História pros brother

História pros brother

By AGÊNCIA DE PODCASTEducation
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História pros brother episodes

  • Eu vou fazer você odiar a Holanda
    Na época dos descobrimentos o principal meio de transportes eram os navios. Quem tinha mais frotas navais era o mais poderoso. Até certo momento Portugal e Espanha tinham as maiores frotas e a Holanda era uma grande parceira comercial de Portugal e tinha como inimiga a Espanha. Só que em 1580 rolou uma parada chamada União Ibérica, que foi uma união entre os reinos de Portugal e Espanha, e como ficou a Holanda nessa história? Sem o seu maior parceiro econômico. Foi então que a Holanda e os Holandeses tiveram que se virar e fizeram isso criando uma empresa privada que iria realizar suas próprias expedições marítimas com o apoio e incentivo do governo. No ano de 1621 foi criada a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, ou apenas Companhia das Índias Ocidentais. Era uma empresa criada com o objetivo de realizar o comércio marítimo para as Américas. Essa empresa é considerada uma das primeiras empresas de Capital Aberto porque foi a que inaugurou esse modelo de Bolsa de Valores que conhecemos hoje. Mas não estamos aqui para falar sobre coisa boa. A Companhia das índias Ocidentais se tornou uma empresa especializada na comercialização de itens da América que tinham como destino a Europa. Mas naquele período tinha uma coisa muito mais lucrativa do que cana de açúcar, cacau ou até pau brasil. Você sabe o que é? GENTE! Um dos negócios mais lucrativos desse período era a comercialização de pessoas, mais especificamente pessoas vindas da África e essa empresa teve um papel fundamental nisso. Quando se estabeleceu como uma das maiores empresas de transporte do século XVII, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais conseguiu a autorização para ter monopólio do tráfico de escravos para o Brasil, Caribe e América do Norte. Boa parte das pessoas que foram escravizadas entre 1621 e 1792 foram transportadas por uma empresa holandesa, que enriqueceu demais com esse tipo de negócio. A Holanda tinha duas empresas como essa uma era das Índias Ocidentais e a outra Índias Orientais, mais voltada para Ásia. E MUITO pesquisadores afirmam que a Holanda só se tornou a potência que se tornou por conta da participação e lucratividade dessas empresas.
    33 min
  • Minas Embaçadas: Hipátia de Alexandria
    Hipátia nasceu na cidade de Alexandria, no Egito no ano 351 d.C.. Nós não sabemos com certeza se esse foi o ano exato de nascimento dela mas é o mais provável. Nesse período o Egito e consequentemente Alexandria pertenciam ao grande Império Romano, que já estava passando por seus momentos de enfraquecimento e logo mais irá cair. É importante falar do lugar que ela nasceu e como estava a política daquele período porque ao longo do episódio a história de Alexandria e de Roma vão cruzar com a história da nossa personagem. Hipátia, ou Hipácia, de Alexandria nasceu de uma família de posses, mas não sabemos o nome de sua mãe. Nós sabemos que ela tinha boas condições financeiras e sociais porque seu pai foi um homem chamado Téon de Alexandria, um dos mais importantes professores de filosofia, astronomia, e matemática na sua cidade. Nós não temos acesso a muitos documentos sobre a infância da Hipátia, mas o que sabemos é que ela era bastante próxima do seu pai, que incentivava bastante a busca pelo estudo por parte da sua filha. Seu pai foi um dos maiores responsáveis por mostrar a Hipátia que um dos principais objetivos da vida deveria tentar descobrir aquilo que ainda é desconhecido. Só que a filosofia da época tinha uma forma bem interessante de pensar a relação entre mente e corpo. O ideal Helênico dizia que para a mente ser sã, o corpo também precisava ser são. Ou seja, os pensadores também tinham que desenvolver habilidades físicas! Por ser filha de um importante pensador, quando atingiu à juventude, começou a estudar na Academia de Alexandria¸ um dos mais importantes centros de estudo do mundo daquele período. A Alexandria sempre teve um legado muito grande ligado ao estudo e ao desenvolvimento cultural da sociedade. Tanto que Alexandria tinha uma das maiores bibliotecas do mundo, diversos museus e artefatos que Alexandre o Grande e seus sucessores usavam para mostrar o quanto eles valorizavam a cultura. Durante toda a sua vida de estudos e de ensinamentos, Hipátia nunca escreveu algum livro sobre sua própria vida, escrevendo apenas tratados sobre matemática, filosofia, astronomia e lógica. O que sabemos sobre sua personalidade e características pessoas é tirado de um livro de um cara chamado “Sinesio de Cirene”, que foi um Bispo Cristão que por muito tempo foi aluno de Hipátia e trocou com ela uma série de cartas. São essas cartas que temos acesso até hoje e podemos descobrir mais sobre essa importante pensadora.
    49 min
  • Eu vou fazer você odiar a Dinamarca
    A Dinamarca é um país da Europa, mais identificado como um país nórdico (uma das origens dos Vikings). A Dinamarca sempre aparece no debate de internet porque muitos dizem que é um país socialista, mas a real é que a Dinamarca tem uma economia de mercado voltada para o Bem-estar social.
    Quando falamos de países europeus e motivos para odiá-los é praticamente impossível não pensar na sua relação com as colônias ao redor do mundo. A Dinamarca é um desses países que passa desapercebido nesse debate, mas que teve uma presença bem forte na colonização da América. E como você bem sabe, colonização é quase um sinônimo de escravização. E a Dinamarca foi nada menos do que o sétimo país que mais usou o trabalho escravo nas colônias.
    A Dinamarca aqui na América colonizou três ilhas que ficam no Caribe: São Tomás, São João (Stn John) e as Ilhas Virgens. Como eram territórios pequenos a Dinamarca não precisou entrar em guerra com nenhuma outra potência para conseguir ficar nesse lugar, mas eles tinham um problema: Como era pequenas ilhas, eles não tinham tanta mão de obra disponível para desenvolver o seu mercado de açúcar, um produto valioso do século XVII. O que eles fizeram então? Sequestraram pessoas da África.
    O lugar que os dinamarqueses mais iam buscar escravos era na região que hoje conhecemos como Gana. Dinamarca chegou a construir um Forte em Gana e levou para o Caribe aproximadamente 110 mil ganeses escravizados. Era um território muito pequeno para essa quantidade de pessoas.
    A escravidão dinamarquesa tinha como principal característica o uso desse trabalho na produção de açúcar e no trabalho doméstico nas fazendas senhoriais. Os escravizados até organizaram algumas rebeliões e mais famosa aconteceu em 1733. A revolta dos escravizados foi tão grande que a Dinamarca precisou pedir ajuda da Inglaterra para conter os escravos. Essa rebelião durou aproximadamente 8 meses e terminou com um massacre desses revoltosos.
    Mas a questão que eu quero trazer aqui para você hoje é que a Dinamarca se apresenta como um país muito bonzinho em relação a escravidão e afirma ter sido o primeiro país do mundo a abolir a escravidão de uma vez por todas em 1792, só que a verdade não é bem assim.
    Até estava rolando um debate sobre a proibição da escravidão alguns anos antes, principalmente na Inglaterra e como a Dinamarca queria estar próxima dos ingleses eles tentaram dar sequência nessa discussão. O que aconteceu foi que um homem chamado Ernest Schimmelmann, que era um ministro do governo dinamarquês, vendo esse debate sobre a proibição da escravidão propôs uma lei no país: disse em 1792 que a Dinamarca deveria acabar com a compra e venda de escravos, tendo como meta fazer isso em até dez anos.
    Ernest era o homem que mais tinha escravos na Dinamarca, aproximadamente 1.300 escravizados, e lucrava demais com eles. No intervalo desses 10 anos o cara comprou milhares de escravos, os tratou bem para que ficassem saudáveis e os incentivou a ter muitos filhos, mas por quê? A lei falava na proibição da compra e venda de escravos, e não no TRABALHO ESCRAVO EM SI.
    Dessa forma a Dinamarca ficou bem na fita, sendo o primeiro país a proibir a comercialização de pessoas, mas nesse mesmo período viu a escravidão explodir em suas ilhas. Dentro da rotina dos escravos ele até aliviou a carga de trabalho para dar mais tempo livre para os escravos se “reproduzirem”, palavras dele. Em 1803, a compra e venda foi finalmente proibida, como previa a lei. Mas a lei tinha uma brecha dizendo que entre as três ilhas (as colônias dinamarquesas), ainda era possível fazer a comercialização de pessoas.
    36 min
  • Mitologia Japonesa
    O que vou chamar de mitologia japonesa surgiu dentro do Xintoísmo, que pode ser considerado a religião nacional do Japão. A mitologia japonesa está baseada em dois livros, um chamado Kijiki, que é o livro mais antigo sobre a história do Japão, feito no ano de 712 d.C. (usando o nosso calendário); e o segundo livro é o Nihonshoki, que é um livro de crônicas e considerado o segundo mais antigo da história do Japão. Mesmo esses dois livros terem algumas pequenas divergências entre eles, são considerados os fundadores da mitologia japonesa e até hoje são lidos e estudados como forma de conhecer a própria história do Japão e seus deuses. A Mitologia Japonesa se forma em um momento em que o Budismo estava crescendo, principalmente na China e chegou até a influenciar o Xintoísmo e os japoneses. Até por isso esses dois livros que eu comentei com você foram escritos, para organizar a parada. Mas como toda boa mitologia, no início de tudo era o caos. Praticamente todas as mitologias e religiões se iniciam com essa ideia de caos que em seguida foi organizado e na Mitologia Japonesa isso aconteceu depois que a terra e os céus se separaram e espontaneamente surgiram os três Kamis, que são espíritos da natureza, a tríade da natureza. Os Kamis não chegam a ser deus ou deuses, e sim espíritos. Os Kamis tinham uma função nesse mundo que estava aos poucos se organizando. Esses Kamis deram origem a outros Kamis e dentro da Mitologia Japonesa esses Kamis viraram espíritos que estavam em todos os elementos da natureza e até nas emoções. O Kami das águas, das florestas, das lágrimas, do segundo rio, etc. Quando a terra se separou dos céus, nesses dois ambientes surgiram Kamis que criaram algumas coisas em cada um dos lugares mais depois desapareceram. Os Kamis dos céus criaram a condensação do ar, enquanto os Kamis da terra criaram os bambus. Mas como disse, todos desapareceram. Depois da sétima geração de Kamis que desapareceram, finalmente surgiu e se apresentou ao mundo Izanagi e Izanami. Izanagi era o macho que convida; e Izanami era a fêmea que convida. São conhecidos como o par primordial, aqueles que vão dar origem a todas as coisas. Para a Mitologia Japonesa, o início da vida se dá a partir da criação de um homem e de uma mulher. Quando esse “casal” apareceu, os Kamis que tinham desaparecido voltaram e deram a eles a missão de organizar a terra. Toda boa mitologia que se prese além de deuses, espíritos e criação de mundos tem elementos ferramentas especiais para executar determinada função. O maior exemplo disso é o Thor e seu martelo. Izanagi e Izanami receberam uma lança decorada com joias, chamada Amenonuhoko (lança do céu). Com essa lança, Izanagi que estava nos céus, remexeu a terra e quando levantou a lança uma gota caiu. Essa gota seria a primeira ilha, que comporia o Japão. Não sei se seus conhecimentos de geografia chegam a esse ponto mas o Japão é um arquipélago, conjunto de ilhas. Essa grande ilha passou a se chamar Onogoro, e serviu como morada de Izanagi e Izanami. O que temos aqui é um “pai” e uma “mãe” primordial, assim como temos em outras mitologias. Adão e Eva; Gaia e Urano, etc. Nesse ponto dá para ver que de certa forma boa parte das mitologias tem algo em comum, mesmo que de origens completamente diferentes uma das outras.
    44 min
  • Eu vou fazer você odiar a Arábia Saudita
    A Arábia Saudita é um país da Ásia, só que fica numa região popularmente mais conhecida como Oriente Médio. Antes de toda a descoberta do petróleo e essas paradas, o território que hoje é a Arábia Saudita foi importante porque foi o local em que o Islamismo surgiu e se desenvolveu.
    Tanto que aquela peregrinação que todo muçulmano precisa fazer uma vez na vida é para a Arábia Saudita, porque Meca fica nesse país.
    O país é uma monarquia absolutista teocrática, tanto que esse país não tem uma constituição própria. O Alcorão e a Sharia são a “constituição” e o conjunto de leis da Arábia Saudita. Como você pode imaginar, ter as normas religiosas como leis civis pode dar um problema enorme, como falamos em outros países, mas na Arábia Saudita a parada escala de uma forma gigantesca.
    Um exemplo disso é que esse país não diz que “todos são iguais perante a lei”, lá é justamente ao contrário. A lei não assume uma igualdade das pessoas: tanto as regras de casos civis como a aplicação de penas criminais têm diferenças entre homens e mulheres, muçulmanos e não muçulmanos, e em muitos casos até entre classes sociais. Na prática isso diz que se você (brasileiro que mora na AS) ganhar alguma causa no tribunal, o seu benefício será proporcionalmente menor do que um homem muçulmano.
    Um relatório de uma ONG de Direitos Humanos disse o seguinte: “No caso de um tribunal proferir uma sentença a favor de um queixoso que seja judeu ou cristão, o queixoso só tem direito a receber 50 por cento da indemnização que um muçulmano do sexo masculino receberia; todos os outros não muçulmanos (budistas, hindus, jainistas, sikhs, animistas, ateus) só têm direito a receber 1/16 da quantia que um muçulmano do sexo masculino receberia".
    Uma das coisas que não falamos muito é sobre a escravidão em países asiáticos e árabes. Ela não só existiu como na Arábia Saudita existia até pouco tempo. E aqui não é a escravidão negra que costumamos aprender na escola e sim escravizados que vinham da África Oriental, mas principalmente do Sul da Ásia. Depois de muita pressão internacional, a escravidão foi abolida no país em 1962! Por ser tão recente, é possível imaginar que vários traços de abuso relacionados ao trabalho ainda existam e sejam muito presentes.
    Infelizmente essa questão de abuso pode ser vista dentro das famílias. Não é incomum vermos casos que são levados à justiça por crimes contra a honra. Em geral, algum homem, pai ou esposo se sentiu lesado e aplicou uma punição com suas próprias mãos e não recebeu nenhum tipo de punição mais grave justamente por estar reivindicando sua honra. Um exemplo disso aconteceu com um homem que estava em dúvidas se sua filha de 7 anos de idade não era mais virgem. Esse pai abusou da criança e bateu nela com a justificativa de que estava limpando sua honra.
    49 min
  • Vale-Tudo: a origem do MMA feat. Tiago Pamplona
    Qual é a melhor arte marcial? Ou qual é a arte marcial mais eficiente? Com técnicas capazes de derrotar todas as outras? Essa é a pergunta que o Vale Tudo tentou responder. As origens do MMA vieram de grandes mestres de diversas disciplinas diferentes se desafiando para tentar provar que a sua arte marcial era a melhor. E é óbvio que se tem briga, o Brasil precisa estar envolvido. Uma das protagonistas dessa história é a família Gracie, que é um dos grandes nomes o Jiu-Jitsu, uma arte marcial com origens japonesas mas muito praticada no Brasil.
    56 min
  • Amor de golfinho
    John Cunningham Lilly nasceu em 1915 em Los Angeles e logo se interessou pela área da saúde e da pesquisa da mente humana. Ele foi um médico e psicanalista que se especializou em neurociência, ou seja, o cara era um especialista na mente humana.
    Ele foi considerado um cientista que tinha métodos exóticos. Na verdade, provavelmente ele é uma das figuras mais controvérsias da história da ciência! Além de fazer pesquisas com golfinhos, que vamos falar com mais detalhes hoje; John Lilly também era uma referência no estudo da Consciência humana
    John Lilly também conduzia pesquisas com substâncias enteógenas, substâncias que tem a capacidade de alterar o nosso estado de consciência, como por exemplo o LSD. John Lilly tinha autorização do governo para realizar os experimentos com esse tipo de substância. Além de pesquisar esses assuntos “exóticos”, muitas vezes John Lilly misturava essas pesquisas em uma só.
    A carreira do John Lilly se tornou ainda mais controvérsia porque além de pesquisar sobre Quetamina (uma espécie de alucinógeno), ele começou a usar a substância. Teve até uma entrevista que o jornalista perguntou assim: “Você não acha que o vício pode atrapalhar seus resultados?” Ai o Lilly respondeu o seguinte: “Quando alguém pesquisa e começa a usar a substância, quem está de fora chama isso de vício. Mas toda pesquisa é obsessiva e compulsiva.”
    Quando John Lilly começou a pesquisar essas substâncias ele começou a misturar sua pesquisa com as alucinações que ele tinha. Ele dizia que quando atingia esses níveis elevados de consciência, acreditava estar falando com entidades cósmicas que revelaram a ele alguns segredos do universo, como por exemplo que somos controlados por uma entidade que tem a capacidade de controlar o futuro.
    Na década de 1960, John Lilly intensificou suas pesquisas em explorar e analisar o que de fato um golfinho pode fazer. Porque sempre tem aquele papo de que golfinhos são inteligentes, mas “quanto e como?” era isso que ele queria responder. Lilly já tinha comprovado que os golfinhos conseguiam diferenciar o lado esquerdo do direito do cérebro, os golfinhos conseguiam se reconhecer pelo reflexo no espelho. Tem o famoso sonar, que é a forma de se localizar que o golfinho tem e ele também percebeu que os animais também conseguem criar laços familiares muito profundos.
    O governo americano financiou uma pesquisa do John Lilly para pesquisar os laços entre humanos e golfinhos. Quando Lily começou sua pesquisa, ele percebeu que de alguma forma os golfinhos pareciam responder aos estímulos humanos, como se eles quisessem dar alguma resposta mesmo. Em alguns relatórios dessa pesquisa os cientistas até afirmaram que os golfinhos emitiam sons que pareciam palavras em inglês. Em uma primeira pesquisa Lilly publicou um livro sobre isso e fez até um sucesso. Com essa fama, o governo financiou mais uma pesquisa em 1963, só que dessa vez no Caribe.
    Foi nessa pesquisa do caribe que as coisas ficaram extremamente bizarras! Para começar, Lilly conheceu uma jovem chamada Margaret Howe Lovatt, que morava na região do laboratório e era muito interessada pelo que Lilly estava fazendo, tanto que quis participar de alguma forma, mesmo não sendo nenhum tipo de pesquisadora ou cientista. A Margaret Lovatt foi escolhida então para ser essa pessoa que iria tentar se comunicar com os golfinhos. Por dia ela passava muitas horas perto do tanque de água onde os animais ficavam para ver se eles respondiam aos estímulos que ela dava enquanto a equipe do Lilly registrava tudo.
    Quanto mais tempo a Margaret passava ali, mais ela ficava encantada e envolvida com os golfinhos até que ela propôs a seguinte situação para John Lilly e sua equipe: “Que tal eu morar aqui com os golfinhos?”. Talvez a maioria das pessoas achasse essa ideia meio bizarra, mas Lilly curtiu pois isso iria fazer com que os animais ficassem mais tempo em contato com a voz humana e aprovou a ideia! A jovem Margaret foi morar em cima do laboratório e
    30 min
  • Eu vou fazer você odiar o México
    Boa parte do território que hoje é dos EUA antes pertencia ao México. Por isso povos nativos que muitas pessoas acham que só tiveram conflito com os estadunidenses também tiveram suas tretas com os mexicanos. Um exemplo disso são os Apaches e o governo Mexicano em 1835. Nesse ano, o governador do Estado de Songara emitiu um decreto oferecendo uma recompensa para pessoas que chegassem na sede do governo com o escalpo (couro cabeludo) de um Apache. Com o tempo o governo chegou a pagar aproximadamente 100 pesos para cada escalpo de um Apache maior de 14 anos de idade.
    Essa prática se tornou famosa e outros Estados começaram a oferecer o mesmo tipo de recompensa para quem chegasse com um escalpo indígena. O Estado de Chihuahua também ofereceu recompensa, 100 pesos por guerreiro, 50 pesos por mulher, e 25 pesos por criança. Era genocídio.
    Esse tipo de prática fez com que existisse uma espécie de “turismo da matança” para o México. Eslavos, anglo-saxões e até escravizados fugitivos dos EUA iam para o México tentar fazer dinheiro.
    Um presidente importante do México foi Porfírio Diaz, que governou o país entre 1884 e 1911. Durante esse governo ele reprimiu um povo em específico, os Yaqui. O massacre e a escravidão contra a tribo Yaqui reduziram a população de 30.000 para 7.000, com cerca de 20.000 Yaqui sendo mortos apenas na cidade de Sonora.
    Além disso, outro problema do país era que existiam latifundiários, a maioria estrangeiros, que dominavam quase toda a terra do país e a sua população ficava com bem pouco, ou quase nada.
    Só que como Porfírio Diaz estava no poder há tanto tempo, quase como que um ditador, depois de determinado tempo algumas lideranças populares se levantaram para questionar a forma que a política estava sendo administrada no país. Surgiram duas lideranças importantes nesse processo: Emiliano Zapata e Pancho Villa. Zapata acabou sendo o principal nome e foi decisivo no início da Revolução Mexicana, em 1910. A principal proposta de Zapata para o país era uma grande REFORMA AGRÁRIA, para que a população também pudesse ter acesso a terras e produzir.
    Só que terra é dinheiro e os caras do poder vão perseguir Zapata e Pancho Villa a todo custo. Eles lideravam grupos diferentes, mas que tinham o mesmo objetivo.
    Em 1914 os revolucionários já tinham conseguido derrubar o ditador Porfírio Díaz, e para você ver como Zapata estava interessado apenas na reforma agrária, ele recusou um cargo no novo governo que estava começando. Muita gente no lugar dele ia aproveitar essa oportunidade para ficar no poder e usufruir de privilégios.
    Por uma série de motivos a sucessão de poderes no México foi bastante complicada. Os políticos não estavam cumprindo sua parte no acordo que era fazer uma reforma agrária e os revolucionários Zapata e Villa continuaram a pressionar por mudanças. A parte revoltante é que mesmo tirando o ditador e mudando a governança, Emiliano Zapata e Pancho Villa continuaram a ser perseguidos. Zapatta foi morto violentamente em uma emboscada em 1919 e Pancho Villa morreu em 1923 também assassinado. A morte desses dois líderes revolucionários colocou um fim à Revolução Mexicana e fez com que as expectativas de mudança fossem perdidas. Até hoje existem grupos no México que tentam algum tipo de reforma agrária para que tenham mais chances de mudar de vida, mas nada. No México a burguesia tomou o poder e eliminou suas principais dores de cabeça: Zapata e Villa.
    34 min
  • A mulher que acredita ter vivido no Egito em uma vida passada.
    Dorothy Louise Eady nasceu em 16 de janeiro de 1904 em Londres, Inglaterra. A família dela era bem normal, sua mãe era dona de casa e seu pai era um mestre alfaiate. Porém, as coisas na vida da pequena Dorothy começaram a mudar quando ela completou três anos de idade. Ela estava na casa dela e de repente caiu da escada! Rolou escada à baixo e parecia que a Dorothy tinha morrido. A família foi para cima da criança saber se estava tudo bem, e as primeiras palavras da Dorothy depois de cair da escada foram: “Me leva para casa...Me leva para casa”.
    Depois de alguns dias, ela começou a apresentar alguns comportamentos muito estranhos. Por exemplo, ela desenvolveu uma síndrome que chama Síndrome do Sotaque Estrangeiro, ela começou a falar como uma não-inglesa. A família de Dorothy era cristã e eles tinham um hábito de levar a criança para uma coisa que chama “escola dominical”, só que a professora dessa escola bíblica chegou pros pais dela e disse: “Olha, não tragam mais sua filha não, ela fica comparando o cristianismo com umas religiões pagãs”. Só que o curioso é que a criança gostava de ir na missa e na igreja, pois isso lembrava ela da “Velha Religião”, assim que ela se referia a algum tipo de culto antigo. A Dorothy chegou a ser expulsa de uma escola que estudava porque se recusou a cantar o hino que fazia referência ao deus cristão.
    Depois do acidente ela também começou a sonhar com muita frequência com um grande prédio que tinha grandes colunas e jardins, durante a noite ela tinha crises de choro e voltava a falar que queria voltar para casa, mas que não sabia muito bem onde seria essa casa. Mas as coisas começaram a mudar quando a garota completou 4 anos de idade, em 1908. Nessa data, os pais levaram a garota para conhecer o Museu Britânico. Quando a Dorothy chegou no corredor do Egito ela ficou alucinada! Começou a beijar os pés das estátuas que estavam ali e ficou parada por alguns minutos na frente de uma múmia. Quando os pais dela tentaram tirá-la de lá para irem embora a garota disse: “Deixe-me aqui, este é o meu povo!”.
    De alguma forma ela achava que era egípcia ou algo assim. Os pais conseguiram levá-la para casa, e o pai comprou uma enciclopédia infantil que tinha imagens de artefatos egípcios e a garota se acalmou por um tempo.
    Quando a Dorothy chegou na adolescência ela voltou para o Museu Britânico, mas agora para ir atrás de um pesquisador que tinha lá chamado Wallies Budge, e aprender com ele tudo sobre arqueologia egípcia. Ele era um arqueólogo britânico que já tinha feito escavações no Egito, Sudão e na Mesopotâmia. Então quando a Dorothy não estava na escola, estava com o Sir Ernest Wallies Budge sendo praticamente sua discípula na arte de decifrar os hieróglifos egípcios.
    Quando ela atingiu a fase adulta, Dorothy ingressou em uma escola de arte onde começou a colecionar antiguidades egípcias que eram mais acessíveis. Foi nessa fase da vida que ela começou a frequentar grupos que falavam sobre reencarnação, e assuntos relacionados a isso. Porém, depois de visitar uma série de grupos ela desistiu porque nenhum supriu aquilo que ela estava procurando.
    Dorothy Eady passou a escrever artigos defendendo a independência e libertação do Egito da dominação Inglesa. Próxima dos 30 anos de idade ela conhece um estudante egípcio chamado Emam Abdel Meguid e logo eles se casam. Em 1931 o casal se mudou para o Egito e a Dorothy disse: “Finalmente estou em casa”, e beijou o chão. Foi no Egito que ela engravidou e deu o nome de seu filho de Seti, e ela recebeu o apelido Omm Seti, que significa “mãe de Seti”; seguindo um antigo costume egípcio de não chamar as mulheres pelo nome.
    Em algumas noites Dorothy levantava da cama no meio da noite e começava a escrever hieróglifos, em que ela dizia serem ditados por um espírito chamado Hor-Rá. Dessas visões, ela escreveu setenta páginas onde estava o relato de que ela teria vivido durante a antiguidade egípcia e que era uma mulher que tinha falecido muito jovem,
    30 min
  • Hans Staden e o canibalismo no Brasil
    Hans Staden nasceu em 1525 em Homberg, um dos municípios da atual Alemanha. Na época em que o Hans nasceu e cresceu, os países europeus tinham acabado de chegar aqui na América. E descobrir que existia um mundo que ainda não tinha sido explorado foi algo que mudou completamente a vida e a forma que os europeus encaravam o mundo. Até a religião foi impactada com essa descoberta, porque agora eles tinham todo um campo novo para levar a sua mensagem. Tinha um número bem considerável de navios que saíam da Europa e simplesmente não chegavam no seu destino, por uma série de razões. Seja algum saque ou até mesmo naufrágio. Então se aventurar em terras estrangeiras em uma viagem pelo mar era algo arriscado. Mas mesmo com todos esses riscos, o jovem Hans em 1547, quando ele tinha 22 anos, saiu da Alemanha e foi em direção à Lisboa, Portugal, para embarcar rumo às Américas. Hans fez então a sua primeira viagem para o Brasil chegando aqui em 1549, descendo no Porto de Recife, em Pernambuco. Nessa primeira viagem, ele foi em uma embarcação que tinha como objetivo pegar o Pau-Brasil e levar para a Europa. Esse era o objetivo principal, mas o navio saiu com tarefas secundárias também. Como por exemplo interceptar navios franceses que estivessem fazendo negócios com a colônia. Era proibido que as capitanias negociassem com países que não fossem Portugal. Além disso, o navio também transportava alguns criminosos e pessoas que foram julgadas em Portugal para serem levadas ao Brasil. Só que quando Hans chegou em Pernambuco, ele chegou em um momento de conflito. O governador de Pernambuco chamado Duarte Coelho estava enfrentando uma revolta indígena. Então o governador solicitou o apoio do maior número de pessoas para poder enfrentar essa rebelião dos Caetés, povo que tinha se levantado contra a administração central. Hans Staden assim que chegou foi recrutado para lutar contra uma revolta dos Caetés. E quando ele chegou lá, enfrentaram mais de 8 mil indígenas e depois de muito sangue os europeus e a força local derrotaram os nativos. Se não bastasse ter que lutar contra os nativos, o grupo do Hans ainda precisou lutar contra um navio francês que estava tentando atracar no Brasil. Nessa primeira viagem ele ficou até outubro de 1549 e nesse mês voltou para a Europa, são e salvo. Ele voltou para o Brasil anos depois e foi capturado por Tupinambás, que eram canibais. Em seu livro Duas Viagens Ao Brasil, a primeira coisa que ele diz é que desde o primeiro momento ficou claro que a intenção dos Tupinambás que sequestraram o grupo era “devorá-los”! Durante o tempo que o Hans ficou com os tupinambás ele pôde ver como se organizavam, trabalhavam e praticavam seus cultos. E foi nessa passagem que ele viu rituais de antropofagia, ou seja, de canibalismo! É claro que o canibalismo não dessas tribos não era comer carne humana no almoço de domingo. Tinha uma relação muito forte com comer a carne dos seus inimigos, de guerreiros e uma parada religiosa, porque isso era feito dentro de um ritual. Olha só o que ele falou no livro dele: “Fazem isto, não para matar a fome, mas por hostilidade, por grande ódio, e quando na guerra escaramuçam uns com os outros, gritam entre si, cheios de fúria” Ao todo Hans ficou 9 meses sequestrado com os Tupinambás e morrendo de medo de ser devorado. Ele chegou a ver pessoas que estavam com ele serem comidas. Hans só foi resgatado dali com vida nove meses depois quando um corsário francês chegou no litoral e viu que Hans estava ali como um “refém”. O feito mais importante de Hans nem foi ter sobrevivido e sim ter escrito sobre o que ele viveu.
    31 min

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Um professor e um brother conversam sobre várias paradas históricas inacreditáveis que realmente aconteceram.

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