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Estátuas e privilégios foram erguidos em cima de sangue e suor negro e indígena. O Novo Mundo inteiro é assim. Onde houve escravidão e genocídio há ruas, avenidas, praças e monumentos que exaltam os nomes de quem escravizou e matou. Que espécie de lógica é essa que naturaliza algo tão cruel? Há muito tempo se fala de negritude. Seus monumentos imateriais, tais como a música, a comida, a história contada de boca em boca. Na materialidade das cidades está a plenitude da branquitude, conceito que vem se espraiando e trazendo reflexões cruciais para o momento em que vivemos. Como não achar normal que aqueles que têm nomes de praças e logradouros sejam os mesmos que tenham as posses, os cargos, os títulos? Que tenham a caneta que escreve a história? Os momentos são de questionamento e luta. Luta pela vida e questionamento sobre o papel que desempenhamos nessa máquina. André Simões, mestrando em Antropologia Social, revisita o Heavy Hour, agora à distância, mantendo o olhar e a voz aguçados. Ledeci Lessa Coutinho, ativista do movimento negro há 3 décadas, Historiadora, ex-Secretaria de Educação do município de Cangucu, Mestre em Educação pela Ufpel, no ano em que comemoramos uma década do lançamento d'O Grande Tambor (documentário que emergiu o Coletivo Catarse na História do Tambor de Sopapo e numa parte da trajetória do povo negro no Estado do RS), segue nos trazendo reflexões fundamentais e que mexem também com nossas emoções. A luta contra o racismo segue sendo central, e, nela, o coração e a razão precisam andar juntos, para que realize em toda sua plenitude!
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“Para provocar uma reação numa sociedade onde a propriedade é tão importante, talvez seja necessário quebrar umas vidraças...” - nos diz Ana Barreto, diretora da ONG AfroResistance e convidada, desde Nova Iorque, no Heavy Hour da semana. Também direto do Império, recebemos Dennis, porto-riquenho, videoativista e vigiante de policiais, que traz os sentires das ruas, bairros e periferias militarizadas pela pandemia e tumultuadas por mais um assassinato de uma pessoa negra nas mãos dos fuckin’cops! Ana nos explica de antemão que não existe capitalismo sem racismo! Eric Garner, George Floyd, Michael Brown… E tantas outras vidas exterminadas por um sistema capitalista/colonial/moderno que precisa acabar. Milhares de pessoas recuperam as ruas exigindo justiça, derrubando e incendiando símbolos da histórica opressão racial/capitalista e enfrentando a violência de Estado num “I can’t breathe” que reverberou em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil. E, para nos revelar a configuração da sociedade brasileira e os movimentos sociais que combatem o racismo, ouvimos também o antropólogo Alexandre Peres de Lima, que aponta à falta de empatia como central na reprodução das relações de dominação. O Heavy Hour e o Coletivo Catarse não esquecerão de João Pedro, menino de 14 anos assassinado covardemente pela policia no Complexo do Salgueiro no último 18 de maio, nem de Miguel, criança de 5 anos, encerrado num elevador - pela patroa da sua mãe -, que caiu do 9º andar, nem de todos os que, anonimamente, são assassinados na mais profunda indiferença… Against capitalism, contra o racismo!!!
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Desde antes da pandemia Covid 19, as periferias, vilas e favelas desse Brasilzão já sofriam de vírus tão ou mais letais que o Corona: racismo, miséria, criminalização da pobreza, falta de acesso aos direitos básicos... Enfim, CAPITALISMO-vírus! Todas essas febres e dores se acentuam ainda mais em meio ao plano necropolítico dos governos neoliberais fascinados pelo fascismo. Como se proteger desse mal? Como alterar esse quadro de terror? Organização e solidariedade entre nós! Essa é a proposta da ação "Nossa força move o mundo: lançamento da Campanha de Luta por Vida Digna". Sendo verdade que nossa luta nunca parou, também é fato que estamos em um momento em que é necessário lutar ainda mais para que se dê uma basta em tanta violência contra os pobres. Também é fato que, se toda a riqueza é produzida por quem trabalha, o que ficou claro nesses tempos pandêmicos, a essa riqueza toda gente tem direito. Conversando com Wanessa e Rod, de Maceió à Porto Alegre, a Resistência Popular dá o tom dessa luta, abre caminhos e nos convida a ampliar, de braços dados e confiantes no futuro!
Link para o site da campanha: http://reporterpopular.com.br/nossa-forca-move-o-mundo-lancamento-da-campanha-por-vida-digna/
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Enquanto o ministro da educação vomita seu ódio público aos povos originários deste território, o HH volta a trazer à tona a luta desses mesmos povos originários! Desde Oiapoque, a antropóloga e integrante do Iepé (Instituto de Pesquisa e Formação Indígena), Rita Lewkowicz, nos traz um panorama sobre a terrível situação que se enfrenta na região norte do país. Remotamente, ainda, recebemos no Estúdio Monstro o Cacique Odirlei Fidelis, direto da aldeia kaingang Vãn Ka, zona sul de Porto Alegre. Odirlei nos deslumbrou com uma fala entranhável! Questionando séculos de tutela e assitencialismo, ele traz à tona a pauta da autogestão e autonomia. Da importância de ocupar a terra, nela trabalhar e colher seus frutos. Do desejo, nesta caminhada rumo ao desprendimento de séculos de colonização, da solidariedade entre parentes indígenas. Da necessidade de buscar as soluções longe das garras de quem quer nos manter dependentes. De se afastar do Estado, assassino, e do sistema capitalista, que o sustenta, que quer encerrar os povos originários num papel de eternas vítimas e numa condição de dependência irreversível. Como aponta a jovem liderança: “Nós, Povos Indígenas, temos que aprender a dizer não a muitas coisas!”.
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O apagamento, ou a desmemória, da contribuição anarquista para as conquistas da Classe Trabalhadora segue na pauta do Heavy Hour. Nessa semana, os nossos convidados Alysson Betlin e Cassio Brancaleone desvelam um pouco mais dessa história. Donos do capital, políticos governantes, comunistas, Lênin, o aburguesamento de trabalhadores pelas benesses concedidas pelo Estado... Sobra pra todo lado. Alguém pode acusar a equipe do HH de ser sectária nesse momento em que precisamos unir forças. Mas seria uma injusta acusação! Nossa intenção é abrir debates e colocar para nossa audiência uma versão menos conhecida e de fundamental importância. Os erros do passado devem ser analisados para que não sejam repetidos. Pelo menos por nós, esquerdopatas amantes da música pesada! Quando dizemos música pesada, nós falamos de Destruction, de León Gieco, de João Bosco e Ney Matogrosso. E falamos de Nazário, músico de Novo Hamburgo que nos envia um petardo sonoro e estreia nas ondas das rádias e streamings da nossa fodástica rede. Arte para conscientizar, emocionar, motivar na luta. As lutas que hoje parecem tanto com as de décadas passadas, mas que carregam toda uma novidade das modernas tecnologias e da pós modernidade dos pensamentos. São muito reais os perigos que enfrentamos. São reais os sentimentos nas falas de cada um dos participantes do programa. Se um dia estiveram separados pela história, anarquistas e comunistas, todos os socialistas libertários, precisam se reencontrar e, juntos, se unirem nas bandeiras básicas de fim da exploração do homem e da Natureza. O inimigo é um só, e nós somos muitos!
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Um canto feito de água e terra, de luta e congraçamento, de esperança e fé. Um canto feito de caminhadas que vem da Costa Doce do Rio Grande do Sul, da Pampa do Sul, do sol do Sertão e da solidariedade do povo. Este Heavy Hour, mais um Espaço Griô, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, traz uma singela homenagem ao grande trovador Pedro Munhoz. Cantautor, que tão bem traduz as lutas do nosso povo. Traduz com o seu milagre do simples e sua alma generosa e socialista. Direto do interior do Piauí, em Picos, Pedro nos conta algumas histórias, e é uma pena que o programa tenha só uma hora e meia, pois muitas outras faltaram. Há um momento em que ele fala sobre a criação da Canção da Terra, hino universal dos povos campesinos, que fica marcado na história do programa como uma de nossas mais belas passagens. Agradecemos de coração essa conversa e deixamos também nosso registro pelo falecimento de Little Richards, o Ricardinho do Rock, que tanta alegria nos trouxe com sua música para chacoalhar o esqueleto e as estruturas! Reverenciar quem faz arte é também uma forma de lutar contra o fascismo que assola o mundo nesse momento. Aqui, no Heavy Hour, eles, os fascistas, não passarão! Aqui é Terra de Pedros e Marias, de caipiras e caioporas, de socialistas libertários, de crentes e ateus solidários, do POVO dos campos, das florestas e das cidades!
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Este programa é dedicado à história anarquista do 1º de maio. Nossos convidados especiais, Alysson Bentlin, professor de história da rede municipal de Canoas e mestrando em história na UFRGS, e Cássio Brancaleone, professor de sociologia da UFFS, nos falam das origens e dos legados do Dia dos Trabalhadores. Foram décadas de muita luta contra a exploração, pela expropriação dos meios de produção e pela autogestão, que marcaram o final do Século XIX e início do XX em toda América - e para além. Conceitos e práticas que, infelizmente, nunca foram incorporadas pelas massas trabalhadoras, que hoje engolem suas 16 horas de trabalho sem protestar. É por isso que se lembra, também, aqui a desmemória que mergulhou gerações na inércia do conforto e no conforto da inércia… Os caminhos são curtos até a apatia e não há muito que separa a apatia da submissão… Será que a falta de consciência e ação política no Brazil têm a ver com a política do esquecimento? “Se acreditam que enforcando-nos podem conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperam salvar-vos e acreditam que o conseguirão, enforquem-nos! Então se encontrarão sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo.” - estas foram palavras proferidas pelo anarquista August Spies, em 20 de agosto de 1886, ao saber que seria enforcado pelo Estado dos EUA. Hoje, 134 anos depois, as repetimos e as fazemos nossas, com a esperança de ascender o coração das almas revolucionárias.
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Rafinha Duarte transformou sua vida a partir do diagnóstico de sua morte. O impacto foi tão grande que a transformação foi além da sua própria vida. Se abriu em encontros, descobertas, raízes e asas, que também mudaram muita gente e suas relações com o corpo, com outras pessoas, com o planeta. Revirando a floresta e a memória, Rafinha e suas colegas bruxinhas trabalham com medicina fitoterápica. Trabalham a dimensão espiritual dessa medicina, que vai muito além de qualquer religião e busca o verdadeiro sentido de religar-se à natureza, plantas, animais, a terra, o ar e a água. Uma pessoa que se define como da água encontra em Maquiné esse amálgama purificador do corpo e da mente e dali constrói uma trajetória de muitas décadas de solidariedade e luta. O recado é de esperança e amorosidade, mas é também um alerta contra esse sistema capitalista que transforma tudo em mercadoria e morte. Como um dia aconteceu com a Rafinha, temos um diagnóstico terrível nesse momento que vivemos. O que faremos com isso? Buscar a vida ou aprofundar na busca incessante do lucro e da riqueza para alguns? A Mestra Rafinha nos dá as direções e nos enche de força para essa caminhada! Aqui vai o contato do Grupo CUIDI, Quem Ama Cura: 51-998.84.85.90. Neste episódio, participações de Gabriela Godoy, Ana Lúcia Poletto, João Cony e Mônica Meira.
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Os tempos estão cheios de incertezas, cheios de informações trocadas, cheios de cuidados e omissões, solidariedade e ganância. São os tempos de sempre! Mas queremos saber o que vai acontecer, queremos viver confiantes no futuro! Seguimos, confinados ou a céu aberto, sabendo que o amor é mais forte e podemos sonhar com as quatro mulheres, cavaleiras, não do apocalipse, mas da esperança, caminhando em frente, cantando juntos e fazendo nossa hora, mesmo que seja importante esperar de vez em quando. Em mais um Heavy Hour da Quarentena, eu e meus camaradinhas do Coletivo Catarse ouvimos música, lembramos histórias, falamos de solidariedade entre nós, do nosso passado e suas amargas pontes de cana doce, suas consequentes senzalas, que, por mais que tentem calar, vêm sempre à tona, embaladas por revoltas populares, quais tempestades de grandes ondas marítimas! E, por certo, não é hora de nos parar agora. Vamos à revolução! Entendeu?! Só ouvindo o programa pra tentar entender...
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As tentativas de flexibilização das medidas de quarentena encabeçadas pela direita terraplanista e assassina em governo mexeram com os brios da turma que está no Estúdio Monstro gravando o Heavy Hour! Balanceou nossos corações, e quase perdemos a compostura! Sendo assim, para tentar manter nossa saúde mental em clima bem melhor que "cumbaiá" na beira da fogueira, estouramos uns latão e conversamos com nós mesmos, apresentando umas sugestões para se passar mais de uma hora e meia de confinamento em reflexão plena. Ah! E tem um anúncio ali no segundo bloco de mais um podcast do Coletivo Catarse... Curte aí!
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