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O mundo tem suas vítimas, não há dúvida, são muitas. Elas são agredidas, sofrem rejeição, marginalizadas e humilhadas, merecem respeito. Mas nem todos os vitimados merecem o rótulo. Alguns se colocam nesta condição sem merecer. Pegam um puxadinho do benefício dado aos que sofrem agressão e se colocam na condição de agredidos sem ser.
A chamada vitimização abraça muitos falsos réus. Aqueles que reivindicam um tratamento diferenciado porque julgaram pelos seus próprios critérios o direito a exceção. A imaturidade de não encarar a parcela de sua culpa e perceber que a situação que se encontram é fruto de cumplicidade. Esta postura demonstra um outro problema grave na sociedade atual, a infantilização.
Tendência de se colocar como um ser pequeno diante das questões que necessitam maturidade. A capacidade de perceber que a frustração faz parte da existência e é condição na relação com outras pessoas. Nem tudo o que queremos conseguimos. Não temos o mérito sempre e nossos desejos não devem ser sempre atendidos.
Dentro de si, os infantilizados e vitimados, veem crescer o problema. Muitas vezes o inflacionam e desenham o possível de ser resolvido e transferem a solução para outras pessoas. A lógica tola do “resolva por mim”. Não por acaso se defende a necessidade de compreender os outros. Os infantis e vitimados se sentem sempre incompreendidos.
Não podemos compactuar com este tipo de conduta. A sociedade precisa resolver o problema das verdadeiras vítimas. Esta tendência de se ganhar popularidade com a inclusão de pessoas que não merecem a relevância que exigem acaba desgastando os temas relevantes. Se rebaixa a profundidade do problema para colocar os que não tem mérito no benefício merecido.
Temos que elevar os temas e discutir com profundidade os méritos. Ou fazemos isso ou teremos um número imenso de falsos beneficiários e um grupo de indolentes precários sendo vistos como pessoas de mérito. A vida não é um playground e por isso, precisamos separar os que merecem cuidados daqueles que não são capazes de cuidar de si mesmos.
Qual é o bicho de estimação mais adotado no mundo? Você deve ter pensado no cachorro. Se pensou, errou. É o peixe ornamental. Ele representa 40% dos pets no mundo. E neste planeta, os bichos de estimação são 1,6 bilhão.
O mercado é atraente e crescente, sendo que os norte-americanos dominam 50% do mercado mundial de produtos para pets. O Brasil é o segundo mercado, com 6,4%, logo à frente do Reino Unido, com 6,1%. Os dados são do Instituto Pet Brasil.
Hoje, os chineses têm a maioria dos bichos de estimação do mundo, 464 milhões. Pouco, para quem tem uma população de quase 1,4 bilhão de habitantes. Os Estados Unidos da América vêm em segundo, com uma população de pets de 259 milhões, à frente do Brasil que tem 193,3 milhões de animais de estimação.
A crise chegou para muitos setores durante a pandemia. Contudo, o setor de pets não foi afetado, cresceu, mais de 5%. E quando falamos de serviços e produtos de pets, estamos nos referindo 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em 2019 o setor movimento nada mais nada menos que R$ 35,4 bilhões.
No Brasil, para se ter uma ideia do perfil dos pets, dos animais de quatro patas, os cães predominam, são uma população de 55 milhões. Os gatos são 25 milhões nos lares brasileiros. Os bichanos estão crescendo. Hoje, a adoção de gastos é maior do que cães, 57%.
Na vida em apartamentos e com a rotina urbana de trabalho, o gato parece ser o melhor adaptado. Consegue sobreviver com pouco espaço e ser um parceiro silencioso, sem deixar de estar presente e gerar afinidade e apego.
Nas redes sociais os pets ganham espaço, há uma série de sites exclusivos para quem tem seu animal de estimação. Tantos os que vendem produtos e serviços como os que ajudam a cuidar e educam na convivência entre os seres humanos e seus animais de estimação.
Segundo reportagem da Revista Exame, uma das maiores empresas de produtos e serviços no mercado de animais de estimação, a Petz, comprou o site “Cansei de Ser Gato”, especializada em conteúdos para quem tem um felino em casa.
Por que isso acontece?
Os seres humanos estão ficando cada vez mais fechados em seu próprio mundo. Na pandemia o isolamento levou muitos a buscarem nos animais domésticos um parceiro fiel e companheiro inseparável. Fora isso, os animais domésticos têm a capacidade de se apegar ao ser humano sem fazer julgamento de caráter ou gerar uma incompatibilidade de gênio.
A afetividade de um ser humano ao animal doméstico já é algo histórico, nos acompanha desde a pré-história. Transformamos nossa relação com os pets em uma construção racional ao longo do tempo. Fazemos deles uma extensão de nós. Em alguns casos, com exagero, os humanizamos.
Já foram em um passado não tão distante, importante companheiros de sobrevivência, caçadores e aliados na defesa pessoal. Ainda hoje prestam serviços vitais a segurança privada e pública. Porém, o grande feito do animal doméstico é conviver com um ser humano sem discriminá-lo. O bichinho de estimação ama seu dono da forma como ele é. O aceita.
O perfil dos seres humanos tende a ter dificuldade de convivência e manutenção de relações duradouras. A intolerância em relação as diferenças têm crescido e promovido violência. Os animais de estimação também sofrem agressão. Mas, na maioria das vezes, são pacificadores fundamentais e construtores de relações acima de conflitos marcados por desentendimentos tolos. Por isso, seus donos estão dispostos a gastar com seus pets o que for necessário. Na lógica da afetividade e do sentimento correspondido, o animal de estimação sempre merece.
Tenho dado aula no ensino superior de forma presencial, uma educação híbrida para os alunos, já que 50% deles permanecem em casa, há um rodízio semanal. Esta semana, após ter encerrado a aula no período noturno, alunos expressaram que se consideram mais produtivos quando estão em sala de aula de forma presencial. “Tudo é diferente” segundo eles.
Quando a pandemia iniciou sua jornada muitos trabalhadores iniciaram a sua dentro de casa. O home-office foi para muitos a alternativa para terem segurança e evitarem a contaminação. Contudo, empresas de tecnologia já tinham esta prática. Segundo levantamento da Capterra, da Garther, 7 % das pequenas empresas praticavam o home-office antes da pandemia.
Os números dos que trabalham em casa cresceu entre junho e dezembro do ano passado. Porém, iniciou uma trajetória de decadência no começo deste ano e parece que já não é mais uma tendência que veio para ficar até mesmo em setores que eram considerados o carro chefe do trabalho remoto.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que estamos vivendo uma queda no home-office de 260 mil trabalhadores por mês. Hoje, são 7,3 milhões de trabalhadores nesta condição no Brasil, o que corresponde a 9,1% dos 86,2 milhões da mão de obra em atividade no país.
A decisão de retornar nem sempre vem das próprias empresas. Não podemos esquecer que 41% dos que trabalham em home-office se consideram produtivos. Há um percentual de dois terços que apontam para dificuldades de adaptação do trabalho com as questões domésticas, com a vida pessoal.
Porém, as empresas também começam a demonstrar que desejam o trabalho presencial. Mesmo instituições que trabalham com tecnologia apresentam esta tendência. No núcleo econômico mundial, Nova York, empresas como a Morgan Stanley já anunciou, através do seu presidente James Gorman, que tem interesse de ver seus trabalhadores de volta ao ambiente de trabalho até 6 de setembro.
No Citi Bank, a intenção é ter 50% de seus colaboradores de volta ao ambiente de trabalho até julho. E o interesse não é somente na sede norte-americana, mas em todas as unidades espalhadas pelo mundo. Os norte-americanos já vacinaram 44% da população e isso gera um ambiente de segurança para o retorno ao trabalho presencial.
Logo, o trabalho presencial vai continuar sendo predominante em grande parte das empresas de tecnologia. Por mais que isso seja considerado um limitador para obter trabalhadores qualificados em todo o mundo. As pessoas ainda querem sentir de forma lúdica a convivência com um ambiente direcionado para o trabalho.
Pela produtividade no trabalho ainda é fundamental que se tenha uma separação física entre a vida pessoal e profissional. Sair de casa para gerar a sobrevivência é uma prática que consolida em muitos a capacidade de administrar os próprios interesses de dois mundos que nem sempre se cruzam, casa e trabalho.
A pandemia deixou e deixará sequelas, algumas ficaram conosco por um bom tempo. Não só as consequências dos problemas físicos que muitos que já tiveram a doença estão apresentando, cerca de 20% dos que foram infectados, 70% dos que tiveram sintomas mais graves. Há uma sequela que vai incomodar tanto os que sofreram ou não com a infecção do novo coronavírus. A desigualdade econômica.
A renda da população mais pobre do país aumentou, Segundo levantamento da pesquisa Bem-Estar Trabalhista, Felicidade e Pandemia, da FGV - Social, no primeiro trimestre deste ano os brasileiros tiveram uma renda média abaixo de R$ 1 mil. A maior da série histórica. Para ser mais preciso, R$ 995,00. No mesmo ano passado a média foi de R$ 1.122 e já estava em queda.
A condição da pandemia agravou ainda mais a condição de quem dependia de trabalho sazonal e não tinha renda fixa. O custo de manutenção da família se alterou com a inflação sobre os alimentos básicos. Só observar o preço do feijão e arroz. A proteína tem tido reajustes constantes.
Esta condição irá nos prejudicar sensivelmente e será um legado que a pandemia vai nos deixar sem uma solução imediata. Não que o problema seja novo, mas agravado e com uma economia debilitada, será um entrave a mais para a retomada do crescimento.
Por isso, temos que promover ações sociais de ajuda às pessoas em condição de risco e miséria. É necessário uma política de ação imediata, dando alimentação e garantia de saúde. Promover a recuperação econômica através da qualificação e estabelecer uma ajuda financeira adequada. Paralelo a estas medidas, um plano de ação de médio e longo prazo.
Plano esse que não seja fragilizado por um contexto político vulnerável a transformar toda e qualquer questão em palanque. Precisamos salvar uma sociedade que é a garantia fundamental do futuro para a maioria. Mesmo para os que vêem nela apenas uma forma de ascensão ao poder e atendimento de seus interesses.
Problemas nasceram para serem enfrentados e resolvidos. Devemos ter a capacidade de encarar os dilemas. O que o mundo menos precisa na atualidade é de nossa covardia. Estas afirmações exigem diante da crise a capacidade de resolução, não de lamentação.
A covardia tem se transformado em ato constante na atualidade. Se apequenar diante dos problemas virou “rota de fuga” para uma porção significativa das pessoas. Ser a vítima das circunstâncias acaba por nos colocar na lista dos que merecem atenção ou perdão.
O Brasil é um país de formação cristã. Um grande número de brasileiros depositam suas esperanças na doutrina religiosa. Consideram um princípio fundamental para separar os justos dos injustos, os errados dos certos e definir uma ética necessária de conduta diante dos dilemas que a vida nos dá.
De certa forma, as leis também devem ser seguidas e serem para todos com a mesma crença disciplinar que o ato de fé demonstra. O que vale para mim vale para o outro. Se ninguém está livre da lei de Deus não deve estar também da lei dos homens.
O grande problema da atualidade é que tanto a ética religiosa como a legislação estão abrindo espaço para a personalização. Abrimos exceção para tudo e não consideramos a necessidade de que todos devem estar subordinados às mesmas regras.
Há uma leva de pessoas defendendo a essencialidade, mas não defendendo o peso do que isso significa. Veja a questão da vacinação. Há um grande número de categorias profissionais que se consideram essenciais e necessitam de prioridade para serem imunizadas. Porém, somente diante da necessidade de vacinação. No peso e continuidade das atividades normais, na cobrança da execução do trabalho, no exercício e responsabilidade do ato a mesma essencialidade já não é tão defendida.
Se o fiel não quer se subordinar a regra que os dogmas exigem e busca uma igreja que aceite seus atos como santos, no dia a dia todos usam a si como medida e exigem aos envolvidos a crença de que suas visão precária do mundo seja considerada uma verdade universal.
Precisamos exigir a responsabilidade que a cada um compete. Não podemos mais ficar abrindo espaço para contínuas exceções. Nas escolhas que fazemos há que se ter a responsabilidade das consequências. Precisamos educar as pessoas a compreenderem que temos que viver subordinados às regras coletivas. Não podemos nos eximir de assumirmos a nossa responsabilidade. Se queremos o bônus, temos que estar cientes do ônus.
Em plena pandemia, quem tem o poder e a obrigação de ter eficiência em responder o problema?
As opiniões se dividem. Alguns argumentam o governo federal como incapaz de tomar medidas coerentes e orientar a ação dos estados e municípios. O tal do “plano nacional de combate a covid-19”.
Outros consideram que os governos estaduais e municípios devem tomar para si a responsabilidade de agir e coordenar as ações de monitoramento, controle e vacinação. O consórcio de municípios para comprar a vacina naufragou e mesmo as medidas metropolitanas não se acertam. Uma cidade fecha por decreto a outra abre, as duas conurbadas.
O cidadão também não escapa das críticas, é vilão para muitos. O principal responsável com comportamentos inadequados e propagador da doença em diversos ambientes. Promove aglomerações e desrespeita medidas. Porém, uma parte considerável da população não tem como evitar sair de casa e conviver com aglomerações no transporte coletivo, por exemplo.
Há um outro elemento que precisa ser levado em conta, a cadeia mundial na qual o país está envolvido e que não pode escapar. Fazemos parte de uma relação de produtos e serviços ligados a uma economia global. Se não na totalidade de forma direta, mas em sua parte considerável recebemos seus efeitos.
A contaminação foi uma demonstração disso. Do quanto a relação mundial permite a propagação de um vírus de forma rápida e de difícil controle. Já não temos uma vida regional fundada no isolamento, há um grupo de pessoas, limitado, que sempre estão indo e vindo. A pandemia não precisa mais vir só de navio, vem pelo ar com tanta agilidade como e por terra quando possível.
Nas localidades, o isolamento existe, mas não a perda de contato. Muitas pessoas podem não ter condições de viajar, se deslocar, ser a turista. Fica presa as condições de vida local. Mas está sujeita a contaminação da mesma forma. E nas condições precárias que vivem, sofrem quando são contaminadas.
Logo, a cada medida que tomamos temos que ter a noção dos limites que elas têm. Aonde podem chegar e o quanto estamos expostos aos problemas nesta cadeia de relações que vão muito além dos poderes públicos e privados estabelecidos. Entre governos, governantes e governados, nossa vida está sujeita a inseguranças que não há decretos ou medidas que possam nos proteger.
Ele chega, causa medo seus passos pela casa, ela conhece e sabe, terá sorte se tudo não passar de uma discussão. Mesmo assim, será ofendida. Mas, a mágoa é dor menor diante das lembranças que o corpo e alma guardam em forma de cicatriz e medo.
Este é um temor que grande parte das mulheres vivem e sentem. Passam por isso. A coragem de denunciar não é tarefa fácil. Pode ser, na busca de sair do problema, um ato de extremo risco. Há a vingança do agressor quando se vê denunciado e punido.
Em determinado momento do dia, ela resolve ir à delegacia da mulher e fazer a denúncia. Vai cheia de medo. Se encontrar um ambiente que não a apoie e valorize seus sentimentos, tudo pode dar errado.
Em Maringá, há uma polêmica na troca da delegada que dirige a delegacia da mulher por um homem. Isto altera o trabalho feito pelo órgão público? Eu acredito que sim. Não estou condenando todos os homens a uma visão machista, seria generalizar e não reconhecer o avanço de muitos em relação a questão de gênero.
Infelizmente, a formação profissional no aparato de segurança no Brasil continua vinculado ao perfil de valorização da figura masculina. Esta realidade está em processo de mudança. Contudo, ainda não chegou no ideal.
Mulheres entendem melhor as mulheres? De uma maneira geral, se podem dizer que sim. Sempre bom lembrar que há uma mentalidade machista também em mulheres que foram educadas a aceitar a imposição masculina. Quantas mulheres que na busca de dividir sua angústia como vítima de violência não teve conselhos de aceitar a submissão vindo de outra mulher?
Mas, de uma delegada(o) da mulher se espera sempre a capacidade de ser um agende de respeito a igualdade de gênero e defender a causa das mulheres. Um profissional com esta qualificação é fundamental.
Desta forma, por mais que a questão de ter uma um profissional homem ou mulher à frente de uma delegacia possa parecer um “detalhe”, não é. Neste momento, no país onde estamos, faz toda a diferença.
Então, o fulano ou o beltrano prestam ou não prestam? Vale confiar no ciclano? Na minha opinião o mundo deveria ser assim ou assado. De repente, o umbigo de certas pessoas se transforma no centro do universo. Colocamos o mundo na pauta e vamos destilar sobre a existência alheia.
A questão é: “Quem somos nós para nos darmos este direito?”.
Nossa vida cheia de tropeços, falhas, contradições, “pecados” ocultos, é vendida como se fosse esteticamente perfeita. Somente os tolos de plantão é que compram esta ideia. Como diz o ditado, “o sujo falando do mal lavado”.
A visão particular do mundo não tem o direito de julgar a vida alheia. Nossa visão é precária sobre a existência das pessoas e se quer temos a compreensão de que o comportamento de uma pessoa não serve como parâmetro para o julgamento dos demais. Não podemos julgar o todo pela parte.
Caímos na cilada de defender determinadas ideias exatamente porque consideramos que nossa experiência pessoal pode nos dar a dimensão do que é vida social. Não pode. As questões que chegam até nós são uma visão pequena do contexto em que determinados comportamentos estão inseridos e não temos a percepção clara do que os move.
Os debates impulsivos que travamos sobre temas relevantes, para muitos, os argumentos são sustentados nesta percepção reduzida da realidade. Fora isso, há um preconceito imenso nas considerações que fazemos sobre os fatos e as pessoas. Os chamados “rótulos”. Muitas vezes, rotular nos exime de ter que justificar nossas posições sobre determinados temas.
Por isso, cuidado com seus julgamentos. Procure limitar suas considerações sobre o mundo e pensar inúmeras vezes sobre as posições que assume diante de determinados acontecimentos. Cuidado. Se algo lhe incomoda, busque conhecer melhor a questão em fontes seguras, que tenham uma reflexão com argumentações mais profundas.
Não busque os seus aliados, defensores dos mesmos critérios míopes. Temos o péssimo hábito de buscar quem defenda as mesmas posições que as nossas para nos sentirmos corretos em nossos julgamentos e decisões.
A luta pela diversidade e respeito as diferenças exigem uma postura de compreensão e reflexão sustentada em responsabilidade. O crescimento de um ser humano depende de seu aprendizado diante de suas experiências. Mas, para isso, é preciso que ele se comprometa a não se considerar o “centro do universo” e entender, que há inúmeras formas de análise do mesmo ato, quanto mais complexo ele é.
Estupidez, não há outra forma de definir alguém que sem argumento, negando ser contrariado, passa a agredir de forma desmedida. O agressor pratica uma linguagem que já aprendeu com o tempo a reproduzir.
Violência gera violência. Há uma agressão desmedida que tem crescido em diversos lugares. Nos tristes noticiários do ambiente doméstico, lugar que deveria ser de segurança e é o ninho da agressão que se multiplica por gerações. Dói ver que em muitos lares, a violência está presente desde a infância.
São tantas agressões e de formas e intensidades variadas. Em tantos lugares diferentes. Parece que conviver com a agressão é um destino de grande parte de nós. As experiências se acumulam e se considera natural agredir e, por consequência, ser agredido.
Uma linguagem que denuncia intolerância. O processo de agressão é sempre uma demonstração de limitação na compreensão dos fatos que geram a contrariedade. Quem agride demonstra sua percepção de mundo com o ato de violência.
Com a propagação do ambiente agressivo, há quem se prepara para viver neste ambiente aprendendo a agredir antes de ser agredido. Mesmo que não seja. Agride para evitar a agressão e acaba cometendo injustiça contra quem não tem esta prática.
A lei torpe de que “atire” e depois pergunte. Pode ser que se perguntar não haverá tempo de reagir. Esta crença, este modelo de convivência, continua por aí. O animal humano parece ser considerado o estado ideal na convivência com as demais pessoas.
Estamos em uma sociedade em que “crianças mimadas” agora crescidas não estão dispostas a renunciar a seus desejos e de sua forma egocêntrica de ver o mundo. Diferente da criança cheia de ingenuidade, esta não é uma característica do agressor contemporâneo.
Não pratique a agressão para não transformar isso em uma linguagem constante e considerada natural porque é a forma de fazer valer a tola vontade.
Pode considerar que não, mas são suas escolhas que falam muito sobre quem é. Nossos atos dão a todos que estão a nossa volta uma dimensão de nossa responsabilidade sobre a condução de nossa vida e de todos os envolvidos.
Devemos ter a capacidade de orientar nossas ações pela escolha mais coerente entre o que defendemos, pensamos, valorizamos na fala e que se se comprava no ato. Por isso, precisamos de ciência do envolvimento e comprometimento nosso e das pessoas, diante da necessidade de uma ação, de uma escolha.
As mais fáceis escolhas são aquelas que há outras pessoas envolvidas. Sempre há uma cumplicidade em que a partilha da decisão pode ser amenizada com o parecer e opinião. Elas nos remetem a dimensão de como, quando e como o que decidimos impacta na vida alheia. Se há consciência daqueles que receberão o efeito de nossas medidas, há sempre uma possibilidade de ponderação.
As escolhas mais difíceis são as que dependem exclusivamente de nós e de nossa inteira responsabilidade. Elas acarretam o peso e a medida que usamos para definir o ato, a decisão a ser tomada. Não é fácil.
Pesa mais sobre os ombros dos que tem ponderação a ação que recai além de nosso território pessoal. Não é fácil bancar de senhor da vida alheia. Tem quem considere o ato desejável. Ama saber que a existência alheia será atingida por uma decisão sua. Um risco ao poder que tem poder sobre as pessoas e pensa assim.
Prefiro os angustiados, aqueles que se incomodam em saber que além de si a outros que podem sofrer ou receber consequências de uma decisão. A ponderação é fundamental e deve ser o elemento vital na ora da escolha.
Quem decide nunca pode esquecer que a influência de seu ato terá o peso maior de ser notado no mundo. Nossas escolhas nos posicionam. Quanto maior o nosso poder, maior o significado dos nossos atos na vida de quem depende de nossas decisões.
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