicidade perpétua

    e do ódio permanente. Saboreamos a luta dos extremos porque não conhecemos a
    resiliência e o equilíbrio com condição humana.

    Observe nas redes sociais, no dia a dia, o que as pessoas

    pregam, defendem, idolatram. Perceba o quanto se alimenta o ódio e a vingança.
    Muitos já foram idolatrados com o discurso da agressão.

    O que o jovem, de 21 anos, que tinha uma vida de pelo menos

    mais 60 pela frente, fez foi trocar o futuro por um momento de frustração e
    dor. Ele trocou uma vida inteira por um instante de vingança.

    O que o ato insano do atirador lhe deu foi um longo tempo

    para se arrepender. Não por acaso, infantil e tolo, queria se suicidar para
    não pagar o preço e as consequências do ato que fez.

    Quando vamos aceitar que o alucinado assassino é fruto de um

    modelo de ser humano que estamos produzindo em série. Imediatista, egocêntrico
    e limitado na compreensão do que a vida em sociedade.

    Resumindo, o invasor da escola, que matou alunos, teve falta

    de educação e voltou ao local onde o que restou em sua memória foram ofensas
    para promover sua vingança.
    O caso em Cambé é mais um...
    Cultivamos o ódio e colhemos assassinos em série
    Trocou uma vida inteira por um instante

    3 min
  • Picanha e gasolina não resumem um governo

    Um governo pode ser medido pelo churrasco e o preço dos

    combustíveis? Eu acredito que não.

    Um governo deve ser avaliado por muitos mais que atos

    imediatos. O que deve ser considerado é uma política de longo prazo em relação
    a miséria da população e a distribuição de renda, fatores mais importantes e
    que estão acima deste imediatismo de preço de picanha no açougue e gasolina na
    bomba.

    Mas, pense, quantos não medem a vida pelo imediato? Nesta

    sociedade está prática de viver “da mão para boca” é comum.

    Além disso, temos o péssimo hábito de “julgar o todo pela

    parte”. A satisfação imediata faz muitos aceitarem a permanência da dor por
    mais tempo.

    Uma das habilidades dos homens públicos em sua carreira é

    manipular a sensação imediata. A grande maioria se elege por isso.

    Na política, o que não tem um preço elevado é o malfeito. Muitos

    dos que estão hoje no poder já praticaram atos de agressão e violência contra a
    população. Já condenaram muitas vidas com práticas de corrupção e jogo de
    poder.

    Por isso, não cola o ditado de que “o passado nos condena”

    na vida pública. O passado de parte considerável dos homens públicos tem atos
    ilícitos. E muitos, mesmo condenados, estão na vida pública.


    3 min
  • O sujo falando do mal lavado

    Gilson Aguiar comenta sobre o péssimo hábito que se tem de criticar as pessoas por erros, condutas, que o próprio crítico tem. O defeito na vida dos outros encobre os nossos próprios defeitos. O comportamento é antigo, deve prevalecer, mas é importante combatê-lo, principalmente se queremos mudar.

    3 min
  • Ocasião faz o vilão?

    A dose diária de ilicitude

    As manchetes dos principais jornais estão sempre com um

    número significativos de reportagens sobre corrupção. Empresas, homens
    públicos, magistrados, pessoas comuns. A vida está marcada pela ação ilegal.
    Estamos vivendo uma febre de comportamentos ilícitos?

    Há quem considere que no passado a honestidade prevalecia.

    Como se dizia, “Era no fio do bigode”. Será?

    O que se tem hoje é a exposição descarada do malfeito. Os

    mecanismos de rastreamento e comprovação do ato ilícito está propagado e em
    funcionamento nos espaços mais íntimos. Não praticar a maldade é mais o
    mérito da câmera de vigilância do que a consciência.

    Por outro lado, há a capacidade de se fazer o mal com mais

    eficiência. Os mecanismos, as ferramentas, da agressão estão mais disponíveis.
    O desenvolvimento de uma inteligência que nos soluciona problemas traz consigo
    também a possibilidade da contravenção.

    Não é preciso uma arma branca ou de fogo para marcar uma

    pessoa para sempre ou lhe fazer ameaças. Se faz no mundo virtual um estrago
    maior do que a difamação analógico que exigia esforço, tempo e determinação.

    Agora, causar a dor, nas suas inúmeras definições, é uma

    questão de segundos. Apertar “enter” ou “delete” tem semelhanças de “puxar o gatilho”
    e, com mais precisão, acertar o alvo.

    Muitos filósofos discutiram ao longo do tempo a importância

    do valor da conduta entre a experiência e a razão. Há o que a vida nos traz de
    valor e o que o conhecimento nos permite concluir.

    Vivemos experiências, mas elas devem ser pensadas com

    critérios de valor moral, ético e serem racionalizadas diante de um saber que
    nos dê a melhor orientação.

    Aquele que pensa nas consequências racionais de seus atos e

    consegue entender os efeitos longevos, de longo prazo, de sua ação sempre foi o
    melhor ser humano. O que é algo raro em nossos dias.

    Acredito que se por um lado as denúncias das práticas

    ilícitas cresceram, as mesmas ferramentas que nos permitem expor o mal também
    são armas que permitem que ele seja praticado.

    Caímos mais uma vez no elemento vital dos efeitos da

    violência, da agressão, da corrupção, o ser humano e o sentido de sua ação e
    interesse. Este, tem ficado cada vez mais limitado a satisfação imediata e
    descomprometido com um valor social mais elevado.

    Os debates medíocres sobre temas relevantes levam a

    conclusões superficiais. Elas são fáceis de entender, mas distantes da verdade
    e da racionalidade lógica e objetiva. Fazemos o mal, somos mal-informados e
    mal-intencionados.

    O outro lado da moeda
    A ética nos falta e a moral se banalizou
    Concluindo

    8 min
  • Exposição na internet, nudez desautorizada, quem é a principal vítima?

    Expor pessoas na internet é crime. E os casos em que envolve

    nudez é crime tipificado com pena de 1 a 5 anos de detenção e envolve
    indenização.

    Os dados da Secretaria de Segurança Pública no Paraná

    mostram o crescimento do número de denúncias. Nos últimos quatro anos o
    crescimento de registros de Boletim de Ocorrência cresceu 60%.

    O que se estranha é que segundo os dados da SSP-PR o maior

    número de denúncias tem os homens adultos como principal vítima. 49% dos casos,
    as mulheres adultas são 39,2%. Crianças e adolescentes também sofrem este tipo
    de crime, com um número de denúncias menores. As crianças são 2,2% dos casos e
    os adolescentes são 9,6%.

    O aumento do número de denúncias é significativo. Em 2019,

    um ano depois da criação da lei, 171 denúncias, já, no ano passado, 2022, o
    número foi de 273. Apesar do crescimento, o número não demonstra a proporção do
    crime que se comete.

    Outro fator importante é que os homens são as principais

    vítimas dos crimes que são denunciados, mas as mulheres são as que mais sofrem
    agressão. Muitas são julgadas e discriminadas, marcadas, com mais violência, somente
    por ser mulher.

    Há um preconceito que as impede de denunciar e os prejuízos

    para elas são intensamente e extensamente profundos.

    Por trás do ato praticado de expor uma pessoa na internet,

    neste caso, através na nudez, demonstra a intenção e consideração do autor(es)
    do crime. A maneira como se trata o ser humano como um objeto de uso e
    descarte. Alvo de vingança na maioria das vezes.

    Vivemos tempos em que as relações que estabelecemos nas redes

    sociais, onde estes crimes ocorrem, facilitam a consideração das pessoas como
    seres sem valor. O chamado “cancelamento” tem seus excessos.

    A exposição da nudez na rede é o tratamento da pessoa como

    se fosse um objeto, usado e descartado. Ato moderno, mas que lembra as
    condenações medievas e do período colonial brasileiro com a execração pública. Um
    barbarismo humano nos tempos modernos.

    Homens são as maiores vítimas?
    Mulheres sofrem para denunciar

    3 min
  • Onde está a ética dos deuses?

    No mundo grego clássico, os deuses têm virtudes e defeitos.

    Mesmo Zeus, o deus dos deuses, com toda a sua justiça, tem suas escorregadelas.
    Algumas acabam por custar incômodos, como por exemplo, manter relações amorosas
    com mulheres mortais e gerar os semideuses.

    Outras divindades sofrem com a vaidade, Vênus, a deusa da

    beleza não suporta alguém que seja bela ao ponto de ameaçar sua posição. O bom
    gosto da deusa não impede que ela tenha raiva, ódio e deseje eliminar a
    concorrência.

    Os deuses da Grécia Clássica eram mais humanos do que se

    imagina.

    Homens públicos não são deuses e cometem erros constantes.

    Tem suas tramas e interesses como os normais. Muitos, não poucos, desejam
    arrumar uma forma de atingir o que desejam e nem sempre agem de maneira lícita,
    por mais que pregam a moral e a licitude.

    O deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos) teve o seu

    mantado cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão foi unânime,
    daquelas com vontade. O júri foi coeso na condenação. Ninguém contestou no Tribunal,
    o deputado ainda pode. Dallagnol pode recorrer ao STF.

    O parlamentar que perdeu o mantado e já foi chefe da

    Operação Lava-Jato, tinha processos pendentes no Conselho Nacional do
    Ministério Público (CNMP). Logo, não podia ter se candidatado e foi pego pela
    Lei da Ficha Limpa.

    Ou seja, pela versão do Poder Judiciário, Dallagnol que

    sempre pregou a moral e transparência foi pego por uma atitude antiética.

    Ele, o deputado cassado, reclama. Diz que calaram a voz de 344

    mil eleitores. Também afirma que foi vítima de uma canetada.

    A Lava-Jato também “canetou” e interrompeu a vida pública de

    muita gente.

    Na Grécia Antiga, os deuses poderiam cometer seus delitos,

    quem colocaria uma divindade no banco dos réus? Na sociedade dos homens, errar
    é humano e dependendo do erro as consequências são sentenciadas pelos próprios
    homens.

    Muitos dos que são sentenciados já foram juízes ou

    executores das sentenças de outros. Logo, não há o que estranhar, se errar é
    humano, o julgamento, sentença e condenação também são.

    3 min
  • Moral é fácil de cobrar, a ética é difícil de fazer

    A que saber lidar com a ética e depois diferenciá-la da

    moral. Há os que sempre defendem a última sem conseguir cumprir a primeira. O
    desejar o valor se sentir o peso que é exercê-lo.

    Não por acaso, os que se sentem dignos acabam por agir mais

    pela pressão da moral coletiva do que a interiorização do valor a ser cumprido.
    Se faz ou não por se temer a consequência do ato.

    Aquele que é ético age orientado por um sentido de ação. Um

    valor, um modelo que o determina o comportamento a espera que gere um resultado
    responsável para com os que terão consequências de sua ação. Claro, também, em
    prol de si mesmo.

    Quando falamos da ética em uma determinada sociedade, há que

    se entender o que este ambiente coletivo cultua. O que ele considera como
    condição necessária a se manter para a preservação de sua unidade e identidade.

    Aqueles que se comportam por princípios buscam a

    reciprocidade. Acreditam que a prática do comportamento está com o mesmo
    sentido dos que com quem se relaciona. Por isso, a ética não é coisa de um ser
    só.

    Porém, na complexidade das relações, tenha sempre claro, a

    ética é a ação que expressa a defesa de valores, a moral pode ou não ser a
    orientação que as legitima.

    3 min
  • Como mudar? Por onde começar?

    Gilson Aguiar comenta sobre a mudança, porém, ela não deve ser inspirada somente em onde queremos chegar e sim, principalmente, em quem somos e o que não queremos ser.

    3 min

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A vida não é tarefa fácil. A gente tem que gestá-la depois de ter sido fruto de uma gestação. As coisas não param e a gente também não. Mesmo os que se neguem a se movimentar serão arrastados ou…